Abertas as inscrições para a Virada Sustentável 2020

Edital permite inscrição para financiamento e adesão de projetos ligados à sustentabilidade para composição da programação do evento, que será realizado em agosto em São Paulo

pifanosOficina de Pífanos Crédito: Bruno Arita

São Paulo, março de 2020 – Estão abertas as inscrições para a décima edição da Virada Sustentável SP 2020, que será realizada entre os dias 27 e 30 de agosto, em diferentes locais da região metropolitana de São Paulo. Os interessados podem se inscrever até o dia 26 de abril no site da Virada Sustentável

O edital recebe propostas de artistas, oficineiros, palestrantes, organizações, fundações, movimentos, coletivos, escolas, universidades e equipamentos culturais para integrar a programação do evento. Para participar, as iniciativas precisam ter um ou mais conteúdo relacionado aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) , que tratam de temas como consumo consciente, água, energias renováveis, biodiversidade, mudanças climáticas, mobilidade urbana, cidadania, inclusão social, entre outros.

“Chegamos aos 10 anos da Virada Sustentável e faremos uma edição especial de comemoração este ano”, conta André Palhano, idealizador da Virada Sustentável.

Cada proponente, sendo pessoa jurídica ou física, pode se inscrever individualmente ou como representante de um grupo e apresentar um ou mais projetos. O conteúdo apresentado será analisado por uma (ou mais) comissão julgadora composta por especialistas e convidados. Poderão participar desde projetos que necessitem de divulgação (adesões), e queiram constar na programação oficial da Virada Sustentável SP, a propostas que precisam de financiamento para serem realizadas. Não serão aceitos projetos de cunho partidário ou religioso ou que estimulem qualquer tipo de discriminação de função de raça, credo ou condição social.

Em 2019, os quatro dias de programação gratuita do evento reuniram mais de 600 atrações e atividades distribuídas pela Grande São Paulo, com público total chegando a cerca de um milhão de pessoas.

Agência Lema
Leandro Matulja/ Leticia Zioni
Informações para a imprensa:
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Colab e ONU-Habitat fazem segunda consulta sobre condições de vida nas cidades brasileiras

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Consulta pública nacional faz raio-X sobre como cidades do país avançam para se tornar inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. Todos brasileiros podem participar através do aplicativo gratuito Colab

Por Marina Franco

São Paulo, 1º de outubro de 2019 — A partir desta terça-feira (1º), brasileiros de todos os cantos do país estão convidados a participar da segunda edição da consulta pública Cidades Sustentáveis, para fazer um diagnóstico do avanço do Brasil nas metas de desenvolvimento urbano sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

A consulta é uma parceria entre ONU-Habitat, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, e Colab, startup de inovação em gestão pública que conecta cidadãos a prefeituras. As 30 questões de múltipla escolha medem a percepção dos brasileiros sobre como suas cidades estão avançando no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS 11) da ONU, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

A ONU tem 17 ODS com metas para serem alcançadas até 2030, para que todos os países sigam um caminho sustentável. Esse plano de ação conjunta e global é conhecido como Agenda 2030. Colab e ONU-Habitat vão realizar a consulta todos os anos até 2030, para avaliar como o Brasil está evoluindo no quesito do desenvolvimento urbano sustentável. Hoje, mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas. No Brasil essa parcela é de 85%.

Para responder à consulta, basta entrar em www.colab.re ou baixar o aplicativo Colab. As perguntas abordam temas do dia a dia, como acesso a transporte urbano e serviços básicos, condições de moradia, espaços públicos, poluição do ar e transparência.

Quase 10 mil brasileiros participaram da primeira edição, realizada entre outubro de 2018 e fevereiro deste ano. Os resultados foram publicados em um livro, que foi lançado pelo CEO do Colab, Gustavo Maia, na 1ª Assembleia do ONU-Habitat em Nairóbi, no Quênia, em em maio deste ano.

colab 1Gustavo Maia, CEO do Colab, fala em painel da 1ª Assembleia do ONU-Habitat no Quênia, ao lado de Marina Klemensiewicz, Secretária de Infraestrutura Urbana da Argentina, e Claudio Acioly, chefe de Capacitação do ONU-Habitat

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Em junho foi lançada uma versão atualizada do livro, com uma revisão na metodologia do cálculo feito para elaborar os gráficos de percepção dos brasileiros, para refletir melhor o peso de cada questão.

O documento foi entregue a prefeitos e prefeitas de cidades brasileiras e a organizações públicas, para que possam levar em conta no planejamento de suas gestões a percepção dos cidadãos sobre as condições de vida em suas cidades e fazer um trabalho mais focado em relação às questões de sustentabilidade. No total, foram impressos 300 livros e quase mil pessoas fizeram o download da versão digital.

“Com os resultados dessa consulta reunimos dados e informações em torno de um assunto tão importante não só para as nossas cidades, mas para o nosso planeta com um todo”, diz Gustavo Maia, CEO do Colab. “Além disso, consultar os cidadãos é um passo importante para uma gestão pública aberta e colaborativa. E a tecnologia, além de ajudar a chegar em mais brasileiros, serve como uma ferramenta para a cidadania”, afirma.

Resultados da 1ª edição

A primeira edição da consulta Cidades Sustentáveis apontou que a dimensão com melhor percepção dos participantes foi a de construções sustentáveis e resilientes, enquanto a com pior avaliação foi a de adaptação às mudanças climáticas.

A tabela abaixo apresenta a média nacional para cada dimensão abordada pela pesquisa. A nota vai de zero a 100, sendo 100 a melhor pontuação.

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O mapa abaixo compara o desempenho das dimensões. Quão mais perto a nota estiver das extremidades do gráfico, mais perto o país está da sustentabilidade naquele tema, na percepção dos brasileiros.

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Com os resultados da nova edição da consulta, prefeitos e gestores públicos terão uma evolução sobre a percepção dos cidadãos de sua cidade sobre as condições de vida nela

“Nosso objetivo é fortalecer o ODS 11 diretamente com os governos locais, estimulando boas práticas para criar cidades sustentáveis, seguras, resilientes e inclusivas, onde as pessoas tenham acesso a habitação adequada e qualidade de vida digna”, diz Claudio Acioly, Diretor de Capacitação e Formação Profissional no ONU-Habitat. “A parceria com o Colab nos permite, pela primeira vez, ter acesso em escala e com continuidade a dados e opiniões de uma grande população urbana que nos servem para formular políticas públicas com evidências da cidadania e que respondem aos desafios da urbanização”

Alguns dos parceiros essenciais na realização da primeira edição da pesquisa foram Artemisia, Instituto Vedacit, Vital Strategies e Instituto Arapyaú.

Parceria ONU-Habitat e Colab

Cidades Sustentáveis foi a primeira consulta feita pelo ONU-Habitat diretamente com os cidadãos. Como parceiro, escolheu o Colab, uma startup de gestão colaborativa que faz a ponte entre cidadãos e governos.

Para os cidadãos, Colab atua como rede social, em que é possível postar sugestões ou pedidos de soluções para problemas como falta de iluminação, buracos e calçadas desniveladas. Mais de 230 mil usuários usam o aplicativo.

As prefeituras que adotam o Colab recebem as demandas digitalmente, com geolocalização e na maioria das vezes com foto. Essas solicitações são organizadas em um mapa e chegam diretamente aos órgãos e servidores responsáveis pela resolução. As prefeituras recebem, ainda, workshops e materiais educativos sobre como incluir a participação dos cidadãos na gestão pública.

Com a tecnologia e a metodologia do Colab, algumas prefeituras já conseguiram aumentar significativamente seus índices de atendimento a demandas da população. É o caso de Teresina, onde a taxa de resolução de pedidos dos cidadãos foi de 39% em 2016 para 79% em 2018. As administrações também economizam tempo e recursos, como a prefeitura de Santo André, que nos 6 primeiros meses com o Colab conseguiu economizar aproximadamente 900 mil folhas de papel e reduziu em 90% as vistorias para atender as solicitações de poda de árvore.

O Colab também realiza consultas públicas locais. Em 2019, por exemplo, Juiz de Fora fez uma consulta de Orçamento Participativo, em que a população opinou sobre onde deveria ser investida parte da arrecadação pública, e Recife – numa parceria entre 11 organizações – consultou seus cidadãos sobre qual o uso que dão ao Bairro do Recife, para que melhorias sejam feitas no local.

Sobre Colab

Colab é uma plataforma que conecta cidadão a governo, para dar mais voz ao cidadão e permitir ao governo que pratique uma gestão mais compartilhada e eficiente. As demandas da população são levadas a prefeituras pelo sistema do Colab, sem paradas burocráticas ou empecilhos. E os gestores se baseiam nas propostas e pedidos dos cidadãos para conduzir a administração pública. Colab foi fundado em 2013 e sua plataforma é usada por 230 mil brasileiros e mais de 100 prefeituras em todo o país. A startup já recebeu prêmios nacionais e internacionais pela inovação na gestão pública. www.colab.re

Sobre ONU-Habitat

O ONU-Habitat, Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, estabelecido em 1978, é a agência da ONU para a urbanização sustentável e os assentamentos humanos, cuja missão é tornar as cidades um local onde sua população possa levar uma vida digna e segura, sem bairros insalubres, sem poluir o meio ambiente e sem esgotar os recursos naturais. Seu mandato é trabalhar em prol do desenvolvimento urbano sustentável e promover a habitação adequada para todas e todos. Desta forma, o ONU-Habitat trabalha com todos os temas relacionados à vida nas cidades e com todos os tipos de atores, como governos (federal, estadual e municipal), universidades, ONGs e demais instituições do terceiro setor, setor privado e outros, para alcançar condições de vida adequadas e dignas para a população.

https://nacoesunidas.org/agencia/onuhabitat/ e www.unhabitat.org

Sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma chamada universal para eliminação da pobreza, proteção do planeta e garantia de que todas as pessoas possam ter paz e prosperidade. Os 17 Objetivos são construídos sobre o legado dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, e acrescentam novos temas, como mudança climática, desigualdades, inovação, consumo sustentável, paz e justiça, entre outras prioridades. Dentro dos Objetivos há 169 metas conectadas — a chave para o sucesso de uma geralmente envolve assuntos associados a outras.
http://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

Nota de repúdio à desistência do governo brasileiro de apresentar relatório sobre os ODS na ONU

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Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030) e a Rede ODS Brasil vêm, através desta, expressar repúdio à desistência do governo brasileiro de apresentar sua Revisão Voluntária Nacional (RVN) durante o Fórum Político de Alto Nível (High-level Political Forum – HLPF), que acontecerá de 9 a 18 de julho na sede das Nações Unidas, em Nova York.

As RVNs são relatórios que prestam contas à comunidade internacional sobre a implementação da Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Sua apresentação no HLPF 2019 seria uma oportunidade para o Brasil reafirmar seus compromissos e mostrar ao mundo os avanços e/ou retrocessos na implementação da Agenda em nível nacional.

Externamos nossa preocupação com o afastamento, cada vez maior, do compromisso que o Estado brasileiro assumiu em 2015, junto com outros 192 países-membros da ONU, de implementar um modelo de desenvolvimento voltado à prosperidade, com respeito às pessoas e ao planeta, orientado pela paz e viabilizado através de parcerias multissetoriais inclusivas, que resultem em serviços acessíveis e de qualidade para tod@s.

Tal modelo, detalhado na Agenda 2030, longe de ser uma imposição global, tem caráter universal (deve ser adotado por todos os membros da ONU) e deveria ser tratado como uma responsabilidade nacional, já que princípios caros da nossa Constituição Cidadã podem ser observados ao longo dos 17 ODS e das 169 metas que o país se comprometeu a cumprir.

Num contexto onde os abismos sociais entre ricos e pobres se aprofundam, aumentando a desigualdade e as violências e intensificando a exclusão histórica da maioria da população brasileira, seja por questões de raça, etnia, gênero ou orientação sexual – o que torna políticas públicas alinhadas aos ODS cada vez mais necessárias – é grave que o governo do Brasil, além de insistir em adotar políticas sociais, econômicas e ambientais totalmente contrárias aos ODS, ainda tenha desistido de apresentar a sua RNV.

Essa decisão aponta os incômodos que o novo governo enfrenta com vários dos indicadores nas 17 áreas da Agenda 2030. É importante lembrar que os resultados de cada país são tratados pela ONU como dados ou políticas de Estado, e não de um governo específico.

Tal desistência é mais uma prova do rechaço às instituições multilaterais como a ONU e também mostra a incapacidade de apresentar ações e propostas progressistas frente à implementação da Agenda 2030 que, as evidências mostram, hoje é tratada como um empecilho para aprovação dos principais projetos do governo Bolsonaro: flexibilização do porte de armas, desmonte da política de participação social, diminuição de recursos para saúde e educação, eliminação das políticas de igualdade racial e de gênero e devastação do meio ambiente, inclusive desregulando áreas legalmente já protegidas.

Portanto, repudiamos esta decisão que, além dos prejuízos que trará ao país, irá ferir ainda mais a imagem internacional do Brasil perante aqueles países que nos tinham como um exemplo progressista no combate às desigualdades.

Brasil, 2 de julho de 2019.

GT Agenda 2030 (www.gtagenda2030.org.br)
Contato: Alessandra Nilo (81-99987.9145)

Rede ODS Brasil (www.redeodsbrasil.org)
Contato: Patrícia Menezes (91-99194.8123)

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Este artigo foi originalmente publicado pelo GT Agenda 2030 [Aqui!].