Professor Paulo Artaxo realiza colóquio “ao vivo” e online sobre o Antropoceno

O Antropoceno: Aspectos científicos de uma nova era geológica

Palestrante: Prof. Dr. Paulo Eduardo Artaxo Netto, IFUSP

Dia: 09 de março de 2017, às 16h, Auditório Abrahão de Moraes

Resumo da palestra:
 
A Humanidade alterou profundamente vários processos críticos que regulam o funcionamento climático de nosso planeta. As alterações no albedo da superfície e na composição da atmosfera impactaram o balanço radiativo da Terra, e estamos em rota de aquecimento com importantes impactos socioeconômicos e ambientais. O aumento da frequência de eventos climáticos extremos, aumento do nível dos oceanos, alteração dos padrões de precipitação estão entre os principais efeitos. Entre as medidas necessárias, a redução do consumo, geração de energia por meio de processos que não emitam gases de efeito estufa, e a implementação de uma economia de baixas emissões de carbono estão entre as medidas necessárias. A ativa área da ciência das mudanças climáticas globais requer intenso trabalho interdisciplinar, e novas abordagens entre as diferentes disciplinas.
 
Palavras-chave: Mudanças climáticas, meio ambiente, antropoceno 
 
Sobre o palestrante:
 

O Prof. Artaxo fez a graduação (1977), o mestrado (1980) e o Doutorado (1985) no IFUSP. Atualmente é professor titular do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP. Trabalha com física aplicada a problemas ambientais, atuando principalmente nas questões de mudanças climáticas globais, meio ambiente na Amazônia, física de aerossóis atmosféricos e poluição do ar urbana. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia de Ciências dos países em desenvolvimento (TWAS) e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Em 2004 recebeu um voto de aplauso do Senado Brasileiro pelo trabalho científico em meio ambiente na Amazônia. É membro da equipe do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) que foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2007. Em 2007 recebeu o prêmio de Ciências da Terra da TWAS e o Prêmio Dorothy Stang de Ciências e Humanidades de 2007. Em 2009 foi agraciado com o título de Doutor em Filosofia Honoris Causa pela Universidade de Estocolmo, Suécia. Em 2010 recebeu o prêmio Fissan-Pui-TSI da International Aerosol Research Associations. Também recebeu em 2010 a Ordem do Mérito Científico Nacional, na qualidade de comendador. Em 2016 recebeu o Prêmio Almirante Álvaro Alberto outorgado pelo CNPq, Marinha, MCTI e Fundação Conrad Wessel.

 

FONTE: http://portal.if.usp.br/ifusp/pt-br/evento/col%C3%B3quio-com-o-prof-paulo-artaxo-ifusp

 

Por que o governo não divulga os dados de emissão de carbono

O Terceiro Inventário nacional, que dá os dados de 2005, deveria ser um produto técnico, mas virou refém de decisão política

 

 

Área desmatada no Mato Grosso para expansão do agronegócio. Estado foi o "campeão" em alertas de desmatamento e degradação. (© Paulo Pereira/Greenpeace)

Área desmatada no Mato Grosso para expansão do agronegócio. Estado foi o “campeão” em alertas de desmatamento e degradação. (© Paulo Pereira/Greenpeace)

 

Por TASSO AZEVEDO & MARINA PIATTO*

Daqui até o meio do ano, o país precisa publicar seu terceiro inventário de emissões de gases de efeito estufa, que dará a cifra oficial de nossas emissões até o ano de 2010 e também o número revisado de emissões do Brasil em 2005, ano do último levantamento do tipo disponível. Isso mesmo: a nossa conta oficial de emissões de carbono mais recente se refere a dez anos atrás.

O terceiro inventário foi finalizado ainda em 2014 e passou por consulta pública em janeiro de 2015. O documento aguarda publicação desde pelo menos agosto do ano passado.

Quem teve acesso à versão final conta que ele vai mostrar que as emissões em 2005 foram bem maiores do que sugeria o segundo inventário: saltaram de 2,2 bilhões para 2,7 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e). Isso colocaria o Brasil na terceira posição entre os maiores emissores globais em 2005, atrás apenas da China e dos EUA.

A diferença, apesar de enorme, pode ser explicada por evolução na metodologia de medição das emissões e remoções de gases de efeito estufa, especialmente no que se refere a desmatamento e captura de carbono pelas florestas remanescentes.

Apesar de já contar com os dados não publicados, o governo anunciou em setembro a proposta de compromissos para o Acordo de Paris com base nos dados antigos. A meta de reduzir as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030 com relação a 2005 foi calculada com base nos dados ultrapassados do segundo inventário, o que daria uma emissão de 1,2 bilhão de toneladas de CO2 em 2030.

Considerando os novos números, o governo fica com duas opções: ou revisa a meta em termos absolutos, que passaria a 1,5 bilhão de toneladas em 2030 — ou seja, nenhuma redução em relação às emissões atuais –, ou revisa a meta proporcional, que passaria a ser de 55% de corte até 2030 em relação a 2005 em vez de 43%. E este parece ser um dos motivos pelos quais a publicação do inventário, que deveria ser um produto eminentemente técnico, virou refém de uma decisão política.

Comunicar emissões de forma ágil, atualizada e com a melhor informação científica disponível traria diversos ganhos para o Brasil. O mais imediato seria a aplicação de políticas de controle de poluição: hoje nossos inventários são olhares no retrovisor, descolados do ritmo da economia. Saber como elas evoluem ano a ano é importante para aplicar regulações e incentivos, proteger a população e gerar emprego e renda.

Outro ganho diz respeito aos nossos compromissos internacionais. Hoje o Brasil está desobrigado de revelar ao mundo quanto emite anualmente. Com a entrada em vigor do Acordo de Paris, que exigirá um mecanismo global de transparência, isso deverá mudar. Todas as nações serão obrigadas a reportar emissões e, quanto mais cedo estiverem prontas para isso, melhor.

Um terceiro ganho diz respeito ao próprio acesso a mercados de carbono e ao cumprimento das metas nacionais de corte de emissões. Hoje, por exemplo, o país não reporta quanto emite todos os anos por degradação de solos em pastagens. Cálculos feitos pelo Imaflora a partir dos dados do SEEG, o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, sugerem que as emissões do setor agrícola seriam 25% maiores caso esses dados fossem computados. No entanto, esse mesmo setor tem potencial de emissões negativas – ou seja, de sequestro de carbono – caso as metas propostas de recuperação de pastagens sejam cumpridas. Por não contabilizar o quanto emite, o país não pode receber os benefícios de reduções de emissões.

Além disso, monitorar o que acontece no seu quintal é uma tradição no Brasil. Na década de 1980, fomos os pioneiros em estimar o desmatamento em florestas tropicais usando satélites. Nos anos 2000, o sistema Deter, do Inpe, permitiu que esse monitoramento ocorresse em tempo real. Na mesma década, surgiu o SAD, sistema do Imazon que ampliou a transparência do monitoramento – e foi fundamental para defender a credibilidade do sistema do Inpe contra ataques em 2008. A expressiva queda do desmatamento na Amazônia na ultima década deve muito aos sistemas de monitoramento.

Os dados do terceiro inventário são fundamentais para atualizar e balizar os esforços de monitoramento de emissões no Brasil. Sem eles praticamente todas as políticas públicas para redução de emissões perdem eficácia.

Ajustar as contas do clima é crucial para ajustar as contas com o clima. Além de evitar situações embaraçosas para o país no futuro.

* Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Planeta, da revista Época.

Tasso Azevedo é engenheiro florestal e coordenador do SEEG (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima
Marina Piatto é agrônoma e coordenadora da Iniciativa de Clima e Agrupecuária do Imaflora

FONTE: http://www.observatoriodoclima.eco.br/por-que-o-governo-nao-divulga-os-dados-de-emissao-de-carbono-2/

Aquecimento global pode levar 100 milhões de pessoas à pobreza, alerta Banco Mundial

climate

100 milhões de pessoas ficarão em situação de extrema pobreza até 2030 por causa de aquecimento global

Redação | São Paulo 

Relatório da organização indica que impacto será particularmente forte na Ásia, onde o preço dos alimentos pode aumentar em até 12%
O Banco Mundial alertou, em relatório divulgado no domingo (08/11), que se nada for feito para diminuir o aquecimento global, 100 milhões de pessoas estarão vivendo em situação de extrema pobreza até 2030.

O documento indica que o impacto será particularmente forte na Ásia, onde o preço dos alimentos pode aumentar em até 12%, devido às mudanças climáticas. O resultado será “um golpe para uma região onde o consumo alimentar das famílias mais pobres já representa mais de 60% de seus gastos”, diz o texto.

No sul da Ásia, principalmente na Índia, além da crise agrícola, ocorreria uma rápida propagação de doenças resultantes de perturbações climáticas – malária, febre amarela, diarreias agudas, entre outras. Com isso, mais de 45 milhões de pessoas acabariam vivendo abaixo do limiar da extrema pobreza, isto é, com uma renda de menos de US$ 1,90 por dia (aproximadamente R$ 7,20). 

O documento foi publicado nas vésperas da COP21, Conferência de Paris para o Clima, que acontecerá a partir de 30 de novembro. Nela, os representantes de 196 países irão se reunir para negociar um novo acordo para diminuir a emissão dos gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global e o aumento da temperatura média do planeta.

Para cumprir com este objetivo serão negociadas medidas de redução da emissão de carbono, de adaptação climática e os gastos necessários para que isso se realize.

FONTE: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/42204/aquecimento+global+pode+levar+100+milhoes+de+pessoas+a+pobreza+alerta+banco+mundial.shtml

El País: Elevação do nível do mar se acelerou mais do que se pensava

Oceano passou de um aumento de 1,2 mm por ano até 1990 a 3 anuais de 1993 a 2010

MANUEL ANSEDE 

Intervenção do Greenpeace na cúpula do clima de Cancún em 2010. / GREENPEACE

Em seu documentário Uma Verdade Inconveniente, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore alertava que o aquecimento global provocaria uma elevação do nível do mar de mais de 6 metros num futuro próximo, sepultando cidades à beira-mar. Foi um dos exageros mais criticados do filme do Prêmio Nobel da Paz de 2007.

Na realidade, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas, que compartilhou o Nobel com Gore, calcula que o nível do mar se elevou a um ritmo de 1,7 milímetro por ano durante o século XX. Durante o século XXI, estimam, o oceano subirá, em média, entre 0,22 e 0,44 metro em relação aos níveis de 1990.

Um novo estudo argumenta agora que as cifras do IPCC para o século XX também estão “superestimadas” e é necessário “revisar” as projeções para o futuro. Seus autores, da Universidade Harvard (EUA), reajustaram os modelos matemáticos com as últimas técnicas disponíveis e calculam que o nível do mar subiu apenas 1,2 milímetro ao ano entre 1901 e 1990.

O trabalho, publicado nesta quarta-feira na revista Nature, está longe de minimizar o problema. Os pesquisadores, liderados pela física Carling Hay, alertam que a aceleração da subida do nível do mar nas últimas duas décadas é maior do que se pensava, alcançando 3 milímetros ao ano entre 1993 e 2010.

ONU calcula que durante o século XXI o oceano subirá, em média, até 0,44 metro em relação aos níveis dos anos 1990.

O nível do mar sobe porque a água se expande à medida que se aquece e pelo derretimento do gelo terrestre. No entanto, a elevação não é uniforme, mas depende de uma multiplicidade de padrões geográficos analisados agora em detalhe pela equipe de Harvard, que também leva em conta os registros históricos das marés e os dados de satélite. Para o climatologista Jonathan Gregory, coautor dos informes do IPCC, a nova pesquisa é “um passo útil adiante”.

Carling Hay lembra que algumas projeções para o futuro “se embasam nas reconstituições do nível do mar no passado, por isso será importante ajustar esses modelos com os novos dados”.

O IPCC calcula que o nível do mar subiu 120 metros depois do último período glaciar vivido pela Terra, há uns 21.000 anos, até estabilizar-se há uns dois milênios. Depois disso, o mar ficou calmo, até que a Revolução Industrial fez dispararem as emissões de CO2, e o nível do mar voltou a subir. Um estudo recente financiado pelo Governo espanhol concluiu que o nível do oceano no litoral espanhol aumentará entre 0,6 e 0,8 metro ao longo do século XXI se nada for feito para reduzir as emissões.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/14/ciencia/1421258521_866105.html