As corporações e suas “generosidades”: Coca Cola “doou” US$ 120 milhões a pediatras e nutricionistas nos EUA

coca

Sacolas com o logo da Coca Cola que foram distribuídas durante a conferência nacional da Associação de Pediatras dos EUA em 2011.

Como ex-usuário contumaz de refrigerantes, conheço de perto as tentações de se ingerir alguns litros de Coca Cola semanalmente.  Abandonei o vício depois de reconhecer que o consumo de refrigerantes, além de não matar a minha sede também comprometia a minha saúde, fosse pelo aumento do sobrepeso ou pelo aumento da taxa de açúcar no meu sangue.  Agora, o que dizer das crianças que pelo mundo afora estão sendo empurrados para um modo de vida que lhes compromete a saúde, sem que possa ter a maturidade para discernir bem como se defender deste vício?

A coisa se complica ainda mais quando se descobre que a mãe de todos os fabricantes de refrigerantes, a Coca Cola, passou as últimas década interferindo na produção de conhecimento científico acerca dos efeitos do consumo de seus produtos na saúde das crianças.  Este fato acaba de ser revelado por uma matéria publicada pelo jornal “The New York Times” (Aqui!).

Segundo o que consta da matéria assinada pelo jornalista Anahad O´Connor mostra que a Coca Cola investiu mais de US$ 120 milhões para influenciar pesquisas científicas acerca do impacto do consumo de refrigerantes sobre o aumento da obesidade entre crianças. Além disso, O´Connor colheu depoimentos que demonstram que a Cola Cola agiu para influenciar organizações médicas, providenciando inclusive recursos para recepções glamourosas, presentes e divertimentos. Tudo isso para obter um tratamento menos contundente por parte de seus membros em relação aos problemas trazidos pelo consumo de bebidas açucaradas sobre a saúde humana, incluindo obesidade e problemas cardiovasculares.

Ainda que esse tipo de postura não seja nem surpreendente ou recente, o fato de que organizações científicas e profissionais tenham embarcado nesse tipo de intercâmbio pouco ético mostra que a vigilância tem que ser maior, já que a capacidade financeira de corporações como a Coca Cola não é acompanhada por padrões éticos de igual porte.

Agora, há que se imaginar o que anda acontecendo em países como o Brasil, onde a imprensa corporativa não possui um mínimo de compromisso com a informação  e os governos estão cada vez mais apropriados pelas corporações multinacionais. 

Muito além do peso, o filme

Pela primeira vez na história da raça humana, crianças apresentam sintomas de doenças de adultos. Problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2.

Todos têm em sua base a obesidade.

O documentário discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, o governo, os pais, as escolas e a publicidade. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.

Campanhas contra os gordos não resolvem porque o inimigo são as corporações do fast food

Fast food

Hoje o jornal The Guardian traz um interessante artigo sobre o erro que é concentrar a luta contra a obesidade nas pessoas que estão com níveis variados de sobrepeso (em suma, gordos) (Aqui!). Segundo a autora do artigo, Michele Hanson, o problema é que a maioria dos governos deixa as corporações que produzem os fast foods de mãos completamente livres para continuar empurrando seus alimentos vazios do conteúdo nutritivo que tanto precisamos, nos deixando apenas com milhares de calorias vazias que apenas servem para aumentar a obesidade que hoje atinge em torno de 2 bilhões de pessoas.

Aqui no Brasil essa facilidade atinge principalmente crianças que ficam indefesas frente ao massacre da propaganda que torna coisas fedorentas em produtos de alto desejo para consumo.

Recibos de cartão bancário liberam substância tóxica

Segundo estudo, manusear esse tipo de comprovante pode levar a uma contaminação pelo composto químico bisfenol A (BPA)

Giuliana Reginatto, do ,

Pascal Le Segretain/Getty Images

Mulher faz o pagamento de suas contas com um cartão de crédito em uma loja de frutas no subúrbio de Paris, na França

 Pagamentos com cartão: recibo libera substância que é associada a vários problemas de saúde, de obesidade a variedades de câncer

 São Paulo – Um novo estudo reforça a ação prejudicial para a saúde dos papéis usados para recibos de cartão de crédito e débito. Manusear esse tipo de comprovante, impressos em um material chamado de papel térmico, pode levar a uma contaminação pelo composto químico bisfenol A (BPA), segundo estudo divulgado nesta semana pelo The Journal of the American Medical Association (Jama), um dos mais importantes da área médica no mundo.

O bisfenol A, associado a vários problemas de saúde, de obesidade a variedades de câncer, também é comumente encontrado em plásticos rígidos e no revestimento de latas de alumínio que acondicionam alimentos. Em 2011, o Brasil proibiu a comercialização de mamadeiras com a presença da substância, decisão que passou a valer em 2012 no País.

A ligação do bisfenol A com os papéis térmicos já era conhecida, mas havia poucos estudos científicos específicos que pudessem investigar a fundo essa relação. Na nova pesquisa, realizada pelo Hospital Infantil Cincinnati, nos Estados Unidos, 24 voluntários foram orientados a segurar recibos impressos em papel térmico durante duas horas seguidas.

Eles fizeram essa experiência duas vezes: com e sem luvas nitrílicas, e tiveram os níveis de bisfenol A medidos por exames de laboratório. Antes de segurar os papéis, 83% dos voluntários apresentaram bisfenol A na urina. Após o contato com os comprovantes sem o uso de luvas, o composto foi detectado na urina de todos os voluntários. O nível de bisfenol A não sofreu alterações quando os participantes seguraram os recibos usando luvas.

Calor

O BPA é uma molécula muito instável, que pode ser liberada facilmente dos produtos – com mudanças de temperatura, por exemplo. Segundo o estudo, “o papel térmico tem um revestimento que é sensível ao calor, o qual é utilizado no processo de impressão sobre o papel, transferindo o composto para a pele, com o manuseio pelo usuário”.

Coordenadora do estudo, Shelley Ehrlich disse que “o contágio pelos papéis térmicos é algo pouco estudado e que pode atingir sobretudo pessoas que têm contato frequente com os recibos, como as que trabalham em supermercados e lojas”.

Ela lembrou que a principal fonte de contaminação pelo composto ainda é a alimentação, principalmente por meio de enlatados e produtos acondicionados em recipientes plásticos que contêm BPA e passam por grandes mudanças de temperatura – da geladeira ou do freezer para o micro-ondas, por exemplo.

Efeitos

No organismo, o BPA se comporta de modo semelhante ao hormônio estrogênio, sendo por isso conhecido como um disruptor hormonal. Por desregular o sistema endocrinológico, já foi associado, em estudos anteriores, a problemas de saúde que são influenciados por esse mecanismo: câncer de próstata, de mama e de ovário – além de obesidade e infertilidade.

FONTE: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/recibos-de-cartao-bancario-liberam-substancia-toxica-diz-estudo