O Coronel reformado e o bebê: entre a maldade e a impunidade

pedofilia

Não me considero uma pessoa ingênua e sei que o mundo está cheio de pessoas com deformidades morais e éticas graves. Agora, o caso envolvendo o coronel reformado Pedro Chavarry Duarte que foi preso sob a alegação de que estaria molestando sexualmente uma menina de dois anos de idade (Aqui!) transcende a minha compreensão de quão maldoso o mundo pode ser.

É que se a pedofilia já é algo a ser observado com extremo rigor, o que dizer quando o caso envolve uma criança pobre e com tão pouca idade? Para mim faltam palavras para definir de forma cordata o que penso desse caso.

Mas pior ainda é ler que o coronel Pedro Chavarry já possui um histórico de envolvimento com crianças que chega até a acusação de tráfico e que, por causa disso, já foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro na década de 1990 (Aqui!).

Assim, como explicar como uma pessoa com este tipo de comportamento estivesse não apenas ileso em termos criminais, mas como também fosse desde 2010 o presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar do Rio de Janeiro? 

Para mim apenas uma cadeia de omissões justifica que alguém acusado de forma repetida por este tipo de crime pudesse ainda estar numa condição de comando dentro de uma entidade que cuida das vidas de milhares de policiais.

Aliás, há que se notar que os malfeitos do coronel Pedro Chavarry podem ter chegado finalmente ao fim porque dois policiais militares resolveram cumprir o seu papel e não aceitaram ser pressionados ou subornados. A esses dois policiais, o que se espera é o devido reconhecimento da sociedade. Já ao coronel Pedro Chavarry, que se cumpra com ele o que determina a justiça.

Meninas de Guarus: além de se preocupar com os eventuais inocentes, há que se lembrar das duas crianças assassinadas

Venho acompanhando com atenção os desdobramentos das prisões que ocorreram ontem na cidade de Campos dos Goytacazes em função do caso conhecido como “Meninas de Guarus”.  Acabo de ler no blog “Opiniões” que é mantido por Aluysio Abreu Barbosa e José Renato no site do jornal Folha da Manhã, uma série de opiniões com as quais concordo no que tange a não apontar precocemente nomes de pessoas que poderão ainda ser inocentadas (Aqui!). 

Concordo que todo cuidado é pouco na hora de acusar alguém pela prática de um crime hediondo como o da pedofilia, já que temos vários casos de pessoas que foram acusadas e depois puderam provar sua inocência.

Até ai, tudo muito justo. Agora, o que me parece igualmente importante lembrar é que, além das crianças sobreviventes terem tido suas vidas alteradas para pior pelo resto de suas vidas, o que ocorrerá para a maioria delas se dará num ambiente de pobreza e dificuldades sociais profundas, duas das vítimas foram, ao que consta dos fatos informados de forma exaustiva ao longo dos últimos cinco anos, friamente assassinadas. Essas são as duas maiores vítimas desse caso escandaloso, pois já pagaram o custo mais alto possível que foi ter suas vidas ceifadas para que um grupo de pessoas pudesse dar vazão aos seus desejos sexuais. Assim, que a justiça puna com o máximo rigor quem for efetivamente culpado e inocente que tiver que inocentar. Mas que não se esqueça das vítimas inocentes do esquema que foi desbaratado.

Já para nós, resta contribuir para a criação de um ambiente social em que nossas crianças nunca mais sejam arrastadas para uma situação tão vil e abjeta como foi o caso das Meninas de Guarus.

Meninas de Guarus: por que a prisão dos pedófilos demorou tanto?

Hoje o caso “Meninas de Guarus” ganhou espaço na mídia nacional, e o nome dos presos no dia de ontem também (Aqui!,Aqui! e Aqui!). O que mais me intriga é por que um caso como esse demorou tanto a chegar na fase da prisão dos acusados. É que se fosse um grupo de pessoas humildes não seria de se estranhar que as prisões não tivessem levado cinco longos anos para ocorrer. Mas como no meio dos acusados estão pessoas de conhecimento notório e poder político e econômico, as vítimas e suas famílias tiveram que viver todo esse tempo no sobressalto, pois a chance da retaliação só diminuirá agora com o início das prisões.

Tenho notado que diversos personagens estão querendo se apresentar como a origem da denúncia. Mas aqui é preciso dizer que o crédito para que o caso não sumisse de circulação no seu nascedouro cabe ao jornalista Esdras Pereira que fez da sua revista “Somos Assim” um veículo de transparência sobre um capítulo sórdido da nossa história recente.  Deste modo, é bom que se dê o crédito a quem merece, e não a quem agora quer jogar para a torcida.

Extra: Nelson Nahim é preso em Campos por envolvimento em rede de exploração sexual infantil

Pâmela Oliveira e Rafael Soares

O ex-vereador de Campos e irmão do ex-candidato ao governo do estado Anthony Garotinho, Nelson Nahim (PSD), foi preso por agentes da 134ª DP (Campos) no início da tarde desta sexta-feira. A prisão foi feita após o Ministério Público ter oferecido denúncia contra 20 pessoas acusadas de exploração sexual infantil e outros crimes no caso denominado “Meninas de Guarus”. Nahim é um dos seis denunciados que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Até agora, cinco pessoas foram presas. Ele foi candidato a deputado federal e, atualmente, é suplente. Nahim foi o terceiro candidato a deputado federal mais votado em Campos, com 17.827 votos.

— Em 2013, recebi uma denúncia gravíssima na Comissão de Direitos Humanos da Alerj do envolvimento de pessoas poderosas com uma rede de pedofilia que explorava meninas. O caso estava parado no MP. Por isso, pedi uma reunião com o (procurador-geral de Justiça) Marfan Vieira, que deu reencaminhamento ao caso — diz o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), que realizou uma audiência pública no dia 17 de junho de 2013 na Câmara Municipal de Campos sobre o caso.

Garotinho e o irmão romperam relações e são adversários políticos há quatro anos. Nesta eleição, Nahim acompanhou o candidato adversário de seu irmão, Luiz Fernando Pezão (PMDB) , em carreata em Campos.

O caso das “Meninas de Guarus” ganhou repercussão em 2009, quando a Polícia Civil descobriu um ponto de exploração sexual e prendeu em flagrante o proprietário do imóvel, além de ter libertado cinco mulheres, sendo três maiores e duas menores de 16 e 17 anos. A denúncia é assinada por seis promotores de Justiça e foi encaminhada à 3ª Vara Criminal de Campos.

FONTE: http://extra.globo.com/casos-de-policia/nelson-nahim-preso-em-campos-por-envolvimento-em-rede-de-exploracao-sexual-infantil-14276413.html#ixzz3GQdatURB