”Retornados Compulsórios” dos EUA ao Brasil chegam em situação degradante e, muitos, só têm a roupa do corpo

Campanha de arrecadação de vestuário adulto masculino é lançada pela OAB Barro Preto e OAB Minas Gerais para ajuda dos brasileiros retornados compulsoriamente

Toda semana a cena se repete. Às quartas-feiras chega em Belo Horizonte/MG dezenas, centenas de brasileiros em mais uma operação de retorno compulsório coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

Na última semana, no dia 15/10/25, cerca de 90 brasileiros chegaram em Confins num voo procedente dos Estados Unidos, que  pousou, por volta das 22h, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte. Hoje, 22/10/25, provavelmente essa cena vai se repetir.

Em agosto deste ano, o Governo do Brasil lançou o programa “Aqui é Brasil”, para garantir acolhimento digno e humanizado a cidadãos retornados compulsoriamente.

Mas o crescente número de brasileiros que estão sendo “retornados” dos Estados Unidos da América (EUA) tem acendido um alerta social e humanitário.

Segundo a especialista em Direito Migratório, Dra. Silvana Felipetto, presidente das Comissões de Direito Migratório da OAB Minas e da OAB Subseção Barro Preto, essa situação não é inédita, mas tem se intensificado e apresentado contornos preocupantes quanto à dignidade e aos direitos humanos dos brasileiros retornados.

A Lei de Migração nº 13.445/2017, que substituiu o antigo Estatuto do Estrangeiro, estabeleceu princípios baseados na inclusão, proteção humanitária e não discriminação, garantindo direitos aos migrantes – pessoas que vêm do exterior – quanto os brasileiros que se encontram no exterior, os denominados emigrantes. No entanto, na prática, muitos cidadãos têm chegado em condições precárias após tentativas de entrada irregular nos Estados Unidos ou permanência com visto vencido.

Desde agosto, houve aumento significativo nas ordens de retorno compulsório emitidas pelos EUA, voos semanais chegam às quartas-feiras, no período noturno, em Confins (MG), transportando brasileiros que retornam sem praticamente recurso algum. “A grande maioria não cometeu crimes, e o retorno compulsório acontece por irregularidades no status migratório do cidadão em solo americano, como visto vencido”, explica a advogada.

Uma estrutura de acolhimento emergencial foi montada no aeroporto de Confins, para oferecer suporte inicial e aqueles que chegam e não são recebidos de imediato por familiares ou amigos estão sendo encaminhados para uma unidade de apoio em Lagoa Santa. “Trata-se de pessoas que emigraram do Brasil em busca de melhores oportunidades e que, atualmente, estão sendo retornadas compulsoriamente pelos Estados Unidos, muitas vezes chegando apenas poucos pertences pessoais”, reforça Silvana Felipetto.

Diante dessa realidade, a OAB Subseção Barro Preto e a OAB Minas Gerais está coordenando uma campanha emergencial para doação de roupas à essas pessoas, que precisam com urgência de roupas masculinas adultas, em grande quantidade, em bom estado de conservação e higienizadas, que poderão ser entregues na: OAB Barro Preto, na Rua dos Guajajaras, 1757, Belo Horizonte/MG e OAB Minas Gerais, na Rua Tenente Brito Melo, 210, Barro Preto. A maioria dos retornados são homens, adultos e desacompanhados e, por isso o pedido maior é de roupa masculina. São cerca de 83% homens, 17% mulheres e  pouquíssimas crianças.

Repatriado ou Deportado

A repatriação acontece quando um estrangeiro é impedido de entrar no país, antes de atravessar a área de controle migratório, tais como porto, aeroporto ou fronteira. Por alguma irregularidade, a pessoa é barrada antes mesmo de entrar no país e isso ocorre, via de regra, por falta de documentação adequada ou visto incorreto ou tentativa forçada de entrada em um país.

Já a deportação é o processo de remoção de um estrangeiro que já está no país, mas em situação irregular. Por motivos diversos sua permanência se tornou irregular, a exemplo da expiração do visto ou da entrada ilegal no território.

Locais de coleta de doações

A campanha de doação de roupas para os retornados dos EUA já está ganhando apoio e outros pontos de coleta além da OAB Barro Preto, para caso você possa ajudar:

OAB Subseção Barro Preto: Rua dos Guajajaras, 1757, Belo Horizonte/MG.

OAB/MG: Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Minas Gerais) Rua Tenente Brito Melo, 210 – Barro Preto/BH.

OAB Subseção Barreiro – Praça Domingos Gatti, 17 – Barreiro/BH.

OAB Subseção Lagoa Santa – Av. Rodoviária, 145, 2⁰ andar – Lundcéia/Lagoa Santa.

Gabinete do Vereador Marcelo Monteiro – Av. Engenheiro Vicente de Freitas, 124 – Lundcéia/Lagoa Santa.

Studium Solidária e Rede Amppara

Avenida Francisco Sales, 329, sala 1302, Floresta/BH.

Apoiadores

A campanha tem apoio da OAB Minas por meio das Subseções Barro Preto, Lagoa Santa, Barreiro, vereador Marcelo Monteiro, Studium Solidária e Amppara.

OAB Barro Preto realiza Audiência Pública sobre o Tema 1389 no STF, que legaliza a pejotização como forma ampla de contratação

Tema 1389 do STF: O que está em jogo na discussão sobre vínculo de emprego  em contratos de franquia e pejotização | Grossi & Bessa Advogados

A Subseção Barro Preto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG) vai realizar a Audiência Pública ‘’Não à Pejotização e à Precarização do Trabalho’’, no dia 27 de junho de 2025. O evento acontecerá no auditório da Faculdade Arnaldo ( Praça Arnaldo Janssen, 200, Funcionários, Belo Horizonte – MG), das 9h às 18h e reunirá juristas, advogadas/os, estudantes, sindicalistas, trabalhadores e demais interessados.

Organizada pela Comissão de Direito do Trabalho e Direitos Sociais e de Direito Sindical da subseção, contando com o apoio da Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia (ABDJ Minas Gerais) e do Movimento da Advocacia Trabalhista Independente (MATI), a Audiência integra a Mobilização da Frente Mineira Contra o Tema 1389.

O objetivo é discutir abertamente os impactos desse Tema, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaça legalizar a pejotização como uma forma ampla de contratação. A decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, que suspendeu todos os processos em tramitação sobre o tema até o julgamento definitivo da Corte, é visto como um ataque à proteção social garantida pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e à competência da Justiça do Trabalho. A preocupação é que o julgamento abra caminho para a substituição da relação de emprego por contratos de pessoa jurídica, sem garantias como férias, 13º salário ou aposentadoria.

A Frente Nacional Contra o Tema 1389, na qual a OAB Barro Preto faz parte, é composta por dezenas de entidades representativas da advocacia brasileira, do sistema de justiça, sindicatos, universidades e organizações da sociedade civil. A Frente publicou, em maio deste ano, um manifesto nacional denunciando que o julgamento representa “um abalo sistêmico da ordem democrática” e “a inefetividade plena dos direitos trabalhistas, conduzindo milhões de pessoas à exploração sem limites, ao sofrimento e à completa indigência”. O documento reforça que os direitos sociais são cláusulas pétreas da Constituição de 1988 e que o Supremo Tribunal Federal não pode reescrever a ordem constitucional com base em critérios de mercado.

A programação do evento contará com palestras, debates e participantes de destaque na área trabalhista, como a professora de Direito do Trabalho na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, Valdete Souto Severo, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dr. José Luiz Quadros de Magalhães, o Dr. Isac Moreno Falcão Santos do Observatório Brasileiro do Sistema Tributário e a procuradora do Trabalho aposentada e integrante da Coordenação Executiva Nacional da ABJD Elaine Nassif Noronha.

O presidente da OAB Barro Preto Candido Antonio de Souza Filho destaca os perigos do Tema 1389 aos direitos sociais e trabalhistas brasileiros. Ele afirma que a tentativa de constitucionalizar a pejotização pode desfigurar por completo o Direito do Trabalho e eliminar a relação de emprego como categoria central das relações laborais. Para ele, “a Justiça do Trabalho é a Justiça que defende os direitos fundamentais contidos na Constituição” e, por isso, “jamais pode acabar e/ou perder a sua competência”. Também reforça que a reforma trabalhista de 2017 abriu espaço para a precarização e que, agora, o STF pode aprofundar esse processo por meio de uma decisão de repercussão geral.

Serviço

 OAB Barro Preto realiza Audiência Pública Não à Pejotização e à Precarização do Trabalho’’, com o objetivo de protestar contra a aprovação do Tema 1389, que está em tramitação no STF. O Tema ameaça legalizar a pejotização em massa, desmontar a proteção social garantida pela CLT e promover a precarização do trabalho e das relações trabalhistas no Brasil.

Data: 27 de junho de 2025

Hora: 9h às 18h

Local: Auditório da Faculdade Arnaldo ( Praça Arnaldo Janssen, 200, Funcionários, Belo Horizonte – MG)


Fonte: Ascom – OAB Barro Preto