Marina do MST visita a Aduenf e reafirma a importância de uma política comprometida com as causas populares

Em encontro com a diretoria da Aduenf, deputada recebeu documento com as principais demandas dos docentes da Uenf, incluindo a aprovação do novo Plano de Cargos e Vencimentos, e reforçou a necessidade de fortalecer a defesa dos serviços públicos, da universidade e dos direitos sociais

A deputada estadual Marina do MST (PT) esteve hoje na sede da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf) para uma visita política, durante a qual ouviu da diretoria as principais demandas da categoria. Entre elas, destacou-se a necessidade de aprovação do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV), cuja proposta tramita na esfera do Governo do Estado do Rio de Janeiro desde maio de 2021.

Em sua intervenção, Marina apresentou uma avaliação realista da atual conjuntura política na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mas ressaltou que se abre um espaço relativamente inédito para o avanço das pautas dos servidores públicos, após anos de negligência durante todo o mandato do ex-governador Cláudio Castro (PL).

O encontro também permitiu que o presidente da Aduenf, professor Ricardo Nóbrega, entregasse à deputada um documento político reunindo as principais reivindicações dos docentes da Uenf. Em sua manifestação, Ricardo agradeceu a visita e destacou a importância da manutenção de um diálogo político permanente entre o Parlamento e a comunidade universitária, especialmente em um momento decisivo para o futuro da universidade.

Para além da relevância institucional da visita, o encontro também despertou uma reflexão de caráter mais pessoal. Conheci Marina ainda muito jovem, quando já despontava como uma liderança promissora do MST em âmbito nacional. Passados quase 28 anos desde aquele primeiro encontro, pude constatar que sua experiência política se consolidou de forma notável. Hoje, Marina se afirma como um dos principais quadros da esquerda fluminense, independentemente do cargo que ocupe — embora eu espere que continue exercendo seu mandato parlamentar por muitos anos.

Em um momento em que a política parece cada vez mais marcada por agendas fragmentadas e interesses imediatos, chama a atenção encontrar uma parlamentar que, sem abrir mão de seu compromisso histórico com a luta pela implementação de uma ampla reforma agrária e pela defesa dos trabalhadores do campo, compreende a necessidade de atuar em defesa de um conjunto mais amplo de pautas populares. A universidade pública, a ciência, os serviços públicos de qualidade, a valorização dos servidores e a ampliação dos direitos sociais fazem parte dessa agenda. É justamente desse tipo de representação política, capaz de articular diferentes lutas em torno de um projeto coletivo de sociedade, que o Rio de Janeiro e o Brasil parecem estar cada vez mais carentes.

A luta pelo novo PCV da Uenf continua: o documento da SEPLAG e as tarefas do segundo semestre

Há momentos em que um simples documento administrativo é capaz de desmontar narrativas construídas ao longo de anos. Na minha leitura, é exatamente isso que acaba de ocorrer com o despacho da Subsecretaria Adjunta de Orçamento da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag) sobre o novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) da  Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (ver imagem abaixo).

O documento não aprova o PCV, como não poderia fazê-lo, já que qualquer majoração remuneratória depende de uma lei específica aprovada pela Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj) e sancionada pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto. Mas o documento também não rejeita a proposta, não aponta inviabilidade fiscal e, principalmente, reafirma que as decisões relativas à alocação de recursos e aos remanejamentos orçamentários internos são de competência da própria universidade.

Essa constatação é politicamente relevante porque desloca o centro do debate. Durante muito tempo, foi apresentado a ideia de que a luta pelo PCV deveria ser conduzida exclusivamente pelos canais institucionais da administração superior da Uenf, como se qualquer mobilização independente pudesse atrapalhar um delicado processo técnico conduzido pelos gabinetes do governo estadual. O documento da SEPLAG mostra justamente o contrário: não existe um veto técnico explícito da área de orçamento e a discussão passa a ser essencialmente política.

É justamente nesses momentos que fica evidente a importância da existência de sindicatos verdadeiramente autônomos. Um sindicato que atua como extensão da administração universitária ou como braço de qualquer partido político perde sua principal razão de existir: representar, com independência, os interesses de seus filiados. A história do movimento docente brasileiro demonstra que as maiores conquistas foram obtidas quando os sindicatos souberam dialogar com governos de diferentes orientações, construir alianças plurais e, ao mesmo tempo, manter plena liberdade para criticar, pressionar e mobilizar.

Na Uenf, acredito que a atuação da Aduenf ao longo dos últimos anos confirma essa necessidade. Enquanto alguns apostavam exclusivamente nas negociações internas e na expectativa de que os trâmites administrativos resolveriam o problema,  a Aduenf decidiu ampliar o campo de atuação política, dialogando com deputados de diferentes partidos, construindo interlocuções para além dos limites da universidade e mantendo a pressão permanente sobre o governo estadual. Essa estratégia foi frequentemente questionada por aqueles que preferiam uma postura mais cautelosa ou subordinada aos tempos da administração universitária.

Hoje, olhando para o documento da Seplag, considero que a diretoria da Aduenf sempre esteve no caminho correto. O despacho demonstra que o debate técnico não representa, neste momento, o principal obstáculo para o PCV. A partir daqui, o desafio é construir a vontade política necessária para que o governador encaminhe o projeto de lei à Alerj e para que exista uma ampla maioria parlamentar capaz de aprová-lo.

Essa conclusão torna ainda mais importante preservar a independência do sindicato. A Aduenf não pode ser uma correia de transmissão da Reitoria, assim como não deve ser subordinada a qualquer partido político ou governo de ocasião. Sua força reside exatamente na capacidade de representar exclusivamente os interesses dos professores, apoiando quando necessário, criticando quando indispensável e mobilizando sempre que os direitos da categoria estiverem ameaçados ou dependerem de pressão organizada para serem conquistados.

Também não vejo motivos para acreditar que o segundo semestre será um período de tranquilidade. Ao contrário. O documento da Seplag praticamente inaugura uma nova etapa da luta.  Acredito que será preciso transformar uma possibilidade administrativa em uma decisão política concreta.  Além disso, me parece evidente que será necessário ampliar o diálogo com os parlamentares, fortalecer a articulação com os demais sindicatos das universidades estaduais, envolver estudantes e técnicos administrativos e demonstrar ao governo que a valorização da Uenf não é uma reivindicação corporativa, mas uma política estratégica para o desenvolvimento científico e tecnológico do estado do Rio de Janeiro.

Além disso, a experiência recente da própria Uenf mostra que conquistas importantes raramente chegam por espontânea vontade dos governantes. O reajuste do auxílio-alimentação da Uenf foi um efeito indireto da mobilização dos servidores da Uerj. Da mesma forma, os avanços nas discussões do PCV ocorreram simultaneamente à intensificação das ações da Aduenf junto à Alerj e às diversas forças políticas do estado.

Por isso, acredito que o segundo semestre exigirá ainda mais mobilização, unidade e perseverança. A luta não termina com um parecer técnico favorável nem com uma manifestação administrativa que reconheça a autonomia da universidade. Ela somente estará concluída quando o projeto de lei for encaminhado pelo Executivo, aprovado pela Alerj e transformado em um instrumento efetivo de valorização da carreira docente da Uenf.

Se existe uma lição que esse documento da Seplag nos oferece, é que direitos não são conquistados pela espera passiva nem pela excessiva confiança nas negociações de gabinete. Eles são resultado da combinação entre competência técnica, articulação política e mobilização política dos interessados. E, para que essa combinação produza resultados, é indispensável que existam sindicatos livres, autônomos, combativos e comprometidos apenas com aqueles que representam.

No caso da Uenf, continuo convencido de que uma Aduenf independente será um dos principais instrumentos para transformar a expectativa de um novo PCV em uma conquista concreta dos professores. Afinal, como a própria história do movimento docente demonstra, somente a luta transforma direitos em realidade.

2 de junho: dia de paralisação e mobilização docente na UENF

Debate reunirá especialistas para discutir como a política de endividamento do Estado do Rio de Janeiro afeta salários, previdência e o futuro das universidades estaduais

Nesta terça-feira, 2 de junho, os docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) realizam uma paralisação das atividades acadêmicas aprovada em Assembleia Docente. O objetivo é fortalecer a mobilização em defesa da recomposição salarial, da valorização da carreira docente, da implantação do Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) e da previdência pública.

Como parte da programação, será realizada, a partir das 14 horas, na sala de Multimídia do CCH, a roda de conversa “Salário, Previdência e Dívida do Estado do Rio de Janeiro”, reunindo o economista Paulo Lindesay, da Auditoria Cidadã da Dívida, e a advogada Verônica Triani, assessora jurídica da ADUENF.

A atividade ocorre em um momento particularmente importante para os servidores públicos estaduais. Após anos de perdas salariais acumuladas, do descumprimento de parcelas da recomposição prevista em lei e da retirada de direitos históricos, como o adicional por tempo de serviço para os novos ingressantes, cresce a necessidade de compreender os mecanismos que condicionam as finanças do Estado do Rio de Janeiro e afetam diretamente a vida dos trabalhadores do serviço público.

Mais do que um debate sobre números, a roda de conversa pretende contribuir para a compreensão das escolhas políticas que têm levado ao sucateamento das universidades estaduais e à desvalorização de seus profissionais. Entender a relação entre dívida pública, orçamento estadual, previdência e política salarial é condição fundamental para fortalecer a capacidade de mobilização da categoria.

A experiência recente demonstra que nenhuma conquista virá sem organização coletiva, participação e pressão política. Por isso, a presença dos docentes é fundamental.

A luta pela recomposição salarial, pela valorização da carreira e pela defesa da universidade pública exige informação, unidade e mobilização.

Chega de perder. É hora de ganhar é o lema dessa mobilização. E como docente da Uenf há quase três décadas, já estou cansado de perder!

 

Professores da UENF vão paralisar suas atividades no dia 02/6

A assembleia da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (ADUENF) aprovou paralisação das atividades docentes no dia 02/06 como parte do processo de mobilização da categoria e construção da luta rumo à greve.

A mobilização é fundamental para pressionar o Governo do Estado e avançar nas nossas reivindicações:

✔️ Implantação do novo PCV
✔️ Atualização do auxílio-alimentação
✔️ Cumprimento integral da recomposição salarial
✔️ Revogação da extinção dos triênios

A assembleia também deliberou pela realização de nova assembleia para discussão de indicativo de greve.

📌 Em breve divulgaremos horário, local e programação da atividade sindical.

Nossa força coletiva, chega de perder, é hora de ganhar!

Sem luta não há conquista: o exemplo da Uerj e o desafio da Uenf

Baixos salários, excesso de controle e sucessivos adiamentos do PCV colocam em risco a capacidade da universidade de atrair talentos, sustentar empregos e cumprir seu papel estratégico para o Norte Fluminense

Os servidores em greve na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) vêm conseguindo se reunir com o governador em exercício do estado, Ricardo Couto, e já obtiveram sinalizações positivas para parte de seus pleitos, entre elas a majoração do auxílio-alimentação para R$ 1.500 e a promessa de pagamento de uma recomposição salarial de pelo menos 11,56%, a ser quitada em duas parcelas. Outros pontos continuam sendo discutidos, e uma nova reunião já está marcada para a última semana de maio.

Enquanto isso, na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), onde o auxílio-alimentação permanece em apenas R$ 600, os professores seguem mobilizados e em estado de greve desde novembro de 2025. A mais recente iniciativa do movimento foi a instalação de outdoors em diferentes pontos de Campos dos Goytacazes, numa tentativa de tornar público um processo que, até então, vinha ocorrendo quase exclusivamente no plano interno da universidade.

A situação da Uenf é particularmente precária, na medida em que o salário inicial dos professores doutores em regime de dedicação exclusiva é o segundo pior entre as 12 principais economias estaduais brasileiras, ficando à frente apenas do que é pago na Universidade do Estado de Minas Gerais. A precarização salarial dos docentes em início de carreira é agravada pelo fim do adicional por tempo de serviço — o chamado triênio — e pela imposição de um teto previdenciário equivalente ao do INSS. O resultado é um quadro crescente de desestímulo à carreira acadêmica e de baixa atratividade dos concursos públicos, muitos deles já registrando dificuldades para atrair candidatos qualificados.

Um dos fatores que poderia ter contribuído para reverter esse cenário seria a implantação do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV), encaminhado ao governo do estado ainda em 2021. Entretanto, sua tramitação foi paralisada por uma combinação de procrastinação política durante o governo de Cláudio Castro e das ações restritivas impostas pelo Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal (CSRRF), conhecido entre os servidores como “Comissarf”, órgão responsável pelo monitoramento do Plano de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro. A postura excessivamente acomodada da reitoria da Uenf também contribuiu para empurrar a aprovação do PCV para um horizonte indefinido.

No caso da reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), é importante destacar ainda a adoção de medidas que, ao mesmo tempo, ampliaram a sobrecarga funcional dos docentes e técnicos e criaram mecanismos indiretos de desestímulo à mobilização sindical. Essas medidas acabaram se alinhando de forma bastante conveniente à lógica de contenção de gastos e disciplinamento funcional estimulada pelo governo de Cláudio Castro, reforçando internamente uma cultura de intensificação do trabalho e de ampliação dos mecanismos de controle sobre servidores já submetidos a perdas salariais históricas. Sob o argumento de justificar adicionais concedidos pela administração universitária, professores e técnicos passaram a conviver com maiores exigências burocráticas, metas difusas, aumento de encargos administrativos e monitoramento mais rígido de suas atividades laborais. Na prática, consolidou-se um ambiente de crescente estresse ocupacional, no qual os servidores passaram a trabalhar mais, sob maior pressão e vigilância, sem que houvesse a correspondente valorização salarial ou melhoria efetiva das condições de trabalho. Além disso, o acesso continuado a determinados benefícios concedidos pela administração universitária passou a depender da manutenção das condições normais de funcionamento da instituição — algo claramente incompatível com processos legítimos de paralisação e greve voltados à reivindicação de direitos salariais e estruturais.

A greve dos professores e servidores técnicos da Uerj demonstra, contudo, que dificilmente haverá avanços concretos sem mobilização coletiva organizada. Não por acaso, a última greve dos docentes da Uenf ocorreu em 2017, e desde então as perdas salariais acumuladas já ultrapassaram 50%, corroendo de forma contínua o poder de compra, a permanência de profissionais qualificados e a própria capacidade institucional da universidade.

Com o exemplo positivo da greve da Uerj, cresce a percepção de que a comunidade universitária da Uenf precisará ampliar seu nível de organização e pressão política caso queira romper o ciclo de estagnação imposto pelo governo estadual e pela passividade administrativa interna. A continuidade da deterioração salarial, somada ao adiamento indefinido do novo PCV, já ameaça não apenas as condições de vida dos servidores, mas o próprio futuro da universidade como projeto estratégico de desenvolvimento científico para o Norte Fluminense. Sem uma mobilização mais ampla, visível e persistente, o risco é que a Uenf caminhe para um processo silencioso de esvaziamento acadêmico, perda de quadros qualificados e enfraquecimento institucional cujas consequências poderão ser irreversíveis.

É importante lembrar, ainda, que a valorização salarial dos professores e servidores da Uenf não constitui nenhum tipo de privilégio ou favor estatal, mas uma necessidade concreta para a manutenção da dinâmica econômica e social de Campos dos Goytacazes e de toda a região Norte Fluminense. Os salários pagos pela universidade circulam no comércio local, sustentam serviços, movimentam o setor imobiliário e garantem renda para inúmeras famílias que dependem direta ou indiretamente da presença da Uenf. Quando se precariza a remuneração dos docentes e técnicos, não é apenas a universidade que perde: perde também a economia regional, que depende fortemente da capacidade da instituição de atrair, fixar e manter profissionais qualificados. Defender salários dignos na Uenf, portanto, é também defender empregos, desenvolvimento regional e o futuro econômico de Campos dos Goytacazes para além dos muros universitários.

Urgente! Professores da Uenf decidem paralisar atividades em defesa de seus direitos

A Uenf vai parar!

Sem diálogo com o governador Cláudio Castro, sem recomposição salarial e sem PCV, nosso caminho agora é pela luta!

Nesta quarta-feira (18/03), vamos parar a Uenf e acompanhar o grande Ato Pela Recomposição Salarial que acontecerá às 10h no Rio de Janeiro, com concentração no Largo do Machado.

Não dá mais para engolir! Por que não sobra nada para os docentes, enquanto Cláudio Castro torra R$ 1 bilhão com o Banco Master? Por que o silêncio diante dos servidores estaduais? 

A paralisação desta quarta-feira é apenas o primeiro movimento de 2026 após o estado de greve dos docentes da UENF, aprovado em novembro de 2025. Vamos precisar de todo mundo para seguir com esta luta pelos nossos direitos!

Chega de perder, é hora de ganhar!

Gestão ADUENF Autônoma e de Luta

Terceirização, equipamentos e cadeiras novas na Uenf… mas o processo do novo PCV continua parado

Quem folheou o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (DOERJ) desta sexta-feira encontrou uma pequena coleção de editais de licitação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que, somados, chegam à respeitável cifra de R$ 6.097.834,43. Uma bagatela, claro — especialmente quando distribuída entre necessidades aparentemente urgentes como cadeiras novas (R$ 1.022.473,50), serviços de condutores de veículos (R$ 4.660.306,20), recarga e manutenção de extintores de incêndio (R$ 204.897,83), computadores de alta performance para produção audiovisual (R$ 680.516,00) e projetos executivos de combate a incêndio e proteção contra descargas atmosféricas (R$ 552.114,40). Há de tudo um pouco, como em um catálogo administrativo: da terceirização do transporte institucional a sofisticadas máquinas destinadas a impulsionar a produção audiovisual da universidade.

Naturalmente, cada uma dessas despesas pode ter sua justificativa técnica. Afinal, cadeiras são úteis, extintores precisam funcionar e raios costumam cair sem pedir autorização prévia. Ainda assim, é difícil não levantar uma sobrancelha diante do entusiasmo administrativo quando o assunto é abrir licitações para novas aquisições, ao mesmo tempo em que permanece curiosamente imóvel a promessa de entrega do novo Plano de Cargos e Vencimentos da Uenf (PCV) — uma pauta que, ao que tudo indica, segue aguardando em alguma gaveta menos iluminada do governador Cláudio Castro (PL).

A curiosidade também se estende a alguns detalhes pitorescos. Quem exatamente será contemplado com esses computadores de “alta performance” destinados à produção audiovisual? Que volume de conteúdo está prestes a ser produzido para justificar tal investimento? E, sobretudo, por que determinadas áreas da gestão parecem operar em ritmo acelerado enquanto outras seguem presas a um prolongado estado de contemplação administrativa?

De todo modo, justiça seja feita: a reitoria da Uenf claramente tem prioridades. Talvez o PCV não esteja entre elas — ao menos por enquanto. Mas há uma boa notícia para todos: se nada mudar, cada servidor da universidade criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola poderá ao menos refletir sobre essas prioridades sentado em uma cadeira novinha em folha. Afinal, conforto institucional também é política pública, especialmente em uma instituição cujos salários estão corroídos pela inflação em mais de 50%.

Entrevista ao Portal Viu sobre a situação do PCV da UENF

Concedi uma entrevista hoje ao jornalista Roberto Barbosa, âncora do programa jornalístico matinal do Portal Viu, onde tratou-se da situação do novo Plano de Cargos e Vencimentos da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) cuja trâmite se encontra virtualmente paralisado após mais de 4 anos de espera.

A entrevista abordou uma série de problemas enfrentados pelos professores da Uenf não apenas em relação a salários defasados, mas também à perda de direitos que foram retirados pelas seguintes reformas realizadas nas carreiras públicas.  Dentre direitos retirados dos novos professores estão o pagamento de triênios e a concessão de licenças por tempo de trabalho.  

Veja abaixo a íntegra dessa entrevista.

Professores paralisados para exigir o novo PCV da Uenf

Nesta segunda-feira (10/11) ocorre mais uma paralisação das atividades dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense. A mobilização de hoje é mais um passo no processo de luta contra o descaso do governo de Cláudio Castro que há mais de quatro anos se nega a enviar o novo Plano de Cargos e Vencimentos da Uenf para ser analisado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Esse claro descaso do governo Castro compromete não apenas a vida dos servidores que levam o projeto criado por Darcy Ribeiro adiante, beneficiando milhares de famílias que enviam seus filhos para Uenf para serem preparados para alçar voos profissionais.  O descaso de Cláudio Castro repercute na capacidade de ampliação das atividades da Uenf, criando dificuldades para que mais estudantes possam seguir a trilha exitosa que tantos outros já adentraram.

O fato é que a Uenf hoje paga salários corroídos em mais de 50% pela inflação, e seus novos servidores não possuem mais benefícios como o dos triênios e da licença especial. Com isso não se tornou apenas difícil manter um quadro mais jovem de servidores, mas de atrair profissionais qualificados por meio de concursos públicos.  Há que se lembrar que em sua implantação a Uenf pagava um adicional de interiorização e salários muito vantajosos com o intuito de contratar os melhores profissionais disponíveis no mercado. Foi essa política salarial que possibilitou que a Uenf se tornasse rapidamente uma referência nacional.

Para marcar essa paralisação, uma delegação de professores está se dirigindo ao Rio de Janeiro para participar de uma audiência pública promovida pela Alerj sobre a reforma administrativa que ameaça dar um golpe duríssimo nas condições de trabalhadores em todas as esferas de governo. Se consumada, a reforma administrativa será uma verdadeira pá de cal na Uenf.  Mas os professores também estarão na Alerj para dialogar com os deputados que estão apoiando a luta em prol do novo PCV.  É que, objetivamente, a luta contra a reforma administrativa e a aprovação do PCV são duas faces da mesma moeda. 

E nunca é demais lembrar que sem organização e mobilização, nenhum governo se sente obrigado a conceder direitos a seus servidores. E no caso do governo Castro isso é particularmente verdadeiro.

Entrevista no Programa Faixa Livre sobre a possibilidade de greve dos professores da UENF em defesa do novo PCV

Concedi nesta 2a. feira uma entrevista ao jornalista Anderson  , âncora do tradicional programa “Faixa Livre” sobre o atual momento de mobilização dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) em prol da implementação do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) que foi aprovado pelo Conselho Universitário da instituição em 2021 e até não foi enviado pelo governador Cláudio Castro para apreciação pela Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj).

É importante enfatizar a paciência demonstrada pelos servidores da Uenf em face do imenso desrespeito com quem têm sido tratados pelo governo de Cláudio Castro.  Assim, se agora se fala em uma posição greve, o grande responsável por essa possibilidade é o governador.

As próximas semanas deverão ser decisivas para o destino do novo PCV da UENF e os professores, organizados pela ADUENF, deverão deixar ainda mais clara a sua disposição de lutar pelos seus direitos, continuamente desrespeitados pelo governador de plantão.