O GLOBO: Em duas semanas, Eike já recebeu três denúncias e é acusado de cinco crimes

Entenda as ações movidas pelas procuradorias do Rio e São Paulo desde o último dia 11

O empresário Eike Batista, em foto de arquivo – FRED PROUSER / REUTERS

RIO – Em pouco menos de duas semanas, Eike Batista se tornou alvo de três denúncias do Ministério Público Federal (MPF), no Rio e em São Paulo. Ao todo, o empresário é acusado pelos procuradores de cinco crimes: uso de informação privilegiada na negociação de ações (insider trading), manipulação de mercado, falsidade ideológica, indução de investidor ao erro e formação de quadrilha.

PRIMEIRA DENÚNCIA: 11 DE SETEMBRO, NO RIO

A primeira denúncia foi oferecida pelo MPF no Rio no último dia 11 de setembro, como revelou O GLOBO. O documento foi assinado pelos procuradores Orlando da Cunha e Rodrigo Poerson, que entendem que Eike Batista incorreu nos crimes de insider trading, ao negociar ações da OGX (atual OGPar, em recuperação judicial) e da OSX (braço naval do grupo, também em recuperação judicial)quando já estava à par de que as reservas de petróleo estavam aquém do prometido a investidores, antes de divulgar o fato ao mercado.

A denúncia também criticava a promessa do empresário de injetar US$ 1 bilhão na petroleira (a chamada cláusula putI, que acabou não sendo cumprida, quando os credores cobraram que a operação fosse exercida, em setembro do ano passado. A acusação do MPF-RJ — acolhida pela Justiça Federal — fez com que os ativos financeirs do empresário fossem bloqueados na semana passada.

Com a denúncia aceita, o empresário foi citado pela Justiça, que deu um prazo de dez dias para que ele apresentasse explicações sobre as acusações. O prazo termina nesta quinta-feira.

SEGUNDA DENÚNCIA: 11 DE SETEMBRO, EM SÃO PAULO

No mesmo dia, o MPF em São Paulo ofereceu denúncia semelhante, mas referente a outras negociações de papéis. Embora tenha a mesma data, a nova acusação só foi divulgada dois dias depois. A decisão, assinada pela procuradora Karen Louise Jeanette Kahn, é focada na venda de ações da OSX em abril. A denúncia pede que Eike seja condenado ao pagamento de multa de R$ 26 milhões, equivalente ao triplo dos R$ 8,7 milhões que teriam sido obtidos ilegalmente.

Na noite desta quarta-feira, o juiz Márcio Assad decidiu que a denúncia deve ser encaminhada ao Rio de Janeiro, conforme antecipado nesta terça-feira.

 
TERCEIRA DENÚNCIA: 24 DE SETEMBRO, EM SÃO PAULO

Somadas às acusações anteriores, o MPF em São Paulo, em nova decisão da procuradora Karen Kahn, ofereceu ainda mais uma denúncia à Justiça. Dessa vez, outros sete executivos, além de Eike Batista, estão envolvidos no processo, acusados de quatro crimes: insider trading, indução de investidor ao erro, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

A denúncia foi protocolada nesta quarta-feira e ainda tramita internamente. Horas após a divulgação da acusação, a procuradoria pediu à Justiça o sequestro dos bens de Eike e dos outros sete acusados. Tanto a denúncia como o pedido de sequestro ainda precisam ser analisados.

O DIÁRIO: MPF apura invasão do mar no Açu

 
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Um dia após mar avançar pela orla e tomar ruas do Açu, 5º distrito de SJB, equipe do Ministério Público realizou inspeção no local

Danielle Macedo

O avanço do mar sobre a área costeira na praia do Açu, em São João da Barra (SJB), levou ontem à tarde uma equipe técnica do Ministério Público Federal (MPF) de Campos à área para fazer uma inspeção e ouvir os moradores. Com a situação na comunidade cada vez mais delicada, as ondas avançaram sobre a Avenida Principal na última terça-feira e alagaram um trecho próximo a escola municipal. O MPF faz averiguações nas áreas onde estão sendo construídos o quebra mar e o canal que é mantido aberto a todo tempo pela empresa Prumo Logística, que administra o Porto do Açu.

Segundo a equipe técnica, um diagnóstico será feito pelo procurador Eduardo Oliveira e divulgado em breve para que providências sejam tomadas em relação ao problema enfrentado pela comunidade do 5º distrito, que soma 1/3 da população sanjoanense.

Defesa Civil – Por todo o dia, a Defesa Civil Municipal esteve ontem em alerta para o caso de novo alagamento, o que não ocorreu. “No dia do alagamento todos ficaram assustados, pois a água atravessou a avenida, mas tivemos outras ocorrências”, disse o sargento Adriano Assis.

Sobre possíveis causas, ambientalistas, moradores e a empresa Prumo Logística divergem nas opiniões. O ambientalista Aristides Soffiati pesquisou o caso num estudo do colega Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e afirmou que o caso do alagamento poderia até ser considerado normal para a estação do ano, que tem marés altas. “O MPF solicitou a pesquisa a Bulhões na área do estaleiro no Açu, que conclui que como há um obstáculo no caminho na transposição da areia flutuante, dois espigões de pedras construídos no canal acabam atrapalhando o fluxo. A erosão é crescente no local porque há esse bloqueio na transposição da areia”, avalia Soffiati.

Ainda segundo o ambientalista, desde as primeiras audiências públicas em 2011 e 2012, era prevista a erosão. Eleobserva que o Açu e Barra do Furado jamais poderiam ter estaleiros. “Em Barra do Furado (entre Csmpod e Quissamã) há o mesmo problema de erosão, com a transposição da areia, mas está tudo parado”, concluiu.

Preocupação – Segundo o morador e comerciante local Denis Toledo, que acompanha desde o início a instalação do estaleiro, nenhum tipo de monitoramento é feito sobre o impacto ambiental que já vem ocorrendo desde 2012. “Nas audiências realizadas aqui pela Unidade de Construção Naval (UCN), eles documentaram que a erosão aconteceria, mas disseram que o monitoramento seria constante e que criariam soluções”, lembra.

A posição da Prumo Logística, até o fechamento desta edição, era de que as obras do porto não teriam qualquer relação com o avanço do mar sobre a comunidade do Açu. A Câmara Municipal de SJB remarcou para o dia 1º/10, às 19h, uma reunião pública, já adiada uma vez, para esclarecer questionamentos sobre as obras do Porto que estariam contribuindo para a erosão e o avanço do mar na praia. No pedido, o autor do requerimento, vereador Franquis Arêas, solicitou informações sobre o assunto à Prumo Logística.

Segundo a assessoria da Câmara, a Prumo confirmou presença e ficou de apresentar o estudo denominado “Sobre a evolução da linha de costa adjacente aos molhes do Terminal TX2 do Porto do Açu e a necessidade de transposição de sedimentos”.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/mpf-apura-invasao-do-mar-no-acu-15193.html

Moradores do Açu se assustam com o avanço do mar

A maré esteve tão alta, que o mar invadiu boa parte do Destacamento de Polícia Ostensiva (DPO) e o Posto de Urgência

Moradores do Açu se assustam com o avanço do mar (Foto: Montagem/JTV)

Cerca de duas mil pessoas poderão ser afetadas com o avanço do mar na Praia do Açu, em São João da Barra. Na tarde de terça-feira (23 de setembro), a água invadiu a Rua Principal e assustou moradores. Algumas casas e estabelecimentos comerciais  foram tomados pela água.

Um dia depois do avanço repentino, nesta quarta-feira (24), a equipe de reportagem do jornal Terceira Via esteve na Praia do Açu e conferiu os prejuízos deixados pela fúria do mar. A maré esteve tão alta, que o mar invadiu boa parte do Destacamento de Polícia Ostensiva (DPO) e o Posto de Urgência.

Olga Almeida, de 64 anos, que é nascida e criada na praia do Açu, conta que nunca viu um fenômeno da natureza tão ameaçador como a invasão do mar na tarde de terça. 

“Em 64 anos de vida nunca vi tamanha fúria da natureza. Acho que isso se deve à modernidade chamada Porto do Açu. Antes desse mega empreendimento ser construído aqui, natureza e homem sempre viveram em perfeita harmonia”, desabafou a moradora.

Já a aposentada Nelzira Gomes, que mora há menos de 100 metros de onde a água invadiu, diz que apesar de nunca ter visto o mar chegar ao asfalto, declara que não temeu a força das águas.

“Isso já é esperado por nós, moradores. Sinceramente não sei até que ponto o complexo portuário interfere no avanço do mar, mas como diz a palavra de Deus, quem tem fé não há o que temer”, disse.

Segundo Adriano Assis – coordenador da Defesa Civil de São João da Barra – nenhuma família precisou ser removida e a situação na praia já foi normalizada. Ele enfatiza que o que aconteceu na terça-feira foi um fenômeno já esperado pelo órgão. “A maré estava muito alta e, como a estrada é baixa, é normal acontecer este tipo de situação. De qualquer forma, mesmo após a situação já ter praticamente voltado ao normal, estamos atentos para que ninguém sofra nenhum incidente”, explicou.

Preocupada com a situação, a Câmara de Vereadores da cidade vai promover uma reunião pública para tentar responder aos questionamentos do vereador Franquis Arêas, sobre se as obras do Porto estariam causando a erosão e o avanço do mar na praia do Açu. A audiência pública acontecerá no dia 1º de outubro.

FONTE: http://www.jornalterceiravia.com.br/noticias/norte-noroeste-fluminense/56269/moradores-do-a

Praia do Açu: enquanto os anônimos reclamam dos números, o mar avança

Enquanto anônimos tentam desclassificar os meus números, eis que o mar continua dando demonstrações que não podemos ficar apenas nas avaliações qualitativas e sem evidências de campo para entender o que está, de fato, acontecendo na Praia do Açu neste momento.

Para clarificar um pouco mais a situação, posto abaixo imagens tiradas no início desta tarde de 3a. feira, onde fica evidente a intrusão das águas oceânicas na rua principal da Barra do Açu.

E mais do que nunca, há que se iniciar um efetivo monitoramento deste processo para que se determina, inclusive, as medidas de mitigação que contenham o processo em curso, caso o mesmo se mostra algo além de um evento pontual, seja no tempo ou no espaço.

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O relatório sobre a erosão na Praia do Açu e os incomodados anônimos

Tenho acompanhado uma polêmica que está ocorrendo no blog do Prof. Roberto Moraes (Aqui!) e (Aqui!) e venho lendo uma série de comentários anônimos furiosos que procuram desclassificar o que eu relatei ao Ministério Público Federal seguindo um conjunto de perguntas formuladas pelo procurador Eduardo Santos Oliveira.

De cara afirmo que não me surpreende nem o anonimato nem o conteúdo dos comentários que procuram desclassificar o que relatei. É que desde 2009 venho acompanhando o comportamento desses anônimos que então defendiam os desmandos de Eike Batista e hoje continuam o serviço de defender as mazelas causadas pela implantação do Porto do Açu e que, pasmem todos os sinceramente preocupados com o desenvolvimento da nossa região, estavam previstos nos diversos Relatórios de Impacto Ambiental (RIMAs) que foram produzidos para obter as licenças ambientais de forma fatiada, de modo a dificultar a análise dos impactos totais que os diversos empreendimentos trariam para a região do entorno do Porto do Açu.

O que eu tenho a dizer aos comentaristas anônimos é que as medidas pedidas foram entregues no tempo determinado pelo MPF, e que cabe agora ao procurador Eduardo Santos Oliveira determinar se minhas medidas são superficiais ou não. 

Mas o interessante é que enquanto se preocupam comigo, é bem provável que o caso referente ao processo erosivo em curso na Praia do Açu, e que estava sim previsto no RIMA da UCN da OSX esteja evoluindo dentro do silêncio que cabe ao MPF trabalhar.

Deste modo, vamos esperar pela manifestação do MPF. Enquanto isso, que esperneiem, pois sei que o que eu fiz está balizado pelo devido rigor que a ciência requer. E quem tiver números, e não opiniões anônimas, melhores que apresente ao procurador Eduardo Santos Oliveira.  A ver!

Praia do Açu tem dia de mar entrando nas ruas

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Em que pese a polêmica em torno do processo erosivo em curso na Praia do Açu e da expectativa em torno da manifestação do Ministério Público Federal sobre o assunto, hoje os moradores da Barra do Açu ficaram mais uma vez vendo o mar entrando dentro de suas ruas, num espetáculo que deixa muitos moradores preocupados com o futuro daquela localidade.

Abaixo vídeo que foi postado por um morador da Praia do Açu onde fica explícito esse processo de intrusão das águas marinhas dentro da localidade.

Trânsito “pesado” nos céu do Porto do Açu

Acabo de receber um telefonema vindo do V Distrito de São João da Barra que o tráfego de aeronaves em direção ao Porto do Açu está “muito pesado” na manhã deste sábado. Como nos últimos dias também se notou a remoção dos escombros de casas de agricultores que foram desapropriados pelo (des) governo de Sérgio Cabral,  uma das hipóteses que essa fonte me passou é que hoje é um daqueles dias que, no passado, se usava para falar da venda de lotes nas praias sanjoanenses a expressão “dia de vender terra para mineiro”. 

De toda forma, esse dia de tráfego aéreo intenso não me surpreende, pois venho notando um certo senso de urgência com repetidos anúncios publcitários, principalmente por parte de Eike Batista e seus associados de empreitada, para mostrar que o Porto do Açu é viável. 

Mas como esse tipo de evento  depois vira manchete de “boas novas” na mídia corporativa, é possível que logo saibamos quem está hoje visitando o Porto do Açu. A ver!

Eike Batista fala da perda do seu patrimônio, mas esquece dos que perderam o pouco que tinham

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A entrevista abaixo, publicada pelo Jornal O GLOBO, apresenta a visão de Eike Batista sobre sua derrocada do alto da glória de ser um dos homens mais ricos para alguém que deve, segundo ele mesmo, US$ 1 bilhão. A leitura da entrevista nos revela um Eike Batista levemente mais humilde e capaz de reconhecer parcialmente sua própria culpa no trágico destino das suas empresas pré-operacionais.

Mas essa disposição a falar precisa ser relacionada aos processos que está tendo responder após as ações iniciadas pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e em São Paulo. Assim, parte do que está dito pode ser entendido como uma espécie de defesa prévia. Nada melhor para alguém totalmente encrencado do que tentar limpar uma imagem pública que, convenhamos, não é das melhores. Talvez se tivesse agido mais como formiga do que como cigarra, Eike Batista não tivesse que estar nesta posição de contrição.

Aliás, há algo que eu efetivamente não engulo. É que Eike Batista diz que suas empresas pré-operacionais foram projetos custeados pelo seu próprio bolso e que levaram todo o seu patrimônio. Ora, um exame minimamente atento do percurso de Eike de milionário a bilionário, e agora bilionário negativo, vai nos mostrar que o dinheiro da viúva foi usado para regar fartamente o seu complexo de empresas de Powerpoint. Além disso, Eike Batista parece esquecer que no rastro de sua megalomania no Porto do Açu centenas de famílias humildes foram expropriadas e, muitas delas, jogadas na beira da estrada apenas com a roupa do corpo e os poucos pertences que as máquinas da LL(X) não tinham passado por cima. Então, Eike Batista que me desculpe, mas esse lamentar é insuficiente para produzir a expiação pelo mal que foi cometido contra pessoas humildes e trabalhadoras. 

Uma nota interessante. Ao ser perguntado sobre as suas dívidas com o BNDES,  Eike Batista apontou o dedo para o lado dos novos controladores de suas ex-empresas, começando pela EIG Global Partners que controla a Prumo Logística. Interessante saber o que a EIG tem a dizer sobre isso. Afinal, com quem vai segurar o papagaio?

Eike Batista: ‘Botei do bolso. Levaram todo o meu patrimônio’

Empresário diz que tem dívidas de US$ 1 bilhão. E afirma ter sido ‘criado como um jovem de classe média’, quando perguntado sobre arresto de seus bens

POR MARIA FERNANDA DELMAS / GLAUCE CAVALCANTI

Eike Batista: “Talvez tocar cinco empresas foi muita coisa” – / Patrick Fallon/Bloomberg/30-4-2012

RIO – Pouco menos de um ano atrás, o tagarela Eike Batista se calou — à exceção de uma rara entrevista, em abril, ao “Wall Street Journal”, época em que começou a ser investigado pela Polícia Federal. A petroleira OGX entrara no fim de 2013 em recuperação judicial, um símbolo de seu império em derrocada. Ontem, após ter virado réu em ação penal no Rio, Eike decidiu falar. Dispôs-se a 20 minutos de entrevista, com breve exposição prévia sobre seu otimismo e a ressalva dos advogados de que não “saberia responder muito bem” às questões técnicas sobre a Justiça.

Acusado de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada, diz que vendeu ações da OSX porque a empresa tinha de se enquadrar a uma regra de ter ao menos 25% de seu capital em Bolsa. E que as ações da OGX tinham sido dadas em pagamento de uma dívida.

Não permitiu ser fotografado. Com mais cabelos brancos, continua exibindo vaidade com os negócios, apesar de ter inserido mea culpa no seu vocabulário. Na conversa que teve antes da entrevista, repetia frases de um roteiro entregue às repórteres com sua defesa. Entre as frases: “Nunca tive a intenção de ludibriar nenhum investidor”.

Eike já foi o mais rico do país e o oitavo do mundo, com US$ 34,5 bilhões, segundo índice da Bloomberg. Agora, diz, sem rodeios, que tem patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão.

O criador do grupo X, que detestava que tratassem seus projetos como “negócios de PowerPoint”, valeu-se várias vezes de um mapa exibido numa tela de computador para destacar os investimentos em curso no Porto do Açu, no Norte Fluminense. No mercado, o porto é tido como essencial para manter pagamentos a credores.

Perguntado sobre como a família reagia à possibilidade de arresto de bens, afirmou: “Fui educado como um jovem de classe média. Não sei se você perde isso, não.”

As denúncias do Ministério Público tratam de vendas de ações em dois momentos específicos do ano passado. Como o senhor explica isso?

Uma era pela obrigação de me enquadrar. Eu não queria, mas tive de me adaptar às regras do jogo. No segundo caso, eram ações que pertenciam a outro, não eram minhas ações mais. Foram vendidas para quitar dívidas.

O senhor já foi o homem mais rico do Brasil, com US$ 34,5 bilhões. Hoje (ontem) o BC encontrou e bloqueou R$ 117 milhões seus. Qual é seu patrimônio hoje?

Com toda essa renegociação da dívida, minha situação líquida de patrimônio hoje é de menos US$ 1 bilhão (US$ 1 bilhão negativo). É uma negociação de cinco a dez anos de prazo, em que eu trabalho para trazer novos investidores para instalar fábricas no Porto do Açu. Nesse prazo, vou fazer minhas ações se valorizarem. Eles (credores) hoje têm em garantia. Se o valor dobrar, triplicar, vou ter a chance de, na frente, isso sair positivo. Mas hoje minha situação é de menos US$ 1 bilhão líquido.

Isso contando imóveis, dinheiro no exterior etc.?

Tudo. Essa é minha situação hoje. Meu patrimônio.

Petróleo é um negócio de risco em qualquer lugar no mundo, mas vemos muitas companhias investindo nisso e tocando normalmente suas operações, mesmo com projetos ruins. Por que houve essa ruína com a OGX?

Primeiro, a OGX (rebatizada de OGPar e em recuperação judicial) ainda está em pé. Ela produz, tem a perspectiva do BMS-4 e novas parcerias. Na hora em que você vai produzir não é um quarto do que esperava, isso faz parte do negócio. Mas foi uma aposta muito grande que fiz. Podia ter vendido um pedaço antes.

A OGX está em pé, mas foi ela que causou a derrocada do seu grupo. O que poderia ter sido diferente na OGX?

Infelizmente, é um setor de risco muito alto. Confiei demais, até porque o Brasil é um país de baleias, toda semana a Petrobras anuncia uma descoberta. Eu ganho uma área gigantesca na maior bacia produtora do Brasil, e ela é um terço do que a gente imaginava em produtividade.

O senhor ainda não disse por que o problema da OGX causou toda essa crise. O que teria feito diferente?

Nada, nada, nada. O que se poderia dizer é que ninguém no mundo tem uma participação tão grande em uma empresa de petróleo. Deveria ter vendido participações, fechado o capital das companhias e ficado no mercado de private equity. É dinheiro privado que tem mais prazo, em que você aguenta o tranco numa queda gigante e tem chance de recuperar.

A interrelação entre as empresas X pode ter pesado na crise de confiança?

Lógico. Se esse negócio do Eike está mal, por que os outros não estariam? O que quero mostrar é que a venda para novos participantes mostra que a história é um pouco diferente. Não é porque é uma empresa de PowerPoint.

O senhor sempre defendeu investimentos no Brasil. O que acha de agora seus empreendimentos estarem passando para a mão de estrangeiros?

Que triste. Adoraria vender para brasileiros.

O senhor falou que não recebeu do seu corpo técnico as informações que deveria ter recebido. O senhor acha que errou na contratação ou, mesmo dizendo que trabalhava dia e noite, não enxergou o que estava acontecendo no grupo? Era pressão por resultados?

Contratei os melhores, e houve trocas. O pessoal que assumiu na segunda leva teve de completar os estudos que fizeram até a famosa data de junho, e estes são os resultados. Fomos transparentes, e eu confiante. A Petronas estava dando o aval num campo de petróleo, sócios mundiais de primeira linha. Eu não era especialista em petróleo, você vai ouvir as pessoas que falam. E tem um lado de furar sem saber qual é a produtividade do petróleo. Eu tinha confiança absoluta, e não sou tão criança… Aliás, vocês poderiam corrigir essa história de mais rico do mundo, eu já disse que queria ser o mais generoso do mundo. Corrijam isso para mim.

Infelizmente, a lista é dos mais ricos, não há lista dos mais generosos. Mudando de assunto, há empresas suas em recuperação judicial, outras operando, outras em situação difícil. Quais são as prioridades nas suas viagens ao exterior?

Por exemplo, trazer empresas coreanas para o Porto do Açu. Assim agrego valor aos meus ativos penhorados. Dou conselho a todos eles (investidores), todos eles me querem, porque eu concebi esse negócio.

Que lições o senhor aprendeu com a derrocada do grupo?

Nossa… Talvez tocar cinco empresas foi muita coisa. Teria sido mais fácil se elas não fossem de capital aberto, porque no setor privado, com private equity, você tem sete, dez anos para fazer. Você atravessa diferentes crises sem estar exposto àquele resultado trimestral que é duro e te cobra um preço alto. E esses projetos vão beneficiar o Brasil nos próximos 200 anos. Botei dinheiro do meu bolso, estou pagando minhas dívidas, levaram todo meu patrimônio, me deram a chance de nos próximos cinco a dez anos sobrar algo para mim. Por isso trabalho todo dia. Imagina poder pagar a dívida e ainda ficar com meus 20% do Açu?

O senhor pensa em ficar lançando mais negócios?

A prioridade é trabalhar na reestruturação, me dedicar a isso. Muita gente já me disse: “Eike, o que você passou muita gente não iria aguentar”.

Como sua família está lidando com a ameaça de arresto dos bens?

Não é fácil, né?

Mudou muito a rotina deles?

(Risos) Fui educado como um jovem de classe média. Não sei se você perde isso, não.

Quando o senhor vai negociar no exterior, há desconfiança?

No fundo, os investidores estrangeiros encaram pessoas que criam coisas desse porte como pessoas que merecem uma volta. Tem gente que me diz que tem interesse em investir capital comigo, em novos projetos. No Brasil, não, talvez porque eu não tenha falado neste ano e meio (com exceção de entrevista concedida ao “Wall Street Journal”, em abril passado).

O senhor avalia que houve uma superexposição sua?

Pode ter havido, mas eu tinha confiança nos projetos, e no fundo sempre quis passar uma mensagem aos jovens brasileiros de que este país precisa pensar grande, pensar projetos de infraestrutura. Sair desse raciocínio de puxadinho. Sem superexposição você não atinge o jovem.

No auge do grupo, muita gente queria trabalhar com o senhor. Hoje, consegue atrair gente para seus negócios?

Os executivos que trabalharam aqui que façam bom proveito dos recursos que ganharam, que tenham sucesso nos seus empreendimentos, estou tocando a vida com gente nova que gosta de trabalhar com alguém que sabe construir essas coisas.

Por que falar agora? Foi um erro não ter falado antes?

Talvez. Muitos investidores credores não gostam, na negociação, de ver falar. Vamos mostrar primeiro (a estruturação). Vou voltar a falar. Quem sabe me deixam até tuitar.

Como está a relação com o BNDES?

Meus projetos são de infraestrutura. Vocês sempre dizem que o dinheiro do BNDES deve ser usado para infraestrutura. E não foi dinheiro direto do BNDES, foi tudo garantido por bancos privados. Então, uau.

Há alguma pendência com o BNDES?

Não. Há sócios novos hoje, a EIG, hoje é em cima deles.

O senhor pensou em sair do Brasil?

Não, nunca.

O mercado falava muito que o senhor vendeu vento…

Térmicas são vento? Porto, vento? Como você tem uma empresa de petróleo, com as parcerias que elenquei, e não vou ser otimista, com os dados que eu tinha na mão? Quando um pilar quebrou, infelizmente derrubou a casa toda. Me ajudem a mostrar…

O governo dizia que queria outros Eikes Batistas…

Todo meu capital foi para fazer isso acontecer. Se não tivesse aqueles US$ 8 bilhões que investi nos projetos, isso não fica em pé. Porque aí o governo vai “diminui”, “encolhe”, cada um tem uma pauta, aí você tem de empurrar para fazer o certo, o antipuxadinho.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/eike-batista-botei-do-bolso-levaram-todo-meu-patrimonio-13969727#ixzz3DgmbRoT0

GE Oil & Gas assina contrato com a Petrobras depois de sair do Porto do Açu

Logo após sair do Porto do Açu acaba de assinar um contrato de US$ 300 milhões com a Petrobras para entregar produtos que seriam aparentemente o centro da sua produção no porto sanjoanense.  Apesar de não parecem diretamente conectados, essa notícia deverá jogar um nuvem de dúvidas sobre potenciais investidores no porto que é a nova joia da cora do ex-bilionário Eike Batista. É que a GE saiu do Açu por faltarem as devidas estruturas para funcionar a contento, o que certamente será um elemento de contenção de interessados após esse contrato exitoso com a Petrobras. A ver!

 

GE Oil & Gas assina contrato de mais de US$ 300 mi com a Petrobras

Por Alessandra Saraiva | Valor

RIO  –  A GE Oil & Gas  informou nesta quinta-feira ter assinado contrato de mais de US$ 300 milhões com a Petrobras para o fornecimento de sistemas de “manifold” (junção de tubos e canais) para águas ultraprofundas. O valor do acordo chega a mais de US$ 300 milhões, segundo a GE. 

De acordo com a GE, serão os primeiros “manifolds” da subsidiária brasileira da empresa norte-americana a serem utilizados em campos do pré-sal, localizados na costa brasileira, a aproximadamente 2.500 metros de profundidade.

Em comunicado, a GE detalhou que o contrato com a Petrobras prevê fornecimento de oito manifolds de injeção modular alternada de água e gás, além dos equipamentos de controle das máquinas, o que permite o controle da entrada ou saída de mais de quatro poços. 

Na análise do CEO de Subsea Systems da companhia, Rod Christie, o contrato permitirá que a  GE Oil & Gas expanda o seu portfólio de soluções fornecidas para suportar o desenvolvimento nos campos do pré-sal. A subsidiária brasileira informou ainda que os equipamentos serão produzidos no Brasil. 

No informe, a presidente e CEO da GE Oil & Gas para a América Latina, Patricia Vega, lembrou que sua empresa tem relacionamento de longa data com a Petrobras para desenvolver equipamentos e soluções essenciais para suportar as operações offshore no Brasil, principalmente no pré-sal. 

A GE lembrou, no comunicado, que em 2012, a Petrobras assinou contrato para aquisição de longo prazo dos chamados sistemas de cabeça de poço da GE, que também serão utilizadas nos campos do pré-sal. 

FONTE http://www.valor.com.br/empresas/3701058/ge-oil-gas-assina-contrato-de-mais-de-us-300-mi-com-petrobras#ixzz3DfSsXGZr