Deputados da PEC do teto de gastos não merecem votos em 2018

A imagem abaixo mostra os deputados federais do Rio de Janeiro que chamaram a PEC do teto dos gastos (também conhecido como PEC fim do mundo), e que são cúmplices do presidente “de facto” Michel Temer na situação de terra arrasada que resultou no incêndio do Museu Nacional.

deputados

Destacados na imagem estão Índio da Costa, candidato do PSD a governador do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL, e  Paulo Feijó, deputado do PR que até onde eu saiba continua circulando livre, apesar de sua condenação em última instância pelo STF.

Examinar como cada um dos deputados do Rio de Janeiro votou nesse caso e em tantos outros nos ajuda a entender como estão mal representados e, mais ainda, porque não se deve dar votos nessas figuras em 2018.

Encruzilhadas da Uenf: Reitor poeta encontra deputado condenado para pedir emenda parlamentar

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Inicialmente quero deixar claro que não me oponho de forma irracional a que se busque apoie no parlamento para a obtenção de verbas para o funcionamento das universidades públicas que vivenciam hoje cortes profundos em seus orçamentos.   Mas, por outro lado, há que se ter algum tipo de critério mais abrangente de quem são os parlamentares a quem se deve procurar para pedir apoio para que não se fique dando palanque para quem rotineiramente contribui para aprofundar o projeto de destruição dessas mesmas universidades.

Digo isso para adiantar minha quase perplexidade em relação à divulgação de um compromisso obtido pelo reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) junto ao deputado federal Paulo Feijó (PR) para que o mesmo proponha uma emenda parlamentar que garanta a aquisição de painéis fotovoltaicos  a serem colocados nos telhados dos prédios para a geração de energia elétrica [1].

deputado reitor

A primeira observação sobre Paulo Feijó é que em todos os quase 20 anos em que estou na Uenf, o deputado jamais teve a preocupação de sequer visitar o campus Leonel Brizola para saber das contribuições que a universidade poderia oferecer para um projeto estratégico de desenvolvimento para o Norte e Noroeste Fluminense, regiões de onde ele tem sua base eleitoral.

Em segundo lugar, Paulo Feijó é um daqueles casos peculiares de parlamentares que continuam cumprindo seus mandatos em que pesem condenações na justiça. No caso em particular de Feijó, a acusação pela qual foi condenado pelo Superior Tribunal Federal (STF) se refere ao escândalo conhecido como “máfia dos sanguessugas”, revelado em 2006., onde foi verificado que dezenas de parlamentares destinavam verbas do orçamento federal para compra de ambulâncias e equipamentos médicos superfaturados, levando propina desviada por prefeituras [2]. Aliás, há que se frisar que além de condená-lo a uma  pena de 12 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, o STF ainda decretou a perda do seu mandato.  

Disso decorre que é no mínimo questionável que o reitor de uma universidade pública como a Uenf aparentemente não veja nenhum problema em apresentar um pedido de emenda parlamentar a um deputado que sequer se sabe estará no cumprimento do mandato em 2018, e sabe-se bem por quais motivos.

Depois ainda tem gente que não entende porque é tão difícil incutir em nossa população que devemos primar nossas ações por parâmetros claramente éticos quando se trata de manejar os bens públicos. Mas esperar o que de um reitor que, como já vaticinou Romário pensando em Pelé, calado é um poeta.


[1] http://www.uenf.br/dic/ascom/2017/09/18/informativo-da-uenf-18-09-17/

][2] https://g1.globo.com/politica/noticia/stf-condena-deputado-paulo-feijo-e-decreta-perda-de-mandato-cabe-recurso.ghtml