Marketing acadêmico: artigo publicado sobre a importância dos acampamentos na formação da identidade Sem Terra

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Em colaboração com o meu ex-orientando Diego Carvalhar Belo, hoje doutorando do Programa de Sociologia e Política da UENF, acabo de publicar o artigo “Acampamentos do MST e sua importância na formação da identidade do Sem Terra” que usa a experiência de acampamentos transformados em assentamentos de reforma agrária no Norte Fluminense para refletir sobre a experiência de ser acampado do MST no desenvolvimento de uma nova forma de consciência política.

O artigo foi publicado pela Revista NERA, criada em 1998, é uma publicação do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA), vinculado ao Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Presidente Prudente.  Quem quiser acessar o artigo gratuitamente basta clicar Aqui!

Superporto e conflito agrário: agora é em Presidente Kennedy

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Pode até parecer coincidência, mas não é. Na minha postagem anterior falei da possibilidade de conflitos agrários na região de Presidente Kennedy, na mesmo tempo em que se constrói lá mais um superporto como o do Porto do Açu. E não deu outra, pois ontem mesmo lá estava ocorrendo um confronto entre policiais e membros dos Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que se mobilizaram contra a prisão de vários membros de um assentamento existente no município.

O mais lamentável é saber que essa política de transformação de nossas áreas costeiras em meras plataformas de exportação de commodities ainda vai resultar em muito mais conflitos. A ver!

MST/ Cinco presos em Kennedy

MST

Cinco pessoas do Movimento Sem Terra (MST) foram presas na manhã de ontem, após serem intimados a prestarem esclarecimentos na Delegacia de Presidente Kennedy. Eles tiveram que responder sobre denúncias envolvendo membros do assentamento rural daquela área.

Foram detidos: Gelson Ferreira Sampra, 45 anos, Edivaldo Ferreira Silva, 41 anos, José Maria Mello Condack, 29 anos, Gendinelson da Silva Jesus, 33 anos, Jonas Gonçalves de Abreu, 55 anos, por diversos crimes de incêndio, ameaças contra funcionários da fazenda e também pelo crime de quadrilha e bando.

Quando os 15 intimados se dirigiram para a delegacia, cerca de 100 integrantes do movimento que estão assentados na Fazenda Santa Maria seguiram para o local para protestar. Desde maio de 2009 eles ocupam parte da propriedade, que já foi desapropriada.

Nos últimos meses, houve protestos e eles colocaram fogo em um curral, além de deixarem a estrada que dá acesso a comunidade de São Bento fechada por alguns dias.

Os manifestantes acusaram os policiais de abuso de autoridade e continuaram com as manifestações. Os policiais fizeram uma barreira de proteção para conter os manifestantes, foi preciso reforço de polícia de Marataízes, Itapemirim, Piúma, Iconha, Cachoeiro de Itapemirim e Mimoso do Sul.

Fonte:http://www.aquies.com.br/site/conteudo.asp?codigo=8017

Dilma Rousseff se rende de vez ao agronegócio poluidor e escravocrata

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Depois os neopetistas reclamam de que se afastou da sua agenda de neoliberalismo travestido de desenvolvimentismo! Hoje no lançamento no Plano Agrícola e Pecuário de 2014/2015, a presidente Dilma Rousseff afirmou ao lado da dublê de senadora e latifundiária Kátia Abreu que oBrasil tem motivos de sobra para se orgulhar do agronegócio” (Aqui!). Ainda que a parceria com a “rainha das motosserras” não seja nova, essa chancela oficial ao agronegócio demonstra qual é a verdadeira face do (des) governo liderado pelo PT. 

E essa é uma face tenebrosa! Afinal, graças à opção preferencial que o PT fez pelo agronegócio, o Brasil se tornou o principal consumidor mundial de agrotóxicos e caminha para se ocupar esse posto no consumo de sementes transgênicas. Além disso, apesar da redução do número de equipes, o latifúndio agro-exportador é ainda o principal alimentador do trabalho escravo no Brasil. Essa combinação de financiamento subsidiado pelo Estado, e poluição ambiental associada à negação básica dos direitos dos trabalhadores, é que alimenta as margens de lucros dos latifundiários, e não uma suposta capacidade de produção dos latifundiários.

Ao mesmo tempo em que enche os cofres do latifúndio, Dilma Rousseff congela a reforma agrária e entrega uma porção insignificante do fomento agrícola à agricultura familiar que, paradoxalmente, responde por 70% da produção dos alimentos consumidos pelos brasileiros. 

Diante dessa aliança é que eu me pergunto até quando o MST e outros movimentos e organizações sociais vão ficar numa posição vacilante e acomodada frente a um governo que de esquerda não tem nada. E tome agrotóxicos na nossa cabeça!

Por terra e desenvolvimento dos assentamentos, MST marcha pelo Rio nesta quarta

Jornada de Lutas de Abril 2012 / Acervo MST

Em sua jornada lembrando os 18 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, onde 21 Sem Terra foram assassinados no Pará, o MST realiza ações em todo Brasil neste mês. No Rio, a data será lembrada nesta quarta, dia 14 de maio.

A programação inclui manifestações no INCRA, pela manhã, e na Caixa Econômica Federal pela tarde. O primeiro órgão é apontado como responsável pela demora na desapropriação de terras, enquanto o segundo tem falhado na liberação de recursos para desenvolvimentos dos assentamentos.

A pauta de reivindicações inclui principalmente a infra-estrutura dos assentamentos, já que muitos não possuem estradas, água encanada e nem eletricidade. Além disso, assistência técnica, crédito, agroindústrias e programas de educação do campo entram em discussão.

Em relação às terras, o MST exige a desapropriação de 10 áreas no estado do Rio. Muitas delas já foram declaradas improdutivas, e algumas famílias aguardam acampadas há 9 anos, como é o caso do acampamento Irmã Dorothy, em Quatis. Outro caso emblemático é o complexo da Usina Cambahyba, em Campos, onde hoje existem os acampamentos Luis Maranhão e Oziel Alves. Segundo denúncias, os fornos da usina foram usados para incinerar corpos de militantes durante  a ditadura.

Em todo o Brasil, o MST já ocupou mais de 60 latifúndios e prédios públicos. A reação dos ruralistas já provocou a morte de 3 Sem Terra: Valdair Roque foi assassinado no dia 4/05, no Paraná, e  Francisco Laci Gurgel Fernandes e Francisco Alcivan Nunes de Paiva, no dia 6, na Chapada do Apodi (RN).

Mais informações:  2263-8517 (Vanessa Ramos)

FONTE: http://boletimmstrj.mst.org.br/por-terra-e-desenvolvimento-dos-assentamentos-mst-marcha-pelo-rio-nesta-quarta/

Nos preparativos do VI Congresso do MST, Stédile diz que governo Dilma foi “bundão” com a reforma agrária

Enquanto o MST prepara o seu VI Congresso Nacional, o seu principal intelectual, João Pedro Stédile deu uma entrevista em que oferece uma visão ampla das posições do maior movimento social da América Latina sobre a situação política brasileira.

Numa declaração que reflete bem a irritação do MST com o abandono do PT do compromisso histórico com a reforma agrária no Brasil, Stédile disse em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo que “o governo Dilma foi bundão para a reforma agrária, não teve coragem de fazer desapropriação. Nos oitos anos do Lula, a média era de 80 mil famílias por ano em áreas desapropriadas. Nos três anos anos da Dilma, a média foi de 30 mil, porém a metade foi em projetos de colonização na Amazônia. Em área desapropriada mesmo foi 15 mil. O governo sabe que está em dívida conosco.”

Um resultado deste desconforto da base  do MST, Stédile avalia que uma parcela significativa dos militantes votará em Eduardo Campos e não em Dilma Rousseff nas próximas eleições.  Se isso realmente ocorrer, esta será a primeira vez que o PT não terá o grosso dos votos do MST.

Agora só faltam os neopetistas dizerem que os militantes do MST também são “coxinhas” de direita.

Para ler a entrevista completa de Stédile, basta clicar Aqui!

 

Um ano sem Cícero Guedes e Regina dos Santos

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Participei na sexta-feira do “Encontro de amigos e amigas do MST no Norte Fluminense” e um dos pontos altos do evento foi a celebração da vida dos militantes Cícero Guedes e Regina dos Santos Pinho que foram assassinados no início de 2013. Soube da morte do Cícero quando voltava de uma visita a Itaocara, e o baque da notícia foi forte. Não posso dizer que era amigo dele, mas éramos parceiros de jornada, cada um na sua lida. Já Regina, eu somente a encontrei em poucas ocasiões, mas ela esteve sempre presente nas pesquisas que meus orientandos vem fazendo no Assentamento Zumbi dos Palmares desde sua criação em 1998. Mas sei que de um jeito muito diferente do Cícero, Regina era igualmente firme e decidida na luta pela reforma agrária. Somada a perda dos dois, digo que tivemos foi uma profunda lacuna de liderança que só agora começa a ser coletivamente preenchida.

Por outro lado, quem conhecesse a vida desses dois não poderia deixar de considerá-los como pessoas notáveis. Afinal, viverem sempre em meio às dificuldades que marcam a vida da maioria dos brasileiros, combatendo a própria pobreza mas, mais importante do que isso, combatendo a pobreza alheia. Cada um dos seu jeito, Cícero e Regina eram pessoas que se preocupavam com os seus camaradas. Tanto isto é verdade que foram mortos porque continuaram defendendo o direito de outros pobres terem o seu pedaço de terra para cultivar. Se tivessem se acomodado dentro de seus lotes é provável que ainda estivessem vivos. Entretanto, viveram e morreram por manter suas idéias coladas às suas práticas, e isto é muito mais do que muitos doutores e mestres podem fazer. Para compromisso e firmeza de propósito, a melhor escola ainda é a vida, e, nestes quesitos, esses dois bravos brasileiros não foram apenas estudantes, mas profundos educadores de todos nós.

Não obstante meu entendimento de que os dois seguiram o caminho que escolheram, a ausência deles é sentida. Não porque suas mortes acabaram com o MST no Norte Fluminense. Aliás, neste aspecto é bem provável que o martírio dos dois tenha reforçado a chama da indignação e da disposição para aprofundar a luta pela reforma agrária nos militantes que continuam vivos e lutando, muitos inspirados no que Cícero e Regina significaram e significam para eles. A perda que não se resolve é a da presença física dessas duas pessoas firmes e enérgicas em suas idéias, mas igualmente generosas e dedicadas à Humanidade. Esse tipo de pessoa é singular dentro de um sistema econômico que nos empurra todos ao consumismo fútil e ao individualismo mais grosseiro. São pessoas do quilate de Cícero e Regina que nos lembram que é possível manter as melhores características que um ser humano pode ter, mesmo que tendo sido a eles negados alguns dos direitos básicos que nossa precária sociedade já adotou.

Por tudo o que significaram, Cícero e Regina sempre vão me inspirar. Espero que inspirem a muitos outros mais, mesmo aqueles que não tiveram como eu, o privilégio de conhecê-los em vida.

MST faz encontro e estabelece prioridades para o Norte Fluminense

Em um encontro que misturou a celebração de seus mártires Cícero Guedes e Regina Santos com a preparação para a realização do seu congresso nacional, o MST apontou suas metas de atuação no Norte Fluminense para 2014. Fazendo uso da palavra em nome da direção regional do MST, Marina dos Santos apontou para as várias tarefas que deverão resolvidas, não apenas pelo movimento, mas também por seus amigos e amigas que atuam em sindicatos e universidades. Nesse sentido, Marina dos Santos apontou ainda que uma das principais tarefas que o MST quer resolver em 2014 é a desapropriação das terras da Usina Cambahyba que são objeto de disputa há mais de uma década, e que foi o estopim do assassinato de Cícero Guedes. Segundo o que disse a dirigente do MST/RJ, desapropriar as terras da Usina Cambahyba será apenas o primeiro passo na construção de uma nova forma de fazer agricultura.

Além da questão da Cambahyba, outros aspectos que deverão merecer a atenção do MST e seus aliados será a dinamização dos assentamentos já existentes e um aumento na pressão para que os acampados que hoje estão espalhados seis acampamentos na região Norte Fluminense tenham sua demanda por uma pedaço de terra atendida ainda neste ano.

A reação entusiástica dos presentes a esta pauta de ações parece sinalizar para uma ampliação da luta pela reforma agrária no Norte Fluminense em 2014. A ver!

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MST convida para encontro em Campos dos Goytacazes

CONVITE: encontro das amigas e amigos do MST – Região Norte

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Companheiras e companheiros,

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra tem prazer de convidar para o Encontro das Amigas e Amigos do MST na Região Norte Fluminense. O evento será no próximo dia 24 de janeiro de 2014, às 19:00h, em Campos dos Goytacazes – Avenida 28 de Março, 485.

No mesmo dia 24, às 9:00h, será realizado um ato político-cultural em memória do martírio de Regina e Cícero na praça São Salvador, em Campos. Será realizada doação de alimentos dos assentamentos da região, e doação de sangue dos acampados e assentados, em solidariedade e memória à luta de nossos companheiros. Haverá um ato ecumênico em participação da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

A exemplo do encontro realizado em dezembro no Rio de Janeiro, faremos na noite do dia 24, junto com todas e todos que têm nos acompanhado um balanço do ano de 2013 e traçaremos as perspectivas para 2014, rumo ao VI Congresso do MST.

Iniciamos o ano com imensa tristeza, pois perdemos o camarada Cícero Guedes e a camarada Regina dos Santos, assassinados por estarem em luta concreta e histórica contra a ditadura civil militar, contra o latifúndio e contra o agronegócio.

Duas mortes que abalaram fortemente o MST no Rio de Janeiro. E graças à solidariedade das pessoas e organizações parceiras ao MST é que tivemos a força e energia para nos reconstruir e seguir firmes na luta.

Este ano foi um dos piores anos para a Reforma Agrária. Tivemos apenas 157 famílias assentadas em todo o país e percebemos que o conjunto das políticas que estão sendo implantadas no campo brasileiro e também para a reforma agrária seguem a lógica de nos enfraquecer como organização e fortalecer ainda mais o agronegócio como a alternativa para o campo brasileiro. Indígenas, Quilombolas, Campesinos e Assentados estão perdendo seus territórios, estamos vivendo o que podemos chamar de Contra Reforma Agrária.

Nenhuma família foi assentada no estado do Rio de Janeiro desde 2007.

O Rio de Janeiro que recebe o rótulo de cidade do capital, por contradição também se torna referência da cidade da rebeldia. Por conta das ações violentas do Estado, nas 3 esferas, os trabalhadores se rebelaram contra a violência policial nas favelas e depois nas mobilizações; pelo direito a cidade; contra os altos gastos das reformas, construções dos estádios e contra as remoções de comunidades por conta da realização da copa do mundo; e principalmente contra o aumento das passagens.

Parece que assistimos este ano, o ensaio do que pode acontecer em 2014.

Todas as lutas que fizemos durante os últimos meses, e peguemos como exemplo a juventude e os professores, nos dão força para este novo ano que chega.

Como conquista, realizamos a nossa IV Feira Estadual da Reforma Agrária, e que neste ano passou a se chamar Cícero Guedes. E também seguimos rumo ao nosso VI Congresso Nacional, de 10 a 14 de fevereiro de 2014 em Brasília, com a expectativa de participação de 15 mil militantes.

“LUTAR, CONSTRUIR A REFORMA AGRÁRIA POPULAR”

MST-RJ

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IV Feira Estadual da Reforma Agrária levará nome de Cícero Guedes

A quarta edição da “Feira da Reforma Agrária” que está ano ocorrerá entre 1 e 10 de Dezembro no Largo da Carioca no centro da cidade do Rio de Janeiro vai homenagear Cícero Guedes, liderança do MST na região Norte Fluminense, que foi covardemente assassinado no início de 2013 nas imediações da Usina da Cambaíba. Apesar de não trazer Cícero de volta ao convívio de sua família, essa é uma justa homenagem a uma importante figura histórica.

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