Porto do Açu: qual das maquetes é a que mostra o real?

O Porto do Açu, empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista e hoje o tem como sócio-minoritário, já teve várias maquetes, as quais mudaram ao sabor das idas e vindas dos potenciais interessados em ocupar sua retroárea.  Que as maquetes do Porto do Açu mudam como a maré que consome a Praia do Açu não é nenhuma novidade. Mas confesso que certas versões ainda me deixam com a perspectiva de que ainda há mais desejo do que realidade no que a atual operadora do empreendimento, a Prumo Logística, mostra em suas apresentações corporativas direcionadas a atrair novos interessados para alugar terras para realizar suas atividades.

Coloco dois exemplos abaixo que mostram um visão bem diferente de a quantas anda o Porto do Açu.  A primeira foi tirada de um apresentação corporativa preparada pela Prumo Logística em julho de 2014 e mostra vários parceiros de peso que estariam atuando ou em vias de atuar dentro do porto.

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A segunda maquete consta de um panfleto voltado a orientar regras de segurança para operários que atuam trabalhando das obras de instalação do Porto do Açu, e já é bem menos abundante em termos de logotipos famosos, o que demonstra que a maquete acima pode estar mais no campo dos desejos do que da realidade objetiva do empreendimento. Uma coisa que eu não entendi na maquete abaixo é a manutenção do logotipo da LLX, já que a empresa teria sido sucedida pela Prumo. Mas como existiam várias “LLX”, há sempre a possibilidade de que uma delas sobreviveu e é parceira da Prumo no Porto do Açu.

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Um detalhe curioso que eu notei na maquete 2 é que dentro do Porto do Açu existe uma área que recebeu a curiosa denominação de “Canteirópolis”, onde estão agrupadas empresas como a Acciona, Carioca Engenharia, Boskalis e a própria Prumo.

Finalmente, é igualmente curioso que panfletos com rotas de fuga estivessem espalhados esta manhã pela Avenida 28 de Março, Eu fico imaginando se os reais alvos dessa campanha educativa acabaram tendo acesso ao material. De todo jeito, quis o destino que eu recolhe pelo menos um para escanear a maquete 2 que serve para tão bem ilustrar esta postagem. 

Uma esquisitice a mais na história do Porto do Açu: mercado de terras desapropriadas está superaquecido

Tenho recebido vários contatos de agricultores no V Distrito de São João da Barra que me dizem estar sendo pressionados a vender suas terras desapropriadas para uma empresa não identificada.  Se isso não fosse esquisito o suficiente, os proponentes deste tipo de interesse de compra por um ente não identificado estão atuando de forma pouco ética em relação aos advogados que representam os agricultores desapropriados.  Mas as esquisitices em torno desse aquecimento do mercado de terras desapropriadas não param por ai, segundo o que aparece de forma repetida nos relatos que eu recebi nos últimos dias.  

Aliás,  toda essa história das desapropriações realizadas pelo (des) governo Pezão/Cabral é marcada por coisas para lá de peculiares, como aliás já comentei em diversos momentos aqui neste blog ao longo dos últimos cinco anos.

Agora, que tenha gente querendo comprar terra desapropriada em nome de empresa anônima beira o cúmulo do absurdo,  especialmente porque a maioria dos agricultores desapropriados até hoje continua a ver navios, que não aqueles poucos que já atracaram no Porto do Açu.

Para relembrar um caso especialmente esquisito, posto novamente o depoimento do Sr. Reinaldo Toledo em que ele narra como recebeu uma folha de um servidor da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) atestando o valor que seria pago pela expropriação de suas terras, fato esse que se consumou sem que houvesse ocorrido qualquer pagamento.  Pelo jeito, o ciclo de desrespeito aos agricultores do V Distrito de São João da Barra ainda nos reservará muitas e desagradáveis surpresas.

 

 

Ururau repercute matéria sobre disputa causada por dívida de Eike Batista no Porto do Açu

Caixa e Santander disputam na justiça meio bilhão emprestados à OSX

Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto

Ururau Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto
A Caixa Econômica Federal e o banco Santander travam na Justiça uma disputa por mais de meio bilhão de reais. A origem do litígio é o empréstimo de R$ 515 milhões que a Caixa fez à OSX (empresa de Eike Batista) em 2012, para a construção do Porto de Açu, em São João da Barra, no norte fluminense. Na época, o empresário dava como garantia uma carta de fiança da instituição espanhola.

Tudo mudou com a falência de Eike. O Santander agora rebate a cobrança e obteve uma liminar na Justiça para não pagar a dívida. A filial no Brasil do banco espanhol justifica o não pagamento por falta de cumprimento de obrigações do banco estatal.

A Caixa recorreu e o caso deve ser julgado pelo Tribunal Regional Federal (TRF), em São Paulo, neste mês de dezembro. No mesmo período acontece uma assembleia de credores da OSX. Há um jogo de empurra em curso. A filial do banco espanhol alegou que foi a Caixa que não cumpriu com as suas obrigações no empréstimo. Por sua vez, a Caixa informou à Justiça que, sem a fiança do Santander, terá reduzida em cerca de R$ 4,6 bilhões a sua capacidade de capacidade de contrair empréstimos, podendo prejudicar programas sociais e de infraestrutura, como o Minha Casa, Minha Vida.

Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto de Açu . As obras do estaleiro da OSX foram avaliadas em R$ 2,7 bilhões. O dinheiro viria do Fundo da Marinha Mercante (FMM), que é administrado pelo Ministério dos Transportes e tem como objetivo investir no desenvolvimento naval brasileiro através de recursos públicos. Grande parte dessa verba do FMM vem do BNDES, mas também do Banco do Brasil e da própria Caixa.

Precisando de uma rápida recuperação, a OSX tinha urgência na conclusão das obras do porto. Mas a lentidão na liberação de verbas pelo FMM, que leva meses em procedimentos de avaliação e aprovação fez com que a empresa apelasse a empréstimos-pontes com o BNDES e com a Caixa.

Em abril de 2012, foram efetuados dois empréstimos. O da Caixa foi garantido por uma fiança de R$ 400 milhões dada pelo Santander e o BNDES recebeu a garantia do Banco Votorantim.

Em 28 de dezembro de 2012, foi repassada a primeira cota (de mais de R$ 627 milhões) pelo FMM à Caixa. O Santander contava que com a liberação desse dinheiro, o empréstimo-ponte fosse quitado, e assim não teria que pagar a fiança.

Para o banco espanhol, com a Caixa recebendo R$ 627 milhões, o empréstimo de R$ 400 milhões seria considerado quitado. E ainda restariam R$ 227 milhões. Mas não foi o que aconteceu. A Caixa, que já tinha enviado R$ 400 milhões à OSX, repassou mais R$ 627 milhões à empresa. Somando tudo, a empresa de Eike Batista recebeu mais de R$ 1 bilhão da instituição.

Depois disso, o Santander foi informado que a OSX não teria condições de honrar o empréstimo até a data de seu vencimento, previsto para ocorrer em 19 de outubro de 2013 e estendido por mais um ano depois de muita negociação. Até agora, o empréstimo não foi quitado. Nem a penhora das ações da OSX Leasing foi efetuada. E a Caixa cobra a fiança do Santander que, em valores atualizados, passa dos R$ 400 milhões de 2012 para R$ 515 milhões.

Os detalhes envolvendo essa cobrança estão nos autos a que o jornal Valor Econômico teve acesso. Eles mostram que, em 6 de novembro passado, o juiz Mauricio Kato, da 21ª Vara Cível Federal, deferiu liminar para suspender o pagamento da fiança pelo banco espanhol.

Em 19 de novembro, a Caixa recorreu ao TRF de São Paulo, pedindo a cassação da liminar. Em seu recurso, a Caixa não explica por que o dinheiro do FMM foi repassado à OSX ao invés de ser retido para quitar o empréstimo-ponte. A argumentação do banco estatal baseia-se, exclusivamente, nos impactos negativos que o não recebimento dos R$ 515 milhões terão sobre seu balanço e suas operações. A instituição diz que, se não receber a fiança, terá que reclassificar o risco da operação de crédito por ela garantida, de modo a seguir as regras previstas para essas operações pelo Banco Central.

A Caixa alega que teria que reter, de início, 3% da operação (R$ 15 milhões), mas, em 180 dias, o valor chegaria a 100% (ou seja, R$ 515 milhões).

“Em síntese, (com a liminar) a Caixa tem prejuízo registrado em balanço que diminuirá seu lucro”, diz a petição. “Por sua vez, os valores provisionados a esse título não integram o montante que os bancos estão permitidos a emprestar no mercado financeiro. Dessa forma e pelas regras do acordo de Basileia sobre capitais, a Caixa terá reduzida em cerca de R$ 4,6 bilhões a sua capacidade de contratar operações de créditos, somente em razão da quantia que deverá ficar provisionada por conta do inadimplemento do Santander.”

A filial do banco espanhol informou que essa alegação da Caixa “não tem nenhum respaldo fático e jurídico” e foi utilizada na tentativa de sensibilizar o juiz da causa. “Por entender que a carta de fiança não é aplicável à situação, a instituição promoveu ação judicial junto à Justiça Federal para declarar a inexigibilidade do pagamento da fiança”, disse o banco ao jornal Valor Econômico. “O Santander reafirma seu compromisso com a sociedade brasileira e acredita em uma resposta positiva do Poder Judiciário ao seu pleito sem, no entanto, interromper as tratativas para uma solução amigável ao caso, que entende ser a melhor solução para a preservação da empresa”.

HISTÓRIA ANTIGA
Não é a primeira vez que um banco se envolve em empréstimos estatais e é julgado por não honrar seus compromissos. Em 1995, o Banco Econômico de Angelo Calmón de Sá estava em dificuldades econômicas. A instituição recebeu então ajuda de R$ 3 bilhões do Banco Central, por meio do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).

O agravante é que entre maio e junho daquele ano, o banco fez empréstimos fraudulentos e remessas ilegais de dinheiro para o exterior, movimentando mais de R$ 98 bilhões em operações apontadas como ilegais. O dinheiro não bastou para evitar a intervenção do Banco Central. O banco entrou em liquidação judicial no ano seguinte.

Em julho deste ano de 2014, ex-dirigentes do Banco Econômico foram condenados a sete anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro. A decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) incluiu Calmon de Sá, e o ex-vice presidente, José Roberto de Azevedo.

No julgamento, que ocorreu dia 8 de julho, Calmon de Sá foi condenado por gestão fraudulenta, mas foi absolvido por dois outros crimes que prescreveram pelo fato de o réu ter mais de 70 anos.

Os ex-dirigentes do Banco Econômico também foram condenados a pagar cerca de R$ 600 mil de multa cada um, em valores ainda não corrigidos.

Postado por: LAILA NUNES

Fonte: JB

Fonte: http://ujornal.com.br/cidades51498_Caixa-e-Santander-disputam-na-justi%C3%A7a-meio-bilh%C3%A3o-emprestados-%C3%A0-OSX

Brasil 247 repercute disputa entre CEF e Santander por dívida contraída por Eike Batista para construir Porto do Açu

Porto do Açu: cobrança de fiança leva CEF e Santander à Justiça 

 

Apesar de todo o esforço da mídia corporativa regional, nem tudo que sai na imprensa são flores para o Porto do Açu. Hoje, o  Jornal Valor Econômico informa que um empréstimo concedido para a construção do Porto de Açu  contrapõe Caixa Econômica Federal e Santander em uma disputa na Justiça.  A Caixa, que fez o empréstimo em 2012, cobra R$ 515 milhões do Santander por conta da fiança prestada pelo banco espanhol para a construção do megaempreendimento que um dia foi liderado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Como estamos em tempos bicudos para o governo de Dilma Rousseff, essa dívida não ficará sem ser cobrada. Ai vamos ver como é que o Santander vai se ressarcir se tiver que pagar o que a Caixa está cobrando.

 

Comte Bittencourt cobra transparência na licitação que favoreceu o Porto do Açu e prejudicou Macaé

O deputado Comte Bittencourt (PPS) fez um discurso no plenário da Alerj na última 4a. feira (26/11) onde instou os  parlamentares presentes com ele uma representação pedindo o cancelamento definitivo do processo de licitação, realizado pela Petrobras por carta-convite, dos contratos de operação logística portuária para atender às bacias de Campos e do Espírito Santo e que privilegiou o Porto do Açu.

Entre outras coisas Comte Bittencourt questionou o uso pela Petrobras do instrumento chamado “carta-convite” para definir o vencedor da licitação, e que no final acabando privilegiando diretamente o ex-bilionário Eike Batista.

Abaixo o vídeo com a manifestação de Comte Bittencourt cobrando mais transparência neste processo

Petrobras no Porto do Açu: não tão rápido como alguns gostariam

Justiça suspende licitação da Petrobras a pedido de Macaé

Município reclama ter sido sobretaxado em concorrência da estatal

POR GLAUCE CAVALCANTI

Mar adentro. O Porto do Açu, em construção em São João da Barra: alvo de queixas dos rivais Foto: Prumo / Divulgação/Prumo
Mar adentro. O Porto do Açu, em construção em São João da Barra: alvo de queixas dos rivais – Prumo / Divulgação/Prumo
 RIO – A Justiça do Estado do Rio concedeu nesta terça-feira liminar suspendendo licitação da Petrobras para contratar operação logística portuária para atender às bacias de Campos e do Espírito Santo. A decisão, assinada pelo juiz Josué de Matos Ferreira, da 2ª Vara Cível de Macaé, atende a pedido da Prefeitura da cidade fluminense, por meio de ação cautelar entregue à Justiça na segunda-feira. As propostas que integram a concorrência — fechada e realizada por convite — foram abertas no último dia 17 e, segundo a estatal, estão sendo avaliadas. No mercado, porém, a americana Edison Chouest Offshore (ECO), que opera no Porto do Açu, em São João da Barra, da Prumo Logística e que tem Eike Batista entre seus acionistas, é dada como vencedora.

A Prefeitura de Macaé alega que a licitação restringiu a participação de competidores. Além disso, foi estipulada uma sobretaxa a para a operação em portos específicos, menos para o Açu.

— Foi um processo de muito pouca transparência. Sequer ficamos sabendo. Constava uma sobretaxava para a operação em Macaé de 17%, enquanto no (Porto do) Açu seria de zero. A Petrobras precisa explicar como calculou essa taxa — diz o prefeito Aluízio dos Santos Júnior.

Para ele, houve direcionamento da licitação, com a criação de um mecanismo que beneficiou a operadora que atuasse no porto de São João da Barra, no Norte Fluminense.

A licitação visa a contratar seis berços exclusivos para atracação simultânea de embarcações de apoio à atividade de exploração de petróleo. Segundo a Petrobras, o processo começou no primeiro semestre e acompanha o plano de negócios 2014-2018 da companhia, que prevê a expansão da capacidade logística de apoio às bacias de Campos, Santos e Espírito Santo.

Com relação à sobretaxa, a estatal explicou ter desenvolvido critério que pondera os valores das propostas considerando a localização das bases, a fim de garantir o menor custo logístico no período do contrato, de 15 anos. Em nota, a Petrobras reconhece que a melhor localização garante vantagem em custos, mas não é garantia de proposta mais competitiva.

PETROLÍFERA TERÁ DE EXPLICAR CÁLCULO

Na decisão, o juiz destaca que “o estabelecimento de um índice de custos operacionais (chamado Opex) sem que haja uma justificativa técnica — ao menos tornada pública pela requerida — fere as disposições do próprio regulamento, prejudicando as empresas instaladas no município”. A Petrobras está impedida de dar continuidade ao processo, sob pena de multa, até apresentar informações sobre a licitação e o cálculo do Opex.

Ricardo Chagas, diretor-presidente da ECO para a América Latina, confirma que a empresa participou e possivelmente venceu a licitação. A proposta de R$ 2,5 bilhões teria sido a de melhor preço. “A Chouest é dona da infraestrutura, bem como das operações (logísticas), portanto oferece o pacote completo”, informou por e-mail, ponderando que o resultado oficial ainda não foi divulgado.

Em abril, a ECO assinou contrato com a Prumo, alugando área de 255.200m² no terminal 2 do Porto do Açu, por 15 anos renováveis. O cais terá capacidade para até 12 berços. Está prevista a instalação de uma base de apoio offshore para os clientes, além de estaleiro de reparos para embarcações próprias. Em setembro, novo contrato ampliou a área alugada para 284.200m².

Outras três empresas teriam participado da licitação: Triunfo, BSM e a capixaba Companhia Portuária Vila Velha. Fonte ligada a esta última diz que houve até reunião na Federação da Indústria do Espírito Santo para discutir a sobretaxa:

— A Petrobras explicou apenas que o foco era a distância dos pontos de produção, sem dizer como calculou o ágio. É claro que o Açu leva vantagem.

A assinatura do contrato está prevista para janeiro de 2015, segundo a estatal, com o início das operações no segundo semestre de 2016.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/petroleo-e-energia/justica-suspende-licitacao-da-petrobras-pedido-de-macae-14662037#ixzz3KCsK1apq 

A situação da Praia do Açu em uma palavra: desoladora!

Aproveitando o feriado do Dia da Consciência Negra estive hoje na Praia do Açu para documentar mais uma vez a situação no local, e o que eu vi me deixou verdadeiramente desolado. É que além de constatar o avanço do processo erosivo, não identifiquei qualquer evidência de que os responsáveis pela situação estão tomando as propaladas medidas para monitorar a evolução da situação.

Abaixo posto duas imagens, a primeira tirada no dia 29/07/2014 e a segunda no dia de hoje (20/11/2014). De quebra posto um vídeo que produzi para mostrar a ação das águas numa faixa de praia que aparente ter um déficit crescente de areia. E uma previsão: depois da queda dos chapéus de sol, o asfalto será o próximo a cair. E se mesmo assim nada for feito, as previsões para a localidade da Barra do Açu não são nada animadoras.

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Praia do Açu no dia 29/07/2014

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Praia do Açu 20/11/2014

E abaixo o vídeo!

Terceira Via: Defesa Civil de SJB está em alerta e monitora praia do Açu

No dia 23 de setembro, os moradores do Açu foram surpreendidos pela invasão do mar. Na segunda-feira (10), o mar voltou a avançar

A Defesa Civil de São João da Barra está em alerta monitorando a praia do Açu devido aos impactos ambientais ocorridos no local nos últimos meses. O órgão informou que o avanço do mar “sempre acontece quando há maré alta ou ressaca” e enfatizou que não há decreto de emergência sobre esse fato e nenhuma família está desabrigada ou desalojada nas imediações do Açu.

 No dia 23 de setembro, os moradores do Açu foram surpreendidos pela invasão do mar na principal avenida da localidade. No dia seguinte, uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) fez um levantamento na área, onde foram coletados depoimentos da população residente, além de fotos e vídeos. Na segunda-feira (10), moradores voltaram a viver o drama com o avanço do mar.

 O local fica na área de influência direta do Complexo Industrial do Superporto do Açu – empreendimento que vem acentuando o processo de erosão do mar.

 O ambientalista Aristides Soffiati compara os impactos causados na Praia do Açu com a Praia de Atafona. “As duas praias sofrem o processo de erosão. Em Atafona esse processo acontece há cerca de 50 anos. Já no Açu acontece recentemente em função das obras do Complexo. Em ambos os casos, o homem acentuou os fenômenos naturais”, disse.

 O Complexo Logístico Industrial Portuário do Açu vem sendo investigado pelo MPF desde 2008 quando foi instaurada uma ação civil pública para apurar o licenciamento do Porto do Açu, da extração do minério, em Minas Gerais, e do mineroduto. De acordo com o procurador Eduardo Oliveira, a obra do complexo logístico causa impactos em três estados brasileiros e, por esse motivo, a licença deveria ser concedida em conjunto por um órgão federal, como manda a lei.

FONTE: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/norte-noroeste-fluminense/59639/defesa-civil-de-sjb-esta-em-alerta-e-monitora-praia-do-acu

O DIÁRIO: Mar volta a avançar no Açu e gera transtorno

Phillipe Moacyr
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Parte da orla na praia do Açu, em São João da Barra, já foi tomada pela força da água nos últimos dias
Phillipe Moacyr
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perigo. Erosão chega

Tatiana Freire

“De que adianta desenvolvimento, se não há sustentabilidade? De que adianta a arrecadação surpreendente que São João da Barra (SJB) terá, se o Açu corre o risco de desaparecer? Não podemos continuar assistindo a este absurdo de braços cruzados”, o desabafo é do produtor Paulo Toledo, 56 anos, que mora há mais de meio século no distrito onde está localizado o Porto do Açu, e que revelou estar sofrendo ao observar a proporção que a erosão vem ganhando nos últimos dois anos.

Neste final de semana duas barracas foram “engolidas” pelo mar. Outras seis correm o mesmo risco, pois continuam sustentadas nos poucos centímetros de faixa de areia que ainda não foram atingidas pelo avanço da água. O morador Denis Toledo tem arquivadas fotos que apontam as proporções da erosão. Ele mostrou uma imagem de janeiro de 2013, em que as barracas levadas neste final de semana apareciam pelo menos a 10 metros de distância do mar.

O professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski publicou ontem em seu blog que “isto (a erosão) parece ser mais uma evidência de que o processo está se aprofundando, na mesma proporção em que a avança a construção do quebra mar que protege o Terminal 2 do Porto”.

Através de nota, a Prumo Logística, empresa que administra o Porto do Açu não confirmou nem desmentiu a ligação direta entre o avanço da erosão e a construção do quebra-mar. Informou apenas que “realiza um programa de monitoramento da dinâmica sedimentológica marinha e de erosões costeiras, conforme estabelecido no processo de licenciamento ambiental do empreendimento”. Mas, não soube informar o prazo para conclusão do estudo.

Estudo apontou que haveria erosão

A erosão que avança no Açu foi anunciada no Estudo de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima), que serviu de base para as licenças ambientais que autorizaram a construção do Porto. Abaixo, parte do texto do documento. “Pode-se observar que a praia ao norte do molhe norte apresentará um engordamento da sua zona praial. Já a praia ao sul do molhe sul apresenta dois processos distintos: um avanço da linha de praia na parte próxima ao molhe, e também a erosão do segmento de praia subsequente ao engordado. De forma a monitorar possíveis alterações e, consequentemente aplicar as medidas corretivas cabíveis, serão implantados o ‘Programa de Gerenciamento das Atividades de Dragagem’ e o ‘Programa de Monitoramento da Dinâmica Sedimentológica Marinha e de Erosões Costeiras’. Considerando os dados de avaliação do impacto e as medidas de mitigação, monitoramento e remediação, o grau de relevância do Impacto é Muito Alto (MA)”.

O morador Denis Toledo tem estudado o tema em busca de soluções para minimizar os danos à população. “Não sou técnico. Este tipo de estudo cabe a quem é especialista. Mas pelo que tenho pesquisado, vi que é possível conter ou, pelo menos, minimizar a erosão. Em Barcelona, na Espanha, após a construção do quebra-mar, a erosão ganhou proporções como as daqui. Eles fizeram intervenções, construindo quebra-mares menores em pontos estratégicas e o problema regrediu. É um caso a se pensar”, especulou.

Em 1º de outubro último foi realizada audiência pública na Câmara Municipal de SJB para discutir o assunto. A realização do estudo que vem sendo feito pela Prumo foi uma das determinações da audiência.

 FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/mar-volta-a-avancar-no-acu-e-gera-transtorno-16441.html