A imposição do NEM reduz drasticamente as chances de acesso dos estudantes pobres às universidades públicas

Uma das grandes expectativas que acompanharam a chegada de Luís Inácio Lula da Silva ao seu terceiro mandato na presidência da república era que ele anularia o horroso “Novo Ensino Médio” (NEM)imposto pelo governo de facto de Michel Temer. Mas até agora, Lula e o seu ministro da Educação, Camilo Santana (PT/CE), não mostraram a real disposição de anular a reforma do ensino médio que veio na esteira do golpe parlamentar de 2016.
Um dos maiores problemas do NEM é que ele criou uma separação concreta entre o que pode ser oferecido no ensino médio que é uma espécie de antessala da entrada nas universidades. Enquanto as escolas de ensino privada continuam ofertando disciplinas estruturantes como Física, Química, Biologia, Geografia, História e Filosofia, na rede pública elas desaparecem no terceiro ano e são substituídas por puras bizarrices sob a desculpa de oferecer mais espaço para a escolha dos estudantes. Aí aparecem coisas como “Corpo e mente saudáveis”, “Projeto de vida”, “Tempo, Espaço e Movimento” e “Direito à Saúde” surgem para preencher tempos que poderiam e deveriam estar sendo usados com as disciplinas chaves que continuarão sendo oferecidas nas escolas privadas.
O que essa diferença faz é desprover que estudantes da rede pública concluam o ensino médio em pé de igualdade em termos de acesso a conteúdos que serão demandados nas provas do ENEM que definem atualmente se alguém acessará ou não as melhores universidades brasileiras. Na prática, ocorre a criação de um processo de profunda desigualdade em termos de formação que ameaça gravemente o direito dos pobres (imensa maioria dos que usam a rede de ensino pública) em acessar cursos de ensino superior.
Assim, o fato de que o NEM está sendo imposto a todo vapor pelo governo de Cláudio Castro na rs escolas da rede pública estadual deveria gerar alarde e preocupação entre estudantes, professores e gestores das universidades públicas. A mídia corporativa campista até abriu espaço para noticiar esse problema, oferecendo a oportunidade para as universidades públicas locais usarem o início do primeiro semestre letivo de 2024 para abordar as graves distorções que o NEM está gerando para os estudantes mais pobres.
O curioso, para não dizer outra coisa, é que na recepção aos calouros que está sendo promovida pela reitoria da Uenf ao longo da semana que se inicia, não há qualquer evento relacionado à necessária discussão sobre a imperiosa necessidade de se revogar urgentemente o NEM em nome do oferecimento de um ensino de qualidade aos pobres. Pelo contrário, quem vê a programação oficial da UENF vai ficar achando que o NEM nem existe, e que existem outras coisas mais importantes para “desenrolar” e se “orgulhar”. O governo Castro agradece!