Exame informa: petroleira de Eike continua com problemas para honrar compromissos

Ex-OGX pode perder concessões no Espírito Santo

Companhia tem até sexta-feira para honrar uma série de compromissos firmados na exploração de blocos exploratórios

Sh

Funcionário da OGX, do Grupo EBXFuncionário da OGX, hoje conhecida como Óleo e Gás Participações: empressa passa pelo maior processo de recuperação judicial da América Latina
Rio de Janeiro – A Óleo e Gás Participações, ex-OGX, tem até sexta-feira para honrar uma série de compromissos firmados na exploração de blocos exploratórios, sob pena de perder concessões de petróleo na bacia do Espírito Santo, afirmou uma fonte com conhecimento direto do assunto.

O prazo, requerido pela própria petroleira de Eike Batista, foi aprovado pela diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no começo deste mês e por enquanto está mantido, afirmou a fonte, pedindo anonimato.

A empresa de Eike Batista passa pelo maior processo de recuperação judicial da América Latina. Mesmo nesta fase em que os bens da ex-OGX estão protegidos pela Justiça, a agência poderá tentar contestar as concessões, disse a fonte.

A ex-OGX deve provar sua adimplência nos blocos ES-M-472, ES-M-529, ES-M-531, aos parceiros nas concessões, Perenco e Sinochem, e à reguladora.

O mesmo prazo foi acertado para compromissos nos campos Atlanta e Oliva, para os quais pelo menos uma parte da dívida foi paga, conforme informou a companhia em 9 de janeiro.

A ex-OGX pagou a primeira parcela da dívida em atraso no valor de 73 milhões de reais relacionados aos campos de Atlanta e Oliva, na Bacia de Santos, disse a companhia por meio da assessoria de imprensa.

A Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), operadora e parceira da petroleira de Eike Batista na área exploratória, informou em dezembro que a ex-OGX deixou de pagar 73 milhões de reais relativos a sua participação no bloco BS-4, que deu origem aos campos de Atlanta e Oliva.

Além dos pagamentos com sócios nestas áreas, a ANP espera que a petroleira de Eike comprove sua capacidade financeira para cumprir obrigações em todas as suas concessões, incluindo investimentos previstos no contrato com a agência.

Procurada, a companhia não comentou o assunto.

A empresa deverá até a próxima semana apresentar à Justiça seu plano de recuperação judicial, disse outra fonte, em condição de anonimato.

A endividada petroleira entrou em 30 de outubro com o maior pedido de recuperação judicial da história corporativa da América Latina, num passo esperado para tentar evitar a falência.

A petroleira declarou dívida consolidada de 11,2 bilhões de reais no pedido de recuperação judicial.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/ex-ogx-pode-perder-concessoes-no-espirito-santo

Brasil 247: Malan e Ellen se calam sobre seus papéis na OGX

:

Com remuneração de R$ 1,7 milhão anuais, ex-ministro da Fazenda foi o grande medalhão do Conselho de Administração da OGX entre junho de 2008 e julho de 2013; ex-presidente do STF entrou depois, mas saiu junto; hoje Pedro Malan integra a alta diretoria do Banco Itaú, enquanto Ellen Grace estuda convites para ser candidata às eleições de outubro; mas acionistas minoritários da holding de Eike Batista, cujas ações viraram pó, não estão tão felizes quanto eles; na Justiça, entraram com ação por ressarcimento de prejuízos contra Malan, Eike e a Comissão de Valores Mobiliários; ex-ministro tucano diz não ter nada a declarar; será mesmo?

247 – Entre junho de 2008 e julho de 2013, período em as ações da holding de Eike Batista, a OGX, saíram do ostracismo, ganharam credibilidade, conheceram a glória e, finalmente, viraram pó, um nome de peso fazia parte do seu Conselho de Administração. À vista de todos, como um medalhão na vitrine, aparecia Pedro Sampaio Malan, o mais longevo ministro da Fazenda do Brasil (1995-2002), nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique.

Chega a ser natural que, agora, acionista minoritários da OGX tenha entrada com uma ação de prejuízos materiais e morais não apenas contra Malan, mas também contra Eike e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cujas investigações sobre o que de fato aconteceu nas entranhas da quebra da OGX não são de conhecimento do público até agora.

Com um nada a declarar, Malan já procura se esquivar do caso, mas, para uma figura da sua dimensão, será difícil. O ex-ministro é um simbolo intocável do que melhor os tucanos produziram entre seus quadros econômicos. E justo ele, quase um santo entre seus colegas, se envolve, ainda que de camarote, como lhe cai bem, nesse caso vexaminoso. Sabe-se que a remuneração anual de um conselheiro de administração da OGX era de R$ 1,7 mihão.

Os minoritários alegam que um nome da expressão de Malan atrai acionistas para o negócio. É correto acreditar que, se um homem com a imagem dele, atual membro da alta diretoria do banco Itaú Unibanco, faz parte de um Conselho de Administração, lá é que a gestão deve mesmo ser limpa e cristalina. Uma garantia.

Mas não foi o que aconteceu. Quando os papéis da OGX estavam no chão, valando menos de R$ 1 depois terem experimentado cotação superior a R$ 23, Malan, acompanhado da ex-presidente do STF Ellen Grace e do ex-ministro das Minas e Energia Rodolpho Tourinho, fechou sua pasta e foi embora. O anúncio da saída deles do conselho da OGX, em julho de 2013, se deu de forma conjunta. Àquela altura, milhares de acionistas minoritários tinham perdido tudo o que haviam investido na companhia tão bem aquinhoada de nomes importantes da nossa sociedade.

Hoje soa ter sido uma estratégia de Eike Batista, que vivia criando fatos relevantes para inflar suas ações, reunir tanta gente famosa à sua volta a mesa principal da OGX. Mas isso não isenta de responsabilidade esses mesmos que lá estavam, cientes de informações estratégicas, se omitirem diante do caos anunciado. É o que alegam os minoritários que agora pedem a responsabilização de Malan, Eike e da CVM na quebra.

Enquanto Malan se vê incomodado – o que, é claro, ele detesta -, Ellen vive outra realidade. Há notas nos jornais informando que ela é cotada para concorrer ao governo do Rio de Janeiro pelo PSDB, que ficou se nome depois que o técnico Bernardino recusou a missão. Se não der certo, Ellen também aparece cotada, noutras fofocas políticas, para até mesmo ser  candidata a vice na chapa de Aécio Neves. Ela também avisa que nada tem a declarar sobre a OGX enquanto durarem as investigações da CVM.

No mesmo silêncio, destinos até aqui opostos no escândalo da quebra da OGX.

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/economia/127790/Malan-e-Ellen-se-calam-sobre-seus-pap%C3%A9is-na-OGX.htm

Problemas judiciais de Eike Batista agora alcançam Pedro Malan

Minoritários da OGX processam ex-ministro Pedro Malan por negligência

RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO

Eles cobram o ressarcimento dos prejuízos que tiveram com a queda das ações da petroleira, que está em recuperação judicial, e também pedem uma indenização por danos morais.

Se a ação for vitoriosa, os valores serão estipulados pela Justiça. As ações da OGX caíram 98,7%, saindo de R$ 23 em outubro de 2010 para menos de R$ 0,30.

Malan -ministro da Fazenda do governo FHC de 1995 a 2002 e um dos economistas mais conceituados do país por colaborar com o grupo que “domou” a inflação- fez, desde 2008, parte do conselho de administração da OGX como membro independente.

Os minoritários acusam o ex-ministro de “omissão e negligência” por “não se informar, fiscalizar, investigar, se opor ou denunciar as irregularidades cometidas pela empresa”, conforme o processo obtido pela Folha.

A OGX informou ao mercado possuir reservas de petróleo muito superiores às que realmente existiam. Os números reais só vieram à tona com as primeiras frustrações de produção. A empresa foi obrigada a abandonar vários campos de petróleo.

“O nome do Malan tem peso e levou muitos acionistas minoritários a comprar ações da OGX. Quem ia imaginar que uma empresa que tinha ele como conselheiro pudesse mentir?”, disse o advogado Márcio Lobo, do escritório Jorge Lobo Advogados, que representa os minoritários e que também perdeu dinheiro com a OGX.

Procurado pela reportagem, o ex-ministro informou por meio de sua assessoria de imprensa que não tinha “nada a declarar”. Ele hoje é presidente do conselho consultivo internacional do Itaú Unibanco, o maior banco privado do país.

Malan deixou o conselho de administração da OGX de forma abrupta em junho de 2013, quando a crise na empresa já era evidente. Também renunciaram a seus cargos no conselho os ex-ministros Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e Ellen Gracie (Supremo Tribunal Federal).

Nenhum deles explicou publicamente seus motivos.

Adriano Vizoni – 29.abr.2013/Folhapress
O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan em evento em São Paulo em abril do ano passado
O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan em evento em São Paulo em abril do ano passado

PROCESSOS EM SÉRIE

Esse é o segundo processo aberto pelos minoritários da OGX com pedido de indenização. O primeiro foi contra Eike, CVM e Eliezer Batista, pai de Eike e também membro do conselho.

Um grupo de cerca de 30 minoritários tem trabalhado em conjunto e pretende abrir uma série de processos contra vários conselheiros, ex-diretores da OGX, a CVM e a BMF&Bovespa.

“São todos responsáveis pelo o que aconteceu. Foram negligentes”, diz o economista Aurélio Valporto, um dos líderes informais do grupo.

Cada processo é capitaneado por acionistas minoritários diferentes. Na primeira ação, foram quatro pessoas. Nesta, outras sete. Pelo menso mais dois processos devem ser abertos em breve.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/01/1401017-acionistas-minoritarios-da-petroleira-ogx-processam-ex-ministro-pedro-malan-por-negligencia.shtml

Os problemas de Eike Batista com a CVM continuam em 2014

Eike Batista desiste de buscar acordo junto a CVM

Empresário quer evitar ir a julgamento no processo sancionador que investigou irregularidades na divulgação de informações sobre a negociação com a Petronas

Douglas Engle/Bloomberg News.

Eike Batista, CEO do grupo EBX e da MMX, durante conferência de imprensa no Rio de Janeiro

Eike Batista: empresário manifestou interesse em firmar um termo de compromisso com o regulador do mercado brasileiro em 2 de dezembro

Rio – O empresário Eike Batista desistiu de buscar um acordo junto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para evitar ir a julgamento no processo sancionador que investigou irregularidades na divulgação de informações sobre a negociação com a Petronas, em 2013.

Acusado como presidente do conselho de administração da petroleira, Eike manifestou interesse em firmar um termo de compromisso com o regulador do mercado brasileiro em 2 de dezembro, a exemplo dos demais envolvidos no caso. No entanto, a defesa do empresário voltou atrás no dia 6 do mesmo mês.

A alegação é que ele não incorreu na irregularidade que lhe é imputada pela CVM: não agir para divulgar a informação relevante frente à omissão do então diretor de Relações com Investidores da companhia, Roberto Monteiro.

“Diante da situação financeira em que a OGX se encontrava, não restava à administração da companhia outra opção, se não o sigilo das conversas que mantinha com a Petronas, ante a necessidade de fechar o negócio. A conclusão dessa operação era uma das poucas saídas que os administradores da OGX avistavam na época, e não podiam correr o risco de não a concretizar”, diz o documento assinado pelo advogado Darwin Corrêa, do escritório Paulo Cezar Pinheiro Carneiro (PCPC).

A tese de que não se poderia exigir conduta diversa naquela situação também é usada na defesa de outros cinco executivos acusados – José Roberto Faveret, Luiz Carneiro, Paulo Guimarães, Reinaldo Belotti e Roberto Monteiro – conduzida por outra renomada banca, a Carvalhosa e Eizirik. Os juristas se apoiam no acordo de exclusividade firmado com a Petronas. O documento consta do processo e exigia confidencialidade sob risco de perda do negócio.

Assessorado pelo Motta, Fernandes Rocha Advogados, o empresário tunisiano Aziz Bem Ammar, ex-conselheiro da OGX, diz que esteve na Malásia, de abril a maio de 2013, conduzindo a principal fase de negociações com a Petronas. Por isso, alega, não manteve contato com diretores e conselheiros, nem recebeu demandas da CVM. À exceção de Eike, todos os executivos deverão propor acordos à CVM.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/eike-batista-desiste-de-buscar-acordo-junto-a-cvm

OGX paga primeira parcela de dívida milionária em atraso

Empresa fundada por Eike Batista efetuou o pagamento de uma das parcelas para a Queiroz Galvão e afirmou que quitará as próximas da mesma maneira

 

Size_80_paula-bezerra
Paula Bezerra, de ,

REUTERS/Ricardo Moraes

O empresário Eike Batista

 Empresário Eike Batista, fundador da OGX: empresa efetuou o primeiro pagamento para a Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP)

 

São Paulo – A Óleo e Gás Participações, antiga OGX, quitou a primeira, de três parcelas em atraso nos campos de Atlanta e Oliveira, na Bacia de Santos, que juntas somam mais de 70 milhões de reais.

De acordo com a assessoria de imprensa da petroleira fundada por Eike Batista, as demais parcelas também serão pagas da mesma forma.

Em novembro, a Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), operadora do bloco BS-4, afirmou que a OGX deixou de cumprir o pagamento de investimento de recursos, realizado entre os meses de novembro e dezembro.

Se a petroleira não honrar a dívida do consórcio, poderá perder um dos acordos mais valiosos para a empresa.

Recuperação judicial

Em outubro do ano passado, a petroleira entrou com pedido de recuperação judicial, com dívidas de 11,2 bilhões de reais, uma das maiores já registradas na América Latina.

Previsões da companhia apontam que até março a ex-OGX poderá se livrar da condição de recuperação judicial. Isso porque, a empresa conseguiu fechar um acordo com seus credores, que converterão a dívida de aproximadamente 5,8 bilhões de dólares em uma participação acionária na companhia.

Pelo acordo, os detentores dos bônus terão o direito de participar de um empréstimo de entre 200 milhões a 215 milhões de dólares, para manter a empresa com em operação, de acordo com um comunicado da companhia.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/ogx-paga-primeira-parcela-da-divida-milionaria-em-atraso

Os problemas financeiros da ex-OGX continuam

ANP dá 15 dias para ex-OGX quitar dívidas no bloco BS-4

Por Renato Rostás | Valor

SÃO PAULO  –  A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deu prazo máximo de 15 dias para a OGP (ex-OGX), petrolífera de Eike Batista, quitar sua dívida com o bloco BS-4, da Bacia de Santos, informou nesta segunda-feira a QGEP Participações. O prazo começa a correr a partir do recebimento da notificação pela companhia.

A Superintendência de Desenvolvimento e Produção (SDP) do órgão alertou que, caso as obrigações não sejam cumpridas pela empresa, que recentemente mudou seu nome para Óleo e Gás Participações e encontra-se em recuperação judicial, haverá pena de “cessão compulsória” ou até “extinção contratual” de sua participação.

O bloco é operado pela QGEP, braço de petróleo e gás natural da Queiroz Galvão, com fatia de 30%. A OGP possui 40% do empreendimento e a Barra Energia, os outros 30%. De acordo com a QGEP, a companhia de Eike Batista deixou de pagar cerca de R$ 73 milhões após três chamadas para aportes de recursos pelo consórcio.

A ANP já havia informado que a OGP estava inadimplente com os desembolsos do bloco no dia 20. A agência havia solicitado uma comprovação de capacidade financeira da empresa e os documentos recebidos não foram satisfatórios. O BS-4 compreende os campos de Atlanta e Oliva e está entre os melhores ativos da OGP.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3382174/anp-da-15-dias-para-ex-ogx-quitar-dividas-no-bloco-bs-4

De acordo em acordo, Eike Batista perde seu império!

O ano de 2013 ficará marcado pela fragorosa derrocada de Eike Batista,  que viu seu império de empresas pré-operacionais ser assolado por uma crise sem precedentes nas bolsas latino-americanas.

Agora veio o acordo em que os credores trocaram seus bônus por ações,  o que implica por tabela na entrega de reservas do pré-sal para especuladores internacionais.

Enquanto isso agricultores e pescadores do V Distrito continuam tendo seus direitos básicos aviltados.

Por esse tipo de contradição é que o modelo de “desenvolvimento” imposto em São João da Barra não poderia deixar de ser o que tem sido, qual seja,  um completo e retumbante fracasso.

Queiroz Galvão diz que OGX é devedora no bloco BS-4

Petroleira de Eike Batista não pagou R$ 73 milhões para atividades na área

plataforma

Navio-plataforma da OGX:  inadimplência da companhia está sendo absorvida por consorciados

A Óleo e Gás Participações, ex-OGX, deixou de pagar 73 milhões de reais relativos a sua participação no bloco BS-4, na Bacia de Campos, informou a Queiroz Galvão Óleo e Gás, operadora e parceira da petroleira de Eike Batista na área exploratória.

A QGEP relatou a inadimplência da sócia à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de acordo com comunicado divulgado ao mercado nesta sexta-feira.

“O valor não aportado pela OGX está sendo suportado pelos consorciados adimplentes em 50 por cento cada”, disse a QGEP.

O bloco, que deu origem aos campos de Atlanta e Oliva, é desenvolvido pelo consórcio formado pela Queiroz Galvão Exploração e Produção (30 por cento), Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás Ltda (30 por cento) e pela petroleira de Eike (40 por cento).

A OGX comprou a sua participação na concessão da Petrobras no ano passado, por 270 milhões de dólares.

“A Companhia (QGEP) aguarda o posicionamento da ANP acerca do tratamento jurídico a ser dado pela agência para o descumprimento da OGX, enfatizando que todas as medidas necessárias para solução da questão serão tomadas pelo consórcio em consonância com as determinações da ANP, nos termos da lei e dos contratos aplicáveis.” A despeito da inadimplência, a ex-OGX, que está em processo de recuperação judicial, continua contando com as atividades do bloco, segundo informações dadas por seus executivos em encontro com investidores nesta semana.

Segundo os executivos, a petroleira e seus sócios estudam perfurar no pré-sal do bloco, que fica ao lado da gigantesca área de Libra, na Bacia de Santos.

A companhia de Eike informou que o bloco BS-4 terá um sistema de produção antecipado para extrair inicialmente 25 mil barris petróleo por dia. Depois da implantação do sistema definitivo da área, estimado para 2018, a produção deverá alcançar 80 mil barris diários.

FONTE:http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/queiroz-galvao-diz-que-ogx-e-devedora-no-bloco-bs-4

Petroleira de Eike mostra agora seu tamanho real

Campos de Tubarão Martelo e Tubarão Azul evidenciam que empresa terá o desafio de ser uma companhia independente de produção média com estrutura de grande porte

Sabrina Lorenzi, da content_reuters

Divulgação

ogx

 Funcionário da OGX em plataforma de exploração de petróleo: objetivo era nascer grande e continuar crescendo em áreas exploratórias a partir de novos leilões

Rio de Janeiro – As duas alternativas de sobrevivência que restaram à petroleira de Eike Batista, os campos de Tubarão Martelo e Tubarão Azul, evidenciam que a empresa terá o desafio de ser uma companhia independente de produção média com estrutura de grande porte.

Os dois campos localizados na Bacia de Campos estão entre projetos de médio porte da indústria de petróleo nacional, mas foram planejados para operar a partir de grandes estruturas desnecessárias.

Ao se vender muito maior do que realmente era para investidores que acreditaram em seu tamanho irreal, a então petroleira OGX, agora rebatizada de Óleo e Gás Participações, seguiu o entusiasmo excessivo de seu acionista majoritário.

Um dos erros cruciais da companhia foi a construção e o afretamento de plataformas para grandes campos de petróleo, erguidas pela empresa-irmã de construção naval, a OSX , que acabou tendo o mesmo destino da petroleira: pedido de recuperação judicial, avaliou uma fonte com participação na trajetória da empresa.

Tubarão Martelo, o único campo em produção da Óleo e Gás, produzirá 30 mil barris em seu pico de produção –um terço da capacidade da plataforma ali instalada–, informou na terça-feira o executivo-chefe da endividada petroleira.

O navio OSX3 tem capacidade para produzir 100 mil barris diários, capacidade que obviamente não será utilizada neste campo.

“Podia ter dado certo sem esse desperdício de recursos, com uma estrutura muito mais enxuta, de plataformas menores, dívidas menores”, disse a fonte, na condição de anonimato. “Já havia a percepção de risco em seus ativos quando essas decisões foram tomadas.” A estimativa de produção de 30 mil barris por dia esperada para o único campo atualmente em operação é, de fato, da nova empresa, a Óleo e Gás Participações. Não tem nada a ver com as metas ambiciosas da ex-OGX, que apontavam para produção de 50 mil barris diários em 2013; 730 mil barris em 2015 e 1,380 milhão de barris/dia em 2019.

Maior que a Perna

O passo maior que a perna também é visto na mudança de planos para o campo de Tubarão Azul.

Em julho, a petroleira anunciou sua desistência do campo.

Deixou de investir e parou de produzir na área, sob a justificativa de inviabilidade e problemas tecnológicos, o que não convenceu autoridades da agência reguladora do setor.

Recentemente, a empresa decidiu que vai tentar retomar a produção de Tubarão Azul, voltando atrás sobre sua viabilidade.

O campo continua o mesmo, o que vai mudar é o custo, segundo a companhia.

O diretor-presidente da Óleo e Gás, Paulo Narcélio, disse em evento nesta semana que a companhia busca reduzir os gastos com aluguel de plataforma para tornar a produção viável.

Com projetos superdimensionados, vieram também dívidas impagáveis que levaram a companhia à recuperação judicial.

As metas antigas da petroleira fazem parte de um plano de negócios baseado em descobertas na Bacia de Campos realizadas até meados de 2011, que apontavam para um potencial do portfólio de 10,8 bilhões de barris de óleo recuperável. O tempo mostrou que a aposta nessas descobertas foram exageradas, com a empresa desistindo de blocos antes apresentados como grandes ativos.

A empresa informou, por exemplo, a suspensão do desenvolvimento das áreas de Tubarão Areia, Tubarão Gato e Tubarão Tigre poucos meses depois de declarar sua comercialidade, com volume total estimado naquele momento em 823 milhões de barris de petróleo para os três campos.

Outro fato que estarreceu investidores foi a devolução de um bloco na Bacia de Santos, o BM-S-57, sobre o qual havia anunciado a existência de reservatórios em águas rasas que representavam “um marco para a indústria”.

Na ocasião, a revista Veja publicou em seu site que a área possuía 2 bilhões de barris de petróleo, levando a uma grande repercussão no mercado. A devolução do bloco sem um comunicado ou fato relevante ao mercado para informar o ocorrido despertou críticas de alguns investidores, que acusaram a OGX de ter superestimado projetos e ofuscado fracassos ao longo de sua trajetória.

Começo Equivocado 

A OGX já nasceu ambiciosa ao arrematar blocos na 9ª rodada de petróleo, em 2007, com lances que superaram em 4.000 por cento os valores mínimos estabelecidos para as concessões pela Agência Nacional de Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (ANP). Foi a primeira vez na história dos leilões que uma companhia superou a estatal Petrobras, tanto em valor desembolsado pelas concessões quanto em arremates de áreas de elevado potencial.

Por trás do desembolso de 1,4 bilhão de dólares estavam investidores que apostavam no pré-sal brasileiro, segundo duas fontes com conhecimento direto do assunto, entre elas uma que acompanhou as negociações das empresas para aquele leilão.

A OGX conseguiu capital de fundos de pensão para investir no leilão que prometia ofertar blocos de muito potencial, praticamente sem risco exploratório, as chamadas áreas do pré-sal, disseram as fontes.

O grande problema, que atrapalhou não somente os planos da OGX como os de outras grandes petroleiras, foi a retirada de blocos do pré-sal do leilão às vésperas do certame, determinada pelo governo brasileiro.

A descoberta pela Petrobras de reservas gigantes na região do pré-sal da Bacia de Santos levou o governo a repensar a oferta de áreas tão boas para a iniciativa privada no regime de concessão, levando à retirada dos blocos dias antes do leilão.

O fato pegou várias empresas de surpresa, entre elas a OGX.

“Ele (Eike) tinha o compromisso de investir nos blocos do leilão, mas os blocos que realmente justificavam aqueles investimentos foram retirados”, afirmou uma das fontes, sob condição de anonimato.

Eike chegou a comunicar antes do leilão o problema para seus investidores, que concordaram em manter a aposta no petróleo brasileiro mesmo com a retirada das áreas do pré-sal, disse outra fonte com conhecimento direto do tema, pedindo para não ser identificada.

A conclusão foi o cancelamento de alguns consórcios formados para disputar blocos que foram retirados e uma OGX triunfante num leilão que, na avaliação de especialistas, não foi tão positivo para a iniciativa privada quanto se pensava inicialmente.

O objetivo da OGX era nascer grande e continuar crescendo em áreas exploratórias a partir de novos leilões, o que não foi possível porque o governo interrompeu as rodadas por vários anos. Com as descobertas do pré-sal, o governo decidiu criar normas novas para licitar tais áreas, que resultaram no modelo de partilha.

“A OGX foi muito prejudicada com tanta espera, porque não teve como ampliar seu portfólio e ficou reduzida a um tamanho pequeno, sem muitas opções do ponto de vista exploratório, ficou muito limitada”, afirmou o especialista do setor de petróleo Adriano Pires, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrura (CBIE).

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/petroleira-de-eike-mostra-agora-seu-tamanho-real?page=1

FSP: Operação atípica fez OGX, de Eike, ‘perder’ US$ 40 milhões

RAQUEL LANDIM e 

RENATA AGOSTINI, 

ENVIADAS ESPECIAIS AO RIO

Cinco meses antes de quase quebrar, a OGX, do empresário Eike Batista, pagou uma comissão de US$ 40 milhões a uma empresa desconhecida de Hong Kong para intermediar a instalação de uma plataforma de petróleo.

Depois que o dinheiro foi pago, a petroleira desistiu do serviço e a construção do equipamento foi abandonada. Ou seja, pagou-se uma comissão milionária para nada.

‘Petronas teria pago 20 vezes o que cobrei’, afirma corretor

A World Engineering Services (WES), de Hong Kong, foi contratada para atuar como uma espécie de corretora para intermediar o aluguel do navio que faria a instalação da plataforma. A comissão da corretora foi paga sem nenhum contrato entre a OGX e a empresa dona do navio, a italiana Saipem.

O valor da comissão ficou muito acima da média do mercado. No setor de petróleo, corretores de navios cobram de 1% a 4% do montante do contrato. A WES recebeu 16% dos US$ 250 milhões que a Saipem cobraria para alugar o navio se a operação fosse efetivamente concluída. A empresa de Hong Kong nem sequer aproximou OGX e Saipem, pois elas já negociavam havia meses.

Folha conversou com nove consultores e executivos de empresas de petróleo, mas nenhum deles conhece a WES. Uma pesquisa em um completo banco de dados, utilizado por bancos para fazer um raio-X de empresas, não encontrou negócios feitos pela WES ou o nome dos seus executivos, mas apenas o número de registro da companhia em Hong Kong.

Editoria de Arte/Folhapress

Folha foi ao endereço da WES que aparece no contrato com a OGX e constatou que lá funciona uma empresa chamada Trident Trust, que presta serviços financeiros para bancos, advogados e pessoas muito ricas, com sede em vários paraísos fiscais.

Por telefone, a recepcionista informou que a WES é cliente da Trident Trust e utiliza seu endereço.

“MILAGRE”

O contrato com a WES, obtido pela reportagem, foi assinado em 28 de março pelo ex-presidente da petroleira Luiz Carneiro e pelo ex-diretor de relações com mercado Roberto Monteiro.

Apenas 42 dias depois, a WES conseguiu o que executivos envolvidos no negócio consideram “milagre”: furou uma fila de nove meses e convenceu a Saipem a instalar a plataforma para a OGX em janeiro de 2014.

De acordo com o contrato, a missão da WES era “encontrar um navio-guindaste capaz de erguer 14 mil toneladas”, que estivesse disponível para vir ao Brasil no primeiro trimestre de 2014.

A gigantesca embarcação instalaria uma plataforma fixa chamada WHP-2 no campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos (RJ).

O problema é que só existem dois navios no mundo que levantam tanto peso: um da Saipem e o outro da holandesa Heerema.

Executivos da OGX e da OSX (empresa do grupo encarregada de contratar construção e instalação das plataformas) negociaram com as duas companhias, mas os navios estavam alugados na data pretendida. O máximo que conseguiram foi o compromisso da Saipem de fazer o serviço em outubro de 2014.

O único documento que confirma a mudança do serviço para janeiro de 2014 é um e-mail enviado em 9 de maio pelo então presidente da Saipem no Brasil, Giuseppe Surace, a quatro executivos da OGX e também a um endereço de e-mail geral da WES –o representante da empresa de Hong Kong não se identifica.

  Editoria de Arte/Folhapress

No dia anterior, 8 de maio, a OGX já havia pago US$ 10 milhões à WES, valor garantido por contrato mesmo que o corretor não conseguisse o navio. Bastou o e-mail de Surace, da Saipem, para que a OGX pagasse o restante da comissão: US$ 10 milhões no dia 10 de maio e US$ 20 milhões no dia 23 de maio.

O dinheiro saiu da conta da OGX no JPMorgan Chase e foi creditado na conta da WES no Standard Chartered Bank.

CONTRATO DE RISCO

“O contrato com a WES era de risco. Gastamos US$ 40 milhões na expectativa de ganhar US$ 300 milhões antecipando a instalação da plataforma, o que infelizmente não foi possível”, disse Carneiro à Folha.

Segundo ele, um atraso de nove meses no início da operação da plataforma significaria uma perda de US$ 300 milhões em receita.

Executivos envolvidos no negócio dizem que antecipar a instalação da plataforma era vital para vender uma fatia de Tubarão Martelo para a Petronas. A estatal malasiana chegou a anunciar a compra de 40% do campo por US$ 850 milhões, mas o negócio não se concretizou.

O JOGADOR DE CARTAS

Com 35 anos de experiência no setor de petróleo, Carneiro nunca havia feito negócios com a WES nem a conhecia. Ele diz que entrou em contato com a empresa por meio de Gabriel Chagas, conhecido por ser campeão mundial de bridge, um jogo de cartas popular no exterior.

O ex-presidente da OGX afirma que conhecia Chagas “socialmente” e que o consultor soube do problema “num almoço”. Chagas, por sua vez, diz que colocou a OGX em contato com o francês René Hagege.

Em entrevista por telefone, Hagege se apresentou como dono da WES. Ele diz que negociou com o cliente da Saipem que havia reservado o navio para janeiro de 2014, liberando a data para a OGX, mas não revela o nome da empresa. A Saipem nega o contato.

A empresa italiana diz que “a WES atuou como consultora da OGX”, mas não explica oficialmente como foi possível antecipar a data da instalação da plataforma, informando que “é prática comum acomodar pedidos”.

O “milagre” da WES nunca rendeu benefícios para a OGX. Um mês depois de a empresa de Hong Kong receber sua comissão, o grupo EBX parou de pagar à Techint, que construía a plataforma.

Segundo executivos envolvidos, um empréstimo do BNDES não foi liberado.

Nos meses seguintes, a OGX oficializou que suas reservas de petróleo eram muito menores que o divulgado, embora já tivesse estudos que indicassem isso um ano antes. As reservas de Tubarão Martelo foram reduzidas para cerca de um terço.

A plataforma –cuja instalação era tão urgente que justificava uma comissão de US$ 40 milhões a um corretor– está inacabada no litoral do Paraná. Eike tenta vendê-la para pagar dívidas do grupo.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/12/1385832-operacao-atipica-fez-ogx-de-eike-perder-us-40-milhoes.shtml