Dois ângulos da destruição da Praia do Açu

Estive na tarde desta sábado em uma nova visita á Praia do Açu e o que vi realmente foi chocante, mesmo para quem vem estudando o processo nos últimos anos. É que além da destruição completa da Avenida Atlântica, pude ainda ver o risco em que muitas construções, inclusive uma igreja, se encontram  neste momento de ter o mesmo destino da avenida.

Como imagens valem mais do que mil palavras, escolhi dois ângulos da seção da Praia do Açu que venho acompanhando para comparar a situação em duas datas do ano de 2015, e os resultados são mostrados abaixo.

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Sentido Lagoa do Açu para final da Avenida Atlântica – 12/05

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Sentido Lagoa do Açu para o final da Avenida Atlântica – 26/09

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Sentido final da Avenida Atlântica para Lagoa do Açu – 12/05

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Sentido final da Avenida Atlântica para Lagoa do Açu – 12/05

Ainda que existem pequenas diferenças de ângulos, a diferença visual deixa claro que uma grande quantidade de areia foi removida da Praia do Açu.  Aliás, conversando com moradores da Praia do Açu durante essa visita, me foi narrado que no recente episódio que destruiu a Avenida Atlântica, a principal sensação que acometeu todos que foram ver a ação do mar foi de completo abandono. 

Diante do cenário que se devela nas imagens acima, outra sensação que captei entre os moradores foi de que as soluções estão sendo proteladas para que ninguém seja responsabilizado pelo já foi destruído. É que, segundo este raciocínio, a completa destruição da Barra do Açu vai acabar justificando a omissão por parte de quem tem a responsabilidade pela situação. Pensando bem, não posso culpar os moradores por pensarem assim. É que até onde eu saiba, a Natureza continua sendo apontada como a única culpada pela destruição. Pobre natureza: tão judiada e tão difamada.

Neco: prefeito de São João da Barra ou da Prumo Logística?

Venho acompanhando desde 2009 a sucessão de imagens de diferentes ocupantes  de cargos políticos do município de São João da Barra que vestiram inicialmente a “camisa” da LL(X), e depois da Prumo Logística Global.  Se existissem bons conselheiros políticos para essas autoridades que o primeiro compromisso deles deveria ser com seus eleitores, muitos dos quais vem suportando o grosso do ônus causando pela instalação do Porto do Açu, seja pela expropriação de suas terras pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) ou, simplesmente, pelo avanço das ondas como é o caso dos moradores da Praia do Açu.

Já houve até um jovem político sanjoanense que se magoou comigo e foi ao ar me criticar porque eu simplesmente notei o efeito enebriante que os trajes colocados, com clara intenção de propaganda corporativa, pelos gestores do Porto do Açu quando alguma visita ocorre nos seus canteiros.

Mas eu tenho que reconhecer. O atual prefeito de São João da Barra é um exemplo de quem, apesar de todos os problemas que ocorrem em seu município como decorrência do modelo de implantação do Porto do Açu, veste a “camisa”  (e também o capacete) da Prumo Logística como gosto e “sem medo de ser feliz”, como mostram as imagens abaixo que foram produzidas na conclusão do primeiro embarque de bauxita no Terminal 2. Eu só espero que ele não se magoe se seus adversários nas eleições de 2016 aparecer com uma simples e singela pergunta: o senhor é o prefeito do povo de São João da Barra ou da Prumo Logística Global? 

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Erosão na Praia do Açu: leitor recomenda uso de ferramenta do Google Earth para encerrar controvérsia

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O processo erosivo que hoje corrói a Praia do Açu tem sido motivo de inúmeras contribuições de leitores deste blog que tentam me auxiliar a mostrar a relação direta que a construção do Porto do Açu tem sobre esse fenômeno.

Pois bem, um leitor me enviou as imagens abaixo tiradas de uma série histórica do Google Earth que mostram dois momentos na entrada do Canal de Navegação do Porto do Açu: a primeira com uma imagem produzida em 11/08/2013, e a segunda com uma que foi produzida no dia 10 de Setembro de 2014. Além disso, o leitor me sugeriu que medisse o aumento da faixa de areia em um dos “molhes internos”, coisa que acabei fazendo com outra ferramenta do próprio Google Earth. 

Vejamos então o resultado!

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Imagem do dia 11/08/2013, com marcação de uma estrada interna, e com a faixa de areia com extensão de 60 metros.

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Imagem do dia 10/09/2014, com a mesma marcação da estrada interna, e com a faixa de areia com extensão de 230 metros.

Há que se ressaltar que a principal modificação na porção assinalada da imagem foi exatamente a inserção de uma quebra mar para proteger a porção norte da entrada do Canal de Navegação do Porto do Açu. 

Agora, até uma pessoa leiga no tópico de deposição e remoção de sedimentos praiais vai fazer a conta que fecha a equação. É que se tem areia acumulando no entorno dos quebra mares, há uma forte chance de que seja o mesmo material que está faltando na Praia do Açu.

Agora, a pergunta que poderá valer vários milhões de dólares. Se com o simples uso de uma ferramenta de domínio público, podemos detectar o aumento da faixa de praia no entorno dos quebra-mares do Porto do Açu, por que é nos seus comunicados oficiais, a Prumo Logística Global ainda teima em negar o óbvio? Como não lhe devem técnicos capacitados ou advogados altamente especializados em direito ambiental, a ausência de respostas práticas para conter erosão não é por falta de expertise.

Finalmente, eu fico me perguntando por que não ouvimos ainda manifestações da Secretaria Municipal de Ambiente de São João da Barra ou do Instituto Estadual do Ambiente sobre o que uma simples análise temporal de imagens disponíveis no Google Earth torna aquele tipo de óbvio que Nelson Rodrigues rotulava de “ululante”? Como também aqui não é por falta de expertise, a resposta deve estar em outro departamento.

Enquanto isso, a população trabalhadora da Barra do Açu permanece sobressaltada e, pior, relegada ao abandono completo por parte das autoridades e, como não, da Prumo Logística Global.

Erosão na Praia do Açu: as previsões confirmadas do Rima do estaleiro da OSX

Recebi a arte abaixo de um leitor e colaborador deste blog que possui um profundo conhecimento do processo erosivo que hoje consome a área litorânea ao sul do Terminal 2 do Porto do Açu. Uma coisa que salta aos olhos neste artefato é a confirmação das previsões que constam do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) que foi preparado para que a OS(X) obtivesse as licenças ambientais necessárias para a construção do seu estaleiro no interior do Complexo Industrial Portuário do Açu!

Trecho do RIMA - Explicação da Erosão

Como o que a imagem mostra é, para mim, o que de fato está ocorrendo, realmente é de se lamentar que estejamos presenciando a negação do óbvio em relação ao processo erosivo em curso na Praia do Açu. É que se as medidas necessárias para conter o processo erosivo tivessem sido tomadas quando os primeiros sinais apareceram, não estaríamos hoje colocados num cenário tão preocupante, especialmente para os moradores da Barra do Açu.

Agora o que poderia ter saído mais barato, quase certamente sairá mais caro. Simples assim!

E, sim, continuo aguardando o momento que os responsáveis pelo oferecimento de respostas práticas sairão da negação do óbvio para a ação.

Erosão na Praia do Açu: Folha da Manhã produz matéria de página inteira, mas Prumo continua a negar o óbvio

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A edição deste domingo (20/09) do jornal Folha da Manha traz em manchete e matéria que ocupa a totalidade da página 5 onde é tratado de forma bastante abrangente a situação criada pelo avanço da erosão na Praia do Açu. Justiça seja feita, a matéria aborda vários aspectos cruciais do problema que angustia centenas de famílias que residem na localidade da Barra do Açu.

Lamentavelmente em nota, a Prumo Logística Global, atual gestora do Porto do Açu, persiste no padrão já conhecido que embola a negação de responsabilidades pela agudização do fenômeno com a suposta preparação de um estudo complementar que visaria em tese “a proteção da linha de costa na localidade afetada pelo avanço do mar”.

É interessante notar que a nota do Prumo Logística enfatiza a participação do Prof. Paulo Rosman, reconhecidamente “uma das maiores autoridades técnicas em engenharia costeira no país” na preparação deste estudo.

Pois bem, como a linha oficial para ser a da continuidade da negação em relação à contribuição dos terminais 1 e 2 e do Canal de Navegação do Porto do Açu no aprisionamento dos sedimentos que estão faltando na Praia do Açu, sugiro aos leitores deste blog (sejam eles membros da população ou das agências de governo responsáveis por aplicação da legislação ambiental) que assistam o vídeo abaixo que mostra uma matéria levado ao ar pelo “Fantástico” da Rede Globo no 22 de Agosto de 2010. É que ali o Prof. Rosman parece dar uma opinião técnica que confirma diretamente a impressão da população da Barra do Açu (mais precisamente a partir dos 5:20!)

E como o Prof, Rosman é o expert citado pela Prumo Logística em seu informe, melhor opinião sobre o assunto não há. Ou há?

TV Terceira Via faz matéria sobre erosão na Praia do Açu

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A TV Terceira Via produziu uma matéria com um conteúdo que considero interessante sobre o avanço do processo erosivo que está consumindo a Praia do Açu, e hoje ameaça a localidade da Barra do Açu que ficam na área de influência direta do Porto do Açu.

Insisto que um aspecto que me causa estranheza total é a insistência da negação causal entre a construção do Canal de Navegação e do Terminal 2 do Porto do Açu no processo de desequilíbrio ambiental que hoje causa grave preocupação na comunidade da Barra do Açu.

Abaixo segue o vídeo que mostra a matéria. Mais do que assistir, é importante divulgar principalmente o testemunho dos moradores que hoje assistem com grande preocupação a aproximação do fenômeno que ameaça consumir suas residências e estabelecimentos comerciais.

E, sim, continuo esperando a implementação das ações que visem mitigar o processo de erosão. Com a palavra o INEA e a Prumo Logística Global.

Jornal Terceira Via informa sobre primeiras interdições de residências e estabelecimentos comerciais na Praia do Açu

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A matéria abaixo foi produzida ontem pelo Jornal Terceira Via e seu elementos mais importante é mostrar que chegamos a uma nova fase no processo erosivo na Praia do Açu que é a da interdição de residências e estabelecimentos comerciais como, aliás, eu já havia anunciado que ocorreria. Não é preciso muito cálculo científico para se chegar à conclusão de que isso ocorreria. Eu só estou surpreso com a velocidade com que chegamos a essa nova fase.

A pérola desta matéria ficou por conta do coordenador da Defesa Civil que sugeriu que a erosão na Barra do Açu é irreversível. O fato é que essa situação possui causas razoavelmente estabelecidas e existem sim opções para conter ou mesmo reverter o avanço da erosão. Agora, não vai ser com propostas pífias de colocar os moradores da localidade para se transferirem para abrigos públicos que vai se chegar à soluções que sejam justas para quem está ameaçado de perder tudo.  Aliás, eu me pergunto sobre o local onde fica o tal abrigo mencionado pelo coordenador da Defesa Civil.

De toda forma, o que realmente interessa e ainda não vejo sinais de que vai ocorrer é a tomada de responsabilidade por parte dos entes públicos (Prefeitura de São João da Barra, Inea, Ibama) e a Prumo Logística Global para que sejam iniciadas as obras de engenharia que são necessárias para conter o avanço da erosão. Simples, mas aparentemente elusivo.

Erosão no Açu se agrava e casas são interditadas

A energia elétrica ainda precisou ser cortada na Avenida Atlântica nesta terça-feira (14)

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Três casas precisaram ser interditadas e um poste de energia foi removido (Foto leitor)

A situação da população que reside em Barra do Açu ficou ainda mais complicada no último final de semana. As chuvas e a ressaca, típicas desta época do ano, fizeram com que o mar avançasse ainda mais. A Avenida Atlântica agora já faz parte da faixa de areia da praia e três residências com estabelecimentos comerciais tiveram que ser interditadas pela Defesa Civil na segunda-feira (14). Nesta terça, a concessionária Ampla cortou o abastecimento de energia elétrica desses imóveis porque o poste que abriga a fiação está perto de ser tomado pelo mar.

Na última semana, a reportagem do jornal Terceira Via esteve na localidade, que pertence o município de São João da Barra, e conversou com os moradores. Na ocasião, o mar já estava mais próximo das casas e a principal avenida também estava tomada pela areia, mas ainda era possível caminhar pelo local. No sábado (12), com a intensidade da chuva, a situação se agravou: o mar avançou cerca de dez metros e o paredão de areia que foi formado começou a erodir.

A Defesa Civil de SJB esteve no local na segunda-feira, interditou as residências e as vias de acesso, colocou placas de sinalização e orientou os moradores da área a saírem dos imóveis. Eles seriam levados para um abrigo da prefeitura na sede do município até que agentes do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) fizesse a análise dos perfis daquelas famílias e as enquadrasse no Aluguel Social. No entanto, nenhum dos moradores aceitou a medida.

“Eles preferiram permanecer nas casas, mesmo sabendo do risco que correm. Nós até entendemos o receio que eles têm de abandonar seus imóveis, mas é importante lembrar que a erosão do mar em Barra do Açu é irreversível. Estamos prestando assistência, dando suporte e vamos tomar todas as providências necessárias para evitar que o pior aconteça, mas os moradores precisam colaborar”, destacou o coordenador de Defesa Civil, Adriano Assis. Segundo ele, as famílias que tiveram suas casas interditadas assinaram um termo de responsabilidade.

Paulo César Ribeiro de Almeida, de 58 anos, foi ouvido pela reportagem do Terceira Via na semana passada e nesta terça-feira (15) foi novamente procurado. A casa em que ele reside foi interditada, mas o morador não concorda com a saída emergencial. “Eu não vou ficar em abrigo e nem em casa paga pela prefeitura. Eu construí essa casa e só sairei daqui quando eu puder construir outra que seja realmente minha. Estamos muito apreensivos, mas vamos resistir enquanto for possível”, disse.

O coordenador da Defesa Civil orientou à população e os visitantes da localidade a respeitarem a sinalização colocada na praia. Ele acrescenta que a ressaca deve terminar até o final desta semana, mas qualquer ocorrência pode ser comunicada por meio do telefone 199.

FONTE: http://www.jornalterceiravia.com.br/noticias/campos_dos_goytacazes/75116/erosao-no-acu-se-agrava-e-casas-sao-interditadas…#prettyPhoto

A bauxita no Porto do Açu: solução ou apenas elemento de propaganda?

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A mídia corporativa local e parte da blogosfera estão dando conta que está sendo realizado o primeiro embarque de bauxita no Porto do Açu. Pelo que dizem o navio Turquoise Ocean sairá do Terminal 2 com uma carga de 30.000 toneladas em direção à China.

Pois bem, uma coisa que me deixou curioso é sobre quanto isso representa em valor. Ao consultar o sítio do Instituto Brasileiro de Mineração (Aqui!) e o blog do professor Roberto Moraes (Aqui!), encontrei valores médios variando entre US$ 42 e US$ 43,75 pela tonelada.  Dai que se chega a um valor aproximado de US$ 1,29 milhão para essa primeira carga.

E ai é que eu pergunto: qual é mesmo a razão para tanta celebração? A minha conclusão é que só pode ser mesmo falta de notícia boa, já que os retornos econômicos, descontados os custos de produção, devem estar sendo magros. 

Conflito agrário no Porto do Açu: remoção de agricultores com direito à presença de gerente da Prumo Logística

A ação que levou ao desmanche do acampamento construído por agricultores do V Distrito para demandar as justas indenizações devidas pela expropriação de suas terras, e que ocorreu na manhã desta 5a. feira (10/09) teria tido direito até à ilustre presença do Sr. Miguel Franco Frohlich no local. Segundo fui informado, o advogado Miguel Frohlich vem a ser o gerente de Meio Ambiente e Gestão Fundiária na Prumo Logística Global S.A ( e que seria a pessoa mostrada no centro da imagem vestindo camisa branca)

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Caso isto todas essas informações estejam corretas, a presença de uma figura importante na hierarquia da Prumo Logística no ato de remoção dos agricultores mostra a importância que a empresa deu a essa retirada. Afinal, em tantas outras ações similares, não se teve notícia de um quadro dirigente para presenciar a ação da Polícia Militar e dos oficiais de justiça. E olha que estamos falando de centenas de ações ao longo dos últimos cinco anos.

Agora, eu fico imaginando o que precisarão fazer os moradores da Barra do Açu ameaçados pela erosão e os agricultores que tiveram suas terras e águas salinizadas para merecerem o mesmo tipo de visita ilustre por parte de um dirigente da Prumo Logística.  A ver!

Conflito agrário no Porto do Açu: forte contingente policial é enviado para o V Distrito para “reintegração” de posse

Numa demonstração de que o acampamento montado pelos agricultores desapropriados incomodou bastante, na manhã desta 5a. feir (10/09), oficiais de justiça, acompanhados de um forte contingente policial já está no V Distrito para cumprir a ordem de reintegração determinada pelo justiça de São João da Barra.

Eu só gostaria de ver a mesma celeridade para se cumprir o pagamento das indenizações definidas por preços calculados por peritos independentes e para que se façam as devidas reparações pelos prejuízos causados pela salinização de águas e solos, e pela erosão na Praia do Açu.

De toda forma, mesmo que o acampamento seja desmantelado hoje, me parece que o conflito agrário no entorno do Porto do Açu está longe de ser encerrado. Aliás, dada a revolta dos agricultores, ele pode estar apenas começando. A ver!

Abaixo imagens da ação dos oficiais de justiça e da Polícia Militar esta manhã no acampamento dos agricultores desapropriados.

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