Exame: Um blefe bilionário de Eike Batista na OGX

Os bastidores de uma promessa não cumprida de Eike Batista revelam o caos da petroleira que acaba de ir à lona

Roberta Paduan, de 

FERNANDO CAVALCANTI

Eike Batista durante a oferta pública inicial de ações da petrolífera OGX, na Bovespa, em 2008Eike, na Bovespa: a OGX pediu recuperação judicial no fim de outubro 

São Paulo – Nas poucas vezes em que se propôs a comentar sua derrocada, o empresário Eike Batista se manteve firme num ponto: ninguém acreditou em seu projeto mais do que ele próprio. As coisas deram errado, segundo sua lógica, por questões que estavam fora de sua alçada, como a crise internacional ou a imprevisibilidade dos poços de petróleo.

Mas Eike, segue o argumento, sempre acreditou em suas empresas — e esteve disposto a botar dinheiro do próprio bolso quando ninguém mais parecia ter coragem. A prova cabal de seu otimismo foi dada no dia 24 de outubro do ano passado, após três meses de queda brusca das ações de sua petroleira, a OGX, na bolsa.

Em meio à desconfiança que abalava o centro de seu império, Eike se comprometeu a investir na OGX até 1 bilhão de dólares do próprio bolso, caso a empresa precisasse, comprando ações a um preço fixo de 6,3 reais. A operação, conhecida no mercado financeiro como put, foi informada à Comissão de Valores Mobiliários por fato relevante.

Mas, um ano depois, a OGX entregou os pontos e entrou com um pedido de recuperação judicial. No caminho, é claro que precisou — e muito — do dinheiro prometido por ­Eike. Mas a OGX não viu um centavo. Tudo, hoje se vê, não passou de um blefe. Que deu no que deu.

A história do blefe de 1 bilhão de dólares é uma das dezenas que marcaram a rocambolesca crise que levou o grupo de Eike à situação atual. Mas a história secreta da promessa não cumprida é carregada de simbolismos — conhecê-la é uma excelente maneira de entender como funcionava, ou não funcionava, o grupo X.

Durante nada menos que oito meses, Eike se esquivou de assinar o contrato que daria validade legal à sua promessa. Ele cedeu apenas em junho, após a pressão de três conselheiros da OGX: os ex-ministros Rodolpho Tourinho Neto (Minas e Energia), Pedro Malan (Fazenda) e Ellen Gracie (Supremo Tribunal Federal).

Ao serem informados de que Eike vinha se negando a assinar a put, Tourinho, Ellen e Malan pediram uma reunião com o empresário. Internamente, Eike chegou a dizer a seus executivos que não assinaria um papel que podia matá-lo. Enviou José Roberto Faveret, diretor jurídico da petroleira na época, para que o representasse na reunião com os conselheiros estrelados. Sem documento, claro.

Foi quando os três decidiram entregar o cargo. Fizeram, no entanto, uma exigência. Queriam ver o contrato da put assinado. Caso contrário, falariam abertamente sobre o assunto. Eike ­assinou o contrato (não que o tenha cumprido, como se verá a seguir). Procurados por EXAME, nenhum dos três ex-ministros respondeu aos pedidos de entrevista. Faveret também não comentou o assunto, assim como a EBX.

Quase no tapa

A discussão em torno da put dá uma ideia do descontrole interno do grupo X. Em maio, houve uma reunião particularmente tensa para debater o assunto. De um lado da mesa, os diretores da petroleira argumentavam que precisavam que o controlador aportasse 100 milhões de dólares para pagar as contas básicas.

Era a única maneira de pagar os fornecedores que finalizavam as instalações da plataforma no campo de Tubarão Martelo, o maior da OGX. A plataforma estava, e está, parada, boiando em alto-mar. Do outro lado, diretores da EBX — a holding de Eike e fonte mais provável dos recursos para o pagamento da put — diziam que o documento não poderia sequer ser assinado.

O que era para ser uma reunião se transformou numa briga ruidosa, em que dois executivos quase saíram no tapa. O mais exaltado era o ex-diretor financeiro Otavio Lazcano, que defendia que Eike não assinasse o documento. Com quase 2 metros de altura, o ex-jogador de vôlei berrou palavrões e colocou o dedo a milímetros do nariz de Roberto Monteiro, então diretor financeiro da OGX.

A turma do deixa -disso interveio, evitando que Monteiro, lutador de jiu-jítsu, revidasse. Tudo aconteceu no 22o andar do elegante edifício Serrador, na região da Cinelândia, no centro do Rio. Entre os presentes estavam ainda Luiz Eduardo Carneiro e José Faveret, da OGX, e Marcelo Horcades e Joel Rennó Júnior, da EBX, todos já fora do grupo. Eike não participou do arranca-rabo.

Enquanto Eike e os executivos de sua petroleira não se decidiam, a situa­ção da empresa só piorava. Ricardo Knoepfelmacher (o Ricardo K), da gestora de private equity Angra Partners, chegou em agosto para reorganizar o grupo. Ele deixou claro várias vezes que os diretores da OGX não deveriam exercer a put. Mas a situação da empresa foi se deteriorando, e a pressão sobre os diretores, aumentando.

Cabia apenas a eles, afinal, dizer se a empresa precisava ou não do dinheiro do controlador. Se não o fizessem, poderiam ser processados por acionistas — acusados de não cumprir seu dever de proteger os interesses da empresa. No dia 6 de setembro, com o caixa da OGX secando, a diretoria enviou um e-mail a Eike dizendo que exigia o pagamento de pelo menos 100 milhões de dólares.

O empresário ficou furioso. Passou o dia enfurnado numa reunião com Ricardo K para decidir o que fazer. Ao fim do dia, enviou à CVM um comunicado informando que poderia contestar a validade da put numa corte arbitral. Em 40 dias, havia demitido todos os diretores da petroleira, menos o de operação.

Naquela época, os credores da OGX tinham alguma esperança de que seria possível chegar a um acordo com Eike. Mas as conversas foram para o vinagre. Em setembro, os diretores da OGX negociavam com os principais credores, donos de 3,6 bilhões dólares em títulos da empresa.

Segundo o executivo de um grande fundo de investimento com sede em Nova York, as negociações estavam bem encaminhadas. Os credores estavam dispostos a aceitar um desconto de 2,6 bilhões de dólares nos 3,6 bilhões. Em troca, ficariam com 95% da empresa. Eike continuaria dono dos outros 5%.

Eles também exigiam que a OSX, empresa de construção e afretamento naval do grupo de Eike, reduzisse de 2,5 bilhões para 1 bilhão de dólares a dívida cobrada da OGX. Mas Ricardo K considerou o acordo ruim para Eike e o convenceu a suspender a negociação e a demitir Roberto Monteiro, seu diretor financeiro, pelo telefone, ainda em Nova York, cortando seu celular e o e-mail corporativo.

Os credores, entre os quais os fundos americanos Blackrock e Pimco, sentiram-se desrespeitados com a demissão de seu interlocutor. Enviaram um e-mail a Eike dizendo que ele estava faltando com respeito às maiores potências financeiras do planeta. Recomendaram também que recontratasse o diretor financeiro demitido. Dito e feito.

Três semanas depois, Monteiro voltaria à mesa com os credores, dessa vez como consultor da OGX. Mas, mais uma vez, Eike mudou de ideia no meio do caminho. Avisou que um novo investidor estava interessado na petroleira e interrompeu as negociações. Dessa vez, o demitido foi Luiz Eduardo Carneiro, presidente da OGX, também enquanto estava em Nova York, por telefone.

O novo investidor não apareceu. Num episódio esdrúxulo, a OGX comunicou ao mercado que negociava com a gestora Vinci e outros interessados — mas a Vinci negou “categoricamente” que estivesse no páreo. Foi o último suspiro das ações da OGX, que chegaram a subir mais de 120% em uma semana. Mas durou pouco.

Em 30 de outubro, a OGX entrou com pedido de recuperação judicial, apenas cinco anos depois de fazer o maior IPO do país. Caso seja aceito pelos juízes que avaliarão o caso, a OGX protagonizará também a recuperação judicial mais complexa da história do país. Até o fechamento desta edição (em 5 de novembro), a Justiça não havia julgado o pedido.

FONTE: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1053/noticias/um-blefe-bilionario?page=1

A pirâmide de Eike Batista é decifrada por jornal inglês

Financial Times: OGX mostra falhas da Lei de Falências do Brasil

Por Joe Leahy e Samantha Pearson | Financial Times
eike piramide

SÃO PAULO  –  Na tarde da sexta-feira 28 de junho, o magnata brasileiro Eike Batista encontrou os diretores de sua petroleira OGX, hoje quebrada, para uma reunião que se tornaria famosa entre seus credores.

Realizada no seu escritório art déco na praça Mahatma Gandhi, Rio de Janeiro, a reunião decidiu transferir US$ 449 milhões – ou mais de metade do caixa da companhia, que se esvaía rapidamente – para uma empresa-irmã, a OSX, da qual Eike Batista detém cerca de 75%.

Essa reunião durou até as 18h, mostram documentos da empresa. Meia hora mais tarde, os mesmos homens, além de um outro diretor, se encontraram novamente mudando seus chapéus para os de representantes do conselho da OSX.

“O conselho… por unanimidade e sem exceção decidiu aprovar o acordo com a OGX”, disse um documento da OSX.

Três dias depois, a OGX declarou que seu único poço em produção estava seco e iria fechar, colocando-se no caminho para o maior default corporativo da América Latina, com até US$ 6,7 bilhões em passivos, anunciado na semana passada.

Hoje, a OSX também está considerando pedir recuperação judicial, mas a sua situação financeira parece melhor do que a de sua empresa-irmã, em parte devido aos US$ 449 milhões. Não há nenhuma sugestão de que a OGX tenha infringido a lei. Mas a transferência de recursos na última hora indignou os investidores e credores, que terão sorte se conseguirem recuperar alguns centavos em cada dólar.

A partir de uma posição de caixa de US$ 1,15 bilhão em 31 de março, a OGX encerrou junho com caixa de US$ 326 milhões – principalmente em função da transferência.

“Isso mostra ao mundo que o Brasil não é um lugar sério para fazer negócios”, disse Aurélio Valporto, líder de um grupo de acionistas da OGX que planeja processar Eike Batista e os diretores da empresa.

Críticos dizem que o pagamento em dinheiro de última hora e outros assuntos na OGX apontam para problemas de governança no Grupo EBX, controlado pela família do Sr. Batista – uma pirâmide estreitamente interligada de empresas start-up de petróleo, mineração, energia e logística.

Eles estão prontos para destacar falhas na Lei de Falências no Brasil que só estão aparecendo agora que a economia vem desacelerando.

“Finalmente temos um caso de falência grande no Brasil, de modo que todos os pontos fracos da lei – e há muitos – podem finalmente ser expostos”, diz Rafael Fritsch, da JGP Crédito, um investidor especializado em ativos em reestruturação.

A OGX divulgou ao mercado pela primeira vez a transferência de dinheiro no mesmo comunicado de 1º de julho, quando anunciou que fecharia seus poços de petróleo.

O pagamento à OSX foi para compensar a empresa por cancelar contratos de equipamentos e para ajudar a completar uma terceira plataforma de petróleo flutuante, a OSX-3 , e outro navio, a ser colocado em seu campo petrolífero remanescente.

A OSX diz que o pagamento estava de acordo com um contrato de compensação assinado com a OGX em 2010 e já divulgado ao mercado. A OGX não respondeu aos pedidos de entrevista.

Mas inconsistências nas declarações da empresa sobre o pagamento logo surgiram. No anúncio de 1º de julho, a OGX disse que iria fazer um “pagamento imediato em dinheiro” à OSX de US$ 449 milhões.

No entanto, no meio do relatório de resultados do segundo trimestre, a OGX informava que, na verdade, já tinha desembolsado a maior parte desse dinheiro, ou US$ 369 milhões, até 30 de junho.

Em outras palavras, a OGX já estava transferindo dinheiro para a OSX antes de notificar os acionistas da sua decisão, em 1º de julho.

Sandra Guerra, diretora do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), disse que as empresas devem informar o mercado imediatamente quando são obrigadas a cumprir os termos de um contrato desse tipo, mesmo que o contrato já seja público.

“Se puder ter impacto sobre seus negócios e sobre a cotação das ações, eles devem oferecer aviso prévio para o mercado”, disse ela, recusando-se a comentar especificamente o caso da OGX e OSX.

Apenas dez dias antes, três conselheiros independentes respeitados da OGX renunciaram, sem qualquer explicação.

“O acordo tinha de ser aprovado pelos conselheiros independentes, mas três renunciaram antes”, disse uma pessoa familiarizada com a posição dos credores.

A demissão do trio deixou a OGX com dois conselheiros independentes, que renunciaram em 10 de julho.

Sejam quais forem as circunstâncias da transferência de recursos, é provável que ela se torne uma fonte de processos judiciais para a OGX. Advogados disseram que os processos não necessariamente inviabilizariam um plano de reestruturação para a companhia. Mas os credores da OGX estariam propensos a usar a transferência de dinheiro para negociar e reduzir as reivindicações rivais da OSX, que também é um grande credor da companhia petrolífera.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3333092/financial-times-ogx-mostra-falhas-da-lei-de-falencias-do-brasil

FSP: ANP vai exigir que Eike comprove investimentos, diz diretora

ANP

DENISE LUNA, DO RIO

A diretoria da ANP (Agência Nacional do Petróleo) vai exigir que a OGX, petroleira do empresário Eike Batista que entrou em recuperação judicial, comprove a capacidade para fazer os investimentos pretendidos, inclusive no campo de Tubarão Martelo, informou hoje (7) à Folha a diretora-geral da agência, Magda Chambriard.

“Um dos projetos da OGX este ano é o campo de Tubarão Martelo, tudo indica que vai acontecer, mas indicar não é ter certeza”, explicou a executiva.

A OGX entrou em recuperação judicial na semana passada, devido à incapacidade de pagar suas dívidas e à falta de acordo com credores da companhia. Com a exigência da ANP, a empresa terá que provar que tem recursos para levar seus planos adiante.

O campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos, tem previsão de iniciar a produção de petróleo até o final deste ano. A petroleira aposta no campo para ajudar na recuperação judicial em andamento, mostrando que é capaz de gerar receita.

A OGX está desde agosto sem produzir petróleo. O único campo da companhia, Tubarão Azul, na mesma bacia, teve problemas operacionais e não produziu em agosto e setembro. Segundo Magda, Tubarão Azul “daqui a pouco volta a produzir”, mas não soube precisar uma data. A agência está analisando um segundo plano de desenvolvimento do campo, depois de rejeitar o primeiro apresentado.

A própria companhia, no entanto, admitiu em meados deste ano que deverá parar a produção de Tubarão Azul ao longo de 2014.

A agência também está avaliando um novo plano da OGX para os campos de Tubarão Tigre, Tubarão Areia e Tubarão Gato, que também terão que ter a capacidade de investimento comprovada. A OGX havia informado que iria suspender o desenvolvimento desses campos, o que foi rejeitado pela ANP.

Tubarão Azul foi o primeiro campo de Eike a entrar em produção, e também o responsável pela perda de credibilidade da empresa. A derrocada da OGX contaminou todo o império montado pelo ex-bilionário em vários setores (porto, estaleiro, mineração e energia), e provocou a perda de bilhões de dólares de investidores, inclusive do próprio Eike.

Inicialmente, a OGX previa produzir 15 mil barris em cada poço de Tubarão Azul, que tem três poços produtores, mas nunca conseguiu atingir o volume anunciado.

Já o plano de desenvolvimento de Tubarão Martelo, que entra em produção até dezembro, já foi aprovado pela agência, informou Magda, mas com condições, que terão que ser comprovadas pela empresa quando começar a produzir.

Na indústria de petróleo no Brasil, as petroleiras precisam apresentar um Plano Exploratório Mínimo durante a oferta que fazem nos leilões da ANP. Depois de feita a descoberta de petróleo ou gás, a empresa apresenta à ANP um Plano de Avaliação de Descoberta e um Plano de Desenvolvimento do campo.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/11/1368090-anp-vai-exigir-que-eike-comprove-investimentos-diz-diretora.shtml

Abraço dos afogados: OSX deve seguir caminho da OGX e irá assumir bancarrota

OSX, de Eike, pode pedir recuperação judicial ainda hoje

Segundo coluna Radar On-line, de Veja, pedido é aguardado para esta quarta-feira

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Daniela Barbosa, de 

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OSX deve seguir mesmos passos  que a OGX e pedir recuperação judicial

 São Paulo – Uma semana após o pedido de recuperação judicial da OGX, a OSX, de Eike Batista, pode fazer o mesmo anúncio ainda hoje. As informações são da coluna Radar On-line, da revista Veja.

De acordo com a nota, o pedido parece ser inevitável e advogados da companhia estariam discutindo se vão juntar os processos da OGX e da OSX em um mesmo acordo judicial.

Ontem,  segundo reportagem da agência de notícias Reuters, a OSX teria conseguido obter refinanciamento de 400 milhões de reais. O montante, embora alivie a dívida de mais de mais de 1 bilhão de reais da empresa , não deve impedir o pedido de recuperação.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/osx-de-eike-pode-pedir-recuperacao-ainda-hoje

O GLOBO: OSX, estaleiro de Eike, pode pedir recuperação judicial nesta sexta-feira

A empresa tinha um total de R$ 5,3 bilhões  em dívidas em 30 de junho, último dado disponível . Informação foi publicada no blog de Ancelmo Gois nesta quinta-feira

DANIELLE NOGUEIRA , LUCIANNE CARNEIRO,  NICE DE PAULA e BRUNO ROSA 

O navio-plataforma OSX-1, na Bacia de Campos Foto: Divulgação

O navio-plataforma OSX-1, na Bacia de Campos Divulgação

RIO – Dois dias depois de a petroleira OGX entrar com pedido de recuperação judicial, outra empresa do grupo de Eike Batista, a OSX (construção naval), deve seguir o mesmo caminho. Segundo fontes, a companhia – com dívidas de R$ 5,3 bilhões em junho – pode protocolar hoje pedido no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, criando uma situação inusitada no mundo jurídico: duas empresas do mesmo grupo disputam uma dívida que pode chegar a R$ 2,4 bilhões e cuja resolução será crucial para o sucesso dos planos de recuperação que serão apresentados a seus credores. A data do pedido de recuperação da OSX foi antecipada pelo colunista Ancelmo Gois em seu blog nesta quinta-feira

A OSX, que tem entre seus ativos o estaleiro em São João da Barra, no Rio, foi criada para atender basicamente as encomendas da OGX. Uma das plataformas alugadas pela OSX à OGX é a OSX-1, que está no campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos. Seu contrato foi rescindido pela OSX na terça-feira. A empresa reivindica R$ 2,4 bilhões em verbas rescisórias e pagamentos atrasados, mas a OGX reconhece apenas R$ 770 milhões desse montante. A petroleira admite ainda débitos de R$ 47 milhões referentes a serviços prestados, segundo fontes a par das negociações. Caberá à Justiça deliberar sobre o valor real da dívida. A OSX é a segunda maior credora da OGX (que tem dívidas totais de R$ 11,2 bilhões).

O escritório que está à frente do processo da OSX é o Mac Dowell Leite de Castro Advogados. A consultoria Alvarez & Marsal é responsável pela reestruturação. Como OSX e OGX têm pendências financeiras, o pedido de recuperação não poderia ser feito pelo escritório de Sergio Bermudes, responsável pela OGX.

Nesta quinta, a OSX divulgou comunicado em que diz que “poderá vir a exercer o direito legal à recuperação judicial, caso a sua administração verifique ser esta a medida mais adequada para a preservação da continuidade de seus negócios”.

No comunicado, a empresa diz que as medidas para a reestruturação podem incluir “combinações empresariais”. A companhia destacou, no entanto, que as operações continuam normalmente, não comentando a informação de uma possível demissão de 200 funcionários, previstas para a próxima segunda-feira, segundo a nota publicada pelo GLOBO:

“A companhia vem cumprindo o seu dever de estar preparada para a eventualidade de vir a exercer tal direito legal, enquanto segue trabalhando normalmente em seus negócios, nas diversas frentes de diálogo que mantem em curso simultaneamente, visando avançar em suas iniciativas de reestruturação, incluindo potenciais combinações empresariais”, diz o comunicado.

Dívidas com bancos públicos

Entre os credores da OSX estão o BNDES (R$ 548 milhões) e a Caixa (R$ 1,1 bi). Do montante devido à Caixa, R$ 400 milhões venceram este mês, e a empresa renegocia o débito.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou nesta quinta que deve renovar o prazo do empréstimo-ponte da OSX, que vence no fim de novembro. Segundo Coutinho, há um empréstimo de R$ 418 milhões (com base no contrato de dezembro de 2011). Em valores atuais, o número chega a R$ 548 milhões.

– A OSX tem muitos ativos valiosos, e o valor dos ativos supera suas dívidas. Nesse sentido, dar tempo para que as soluções possam acontecer é uma estratégia sensata – disse, após participar de um evento pela manhã no Rio.

À tarde, em outro evento, Coutinho reforçou que a exposição do BNDES é pequena e garantida por fiança bancária:

– (A exposição) está equacionada, sem prejuízo para os nossos créditos.

O BNDES, afirmam fontes, não tende a ser protagonista nem na recuperação nem na bancarrota das empresas X. A avaliação é que o banco não vai liderar uma ação entre os credores, como ocorreu com a Marfrig. No entanto, não vai se opor a uma solução, mesmo que ocorram perdas ou renegociação de prazos.

De acordo com fontes do setor naval, o estaleiro OSX, que conta com uma área de 3,2 milhões de metros quadrados, deve ser “fatiado”. O espaço se transformaria em áreas que serão usadas por várias empresas:

– Todo aquele projeto grandioso não existe mais. A ideia é arrendar as partes do espaço para contratos específicos.

Com rumores da recuperação judicial, as ações da OSX caíram 27,41% na quinta-feira.

Rescisão de contrato com a OGX

Nesta terça-feira, o estaleiro anunciou que vai rescindir o contrato de afretamento de uma plataforma com a OGX, o que dificulta ainda mais a sustentabilidade das finanças da empresa de petróleo do grupo e torna pública uma guerra que vinha sendo travada entre as duas empresas nos bastidores das negociações para reestruturação do grupo.

A plataforma é a OSX-1, que estava instalada no campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos. Tubarão Azul é o único campo de petróleo da OGX em operação, mas já vinha apresentando problemas operacionais, o que levou à interrupção de sua produção desde julho deste ano.

A disputa entre as duas empresas é por valores que são devidos pela OGX à OSX, que foi um dos pontos que atrapalhou as negociações com os credores, já que, assim, não se consegue saber ao certo o tamanho da dívida.

Segundo as propostas feitas a credores pela OGX em reuniões nos últimos dois meses, a OGX considera que sua dívida com a empresa-irmã é de US$ 900 milhões. Já a OSX reivindica US$ 2,6 bilhões, segundo os mesmos documentos. Como credor da OGX, a OSX terá que aprovar o plano que será apresentado após o pedido de recuperação judicial.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/osx-estaleiro-de-eike-pode-pedir-recuperacao-judicial-nesta-sexta-feira-10642400

Portal G1 faz ampla cobertura dos efeitos do colapso do Grupo EBx em São João da Barra

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O Portal G1, da Globo, publicou online no dia de hoje uma ampla matéria, com vídeos e sequências fotográficas, documentando os efeitos dramáticos que a implantação do porto do Açu e o colapso do Grupo EBX vem causando em São João da Barra.

Os links para acessar todo o material são os seguintes: