O “Nazismo de esquerda”: negação da história e da ciência, e o Brasil como “laughing stock” global

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Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo tornam o Brasil motivo de riso ao publicizar a afirmação de que o Nazismo foi um movimento de esquerda. E isso terá custos políticos e econômicos para o Brasil.

Até recentemente a ideia de que alguém pudesse defender responsavelmente a concepção de que o Nazismo alemão foi gerado por militantes de esquerda não saia das catacumas da internet onde qualquer coisa pode ser dita sem maiores preocupações com fatos históricos e com o conhecimento científico estabelecido acerca dos mesmos.

No caso brasileiro a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018 permitiu que esse mito urbano ganhasse os corredores palacianos de Brasília sob o manto das ideias singulares do Jim Jones da Virginia, também conhecido pelo nome de batismo de Olavo de Carvalho. 

Com Olavo de Carvalho ascendeu ao cargo de ministro das Relações Exteriores um dos seus discípulos, o Sr. Ernesto Araújo, que começou a propalar na internet a tese historicamente insustentável de que o Nazismo foi um movimento de esquerda, tendo o chanceler sido prontamente rebatido por estudiosos alemães que negaram qualquer base histórica para a alegação.

Mas hoje em uma visita ao Museu do Holocausto (onde inclusive existem informações públicas acerca do caráter de ultra direita do Nazismo), foi a vez do próprio presidente Jair Bolsonaro expor a tese sem base histórica de que Adolf Hitler teria sido líder de um movimento de esquerda.

Há quem ache que esse tipo de manifestação visa apenas realizar uma espécie de “lacração de direita” e que nem os próprios envolvidos levam a sério o que estou falando publicamente.  Na verdade esse é o fato aspecto (se acreditam ou não) que menos importam, pois ao fazerem isso, há que se perguntar o que afinal pretendem esses senhores.

Na minha modesta opinião, chegar a ser irrelevante os motivos reais dessa tentativa falaciosa de mudar uma realidade histórica. O mais importante para mim é que ao se alinharem a uma tese profundamente acientífica e anti-cientifíca, o que o presidente e o ministro das relações exteriores estão fazendo é comprometer qualquer chance do Brasil ser levado a sério na seara das relações diplomáticas. É que ao tornar o nosso país uma espécie de “laughing stock” (motivo de riso em tradução literal) global que inevitavelmente será alienado de quaisquer conversas sérios nas múltiplas agências multilaterais que coordenam o funcionamento do sistema global de nações.

E isso, podem acreditar, terá consequências sérias para a nossa economia e, consequentemente, para a maioria da nossa população que já se encontra sob condições extremas de existência.