Estudo feito na França revela a presença de toneladas de agrotóxicos estocadas nas nuvens

Medições feitas em Puy-de-Dôme mostram a presença de dezenas de agrotóxicos no interior das nuvens, alguns dos quais estão proibidos há vários anos, com concentrações que excedem os limites da União Europeia para água potável

A uma altitude de 1.500 metros, pesquisadores do Laboratório de Meteorologia Física da Universidade de Clermont-Ferrand descobriram 32 substâncias diferentes. (PASCAL POCHARD-CASABIANCA / AFP)

A uma altitude de 1.500 metros, pesquisadores do Laboratório de Meteorologia Física da Universidade de Clermont-Ferrand descobriram 32 substâncias diferentes. (PASCAL POCHARD-CASABIANCA / AFP)

Por FranceInfo 

Até 140 toneladas de agrotóxicos foram encontradas nas nuvens, de acordo com um estudo publicado por uma equipe científica da Universidade de Clermont-Ferrand (Puy-de-Dôme), informou a France Inter no domingo, 21 de setembro.

A uma altitude de 1.500 metros, no topo do Puy de Dôme, pesquisadores do Laboratório de Meteorologia Física da Universidade de Clermont-Ferrand, auxiliados por colegas italianos, descobriram 32 substâncias diferentes: herbicidas, inseticidas, fungicidas e até produtos proibidos há vários anos por sua periculosidade. Eles coletaram seis amostras de nuvens de diferentes estações do ano e descobriram que metade delas continha concentrações que excediam os limites estabelecidos pela União Europeia para água potável.

Agrotóxicos de outros lugares

Com base nessas amostras, os cientistas estimaram a quantidade total transportada pelas nuvens. É muito mais do que eles imaginavam: entre 6 e 140 toneladas de pesticidas, dependendo da circulação das nuvens. Como produtos proibidos na Europa são encontrados lá, eles devem ter vindo de outro lugar, já que os agrotóxicos são voláteis. Espalhados no solo, eles evaporam, se movem com as massas de ar e, então, empurrados pelo vento, são depositados novamente em outro lugar.

Esse efeito gafanhoto pode ocorrer em longas distâncias, como sugere como sugere este estudo publicado na Environmental Sciences & Tecnology . Em outras palavras, mesmo em áreas sem tratamento, como os polos ou montanhas, os agrotóxicos caem nas chuvas. Essa poluição, insuspeitada por sua escala, pode explicar em parte a poluição generalizada dos cursos d’água.


Fonte: FranceInfo

Nuvens de Veneno

NUVENS

O filme “Nuvens de Veneno”, do cineasta e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Beto Novaes, reafirma Mato Grosso como campeão nacional em uso de venenos agrícolas, principalmente no plantio de grãos.

Em 25 minutos, o documentário mostra os riscos da cultura do agrotóxico para quem pulveriza as lavouras e para quem come os alimentos.

O filme foi lançado em Cuiabá, em um evento na Escola de Saúde Pública, que abordou a saúde do trabalhador da cidade e do campo em Mato Grosso.

Convido a todos a assistir e compartilhar o filme, no link abaixo:

http://muralvirtual-educaoambiental.blogspot.com.br/2013/12/nuvens-de-veneno.html

Esse modelo se desenvolva, em parte, pela desinformação da sociedade que não cobra das autoridades mais seriedade e responsabilidade sobre o tema.

Enquanto isso, segue no congresso, projeto que facilita registro de novos agrotóxicos do senador Ruben Figueiró (PSDB-Mato Grosso do Sul). O projeto de Lei PLS 209/13 fixa em 180 dias o prazo máximo para a liberação de novos defensivos agrícolas no mercado, projeto esse, que é para atender uma das principais queixas das empresas de agrotóxicos.

FONTE: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=263604637124438&set=a.147638088721094.33444.130765053741731&type=1&theater