Ontem tive a oportunidade de participar do metacast “Subversiva” que é produzido pela jornalista Marina Valente a partir de Fortaleza, capital do Ceará. O tema da entrevista/conversa foi a catástrofe climática que se abate neste momento sobre o estado do Rio Grande do Sul.
Ao longo da entrevista, pudemos conversar não apenas sobre os mecanismos climáticos que explicam a ocorrência de chuvas extremas, mas também dos problemas que causam a falta de respostas mais efetivas aos problemas que esses eventos disparam.
Coloco abaixo a entrevista para quem desejar saber mais do que foi abordado ao longo de pouco de mais uma hora de conversa.
Seminário é extensão de projeto da Fiocruz com parceria dos laboratórios LQA e LabMAM do Departamento de Química
Roda de conversa com mulheres da Aldeia Yawalapiti – Foto: Pirata Waura
Nesta tarde de 19 de abril, o Departamento de Química, do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio) promoveu o seminário Impactos e desafios das mudanças climáticas no Brasil, no Auditório Padre Anchieta – Pilotis do edifício Cardeal Leme, da universidade, na Gávea. No encontro, foram apresentados alguns resultados do projeto Avaliação de impacto à saúde decorrente das mudanças climáticas e dos incêndios florestais sobre os povos indígenas, realizado em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. O evento contou também com a participação de especialista do INPE e de professores de outros centros da PUC.
Entre fevereiro de 2023 e fevereiro de 2024, fizemos uma pesquisa de campo com 117 pessoas, entre elas 15 lideranças de aldeias Ulupuene, Topepeweke e Yawalapiti, localizadas no Alto Xingu sobre a percepção das mudanças climáticas na saúde. Entre os principais achados que podemos citar temos: a diminuição da quantidade de peixes, mudança de hábitos no plantio da mandioca, alteração no calendário tradicional de plantio, redução da jornada de trabalho em função do calor, fuga de animais e alteração da cadeia alimentar local. Essas foram as principais alterações apontada pelos indígenas”, explica Ana Schramm, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.
Paralelo ao seminário, a PUC-Rio também exibe, até o dia 25 de abril, no bloco B do edifício Cardial Leme, a Mostra Fotográfica “Impacto à saúde das mudanças climáticas e dos incêndios florestais sobre os povos xinguanos”, que reúne fotografias de Henrique Santian e Pirata Waura, tiradas durante as viagens de campo às aldeias da região do Alto Xingu.
“Os indígenas percebem a natureza com mais intensidade e buscam estratégias de adaptação. Porém, algumas elevam o risco de doenças. Foram observados e relatados problemas alimentares causados por infecções, aumento de pedras no rim, de casos de hipertensão e diabetes. Com a alteração na disponibilidade dos alimentos naturais – principalmente peixes, pequi e mandioca – os indígenas passaram a consumir produtos processados das cidades. Há também o aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares associadas a poluentes como as partículas, devido a queima de lenha dentro das ocas”, afirma Adriana Gioda, professora do Departamento de Química do CTC/PUC-Rio, uma das responsáveis pelas análises químicas e organizadora do evento.
Mais informações sobre a programação no site do Centro Técnico Científico da PUC-Rio:Link
As temperaturas globais em março foram 0,1oC superiores ao recorde anterior para o mês e 1,68oC acima da média pré-industrial, segundo o observatório Copernicus
Por Clima Info
Mais um mês, mais um recorde histórico de calor na Terra. De acordo com o observatório europeu Copernicus, as temperaturas globais da superfície em março passado foram 0,1oC mais altas do que o recorde anterior para o mesmo mês, de 2016. A temperatura média em março foi 1,68oC mais quente do que a média histórica pré-industrial (1850-1900) para o mês.
Assim, o último mês foi o 10º seguido com calor recorde, uma marca que preocupa os climatologistas. Considerando os últimos 12 meses (abril de 2023 a março de 2024), a temperatura média global na superfície é a mais alta já registrada, cerca de 0,70oC acima da média de 1991-2020 e 1,58oC acima da média pré-industrial.
Os termômetros registraram temperaturas mais altas na Europa, no leste da América do Norte, na Groenlândia, no leste da Rússia, na América Central, em partes da América do Sul, no sul da Austrália e em partes da Antártica e da África. Já a temperatura média da superfície do mar em março ficou em 21,07oC, a mais alta já registrada até hoje, e ligeiramente superior à registrada em fevereiro (21,06oC).
“Março de 2024 continua a sequência de quedas de recordes climáticos tanto para a temperatura do ar como para as temperaturas da superfície dos oceanos, com o 10º mês consecutivo de novos recordes. A temperatura média global é a mais alta já registrada”, afirmou Samantha Burgess, diretora-adjunta do serviço climático do Copernicus. “Para contermos um aquecimento maior, precisamos de reduções rápidas nas emissões de gases de efeito estufa”.
Total de chuva acumulada segundo o CEMADEN. Campos dos Goytacazes com 241.8 mm
Por um misto de interesse profissional com inquietação pessoal, estou lendo atualmente o livro da física e filósofa alemã Friederike Otto, o “Angry Weather” (ou em uma adaptação livre “Clima Raivosa”) onde são explicados os mecanismos que estão gerando uma combinação indesejável entre super tempestades e secas extremas (ver imagem abaixo).
A explicação de Otto e seu grupo de cientistas é de que as mudanças climáticas estão alimentando alterações drásticas no comportamento diário da atmosfera no tocante à distribuição de calor e umidade, o que faz com que super tempestades sejam cada vez mais comuns, passando de milhares de anos para décadas ou anos para se repetirem, o mesmo acontecendo com as secas.
Essa nova dinâmica (ou “novo normal”) ditada pelo aquecimento da atmosfera requer que sejam desenvolvidas medidas de adaptação climática, especialmente em cidades visto que ali está concentrada a maior parte da Humanidade. No entanto, salvas raras exceções, na maioria dos países, o que se vê é uma procrastinação imensa no tocante à adoção de medidas que possam minimizar a passagem dessas super tempestas, o que faz com que a devastação que elas causam seja magnificada.
Esse é exatamente o caso do Brasil, onde as medidas de adaptação climática são praticamente inexistentes, visto que aqui ainda perdure uma visão basicamente sacra do funcionamento dos mecanismos que controlam a atmosfera e os eventos meteorológicos. É o famoso foi Deus ou foi São Pedro quem quiseram. Com esse tipo de atitude temos implicações orçamentárias porque inexistem obras de infraestrutura para gerar ambientes urbanos mais preparados para assimilar os grandes volumes que chegam nas super tempestades.
Como tenho estudado com mais ênfase a cidade de Campos dos Goytacazes, me parece evidente que aqui essa discussão é ainda distante, pois ficamos presos em uma mentalidade clubística quando se trata de estabelecer políticas públicas. E quando as super tempestades chegam, o que temos é um arremedo de resposta que sempre fica dependente do tempo de duração e da capacidade do rio Paraíba do Sul receber rapidamente o que sai das ruas e avenidas da cidade. O problema é que aqui temos bairros que ficaram com água acumulada por semanas, dando espaço para a proliferação de vetores de doenças e a agudização de situações sociais já precárias. E mesmo em ruas localizadas em áreas mais centrais, temos casos de água acumulada que não seguem o padrão de outras áreas. Um bom exemplo é a Rua Edmundo Chagas que fica próxima do Teatro Trianon (Ver vídeo abaixo).
Assim, é urgente que se passa a discutir a questão da adaptação climática urbana como algo urgente e necessário. O problema é que não me parece que isso acontecerá se forem mantidos os mesmos estilos de fazer políticas e definir orçamentos que perduram atualmente na maioria dos municípios brasileiros, incluindo Campos dos Goytacazes.
Plano emergencial inclui reforço no contingente operacional e aumento da capacidade dos canais de atendimento, incluindo o call center
Rio de Janeiro, 21 de março de 2024 – Com o alerta da meteorologia para a possibilidade de tempestades a partir de hoje (21) na área de concessão da Enel Distribuição Rio, a distribuidora acionou o seu plano de emergência para eventos climáticos e estará em plena mobilização, com reforço das equipes operacionais e dos canais de atendimento para eventuais ocorrências que envolvam o fornecimento de energia nos 66 municípios da área de concessão da empresa.
O alerta meteorológico prevê um cenário climático adverso a partir da tarde desta quinta-feira na Costa Verde, na Região Serrana e no Grande Rio, com possibilidade de chuva forte, ventos e descargas atmosféricas. Entre a sexta-feira (22) e o sábado (23), o alerta vale para todas as regiões, principalmente Sul, Serrana e Lagos, e nas cidades de Niterói, São Gonçalo, Magé e Macaé.
O plano mobilizado pela Enel Rio prevê o reforço do número de equipes em campo e de todos os canais de atendimento, incluindo o call center, que poderá ter sua capacidade de atendimento duplicada em casos de um evento climático severo. A partir dos alertas de clima severo emitidos pelas autoridades, a empresa iniciou ações de comunicação direta com os clientes para informar a população sobre os riscos trazidos pelas chuvas. A distribuidora tem mantido diálogo também com as principais autoridades estaduais e dos municípios atendidos pela empresa.
Em situações de contingência, devido ao alto volume de chamadas no call center, a empresa orienta que os clientes utilizem preferencialmente os canais digitais para maior agilidade do atendimento, como o site (www.enel.com.br), o aplicativo Enel (disponível para iOS e Android) ou ainda mandar o WhatsApp Elena: (21) 99601-9608.
A empresa aproveita para reforçar dicas importantes de segurança com a rede elétrica em casos de tempestades:
– Se encontrar um cabo partido, não se aproxime;
– Não encoste em objetos metálicos: como semáforos, postes de iluminação pública, pontos de ônibus, portões e grades;
– Retire os equipamentos da tomada e deixe-os fora do alcance da água;
– Busque abrigo seguro: em caso de ventos intensos, procure locais seguros, longe de estruturas suscetíveis a danos, como postes, árvores ou fiações elétricas;
– Evite áreas arborizadas: durante tempestades, há risco de queda de árvores e descargas atmosféricas (raios).
Executivos na cúpula do Texas afirmam que a transição para energia limpa está falhando e dizem que o mundo deveria “abandonar a fantasia” da eliminação progressiva dos combustíveis fósseis
Participantes da CeraWeek em Houston. Fotografia: Callaghan O’Hare/Reuters
Por Oliver Milman para o “The Guardian”
Os principais dirigentes das grandes empresas mundiais de petróleo e gás desprezaram os esforços para se afastarem dos combustíveis fósseis, queixando-se de que uma transição “visivelmente falha” para a energia limpa estaaria sendo impulsionada a um “ritmo irrealista”.
Os executivos do petróleo, reunidos na conferência anual da indústria Cera Week em Houston , Texas, revezaram-se esta semana para denunciar os apelos por uma rápida eliminação dos combustíveis fósseis, apesar do reconhecimento generalizado dentro da indústria, bem como por cientistas e governos, de a necessidade de reduzir radicalmente as emissões que provocam o aquecimento do planeta para evitar os piores efeitos da crise climática.
“Devíamos abandonar a fantasia de eliminar gradualmente o petróleo e o gás e, em vez disso, investir neles de forma adequada”,disseAmin Nasser, executivo-chefe da Saudi Aramco, amaiorempresa petrolífera do mundo, sob aplausos na sala.
Nasser rejeitou as projecções da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a procura global de petróleo e gás atingirá o pico em 2030, alegando que o aumento dos custos da energia significa que as pessoas exigirão “a importância da segurança do petróleo e do gás” em vez de mudarem para as energias renováveis.
“Na verdade, no mundo real, a atual estratégia de transição está visivelmente falhando na maioria das frentes”, acrescentou Nasser, criticando os veículos solares, eólicos e elétricos pelo que ele disse ser um impacto mínimo na redução das emissões de gases com efeito de estufa.
“E, apesar do nosso papel de protagonista na prosperidade global, a nossa indústria é retratada como arquiinimiga da transição”, queixou-se Nasser.
Este cepticismo foi partilhado por outros executivos importantes presentes na conferência, que reúne líderes da indústria e políticos no coração petrolífero do Texas. Meg O’Neill, presidente-executiva da Woodside Energy , disse que a transição para a energia limpa não pode “acontecer a um ritmo irrealista”, prevendo que combustíveis mais limpos poderão levar até 40 anos para se desenvolver.
“Tornou-se emocionante”, disse O’Neill sobre o debate climático. “E quando as coisas são emocionais, fica mais difícil ter uma conversa pragmática.”
“Se nos apressarmos ou se as coisas correrem mal, teremos uma crise que nunca esqueceremos”, alertou Jean Paul Prates, presidente-executivo da Petrobras, a empresa petrolífera estatal brasileira, sobre a mudança para energia limpa.
Os comentários foram rapidamente denunciados pelos defensores do clima.
Os profissionais do setor “trabalham noite e dia para torpedear a transição para as energias renováveis e depois têm a audácia de criticar a lentidão da própria transição”, disse Jeff Ordower, diretor da 350.org para a América do Norte. “A Semana Cera deveria destacar uma visão global em direção a um futuro limpo e equitativo e, em vez disso, temos pontos de discussão da década de 1970.”
“Devemos ser cépticos em relação a quaisquer soluções alardeadas pela indústria porque é claro que não têm um interesse real em travar a crise climática”, acrescentou Ordower.
Darren Woods, executivo-chefe da Exxon, querecentemente disse queo público não está disposto a pagar por um mundo com menos poluição por carbono, usou a Cera Week para falar sobre as perspectivas das tecnologias de captura de carbono e hidrogênio, que a indústria vê como caminhos aceitáveis para subsídios governamentais que não ameacem o modelo empresarial central de perfuração de petróleo e gás.
Os cientistas estão certos, no entanto, de que o mundo precisa de chegar a zero emissões líquidas até meados deste século para evitar ondas de calor desastrosas, secas, inundações e outros impactos provocados pelo clima e até agora nenhuma tecnologia é capaz de melhorar a tarefa principal. de não queimar mais petróleo, gás e carvão.
De acordo com a AIE, que classificou a indústria dos combustíveis fósseis como “uma força marginal, na melhor das hipóteses” no investimento na transição para a energia limpa, a utilização de petróleo e de gás teria de diminuir em mais de 75% até 2050 se o mundo quiser continuar a ao objectivo internacionalmente acordado de limitar o aquecimento global a 1,5ºC para além dos tempos pré-industriais.
Isto exigiria a redução de um boom sem precedentes nas infraestruturas de gás ao longo da costa do Golfo do México dos EUA, que a administração de Joe Biden procurou recentemente amortecer, anunciando uma pausa nas novas exportações de gás natural liquefeito a partir destas instalações. Na Cera Week, no entanto, Jennifer Granholm, secretária de energia de Biden, disseque a pausa será “longa no espelho retrovisor” dentro de um ano.
Em Houston, ativistas climáticos, incluindo aqueles que organizaram uma marcha fúnebre simulada fora da conferência na terça-feira para representar as comunidades afetadas pelo desenvolvimento de petróleo e gás, disseram que os executivos da indústria mostraram as suas verdadeiras intenções na reunião.
“Se você olhar para suas ações, fica claro que eles não apenas não estão comprometidos com a redução de emissões, mas também vieram para a Cera Week para continuar promovendo a produção e extração de combustíveis fósseis e atrasando a transição para um futuro de energia justo e limpo”, disse Josh Eisenfeld, gerente de campanha de responsabilidade corporativa da Earthworks.
Aly Tharp, ativista do GreenFaith, disse que os ativistas foram propositalmente impedidos de se registrar para participar do evento, deixando-os expressar suas objeções fora do local.
“Tenho a obrigação moral de interromper o envenenamento sistemático do nosso planeta causado pelos combustíveis fósseis”, disse ela. “Esses danos precisam ser vistos e compreendidos e não deixados de fora da conversa.”
Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].
Estudo de caso foi realizado no assentamento Mário Lago, em Ribeirão Preto (SP) (foto), ocupado pelo MST com autorização legal desde 2008
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está colaborando para a promoção de um novo modelo de luta pela democratização do acesso à terra que leva em conta as necessidades de adaptação geradas pela crise climática. A conclusão é de uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicado na sexta (15) na revista científica “Desenvolvimento & Meio Ambiente”.
Para investigar as possíveis influências das mudanças climáticas nas disputas sociais e políticas, os cientistas realizaram um estudo de caso no assentamento Mário Lago, em Ribeirão Preto, São Paulo, regulamentado como assentamento de reforma agrária desde 2008. Em abril de 2022, foram entrevistadas 16 pessoas que habitam o local ou atuam em projetos no assentamento há mais de cinco anos, além de um promotor de justiça envolvido com o processo de ocupação da área onde antes operava a Fazenda da Barra.
As perguntas envolveram motivações, experiências e pretensões dos assentados e acampados quanto à terra ocupada. “Em certos momentos, os entrevistados mobilizaram argumentos vinculando as necessidades sociais e econômicas do município à proposta de reforma agrária popular, enquanto, em outros, se colocaram como defensores da natureza, expressando formas de afeto pela terra e a necessidade de protegê-la”, pontua José Caio Quadrado Alves, pesquisador e autor do estudo.
De acordo com os relatos e documentos oficiais investigados pelos autores, as preocupações de cunho ecológico com a área que viria a se torna o assentamento estão presentes desde dos anos 1990, quando o Ministério Público constatou diversas irregularidades ambientais na área então ocupada pela Fazenda da Barra – incluindo supressão de vegetação e risco de contaminação do Aquífero Guarani, recurso importante para o abastecimento hídrico do município. Segundo o artigo, esse contexto pode ter tido papel decisivo para a concessão das terras ao MST.
O discurso de preservação ambiental foi transformado em ação desde o início das atividades do movimento social no local, com implementação de práticas agroecológicas e de proteção do Aquífero Guarani e criação de áreas de reserva legal para preservar a vegetação nativa.
Segundo Alves, casos como o estudado demonstram a relevância do MST na renovação do debate por distribuição justa de terras e direitos em tempos de crise climática. “Ao reivindicar a terra não como simples apropriador de recursos, mas como protetor dos bens naturais, preservando um bem-comum de interesse global e das populações locais, o MST instaura o debate da conservação em todo território nacional. Ele proporciona, assim, maior protagonismo às pautas ambientalistas nas diversas arenas políticas”, complementa o pesquisador, salientando o alcance nacional do MST, movimento que luta pela democratização do acesso à terra desde 1984.
O trabalho ilustra o impacto que as emergências climáticas têm tido sobre as lutas sociais e, inclusive, traz efeitos positivos na discussão política. “Ao permitir que aqueles que mais sofrem com o modelo econômico capitalista e as mudanças climáticas tenham voz, talvez possamos ver o ambientalismo ou o ecologismo se tornar central na forma como escolhemos nossos representantes, na estruturação de políticas públicas e na maneira como pensamos o futuro”, reflete Alves.
Os próximos passos da pesquisa envolvem entender a interação dos assentados e acampados com a biodiversidade local e a atuação do MST na formação de alianças e na construção de políticas municipais.
O logotipo do frigorífico brasileiro JBS SA é visto na cidade de Jundiaí, Brasil, em 1º de junho de 2017. REUTERS/Paulo Whitaker/File Photo Purchase Licensing Rights
Por Jonathan Stempel para a “Reuters”
NOVA YORK, 28 fev (Reuters) – JBS (JBSS3.SA), o maior produtor mundial de carne bovina, foi processado na quarta-feira pelo procurador-geral do estado de Nova York, que o acusou de enganar o público sobre seu impacto no meio ambiente, a fim de aumentar as vendas.
A procuradora-geral Letitia James disse que a JBS USA Food Co, a unidade da empresa brasileira com sede nos Estados Unidos, “não tem nenhum plano viável” para atingir zero emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2040, tornando falso e enganoso o seu compromisso declarado de atingir essa meta.
James disse que a JBS admitiu que seu compromisso “Net Zero até 2040” não incorporou a grande maioria das emissões de gases de efeito estufa de sua cadeia de abastecimento, inclusive do desmatamento na Amazônia.
Ela também disse que atingir a meta era “inviável” dado o plano da JBS de aumentar a produção e, portanto, sua pegada de carbono, além das emissões de gases de efeito estufa que em 2021 haviam excedido as de todo o país, a Irlanda.
“As famílias [estão] dispostas a gastar mais do seu suado dinheiro em produtos de marcas que são melhores para o ambiente”, disse James num comunicado. “O greenwashing da JBS USA explora os bolsos dos americanos comuns e a promessa de um planeta saudável para as gerações futuras.”
A ação movida num tribunal do estado de Nova Iorque, em Manhattan, visa uma multa civil de 5.000 dólares por violação das leis comerciais do estado e a recuperação de ganhos ilícitos provenientes de falsas alegações de sustentabilidade.
Os negócios da JBS incluem Pilgrim’s Pride (PPC.O), um dos maiores produtores de frango dos EUA.
Em nota, a JBS afirmou discordar da ação. Também se comprometeu a continuar a parceria com agricultores, pecuaristas e outros rumo a um “futuro mais sustentável para a agricultura” que utilize menos recursos e reduza o seu impacto ambiental.
A empresa gerou cerca de US$ 53,5 bilhões em receita, nos primeiros nove meses de 2023, cerca de 59% dos quais vieram da América do Norte e da América Central.
As ações da JBS são negociadas no Brasil. A empresa vem buscando listar suas ações nos Estados Unidos.
Reportagem de Jonathan Stempel em Nova York; Edição por Chizu Nomiyama
Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela agência “Reuters” [Aqui!].
Geógrafo e professor da Uenf, Marcos Pedlowski (Arquivo)
Na reportagem especial do J3News desta semana, “Mar avança e preocupa praias da Região Norte” (leia aqui), o geógrafo e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Marcos Pedlowski, analisa a situação da costa fluminense, alvo de um longo processo de erosão nas últimas décadas. Embora a localidade de Atafona, em São João da Barra, seja o caso mais conhecido, o problema também afeta o litoral de Campos dos Goytacazes, Macaé, Rio das Ostras e outras cidades. Apesar de vários estudos científicos realizados por universidades, o pesquisador considera que diferentes níveis de governos não contribuem suficientemente para prevenir e combater o problema.
Como analisa a situação da costa regional que tem registrado frequente avanço do mar e erosão? Quais as principais causas?
A primeira questão a se observar é que a linha da costa é naturalmente móvel, pois depende da ação temporal de forças dinâmicas que envolvem as águas oceânicas, incluindo a força e orientação das correntes marinhas, e aquelas vindas do continente. Assim, o que devemos sempre esperar é a presença de elementos de mudança, ainda que em algumas áreas essa mudança ocorra em períodos de tempo diferenciados. Isso explica porque em alguns pontos do litoral fluminense há mais mudanças visíveis do que em outros, mas é sempre importante notar que mudanças são parte desse jogo de forças entre o mar e o continente.
É importante notar que um estudo realizado pelo do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) mostrou que pelo nível do mar no estado de São Paulo subiu menos 20 centímetros nos últimos 73 anos, afirma pesquisa. Esse mesmo estudo apontou que até 2050, a elevação pode chegar a 36 centímetros se o padrão de emissão de dióxido de carbono – CO2 – não cair.
Se extrapolarmos os dados desse estudo para o Rio de Janeiro, o que teremos é que provavelmente poderemos ter mais mudanças em um ritmo mais rápido do que o atual. No caso do Norte Fluminense, penso que os pontos de erosão costeira poderão aumentar em número e intensidade.
O fenômeno mais conhecido está em Atafona, São João da Barra, mas a reportagem tem registros da erosão crescente em Farol de São Thomé, praias de São Francisco de Itabapoana, Macaé e Rio das Ostras, entre outros, nas últimas décadas. Até que ponto as alterações climáticas e ações humanas agem nesses locais?
As primeiras análises sobre a seca extrema que ocorreu na Amazônia brasileira em 2023 mostram que ali estavam presentes elementos que misturam a presença de fenomenos regionais, como são os casos do El Niño, e também do desmatamento de grandes áreas da bacia amazônica, combinados com alterações de padrões climáticos associados às mudanças climáticas globais. Eu diria que essa combinação de fatores locais e regionais com as mudanças climáticas estarão presentes também na alteração de padrões vigentes, por exemplo, na dinâmica de modelagem da paisagem costeiras do estado do Rio de Janeiro. O fato é que o derretimento das geleiras no Polo Sul vai causar a elevação do nível médio do oceano em nossa região, o que deverá acelerar os processos erosivos.
Diante desse cenário, o que temos é que o futuro será marcado por interações complexas entre fenomenos de caráter local e os de níveis regional e global. Essa será a grande marca das próximas décadas.
Mar avança e destrói parte da orla em Farol de São Thomé (Foto: Silvana Rust)
As cidades brasileiras concentram grande população na faixa litorânea do país. Como observa sobre esse tipo de urbanização e ameaças que as cidades correm com o avanço do mar?
Estudos realizados em nível mundial mostram que essa concentração de população em cidades costeiras será um dos principais desafios no processo de adaptação climática. No caso do Brasil, temos uma população majoritariamente urbana e com muitas cidades importantes localizadas no litoral, incluindo capitais localizadas em ilhas, como é o caso de Florianópolis e Vitória, mas posso também citar Santos e São Vicente em São Paulo. Com isto, o alarme de urgência para que sejam desenvolvidas políticas urbanas de adaptação climática já deveria ter soado há algum tempo, mas tudo continua sendo tratado dentro do “business as usual”. Essa situação é muito preocupante, na medida em que as estruturas necessárias para a adaptação são muito caros e implicam em grandes investimentos, que sejam distribuídos e executados de forma eficiente ao longo do tempo.
A situação que descrevo é agravada pela predominância de um modelo de urbanização que é social, economicamente e racialmente segregado. Com isso, é mais do que realista esperar que as próximas décadas serão marcadas por grandes dificuldades, especialmente para os segmentos mais pobres da população, que no caso brasileiro é majoritariamente negra.
A construção de barreiras ou quebra-mares é capaz de frear ou minimizar o problema? Que obras seriam necessárias para evitar mais danos em Atafona e cidades vizinhas, por exemplo?
A construção de barreiras físicas para fazer frente ao processo de erosão costeira já está sendo feita em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. No entanto, se não houver um processo de planejamento integrado, a construção de estruturas físicas não passará de mero paliativo, representando ainda desperdício de dinheiro público.
A aplicação de um planejamento integrado seria um pré-requisito para a adoção de medidas que possam ser mais efetivas. Além disso, há que se levar em conta a experiência de países que já adotaram medidas para conviver com a elevação dos oceanos, o que demanda que o Brasil invista em desenvolvimento científico e tecnológico voltado para a adaptação climática.
Erosão na costa de Atafona, em São João da Barra, acontece desde 1960
Como observa as ações de governos locais, estadual e federal, além de órgãos ambientais nessa questão que envolve avanço do mar ou erosão costeira?
As ações dos diferentes níveis de governo são parte do problema, pois corriqueiramente estão na raiz de processos que alteram a dinâmica natural das regiões costeiras.
Por outro lado, quando se age para supostamente responder ao avanço do mar e da eorsão costeira, o que se vê é um alto nível de amadorismo e desprezo pelo conhecimento científico existente. A preferência dos governantes é por executar obras meramente paliativas que não possuem sustentação lógica, e, muitas vezes, estão ligadas a interesses que não são necessariamente republicanos.
As pesquisas e relatórios provenientes das universidades têm contribuído de que forma para refletir e combater o problema no litoral fluminense?
Na maioria das vezes, os pesquisadores que trazem à tona verdades que os governantes consideram inconvenientes têm seus trabalhos ignorados, quando não acontece a perseguição pura e simples dos mensageiros das más notícias.
O que ocorre de forma mais comum é que quando os pesquisadores são chamados, isto se dá de forma pontual e sob pressão da população. Quando essa pressão para, o conhecimento científico volta a ser ignorado e as ações voltam a ser controladas por visões não científicas.
No caso do litoral fluminense, me parece que é isso exatamente o que acontece, apesar de termos pesquisadores de excelente nível que possuem um lastro significativo de conhecimento sobre o que está acontecendo, e de quais medidas seriam mais apropriadas para se promover o processo de adaptação às mudanças climáticas e seus desdobramentos nas regiões costeiras.
Gostaria de destacar medidas de prevenção e combate que podem auxiliar nessa questão?
Eu penso que a proteção das áreas de restinga e de manguezais deveria ser a primeira prioridade dos governantes. A partir daí, o que deveria estar sendo feito seria a realização de estudos para a ampliação de áreas de proteção ambiental que conservem esses ecossistemas.
Por outro lado, há que se restringir e retroagir a construção de áreas residenciais nas áreas costeiras, pois já se existem estudos que mostram que o avanço do mar vai ocorrer de forma ainda mais aguda nas próximas décadas. Se não houver o devido esforço de planejamento urbano, o que teremos de forma inexorável será o avanço das águas oceânicas sobre grandes concentrações populacionais. Para que isso não ocorra, há que se levar em consideração as previsões dos modelos climáticos e iniciar uma necessária reordenação das terras urbanas. Do contrário, viveremos situações dramáticas quando o avanço do mar se tornar mais evidente.
Como observa o futuro das populações que vivem próximas ao mar e estão envolvidas diretamente com mudanças climáticas e erosão costeira?
Em função do que já respondi, o futuro dessas populações dependerá primeiro de uma completa mudança de visão dos governantes em relação às mudanças climáticas e suas consequências. O problema é que na maioria dos países, o Brasil especialmente, a maioria dos governantes vem optando por ignorar a nova realidade climática e continuam praticando visões ultrapassadas e ineadaquadas de governar. É uma espécie de cegueira proposital e que trará consequências dramáticas para as populações que vivem em regiões costeiras.
Trata-se de um fenômeno irreversível a questão do avanço do mar no Brasil e no mundo? O combate ao aquecimento global “resolveria” a questão?
Segundo os modelos climáticos do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) não há mais como reverter a questão da elevação do nível médio dos oceanos, mas é possível ainda ter algum controle sobre o nível de aquecimento do planeta, o que terminaria impactando o grau de elevação que ocorrerá. É em função disso, que as diferentes conferências do clima (as chamadas COPs) vêm tentando estabelecer compromissos que implicariam numa elevação menor dos oceanos.
Entretanto, o que temos tido até agora de resultados práticos é irrelevante, pois os resultados das conferências têm sido meramente protocolares e as mesmas práticas que resultaram no aquecimento da atmosfera da Terra continuam sendo realizadas, tendo como resultado reduções desprezíveis na emissão de gases causadores do efeito estufa.
Comente algo que não tenha perguntado e considere indispensável citar para refletir este tema.
Espero ter deixado claro que considero que a elevação do nível do mar causado pelo derretimento das calotas polares e geleiras continentais representará um grave desafio para a Humanidade nas próximas décadas. Mas também considero que ainda não há um compromisso efetivo de governos em diferentes escalas espaciais em agir para enfrentar esse desafio gigantesco. Considero que apesar da maioria das pessoas ter questões mais urgentes para tratar, como conseguir um prato de comida todos os dias, há que se tornar essa discussão mais corriqueira e de compreensão mais fácil.
Por outro lado, aos governantes, especialmente aos que operam na escala dos municípios, há que se dizer que a roda da História está girando e a falta de políticas públicas estruturantes terá consequências dramáticas no futuro. Por isso é fundamental que os municípios passem a tratar a questão das mudanças climáticas de forma séria, estabelecendo planos de adaptação climática, reservando orçamento não apenas para ações emergenciais que se tornarão cada vez mais necessárias, mas também para minimizar os riscos advindos do avanço do mar e da ocorrência de eventos meteorológicos extremos.
Este texto foi originalmente pela J3 News [Aqui!].
A plantação desenfreada de espécies exóticas inflamáveis ajudou a alimentar incêndios mortais – mesmo em locais conhecidos pelo clima frio e úmido
Veículos e casas queimam em Viña del Mar, centro do Chile, depois que um incêndio florestal eclodiu na região de Valparaíso no início deste mês. Crédito: Javier Torres/AFP via Getty
Por Andrew J. Wight para a Nature
No Chile, mais de 130 pessoas morreram nos incêndios florestais deste ano – os mais mortíferos da história do país. Na Colômbia, no mês passado, a fumaça dos incêndios florestais subiu nos arredores de Bogotá, desafiando a reputação da cidade de clima frio e úmido. E na Argentina, um incêndio devastou uma floresta que está listada como Património Mundial pela organização cultural das Nações Unidas, UNESCO.
Esses incêndios florestais aumentam a destruição causada pelos incêndios recordes na Amazônia em outubro de 2023. Este não é um padrão normal: em muitas partes da região, os incêndios florestais não fazem parte da história natural da paisagem, exceto os incêndios causados por “relâmpagos ocasionais”. greves”, diz Francisco de la Barrera, cientista ambiental da Universidade de Concepción, no Chile.
“Estamos muito preocupados porque cada novo incêndio é maior, mais ameaçador e com impacto cada vez maior”, afirma de la Barrera.
O legado ardente das mudanças climáticas
Os incêndios catastróficostêm múltiplas causas, mas as alterações climáticas são um dos principais impulsionadores, afirma a climatologista Maisa Rojas Corradi, ministra do Ambiente do Chile. Na última década, o país teve 16 megaincêndios, que coincidiram com “as temperaturas mais altas registradas no centro do Chile”, diz Rojas. A megaseca que atingiu a região em 2010 é uma das mais longas do milénio, diz Wenju Cai, climatologista da agência científica nacional da Austrália, CSIRO, em Melbourne.
As alterações climáticas também estão a reduzir a cobertura de nuvens e a diminuir os glaciares nos Andes chilenos, diz Cai. Isso significa uma diminuição na luz solar refletida e, como resultado, um aumento nas temperaturas.
Este ano, os efeitos das alterações climáticas foram amplificados por um forte padrão climático do El Niño, diz Cai. As altas temperaturas da superfície do mar ao largo da costa do Chile intensificaram as temperaturas no interior e alimentaram “ventos quentes de leste que sopram através dos Andes, da Argentina em direção ao Chile, atiçando o fogo”, diz ele.
Onde a floresta e a cidade se encontram
Os humanos também forneceram amplo combustível para incêndios florestais locais com o plantio de árvores bem-intencionado. No século XX, árvores de eucalipto nativas da Austrália foram plantadas nas colinas ao redor de Bogotá, para impedir a forte erosão, diz Dolors Armenteras, bióloga da Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá. O eucalipto foi escolhido porque cresce rapidamente e se adapta bem a diversas condições.
A plantação tinha um “objetivo nobre”, diz Trent Penman, cientista de incêndios florestais da Universidade de Melbourne, na Austrália, mas um grande número de árvores de eucalipto fornece uma abundância de material inflamável na forma de cascas de casca. Eles se inflamam rapidamente, produzindo inúmeras brasas que podem explodir em estradas, rios e outras áreas de combustível, espalhando rapidamente o fogo.
De la Barrera diz que árvores não nativas tiveram um papel importante nos incêndios no Chile. De acordo com o departamento de agricultura do país, as áreas de plantações florestais na região de Valparaíso – palco dos incêndios mortais de Janeiro – duplicaram de tamanho para mais de 41.000 hectares entre 2006 e 2021. O eucalipto representa quase 40% da área coberta por plantações no Chile.
“Nos últimos 20 a 30 anos, as cidades [aproximaram-se] muito mais das plantações”, diz de la Barrera, acrescentando que as populações na periferia rural-urbana das cidades correm maior risco de incêndio no futuro.
Um incêndio anunciado
“Quando vi os incêndios em Bogotá, foi como ver a Crônica de uma Morte Anunciada ”, diz Tania Marisol González, ecologista conservacionista da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá. Ela está se referindo a um romance do ganhador do Prêmio Nobel colombiano Gabriel García Márquez, no qual ninguém em uma cidade pequena pode impedir um assassinato, apesar das muitas oportunidades para fazê-lo – um paralelo com a incapacidade de impedir incêndios florestais.
A América Latina precisa de tomar mais medidas preventivas, diz González, incluindo a redução das cargas de combustível e a construção de aceiros. Armenteras afirma que o risco de incêndio poderia ser reduzido nas periferias das cidades latino-americanas, substituindo as árvores invasoras nessas zonas de transição por espécies nativas menos suscetíveis ao fogo. Mas são necessárias mais pesquisas antes que tal programa possa começar. “Não sabemos o suficiente sobre a inflamabilidade das espécies na América Latina; não sabemos quais espécies podem ser utilizadas”, diz ela.
Rojas, ministro do Meio Ambiente do Chile, diz que a função do governo é tornar o país mais resistente aos incêndios. Uma possibilidade, diz ela, é promover “paisagens biodiversas, com fontes de água protegidas e áreas corta-fogos, especialmente na interface urbano-rural. Isso reduzirá os riscos para as pessoas e a natureza.”
Mas há um longo caminho pela frente: de la Barrera adverte que as medidas propostas por Rojas exigirão mudanças legais e regulamentares substanciais.
O ministério do meio ambiente da Colômbia não respondeu ao pedido de comentários da Nature .