Marketing acadêmico: artigo assinado por docentes da UENF analisa desmanche programado das universidades estaduais do Rio de Janeiro

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Um artigo do qual sou co-autor acaba de ser publicado pela revista Universidade e Sociedade do ANDES-SN onde é apresentada uma análise mais substantiva do processo de desmanche programado das universidades estaduais do Rio de Janeiro, tendo como foco analítico a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  O título do trabalho é Analisando a crise das universidades estaduais do rio de Janeiro como parte de um desmanche programado: o caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Além de mim também assinam o trabalho, os professores Renata Maldonado da Silva, Ricardo André Avelar da Nóbrega e Luciane Soares da Silva, todos pertencentes ao Centro de Ciências do Homem.

Importante ressaltar que apesar do trabalho centrar seu foco analítico no caso da Uenf, o uso do conceito de desmanche programado coloca o debate dentro de uma série de ações perpetradas a partir do governo FHC para impor uma lógica empresarial nas universidades públicas, enquanto se diminuía paulatinamente a disponibilidade das verbas necessárias para o pleno funcionamento das mesmas.

O que torna o caso das universidades estaduais do Rio de Janeiro tão emblemático, como o artigo mostra, é que nos últimos anos as táticas utilizadas pelo (des) governo do Rio de Janeiro comprometeram completamente a capacidade destas instituições de realizar as suas atividades fim de ensino, pesquisa e extensão.

Quem desejar ler o artigo completo, basta clicar [ Aqui!]

(Des) governo Pezão continua asfixia financeira da UENF que, tal qual um equilibrista bêbado, segue em frente

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A aprovação da chamada PEC 47 foi apresentada por dirigentes universitários, deputados e até alguns sindicalistas com uma vitória retumbante contra as políticas neoliberais do (des) governo Pezão. Segundo o que se disse na época da aprovação (incrivelmente em torno de 6 meses atrás), a aprovação da PEC 47 possibilitaria o uso da justiça para cobrar, pelo menos, os 25% mínimo obrigatórios dos orçamentos aprovados pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para as universidades estaduais para o ano fiscal de 2018.

Mas já entradas no mês de junho, as universidades estaduais continuam submetidas a um pavoroso processo de aniquilação financeira, já que o (des) governo Pezão não está cumprindo o que agora consta da Constituição Estadual do Rio de Janeiro em termos do aporte dos recursos aprovados pela Alerj para as três universidades estaduais. Além disso, o (des) governo Pezão iniciou um processo de implosão da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (a Faperj) que se encontra não apenas sem o aporte de seus recursos aprovados pela Alerj, mas como imersa em um perigoso processo de acefalia institucional.

Entretanto, quem anda pelo campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) não tem como verificar que as coisas estão, no mínimo, nas mesmas condições que causaram uma greve que durou incríveis seis meses. É que na mansidão dos dias mais ou menos frios, tudo parece correr na maior tranquilidade, enquanto a grama cortada teima em voltar a brotar, enquanto os usuários do Restaurante Universitário (ainda aberto) se acomodam em longas filas diárias para acessar comida barata.

E aquelas promessas de que o (des) governo Pezão seria acionado na justiça para adotar a forma de repasse orçamentário agora sacramentado na Constituição Estadual? Essas andam tão esquecidas quanto tantas outras que foram feitas num passado não muito distante quando o atual reitor era candidato ao cargo. A explicação para a inação objetiva seria não perturbar uma suposta boa relação com o (des) governo Pezão. 

Em meio a tudo isso, como ficam, por exemplo, os servidores que agora estão novamente ameaçados pelo atraso de seus salários? Difícil saber com certeza, mas parece claro que a maioria adotou a tática da avestruz que enterra a cabeça no chão para fugir dos problemas reais que a vida lhes apresenta.  O silêncio sepulcral só é quebrado de vez em quando pelo chamado insistente de algum gerente de banco cobrando o pagamento de contas que ainda continuam atrasadas após o massacre promovido contra os servidores estaduais em 2017.

Apesar de compreensiva, essa posição de avestruz em decúbito ventral, o fato é que o mesmo não muda a realidade a que estamos submetidos. E, cedo ou tarde, haverá que se fazer o devido debate sobre a real condição em que se encontra a Uenf, especialmente agora que o seu Conselho Universitário aprovou a incorporação (para ser mais correto, a extinção) do Escola Estadual Agrícola Antonio Sarlo, o que implicará num aumento de tarefas e despesas para uma universidade que já perdeu a capacidade até de comprar papel higiênico para seus banheiros. 

Sem esse debate e, mais ainda, sem a implementação de ações práticas que consigam pautar a entrega dos recursos aprovados pela Alerj, a verdade inescapável é que a Uenf (e por extensão a Uerj e a Uezo) enfrentará graves dificuldades para continuar funcionando a curto prazo.

Assim, meus caros leitores, não se enganem com as boas novas de que tudo isto está normal na Uenf. Quando muito estamos fingindo que está tudo normal, enquanto prosseguimos realizando as tarefas possíveis, tal qual um bêbado equilibrista enfrentaria o picadeiro de um circo mambembe.

A extinção da Antonio Sarlo avança mascarada sob o eufemismo de “incorporação”

Já abordei de forma repetida neste blog os esforços que estão sendo realizados pelo (des) governo Pezão para encerrar as atividades da tradicional Escola Técnica Agrícola Antonio Sarlo como parte do projeto de avanço do projeto de privatização do ensino público no estado do Rio de Janeiro, especialmente das escolas técnicas por onde hoje avançam grupos privados como a Kroton.

Esse esforço teve um capítulo a mais no dia de ontem quando o Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) decidiu aprovar a “incorporação” da Antonio Sarlo, no que consiste em um eufemismo para sua extinção enquanto unidade de ensino autônoma e com projeto político pedagógico próprio e voltado para os interesses da população do Norte Fluminense, especialmente das crianças e jovens que ainda vivem em nossas áreas rurais.

Essa aprovação ocorreu em meio a um debate paupérrimo sobre as consequências que essa “incorporação” trará para duas instituições que se encontram muito mal financeiramente. O fato é que o quadro da Uenf ser um pouco melhor não impede a caracterização de que o que temos diante de nós é um típico abraço de afogados.
É que a Uenf não possui recursos nem para si mesma, oxalá para iniciar o necessário processo de recuperação da estrutura física da Antonio Sarlo, que se encontra em estado de colapso após mais de uma década de completo abandono.

Esse abraço de afogados está sendo celebrado pela mídia corporativa local como sendo a salvação da Antonio Sarlo (ver imagens abaixo), sem que os proprietários dos veículos que propalam essa versão insustentável que a realidade tratará de desmontar se deem ao trabalho de fazer matérias com um mínimo de profundidade sobre não apenas a realidade estrutural da Antonio Sarlo, mas também da inviabilidade completa das promessas que estão sendo feitas em termos da manutenção das atividades pedagógicas que a escola ainda consegue desenvolver graças aos esforços dos seus servidores.

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Interessante notar que conversando com uns poucos conselheiros que deram o seu voto positivo para a incorporação da Antonio Sarlo, os mesmos mostraram estar cientes de que nada do que está sendo publicizado deverá acontecer, em vista das prementes dificuldades que cercam a Uenf desde 2015. Mas mesmo assim votaram pela incorporação/extinção do Antonio Sarlo, pois há quem diga dentro da Uenf que não apenas irá parir Mateus, como também vai embalá-lo. E o pior é que se sabe que quem afirma que irá embalar Mateus, não vem mostrando a mínima disposição de atacar os problemas próprios da Uenf.

Há ainda o detalhe importante de que a administração municipal sob o comando do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) estaria se comprometendo a manter o funcionamento do ensino fundamental nas dependências do Antonio Sarlo. Entretanto, tenho informações de que a expectativa é de que o oferecimento das aulas fique a cargo da Uenf, algo que em princípio não possui a menor viabilidade.
Por essas e outras é que precisamos ouvir com incredulidade as declarações contidas no depoimento mostrado abaixo onde o presidente da Comissão da Educação, deputado Comte Bittencourt que é do mesmo partido do jovem prefeito Rafael Diniz, o PPS, tece loas ao fechamento de fato da Antonio Sarlo.


Mas pelo menos esse vídeo tem o mérito de nos informar quem foram os executores da morte da Antonio Sarlo, pois que quem é mandante desde o princípio, qual seja, o (des) governo Pezão.

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Aos que entendem a gravidade que o fechamento da Antonio Sarlo  representa para o futuro de todo o norte e noroeste fluminense, é preciso não esquecer em outubro que Rafael é Comte e Pezão lá, e Comte Bittencourt e Pezão são Rafael aqui!

A Uenf e seus vândalos

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Sempre que me perguntam sobre qual é o principal legado que já foi firmado pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) em seus tenros 25 anos de existência, não hesito em responder que são os profissionais que de lá já saíram formados.  Essa posição acaba de se mostrar ainda mais acertada quando leio o artigo lúcido e certeiro de autoria do professor da UFF/Campos, Carlos Valpassos, onde ele disseca com agudez certeira quem realmente vandaliza e coloca em risco a existência  da Uenf neste momento (ver artigo abaixo). Para os que não sabem, Carlos Valpassos formou-se em Ciências Sociais e ali ministrou aulas por algum tempo antes de ser incorporado ao quadro docente da UFF/Campos.

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Como Valpassos bem coloca, quem vandaliza a Uenf hoje não são pichadores que utilizam paredes para denunciar a destruição do principal instrumento de justiça social que existe no Norte Fluminense sob a forma de uma universidade pública e gratuita. 

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Eu adiciono ainda que atribuir a quem denuncia a destruição deste projeto o papel de vândalo equivale a se colocar do mesmo lado dos que querem destruir não apenas a Uenf e suas co-irmãs Uerj e Uezo, mas também a Faperj. Por isso é importante corrobrar a afirmação de Carlos Valpassos que não há, apesar das aparências enganosas, qualquer volta à normalidade após o fim da greve dos professores e servidores ou que a situação é menos crítica do que era antes.

Por isso mesmo atribuir à mensagens políticas o adjetivo de vandalismo só pode partir daqueles que ou não entendem o que está em jogo neste momento ou que entendem e decidiram se colocar do lado dos que querem destruir a Uenf e os sonhos de dias melhores que sua existência representa para gerações presentes e futuras de jovens pobres cujas vidas estão sendo continuamente vandalizadas por (des) governos cujas opções preferenciais são sempre para manter um status quo caracterizado pelo apartheid social onde educação de qualidade é coisa para poucos.

Desta forma, é bom notar que enquanto a reitoria da Uenf se comportou como um fiscal de bons costumes, aventando inclusive a criação de uma comissão especial de sindicância para apurar quem pichou paredes para denunciar a destruição da universidade pública no Brasil, um egresso da instituição vem a público para usar um espaço de mídia para colocar as coisas no seu devido lugar. 

E que fique claro de um vez por todas: vândalo é o (des) governo Pezão e seus aliados na destruição das universidades estaduais. Mais simples do que isso, impossível.

Quem vandaliza a Uenf? Pichadores politizados ou o (des) governo Pezão?

Pichação política na Argentina: o protesto político não é crime.

O jornal “Folha da Manhã”, talvez na falta de melhor assunto, publica hoje, com direito a chamada na capa, mais uma matéria sobre as pichações políticas que foram realizadas em um prédio do campus Leonel com menções ao governo Temer e aos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes (ver reprodução abaixo) [1].

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À guisa de preâmbulo tenho que manifestar a minha surpresa que pichações dessa natureza não sejam mais frequentes no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense cujas paredes têm passado razoavelmente incólumes ao ataque avassalador que vem sendo imposto pelo (des) governo Pezão desde outubro de 2015 quando, efetivamente, os recursos de custeio inseridos no orçamento da instituição têm sido sonegados pelo (des) governo Pezão.

Para mim, a falta de pichações é um reflexo da baixa cultura política existente na Uenf e não o sinal de que somos uma universidade em que se prima pela integridade e pureza do campus. Para medir isso, basta ver o lixo que é deixado amontoado nas festas promovidas de tempos em tempos por organizações estudantis sob o olhar tolerante da reitoria da universidade.

Mas voltando ao caso dessas pichações, eu não sei se ainda deveria me surpreender com as posições da reitoria da Uenf, mas nas duas matérias publicadas pela Folha da Manhã, li menções à necessidade de se punir os pichadores, inclusive com a formação de uma comissão especial de sindicância para apurar quem foram os “delinquentes” que fizeram isso. Como se sabe comissões de sindicância são orientadas para apurar fatos eventualmente desviantes das leis vigentes e punir os que forem identificados como culpados na sua concretização. 

Uma frase do reitor da Uenf, Luís Passoni, que foi pinçada pelo pessoal da Folha da Manhã é bem revelador desse instinto punitivo, quando o magnífico reitor diz que “embora compreenda a necessidade da juventude se manifestar, a gente tem que preservar a integridade do campus”. Ora, alguém precisa lembrar ao reitor da Uenf que quem ataca a integridade do campus, e a Uenf por inteiro é preciso que se diga, é o (des) governador Luiz Fernando Pezão, e não alguns jovens com lata de tinta na mão.

Aliás, a única outra vez que vi uma parede pichada na Uenf em meus 20 anos dentro da instituição foi em 2013 , e a mesma foi coberta por tinta branca poucas horas após a realização do protesto [1] (ver imagem abaixo). Acontece que neste momento, graças ao bloqueio financeiro imposto pelo (des) governo Pezão, a Uenf não possui recursos financeiros sequer para comprar simplórios sacos de lixo e produtos de limpeza, que dirá de comprar tinta para cobrir pichações!

Eu realmente gostaria que essa disposição toda de condenar pichações políticas que o reitor da Uenf vem demonstrando fosse aplicada na denúncia do processo de desmonte que vem sendo imposto pelo (des) governo Pezão não apenas à Uenf, mas também às outras universidades estaduais (Uerj e Uezo) e agora também à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).  

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Mas tenho certeza de que do mato da reitoria da Uenf não sai coelho. Por isso, prefiro apostar minhas poucas moedas (já que meu salário continua sendo pago na metade do mês vencido) nos jovens que decidiram sair da apatia e se manifestar com latas de tinta na mão.

E não se esqueçam: vândalo é o (des) governo Pezão!

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[1] http://opinioes.folha1.com.br/2018/05/16/pichacoes-na-uenf-acendem-o-debate-entre-protesto-e-vandalismo/

[2]  http://pedlowski.blogspot.com.br/2013/09/na-volta-das-aulas-na-uenf-e-uma.html

 

Antonio Sarlo: enquanto o (des) governo Pezão se prepara para ser o executor, reitor da Uenf quer ser o coveiro

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A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continua imersa na maior crise financeira da sua vitoriosa história de menos de 25 anos.  O (des) governo Pezão, ao arrepio do que determina a Constituição Estadual pós-aprovação da PEC 47, ainda não repassou o mínimo de 25% para cobrir as despesas básicas relativas aos serviços essenciais para o funcionamento cotidiano da universidade.

A coisa anda tão precária que eu mesmo tive que oferecer cera para que uma das salas de aula em que ministro uma disciplina de graduação pudesse ficar apta ao uso.  Além disso, inexistem suprimentos básicos incluindo sacos de lixo e materiais para limpar vidraças, por exemplo.

Essa situação de continua calamidade institucional deveria estar colocando a reitoria da Uenf num plano mais racional em que a preocupação fosse impedir uma degradação ainda maior das condições em que as atividades de ensino, pesquisa e extensão estão sendo realizadas, evitando assumir compromissos que comprometem ainda mais a frágil estabilidade sobre a qual a universidade vem funcionando.

Mas não é isso que está ocorrendo. Em vez disso, o reitor da Uenf,  Luis Passoni, veio a público nesta 3ª. feira (08/05) para alardear o plano de incorporar a tradicional Escola Técnica Estadual Agrícola Antonio Sarlo ao quadro institucional da universidade.

E nesse esforço de agradar sabe-se lá quem, o reitor da Uenf produz uma dessas peças lamentáveis de “fake news” que desinforma os tantos leitores do jornal Folha da Manhã que se dispuserem a ler o seu artigo intitulado “Sobre o Antonio Sarlo” (ver abaixo).

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Quem não conhece a situação de perto vai ser levado a acreditar, de forma equivocada é preciso que se diga que há efetivamente uma discussão organizada para salvar o Antonio Sarlo do destino inglório que lhe destina o (des) governo Pezão.  O reitor da Uenf insinua que a discussão sobre a incorporação do Antonio Sarlo é antiga na Uenf, mas esquece (propositalmente eu diria) que essa incorporação significaria na prática o fechamento de uma das principais escolas técnicas do estado do Rio de Janeiro.

É que diferente do que afirma o reitor, não houve qualquer sinalização interna no Conselho Universitário da Uenf para incorporar o Antonio Sarlo, já que as negociações (como depois é reconhecido) já vem se dando com o (des) governo Pezão que não vê a hora de fechar mais uma escola, independente da sua importância para o processo de desenvolvimento econômico do Norte Fluminense.

Ao sinalizar que colocará a discussão da integração do Antonio Sarlo para ser debatida no dia 18 de maio, o reitor omite que inexistem condições básicas para preservar o funcionamento dos níveis de ensino que hoje lá são oferecidos. A começar pelo fato de que não há documento formal que garanta que a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes vá efetivamente se encarregar de continuar o oferecimento do ensino fundamental que hoje ocorre na Antonio Sarlo. Aliás, em uma reunião recente com coordenadores de Educação no Campo, o secretário Brand Arenari deixou os presentes de cabelo em pé ao afirmar que as crianças do campo “querem ver as cores da cidade”, sinalizando que vem mais fechamento de escolas rurais por aí, num município que já é recordista neste tipo de ataque à educação do campo para as crianças que lá vivem.

Mas há que se frisar que tampouco há um projeto minimamente discutido para viabilizar o oferecimento de pelo menos um curso técnico agrícola pela Uenf. Nesse sentido, é revelador o fato de que o Centro de Ciências do Homem onde estão os encarregados de pensar as políticas educacionais tenha sinalizado de que não vai embarcar nessa aventura irresponsável (para não dizer coisa pior).

Há que se lembrar de que as instalações do Antonio Sarlo foram deixadas em completo abandono e hoje se encontram em condições deploráveis. Mas a Uenf não possui recursos sequer para manter o que já é de sua responsabilidade, e não objetivamente não terá como colocar um centavo que seja na recuperação das salas de aula e laboratórios do Antonio Sarlo.  Aliás, se me permitirem uma metáfora, o papel que a reitoria da Uenf está cumprindo nesta história insólita equivale ao do sujeito que pula no Rio Paraíba do Sul para salvar um amigo querido, esquecendo-se, contudo, que ele mesmo não sabe nadar.

A questão é pura e simples: o (des) governo Pezão decidiu fechar a Escola Antonio Sarlo, sem pesar as drásticas consequências que isso trará para seus atuais estudantes e futuras gerações que ficaram desprovidas de uma escola que já foi um dos maiores orgulhos dos habitantes do Norte Fluminense. De sua parte, a reitoria da Uenf está se prestando ao lamentável papel de coveiro do Antonio Sarlo. E qualquer discurso que seja feito tentando mostrar o contrário será vazio e sem qualquer base real.  Assim, que ninguém se deixe enganar pela promessa de que o objetivo é retornar o Antonio Sarlo aos seus anos dourados. O fato inalienável é que está se preparando o seu enterro, sem pompa nem circunstância.

Aos que não concordarem com  a “solução final” que o (des) governo quer impor ao Antonio Sarlo, a hora de reagir agora, pois os que querem enterrá-lo têm pressa.

Lava Jato RJ se aproxima do (des) governador Pezão após delator revelar “mesada” com direito a 13o. e bônus de 2 milhões

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Que a Lava Jato RJ já tinha seus olhos (e ouvidos) depositados sobre o (des) governador Luiz Fernando Pezão não é nenhuma novidade. Mas as recentes revelações publicadas por vários veículos da mídia corporativa dão conta que os problemas do político que saiu do anonimato completo de Piraí dão conta conta que agora a coisa pode ter engrossado de vez.

É que entre as revelações está uma “simplória” mesada de R$ 150 mil mensais durante o período em que era o vice (des) governador Do Rio de Janeiro, quantia que também vinha acompanhada com uma espécie de 13o. da propina, que vinham ainda acompanhada de dois bônus de R$ 1 milhão casa [1].

Mas não bastasse o aparecimento destas cifras por meio da delação do amigo do peito do ex(des) -governador Sérgio Cabral, Carlos Miranda,  Pezão também foi atingido pela delação do aparentemente ex-grande amigo e ex-(des) secretário estadual de Obras, Hudson Braga. No caso de Braga (ou Braguinha nos círculos mais íntimos), a “mesada” do (des) governador Pezão seria de R$ 100 mil [2]! Somente a junção dessas denúncias colocariam nas mãos do (des) governador Pezão algo em torno de R$ 250 mil mensais, além de outros mimos como a reforma de sua casa em Piraí.

Além das benesses pessoais, as delações de Carlos Miranda e Hudson Braga colocam mais problemas no colo do (des) governador Pezão na medida em que aparecem detalhes sobre a compra de apoios políticos a potenciais adversários como o senador Romário e o ex-deputado Índio da Costa. Curiosamente estes dois últimos apareciam até recentemente como potenciais candidatos a substituírem Pezão no assento que ainda ocupa no Palácio Guanabara. 

Há que se lembrar que pelo menos outro delator já havia indicado que o (des) governador  Luiz Fernando Pezão tinha recebido benesses ilegais dentro do esquema criminoso montado por Sérgio Cabral. Falo aqui da delação do operador financeiro Edimar Moreira Mendes. Entretanto, neste caso, a denúncia acabou não afetando de forma mais concreta a Pezão que pode assim continuar fazendo acordos com o governo “de facto” de Michel Temer, incluindo o famigerado Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Entretanto,  as delações combinadas de Carlos Miranda e Hudson Braga certamente terão um impacto maior, ainda que não se saiba quando exatamente a bomba cairá sobre a cabeça de Pezão. Agora que ele deve saber que é um homem jurado pela Lava Jato RJ, isso deve. É que Pezão pode ser tudo, menos ingênuo.

Por último, quero notar como deve ser doce a vida de quem tem propina com direito até a 13o. É que milhares de servidores estaduais do Rio de Janeiro passaram os últimos 2 anos comendo o pão que o diabo amassou sob a alegação de que havia uma crise causada sabe-se lá por quem, inclusive ficando a maioria sem o seu 13o. salário. Agora, aparece essa novidade pela boca de um delator, provando que a crise no Rio de Janeiro é seletiva, mas muito seletiva mesmo.


[1] http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/04/pezao-recebia-mesada-de-r-150-mil-no-governo-cabral-diz-delator.html

[2] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/04/delacao-de-braco-direito-de-pezao-atinge-governador-cabral-e-pre-candidatos.shtml