O racismo não aumentou no Brasil, apenas ficou mais evidente

paulino guajajaraCacique Paulino Guajajara que foi assassinado por defender a Terra Indígena Arariboia no estado do Maranhão

Há quem diga com claro choque que o racismo aumentou no Brasil ao longo de 2019. Eu já diria que o caso não é esse, pois vivemos em uma sociedade marcada por diferenças sociais gigantescas e marcada pela recusa de se fazer as devidas reparações sociais e econômicas pelos vários séculos de escravidão negra e indígena.

Em minha opinião que temos agora é, por um lado, a sensação pelos racistas de que estamos vivendo uma espécie de temporada para a livre manifestação de ideias e posturas racistas e, por outro, da permissão para que grupos criminosos ou mesmo pertencentes pertencentes ao aparelho repressivo do estado possam agir com violência plena.

A verdade é que não estamos nos tornando um país racista repentinamente, mas sempre fomos. O que há de diferente agora é a presença de governantes que não apenas toleram, mas explicitamente fomentam não apenas o ódio racial, mas também a homofobia e a misoginia. Somando-se esse suporte vindo do interior do aparelho de estado a uma colossal crise econômica, não é de se estranhar a verdadeira epidemia de casos de violência racial, feminicídios e ataques homofóbicos que varrem diferentes partes do território nacional neste momento.

A resposta imediata a essa conjuntura precisa ser o fortalecimento das estruturas de organizações sociais que se coloquem como ferramentas de contenção e ações ativas contra os indivíduos e grupos que queiram se aproveitar do ambiente estabelecido para impor sua agenda de violência e discriminação.  Ou é isso ou continuaremos apenas contando os corpos em meio ao avanço dos grupos e indivíduos que usam a violência como instrumento para a acumulação de riqueza.

Nota de pesar pelo assassinato de mais um Guardião Guajajara

O Greenpeace e a Hivos repudiam a violência contra os povos indígenas e se solidarizam com o povo Guajajara diante do assassinato do Guardião Paulo Paulino Guajajara

paulino guajajara

Paulino Guajajara é a mais recente vítima da omissão do Estado brasileiro em cumprir seu dever constitucional de proteger as terras indígenas © @Mídia Índia

Por Greenpeace

Uma emboscada feita por madeireiros no interior da Terra Indígena Araribóia, região de Bom Jesus das Selvas, no Maranhão, entre as Aldeias Lagoa Comprida e Jenipapo, resultou no assassinato do indígena Paulo Paulino Guajajara nesta sexta-feira (01/11). Segundo informações obtidas até este momento, o Guardião Laércio Guajajara também foi baleado durante o atentado e um madeireiro teria morrido.

Diante da omissão do Estado em proteger os territórios indígenas, os “Guardiões da Floresta” têm assumido este papel para si, e todos os riscos associados a ele.

Invadidas por grileiros e madeireiros, as terras indígenas do Maranhão têm sido palco de uma luta assimétrica, onde pequenos grupos de Guardiões optam por defender, muitas vezes com a própria vida, a integridade de seus territórios.

Paulino e Laércio são as mais recentes vítimas de um Estado que se recusa a cumprir o que determina a Constituição Federal.

O Greenpeace e a Hivos, proponentes do projeto Todos os Olhos na Amazônia, repudiam toda a violência gerada pela incapacidade do Estado em cumprir seu dever de proteger este e todos os territórios indígenas do Brasil e exigem que sejam tomadas imediatas ações para evitar a ocorrência de mais conflitos e mortes na região.

Nos solidarizamos com os bravos guerreiros Guajajara da Terra Indígena Arariboia e com os Guardiões da Floresta, do Maranhão e de todo o Brasil, que continuam a lutar diariamente pelo direito de existir.

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Esta nota foi inicialmente publicada no site do Greenpeace Brasil [Aqui!].