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Passagem Social

O discurso em transição sobre o caos do transporte público em Campos dos Goytacazes: do mantra da herança maldita à divisão seletiva de culpas

outubro 13, 2017outubro 13, 2017 / Marcos Pędłowski / Deixe um comentário

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Tenho notado uma súbita mudança no discurso de parte da mídia corporativa local sobre os problemas que afetam a questão do transporte público em Campos dos Goytacazes. É que agora estou vendo uma mescla de argumentos que culpabilizam não apenas a gestão da prefeita Rosinha Garotinho pelo caos instalado, mas também as empresas de ônibus que agora são apresentadas como ineficientes e sorvedouras de dinheiro público.

Eu particularmente tenho um ponto de vista que as duas dimensões apontadas pelos arautos da mídia corporativa têm um quê de verdade. O sistema da Passagem Social realmente tinha furos que eram explorados de forma a causar mais custos do que benefícios, e as empresas que possuem a concessão para transporte público de passageiros realmente oferecem um produto de baixa qualidade aos cidadãos campistas que precisam dele.

Agora,  a que serve reconhecer isso se não se analisa também o papel regressivo que a extinção sumária política da Passagem Social está tendo sobre a mobilidade urbana já precária, especialmente para os mais pobres? O fato é que se prometeu aperfeiçoar o programa durante a campanha eleitoral para agora simplesmente extingui-lo sumariamente, sem que haja qualquer medida no horizonte, a não ser, claro, a liberação total dos preços das passagens como querem os empresários do setor.

Quero ainda ressaltar a minha decepção com a forma que o diretor do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), o arquiteto Renato Siqueira, não vem atacando o problema da mobilidade urbana. Lembro bem dele tecendo críticas corretas à gestão da prefeita Rosinha Garotinho quando ocupava a condição de estilingue no hoje mudo  “Observatório Social de Campos dos Goytacazes”. Agora que passou à condição de vidraça, não vejo nada de melhor sendo feito pelo IMTT. Aliás, se tem uma área em que a piora é sensível é justamente a da mobilidade urbana, onde o mantra passou a ser “vamos correr atrás do transporte irregular” em vez de nos apresentar um modelo de transporte urbana que seja democraticamente discutido com a maioria da população campista.  

Assim, que ninguém se engane com as críticas momentâneas aos donos de empresas de ônibus que estão sendo feitos por alguns arautos da mídia corporativa local.  É que que daqui a pouco o que vamos ouvir é que será necessário aumentar ainda mais as tarifas para que não haja um caos ainda maior no transporte público de passageiros. E adivinha quem será escolhido como bode expiatório quando isto for feito pela gestão de Rafael Diniz? Ganha uma passagem de ônibus grátis para Santo Eduardo quem pensou no nome do ex-governador Anthony Garotinho! É que vai e volta, a única coisa que ouço sendo dito é que todas as mazelas do atual governo são fruto de uma herança maldita.

Ah, sim, alguém precisa lembrar que quando um governante assume, ele tem dois caminhos: ser herdeiro e agir para corrigir com base no seu programa eleitoral ou trair seus eleitores e passar à condição de co-participe.  Simples assim.

Previsão meteorológica para a cidade de Campos dos Goytacazes

outubro 4, 2017 / Marcos Pędłowski / Deixe um comentário

clima campos

Clima quente e sujeito a tempestades no início e no final do dia.  Atenção especial deve ser dada a distúrbios climáticos que poderão ocorrer em áreas periféricas cuja mobilidade está sendo afetada pelo fim da passagem social.

A pedido do prefeito Rafael Diniz, base governista na Câmara de Vereadores aprova cortes em programas sociais

junho 7, 2017junho 7, 2017 / Marcos Pędłowski / Deixe um comentário
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A Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes aprovou na noite desta 3a. feira (06/06), duas propostas de cunho neoliberal que foram enviadas pelo prefeito Rafael Diniz (PPS),  e que atingem diretamente os segmentos mais pobres da população campista.

Já tive a oportunidade de antecipar que essas medidas, bem como outras que ainda estão a caminho, irão aprofundar o drama social em que milhares de famílias deste município já estão vivendo, bem como irão dificultar ainda mais o já precário processo de mobilidade urbana num dos municípios com maior extensão territorial em todo o Brasil (Aqui!).

Considero a adoção desse tipo de política de cunho social regressivo especialmente equivocada num momento em que o Brasil atravessa uma das maiores recessões econômicas de sua história.   Além disso, não há como deixar de apontar para o fato que essas mudanças estão sendo adotadas sem que os principais interessados sejam sequer informados das mudanças que irão impactar de forma direta as suas já precárias condições de vida.

Enquanto isso, nada de corte nos privilégios dos vereadores ou, tampouco, dos seus muitos apadrinhados que estão hoje formando um exército de beneficiados com cargos comissionados cujo montante é certamente muito maior sobre os custos operacionais da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes. Entretanto, trilhando o mesmo caminho do (des) governador Luiz Fernando Pezão, o prefeito Rafael Diniz optou por sacrificar os mais pobres em benefício de uma maioria parlamentar que serve apenas para avançar uma agenda de cunho neoliberal.

Abaixo repercuto uma postagem vinda do site Diário da Planície e assinada por Ralfe Reis, onde estão listados os nomes dos vereadores que votaram a favor e contra os projetos enviados pelo prefeito Rafael Diniz.

E não acho demais avisar de novo: isto vai dar merda!

Veja Como Votou Cada Vereador Pelo Fim Da Passagem A R$1 E Suspensão Do Cheque Cidadão

Por Ralfe Reis

Dois projetos de autoria do prefeito Rafael Diniz foram aprovados na Câmara Municipal de Campos, na noite desta terça-feira (06), para suspender o Cheque Cidadão e realizar novo recadastramento, com critérios que dificultam o acesso ao programa de transferência de renda, e mudança no valor da Passagem Social de R$ 1 para R$2, que em caso de inadimplência da Prefeitura será cobrado o valor integral da passagem ao usuário de ônibus.

Foram 16 votos a favor e 7 votos contra as duas propostas.

Votaram a favor do projeto do prefeito: Marcão (PPS), Fred Machado (PPS), José Carlos (PSDC), Abdu Neme (PR), Claudio Andrade (PSDC), Neném (PTB), Genásio (PSC), Jorginho Virgílio (PRP), Roberto Pinto (PTC), Álvaro César (PRTB), Enock Amaral (PHS), Igor Pereira (PSB), Marcelo Perfil (PHS), Marcos Bacellar (PDT), Silvinho Martins (PRP), Pastor Vanderli (PRB) e Abu (PPS).

Votaram pela manutenção da passagem a R$1 e do Cheque Cidadão: Cabo Alonsimar (PTC), Carlos Alberto Canaã (PTC), Álvaro Oliveira (SD), Vinicius Madureira (PRP), Thiago Ferrugem (PR), Joilza Rangel (PSD) e Geraldinho Santa Cruz (PSDB).

Os projetos podem ser conferidos na íntegra:  (Aqui!)

FONTE: http://www.diariodaplanicie.com.br/blogdoralfereis/veja-como-votou-cada-vereador-pelo-fim-da-passagem-a-r1-e-suspensao-do-cheque-cidadao/

Governo Rafael Diniz: mais um onde a “austeridade” só é coisa para os mais pobres

junho 2, 2017junho 2, 2017 / Marcos Pędłowski / 1 comentário

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Creio que não seja preciso lembrar aos leitores deste blog que não votei no prefeito Rafael Diniz.  É que já estou velho o suficiente para não me deixar levar por campanhas bem manjadas e cheias de promessas que apenas geram expectativas cujas chances de execução são claramente contraditórias com a trajetória dos candidatos que as propõem.  Agora, sinceramente, eu realmente não esperava por tanta incompetência e alienação em relação à realidade objetiva da maioria da nossa população em apenas cinco meses.

Como geógrafo caminho bastante pelo município e pelas ruas da cidade, e não vi até agora nada além do que já havia. Aliás, em alguns casos, o que vejo é a mesma tendência de maltratar os espaços públicos em prol de sabe-se lá o quê. Bom, talvez a aquisição de milhões de reais em medicamentos sem que se tenha de recorrer à “aborrecida” Lei 8.666/1993 que dita como devem ser realizadas licitações e contratos administrativos por entes públicos brasileiros, no qual a Prefeitura de Campos dos Goytacazes está certamente inclusa.

É interessante apontar que essa gestão tem em sua composição um monte de pessoas jovens que poderiam estar efetivamente apontando um caminho para o novo que foi prometido na campanha eleitoral. Mas, nada disso tem se sido transformado em projetos que tornem a administração pública mais democrática e transparente. Esta dissontonia entre promessas de campanha e ação prática quando no controle da prefeitura me faz lembrar da canção de Belchior “ Como nossos pais” que dizia, entre outras coisas, que Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos “Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, Ainda somos os mesmos e vivemos, Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

No caso de Campos, parece que voltamos a vivemos como no tempo do avô do prefeito que, com todo o respeito à memória dele, não é certamente um personagem cujos métodos de governar deveria ainda permanecer tão fortes no neto.Mas deixemos as reminiscências familiares e as semelhanças de métodos de (des) governo de lado, e nos fixemos em duas medidas anunciadas ontem por essa nova/velha administração: a suspensão temporária do cheque cidadão e a majoração do valor da passagem social.  Saindo de Belchior para Luiz Fernando Veríssimo que um dia sugeriu a criação de um ministério do vai-dar-merda.  Parece que falta efetivamente dentro dessa gestão um agente para ficar olhando quais decisões “vão-dar-merda”. 

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É que até eu que não fui eleitor de Rafael Diniz, sei que essas suas ações certamente darão merda.Os elementos para prever isso estão para todos verem, e fico pasmo que a decisão de cortar gastos seja na área social e não, por exemplo, na área dos cargos comissionados que hoje sendo engordados para saciar a fome de vereadores e outros que apostaram na mudança de lado na política local. É que quem caminha hoje pelas ruas vê cada vez mais gente morando nelas, e muitos jovens e idosos caminhando longas distâncias para chegar nas escolas e hospitais.

E o que propõe o prefeito Rafael Diniz? Cortar o pouco de aporte financeiro que se vinha dando para os pobres. E isso em nome de uma suposta austeridade? Por favor!Por essas e outras é que entendo bem a saída a la Leão da Montanha (aquele cartoon em que o simpático leão sempre se safava dos problemas com gritando “saída pela direita” ou “saída pela esquerda”) do professor Brand Arenari da posição de secretário municipal de Educação. 

leão

Como o professor Arenari é uma pessoa astuta e perspicaz (sei disso desde que foi meu aluno na Uenf), ela já devia ter notado que estava metido dos pés até  as mãos numa situação sem chance de dar certo, e resolveu rapidamente assumir o seu cargo de professor universitário, de onde poderá teorizar até sobre as consequências de sua rápida, mas desastrosa, passagem pela secretária municipal de Educação.

Infelizmente os pobres dessa cidade e que vão agora sentir o peso da austeridade seletiva do prefeito Rafael Diniz não podem ser comportar com leões da montanha ou, tampouco, saírem pela direita ou pela esquerda para assumirem cargos públicos concursados.  Mas mesmo não sendo secretário municipal, aviso logo ao prefeito “Isso o que o senhor acaba de propor, vai-dar-merda”. A ver!

Marcos Pędłowski

Marcos Pędłowski

Marcos Pędłowski

Bacharel e Mestre em Geografia pela UFRJ e PhD em "Environmental Design and Planning" pela Virginia Tech. Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes, RJ., com atuação nos Programas de Pós-Graduação em Políticas Sociais e Ecologia e Recursos Naturais. Pesquisador Colaborador Externo do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Universidade de Lisboa.

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