Acesso grátis ao Atlas do agronegócio transgênico no Cone Sul

Monoculturas, resistência e propostas dos povos

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A introdução da soja transgênica no Cone Sul (e, quase simultaneamente, do milho transgênico) significou a imposição maciça de monoculturas em um vasto território, avançando a grande velocidade, como nunca havia acontecido na história da agricultura. Ao mesmo tempo, cresceu o uso do principal herbicida associado a essas culturas: o glifosato. Esse crescimento teve conseqüências dramáticas na saúde dos habitantes das comunidades próximas às produções, bem como nos solos e na biodiversidade. 

Neste atlas, desenvolvemos diferentes aspectos de um modelo que envolve a concentração de terras e a criminalização dos camponeses, a destruição de ecossistemas e economias regionais, o controle oligopolista do mercado por um punhado de empresas e o impacto do agronegócio nos corpos de mulheres.

Também abordamos as resistências, propostas e alternativas que surgem de dois modelos disputados: um que, baseado na agricultura industrial, tenta transformar a agricultura e nossos alimentos em uma mercadoria. Ao contrário de outro, que, com a ajuda de organizações camponesas, povos indígenas e agricultores familiares, busca recuperar a produção de alimentos saudáveis ​​para garantir o direito à alimentação, de mãos dadas com um modelo camponês de produção agroecológica.

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Este material foi publicado originalmente em Espanhol pela Alianza Biodiversidad [Aqui!].

A Monsanto está morta? Longa vida à Bayer

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Em meio às incríveis turbulências que afetam o Brasil, uma informação acabou caindo pelas brechas das páginas da mídia corporativa: a compra da estadunidense Monsanto pela alemã Bayer. Essa compra que ocorreu ao preço de 62,5 bilhões de dólares representa um passo a mais no processo de oligopolização das corporações envolvidas na produção de agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas [1].

É que apenas nos últimos anos, tivemos a compra da suiça Syngente pela chinesa Chemcom e a fusão das estudanidenses Dow Chemica e DuPont [2]. Há que se lembrar que essas compras e fusões fizeram desaparecer do mercado outras tantas empresas que foram engolidas antes que as gigantes decidissem também juntar seus portfólios e, junto com eles, o controle sobre o sistema de produção de insumos agrícolas e, por extensão, da agricultura mundial.

Todo esse processo de consolidação de uma área tão fundamental para a produção e distribuição de alimentos não sinaliza nada de bom para a adoção de formas sustentáveis de agricultura e, mais ainda, para os esforços em torno da diminuição da injusta distribuição do que é produzido. O mais lógico é esperar que haja um esforço ainda maior para controlar sistemas alternativos de produção agrícola, tal como aqueles que se orientam pela agroecologia, para aumentar ainda mais os lucros já fabulosos que estas corporações experimentam com a venda de Organismos Geneticamente Modificados e venenos agrícolas.

Abaixo um vídeo que foca na compra da Monsanto pela Bayer e que mostra que não há qualquer motivo para alívio pelo fato da empresa estadunidense estar saindo de cena. É que não podemos esquecer que foi na Bayer que começou o desenvolvimento de substâncias inicialmente para guerras e depois para envenenar a nossa comida.

E não nos esqueçamos que o fato do Brasil estar hoje com sua economia fortemente dependente das exportações de commodities agrícolas nos torna presas fáceis do processo de oligopolização em curso na área de insumos agrícolas. Acresça-se a isso o aumento da contaminação ambiental e do desmatamento que acompanham a transformação da agricultura via a Revolução Verde.


[1] https://www.cnbc.com/2018/04/09/justice-department-to-allow-bayers-acquisition-of-monsanto-dj.html
[2] http://fortune.com/2018/04/10/bayer-monsanto-deal-doj-approval/