No Brasil de Bolsonaro, a única palavra de ordem é o lucro

Em quase todo o mundo civilizado, a agricultura é um setor bastante protegido e regulado. Já no Brasil de Bolsonaro a única palavra de ordem é o lucro a quaisquer custos. Não se planeja nada, mas se concede tudo aos grandes produtores

ALIMENTOS

Por Marcelo Zero*

O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Perde apenas para os EUA. Além disso, praticamente todos os anos há recorde de safras.

No entanto, nosso país vive hoje gravíssima insegurança alimentar, com forte inflação de alimentos e desabastecimento de produtos básicos, como o arroz. Já ocorrem saques em supermercados.

Entre janeiro e agosto deste ano, a inflação medida pelo IPCA foi de apenas 0,7%. Porém, a inflação da alimentação no domicílio foi de 6,7%, ou seja, quase 9 vezes acima da inflação média, com tendência a acelerar ainda mais.

Essa inflação de alimentos afeta muito intensamente os mais pobres, que gastam quase tudo o que ganham justamente em alimentação. Segundo levantamento feito pelo professor Gerson Teixeira, especialista na matéria, alguns alimentos básicos subiram bem mais. O arroz subiu 27,5% (mas aumentou bem mais neste mês), o leite longa vida aumentou 32,8%, o feijão subiu 17,3%, o tomate aumentou 17,7%, o óleo de soja subiu 26,6%, e por aí vai.

Como isso é possível?

Em primeiro lugar, há uma questão estrutural. Devido aos lucros muito maiores da chamada agricultura de exportação, que é remunerada em dólar, em relação à agricultura destinada ao mercado interno, tem havido um deslocamento da área plantada e dos recursos investidos da última para a primeira.

Ao final da década de 1970, a área plantada destinada ao arroz e ao feijão, base da alimentação do brasileiro, era de aproximadamente 28% do total, ao passo que a área destinada à soja, principal cultura de exportação, era de somente 21%. Entretanto, hoje em dia a soja responde por 57% da área plantada no país, enquanto o arroz e o feijão, somados, respondem por meros 6,9%.

Em suma, houve grandes investimentos na agricultura de exportação e grande desinvestimento na agricultura destinada ao consumo interno, feita, em sua maior parte, por pequenos produtores familiares.

Obviamente, essa tendência se agrava e se acelera quando há grande valoração do dólar, como agora. Deixada ao sabor do “mercado”, ou seja, da ganância dos grandes produtores, a produção de alimentos vai massivamente para a exportação, provocando carestia e desabastecimento internos.

Nos governos progressistas anteriores, essa tendência era mitigada e controlada pelas políticas de apoio à agricultura familiar e, sobretudo, por uma política de compra de alimentos básicos e constituição de estoques públicos, que impediam grandes oscilações de preços e desabastecimento.

Contudo, após o golpe de 2016, essas políticas foram muito fragilizadas ou praticamente extintas.

A política de constituição de estoques públicos de alimentos, em particular, sofreu grande ataque, tanto no governo Temer, quanto no governo Bolsonaro.

Hoje, os estoques públicos de alimentos feitos pela Conab estão praticamente “zerados” e não sustentariam sequer um dia de consumo. Conforme levantamento feito pelo professor Gerson Teixeira, os estoques de arroz estão em apenas 623 toneladas, para um consumo diário de quase 30 mil toneladas. No caso do feijão, os estoques estão em míseras 38 toneladas, para um consumo diário de quase 8,5 mil toneladas.

Observe-se que a FAO considera que idealmente um país teria de ter uma capacidade de estocagem 1,2 maior que a sua capacidade de produção.

Em nítido contraste com o Brasil bolsonarista, a China tem hoje estoques de cereais que equivalem a 75% do seu consumo anual de alimentos. A Índia tem 23%, os EUA têm 25% e a Rússia tem 18%.

Considere-se, adicionalmente, que a Comissão Europeia, em função da crise desencadeada pelo COVID-19, está ampliando consideravelmente sua política de estocagem reguladora de alimentos. É a chamada estratégia Farm to Fork (da fazenda para o garfo), que visa blindar a população europeia de crises na oferta de alimentos. Aqui ao lado, na Argentina, o governo Fernández voltou impor taxas às exportações de alimentos (retenciones), de forma a assegurar segurança alimentar e financiar sua recuperação econômica e seu desenvolvimento.

Em quase todo o mundo civilizado, a agricultura é um setor bastante protegido e regulado.

Já no Brasil de Bolsonaro a única palavra de ordem é o lucro a quaisquer custos. Não se planeja nada, mas se concede tudo aos grandes produtores.

Somada à extinção do Plano Safra para Agricultura Familiar e à paralisação da Reforma Agrária, entre outras medidas destrutivas, não estranha que extinção dos estoques públicos de alimentos venha contribuindo significativamente para a atual insegurança alimentar em um país que tem uma das agriculturas mais competitivas do mundo.

Claro está que as exportações agrícolas são muito importantes para a economia brasileira. Elas geram vultosos superávits comerciais e grandes divisas em moeda forte para o país. Mas sem políticas estatais reguladoras, que apoiem a agricultura familiar, a Reforma Agrária e a produção para o mercado interno, como quer o governo ultraneoliberal de Bolsonaro, inevitavelmente vai se gerar carestia e desabastecimento, ainda mais numa conjuntura de grande desvalorização cambial.

Assim, essa incúria vem se revelando insustentável, do ponto de vista social.

Mas ela é também insustentável, do ponto de vista ambiental.

Os grandes incêndios ocorridos no ano passado na Amazônia e, agora, no Pantanal, são, em grande parte, originados por ações criminosas de setores atrasados do chamado agronegócio, ante um governo que lhes assegura impunidade e que vê as justas preocupações ambientais como “frescuras”, obstáculos inaceitáveis ao crescimento e ao lucro. 

O desgoverno Bolsonaro não consegue sequer perceber que a insustentabilidade social e, sobretudo, ambiental deste modelo de laissez faire bandido vão acabar por provocar também insustentabilidade comercial. Com efeito, a tendência é que os mercados mundiais, alarmados com a atitude hostil do governo brasileiro frente às grandes questões ambientais, se fechem aos produtos agrícolas do Brasil.

A resistência crescente ao Acordo Mercosul/UE é somente o começo desse processo já em curso.

Ademais, no longo prazo, a destruição ambiental vai restringir seriamente nossa grande capacidade natural de produzir alimentos, já que as chuvas que alimentam as colheitas do Centro-Oeste e do Sudeste vêm justamente dos “rios voadores”, originados pela evotranspiração da floresta amazônica

Enquanto isso, Bolsonaro faz piadas com a carestia e com a destruição de um dos principais ecossistemas do mundo. Afinal, quem faz piadas com a morte, faz piadas com tudo.

bolso fogo

Ao que tudo indica, o grande legado de Bolsonaro para o Brasil e o mundo se constituirá de morte, fome e fogo.

E daí?

*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais

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Este texto foi originalmente publicado no site “Brasil em Debate” [Aqui].

Produtores de leite bloquearam centro de treinos do Cagliari

Protestos em toda a Sardenha contra a redução do preço do leite chegaram até ao futebol. Jogadores derramaram leite em sinal de solidariedade e só depois puderam viajar para Milão

Por Rui Frias para o Diário de Notícias de Portugal

Em luta contra a baixa do preço do leite que ameaça a sustentabilidade dos produtores, os protestos dos criadores de gado estenderam-se um pouco por toda a Sardenha e uma centena deles resolveu mesmo bloquear o centro de treinos do Cagliari, equipa da Série A italiana.

Os produtores chegaram carregados de recipientes com leite e bloquearam a saída, pedindo para falar com jogadores e dirigentes do clube. Sob supervisão das forças de segurança e num ambiente pacífico, os agricultores pediram que o Cagliari se juntasse a este protesto e que não viajasse para Milão, onde domingo defronta o AC Milan.

“Então – disse um dos criadores -, nos jornais escrever-se-á que o jogo foi adiado não por neve ou chuva, mas por protesto contra os industriais do leite”. “Só queremos defender os nossos direitos. Nós produzimos leite a um euro mais IVA e não voltamos atrás. Se não conseguem vendê-lo a um preço decente nos supermercados não é culpa nossa”, justificaram os manifestantes.

Tudo se resolveu com alguns jogadores, como Barrella, Deiola ou João Pedro, a juntarem-se de forma simbólica ao protesto, derrubando alguns litros de leite no chão. “Preferimos deitar o leite fora do que baixar o preço”, garantem os produtores. A equipa do Cagliari seguiu entretanto viagem para Milão.

FONTE: https://www.dn.pt/desportos/interior/produtores-de-leite-bloquearam-centro-de-treinos-do-cagliari-10560885.html

Irã aponta um fato inexorável: não há futuro no petróleo

O mundo acordou hoje para as consequências imediatas da suspensão do embargo econômico promovido contra a república islâmica do Irã após o governo daquele país cumprir as exigências feitas em relação ao abrandamento do seu programa nuclear.

Mas para quem pensa que está todo mundo contente com o retorno do Irã ao acesso pleno à economia mundial, engana-se redondamente. Para tanto, basta ver duas matérias publicadas sobre o assunto pela Rede Francesa de Informação (RFI) e pela BBC que são mostradas nas imagens abaixo.

É que a alegria do Irã em poder retomar US$ 100 bilhões de dólares que estavam arrestados nos países ocidentais e de poder vender seu petróleo livremente estão causando uma forte derrubada das bolsas de valores no Golfo Pérsico, deixando as monarquias da região em polvorosa. Aliás, o mesmo efeito deverá ser sentido nas bolsas da Ásia, da Europa e dos EUA. 

Aparentemente o que é bom para a paz e para o Irã é péssimo para os especuladores que operam no mercado de ações.

Agora, interessante mesmo é o conteúdo de uma matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo e que repercute conteúdo de agências internacionais. É que, como mostra a imagem abaixo, o governo dos aiatolás não quer que a economia iraniana continue dependente da venda do seu petróleo!

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É que além de saber que a entrada do seu próprio petróleo vai jogar ainda mais os preços que já estavam afundando, o Irã também sabe que há uma forte mudança em curso na matriz energética que tornará os combustíveis fósseis obsoletos.  Dai que a transição para menos dependência do petróleo deve estar sendo considerada como estratégica pelos iranianos.

Aliás, é só no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, que o petróleo ainda é tratado como esperança do futuro. Celso Furtado e Florestan Fernandes certamente atribuiriam este erro grosseiro de análise ao caráter dependente da economia brasileira. 

Refletindo crise, preço do petróleo cai ao menor valor desde 2009

 

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Um indicativo de que o comportamento regressivo da economia chinesa já está tendo impactos importantes, a Bloomberg News já colocou no ar uma matéria mostrando que o Índice Brent, principal indicador dos preços do petróleo bruto no mundo, caiu para menos de 45 dólares, o menor valor desde 2009 (algo em torno de US$ 43.72 como mostrado no infográfico acima).

Como os efeitos do desaquecimento da economia chinesa precisam ser associados ao aumento da oferta de petróleo, incluindo a entrada do óleo iraniano no mercado mundial, as expectativas é de que a queda nos preços vá continuar. Dai se depreende que a extração do petróleo do pré-sal poderá se tornar inviável economicamente.  Por outro lado, diante de preços cada vez menores, é de se esperar que em algum momento o preço da gasolina comece a cair no mercado brasileiro. Ou não!

Minério de ferro atinge a menor cotação em cinco anos e meio

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SÃO PAULO  –  O minério de ferro atingiu hoje seu menor nível em mais de cinco anos, por conta das preocupações em relação à demanda de aço na China somadas ao momento de grande excedente de produção mundial da commodity.

A matéria-prima com teor de 62% de ferro entregue em Qingdo, na China, caiu 1,6%, para US$ 66,84 por tonelada métrica, de acordo com dados compilados pelo Metal Bulletin. Esse é o menor nível desde 2 de junho de 2009.

O minério de ferro caiu 50% neste ano, na medida em que as gigantes BHP Billiton, Rio tinto e Vale aumentaram a produção, inundando o mercado. Isso, somado à atividade mais fraca na China,  levou a Australia, principal exportadora mundial da commodity, a cortar as estimativas de preço para o próximo ano em 33%.

“O cenário não é muito animador”, disse Dominic Schnider, da unidade de gestão de fortunas do UBS de Cingapura. “Não há muito suporte [para os preços] nem mesmo em 2015. A China ainda vai desacelerar”, ressaltou.

(Bloomberg)

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3835324/minerio-de-ferro-atinge-menor-cotacao-em-cinco-anos-e-meio

Valor: Minério em queda pode comprometer projetos

A forte queda nos preços do minério de ferro pode comprometer os investimentos em projetos de mineradoras sem logística integrada, que não têm ferrovia e porto próprios. Entre essas empresas estão grandes siderúrgicas, como Gerdau, Usiminas e ArcelorMittal, além das mineradoras Ferrous e MMX, que juntas investiram entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões para aumentar a produção de minério de ferro em Minas Gerais. Elas poderão ser obrigadas a rever seus projetos se a cotação não se recuperar ou se não houver um ajuste nos preços dos serviços logísticos de exportação.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3689592/minerio-em-queda-pode-comprometer-projetos#ixzz3CuXeCw7f

Rio, cidade para pobres?

Os cariocas continuam sofrendo os efeitos do que claramente é uma bolha de preços insustentável no longo prazo

Por FRANCHO BARÓN, do Rio de Janeiro 

Banhistas tomam coco no calçadão da praia de Ipanema. / DADO GALDIERI (BLOOMBERG)

O Rio de Janeiro, impulsionado por anos de bonança econômica e por sua escolha como sede da próxima Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, se encontra imerso em uma espiral inflacionária que fez saltar todos os sinais de alerta. Embora há cerca de dois anos o Rio já ocupasse uma posição de liderança nas listas das cidades mais caras do planeta para estrangeiros, a progressiva desvalorização do real supôs uma balão de oxigênio para turistas e expatriados. No entanto, a população local continua sofrendo os efeitos do que claramente é uma bolha de preços insustentável no longo prazo.

Enquanto o altíssimo custo de vida continua sendo um dos temas de conversa mais recorrentes entre os cariocas, grupos de indignados se organizam nas redes sociais para denunciar os preços abusivos. O mais criativo e relevante, já apresentado há semanas no EL PAÍS, se chama Rio Surreal e, não com pouca ironia, tem cunhada em sua página de Facebook a nova moeda de câmbio para a capital mais turística do Brasil: o “surreal” (um cruzamento óbvio entre as palavras “real”, a divisa brasileira, e “surrealismo”, o movimento artístico simbolizado por Salvador Dalí, cuja icônica imagem inclusive aparece nas cédulas e moedas virtuais).

Em uma outra iniciativa para tentar coibir os abusos de preços, a Prefeitura do Rio publicou um decreto nesta semana criando a Frente Municipal de Combate às Práticas Abusivas, que informará vendedores e consumidores sobre práticas irregulares, passando ainda a uma segunda fase em que multas serão aplicadas aos infratores.

Eduardo Crespo, professor de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) opina que “a Copa e os Jogos Olímpicos, somados ao boom do crédito e imobiliário, estão na origem do problema. Os aluguéis dos estabelecimentos comerciais são altíssimos, e isso tem um impacto no preço final dos produtos. Ainda assim, acho que há uma grande diferença de preços entre os bairros periféricos e as zonas turísticas”.

A inflação oficial brasileira elevou-se em 2013 a 5,91%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A priori, esse indicador não representa um sinal de alerta, já que a cifra se mantém abaixo do teto de 6,5%, fixado pelo Banco Central. Mas o Rio é um caso à parte. Aqui não se aplicam as lógicas de mercado que regem o resto do país e sempre está no ar o “fator Copa”, esse imponderável que provoca cotidianos abusos de preços ante o olhar perplexo de milhões de cariocas. O EL PAÍS elaborou uma lista de preços dos produtos e serviços que mais podem afetar o visitante. Todos eles foram reunidos em pedidos na rua nos bairros mais turísticos da cidade ou nos recibos de compra divulgados por internautas nas redes sociais.

Para quem quer poupar em alimentação, o supermercado é indiscutivelmente a melhor opção. Em um dos grandes centros comerciais que oferecem as melhores ofertas da cidade, um litro de leite custa 2,29 reais (0,95 dólar), uma lata de cerveja nacional 1,49 real (0,62 dólar), um quilo de arroz 2,99 reais (1,24 dólar), um quilo de carne de primeira 19,90 reais (8,3 dólares) e um quilo de açúcar 4,25 reais (1,77 dólar).

Se fizermos um percurso pelos quiosques das praias de Copacabana ou Ipanema, epicentro do turismo, o tradicional coco gelado beira 6 reais (2,5 dólares) e alugar um guarda-sol pode superar os 15 reais (6,25 dólares). Em qualquer bar da zona sul, o normal é não pagar menos de 6 reais (2,5 dólares) por uma cerveja pequena ou 5 reais (2,08 dólares) por um café. E se o objetivo for comer, o principal telejornal da TV Globo divulgou recentemente o que poderia ser considerado o cúmulo da especulação: em um restaurante de Copacabana uma omelete feita com 6 camarões e quatro ovos custa 99 reais (41,25 dólares). Em um estabelecimento vizinho de sucos e lanches, um sanduíche misto chega a 17,90 reais (7,45 dólares), enquanto um croissant recheado com presunto e queijo sai por 25,90 reais (10,79 dólares). Dez reais (4,16 dólares) pode custar meio litro de suco de laranja em uma tradicional “casa de sucos”. Um cálculo realizado pelo portal G1 chega à conclusão de que com esse dinheiro podem ser compradas 48 laranjas em um supermercado.

Para se deslocar pela cidade, um trajeto em táxi do bairro de Leblon até o centro (pouco mais de 13 quilômetros) não custará menos de 35 reais (14,58 dólares). Se a opção for o metrô (que ainda não chega ao Leblon) ou o ônibus, terá de calcular 3,20 reais (1,33 dólar) no mínimo. Não obstante, é importante saber que o atual sistema de transporte público deixa muito a desejar.

O alojamento é, sem dúvida, o assunto mais sensível quando se fala de especulação no Rio. As 34.000 habitações ofertadas nos hotéis da cidade parecem não cobrir a crescente demanda e isso leva inevitavelmente a uma brutal escalada de preços. Por exemplo, já se sabe que a tarifa média de um quarto em 18 de junho próximo, quando se enfrentarão no Maracanã as seleções da Espanha e do Chile, chega a 1.520 reais (633 dólares). Um apartamento de três quartos com vista para o mar na Avenida Atlântica de Copacabana (sem mobiliário) se aluga nessas mesmas datas por 2.850 reais por dia (1.187 dólares).

Outros anunciantes mais comedidos oferecem um apartamento de três quartos no rico Leblon por 16.000 dólares para todo o mês da Copa do Mundo. Na Lagoa Rodrigo de Freitas, um apartamento de luxo custa 250.000 reais (104.166 dólares) durante o mesmo período.

Segundo Cidinha Campos, secretária estadual de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, a única forma de combater esse fenômeno é que “os cariocas se organizem e tomem suas iniciativas para se proteger desses abusos”. “Por exemplo, evitando o consumo de produtos com preços abusivos ou levando a comida à praia. Tem que acabar a cultura de que levar comida à praia é feio. Como consumidora, todos os dias levo minha comida ao escritório, já que estava gastando 500 reais (208 dólares) por semana para almoçar. É uma loucura.”

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/13/sociedad/1392329423_491883.html