Aditivos plásticos no oceano podem afetar organismos marinhos mesmo em baixas concentrações

Bisfenol-A, presente em itens plásticos do cotidiano desde os anos 1950, é um dos compostos mais estudados. Foto: Naja Bertolt Jensen / Unsplash 

Agência BORI

A maioria dos aditivos comuns em plásticos de uso doméstico e industrial apresenta alta toxicidade para organismos marinhos, mostra artigo publicado na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências na sexta (7). A partir da revisão de literatura científica, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) verificaram que essas substâncias, usadas para conferir aos produtos plásticos características como flexibilidade ou resistência ao calor, apresentam um potencial tóxico mesmo em concentrações baixíssimas.

O estudo analisou 25 artigos científicos que investigaram efeitos tóxicos de substâncias como bisfenol-A (BPA), alquilfenóis e ftalatos em organismos marinhos. Para quantificar a toxicidade, os pesquisadores analisaram parâmetros como a Concentração de Efeito Mais Baixa Observada (LOEC) e a concentração que causa efeitos ou morte em 50% dos organismos testados (EC50/LC50). O estudo identificou padrões preocupantes, com limiares de efeito na ordem de microgramas por litro (µg/L).

O bisfenol-A (BPA) foi um dos compostos mais estudados. Comum desde os anos 1950 em recipientes domésticos reutilizáveis, por exemplo, seus efeitos tóxicos começam a partir de 0,1 µg/L, atingindo organismos sensíveis como o mexilhão e a bolacha-do-mar. Ele é encontrado em concentrações medianas de 0,022 µg/L em ambientes costeiros, mas algumas regiões estudadas chegam a registrar até 4,8 µg/L, valor 4700% acima do limiar tóxico.

Segundo Denis Moledo de Souza Abessa, pesquisador do Instituto de Biociências da Unesp e coautor do trabalho, a presença do BPA nos ambientes marinhos se dá principalmente pelo esgoto, pois não é removido completamente em estações de tratamento.

Outro composto, o BPAF, criado como alternativa ao BPA, mostrou toxicidade semelhante, com alterações comportamentais em peixes a partir de 0,61 µg/L. Os alquilfenóis, como o nonilfenol (NP) e o octilfenol (OP), usados na fabricação de detergentes, cosméticos e produtos agrícolas, também se destacam pela alta toxicidade e tendência a se acumular nos tecidos animais. Concentrações máximas de NP de 4,1 µg/L foram relatadas em regiões estuarinas, áreas de transição entre rios e o mar. Esse valor é mais de quatro vezes superior ao nível considerado tóxico para embriões de ouriços-do-mar, que é de 0,937 µg/L.

As substâncias per e polifluoroalquil (PFAS), amplamente utilizadas em utensílios de cozinha antiaderentes, foram os únicos aditivos revisados com efeitos tóxicos em concentrações mais elevadas, na faixa de miligramas por litro. Ainda assim, são motivo de preocupação devido à sua persistência ambiental, ou seja, pela dificuldade de biodegradação.

Segundo Abessa, boa parte desses compostos é desreguladora do sistema endócrino. “Em locais contaminados por esgoto ou próximos a lixões, as concentrações ambientais já podem ser suficientes para causar desregulação hormonal em organismos aquáticos”, diz o pesquisador. Ele alerta ainda para riscos à saúde humana. Como os plásticos tendem a se acumular no fundo do oceano, a liberação e concentração desses químicos no sedimento marinho com antibióticos e outros compostos tóxicos criam um ambiente propício à seleção de superbactérias.

Além disso, muitos dos químicos podem se acumular em tecidos e chegar aos humanos. “Os alquilfenóis, por exemplo, têm afinidade por gorduras e tendem a se acumular nos tecidos de organismos marinhos, passando pela cadeia alimentar até chegar a predadores maiores, como atuns, robalos e tubarões, espécies que o ser humano consome”, explica Abessa.

Os autores concluem que as evidências disponíveis já indicam um potencial de risco ambiental significativo, mas destacam que os dados ainda são insuficientes para definir limites seguros de exposição. “Mesmo com poucos estudos, já se observa que as concentrações ambientais de alguns desses compostos podem atingir níveis capazes de causar alterações biológicas. Isso reforça a urgência de novas investigações e de políticas mais rigorosas de controle e regulação”, finaliza o pesquisador.


Fonte: Agência Bori

Pequenos microplásticos inundam a costa nordeste da Venezuela

O estudo também encontrou microplásticos menores que cinco micrômetros do Caribe ao Ártico, Esses materiais afetam a nutrição correta dos peixes para consumo humano. .Polímeros minúsculos resultam da fragmentação de plásticos maiores

microplasticos-Venezuela-996x567Os resíduos plásticos prejudicam corpos d’água em todo o mundo, mas há um risco maior: microplásticos menores que 5 micrômetros, invisíveis aos olhos. Crédito da imagem: rorozoa/Freepik .

Um estudo publicado este mês na revista Marine Pollution Bulletin revela que 60% do plástico encontrado em amostras de água são partículas menores que cinco micrômetros, uma unidade de medida mil vezes menor que um milímetro.

Em aproximadamente onze a quinze litros de três locais – perto do rio Manzanares, na costa nordeste da Venezuela, do Mar Chukchi, no Oceano Pacífico Ártico, e da Corrente do Golfo entre a Flórida e Nova Iorque – foram encontradas 304 partículas.

Nenhum deles tinha mais de 53 micrômetros, e o material da Venezuela revelou-se aproximadamente dez vezes mais numeroso do que nas outras regiões. Segundo o estudo, muito provavelmente por se tratar de uma região costeira com maior atividade humana.

“ “[…] pedaços maiores de plástico provavelmente estão se decompondo e se degradando no meio ambiente, produzindo partículas menores que também se decompõem .”

Luis Medina Faull, Escola de Ciências Marinhas e Atmosféricas, Stony Brook University, Estados Unidos

Essa constatação contrasta com pesquisas anteriores que conseguiram capturar partículas maiores que 300 micrômetros com mais facilidade, devido às técnicas de análise utilizadas.

“Os polímeros mais abundantes foram o polipropileno (PP), o poliestireno (PS) e o tereftalato de polietileno (PET), em linha com a composição dos resíduos plásticos gerados em todo o mundo”, destaca a equipe.

Segundo o biólogo marinho Luis Medina Faull, primeiro autor do trabalho que é vinculado à Universidade Stony Brook de Nova York, Estados Unidos, a hipótese principal é que este material muito pequeno seja resultado da fragmentação de plásticos maiores que tenha estado na natureza durante mais tempo.

“Após análise, é mais provável que pedaços maiores de plástico estejam se fragmentando e se degradando no meio ambiente , produzindo partículas menores que também se decompõem”, explica Faull.

Geralmente, as técnicas disponíveis filtram a água e utilizam reações químicas para identificar os elementos, que não são perceptíveis ao olho humano. Isso geralmente funciona com partículas maiores de plástico.

Porém, plásticos menores que 300 micrômetros se misturam a outros elementos, como a matéria orgânica, o que dificulta muito sua identificação. Os cientistas também utilizaram uma metodologia específica de laser para fazer o material reagir à luz e assim conseguir identificá-lo.

“Do ponto de vista biológico, essas partículas menores representam um risco maior que as maiores, porque podem aderir, por exemplo, a bactérias patogênicas, transportando-as pelo caminho. Pedaços maiores de plástico se acumulam e bloqueiam os órgãos dos peixes, citando outra situação, mas partículas menores podem passar pelos tecidos”, alerta Faull.

Na Venezuela, um estudo de 2023 publicado na Revista de Biologia Tropical já havia encontrado no estado de Sucre – mesmo local de coleta do estudo do Boletim de Poluição Marinha – microplásticos menores que um milímetro em cerca de 600 de um total de 800 espécimes analisados ​​de um espécie de peixe amplamente comercializada para consumo humano, Sardinella aurita .

“Provavelmente, a maior parte dos materiais plásticos que inundam os ambientes marinhos são esses muito pequenos, mais difíceis de filtrar em amostras. O animal ingere muitas dessas partículas pela água, e estas dão a impressão de que o peixe está satisfeito. Ou seja, leva à má nutrição do animal”, alerta Ivis Fermín, autor do estudo sobre a Sardinella e investigador do Instituto Oceanográfico Venezuelano da Universidade de Oriente.

Com a investigação de 2024 a alertar que os plásticos maiores estão a fragmentar-se, é provável que vários países latino-americanos também enfrentem a mesma situação. Na Corrente do Golfo, por exemplo, a água é transportada para norte, o que contribui para a dispersão de materiais.

Um relatório de 2023 do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que até 2021, Brasil, México, Argentina, Venezuela e Colômbia foram os países que mais produziram materiais sólidos por ano, incluindo plásticos. Muitos deles desembocam em rios que deságuam no mar, como o Manzanares.

O engenheiro Joaquín Benítez Maal, diretor de Sustentabilidade Ambiental da Universidade Católica Andrés Bello, na Venezuela, que não participou do estudo de 2024, alerta que é preciso reduzir o uso de plásticos de descarte rápido e melhorar a coleta de lixo urbano .

“É necessário um grande investimento para que esse material chegue a aterros bem administrados. E, claro, a reciclagem deve se tornar um hábito diário nas cidades ”, enfatiza.

Embora a reciclagem deva ser uma atividade rotineira, apenas 2% do lixo venezuelano é separado e reciclado corretamente, segundo dados de 2022 da ONG Transparência Venezuela.

“Se encontrarmos tantas partículas pequenas em quase quinze litros de água, encontrando entre cinco e seis vezes mais elementos do que em estudos anteriores, é possível estimar a quantidade em volumes maiores. Educar as pessoas é importante, mas a indústria do plástico deve ser a principal responsável”, alerta Faull.

Link para o estudo no  Marina Pollution Bulletin


Este artigo foi produzido pela edição América Latina e Caribe do  SciDev.Net [Aqui!].

Pesquisa sobre microplástico dispara no Brasil; tema se tornou um dos principais na área de Oceanos

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Foto: Soren Funk/ Unplash

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Em seis anos (2017 a 2022), o número de pesquisas no Brasil sobre “microplástico” aumentou 560%. O tema insere-se num universo de mais de oito mil artigos sobre oceanos publicados por instituições brasileiras no período. Os dados estão em relatório inédito lançado na segunda (5) pela editora científica Elsevier com a Bori. O documento inaugura a parceria entre Elsevier e Bori no sentido de analisar, periodicamente, dados da produção científica brasileira e disponibilizá-los a jornalistas.

A pesquisa faz um mapeamento da produção científica do Brasil sobre os oceanos, de 2017 a 2022, com uso das ferramentas Scopus e SciVal, essa última desenvolvida pela Elsevier, que mapeia publicações científicas em documentos públicos utilizados em tomadas de decisão mundo afora. A ideia é entender o foco que a ciência brasileira dá ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14), “Vida abaixo da água”, da Organização das Nações Unidas (ONU), já que o Brasil tem uma das maiores zonas costeiras do mundo, com 8 mil quilômetros de extensão em linha contínua de costa.

O documento mostra que, de 2012 a 2021, houve um crescimento de 12% ao ano nas publicações brasileiras sobre Oceanos. Além do tema “microplástico”, os temas “seashore” (costa marinha), “aquaculture” (aquicultura) e “Oreochromis Niloticus” (tilápia) compõem a lista de temas mais relevantes dos artigos produzidos por pesquisadores brasileiros relacionados ao ODS 14. Apesar de aparecerem em 2.000 (seashore), 1.230 (aquaculture) e 562 (Oreochromis Niloticus) artigos, a referência a esses temas diminuiu – principalmente a partir de 2021.

A possibilidade de relacionar o conteúdo de publicações científicas com Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) tem trazido informações importantes sobre os alvos de pesquisa em regiões ou instituições, segundo aponta Carlos Henrique de Brito Cruz, Vice-presidente Sênior de redes de Pesquisa da Elsevier. Ele observa que, no caso brasileiro, há um crescimento acima da média do país em estudos sobre o ODS 14. “Este crescimento mostra como a comunidade científica no país tem escolhido focalizar seus esforços em temas de grande relevância para o avanço do conhecimento e, ao mesmo tempo, para os objetivos de sustentabilidade planetária”.

Na 11ª posição mundial entre países que mais publicam estudos sobre oceanos, o Brasil tem uma pesquisa com importância internacional: cerca de 40% das publicações são fruto de colaborações com instituições de pesquisa estrangeiras. Além disso, elas alcançaram um impacto de citações 2% acima da média mundial de citações.

Esse é o caso do artigo Studies of the effects of microplastics on aquatic organisms: What do we know and where should we focus our efforts in the future?, publicado em 2018 na revista “Science of the Total Environment”. Com colaboração brasileira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), e autoria de pesquisadores das universidades da Suécia, de Aveiro, em Portugal, e de Queensland, na Austrália, o trabalho é uma das cinco publicações mundiais mais citadas sobre microplástico. Seu impacto de citações normalizado é igual a 7,79, ou seja, 679% acima da média mundial de citações, que é 1. O impacto de citações é medido pela quantidade de vezes que um artigo científico é mencionado em outras publicações do mesmo tipo, disciplina e ano de publicação.

A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), Santa Catarina (UFSC) e de Rio Grande (FURG) são as instituições que mais publicaram pesquisas sobre oceanos nos cinco anos analisados, reunindo mais de 3 mil publicações. Em seguida, aparecem as universidades federais do Paraná (UFPR), Fluminense (UFF), Pernambuco (UFPE) e Ceará (UFC). A maioria dos estudos são das áreas de agricultura (57%), ciências ambientais (42%) e ciências da terra (25%).

Os impactos da pesquisa em políticas públicas

Os dados dão, ainda, uma dimensão sobre o impacto da pesquisa brasileira sobre oceanos em políticas públicas: 4.8% dos 8 mil artigos foram citados e embasaram tomadas de decisão sobre proteção de oceanos. Grande parte das menções aos estudos foram feitas pela FAO (Food and Agriculture Organization), União Europeia e United Nations Environment Programme.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

O futuro que as rochas de plástico nos indicam

unnamed (16)Ilha de Trindade/Foto Marinha do Brasil

Por Ademilson Zamboni*

A notícia de rochas formadas por detritos plásticos na Ilha de Trindade (litoral do Espírito Santo) acende, na sociedade, o espanto sobre os impactos da poluição marinha sobre o meio ambiente. A descoberta foi feita por cientistas que, em artigo publicado no periódico Marine Pollution Bulletin, demonstraram como a poluição por plásticos nos mares está afetando padrões geológicos, modificando até formações rochosas.

A partir da coleta de rochas compostas por plásticos, numa reserva marinha a 1.140 quilômetros de Vitória (ES), foi possível observar os impactos da ação humana e, ao mesmo tempo, reconhecer um dos problemas ambientais mais graves e complexos do mundo contemporâneo: a produção excessiva de plásticos – sobretudo, os chamados descartáveis de uso único. O Brasil produz mais de 2,95 milhões de toneladas desse material por ano.

A Oceana e a comunidade científica internacional vêm demonstrando os riscos desses poluentes sobre o ecossistema marinho. No Brasil, estudos mostram que um em cada dez animais marinhos que ingerem plástico morrem, e que ele é responsável por 70% do lixo encontrado nas praias. São mais de 325 mil toneladas lançadas no mar anualmente.

A Ilha de Trindade é um local remoto, monumento natural que integra um território marítimo abundante de recursos naturais, berço de espécies singulares. Próximo ao local, onde a cientista Fernanda Avelar Santos identificou tais formações, há um berçário de tartarugas-verdes (Chelonia mydas). Trata-se, portanto, de um ecossistema vulnerável que se encontra impactado por esses poluentes levados pelas correntes marinhas.

Os impactos das rochas “não-naturais” da Ilha de Trindade que nasceram dessa imensa massa de plástico precisam ser melhor investigados. Mas já sabemos que esses derivados do petróleo afetam a biodiversidade marinha, que ingere os fragmentos, e pode trazer riscos também para a saúde por meio dos microplásticos já encontrados em fetos, placenta, no sangue e no pulmão humanos.

Essa formação rochosa híbrida está associada à queima de detritos plásticos em locais à beira-mar. Uma vez derretido, forma-se o chamado “cimento plástico”, que se mistura a sedimentos naturais, como cascalho, areia e rochas vulcânicas.

A Oceana trabalha pela diversidade e abundância da vida marinha e temos certeza que, para reverter o quadro de poluição que inunda os nossos oceanos, precisamos reduzir a produção e oferta de itens descartáveis, desnecessários e problemáticos.

Essa abordagem está alinhada com os princípios da Economia Circular e abre espaço para o desenvolvimento de negócios inovadores, novas tecnologias e mercados que favorecem a reutilização de embalagens e a posterior redução do descarte no meio ambiente, parte crucial da solução para a poluição plástica.

A base dessa mudança é uma demanda da sociedade brasileira e sustenta o Projeto de Lei (PL) 2524/2022, que aguarda por uma tramitação urgente no Senado Federal. Uma pesquisa nacional realizada pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) em 2021, a pedido da Oceana, revelou que 68% da população brasileira consideram que a poluição por plástico no meio ambiente diminuirá se o Congresso aprovar uma lei restringindo a produção de descartáveis, enquanto 92% dos respondentes entendem a poluição plástica como muito problemática para o meio ambiente.

As rochas de plástico da Ilha de Trindade possuem no mínimo vinte anos de existência e indicam um futuro diante dos nossos olhos no qual – em breve – seremos tragados por esse mar de detritos que, ironicamente, foram feitos para durar alguns minutos nas mãos ávidas dos tempos modernos, mas seguem, sem pressa, atravessando fronteiras e devastando a natureza.

Ademilson Zamboni é  Diretor-geral da Oceana, oceanólogo, Mestre e Doutor em Engenharia Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e diretor-geral da Oceana no Brasil.


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Este texto foi originalmente publicado pelo site Oeco [Aqui!].

Vale causa poluição e tem terminal interditado na Baía de Sepetiba, RJ

Prefeitura de Mangaratiba (RJ) interdita obra irregular no Terminal da Vale

Do Rio de Janeiro

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A Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Mangaratiba (SMMA), com apoio do Grupamento de Proteção Ambiental da Guarda Municipal (GPA), interditou nesta terça-feira (18) uma obra irregular no Terminal da VALE, na Ilha Guaíba. A intervenção estrutural, que acontecia no píer e na ponte, não possuía nenhuma autorização ambiental para ser executada.

A equipe de fiscalização promoveu a paralisação da obra após a mesma ser denunciada por uma equipe da TV Globo, durante reportagem exibida na última segunda-feira pelo RJTV. Para executar reformas estruturais em área marítima, a VALE, que tem sua licença ambiental vencida desde 2011, deveria apresentar, obrigatoriamente, um parecer técnico emitido pelo INEA autorizando a reforma, conforme preconiza a condicionante de n° 22 da referida licença.

Fotos da Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba/ RJ

Além da empresa não apresentar a autorização da obra de manutenção sobre o espelho d’água, o GPA e a equipe da SMMA ainda flagraram operários trabalhando em andaimes indevidamente instalados na estrutura do píer.

“Não temos nenhum interesse em prejudicar as atividades da VALE, mas, temos compromisso com o meio ambiente, a biodiversidade marinha e com a saúde pública, já que muitas pessoas se alimentam do pescado da nossa região. Uma obra irregular, pode impactar a vida marinha, poluindo a água e prejudicando as espécies. Como se já não bastasse a operação de terminal cuja a licença está vencida desde 2011 e num processo de renovação que não termina nunca, a empresa insiste em desrespeitar as leis e a natureza, que é nosso maior patrimônio. Com base nas leis em vigor, não vamos baixar a guarda”, explicou o Secretário de Meio Ambiente, Antonio Marcos Barreto.

Imbróglio se estende desde 2019

Desde 2019, a Prefeitura de Mangaratiba vem promovendo fiscalizações constantes nas atividades realizadas pelo terminal da VALE. Neste tempo, devido aos flagrantes de crime ambiental e licença de operação pendente, a SMMA já realizou três interdições e aplicou mais de R$ 55 milhões de reais em multas ambientais à companhia. A empresa judicializou todas as sanções ambientais e administrativas impetradas contra ela, e segue com suas operações de exportação de minério no Terminal da Ilha Guaíba causando comprovada poluição.

Recentemente, em uma análise solicitada pelo Ministério Público Federal, a Secretaria de Meio Ambiente emitiu um parecer técnico de 62 páginas que evidenciam a poluição no entorno do terminal da Ilha Guaíba. Amostras coletadas e analisadas por um laboratório especializado credenciado pelo INEA, e atestado por 12 técnicos especialistas da SMMA, apontam concentração de metais pesados e outros componentes 5.600 vezes superior dos parâmetros internacionais aceitáveis em mexilhões e moluscos, capturados no mar de Mangaratiba e comumente consumidos pela população. A sobrecarga de metais também foi identificada em peixes, praias, efluentes, e outros.

As análises foram comparadas com as referências da empresa americana The Food and Drug Administration (FDA), que é uma espécie de Agência Nacional de Vigilância Sanitária e referência mundial em pesquisas e parâmetros de saúde pública.

O parecer técnico, finalizado em dezembro de 2021, foi submetido a análise do Ministério Público Federal e Estadual, INEA, IBAMA e a Câmara Municipal solicitando providências urgentes.

Plurale procurou a Vale, através da sua assessoria de imprensa,que enviou este posicionamento:

“A Vale esclarece que a obra que está sendo realizada na ponte que dá acesso ao píer do Terminal Ilha Guaíba (TIG) não afeta suas operações. Trata-se de uma intervenção de manutenção, previamente comunicada ao órgão licenciador competente, com previsão de conclusão no segundo semestre deste ano. A Vale não medirá esforços para adotar as medidas cabíveis para retomar a obra.

Diferentemente do que indica o parecer técnico apresentado pela prefeitura, não é possível concluir que as atividades da Vale são responsáveis pelos impactos ambientais na região, alegados pela municipalidade, o que será demonstrado no curso das investigações.

A Vale ressalta ainda que a Licença Ambiental de Operação do Terminal da Ilha Guaíba, permanece válida e vigente e que atua de acordo com as diretrizes estabelecidas na legislação e pelo órgão ambiental licenciador.”

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Este texto foi inicialmente publicado pelo site “Plurale” [Aqui!].

Como o uso de máscaras pode interferir no meio ambiente

mascarasGary Stokes, co-fundador da organização de conservação dos ambientes marinhos OceansAsia, mostra máscaras cirúrgicas que surgiram nas praias das Ilhas de Soko, após o aparecimento da pandemia de COVID-19 em Hong Kong.

Por Fernanda Sales,  Gerente de Hotelaria Hospitalar, do  Grupo ProntoBaby

No dia 05 de julho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data tem como objetivo principal chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e a importância de preservar os recursos naturais.

Em meio à pandemia do novo coronavírus , o uso de máscaras evita o contágio da doença. No entanto, o seu descarte, muitas vezes, é feito de forma incorreta pela população, sem a preocupação de um correto acondicionamento, o que pode torná-las prejudiciais ao meio ambiente. Os resíduos podem chegar aos mares, rios e esgotos.

O descarte inadequado ameaça a vida marinha e humana, ocasionando entupimentos, contaminação dos corpos hídricos, poluição visual e criação de um ambiente propício à disseminação de outras doenças, o que pode gerar uma contaminação ambiental mais ampla.

Vale ressaltar que não foi descartada a possibilidade do vírus sobreviver na água e no solo. Mesmo com uma menor contaminação, ao entrar em contato com esses resíduos, pessoas e animais podem desenvolver a doença, tornando-se também transmissores.

O descarte inadequado das máscaras, hoje usadas por muitas pessoas devido à emergência sanitária, está levando a novos riscos concretos de poluição marinha, já que a maioria dessas máscaras contém ou é feita de polipropileno, que não se rompe rapidamente.

Diante desse cenário, as organizações não podem deixar de pensar na segurança dos seus colaboradores. No devem esquecer a responsabilidade social e ambiental de destinar e dispor corretamente os resíduos, evitando que contribuam ainda mais para a degradação do meio ambiente.

O grupo Prontobaby se preocupa em garantir a segurança dos seus pacientes e funcionários, prestando um serviço seguro de descarte de insumos utilizados nos hospitais da rede, como luvas, capotes, máscaras e resíduos oriundos da pandemia. O intuito é seguir as normas da Organização Mundial de Saúde e ANVISA para manter o ambiente hospitalar seguro.

“Onda de lama” deve se espalhar e atingir cerca de 10 mil km² do litoral capixaba

De acordo com o biólogo André Ruschi, já é possível prever os danos ambientais. Segundo André, assim que chegar ao mar, a lama deve atingir cerca de 10 mil km2 do litoral do ES

Folha Vitória

Previsão é de que assim que a lama tóxica atingir o mar, deva atingir cerca de 10 mil quilômetros quadrados (Crédito: Arte Folha Vitória)
Previsão é de que assim que a lama tóxica atingir o mar, deva atingir cerca de 10 mil km quadrados Foto: Arte Folha Vitória

De acordo com o biólogo diretor da Estação Biologia Marinha Ruschi, André Ruschi, já é possível prever os danos ambientais causados pela lama tóxica. Em uma publicação em sua página na rede social Facebook, André explica que assim que chegar ao mar, a lama deve atingir cerca de 10 mil quilômetros quadrados do litoral capixaba.

Poluição de lama que deve desaguar em Linhares trás poluentes que irão para o mar (Crédito: Giovani Pagotto)
Poluição de lama que deve desaguar em Linhares trás poluentes que irão para o mar Foto: Giovani Pagotto

“Esta sopa de lama tóxica que desce no Rio Doce e descerá por alguns anos toda vez que houver chuvas fortes e irá para a região litorânea do ES, espalhando-se por uns 3.000 km2 no litoral norte e uns 7000 km2 no litoral ao sul”, escreveu o biólogo em uma rede social.

Tão preocupante quanto, o biólogo afirma que a lama atingirá, também, três unidades de conservação ambiental (UCs): Comboios, Costa das Algas e Santa Cruz. Juntas, as reservas somariam 200 mil hectares no mar.

“Santa Cruz é um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico. Um hectare de criadouro marinho equivale a 100 hectares de floresta tropical primária. Isto significa que o impacto no mar equivale a uma descarga tóxica que contaminaria uma área terrestre de 20 milhões de hectares ou 200 mil km2 de floresta tropical primária”, afirma.

André ainda afirma que as consequências ambientais da tragédia podem reverberar por décadas. “Os minerais mais tóxicos e que estão em pequenas quantidades na massa total da lama, aparecerão concentrados na cadeia alimentar por muitos anos, talvez uns 100 anos”, completou.

Lama deve chegar na madrugada desta terça-feira na Usina Hidrelétrica de Mascarenhas (Crédito: Fred Loureiro/Divulgação/Governo)
Lama deve chegar na madrugada desta terça-feira na Usina Hidrelétrica de Mascarenhas Foto: Fred Loureiro/Secom-ES

Autoridades estaduais e municipais acompanham o avanço da mancha em tempo real. Por uma orientação da Agência Nacional de Águas (ANA), os municípios devem cessar o abastecimento de água quatro horas antes de a lama chegar ao município. Não há previsão para a volta do abastecimento nas cidades.

O secretário Estadual de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, João Coser, que está em Colatina, na região Noroeste do Espírito Santo, afirmou que a volta do abastecimento dependerá da análise da qualidade da água.

“A suspensão do abastecimento será feita aproximadamente quatro horas antes de a lama chegar à cidade. Já a liberação deve ser feita após as análises da água nos laboratórios credenciados. Por isso, não há previsão de quando o abastecimento será liberado nas cidades”, afirmou.

FONTE: http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2015/11/onda-de-lama-deve-se-espalhar-e-atingir-cerca-de-10-mil-km-do-litoral-capixaba.html