O custo oculto da crise climática brasileira para os supermercados do Reino Unido

Brazil's climate crisis hits UK supermarkets

Por Monica Piccinini para “The Canary”

A maioria das pessoas no Reino Unido não faz ideia de que os alimentos em suas geladeiras estão intimamente ligados às condições climáticas extremas que assolam o Brasil.

O Reino Unido importa mais alimentos do Brasil do que de qualquer outro país não europeu.

Essas condições climáticas — como secas, inundações e ondas de calor — estão moldando cada vez mais o cenário da produção de alimentos no Reino Unido e, em última análise, o que chega às prateleiras dos supermercados.

Um relatório recente da Unidade de Inteligência Energética e Climática (ECIU) constatou que o Reino Unido importa quase dois quintos de seus alimentos. Enquanto isso, cidades no sul do Brasil estão submersas , dizimando plantações e rebanhos.

O Brasil tem sido, e continua sendo, um dos principais fornecedores de soja, carne bovina, frango, café, açúcar e frutas para os supermercados do Reino Unido. No entanto, poucas pessoas reconhecem que o Brasil está passando pelas mudanças climáticas mais rápidas do mundo.

A mão que nos alimenta

Nos últimos dois anos, a Amazônia enfrentou a pior seca em sete décadas. O sul sofreu com enchentes mortais , agravadas pelo aquecimento global, e com o calor extremo , que também causou o fechamento de escolas. Essas mudanças climáticas estão prejudicando gravemente as fazendas que nos fornecem alimentos.

Gareth Redmond-King, líder do programa internacional da ECIU, disse :

As famílias britânicas já estão sentindo o preço nas compras devido aos extremos climáticos que afetam tanto o país quanto o exterior. Este ano registrou a segunda pior colheita da história do Reino Unido.

Condições climáticas extremas são agora comuns. As estações secas são mais longas, as chuvas são imprevisíveis e as florestas estão perdendo sua capacidade de reciclar a umidade.

O impacto não se limita ao Brasil, pois os efeitos dessas mudanças podem ser sentidos no Reino Unido, afetando as cadeias de suprimentos e, inevitavelmente, as escolhas do consumidor.

Uma pesquisa da Global Witness mostra que os consumidores do Reino Unido ainda compram produtos ligados ao desmatamento, demonstrando pouca preocupação com o país de origem dos alimentos.

Redmond-King apresenta o panorama geral.

Dependemos do Brasil para café, açúcar, laranjas e frutas tropicais – além de muita soja para alimentar o gado criado no Reino Unido […] Vastos trechos de floresta tropical e outros biomas foram desmatados para o cultivo de alguns desses alimentos; esse desmatamento é, por si só, um fator crucial das mudanças climáticas que afetam a capacidade de produzir esses alimentos.

A organização constatou que as importações de carne bovina, soja e óleo de palma contribuem para a perda de florestas em uma área equivalente à das cidades de Newcastle, Liverpool ou Cardiff.

As supostas proteções, nomeadamente a Lei Ambiental do Reino Unido (2021), não foram implementadas devido a repetidos atrasos. A sua abordagem incompleta deixa as florestas vulneráveis ​​ao desmatamento e ignora as violações dos direitos humanos.

Os impactos das mudanças climáticas atingem o Reino Unido

Em 2024, as importações de soja do Brasil foram avaliadas em £ 243 milhões. A pressão sobre a produção brasileira de soja é maior do que nunca devido ao calor extremo. Cientistas afirmam que cada aumento de 1 ° C no aquecimento global pode reduzir a produção de soja em cerca de 6%.

Esse aumento atingiria o cerne da produção de soja no Brasil e ameaçaria o mercado avícola do Reino Unido. A carne bovina e o frango também são provenientes diretamente das mesmas florestas ameaçadas. O Reino Unido importa 500 mil toneladas de frango brasileiro por ano, e esses frangos precisam de ração à base de soja.

Existem também custos sociais e ambientais ocultos para a indústria da soja no Brasil. Como relata a Unearthed , o uso de sementes resistentes a herbicidas transformou a indústria da soja brasileira.

Estima-se que aproximadamente 98% da safra atual seja geneticamente modificada. Isso está levando o cultivo de soja para áreas inexploradas, dizimando florestas em regiões como a Amazônia e o Cerrado.

O Brasil também fornece até 35% dos grãos de café verde consumidos no Reino Unido. O cultivo do café é extremamente sensível à seca e ao calor.

A seca de 2023-24 no Brasil causou uma disparada nos preços globais e, quando os efeitos chegaram ao Reino Unido, os preços do café nos supermercados já haviam subido 13%.

Mangas, melões, limões, mamões e açúcar, provenientes do Brasil, também estão em risco devido à escassez de água e às temperaturas mais altas.

No centro-sul, as condições de seca prejudicaram a produção de cana-de-açúcar, e os fruticultores do nordeste são obrigados a usar muito mais água para que as plantações sobrevivam.

A indústria de suco de laranja, responsável por mais de 70% das exportações globais, também está sob pressão. O calor e as doenças atingiram os pomares de citros em todo o país.

Como resultado, os preços dos sucos de frutas no Reino Unido são 30% mais altos do que em 2022, e os preços do suco de laranja mais que dobraram desde 2020.

O que isso significa para o Reino Unido

Os impactos climáticos no Brasil já se refletem nos supermercados do Reino Unido. Os alimentos ficam mais caros quando as colheitas falham, as cadeias de abastecimento tornam-se menos confiáveis ​​e as famílias com orçamentos apertados são as mais afetadas.

As cadeias de abastecimento globais também enfrentam mais riscos devido a doenças nas plantas e colheitas ruins associadas ao clima quente. A dependência do Reino Unido em relação a alimentos provenientes de locais profundamente afetados pelas mudanças climáticas torna o país mais vulnerável do que a maioria das pessoas imagina.

“O comitê de mudanças climáticas do Reino Unido divulgou seu relatório de progresso e adaptação, e é horrível olhar para ele e ver que, em relação à segurança alimentar, nessa grade eles têm vermelho, amarelo e verde, e quando se trata de planejamento e de ações concretas de adaptação, o planejamento para segurança alimentar no Reino Unido está em vermelho, é insuficiente, os planos não são bons o suficiente.”

“Não existem métricas que nos permitam entender como a ameaça à segurança alimentar está acontecendo”, disse Laurie Laybourn-Langton, pesquisadora associada do programa de aceleração de sustentabilidade da Chatham House, durante um webinar da Innovation Zero em maio passado.

Uma responsabilidade compartilhada

Os alimentos que consumimos no Reino Unido estão agora ligados às florestas, rios e terras agrícolas do Brasil. Quando a Amazônia seca, o sul do Brasil sofre inundações ou as colheitas são perdidas devido ao calor, os impactos não ficam restritos ao Brasil. Eles se espalham. Influenciam o que encontramos nos supermercados, o que as famílias podem comprar e a confiabilidade das nossas cadeias de abastecimento.

A crise climática não é uma preocupação distante. Ela determina os alimentos que chegam aos nossos pratos e às prateleiras dos supermercados. Reconhecer essas verdades deve inspirar ações e aliviar a pressão sobre os ambientes vulneráveis ​​que nos alimentam. O Brasil é o celeiro do Reino Unido. O impacto sentido no sul do Brasil e na Amazônia também afetará o Reino Unido, o que nossos supermercados podem estocar e, principalmente, o que as famílias britânicas podem comprar.

Imagem em destaque via Unsplash/Ramses Cervantes


Fonte: The Canary

As consequências das inundações no Texas foram agravadas pela negação climática

Autoridades eleitas devem ser responsabilizadas, agora e no futuro, pelas vidas perdidas em desastres causados ​​por condições climáticas cada vez mais extremas 

Ninguém consegue fazer isso sozinho. Fotógrafo: Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images

Por Michael R. Bloomberg para a “Bloomberg”

As evidências científicas são claras de que a frequência cada vez maior de eventos climáticos extremos que estamos vivenciando é impulsionada pelas mudanças climáticas — e que a situação só tende a piorar. Como afirmou o diretor do Centro de Clima Extremo do Texas, da Universidade Texas A&M, as tempestades e inundações no centro do Texas são “exatamente o que o futuro reserva”. E, no entanto, muitos políticos eleitos fingem o contrário.

O último episódio de inundações horríveis não se trata apenas de um desastre natural em um estado. Trata-se também de um fracasso político que vem ocorrendo em estados de todo o país, principalmente em Washington. A recusa em reconhecer que as mudanças climáticas acarretam pena de morte está enviando pessoas inocentes, incluindo muitas crianças, para sepulturas prematuras.

Há quase um ano, o furacão Helene causou inundações devastadoras no oeste da Carolina do Norte, matando mais de 100 pessoas. Poucos meses depois, incêndios florestais na Califórnia mataram 30 pessoas e destruíram milhares de casas e empresas. Este mês, a morte e a destruição causadas pelas mudanças climáticas chegaram ao Texas. Para onde iremos agora? Nenhum lugar é seguro.

Infelizmente, nem todas as vidas podem ser poupadas das mudanças climáticas, mas muitas outras poderiam ser salvas se as autoridades eleitas parassem de fingir que não têm poder para fazer nada a respeito. O fato é: a mudança climática é um problema administrável com soluções práticas. Essas soluções não só salvarão vidas, como também melhorarão nossa saúde, reduzirão nossas contas de energia e criarão mais empregos. Quanto mais essas autoridades fingirem o contrário, mais a população sofrerá e mais pessoas morrerão. E, no entanto, o que os que estão no poder em Washington estão fazendo? Pior do que nada: estão frustrando ativamente os esforços para combater as mudanças climáticas e ajudar as comunidades a lidar com seus danos.

O governo Trump apagou as palavras “mudanças climáticas” — e dados e informações climáticas cruciais — dos sites governamentais, como se o problema pudesse ser resolvido com um desejo. Ele está tentando reverter a obrigação da Agência de Proteção Ambiental (EPA) de combater as mudanças climáticas. E colocou vidas em risco ao cancelar subsídios concedidos a comunidades locais para ajudá-las a se preparar para os efeitos das mudanças climáticas — e ao cortar cargos essenciais no Serviço Nacional de Meteorologia (NHS), que auxiliam as comunidades a se prepararem e responderem a desastres, deixando os escritórios do serviço meteorológico nas áreas próximas às inundações com falta de pessoal.

Na semana passada, o governo chegou a propor a extinção de um escritório de pesquisa que desempenha um papel crucial na previsão de eventos climáticos extremos. E isso não é tudo.

No mesmo dia em que as enchentes no Texas mataram dezenas de pessoas, o presidente assinou um projeto de lei orçamentária que, além de aumentar em US$ 3 trilhões a dívida nacional, prejudicou os esforços do país para promover fontes de energia renováveis. O novo orçamento revoga créditos fiscais para produção de energia limpa, veículos elétricos e manufatura limpa, além de eliminar o Fundo de Redução de Gases de Efeito Estufa, criado pelo Congresso para ajudar a aumentar o investimento do setor privado em energia limpa. Como resultado, muito menos projetos desse tipo serão construídos, eliminando empregos em comunidades por todo o país e elevando os custos de energia.

Tudo isso tornará mais difícil para os EUA reduzirem as emissões de gases de efeito estufa que estão ajudando a sobrecarregar tempestades mortais, ao mesmo tempo em que aumenta o número de vítimas humanas e os custos financeiros de condições climáticas extremas — e torna mais difícil para estados e localidades se recuperarem delas.

Os governos locais e estaduais não têm recursos para se recuperar sozinhos de desastres, e é por isso que o governador do Texas, Greg Abbott, solicitou apoio e assistência financeira à Agência Federal de Gestão de Emergências (FEGA). No entanto, o governo tem se dedicado a desmantelar a agência, que perdeu cerca de 20% de seus funcionários em tempo integral desde o início do ano. Para piorar a situação, o governo propôs a extinção total da FEMA, o que seria um desastre por si só.

Em resumo: o governo federal está tentando se afastar da tarefa de ajudar as comunidades a se prepararem e responderem a desastres climáticos causados ​​pelo clima, justamente quando eles estão se tornando mais mortais e destrutivos. Não vai funcionar. Como as enchentes no Texas demonstram dolorosamente, Washington não pode se esquivar de seu dever de enfrentar as mudanças climáticas. Tentar fazer isso só levará a um número maior de mortos e a um ônus financeiro maior para as comunidades.

Abbott merece crédito por ter defendido a indústria de energia limpa do estado e ajudado a rejeitar diversos projetos de lei que estabeleceriam um limite anti-livre mercado para a produção de energia limpa e sujeitariam projetos de energia eólica e solar a uma burocracia adicional. Precisamos que mais representantes eleitos reconheçam que a mudança climática não deve ser uma questão partidária — e que isso requer a cooperação urgente de membros de ambos os partidos, bem como de ambas as extremidades da Avenida Pensilvânia.

Isso não é apenas a coisa certa a fazer. Cada vez mais, também se tornará essencial para a autossuficiência política — porque, à medida que eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes, os eleitores cada vez mais responsabilizarão os governantes eleitos por suas ações.

Há muito mais que nossos governos podem fazer para nos proteger — e aos nossos filhos e aos seus — dos efeitos cada vez mais graves das mudanças climáticas. Mas, para que isso aconteça, todos nós precisamos fazer com que nossas vozes sejam ouvidas e que nossos votos sejam contabilizados.


Fonte: Bloomberg

A ciência climática deve desbloquear soluções em uma época de grandes desafios

À medida que 1,5 grau Celsius de aquecimento é alcançado, a ciência climática deve olhar para o futuro, escreve Aditi Mukherji, diretora da Plataforma de Ação de Impacto para Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas do CGIAR e autora do IPCC

tanzania

Instalando sensores climáticos iButton em campos agrícolas na Tanzânia. Novas pesquisas devem preencher lacunas de evidências para reduzir emissões agrícolas e melhorar sistemas alimentares, diz Aditi Mukherji. Copyright: J.van de Gevel / Bioversity International (CC BY-NC-ND 2.0)

Por Aditi Mukherji para a SciDev

[NAIROBI] Quando os principais cientistas climáticos do mundo publicarem seu próximo relatório em 2028-29, o mundo provavelmente já terá ultrapassado 1,5 grau Celsius a mais de temperatura do que na era pré-industrial por alguns anos, e o prazo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU estará no horizonte.

O limite estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015 para reduzir os impactos das mudanças climáticas foi ultrapassado pela primeira vez em 2024, confirmou o serviço de mudanças climáticas da UE, Copernicus, na semana passada (10 de janeiro).

Então, conforme a próxima avaliação da ciência climática do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) começa, é vital que respondamos às perguntas que nos servirão no futuro. Navegar pelos desafios de amanhã requer ciência com visão de futuro hoje e nos próximos meses.

No centro da nossa missão de limitar as mudanças climáticas estão as comunidades e os setores mais vulneráveis ​​aos seus impactos, especialmente a agricultura e os pequenos agricultores, que desempenham um papel fundamental na alimentação do mundo, mas estão particularmente expostos aos efeitos das mudanças climáticas.

O próximo ciclo da ciência climática deve, portanto, preencher as lacunas em evidências e soluções que reduzam as emissões de gases de efeito estufa da agricultura e, ao mesmo tempo, garantir que a agricultura permaneça viável em um mundo mais quente e menos previsível.

Sabemos que os sistemas alimentares são um grande contribuidor para as mudanças climáticas, respondendo por cerca de um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. O setor claramente precisa fazer a transição para meios mais sustentáveis ​​de produção, consumo e descarte de alimentos para dar suporte às reduções globais de emissões.

No entanto, os sistemas alimentares também são vulneráveis ​​aos impactos das mudanças climáticas. As perdas agrícolas por desastres relacionados ao clima totalizaram US$ 3,8 trilhões nos últimos 30 anos, com as maiores perdas relativas nos países mais pobres. Um aumento de 2 graus Celsius nas temperaturas piorará a já séria insegurança alimentar de longo prazo em muitos países, colocando até 80 milhões de pessoas em risco de fome até 2050.

Perguntas candentes

Este próximo ciclo de avaliações do IPCC deve responder a pelo menos três questões principais relacionadas aos sistemas agroalimentares e às mudanças climáticas para ajudar o mundo a passar da compreensão da crise climática para o enfrentamento dela com a máxima urgência.

A primeira questão para os cientistas do clima é como fazer melhor uso das tecnologias existentes que ajudam os agricultores a combater e lidar com as mudanças climáticas — e aumentar sua adoção e uso.

Inovações para ajudar os agricultores a se adaptarem a novas condições, como serviços digitais de informação climática e culturas resilientes ao clima, já existem, juntamente com desenvolvimentos como bombas de irrigação movidas a energia solar e forragens de baixa emissão, ou rações, que reduzem a pegada de carbono da agricultura. Mas elas não estão chegando aos agricultores na escala necessária para fazer a diferença.

Como canalizar de forma mais eficaz o financiamento, os recursos e o apoio climático dos países mais ricos para implementar essas inovações em países de baixa e média renda é uma questão científica.

Da mesma forma, também precisamos avaliar quais ferramentas e tecnologias permitirão que os agricultores se adaptem a condições mais quentes no futuro. Ciclos de pesquisa anteriores do IPCC mostraram que a capacidade de se adaptar às mudanças climáticas se torna cada vez mais difícil à medida que as temperaturas continuam a subir. Os cientistas precisam investigar quais adaptações de cultivo, gado ou pesca permanecerão viáveis ​​a 1,5 graus Celsius ou mais.

A segunda questão para os cientistas do clima é como tornar as tecnologias de baixa emissão acessíveis e econômicas.

Para que os agricultores tenham a melhor chance de se adaptar e evitar perdas futuras, é crucial que as temperaturas globais se estabilizem e isso exige que as emissões diminuam, incluindo as da agricultura.

No entanto, diferentemente do setor energético, que se beneficiou da pesquisa e inovação em fontes renováveis ​​como a energia solar, o setor agrícola ficou para trás em investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de baixa emissão.

Precisamos urgentemente identificar campos de pesquisa emergentes e promissores, bem como as políticas, infraestrutura e governança necessárias para tornar as tecnologias limpas acessíveis e amplamente disponíveis.

Por fim, os cientistas precisam abordar a questão de como acelerar a remoção de dióxido de carbono para complementar as reduções de emissões.

À medida que as temperaturas aumentam, a capacidade natural da terra e dos oceanos de sequestrar carbono enfraquece, intensificando a necessidade de remoção de dióxido de carbono (CDR) liderada pelo homem. No entanto, intervenções como o reflorestamento podem reduzir as terras agrícolas, particularmente em países de baixa renda, representando riscos à segurança alimentar. Os cientistas do clima devem mapear os impactos tanto das temperaturas mais altas quanto dos esforços de CDR em larga escala nos sistemas alimentares e meios de subsistência para traçar um curso que não coloque em risco a segurança alimentar .

Ciência voltada para o futuro

As decisões moldadas pelos relatórios do IPCC definirão como o mundo enfrentará os desafios sem precedentes de um planeta em rápido aquecimento, especialmente à medida que nos aproximamos do final desta década crucial.

Como autores do relatório do IPCC, nosso papel vai além de fornecer insights; devemos fornecer ciência acionável, baseada em evidências e voltada para o futuro para capacitar os governos a agir de forma decisiva e eficaz. Isso inclui equipar inovadores e formuladores de políticas para aproveitar o financiamento climático, adaptar soluções aos contextos locais e se preparar para futuros aumentos de temperatura.

Acima de tudo, não podemos esquecer a justiça climática como princípio orientador desta transição verde. Garantir que os mais vulneráveis ​​— muitas vezes também os menos responsáveis ​​— permaneçam na frente e no centro dos nossos planos pode ajudar a alcançar um futuro inclusivo, onde ninguém seja deixado para trás.

Este artigo foi produzido pela Global Desk do SciDev.Net.

Aditi Mukherji é diretora da Plataforma de Ação de Impacto para Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas do CGIAR e colaboradora de relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).


Fonte: SciDev

Impostos por danos climáticos precisam ser aplicados sobre as petroleiras operando no Brasil

plataforma

Em diferentes partes do mundo está ocorrendo um processo de mobilização para impor a cobrança de impostos climáticos sobre as operações petrolíferas. A razão para isso é simples: as empresas de petróleo operam como um poderoso cartel para continuar tendo a mão livre para liberar toneladas de gases estufa por segundo, enquanto o resto do planeta se encaminha para uma catástrofe climática sem precedentes na história humana.

Eu diria que no caso de países como o Brasil que hoje fornecem uma quantidade significativa de petróleo para alimentar a voracidade de lucros dos acionistas das empresas de petróleo, este tipo de imposto deveria ser uma pauta prioritária do movimento climático de esquerda.

Sabemos que o golpe parlamentar de 2016 teve vários objetivos e um deles foi remover qualquer ligação da exploração de combustíveis fósseis de uma pauta de desenvolvimento que agisse em prol da superação das desigualdades abissais que existem na sociedade brasileira. E esse objetivo foi plenamente alcançado, pois hoje o petróleo extraído da Camada Pré-Sal sai da profundeza oceânica praticamente de graça para as petroleiras.

Enquanto causam danos palpáveis aos ecossistemas naturais e à atmosfera da Terra, no Brasil as petroleiras, a Petrobras inclusa, têm uma vida fácil ao serem cobradas apenas a promoverem programas de “greenwashing” por meio dos quais simulam e dissimulam ter responsabilidades socioambientais, e isso com projetos para lá de baratos e sem efeitos permanentes sobre os ecossistemas naturais  e as populações que são atingidas pela instalação das estruturas necessárias para extrair, transportar e transformar o petróleo em produtos utilizáveis.

Temos que ter claro que cobrar o preço devido das petroleiras é uma responsabilidade política central, na medida em que só responsabilizando as petroleiras pelos danos que causam é que poderemos educar a maioria da população sobre a necessidade de nos movermos para uma sociedade pós-carbono.

Que as petroleiras comecem a pagar pelos danos que causam é a palavra de ordem do dia.

A Terra quebrou recordes de calor em 2023 e 2024: o aquecimento global está acelerando?

A Nature analisa se o pico de temperatura é uma anomalia ou uma tendência duradoura — e preocupante

temperatura Nature

A temperatura da Terra vem subindo há décadas. Crédito: Mark J. Terrill/AP/Alamy

Por Jeff Tollefson para a Nature 

A temperatura da Terra aumentou nos últimos dois anos, e os cientistas do clima anunciarão em breve que ela atingiu um marco em 2024: subindo para mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais . Mas esse pico repentino é apenas um ponto nos dados climáticos ou um indicador precoce de que o planeta está esquentando em um ritmo mais rápido do que os pesquisadores pensavam?

Essa questão tem estado no centro de vários estudos, bem como de uma sessão na reunião do mês passado da American Geophysical Union (AGU) em Washington DC. Alguns cientistas argumentam que o pico pode ser explicado principalmente por dois fatores. Um é o evento El Niño que começou em meados de 2023 — um padrão climático natural no qual a água quente se acumula no Oceano Pacífico tropical oriental, muitas vezes levando a temperaturas mais altas e clima mais turbulento. O outro é uma redução nos últimos anos na poluição do ar, que pode resfriar o planeta refletindo a luz solar de volta para o espaço e semeando nuvens baixas. No entanto, nenhuma das explicações é totalmente responsável pelo aumento da temperatura, dizem outros pesquisadores.

As nuvens claramente desempenharam um papel, de acordo com um estudo publicado na Science em dezembro, pouco antes da reunião da AGU 1 . Uma equipe de pesquisa identificou uma redução na cobertura de nuvens baixas em partes do Hemisfério Norte e nos trópicos que, combinada com o El Niño, foi grande o suficiente para explicar o pico de temperatura em 2023. Mas a causa dessa diminuição — e se ela pode ser atribuída a variações climáticas normais — continua sendo um mistério, dizem os autores. A diminuição da poluição do ar por si só não parece explicar isso. Eles sugerem que o aquecimento global em si pode estar causando alguma redução na cobertura de nuvens, criando um ciclo de feedback que pode acelerar a taxa de mudança climática nas próximas décadas.

“Eu teria muito cuidado ao dizer que isso é uma evidência clara [de aceleração], mas pode haver algo acontecendo”, diz o coautor Helge Goessling, um físico climático do Instituto Alfred Wegener em Bremerhaven, Alemanha.

Picos de temperatura global já aconteceram antes. Por que os cientistas estão tão preocupados com isso?

Um dos motivos é que as temperaturas globais estavam fora do comum em 2023 , com uma média de 1,45 °C de aquecimento acima da linha de base pré-industrial (veja ‘Surto de temperatura’), quebrando recordes anteriores. Esse nível de aquecimento está fora do intervalo do que os cientistas esperavam com base em tendências e modelos anteriores.

Aumento de temperatura: gráfico mostrando a temperatura média acima da linha de base pré-industrial desde 1940. Os últimos dois anos estabeleceram recordes de calor para a Terra e superaram as projeções dos cientistas. Os pesquisadores agora estão debatendo se o aumento de temperatura é devido à variação climática natural ou se indica que a taxa de aquecimento global está acelerando.

Fonte: Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus/Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo

Outro motivo é que o ano passado também foi muito mais quente do que o esperado. Cientistas projetaram que o início de 2024 seria quente devido ao El Niño. Mas eles também previram que as temperaturas cairiam depois que o padrão climático diminuísse e as condições no Pacífico equatorial retornassem ao normal em junho passado.

“Isso não aconteceu”, diz Zeke Hausfather, um cientista climático da Berkeley Earth, uma organização sem fins lucrativos na Califórnia que monitora as temperaturas globais. Em vez disso, as temperaturas globais permaneceram elevadas, quebrando mais recordes e provavelmente tornando o ano passado o mais quente já registrado por uma margem considerável. “Todos nós que fizemos projeções no início do ano subestimamos o quão quente 2024 seria.”

Há evidências de aceleração?

Alguns dizem que o pico massivo de temperatura pode acabar sendo um pontinho nos dados climáticos, devido em grande parte às novas regulamentações que abrangem a poluição do ar por navios oceânicos. Em 2020, a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas implementou uma regra que exige uma redução de 80% nas emissões de enxofre de navios que navegam em águas internacionais. Uma análise de imagens de satélite, publicada em agosto, sugere que houve uma clara redução nos rastros de navios 2 , que são formados quando partículas de poluição contendo enxofre semeiam névoas baixas. As mudanças parecem se correlacionar com a redução mais ampla na cobertura de nuvens identificada pela equipe de Goessling.

“É quase uma prova cabal”, diz Andrew Gettelman, um cientista climático do Pacific Northwest National Laboratory em Richland, Washington. Se for verdade, diz Gettelman, isso indicaria que o recente pico de temperatura pode ser um fenômeno único, impulsionado por mudanças de curto prazo na poluição e um poderoso El Niño.

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-024-04242-z

Referências

  1. Goessling, HF, Rackow, T. & Jung, T. Ciência https://doi.org/10.1126/science.adq7280 (2024).

  2. Gettelman, A. et al. Geofísica. Res. Lett. 51 , e2024GL109077 (2024).


Fonte: Nature

Saúde,biodiversidade e mudanças climáticas: as três crises que a Humanidade enfrenta

artaxo no planalto

Paulo Artaxo fazendo apresentação sobre mudanças climáticas no Palácio do Planalto no dia 17 de setembro– Foto: Ricardo Stuckert/PR – CC BY-ND 2.0

O físico e professor da Universidade de São Paulo, Paulo Artaxo, que também é membro do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) publicou um artigo que deveria ter servido como alerta para os governantes brasileiros, mas, principalmente no plano federal, com Jair Bolsonaro et caterva no controle do leme, o aviso passou completamente despercebido.

No artigo publicado pela revista Estudos Avançados, Artaxo alertava que nossa sociedade “está simultaneamente convivendo com três emergências importantes: 1) a crise na saúde; 2) a crise de perda de biodiversidade; e 3) a crise climática.  Artaxo salinetou ainda que “essas crises têm ligações profundas entre si, e diferenças importantes, mas todas provocam impactos sociais e econômicos fortes e afetam nosso planeta globalmente”.

O texto afirmava ainda que “entre as diferenças importantes nas três crises está a questão temporal:
enquanto a crise na saúde associada ao Sars-CoV-2 pode durar cerca de dois  anos, o impacto das mudanças climáticas pode durar séculos, a perda de biodiversidade é para sempre.  Artaxo ponderava ainda que não haveria lockdown como o aplicado na pandemia da COVID-19, nas crises climáticas e de biodiversidade”.

Dentre as questões relacionando a perda das florestas e a mudança do clima, Artaxo citou o exemplo do estado de Rondônia onde  o desmatamento alterou a circulação atmosférica, resultando em menos chuva nas áreas desmatadas e mais chuva nas áreas adjacentes.  É que, com a  devastação de mais de 50% da floresta em Rondônia, houve uma mudança no mecanismo que controla as chuvas, afetando o clima local e a agropecuária.

Dentre as muitas conclusões de Artaxo, uma das que considero cada vez mais urgente foi a de que  a interferência das mudanças climáticas vêm influenciando alterações no regime de chuvas, na temperatura, no nível e na química de águas costeiras, causando mudanças na fenologia das plantas, no funcionamento de ecossistemas e, na distribuição da biodiversidade, inclusive na distribuição de vetores transmissores de doenças.  Artaxo afirmava ainda que essas mudanças interagiriam entre si e com  “múltiplos estressores” sociais e ambientais que poderiam ampliar seus impactos.  Em função disso, muitas dessas dimensões das mudanças climáticas, e suas interações, precisavam ser mais bem  compreendidas. As fortes alterações no regime de chuvas em todas as regiões do país iriam exigir soluções para minorar os problemas socioeconômicos advindos das secas mais fortes e frequentes, e inundações extremas em grandes áreas.

Passados pouco de mais de quatro anos dos alertas de Paulo Artaxo, eis que estamos diante não apenas de cenários teóricos, mas de fatos concretos. Mas mesmo diante deles, o que se vê é a ignorância e objetivamente a rejeição das evidências científicas, principalmente por parte daqueles segmentos que estão lucrando com a destruição das nossas florestas e dos importantes serviços ambientais. Isso prova que para mudar essa situação não basta ter conhecimento científico, mas força política para impor uma agenda governamental que se livre do domínio do agronegócio e das multinacionais que coletam a maior parte do lucro que ele gera.

Há que se notar que no dia 17 de setembro, Paulo Artaxo foi convidado para participar de uma reunião de emergência convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto para discutir o enfrentamento da crise climática no Brasil. Além de Lula, estavam presentes na sala os presidentes das duas casas do Congresso Nacional (Rodrigo Pacheco e Arthur Lira) e do Supremo Tribunal Federal (Luís Roberto Barroso), além do procurador-geral da República (Paulo Gonet), vários ministros de Estado e outras autoridades do mais alto escalão da política nacional.

Vamos ver se essa ida de Artaxo vai resultar em algo prático do ponto de vista das políticas federais que hoje objetivamente financiam a destruição das florestas brasileiras e envenenam nossos rios com agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo.  E aqui a conta é simples: ou se muda essa equação ou o que se viu em 2024 é apenas um aperitivo do que está por vir.

Na contramão da ciência

“Até quando a política e a economia estarão de costas para a sociedade e o meio ambiente?”

lajeado_1-1-1024x613

Enchente do Rio Taquari na cidade de Lajeado (RS). Foto: marcelocaumors/Instagram

Por Andrea Zhouri & Edna Castro para o “Jornal da Ciência”

As enchentes catastróficas no Rio Grande do Sul chocam o Brasil. A crise instalada, cuja magnitude destrutiva não encontra precedentes na história, não é, contudo, um incidente inesperado. Ao contrário, os desastres ambientais deflagrados por eventos climáticos extremos já são uma realidade recorrente no país e revelam sua dimensão estrutural. Desde os anos 70, pelo menos, cientistas no mundo todo têm advertido sobre as mudanças climáticas, agora tratadas como emergências ou urgências. A receptividade dos alertas no meio político e das elites econômicas tem sido pífia ao longo de décadas. Entre o negacionismo e as supostas soluções apresentadas a partir da lógica neoliberal, a exemplo do mercado de carbono, prevalecem as opções macroeconômicas e neodesenvolvimentistas que apostam na exportação de commodities agrícolas e minerárias como uma espécie de consenso míope e macabro.

Os discursos que apelam para dimensões universalistas do problema, como por exemplo, a “falha da humanidade”, prestam desserviço à sociedade ao desviarem o foco dos aspectos tangíveis da questão, que são políticos e econômicos. Políticas de redução do desmatamento são ineficientes se não forem pensadas de forma integrada aos demais processos associados ao modelo econômico que exaure as energias do planeta. A redução do desmatamento como freio das mudanças climáticas é incompatível com as políticas que alimentam a obsessão de agentes econômicos pela apropriação de terra e recursos naturais para a acumulação de riqueza abstrata.

Enquanto o presidente Lula cobra dos países desenvolvidos os 100 milhões de dólares prometidos em 2009 para as ações de adaptação climática, as escolhas econômicas do governo continuam de costas para os problemas estruturais que provocam os eventos climáticos extremos. Cabe lembrar as incertezas que acompanham as boas intenções de ações de mitigação e de adaptação climática, pois sabemos que nos eventos extremos ocorridos no Rio Grande do Sul, pouco teriam servido para reduzir os danos. É devastador assistir o rompimento de barragens construídas nos rios para geração de energia assim como o medo e a insegurança causada nas famílias pela iminência de novas rupturas. É razoável lembrar que a tecnologia disponível não teve força e eficácia para prevenir e segurar a lama e os rejeitos de minério em Mariana e Brumadinho. Essas observações nos parecem relevantes para que se encare de frente uma realidade que exige coragem e determinação de agentes da política e da economia à altura do mega problema que as elites mundiais produziram no seu afã de modernidade e enriquecimento.

A política é um campo do simbólico, de produção e profusão de discursos muitas vezes difíceis de decifrar ou de identificar seus eixos e contextos. A razão que subjaz interconecta poder e convencimento. A insistência na exploração de petróleo na Amazônia é caso exemplar. O ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira declarou, no início de abril, que o país deveria explorar petróleo e gás até atingir o IDH de países industrializados. Ora, tal declaração lembra o contexto da década de 70, quando o conceito de desenvolvimento sustentável nem existia e os governantes discursavam sobre primeiro crescer para depois distribuir a riqueza e proteger o meio ambiente. Nega-se a realidade da crise climática e ambiental e os conhecimentos científicos existentes há, no mínimo, 50 anos!  No Congresso Nacional, a questão é ainda pior. A flexibilização das leis ambientais, como a aprovação da nova lei geral do licenciamento, verdadeiro desmanche do arcabouço normativo, revela o quanto os políticos legislam de costas para a sociedade e para o meio ambiente.

Os efeitos das mudanças climáticas atravessaram o território brasileiro nos últimos anos, e isso não se pode mais ignorar. Em 2023, foram muitos os municípios em situação de emergência, com alagamentos, soterramentos, mortes e perdas na Bahia, em Minas Gerais, Goiás, Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Espirito Santo, Rio Grande do Sul, entre outros estados.

Como temos pesquisado, os desastres não são meramente naturais ou sociais, mas resultam da intercessão de escolhas econômicas, políticas e institucionais “mal adaptadas” ao meio ambiente e à sociedade. É certo que as consequências, ao longo da história, têm atingido primeiro os grupos sociais mais vulnerabilizados pelo processo de construção da sociedade nacional, populações periféricas, negras e etnicamente diferenciadas. Mas a conta chega para todos. É hora de dizer basta ao negacionismo e às políticas econômicas míopes e submissas à lógica da acumulação primitiva. O momento é o de repensar o modelo de desenvolvimento e reconhecer que o valor da natureza, que é vida humana e não-humana, é inegociável. Razão fundamental à recusa do desenvolvimentismo e dos consensos produzidos em torno de uma economia predatória e neoextrativista.

* Andréa Zhouri é presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e Edna Castro é presidente da Associação Brasileira de Sociologia (SBS).


Fonte: Jornal  da Ciência da SBPC

Nova York está processando a JBS no que pode ser um ponto de inflexão para o greenwashing

O processo de Letitia James acusa a JBS de enganar os clientes sobre ser amiga do clima – e as implicações podem ser de longo alcance

meat jbsA JBS é controladora das marcas Swift, Pilgrim’s Pride e Grass Run Farms. Fotografia: The Washington Post/Getty Images 

Por Whitney Bauck para o “The Guardian”

Quando o gabinete da procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, anunciou que iria processar a JBS, maior empresa de carne do mundo, por enganar os clientes sobre os seus compromissos climáticos, causou um rebuliço muito além do mundo da alimentação. Isto porque o impacto do processo tem o potencial de influenciar a abordagem que todos os tipos de grandes empresas adotam na sua publicidade sobre sustentabilidade, de acordo com especialistas.

É apenas um de uma série de ações judiciais de lavagem verde movidas recentemente contra grandes companhias aéreas, automobilísticas e de moda . “Já se passaram 20 anos em que as empresas mentiram sobre os seus impactos ambientais e de justiça climática. E parece que de repente, da Europa aos EUA, a repressão está a começar a acontecer”, disse Todd Paglia, diretor executivo da organização ambiental sem fins lucrativos Stand.earth. “Acho que o greenwash [ing] é na verdade uma das questões centrais nos próximos cinco anos.”

A investigação sugere que os cidadãos exigem cada vez mais bens produzidos de forma mais sustentável, e as grandes empresas estão a tomar nota disso. Mas, em vez de realmente mudarem as suas práticas, muitos recorrem a mensagens que sugerem falsamente que os seus produtos são melhores para o planeta do que realmente são, a fim de manter os clientes satisfeitos.

É isso que o procurador-geral afirmou que a JBS – controladora que possui marcas e subsidiárias como Swift, Pilgrim’s Pride e Grass Run Farms – está fazendo. A reclamação legal observa que “o Grupo JBS fez declarações abrangentes aos consumidores sobre seu compromisso de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, alegando que será ‘Net Zero até 2040’”. Mas essas alegações não são fundamentadas na realidade, a reclamação continua argumentando, não apenas porque a JBS não está tomando medidas concretas em direção a essas metas, mas porque ainda em setembro de 2023, o CEO admitiu em um fórum público que a empresa nem sabia como calcular todas as suas emissões. Segue-se que o que não pode ser medido não será mitigado.

“Os consumidores estão começando a estar cientes do fato de que a carne, e especialmente a carne bovina, tem um impacto climático muito, muito alto. A JBS está plenamente consciente disso e está tentando se antecipar dizendo aos consumidores: ‘Ah, não se preocupem, temos tudo sob controle’”, disse Peter Lehner, advogado-gerente do programa de alimentação e agricultura sustentável da Justiça terrestre. “Mas essas emissões são tão grandes e tão difíceis de reduzir que as ações da JBS não mostram que seja plausível que elas cumpram o que reivindicam.”

Fazendo valer as emissões alimentares

A crise climática é muitas vezes enquadrada como um problema causado principalmente pelos combustíveis fósseis, e estes desempenham um papel importante no aquecimento do planeta. Mas mesmo que pudéssemos reduzir magicamente as emissões de combustíveis fósseis a zero amanhã, de acordo com a cientista de dados e investigadora de Oxford Hannah Ritchie, os nossos sistemas alimentares atuais significam que ainda iríamos “muito além do orçamento de carbono de 1,5 graus e consumiríamos quase todos os nossos recursos”. orçamento de dois graus”. O que isso deveria nos dizer, acrescentou ela, “é que simplesmente não podemos enfrentar as alterações climáticas sem enfrentar também os sistemas alimentares”.

E a carne bovina, da qual a JBS é a maior produtora do mundo, supera em muito não apenas os alimentos vegetais, mas também outras fontes de nutrição animal, no que diz respeito aos impactos climáticos. As vacas expelem metano e são alimentadas em grande parte com grãos cultivados em monoculturas com uso intensivo de fertilizantes, onde o excesso de fertilizante causa poluição da água ou se transforma em óxido nitroso, outro potente gás de efeito estufa, disse Lehner. E isso sem levar em conta o desmatamento e as queimadas da Amazônia para dar lugar a mais gado, ao qual a JBS já esteve ligada diversas vezes .

Os trabalhadores do rancho reúnem um rebanho de gado.
A pecuária produz metano, e o escoamento de fertilizantes do cultivo das plantas que as vacas comem causa poluição da água. Fotografia: Bloomberg/Getty Images

Ainda assim, apesar de todas as questões ambientais, Lehner destacou que o processo é, na sua essência, um caso de fraude ao consumidor, antes de mais nada. Este não é o primeiro caso climático a abordar a lavagem verde corporativa, disse ele, apontando para casos anteriores contra a Volkswagen, que foi processada por mentir sobre o quão “limpos” eram seus motores a diesel , e processos contra Delta KLM , que foram levados a julgamento. tribunal por fazer uma lavagem verde dos impactos climáticos do voo. Mas o caso da JBS marca “o primeiro contra uma empresa de carne bovina”, disse Lehner.

Também é único por causa de quem abriu a ação, de acordo com Delci Winders, diretora do Animal Law and Policy Institute da Vermont Law and Graduate School. Embora a maioria dos outros casos de greenwashing tenha sido movido por organizações sem fins lucrativos ou mesmo por indivíduos, destaca-se o processo da JBS vindo diretamente de um procurador-geral do estado. “Ver o governo intervir desta forma envia um sinal forte”, disse Winders.

A investigação de um caso talvez tenha sido estimulada pela forma flagrante como a JBS fez afirmações infundadas, ignorando até mesmo o conselho do braço de publicidade do Better Business Bureau, um órgão auto-regulador da indústria, que alertou a JBS para ter cuidado com seu clima. mensagens focadas.

As chances de o procurador-geral vencer o caso parecem boas. Lehner, que trabalhou no gabinete do procurador-geral de Nova Iorque durante oito anos, disse: “As provas neste caso são pelo menos tão fortes, se não muito mais fortes, do que as provas e muitos outros casos de fraude ao consumidor que tiveram sucesso”.

Paglia disse de forma ainda mais contundente: “não há chance, realmente”, de o procurador-geral perder, em sua opinião.

Implicações

Então, o que significará se a maior empresa de carne do planeta perder um processo judicial que visa reprimir o greenwashing?

Primeiro, significaria que a JBS não pode mais alegar ser uma espécie de herói climático. Em vez de afirmar que se dirige para o zero líquido ou para a neutralidade climática, provavelmente teria de se limitar a dizer “’vendemos carne’, e essa seria a extensão”, disse Paglia.

Mesmo que a JBS conseguisse de alguma forma ganhar o caso em Nova Iorque, ainda assim sairia da batalha num terreno mais instável se outros estados dos EUA, ou países de outros lugares, decidissem levar a empresa a tribunal. “Eles seriam bastante vulneráveis ​​sob outras leis estaduais de proteção ao consumidor”, disse Winders.

Não é difícil imaginar futuros processos no futuro, especialmente porque esta não é a primeira ação tomada contra a JBS. No início deste ano, os senadores dos EUA escreveram uma carta bipartidária à Comissão de Valores Mobiliários (SEC) solicitando que a empresa fosse impedida de ser cotada na Bolsa de Valores de Nova Iorque, alegando essencialmente que a empresa se envolve em fraude com investidores. E um pedido de investigação criminal dos bancos investidos na JBS foi apresentado em França no final do ano passado, argumentando que o apoio financeiro dos bancos às maiores empresas de carne bovina do Brasil estava a contribuir para a desflorestação ilegal na Amazónia.

Não está claro exatamente quanto tempo o caso do procurador-geral levará, e isso pode ser afetado pelo fato de a equipe jurídica da JBS considerar mais vantajoso ser minimamente cooperativo para desacelerar o caso ou se tentar resolver rapidamente para resolver o problema. aos olhos do público, observou Winders.

Mas aconteça o que acontecer, as repercussões irão provavelmente afectar a forma como cada vez mais empresas operam – ou pelo menos o que dizem ao público – sobre a sua boa-fé climática no futuro.

“Se a JBS perder – e vai perder – acho que isso já está enviando um sinal às grandes empresas de que não se pode simplesmente dizer ‘estamos alinhados ao [acordo] de Paris’. Não se pode simplesmente dizer ‘vamos ser zero líquidos em 2030’ quando não temos nenhum plano e a curva da poluição climática está a subir”, disse Paglia. “Você não pode continuar mentindo assim.”

  • Este artigo foi alterado em 8 de abril de 2024 para retirar a Carne Angus Certificada da lista de marcas e subsidiárias de propriedade da JBS. A Certified Angus Beef é, na verdade, uma subsidiária da American Angus Association; A JBS é apenas uma das muitas empresas que processam produtos da Carne Angus Certificada.


compass black

Fonte: The Guardian

Adesão à OPEP ofusca papel de líder climático do Brasil na COP28

Às margens da Conferência do Clima, anúncio da entrada na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) é pedra no caminho de liderança climática que Brasil diz querer trilhar em Dubai

lula cop28

Lula aproveita a viagem a Dubai para ter encontros bilaterais com vários líderes mundiais

Por Nádia Pontes para a Deutsche Welle Brasil 

Em sua volta às Conferências do Clima (COP) como presidente do Brasil,
Luiz Inácio Lula da Silva
 pareceu disposto a ocupar a posição de liderança global climática que diz estar vazia. Numa provocação às nações mais ricas, o brasileiro disse que tem metas de corte de emissões de gases de efeito estufa mais ambiciosas do que aqueles que historicamente mais contribuíram com as mudanças climáticas.

O discurso parece unificado em parte do governo. Nesta sexta-feira (01/12), segundo dia de COP28, em Dubai, os ministros Marina Silva, do Meio Ambiente, e Fernando Haddad, da Fazenda, demonstraram sintonia ao apresentar novos planos para valorizar as florestas e transformar a economia.

Enquanto isso, Alexandre Silveira, da pasta de Minas e Energia, tratava na vizinha Abu Dhabi de temas ligados a investimentos um dia depois do anúncio de que o Brasil vai integrar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A notícia já havia esfriado os ânimos dos participantes da conferência. “Entrar na Opep e liderar a agenda de clima são duas coisas que não cabem na mesma frase. O Brasil vai ter que se decidir. Quem está certo: é o discurso do presidente aqui ou é o discurso do ministro de Minas e Energia aplaudido de pé na Opep?”, questiona Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, em entrevista à DW.

Para Tzeporah Berman, presidente do Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis, muito antes de a COP30 desembarcar em Belém, em 2025, o Brasil tem que definir objetivamente de qual lado está.

É que o país, além de entrar para o clube mundial de petróleo, pode, em breve, explorar o combustível fóssil que mais contribui para as mudanças climáticas na região chamada de Foz do Amazonas. Rejeitado diversas vezes pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), um novo pedido de licença ambiental da Petrobras está sob análise.

“Lula afirma ser um líder climático internacional, mas ainda há muito a ser feito em casa em termos de políticas públicas nacionais para provar o seu compromisso com a ação climática. Isto deve incluir uma indicação clara para parar a expansão de projetos de combustíveis fósseis, especialmente em ecossistemas-chave como a Amazônia”, pontua Berman à DW. 


Lula fala em um púlpito em frente a uma bandeira da ONU e dos Emirados Áabes

Lula quer ser visto como líder climático mundial, mas primeiro precisa unificar discurso de seu governo. Foto: Peter Dejong/AP/picture alliance

Nova ideia para salvar as florestas

Num evento oficial concorrido, Marina Silva e Fernando Haddad apresentaram detalhes do projeto batizado como Florestas Tropicais para Sempre. A proposta é criar um instrumento financeiro para compensar quem preserva florestas em todo o mundo.

“É uma proposta bastante criativa. Queremos criar condições para que países desenvolvidos protejam a floresta sem ser doação. Eles terão retorno”, disse Silva.

A captação de recursos seria feita inicialmente de fundos soberanos, além de outros investidores – como da própria indústria do petróleo. A rentabilidade líquida seria a fonte de pagamento para países com florestas tropicais.

O mecanismo foi pensado para incentivar a preservação ao mesmo tempo em que desestimula o corte da floresta, explica Tasso Azevedo, coordenador do Mapbiomas, que ajudou a elaborar a ideia.

“Para cada hectare preservado durante um ano, seria pago um valor. E para cada hectare desmatado, haveria um desconto de 100 vezes esse mesmo valor. Por exemplo: se for pago 30 dólares por hectare preservado, serão descontados 3.000 dólares por cada hectare desmatado”, detalha Azevedo.

Para o engenheiro florestal, calcular o valor que essa vegetação tem é extremamente complexo. “Não se trata só de carbono. As florestas tropicais prestam serviços essenciais, como fazer o resfriamento do planeta em 1°C”, menciona.

O mecanismo foi apresentado aos países que fazem parte do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), e agora será discutido em Dubai entre os demais detentores de florestas tropicais.

“Em geral, os países desenvolvidos vêm com ideias bastante boas, mas já prontas. E aí você tem que aderir. O Brasil apresenta uma ideia, desenvolve com os outros, e aí cria a estrutura definitiva”, comenta André Correa do Lago, diplomata e negociador-chefe do país. “Esperamos que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre esteja em funcionamento até a COP30”.

A meta inicial do fundo é captar 250 bilhões de dólares. Estima-se atualmente que fundos soberanos disponham de 12 trilhões de dólares – a maior parte disso capitalizado pela venda de petróleo.

“Não há contradição”

Depois de discursar na plenária, o presidente Lula teve reuniões bilaterais com o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Ele não falou com a imprensa.

Já Marina Silva e Fernando Haddad, logo após apresentarem o plano para as florestas tropicais, foram questionados por jornalistas sobre a notícia de adesão do país à Opep em plena conferência do clima.

Segundo Haddad, o Brasil terá até junho de 2024 para decidir se entra para o grupo. Marina Silva afirmou que o país seria um observador e que, ao exercer esse papel, poderia “ajudar o mundo a fazer a transição energética” necessária.

“Se for para levar o debate da economia verde, da necessidade de descarbonizar o planeta, não é uma contradição. É exatamente para levar o debate que precisa ser enfrentado no âmbito daqueles espaços que são os grandes produtores de combustíveis fósseis, que são os grandes responsáveis pelo aquecimento do planeta”, respondeu.

Para Paulo Artaxo, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) que já integrou o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), a emergência climática testemunhada em várias partes do mundo não pode ser menosprezada em Dubai.

A COP28 teria que trazer o compromisso de acabar com a era do petróleo e iniciar a era da energia sustentável.

“O recado da ciência é claro: a janela de abertura para novos poços de petróleo já passou há décadas. O ministério da Fazenda e do Meio Ambiente estão alinhados com o futuro. O de Minas e Energia e a Petrobras estão alinhados com o passado. Este é o grande dilema que o Brasil tem que resolver”, analisa Artaxo.


compass black

Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle Brasil [Aqui!].

COP28 e seu significado prático: petróleo para o mundo

A conferência climática da ONU em Dubai ameaça se tornar uma feira de vendas para a indústria de combustíveis fósseis

1.jpg

Não há fim à vista para a era dos fósseis: a produção de petróleo está em um “caminho de crescimento” desde 2020

Por Raphael Schmeller para o JungeWelt

Para controlar a crise climática, a utilização de combustíveis fósseis deve ser interrompida – quanto mais cedo melhor. Mas a produção está numa “rota de crescimento”, como afirmou recentemente a Agência Internacional de Energia com referência ao petróleo bruto. Pode-se descartar que os países do mundo mudem esta tendência na conferência da ONU sobre o clima que começa nesta quinta-feira. Pelo contrário, é de esperar o oposto, nomeadamente que a COP 28 se torne um grande espetáculo petrolífero.

A conferência é organizada por um dos maiores produtores de petróleo, os Emirados Árabes Unidos. A COP 28 será liderada pelo Sultão Ahmed Al-Jaber, Ministro da Indústria do estado do Golfo e também CEO da ADNOC, a 12ª maior empresa petrolífera do mundo. Al-Jaber afirma que na reunião em Dubai defenderá “uma abordagem pragmática, realista e orientada para soluções” que “permita o progresso transformador para o clima e o crescimento económico de baixo carbono”. No entanto, no início desta semana a BBC revelou que o chefe do ADNOC queria usar a conferência climática principalmente para concluir negócios petrolíferos. Documentos vazados para a emissora britânica mostram que Al-Jaber está planejando reuniões sobre este assunto com representantes da Alemanha, China, Egito e Colômbia, entre outros.

O Presidente da COP será assessorado pela maior empresa de consultoria do mundo, McKinsey, durante as negociações climáticas de duas semanas. Como noticiou a AFP na quarta-feira, citando documentos confidenciais, a McKinsey apresentou, a portas fechadas, cenários para o futuro fornecimento de energia que contradizem os objetivos declarados da conferência. Outro exemplo do absurdo da COP 28 pode ser visto olhando para a sua agenda. Haverá, entre outras coisas, um seminário sobre o tema “Iate Sustentável” com o ex-piloto de Fórmula 1 Nico Rosberg.

Jan Kowalzig, porta-voz de política climática da ONG Oxfam, ainda acredita que as conferências climáticas anuais das Nações Unidas são “úteis”, como disse ao jW na quarta-feira . Constituem o “processo multilateral central no qual a comunidade de Estados negocia ações comuns na política climática internacional”. Ao mesmo tempo, Kowalzig admitiu que uma COP 28 bem sucedida exigiria “uma boa dose de vontade política”. Por exemplo, a União Europeia deve aproximar-se mais dos países em maior risco, por exemplo através de compromissos robustos para com o novo fundo para lidar com os danos climáticos no sul global.

O relatório anual recentemente publicado do programa ambiental das Nações Unidas, PNUMA, sublinha a urgência do progresso. Mesmo que os atuais compromissos de todos os países fossem implementados sem excepção, a Terra caminharia para um aquecimento de 2,5 graus Celsius até ao ano 2100. Se apenas fizermos esforços reais, podemos esperar um aquecimento de três graus em comparação com a era pré-industrial. Foi acordado em Paris em 2015 limitar o aquecimento a 1,5 graus.

A chefe do PNUMA, Inger Andersen, vê a “responsabilidade fundamental” pela catástrofe climática como sendo dos estados do G20. Em última análise, os 20 principais países industrializados e emergentes causaram 76% das emissões globais de gases com efeito de estufa.


color compass

Este texto escrito inicialmente em alemão foi publicado pelo JungeWelt [Aqui!].