A tática vitoriosa do (des) governo Pezão: dividir para privatizar

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Muito se fala da incapacidade e inoperância do (des) governo Pezão para cuidar dos interesses do estado do Rio de Janeiro em suas trataticas com o governo “de facto” de Michel Temer.  Essa incapacidade apareça em cada tentativa frustrada de liberar ou adiantar recursos pertencentes ao povo fluminense. Até no famigerado Regime de Recuperação Fiscal (RRF),  o (des) governador Pezão mostrou-se bastante dócil quando aceitou uma cláusula onde terá que renunciar a uma série de processos legítimos onde o estado do Rio de Janeiro demanda direitos negados pelo governo federal.

Entretanto, se olharmos a situação aflitiva em que se encontram mais de 200 mil servidores da ativa e aposentados, veremos que há uma área onde o (des) governo Pezão estabeleceu uma ferramenta bastante eficaz para alavancar o projeto de privatização de bens públicos pertencentes ao povo do Rio de Janeiro. Esta ferramenta é tão simples quanto efetiva: a divisão do funcionalismo estadual em duas categorias, uma que recebe salários em dia e outra que foi deixada propositalmente à mercê da própria sorte.

Ainda que haja evidentes pitadas de maldade nessa ferramenta, há que se ver ao que ela realmente presta, além de deixar milhares de pais e mães de famílias sem as condições mínimas para honrar compromissos, incluindo o pagamento da escola de filhos e o do plano de saúde. Aliás, existem inúmeros casos documentados onde servidores aposentados estavam vivendo da caridade de amigos e familiares.  

Resultado de imagem para dividir para conquistarO fato é que essa divisão do funcionalismo estadual tem sido fundamental para que  o (des) governo Pezão avance os seus planos de privatização e o caso da CEDAE é apenas a ponta deste icerberg. É que ao criar essa clivagem entre os “com salários” e os “sem salários”, o que se consegue é ruptura dos laços de solidariedade política que são fundamentais neste momento para que o funcionalismo estadual possa participar do processo de resistência à destruição dos seus empregos e, pior, do caráter público dos mesmos.

Até aqui o (des) governo Pezão tem conseguido manobrar com rara eficiência os sindicatos que dizem representar os servidors públicos. O máximo que se tem visto são ações alegóricas e sem qualquer contundência.  Aliás, um protesto que deverá ocorrer na frente da Cadeia de Benfica por convocação do chamado Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe) se inscreve no verdadeiro festival de manifestações alegóricas que vem ocorrendo no Rio de Janeiro sem que haja qualquer impacto sobre o (des) governo Pezão.  É que o local para protestar e causar impacto continua sendo o Palácio Guanabara. Mas como é para ficar na alegoria e não na ação contudente, ficamos sendo convidados para ações que não mobilizam ninguém.

De toda forma,  resta saber até quando o (des) governo Pezão vai conseguir manter os servidores divididos e desunidos.  Com a prisão dos mandarins da Alerj e a permanente possibilidade de que mais prisões estejam a caminho, é possível que uma hora dessas essa tática desande.  O problema é que se não desandar logo, o risco é que não sobre mais nada para ser defendido.

Entrevista no Programa Faixa Livre sobre a situação do Rio de Janeiro

faixa livre

No dia de ontem (28/11) tive a oportunidade de conceder uma entrevista no “Programa Faixa Livre” que é levado ao pela Rádio Bandeirantes 1360 AM da cidade do Rio de Janeiro.  Nessa entrevista pude abordar os diferentes aspectos da crise que abala o Rio de Janeiro neste momento e dos seus impactos sobre a Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Quem desejar ouvir essa entrevista, basta clicar  [Aqui!].

MPRJ entra com ação civil pública contra a Companhia Fluminense de Securitização S.A.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por intermédio do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Sonegação Fiscal e aos Ilícitos contra a Ordem Financeira, Tributária e Orçamentária (GAESF/MPRJ), ajuizou na terça-feira (21//11) ação civil pública (nº 0297334-52.2017.8.19.0001), com pedido de tutela de urgência, em face do Estado do Rio de Janeiro e da Companhia Fluminense de Securitização S.A. (CFSEC), objetivando anular o processo licitatório de pregão, o qual visa à prestação de serviços de securitização do fluxo de recuperação dos créditos do Programa do REFIS Estadual. 

Além de ser ilegal e constitucionalmente proibida, a operação gera um aumento do endividamento público estadual. Pede-se também a desconstituição da Companhia ré, por ser ela divorciada, tanto do “relevante interesse coletivo” constitucionalmente imposto para a constituição de entes da Administração Pública Indireta em geral, quanto da finalidade pública, exigida para todo e qualquer ato administrativo (não se eximindo disso, o Decreto Estadual que a criou). 

Ao longo das investigações, o MPRJ comprovou também que a CFSEC já recebeu do Estado do Rio R$ 3.989.443,00, somente a título de integralização de capitais sociais, muito embora seu capital social declarado seja, atualmente, de R$ 800 mil. Comprovou também que a CFSEC nunca gerou receitas ou lucros, o que o fez concluir que as despesas administrativas, tributárias e de pessoal dessa Companhia estão sendo custeadas através desses repasses, a despeito de a lei que autorizou a sua criação e o seu próprio estatuto social proibirem tais repasses e custeios (art. 7º, § 2º da Lei 7.040/15 e artigo 2º, parágrafo terceiro do Estatuto Social). 

Assinado pelos promotores de Justiça Vinicius Leal Cavalleiro, coordenador do GAESF/MPRJ, Karine Susan Gomes de Cuesta e Eduardo Rodrigues Campos, subcoordenadores do mesmo Grupo de Atuação Especializada, a ação pede à Justiça, em sede de tutela de urgência, que determine que a CFSEC se abstenha de realizar o pregão eletrônico nº 001/2017 – de homologar o resultado final deste ou ainda de realizar o contrato, a depender da etapa em que estiver o ato, quando da liminar – e que o Estado do Rio de Janeiro suspenda os repasses à CFSEC, bem como deixe de realizar despesas em nome dela. 

Outros pedidos que constam do documento são para que reconheça essa securitização como uma operação de crédito e, em virtude disso e da natureza dos recebíveis postos em jogo, que anule definitivamente a referida operação, caso ela venha a ocorrer. Requer também que a CFSEC seja declarada empresa pública dependente do Estado do Rio de Janeiro; que se declarem nulos todos os pagamentos, repasses e transferências orçamentárias e financeiras, efetuados pelo Estado do Rio, tendo como beneficiária a CFSEC, que ultrapassem os R$ 800 mil declarados como patrimônio; e que a companhia devolva ao tesouro estadual todos os valores recebidos além deste limite. 

(Des) governador Pezão: a face mais visível do projeto de extermínio do estado no Rio de Janeiro

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No meio da crise colossal que o Rio de Janeiro atravessa, vivemos um complexo jogo de espelhos onde nada é efetivamente o que parece, a começar pelo próprio processo que convencionamos denominar de “crise”.  A primeira coisa que precisa ser dita neste momento é que a crise nunca atingiu e nunca atingirá determinados segmentos, inclusive dentro do que se convenciona chamar de “funcionalismo público estadual”.   O problema é que se criou uma narrativa tão forte de que vivemos uma crise generalizada que é muito difícil discernir o que é real nela e o que apenas é fabricado para manter o plano estratégico sendo executado pelo (des) governo Pezão para ampliar o processo de privatização do que ainda resta do setor público fluminense.

A segunda coisa que precisa ser dita é que o jeito bisonho com que o (des) governador Luiz Fernando Pezão se comporta em público não passa de uma performance de um ator bem treinado. É que ninguém sai do completo anonimato em Barra do Pirai (simpática cidade encrava no sul fluminense e que possui uma população estimada de menos de 100 mil habitantes) para ficar em cargos chaves do executivo estadual por tanto tempo. Além disso, há que se lembrar que sob o comando de Pezão, as principais políticas engendradas por Sérgio Cabral continuam sendo exemplarmente executadas, a começar pela farra fiscal que já consumiu em torno de R$ 200  bilhões aos cofres públicos do Rio de Janeiro. Mas graças ao seu jeito aparentemente tíbio, o (des) governador Pezão continua fazendo o que bem lhe dá na telha. Ele ainda se permite vir a público para pedir seguidas desculpas por não pagar os salários dos servidores, sem que seja objeto de qualquer tipo de reação mais enérgica por parte de suas vítimas principais. Em suma, Luiz Fernando Pezão é uma peça central na estratégia de saque absoluto que está sendo executada sob a complacência de todos, a começar pelo Ministério Público Estadual e terminando nos principais sindicatos dos servidores públicos estaduais.

Por outro lado, como nem todos que vivem no Rio de Janeiro são tão bobos quanto Pezão e sua turma desejariam, o fato é que o PMDB fluminense está em um processo claro de desintegração. Esse fato foi agravado pela recente prisão dos três mandarins da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas já vinha ocorrendo, como ficou demonstrado na derrota eleitoral do apadrinhado e companheiro de ingestão de vinhos de Eduardo Paes, o inexpressivo deputado federal Pedro Paulo.

Mas como nenhum grupo político abandona o poder sem luta, o que no presente caso é agravado pela necessidade de manter o avanço do projeto estratégico, há que se começar um forte processo de organização política que permita à população varrer o PMDB não apenas do Palácio Guanabara, mas também da Alerj. E dada a fraqueza objetiva dos partidos que se dizem de oposição ao PMDB, a organização vai ter que ultrapassar os limites partidários e alcançar todo tipo de organização social que esteja disposta a se engajar na superação do projeto de rapinagem que foi e continua sendo aplicado no Rio de Janeiro. Falo aqui não apenas de sindicatos, movimentos sociais, mas também organizações de igrejas, independentes de afiliação.

Ou fazemos essa ampla mobilização em prol de um futuro melhor para o Rio de Janeiro ou nos defrontaremos com o mais completo caos. Qual será a escolha que faremos?

Ensaio contra a cegueira: ideologia antiestado X interesses do RJ

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Quem diz que para a ‘solucionática’ ideal basta aprofundar a austeridade, tem que ter a seriedade de dizer onde vai cortar sem afetar as políticas públicas. Todo o esforço relevante de reduzir despesas é inócuo diante do quadro de recessão e queda de receitas dessa magnitude

(…) penso que não cegámos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que, vendo, não veem” (José Saramago).

Por Bruno Leonardo Barth Sobral*

O cerne do problema fluminense envolve múltiplas dimensões associadas, em particular: os efeitos da debilidade produtiva e as disputas federativas sobre a arrecadação tributária; a lógica pouco federativa com que se conduziu o endividamento público estadual, somada ao sacrifício de ativos previdenciários; e a visão ideológica sobre a máquina pública, em que a busca de eficiência sem buscar eficácia tende a gerar não uma estrutura mais leve e enxuta e sim ampliar a desestruturação de uma máquina já desestruturada. Sendo que esse reforço da desestruturação é também imposto por uma relação contratual sob a ordem federativa (vide contrapartidas do acordo federal).

Nesse sentido, julgar que haja saída fácil é desconsiderar que o problema do Rio de Janeiro tem dimensões econômicas fundamentais. E pior, fica-se a reboque de denuncismos e perplexidades que se afastam de uma análise propositiva e se sustentam apenas em um discurso antiestado e de negação da política. Para isso ser evitado, é preciso que sejam superados consensos apriorísticos e arbitrários. Trata-se da caixa de ressonância de uma crise nacional profunda. A crise no Rio de Janeiro (e não do Rio de Janeiro!) é para ser entendida e tratada como sinalização de um sistema federativo em perigo. Essa é a essência da crise, esse é o cerne de toda luta. Centrando nisso, cariocas e fluminenses reassumirão seu protagonismo, ao invés de ser estigmatizados e humilhados em uma desorientação sem fim.

A falta de reflexão séria sobre economia fluminense e carioca faz acreditar recorrentemente em efeitos manada e manipuladores de expectativas. Uma falsa euforia feita de alimentação midiática de expectativas de mercado que, ao sabor do próprio ciclo econômico, ora gera um otimismo exagerado ora gera uma pessimismo exagerado. Diante disso, hoje, alguns formadores de opinião seguem com um discurso tolo de que a economia do Rio de Janeiro desperdiçou “anos de ouro” (bonança).

Assim, confunde-se desenvolvimento com balcão de negócios. Em muitos casos, isso beneficiou esses formadores de opinião seja por consultorias, seja por contratos de publicidade, seja por parcerias empresariais em algumas políticas. Por isso, agora é uma boa oportunidade para que se diferencie com mais rigor o que é ser um Estado facilitador de negócios e o que é ser um Estado planejador.

Aqueles que fazem o discurso dos “anos de ouro” desperdiçados insistem que o cerne do problema é gestão administrativa perdulária. Diferentemente, o cerne da questão se refere à falta de um sistema de planejamento econômico que garantisse uma estrutura sustentada de receitas. A falta de adensamento produtivo, vulgo “estrutura produtiva oca” do ponto de vista regional, continua sendo ausente na retórica dominante. Além disso, em plena crise federativa explicitada por uma severa recessão, nada é falado. Dessa forma, isola-se estrategicamente mais o Rio de Janeiro, fragilizando sua capacidade de articulação política para alternativas.

Nesse ínterim, não se deve aceitar que uma inversão de valores societários se realize por trás do discurso de austeridade. Um dos pressupostos de uma boa gestão pública é não só a busca de eficiência como de eficácia. Uma questão não está subentendida na outra. Pode ser eficiente e não ser eficaz, basta querer fazer certo o que não é certo.

Afinal, eficiência se pode obter por uma ação operacional, enquanto eficácia exige uma ação gerencial que tenha atenção ao resultado total sobre a qualidade do serviço público. O objetivo do atual governo estadual é a busca da eficiência tendo como principal meta reduzir o déficit público (no limite, eliminá-lo) o mais rápido possível. Para aqueles que acham que a crise financeira está no “tamanho” do Estado e de seus gastos de uma maneira geral, isso pode ser visto como o caminho certo.

O discurso da austeridade se torna enganoso quando permite dar salvo-conduto para um “enxugamento” da máquina de forma pouco criteriosa. Cabe alertar o quanto é falacioso associar “enxugamento” automaticamente com melhoramento da qualidade do serviço público. Em especial, na máquina fluminense que está desestruturada especificamente para o atendimento de atividades-fim. Essas atividades são trabalho-intensivas, logo, possuem gasto relevante com pessoal e são assumidas como despesas obrigatórias justamente porque são essenciais. Toda a atenção deve estar voltada para lutar para que esses gastos obrigatórios não sejam ignorados nem sejam tratados como facultativos.

Cabe destacar que, em 2016, o Estado do Rio de Janeiro foi aquele com a maior retração de arrecadação própria entre as unidades da federação, e esse ano até outubro de 2017, a receita tributária registra queda real. Como consequência, avolumam-se consideráveis restos a pagar e riscos reais de não cumprimento de mínimos constitucionais em áreas essenciais. Diante disso, o governo estadual só sabe reiterar que tudo se deve ao momento difícil, que sacrifícios são necessários e que a União é uma grande parceira (mesmo sem oferecer um real de orçamento federal ou revisão da dívida como fez com as empresas através do Refis em escala nacional).

Tal equívoco estratégico tem impactos socioeconômicos que o processo democrático não poderá impedir facilmente, dado que foi posto em um contrato assinado com a União passando por cima até do ciclo político-eleitoral. Contudo, insistir que a crise do Rio de Janeiro é por excesso de gastos é ser irresponsável. Quem diz que para a “solucionática” ideal basta aprofundar a austeridade, tem que ter a seriedade de dizer onde vai cortar de maneira significativa sem afetar as políticas públicas. Todo o esforço relevante de reduzir despesas é inócuo diante desse quadro de recessão e queda de receitas dessa magnitude.

Diante isso, devem ser revistos alguns pressupostos para evitar insistir em um ajuste fiscal que vem demonstrando não levar a lugar nenhum:

Primeiro, receita corrente não está dada para a tomada de decisão do gestor público. Na falta de conseguir inventar novos mecanismos irresponsáveis de receitas extraordinárias (como empréstimos lastreados em ativos a serem privatizados, antecipação de receitas futuras etc.), o dilema não se resume a escolha entre “sacrificar” duas categorias de gasto (por exemplo, entre segurança e educação ou entre previdência e investimento em ativos fixos). A retórica de que a falta de gasto em uma função é por excesso de gasto em outra função não tem validade universal e apriorística. O quanto se gasta em cada função depende de consenso social. A opção de impor sacrifício na maioria das vezes não é técnica e sim juízo de valor sobre área que deseja enfraquecer a responsabilidade pública direta.

Segundo, despesa e receita públicas não são variáveis independentes uma da outra. Ou seja, menos despesa muitas vezes pode levar a menos receita. Tratar como variáveis independentes entre si é não reconhecer por ideologia que o Estado é um agente econômico e julgá-lo mero “sugador” de recursos úteis da economia.

Terceiro, ajuste fiscal é meio e não fim. Logo, deve-se evitar uma visão etapista.  Ajuste fiscal não é etapa inicial, pois em si mesmo é uma busca de eficiência às cegas, não tem visão estratégica nem discute eficácia da política pública. Essas duas dimensões são fundamentais de serem somadas e têm especificidades próprias a serem observadas para que o interesse público seja discutido concretamente.

O diagnóstico não pode ser irresponsável e a recomendação de solução não pode ser demagogia para manipular o desespero das massas. Qualquer solução exige visão estratégica e retirar o Rio de Janeiro desse contexto de isolamento e humilhação federativa. A falácia da neutralidade técnica se explicita. Falência das políticas públicas é mais danoso que qualquer “risco moral”. Estado não é empresa, é coordenador de decisões. Sem isso, é caos. Não se pode oferecer veneno como remédio enquanto busca eficiência às cegas. Caso contrário, é fazer laboratório de teses com o sofrimento alheio.

Tudo que seus principais inimigos querem é tratar o Rio de Janeiro como contraexemplo para o país, que não se aceite essa infantilização estereotipada. Grifo, seus principais inimigos são quem usa essa retórica. O Rio não é contraexemplo! Ou nacionaliza-se essa crise e defende-se o lugar do Rio de Janeiro na federação ou deixarão seu povo isolado do resto do país, sendo sacrificado e expropriado sem dó enquanto se engalfinham em disputas políticas internas.

Convoco a sociedade a se mobilizar não apenas pela revolta e indignação, mas de forma propositiva. A estrutura de dominação que se está instalando vai muito além do que se pode imaginar. A gestão estadual não é mentirosa quando não cumpre o que promete. O governador é humilhado pela banca financeira e passa vergonha em Brasília. Aí o cerne da luta: defender os interesses fluminenses que nosso governador e assessores se mostram incapazes de fazer.

Crédito da foto da página inicial: Tânia Rêgo/Agência Brasil

* Bruno Leonardo Barth Sobral  é economista e professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, tendo doutorado pelo Instituto de Economia da Unicamp.

FONTE: http://brasildebate.com.br/ensaio-contra-a-cegueira-ideologia-antiestado-x-interesses-do-rj/#.WhxRd1Z0jeY.facebook

Apesar do (des) governo Pezão, a Uenf continua no topo do IGC do MEC

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Estou longe de ser um entusiasta dos muitos rankings universitários que foram criados para impor a mentalidade empresarial em instituições de ensino. Mas os resultados divulgados hoje (27/11) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) chegam num momento muito interessante por vários aspectos [1].

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O primeiro é que mantém a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) entre as 12 melhores instituições brasileiras no ensino de graduação, tendo a companhia no estado do Rio de Janeiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  Esse resultado é igualmente interessante no comparativo com as universidades estaduais, pois apenas a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está inclusa neste grupamento superior. Além disso, no estado do Rio de Janeiro apenas 4,8% das instituições alcançaram o mesmo grau 5 alcançado pela Uenf e pela UFRJ.

Este  resultado é ainda mais relevante se levarmos em conta que a Uenf não recebe suas verbas de custeio por parte do (des) governo Pezão desde Outubro de 2015 e, em função disso, possui hoje uma dívida em torno de R$ 30 milhões com empresas terceirizadas e fornecedores de insumos básicos. Além disso,  os professores e servidores da Uenf estão sem seus salários pagos regularmente, e a maioria ainda tem por receber os salários de Setembro e Outubro, além do 13o. salário de 2016. Mesma sorte ingrata sofrem a maioria dos estudantes que estão com bolsas acadêmicas atrasadas por até 3 meses.

Neste cenário não há como explicar o sucesso da Uenf no IGC do INEP se não pelo modelo institucional pioneira que foi imaginado por Darcy Ribeiro e levado com inegável dedicação por todos os que vêm construindo cotidianamente a instituição desde o início do seu funcionamento em 1993.

fabricaPor outro lado, os resultados gerais, a começar pelo grupo das 12 melhor colocadas, jogam na lata de lixo da história o relatório do Banco Mundial que comparava alhos e bugalhos para prescrever a cobrança de mensalidades nas universidades federais [2]. É que com raríssimas exceções, as universidades públicas concentram as melhores notas do IGC,enquanto que no grupo das piores estão essencialmente instituições privadas [3]. A razão para esta disparidade entre colocações se deve essencialmente ao fato de enquanto nas universidades públicas os estudantes estão expostos à tríade ensino-pesquisa-extensão, nas maioria das instituições privadas, há apenas a transferência (mesmo assim precária) de conteúdos muitas vezes ultrapassados. 

Agora retornando ao caso das universidades estaduais do Rio de Janeiro, esse resultado que não é de todo novidade apenas reforça a condição vexaminosa em que se encontra o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seus (des) secretários de Fazenda e de Ciência e Tecnologia que vêm impondo uma inaceitável asfixia financeira que ameaça implodir instituições de comprovada capacitadas. E que ninguém se engane, a situação imposta à Uenf e suas co-irmãs é de caso pensado, pois o custo operacional destas instituições é irrisória, especialmente se levarmos em conta as generosas isenções fiscais que têm sido concedidas à corporações multinacionais com resultados extremamente pífios em termos de geração de emprego e renda.

educaçao

A minha expectativa é que com esses resultados nas mãos, as reitorias das universidades públicas saiam da defensiva e partam para o ataque contra a tentativa de desmantelamento que vem sendo promovida contra elas pelos governo federal e seus satélites em diferentes estados da federação, com o exemplo mais sofrível e lamentável sendo o do Rio de Janeiro.

Por essas é que dizemos nas manifestações da comunidade universitária uenfiana: Pezão sai, Uenf fica!


[1] http://portal.inep.gov.br/indice-geral-de-cursos-igc-

[2] http://www.diretodaciencia.com/2017/11/27/relatorio-do-banco-mundial-compara-alhos-com-bugalhos-no-ensino-superior/

[3] https://exame.abril.com.br/carreira/as-piores-faculdades-do-brasil-segundo-ranking-do-mec/

A prisão cada vez mais curiosa de Anthony Garotinho: entre porretes e iguarias

Uma das vantagens que vejo de não estar filiado a nenhum grupo ou partido político é que posso enxergar as coisas com um melhor controle dos meus próprios filtros.  Isso tem me permitido ao longo dos anos ser consistente nas minhas posições, coisa que me parece fundamental em tempos em que muitos atores políticos jogam a consistência na lata do lixo ao sinal da primeira vantagem.

Pois bem,  por isso não tenho como deixar de considerar como cada vez mais curiosa a situação que envolve a prisão do ex-governador Anthony Garotinho e suas desventuras num sistema prisional controlado por inimigos políticos declarados. Fosse o Brasil um pais minimamente sério, Anthony Garotinho já teria sido colocado num programa federal de proteção de testemunhas, pois testemunha é no que ele se transformou ao denunciar os graves crimes cometidos contra os cofres estaduais por uma verdadeira alcateia de usurpadores de cargos públicos que dizem ser comandada pelo (ex) desgovernador Sérgio Cabral.  

Mas como estamos no Brasil e, mais especificamente, no Rio de Janeiro, Anthony Garotinho tem sido o alvo de uma consistente campanha de demonização que termina naquilo que se convencionou chamar de “prisão preventiva”, sem que se saibamos de qual prevenção se trata ou de quem está sendo prevenido.

Muitos dirão que Anthony Garotinho está onde merece estar por seus crimes. Se estivéssemos na França dos “Les Miserábles” de Victor Hugo ainda vá lá, mas supostamente não estamos.  Por isso, há que se examinar inclusive os diferentes movimentos da ópera esquisita da qual Anthony Garotinho é um participante para lá de relutante.   O primeiro  movimento, composto de duas partes, foi a decisão do juiz Glaucenir Silva de Oliveira da 98a. Zona Eleitoral de decretar a prisão de Anthony e Rosinha Garotinho e vários de seus associados.

Esta decisão foi seguida da sua declaração de impedimento para continuar julgando o caso. Depois disso, todos os meritíssimos juízes da mesma zona eleitoral se declararam impedidos por variadas razões de julgarem o caso.  Tal alinhamento entre juízes só foi visto em Campos dos Goytacazes no famigerado caso das “Meninas de Guarus” quando todos os meritíssimos da cidade se declararam impedidos. Mas neste caso, a postura dos juízes da 98a. Zona Eleitoral foi o retorno ao caso da Operação Chequinho, agora na condição de juiz tabelar, do juiz Ralph Machado Manhães, o qual já havia determinado uma prisão anterior para Anthony Garotinho.

De volta ao caso, o que decide o juiz Ralph Manhães sobre onde deveria ser enviado Anthony Garotinho para cumprir sua prisão preventiva?  Na Cadeia Pública José Frederico Marques onde estão encarcerados inimigos políticos de Anthony Garotinho, a começar pelo ex( des) governador Sérgio Cabral e dos deputados Jorge Pìcciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, que foram repetidamente denunciados nos programas radiofônicos e no blog do ex-governador.  Essa decisão me pareceu, no mínimo temerária, visto as provas evidentes de que a turma de Sérgio Cabral tem total controle sobre o que se passa dentro da Cadeia de Benfica.  Se alguém tem alguma dúvida sobre isso,  elas provavelmente desaparecerão ao se ver o vídeo abaixo que trata de uma inspeção surpresa do Ministério Público na cela (cela?) de Sérgio Cabral, onde foram encontradas as mais variadas iguarias, próprias dos restaurantes de luxo ao qual o ex-menino de ouro da mídia corporativa fluminense se acostumou a frequentar.

Erro
Este vídeo não existe

O segundo movimento desta ópera bufa foi o suposto ataque que Anthony Garotinho teria sofrido dentro de sua cela da unidade prisional para onde foi enviado pelo juiz Ralph Manhães (ver fotos abaixo que mostram os ferimentos encontrados em visita ao Instituto Médico Legal).

Rapidamente se espalhou um vídeo para mostrar que ninguém entrou na sala de Anthony Garotinho. Quem divulgou as imagens se esqueceu apenas de mencionar um “pequeno” detalhe: uma lacuna de DUAS HORAS nas filmagens. A explicação dada é que as câmeras usadas no presídio só são acionadas quando há algum movimento. Mas, sinceramente, quem em boa consciência acredita numa versão oferecida por fontes ligadas ao (des) governo Pezão que também sofrendo com as denúncias de Anthony Garotinho? De minha parte, que tomei muito pisão quando ainda jogava futebol, os ferimentos no pé de Anthony Garotinho são muito semelhantes ao que sofria ao ser pisado com vontade por adversários que usavam chuteiras.

O terceiro movimento veio com a decisão de remover Anthony Garotinho para o complexo prisional de Bangu onde ele ficará, ao que se diz, em celas monitoradas por câmeras que funcionam durante todas as 24 horas do dia. Aí uma pergunta que clama por explicações: por que esse mesmo tipo de câmera não foi instalado em Benfica? Provavelmente para que iguarias e outras benesses das quais Sérgio Cabral desfruta pudessem continuar chegando às mãos dos prisioneiros de luxo que ali se encontram. Ou será que não?

Diante de todos esses movimentos que ninguém se surpreenda se Anthony Garotinho seja beneficiado por habeas corpus emitido em Brasília. É que todas as curiosidades que foram aqui apontadas fazem parte de uma disputa que coloca em diferentes polos até frações do judiciário. Daí que Anthony Garotinho ser beneficiado por um habeas corpus faz total sentido e é quase um desdobramento natural dessa disputa.

Resta ver o que acontecerá quando Anthony Garotinho sair de Bangu. Se ele cumprir o que já prometeu, seremos premiados com mais denúncias contra atores que se beneficiaram da amizade e da proximidade com Sérgio Cabral e seu grupo de usuários de guardanapos na cabeça. A ver!

 

Gustavo Tutuca é a prova final de que nada é tão ruim que não possa piorar

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Uma das muitas “leis” de Murphy é aquela que aponta que “nada é tão ruim que não possa piorar”. Pois bem, essa parece ser a situação do PMDB na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que teve 3 dos seus mandarins presos pelo susposto envolvimento em atividades, digamos, pouco republicanas.

Eis que premido pela absoluta falta de mandarins, o PMDB decidiu nomear o inexpressivo deputado Gustavo Tutuca, inimigo declarado das universidades estaduais, para liderar sua bancada na Alerj.

tutuca

Quem conhece minimamente as coisas dentro da Alerj está careca de saber que a principal e talvez única qualidade é ser conterrâneo do (des) governador Luiz Fernando Pezão.  Afora esse pequeno, mas crucial detalhe, a ação parlamentar de Gustavo Tutuca é totalmente equivalente àquela que demonstrou nas suas passagens pela pasta que controla a ciência e tecnologia, qual seja, absolutamente nula.

Um mérito, talvez único, é que a permanência de Gustavo Tutuca na Alerj vai forçar a que o (des) governador Pezão indique outra pessoa para liderar a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social. Essa mudança pode até não dar em nada, e provavelmente não dará, mas pelo menos as universidades estaduais não terão um inimigo declarado como seu secretário. Pode não parecer muito, mas é.

Quanto ao PMDB, esse parece ser o grande perdedor. Mas, convenhamos, a essas alturas quem é que se preocupa com o partido que ajudou a afundar o Rio de Janeiro e o Brasil nesse imenso lodaçal em que estamos todos atolados?

UENF realiza Supera Rio e Marcha pela Ciência

SUPERA MARCHA

Com a presença de deputados fluminenses, será realizado na próxima sexta-feira, 24/11/17, às 14h, no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o Supera Rio UENF, evento promovido pelo Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado, órgão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O tema do evento será “A Universidade pública como ferramenta para o desenvolvimento social e econômico”. 

Composto por 44 entidades – dentre elas a Uenf – , o Fórum foi criado em 2003 com o objetivo de promover inovações a partir da interação constante entre academia, setor produtivo e o Poder Legislativo. O Fórum foi criado para conectar iniciativas, promover debates e criar uma agenda comum que reúna academia, sociedade civil organizada e o parlamento fluminense, com foco na promoção do desenvolvimento econômico, social e ambiental do estado. 

Logo após o encerramento do Supera Rio UENF será realizada a primeira edição local da “Marcha pela Ciência”. É importante frisar que este é um momento crítico para as universidades públicas brasileiras e o caminho sendo traçado pelos governos de Michel Temer e Luiz Fernando Pezão comprometem o nosso futuro como sociedade e afeta duramente a soberania do Brasil e do Rio de Janeiro que passa fundamentalmente pelo fortalecimento da Educação e da Ciência.

A volta dos mandarins da Alerj para a cadeia como mera cortina de fumaça

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Durou pouco a alegria dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Já devolvidos ao cárcere privilegiado de Benfica onde também está o ex (des) governador Sérgio Cabral, os três mandarins da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro talvez nem fiquem por lá muito tempo. Mas o estrago já está feito e seus animados correligionários agora devem ter voltado ao estado de pânico que os levou a tentar colocar em liberdade o trio de mandarins do PMDB.

A situação do Rio de Janeiro, ao contrário do que possa parecer, não vai melhorar um milímetro com o imbróglio jurídico-policial que circunda os três mandarins. É que enquanto muitos se alegram com a imagem de vê-los presos, a engrenagem ultraneoliberal que está sendo imposta sobre os pobres mortais que habitam esse belo e tripudiado trecho do território brasileiro continua avançando firmemente. 

E o tal do Regime de Recuperação Fiscal, principal instrumento da anulação da autonomia dos entes federados continua se movendo no sentido de tornar o Rio de Janeiro e sua população em meros peões no tabuleiro geopolítico que hoje busca retornar o Brasil à sua condição de mera colônia dos interesses imperialistas. Ignorar essa situação em nome de um sentimento de vingança pessoal contra Picciani, Melo e Albertassi é um daqueles graves equívocos que somos todos tentados a cometer em nome da auto satisfação em face de injustiças sofridas ou percebidas.

Em minha modesta opinião, o circo montado em torno dos três mandarins é mero distracionismo. É a velha tática do boi de piranha, onde enquanto somos distraídos pela chicana jurídico-policial, as receitas ultraneoliberais continuam sendo aplicadas de forma tão impiedosa quanto metodicamente.

Aos que verdadeiramente desejam uma mudança no estado de coisas que perdura no Rio de Janeiro neste momento é preciso lembrar-se do que está realmente em jogo para que não nos percamos nesse jogo de cortinas de fumaça em que fomos postos.  Há que se lembrar, por exemplo, que apesar de todas as evidências que a farra fiscal foi utilizada para fornecer vantagens para ocupantes de cargos eletivos, ainda não houve uma decisão judicial que anulação uma mísera concessão de benefícios fiscais que fosse.  Além disso, a estranhíssima privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) que foi aprovada a toque de caixa pela Alerj segue avançando sem que nenhuma decisão judicial a interrompa, mesmo que se saiba do papel estratégico que foi cumprido por Jorge Picciani e os outros dois deputados em sua aprovação.

Assim há que se evitar a cortina de fumaça para que se ataque não personagens, mas as engrenagens que eles colocam em funcionamento, mesmo de dentro do cárcere de luxo que foi montado para garantir que façam sua dose de sacrifício pessoal de forma obsequiosa.