Um Brasil precarizado: esse é o legado que nos deixam as políticas neoliberais

precariadoSíntese da destruição socioambiental em curso no Brasil: trabalhador precário enfrenta a inundação em Belo Horizonte para entregar encomendas

Viver em uma cidade de tamanho médio torna possível abrir janelas para a realidade macro de qualquer país.  Por isso, não posso deixar de apontar que o Brasil que emerge como fruto de três décadas é de um país cada vez mais precarizado com pessoas que clamam algum tipo de êxito se conseguirem inserir em alguma forma de subemprego. Aquela outra porção que não possui a possibilidade sequer do subemprego glamourizado (Uber, IFood e outros similares) resta então se dirigir às calçadas para tentar vender algum tipo de guloseima ou simplesmente pedir dinheiro.

Apesar de saber que esse não é um fenômeno genuinamente brasileiro, não posso deixar de me sentir indignado com o destino que é dado a amplos segmentos da nossa população. A eclosão do precariado torna tudo mais difícil para que possamos alcançar um modelo de Nação minimamente democrática e com a possibilidade de dar existência digna aos mais pobres. 

O que temos, pelo contrário, é o aprofundamento da violência estatal e paraestatal que é a contrapartida da precarização do mundo do trabalho e do aprofundamento do apartheid social existente desde os tempos da Colônia. E, pior, sob a aprovação cúmplice dos segmentos da população que se beneficiam dessa forma particular de funcionamento do Capitalismo.  Dos segmentos que ganham com essa sociedade precarizada, não se pode esperar nem formas limitadas de solidariedade social. O que eles querem é que as forças policiais assegurem que possa usufruir tranquilamente das benesses do rentismo sem serem importunados pelos abandonados pelo sistema.

De quebra, desaparecem os clamores pela idoneidade dos governamentais, pois o que se vê agora é a ação óbvia para eximir membros das elites governantes de quaisquer acusações ou imputações por claros de corrupção, a começar pela rachadinhas de gabinete e as parcerias praticamente assumidas com segmentos criminosos como é o caso das milícias.

É preciso que se diga que o governo Bolsonaro e seu ministro banqueiro, Paulo Guedes, representam um aprofundamento das políticas neoliberais iniciadas por Fernando Collor e continuadas por todos os governos que se seguiram. Até aqui, o atual governo está impondo sua política de arrasa quarteirão que destrói as bases de um estado nacional minimamente soberano para impor aqui o reinado completo da especulação financeira que implica na recolonização completa do Brasil, ainda que seja por meio de estatais europeias e chinesas.  

Em meio a toda essa devastação social e econômica, não vejo saídas a partir dos partidos que se reclamam de esquerda de manhã para aplicarem eles mesmos políticas neoliberais de tarde. A única expectativa real para enfrentar o projeto de recolonização do Brasil é que vejamos brotar aqui processos similares aos que já estão acontecendo em outras partes do mundo, onde a juventude e a classe trabalhadora estão reassumindo a direção do combate de massas sem ligar muito para as agendas reformistas dos que se adaptarão a parlamentos cada vez mais subordinados às vontades das elites globais.