
Tenho notado uma súbita mudança no discurso de parte da mídia corporativa local sobre os problemas que afetam a questão do transporte público em Campos dos Goytacazes. É que agora estou vendo uma mescla de argumentos que culpabilizam não apenas a gestão da prefeita Rosinha Garotinho pelo caos instalado, mas também as empresas de ônibus que agora são apresentadas como ineficientes e sorvedouras de dinheiro público.
Eu particularmente tenho um ponto de vista que as duas dimensões apontadas pelos arautos da mídia corporativa têm um quê de verdade. O sistema da Passagem Social realmente tinha furos que eram explorados de forma a causar mais custos do que benefícios, e as empresas que possuem a concessão para transporte público de passageiros realmente oferecem um produto de baixa qualidade aos cidadãos campistas que precisam dele.
Agora, a que serve reconhecer isso se não se analisa também o papel regressivo que a extinção sumária política da Passagem Social está tendo sobre a mobilidade urbana já precária, especialmente para os mais pobres? O fato é que se prometeu aperfeiçoar o programa durante a campanha eleitoral para agora simplesmente extingui-lo sumariamente, sem que haja qualquer medida no horizonte, a não ser, claro, a liberação total dos preços das passagens como querem os empresários do setor.
Quero ainda ressaltar a minha decepção com a forma que o diretor do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), o arquiteto Renato Siqueira, não vem atacando o problema da mobilidade urbana. Lembro bem dele tecendo críticas corretas à gestão da prefeita Rosinha Garotinho quando ocupava a condição de estilingue no hoje mudo “Observatório Social de Campos dos Goytacazes”. Agora que passou à condição de vidraça, não vejo nada de melhor sendo feito pelo IMTT. Aliás, se tem uma área em que a piora é sensível é justamente a da mobilidade urbana, onde o mantra passou a ser “vamos correr atrás do transporte irregular” em vez de nos apresentar um modelo de transporte urbana que seja democraticamente discutido com a maioria da população campista.
Assim, que ninguém se engane com as críticas momentâneas aos donos de empresas de ônibus que estão sendo feitos por alguns arautos da mídia corporativa local. É que que daqui a pouco o que vamos ouvir é que será necessário aumentar ainda mais as tarifas para que não haja um caos ainda maior no transporte público de passageiros. E adivinha quem será escolhido como bode expiatório quando isto for feito pela gestão de Rafael Diniz? Ganha uma passagem de ônibus grátis para Santo Eduardo quem pensou no nome do ex-governador Anthony Garotinho! É que vai e volta, a única coisa que ouço sendo dito é que todas as mazelas do atual governo são fruto de uma herança maldita.
Ah, sim, alguém precisa lembrar que quando um governante assume, ele tem dois caminhos: ser herdeiro e agir para corrigir com base no seu programa eleitoral ou trair seus eleitores e passar à condição de co-participe. Simples assim.



