Época: Eike Batista entra na Justiça para apressar restituição de imposto da OGX

O ex-bilionário entra na Justiça para acelerar o recebimento dos valores excedentes pagos pela petrolífera – e é acusado pela Receita de “furar a fila”

HUDSON CORRÊA E ISABEL CLEMENTE
 

O empresário Eike Batista virou alvo de gracinhas quando, em meados do ano, começaram a pipocar os rumores de bancarrota do império X. De brasileiro mais rico do mundo, foi rebaixado pelo sarcástico humor nacional a pedinte, catador de lixo, vendedor de algodão-doce, entre outros tipos criados em fotomontagens na internet. Só não tinham imaginado Eike ansioso pela restituição do Imposto de Renda – e repreendido pela Receita Federal por tentar “furar a fila” dos contribuintes. Só que agora não é piada.

A cronologia do episódio espelha a decadência de Eike. Em julho de 2012, ele solicitou uma restituição à Receita Federal, relativa a impostos pagos pela petrolífera OGX. Eram dois pedidos, um sobre o exercício de 2009, no valor de R$ 12,2 milhões, o outro sobre o de 2010, de R$ 85,1 milhões. Na época, Eike ainda estava no auge e se irritava diante dos questionamentos legítimos sobre a viabilidade de tantos projetos grandiosos. Era um tempo em que ele não precisava de dinheiro – mas nem mesmo um bilionário deixa de brigar por um troco de R$ 97,3 milhões, valor total do pedido de restituição. Os milhões passaram a fazer diferença neste ano, quando Eike e seu Titanic de projetos bateram no sólido iceberg da realidade. Em 16 de setembro, Eike entrou na Justiça Federal do Rio de Janeiro contra a Receita, reclamando da demora na restituição. ÉPOCA obteve acesso à íntegra do processo, de 240 páginas.

>> Eike Batista: Era uma vez um todo-poderoso…

DECADÊNCIA O empresário Eike Batista (acima) e o documento em que a Receita Federal diz que ele tenta “furar a fila”. Eike entrou na Justiça pedindo R$ 97,3 milhões  de restituição do Imposto  de Renda – e, depois da decadência de seu império, passou a in (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
decadência O empresário Eike Batista (acima) e o documento em que a Receita Federal diz que ele tenta “furar a fila”. Eike entrou na Justiça pedindo R$ 97,3 milhões  de restituição do Imposto  de Renda – e, depois da decadência de seu império, passou a in (Foto: Reprodução)
DECADÊNCIA
​ O empresário Eike Batista (acima) e o documento em que a Receita Federal diz que ele tenta “furar a fila”. Eike entrou na Justiça pedindo R$ 97,3 milhões de restituição do Imposto de Renda – e, depois da decadência de seu império, passou a insistir no pedido (Foto:Danilo Verpa/Folhapress)

Os auditores fiscais ficaram melindrados com a impetuosidade da OGX. Desde que as solicitações de ressarcimento de imposto passaram a ser feitas pela internet, o trabalho deles só aumentou. A Receita Federal deu, então, uma dura resposta à reclamação. Num documento enviado à Justiça, a Delegacia Especial dos Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro afirmou que, “em nome dos princípios constitucionais de impessoalidade e isonomia”, não é razoável “que empresas consigam furar a fila, através de ajuizamento de demandas”. A tréplica não tardou. Para apressar o processo, os advogados apelaram para a situação financeira de Eike. Enviaram à Justiça recortes de jornais que reportavam a crise na OGX. De acordo com os advogados, ele vive uma situação “financeira extremamente delicada”, falta de caixa e perda de patrimônio.

“Situação delicada” é quase um eufemismo quando se trata do naufrágio empresarial mais portentoso dos últimos tempos. Com uma dívida quase impagável de R$ 11 bilhões, a OGX deu entrada num processo de recuperação judicial. A Justiça Estadual do Rio de Janeiro aceitou o pedido, mas deixou de fora duas subsidiárias com sedes na Áustria e na Holanda. “O direito pátrio não pode ser aplicado, muito menos sua proteção jurídica pode ser concedida a uma  empresa austríaca ou holandesa, sob pena de violação da legislação pátria daqueles países”, afirmou a 4ª Vara Empresarial. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já pisara em mais esse calo de Eike. Para o MP, seu objetivo ao abrir empresas na Europa era não submetê-las à legislação brasileira. “Agora, no momento de dificuldade, não nos parece legítimo as requerentes pretenderem a guarida do Poder Judiciário Brasileiro e das leis brasileiras”, afirma o MP. Na última segunda-feira, a Justiça também aceitou o pedido de recuperação judicial do estaleiro OSX. Assim, Eike ganha 180 dias de prazo para negociar suas dívidas em novas bases, sem que a Justiça execute os bens da companhia.

As autoridades começam também a investigar se a empolgação de Eike resvalou no crime financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão fiscalizador do mercado de capitais, abriu processos investigativos contra as empresas do grupo. A CVM não comenta os casos antes do julgamento. Mas os pequenos acionistas que perderam dinheiro nas empresas de Eike fundaram a União dos Acionistas Minoritários do Grupo EBX, com página no Facebook, para somar esforços e tentar resgatar algo de seus prejuízos. Um consultor próximo ao grupo confirma a intenção de ir atrás do patrimônio pessoal de Eike. Ele continua muito rico, apesar das dificuldades de suas empresas. Estima-se que 52 mil pessoas físicas detenham ações da OGX, que quase viraram pó. Chegaram a valer R$ 0,14. No auge, haviam batido na casa de R$ 23. Comprar ações é um negócio de risco, mas muita gente apostou alto e embarcou com tudo no entusiasmo de Eike, um empresário que tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e posou com os presidentes Lula e Dilma vestindo o logotipo de suas empresas.

Sabe-se hoje que a situação da petrolífera OGX é tão ruim que nem a firma de cafezinho ela pagou. Também pendurou a conta do estacionamento usado por seus executivos na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, onde ficava a sede do império X, no imponente edifício Serrador. São pequenos calotes inimagináveis para um empresário que almejava ser o homem mais rico do mundo. A última decisão judicial atendeu aos interesses de Eike apenas em parte – e a parte menor. A Justiça mandou a Receita verificar se Eike tem direito à restituição imediata dos R$ 12,2 milhões de 2009. Em relação aos outros R$ 85,1 milhões, o juiz avaliou que o Fisco está no prazo. Procurada por ÉPOCA, a Receita Federal afirmou que não comenta processos envolvendo contribuintes. Os advogados da OGX não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O dinheiro da restituição de Imposto de Renda não é muito diante da dívida bilionária. Mas daria para quitar com folga o papagaio de R$ 10 mil com a firma do cafezinho e os R$ 56 mil com o estacionamento.

FONTE: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/11/beike-batistab-entra-na-justica-para-apressar-restituicao-de-imposto-da-ogx.html

Empresas “X” são campeãs do prejuízo nas bolsas latino-americanas

OGX PREJUIZO

América Latina: OGX tem o maior prejuízo no 3º trimestre na bolsa

Portal Terra

A petroleira OGX, de Eike Batista, que entrou com pedido de recuperação judicial em outubro, é a empresa da América Latina de capital aberto com maior prejuízo no terceiro trimestre, de acordo com levantamento divulgado nesta quinta-feira pela consultoria Economatica. A OGX está na quinta colocação no ranking geral, com prejuízo de US$ 953,1 milhões, seguida da empresa naval OSX, com prejuízo de US$ 794,8 milhões, também do grupo do empresário.

A consultoria analisou 15 empresas da América Latina e dos Estados Unidos com os maiores prejuízos no período. A empresa com o maior prejuízo é a metalúrgica americana United States Steel, com perdas de US$ 1,791 bilhão.  A Eletrobrás também aparece na lista das 15 empresas, na 11ª posição, e a HRT Petróleo, na 13ª posição.

Das 15 empresas com maiores prejuízos apenas na América Latina, 11 são do Brasil, duas do México e duas da Argentina.

Confira as 15 empresas com maiores prejuízos no terceiro trimestre na América Latina:

As 15 empresas com maiores prejuízos no terceiro trimestre na América Latina
As 15 empresas com maiores prejuízos no terceiro trimestre na América Latina

A OGX, empresa criada em 2007, fez a oferta inicial de ações (IPO, sigla em inglês) em junho de 2008 e levantou R$ 6,7 bilhões. O preço da ação na estreia foi de R$ 1.131. À época, a empresa arrematou 21 blocos exploratórios por meio da 9ª rodada de licitações da ANP. Em decorrência do auge da empresa, em 2011, Eike Batista atingiu o posto de 7º mais rico do mundo.

Em 2012, as críticas ao empresário começaram a aparecer. A Revista Época afirmou que o empresário tinha um ano para “entregar o que prometia” antes que os investidores desistissem da empresa. Para a publicação, o empresário construiu o império das empresas X sobre uma base que não era sólida, já que ele não possuía experiência no ramo de petróleo, prometendo metas consideradas altas, mas que suas empresas não tiveram a capacidade para entregá-las. Além disso, para alguns especialistas, Eike “abriu demais o leque”, já que seus investimentos iam de petróleo até o vôlei, por exemplo.

Segundo a revista, Eike conseguiu estruturar as empresas X graças ao dom nas vendas e ao bom momento do Brasil no cenário internacional pré-crise. Porém, sua principal empresa – a petrolífera OGX – não conseguiu entregar os altos resultados prometidos, comprometendo assim as demais companhias criadas para fornecer estrutura para ela, como a OSX, por exemplo. Além disso, Batista também perdeu diversos executivos de ponta (uma das bases para ele ter credibilidade no mercado), o que fez com que ele tomasse o pior dos golpes: a perda de confiança no mercado internacional. Com isso, segundo a Época, o empresário não teve verba para reinvestir em suas empresas do ramo de petróleo.

Ainda em 2012, a crise na empresa apareceu mais notoriamente quando a OGX rebaixou a projeção de produção de barris diários nos blocos de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. O campo, que deverá interromper suas operações no ano que vem, era o único produtor de petróleo da empresa. Inicialmente, a companhia previa reservas de até 110 milhões de barris no local, mas até maio deste ano só tinha produzido 10 mil.

No ano de 2013, Eike perdeu a colocação que tinha na Forbes (passou da 8º para a centésima posição no ranking dos mais ricos) e amargou um prejuízo de R$ 1,2 bilhão na OGX, 135% maior na comparação com o ano anterior. Ele começou então a vender parte das operações da petroleira.

Em crise, Eike Batista conseguiu um empréstimo de R$ 10,4 bilhões concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em outubro, a companhia anunciou que deixaria de pagar uma dívida de US$ 45 milhões (aproximadamente R$ 100 milhões) referentes a juros de bônus externos, o que gerou a expectativa de um pedido de recuperação judicial em 30 dias (nesta quinta-feira) para evitar um pedido de falência. Os juros são referentes a um empréstimo de US$ 1,063 bilhão com vencimento em 2022. No mesmo mês, a empresa demitiu cerca de 20% (60) dos cerca de 300 funcionários que ainda atuavam na companhia.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, Batista, depois da crise, deixou de ser bilionário e agora teria menos de US$ 500 milhões líquidos (R$ 1,1 bilhão), segundo estimativa da publicação.

Crise no grupo EBX

Outros braços do grupo de Eike também enfrentam problemas. A construtora de navios OSX, muito dependente das demandas geradas pelas plataformas da OGX, deve sofrer em conjunto após o pedido de recuperação judicial da petroleira.

Em julho, Eike renunciou à presidência e do conselho de administração da MPX, empresa do setor de energia do conglomerado, que mudou de nome e passou a se chamar Eneva e é controlada pela alemã E.On. A empresa de energia também anunciou no começo da semana que firmou um contrato com bancos credores para assumir a parcela que não possui da OGX Maranhão, uma subsidiária da petroleira de Eike Batista, por R$ 200 milhões caso sua controladora, a petroleira OGX, fique inadimplente.

Segundo a consultoria Economática, apenas no primeiro trimestre de 2013, as seis companhias de capital aberto (ou seja, negociadas na bolsa) do empresário (OGX, MMX, MPX, OSX, LLX e CCX) registraram um prejuízo total de R$ 1,154 bilhão, alta de 539% em relação ao mesmo período do ano passado.

FONTE: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/11/28/america-latina-ogx-tem-o-maior-prejuizo-no-3o-trimestre-na-bolsa/

Exame: OGX tem prejuízo de R$ 2,118 bilhões no 3º tri

Prejuízo representa aumento de 516,4% sobre o resultado negativo do mesmo período do ano passado

Eulina Oliveira, do 

Divulgação

Funcionário da OGX, do Grupo EBX

 Funcionário da OGX: receita líquida foi de R$ 172,052 milhões, aumento de 14,2%

São Paulo – A OGX Petróleo e Gás Participações, empresa do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, registrou prejuízo líquido de R$ 2,118 bilhões no terceiro trimestre de 2013, aumento de 516,4% sobre o resultado negativo do mesmo período do ano passado (343,619 milhões).

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi positivo em R$ 3,902 milhões entre julho e setembro deste ano, ante R$ 51,606 milhões negativos verificados em igual intervalo de 2012. Já a receita líquida foi de R$ 172,052 milhões, aumento de 14,2% em igual base de comparação.

Na semana passada, a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da petroleira do Grupo EBX.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/ogx-tem-prejuizo-de-r-2-118-bilhoes-no-3o-tri-2

UOL: Justiça aceita pedido de ‘concordata’ de estaleiro de Eike Batista

Do UOL, em São Paulo

O juiz Gilberto Clovis Faria Matos aceitou o pedido de recuperação judicial (antiga concordata) do estaleiro OSX (OSXB3), do empresário Eike Batista. A empresa entregou o pedido à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro no dia 11.

Na última quinta-feira (21), o mesmo juiz aceitou, com ressalvas, o pedido de recuperação judicial de outra empresa de Eike, a OGX.

A decisão foi enviada nesta quinta-feira (21) para publicação no Diário da Justiça Eletrônico. O UOL entrou em contato com os advogados e com a assessoria de imprensa da empresa, e aguarda retorno.

O pedido foi aceito para as três empresas da OSX que pediram a proteção judicial: OSX Brasil, OSX Construção Naval e OSX Serviços Operacionais.

De acordo com o juiz, cada uma deverá “apresentar seu próprio plano de recuperação judicial, mesmo que sejam idênticos ou interdependentes, e deverão ser analisados separadamente por seus respectivos credores, com absoluto respeito à autonomia patrimonial de cada sociedade, de tal sorte que deverão ser publicados quadros gerais de credores distintos para cada empresa”.

O juiz também determinou a intimação da Delloite Touche Tohmatsu para atuar como administrador judicial. A empresa deve apresentar a proposta de honorários no prazo de 24 horas.

A OSX, cujos ativos incluem um estaleiro inacabado no Porto de Açu, no norte do Rio de Janeiro, é uma das principais credoras da OGX. Quase todos os negócios da OSX dependem da OGX, uma vez que a empresa de construção naval foi criada para fornecer plataformas de produção à petroleira.

A recuperação judicial, antiga concordata, é uma opção para empresas que estão em crise, mas acreditam ter chances de sobreviver se forem acionadas algumas medidas.

Seguindo a OGX, OSX deverá dar calote em pagamento de juros a credores

OSX põe em dúvida pagamento de juros devidos sobre bônus

A empresa enviou uma carta à Norsk Tillitsmann, representante norueguesa dos detentores de bônus

Divulgação

Obras do estaleiro da OSX, em São João da Barra (RJ), em abril de 2013

 OSX: em 30 de junho, a OSX tinha aproximadamente US$ 2,3 bilhões em dívida

 São Paulo – A OSX Brasil, empresa de construção naval do Grupo EBX, que pediu recuperação judicial, informou nesta sexta-feira, 22, que não deve conseguir pagar juros, devidos em 20 de dezembro, sobre US$ 500 milhões em bônus.

A empresa enviou uma carta à Norsk Tillitsmann, representante norueguesa dos detentores de bônus. Os títulos foram emitidos pela OSX3 Leasing BV em 2012. Em setembro, a OSX conseguiu pagar US$ 11,6 milhões em juros a seus credores.

Na carta enviada aos credores, a OSX disse que pretende continuar as negociações visando encontrar uma solução para o problema do pagamento de bônus.

Em 30 de junho, a OSX tinha aproximadamente US$ 2,3 bilhões em dívida. O processo de recuperação judicial da empresa inclui a holding principal e duas subsidiárias, uma da área de construção naval e outra de serviços operacionais.

Fonte: Dow Jones Newswires.

Após OGX, OSX adia publicação do balanço

Por Daniela Meibak | Valor

SÃO PAULO  –  A empresa de estaleiros OSX adiou novamente a publicação do balanço do terceiro trimestre de 2013, na esteira da decisão tomada pela OGX Petróleo e Gás. De acordo com o calendário publicado  nos sites da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da própria OSX, os números devem sair segunda-feira, dia 25, após o fechamento do mercado. Inicialmente, a empresa publicaria dia 14 novembro, previsão que já havia sido mudada para a data de hoje.

No caso da petroleira do mesmo grupo, a OGX, o adiamento também ocorre pela segunda vez. A empresa publicará seu balanço “até o dia 29 de novembro”. A primeira data marcada foi dia 13 e a segunda, dia 22.

Em comunicado, a OGX diz que a  mudança acontece em decorrência da maior necessidade de prazo para a valiar os impactos no relatório de revisão das informações pelos auditores independentes, tendo em vista a decisão da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro em relação ao pedido de recuperação judicial da empresa.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3347710/apos-ogx-osx-adia-publicacao-do-balanco#ixzz2lN0mvmO9

Valor Econômico: Juiz defere parcialmente pedido de recuperação judicial da OGX

  • Por Rafael Rosas | Valor

Divulgação

RIO  –  O juiz Gilberto Clóvis Matos, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, deferiu parcialmente o pedido de recuperação judicial da OGX, petroleira do grupo EBX, do empresário Eike Batista. Matos aceitou apenas a recuperação da OGX Petróleo e Gás Participações S.A. e da OGX Petróleo e Gás S.A., deixando de fora a OGX Internacional GMBH e OGX Áustria GMBH.

A decisão do juiz significou a aceitação da tese do Ministério Público do Estado do Rio, que alegou que as duas subsidiárias estrangeiras deveriam ficar de fora da recuperação judicial, uma vez que não haveria na lei brasileira a previsão da recuperação judicial de empresas estrangeiras.

Na decisão, Matos afirma que incluir as subsidiárias estrangeiras no pedido de recuperação equivaleria a “aplicar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica naquelas empresas”.

“O direito pátrio não pode ser aplicado e muito menos a sua proteção jurídica pode ser concedida para uma empresa chinesa, coreana, tailandesa, austríaca ou holandesa, sob pena de violação da soberania da legislação pátria daqueles países ou absoluta inaplicabilidade sem o amparo legal”, diz o juiz na decisão que deferiu o pedido de recuperação judicial da petroleira. “Tratar-se-ia de criar uma insegurança jurídica perante credores internacionais que não poderiam ter um julgamento de seus créditos apreciados por nossa legislação, ainda mais sem o amparo do nosso direito”, acrescenta o magistrado, lembrando que caso fosse aceita a recuperação judicial das estrangeiras, “não haveria possibilidade jurídica de decretação da falência na hipótese de descumprimento do plano de recuperação judicial, o que se configuraria um privilégio jurídico inaceitável”.

Matos lembra ainda que há a possibilidade de se utilizar o Capítulo 15 (Chapter 15) da legislação dos Estados Unidos, onde estão baseados os contratos das subsidiárias estrangeiras da OGX, que foram constituídas como canais de recebimento de recursos através de títulos lançados ao mercado. Neste sentido, as decisões aqui tomadas seriam estendidas às duas subsidiárias dentro do território dos EUA.

“Essa é a integração de legislação, harmonização de cooperação e respeito da soberania que se pode pretender para salvaguardar a recuperação judicial das empresas OGX Petróleo e Gás Participações S.A. e OGX Petróleo e Gás S.A. e o interesse na solução do adimplemento dos credores que investiram seu capital nas empresas OGX Internacional GMBH e OGX Áustria GMBH, com a concessão eventual de suspensão de ações e execuções para a proteção temporária dos ativos nos Estados Unidos”, diz o juiz na decisão de hoje.

Matos indicou ainda a Deloitte Touche Tohmatsu como administradora judicial da companhia. Segundo o juiz, a empresa tem 24 horas para apresentar proposta de honorários, que será analisada pelas companhias e pelo Ministério Público, antes que o administrador judicial seja efetivamente nomeado.

Cada uma das empresas deverá apresentar um plano de recuperação — até 60 dias depois da nomeação do administrador judicial -, “mesmo que sejam idênticos ou interdependentes”, que deverão ser analisados separadamente por seus respectivos credores.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3347066/juiz-defere-parcialmente-pedido-de-recuperacao-judicial-da-ogx#ixzz2lJroMOiX

Recordar é sofrer de novo: o dia em que Dilma disse que Eike Batista era “orgulho do Brasil”

eike cabral dilma

A internet é mesmo uma coisa incrível. Navegando nessa manhã de quinta-feira eis que eu encontrei a matéria abaixo, do dia 27/04/2012, que trata da cerimônia realizada no Porto do Açu para marcar “simbolicamente” o início da captação de petróleo pela hoje em bancarrota OGX. Nesse dia, cercada por Eike Batista e Sérgio Cabral, Dilma proferiu a famosa frase onde disse que “Eike Batista é orgulho do Brasil”.

Com vários bilhões a menos na fortuna de Eike Batista e seu império de empresas pré-operacionais em completa decadência, o que diria hoje Dilma Rousseff?

Dilma diz que Eike é ‘orgulho do Brasil’

A presidente Dilma Rousseff participa da extração do primeiro óleo da empresa LLX do empresário Eike Batista, em São João da Barra no norte fluminense.

Presidente defendeu a realização de parcerias entre a Petrobrás e a OGX e disse que \”não há concorrência no espírito\” entre as empresas

27 de abril de 2012
SERGIO TORRES , GLAUBER GONÇALVES , ENVIADOS ESPECIAIS , SÃO JOÃO DA BARRA (RJ) – O Estado de S.Paulo

O megaempresário Eike Batista é o “orgulho do Brasil”, declarou ontem em São João da Barra a presidente Dilma Rousseff, que defendeu a realização de parcerias entre a Petrobrás e a petroleira nacional OGX, uma das subsidiárias do grupo EBX, controlado pelo homem tido internacionalmente como o mais rico brasileiro do momento.

 Dilma visitou, no fim da tarde e início da noite, as obras do porto do Açu, no litoral de São João da Barra, município litorâneo do norte do Estado do Rio. Quando pronto, segundo discursou Eike, a área será o maior conglomerado portuário-industrial da América Latina. Após a fala do empresário a funcionários e autoridades, Dilma teceu elogios a Eike durante 15 minutos e não abordou assuntos relacionados a questões políticas.

“O Eike é nosso padrão, nossa expectativa e orgulho do Brasil”, afirmou a presidente, para quem o empresário “tem capacidade de trabalho”, “busca as melhores práticas”, “quer tecnologia de última geração”, “percebe os interesses do País” e “merece o nosso respeito”. Para Dilma, “não há e não pode haver concorrência no nosso espírito entre duas grandes empresas, como é o caso da Petrobrás e da OGX”.

“Ambas se situam em patamares diversos. Mas, agora, ambas podem ganhar muito com uma parceria. Estou certa que a OGX tem uma grande contribuição (a dar)na exploração de petróleo (…) e no que se refere a obter tecnologia de última geração”, discursou a presidente.

Dilma foi recepcionada no campo de pouso do futuro porto por Eike e seu filho mais velho, Thor. Chegou às 16h30 de helicóptero acompanhada do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão – que em evento pela manhã também havia feito a defesa da aproximação entre Petrobrás e OGX – e do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Durante quase duas horas a presidente percorreu as obras dos dois terminais marítimos, ainda em construção. A seguir, participou da cerimônia simbólica de recebimento da primeira carga de petróleo extraído pela OGX. A primeira retirada ocorreu, na verdade, há quase três meses, no campo de Waimea (Bacia de Campos, litoral norte do Rio), em 31 de janeiro, com atraso em relação ao cronograma da companhia, que programara o evento para dezembro.

Ainda na manifestação do interesse do governo em aproximar-se de Eike e de seu grupo empresarial, Dilma acrescentou acreditar que existe a “possibilidade de contar com a participação tanto da OGX quanto de empresas privadas internacionais” em parcerias com o poder público.

A aliança entre o grupo de Eike e a companhia de mineração Vale também foi citada pela presidente, para quem os governos enfrentam o “grande desafio” de “participar como parceiro do poder produtivo”. Na solenidade, Eike e o diretor de Logística da Vale, Humberto de Freitas, assinaram memorando de entendimento para a criação de uma ferrovia que ligue o porto do Açu à malha ferroviária da Região Sudeste. / COLABOROU SABRINA VALLE

FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,dilma-diz-que-eike-e-orgulho-do-brasil-,865908,0.htm

 

Bloomberg informa: Petronas pula fora de negócio com a OGX

petronas

A notícia não teve o devido eco na mídia corporativa brasileira, mas a Bloomberg circulou ontem a informação de que a petrolífera malaia Petronas decidiu abandonar seu projeto de financiar a petroleira de Eike Batista, a OGX. A Bloomberg relembra que a OGX esperava obter em torno de US$ 850 milhões da Petronas em troca da cessão de direitos no campo de Tubarão Martelo.

O negócio desandou porque a Petronas condicionou o negócio a uma clareza no processo de renegociação das dívidas da OGX, o que não aconteceu. O resultado foi que a Petronas decidiu então se retirar, aprofundando ainda mais a crise da OGX.

Enquanto isso aqui no Brasil, a OSX (outra empresa de Eike Batista que se encontra em “recuperação judicial”) acaba de ganhar uma mão com dinheiro público, a partir da entrada da Votorantim que decidiu honrar um empréstimo-ponte concedido pelo BNDES a Eike no valor R$ 427 milhões.

Petronas Abandons Batista’s OGX as Martelo Project Backer

By Peter Millard & Juan Pablo Spinetto 

OGX Petroleo & Gas Participacoes SA (OGXP3), the Brazilian explorer that filed for bankruptcy protection last month, lost Malaysia’s Petroliam Nasional Bhd. as a financial backer for its most promising field.

Petronas, as the company is known, canceled a contract to buy a 40 percent stake in two offshore exploration blocks that include the Tubarao Martelo field, Rio de Janeiro-based OGX said in a statement late yesterday. The company, controlled by former billionaire Eike Batista, said it’s studying legal options.

Petronas Twin Towers

A Petroliam Nasional Bhd. (Petronas) gas station stands in front of the Petronas Twin Towers (KLCC), background center, at night in Kuala Lumpur. Photographer: Goh Seng Chong/Bloomberg

OGX was counting on $850 million from the Petronas sale to develop the Martelo field where it plans to start output this year. The company, which expects to run out of cash in the last week of December, needs about $250 million to sustain operations through April, it said in an Oct. 23 presentation to Rothschild, the adviser hired by its bondholders.

OGX became the first Brazilian oil producer to seek protection from creditors last month when it filed in a Rio state court for a so-called judicial recovery, declaring total debts of 11.4 billion reais ($5 billion). Petronas had set as a pre-condition to the Martelo deal that OGX restructure its debt, Shamsul Azhar Abbas, chief executive officer of Malaysia’s state energy company, said in August.

A press official for OGX, who asked not to be named according to corporate policy, said the company still plans to start producing at Martelo this year. Petronas spokesman Azman Ibrahim in Kuala Lumpur didn’t reply an e-mail seeking comment.

Initial Success

OGX’s initial success finding oil in shallow waters off the coast of Rio sparked a stock market rally that made it more valuable than other established producers, including Repsol SA. The company’s cash fell to about $82 million at the end of September, it said in a separate document dated Oct. 7 and released after talks with bondholders collapsed.

Batista founded OGX in 2007 and it became the pillar of his group of commodities and logistics companies, transforming him into Brazil’s richest man. When OGX moved from exploration to production it encountered more complicated and compartmentalized geology than expected and started abandoning projects it had previously declared commercial.

Martelo may hold as much as 108.5 million barrels of oil, including proven, probable and possible reserves, DeGolyer & MacNaughton, an oil-reserves auditing company, said in a report posted on OGX’s website Oct. 3.

Entering Brazil

OGX dropped 6.7 percent to 14 centavos at the close in Sao Paulo after falling 97 percent in the last 12 months, erasing about 15 billion reais in market value. The company’s $2.56 billion in bonds due in 2018 traded at 9.50 cents on the dollar.

Petronas announced the stake purchase agreement with OGX in May, saying the company saw the acquisition as an opportunity to enter into oil exploration and production in Brazil. OGX would get $250 million from the sale once the deal was completed and another $500 million when the field started producing oil, the Brazilian company said at the time. The remaining $100 million would be paid in three separate installments after meeting some output targets, OGX said.

To contact the reporters on this story: Peter Millard in Rio de Janeiro atpmillard1@bloomberg.net; Juan Pablo Spinetto in Rio de Janeiro at jspinetto@bloomberg.net

FONTE: http://www.bloomberg.com/news/2013-11-19/batista-s-ogx-loses-partner-petronas-at-most-promising-field.html

JB: Com apenas 6 anos, OGX tem direito à recuperação?

Investimentos de 52 mil trabalhadores foram perdidos

Jornal do Brasil

Criada em julho de 2007, a OGX, petrolífera de Eike Batista, nunca produziu uma gota sequer de petróleo, apesar do alarde de que seus campos, arrematados em leilão, teriam reservas de dar inveja aos árabes. A Lei 11.101, que estabelece as normas para recuperação judicial de empresas em dificuldades, determina que, para ter direito a esse benefício legal, a empresa tem que estar “exercendo suas atividades” há pelos menos dois anos.

Embora tenha seis anos de existência, há dúvidas sobre o direito da OGX à recuperação judicial, pelo fato de nunca ter produzido petróleo. Que critérios podem caracterizar a atividade da empresa? E o que essa atividade poderia ter como objetivo? Seria justamente ter como alvo a recuperação judicial? A Justiça terá que levar em consideração ainda que aproximadamente 52 mil trabalhadores, cujos fundos de pensão investiram na OGX, tiveram perda total dessas aplicações.

Eike Batista
Eike Batista

A empresa usou dinheiro do povo e a recuperação deveria ter como objetivo ressarcir as perdas do povo e não dar um prêmio a quem causou tantos prejuízos a investidores que, em vários casos, tinham como única poupança justamente esses investimentos feitos na OGX. Investimentos que não serão recuperados. A recuperação da petrolífera deveria ser feita pelo BNDES que enterrou mais de R$ 10 bilhões de recursos públicos nas empresas de Eike; recursos que poderiam ter sido usados em prol da população, para o desenvolvimento do país.

A generosidade de Eike – com dinheiro do povo – fez com que ele distribuísse dinheiro pelo Rio para vários projetos, o que colaborou para uma falsa imagem de patrocinador de obras sociais e até mesmo de infraestrutura, como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, para a qual ele “doou” R$ 8 milhões. A benevolência de Eike com o dinheiro do povo resultou ainda numa “doação” de R$ 30 milhões para o Hospital Pró-criança Cardíaco, em Botafogo, no Rio, além de R$ 13 milhões com iniciativas esportivas, como um time de vôlei, visando as Olimpíadas de 2016.

Em seus sonhos delirantes, transformou o Hotel Glória, um ícone do Rio de Janeiro, num prédio fantasma, semidestruído. Um prédio que recebeu ilustres visitantes, chefes de estado, personalidades internacionais de destaque em vários setores, teve sua história implodida, ficando embaixo de escombros, da mesma forma como ele implodiu suas empresas.

Eike, que chegou a ter uma coleção de aviões particulares, se gabava de emprestar sua frota aérea para autoridades sem o menor pudor do que esse ato representava. Em sua coluna nos jornais Folha de S. Paulo e Globo, o jornalista Elio Gaspari reproduziu uma das frases do empresário sobre esses favores: “Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador. (…) Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas [e] trazer a Olimpíada para o Rio”.

A OGX, uma empresa que teve apenas cerca de 300 empregados em seus quadros, se comparada com a Petrobras e outras do setor, com mais de cem mil contratados em todo o mundo, pode ser considerada uma gota no oceano. No entanto, apesar do diminuto tamanho que agora fica evidente, conseguiu fazer uma dívida de R$ 8 bilhões que gera ainda mais dúvidas. Onde foram parar esses recursos? As doações de Eike, “o generoso”, somaram alguns milhões, mas bem longe dos dez dígitos dos bilhões.

A empresa usou recursos públicos, vindos do povo, para distribuição de bônus a seus diretores, contemplados com verdadeiros prêmios de loteria, embolsando fortunas num período curto de tempo. De acordo com informações apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), executivos da OGX e da OSX – construtora naval também de Eike Batista – teriam embolsado cerca de R$ 300 milhões referentes a salários, pagamentos por participação em comitês e remuneração atrelada a ações. Alguns desses diretores, inflados pelo dinheiro e, consequentemente, com súbita fama, tiveram a brilhante e acintosa ideia de ir para o Flamengo recuperar o Clube.

Antes da bancarrota, no entanto, a petrolífera teve seus momentos de glória, com seu valor de mercado nas alturas, refletindo nessa época os delírios de seu dono, que possuía carros espetaculares estacionados em sua sala de jantar. Que presenteava os filhos com também carros espetaculares e que para satisfazer seus caprichos, comprou um restaurante num dos lugares mais valorizados do Rio de Janeiro, em que pobre não serve nem para ser garçom, que dirá passar na porta.

Enquanto as falcatruas se sucedem, as autoridades parecem mais preocupadas em atacar outras frentes, reprimir outro tipo de ação, ação que se revolta exatamente contra os maus governantes que priorizam seus interesses. A Polícia Federal concentra suas forças na investigação contra os black blocs, seus paus e pedras. E os maus empresários circulam livremente.

Na próxima semana, será proferida a decisão sobre o pedido de recuperação judicial da OGX que tramita na 4ª Vara Empresarial do Rio. Caberá ao juiz Gilberto Clovis Matos decidir se a empresa tem direito ou não ao que determina a Lei.  A aceitação do pedido pela Justiça, no entanto, não vai significar o início imediato do processo de recuperação. A empresa terá que apresentar em 60 dias um plano de reestruturação, com prazos estipulados para pagamento das dívidas, que deverá ser aceito pelos credores. Caso esse plano seja rejeitado, a empresa poderá ter sua falência decretada.

FONTE: http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2013/11/14/com-apenas-6-anos-ogx-tem-direito-a-recuperacao/