
Tendo lido um artigo que abordou o embarque tardio de Marina Silva, ícone do partido conhecido como Rede Sustentabilidade, na defesa do impeachment de Dilma Rousseff resolvi visitar a página do partido na internet (ver imagem abaixo)

A primeira coisa que salta aos olhos na página da “Rede” é que não qualquer alusão aos problemas de sustentabilidade que afetam o Brasil (Aqui!). Nada sobre Mariana, nada sobre a poluição da Baía da Guanabara, apenas para citar dois exemplos.
Além disso, não há qualquer menção a qualquer luta prática que esteja sendo desenvolvida naquelas regiões onde o projeto Neodesenvolvimentista do NeoPT foi executado, causando graves modificações sociais e ambientais. Cito aqui o Porto do Açu e a Usina de Belo Monte. Mais uma vez o silêncio é absoluto.
Mas para não para evitar parecer que não tentei encontrar algo positivo nas proposições da “Rede” li o texto intitulado “Do sonho da nova política” assinado por Gabriel Bistafa onde não encontrei nada realmente substancial sobre o que a “nova política” seria. Há sim a menção a coisas como “horizontalidade” e “consenso progressivo”. Contudo, não há qualquer sinalização de como esses dois conceitos da “nova política” seriam materializados numa sociedade tão verticalizada econômica e socialmente como a brasileira.
Entretanto, esqueçamos um pouco a parte formal do que a “Rede” diz ser para examinar, por exemplo, o que efetivamente temos visto em termos de mudança política em relação às práticas dominantes no sistema partidário. Aí podemos voltar à Marina Silva e seu ziguezague desde que saiu do neoPT. É que tendo acompanhado o que Marina diz, nunca vi uma crítica clara às desigualdades sociais, econômicas e raciais que persistem escancaradas na sociedade brasileira. Apontar as impossibilidades de uma nova política sob a égide do capitalismo financeiro, isto nem pensar. Até porque Marina Silva possui excelentes relações com o pessoal do Itaú.
O fato é que quando falou algo mais forte, Marina o fez para destilar sua inconformidade e aparente mágoa com o ex-presidente Lula. Por mais justos que sejam os sentimentos, convenhamos que isto é muito pouco para emplacar uma “nova política”. Aliás, não há nada mais velho do que mágoa e vingança em termos de política brasileira.
Na minha opinião, o elemento definitivo no naufrágio da “Rede” na velha política foi a aceitação de figuras como Miro Teixeira em seus quadros partidários. É que oriundo do chaguismo, Miro nunca foi capaz de sequer esboçar uma ruptura real com suas raízes populistas de direita. Nem a presença de Alessandro Molon na “Rede” consegue apagar esse ranço de velha política que miro traz consigo. Aliás, conhecendo o Molon desde o seu primeiro mandato como deputado estadual, fico pensando que raios ele estava pensando quando trocou o neoPT pela “Rede”. É que a estas alturas do campeonato, a saída de Molon aparece como precoce e oportunista ao mesmo tempo. Precoce porque agora haveria pleno espaço para sua candidatura a prefeito da cidade do Rio de Janeiro pelo neoPT e oportunista porque ser candidato parece ter sido a principal, senão a única razão, da sua saída do partido que o lançou vitoriosamente na política.
Finalmente, o que fica claro para mim é que não basta falar em “nova política” se não houver um norte que aponte para a ruptura com as condições objetivas de funcionamento da sociedade em que se está inserido. E isso não há qualquer indicação de que a “Rede” esteja minimamente disposta a fazer. A opção clara é por um mistura por um discurso “Habermasiano” com práticas políticas antigas e manjadas. Em outras palavras, a “Rede” é apenas uma dessas opções partidárias que, de tempos em tempos, procuram ocupar um espaço no centro das disputas entre esquerda e direita. O problema é que no contexto em que nos encontramos, essas fraudes tendem a ter uma sobrevida muito pequena.
Vamos ver como a “Rede” se virará nos próximos meses que prometem ser muito quentes no Brasil. Em minha opinião, cedo ou tarde, veremos Marina Silva, sob a batuta de Miro Teixeira, tomando o caminho da direita. A ver!