O PT Campos na encruzilhada: se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come

crossroads campos

Por Douglas Barreto da Mata

Eis a situação do PT de Campos hoje, muitíssimo bem retratada no texto do editor, que dá nome a esse blog (do Pedlowski), me chamou atenção, especialmente o parágrafo final, que reproduzo abaixo:

“(…)Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.(…)”

É uma questão importante, que não merece passar despercebida.  O que o PT de Campos fará com Carla Machado, e mais, como irão se comportar suas instâncias acerca do triste papel desempenhado por seu candidato, e a coordenação de campanha, que levaram a legenda ao desastre político, desastre este muito mais significativo, diga-se, que as meras somas eleitorais desfavoráveis?  Como encarar o eleitor, e pior, como encarar a sociedade, após a eleição?

A fusão do PT com a extrema-direita é um movimento estranhíssimo e difícil de engolir. Ainda mais da forma como se deu, com a adesão da deputada petista Carla Machado à candidatura da delegada Madeleine, ao mesmo tempo que, na mesma ocasião da declaração de apoio, a deputada trouxe de volta o bode para a sala.

O bode é Rafael Diniz.  Não foi possível entender como a deputada teceu elogios e defesas ao ex-prefeito Rafael Diniz, que vinha sendo evitado como uma doença contagiosa pelo grupo da delegada. 

A coordenação de campanha da delegada buscou, de todo modo, esconder as conexões com o ex-prefeito Rafael Diniz, como escondem um parente indesejável, já que a administração dele é considerada a pior de todos os tempos, sendo atribuída a esta administração boa parte do favoritismo e vantagem do atual prefeito Wladimir Garotinho, quando comparadas as gestões.

Inexplicável que a deputada, em pleno discurso de apoio à delegada, tenha trazido o pobre Rafael Diniz, que implorava ser esquecido, de novo à ribalta do debate político municipal. Se havia alguma dúvida para o eleitor, agora ficou claro e escancarado:  Carla Machado é Rafael Diniz, que é o mesmo que o PT e o Professor Jefferson, e todos são a delegada e seu grupo político!

Com a surpresa por este péssimo passo da deputada em mente, que passo à minha conversa com George Gomes Coutinho, neste sábado, dia 21/06, pela manhã. Coutinho me alertou sobre a impropriedade de um partido, que teve seu principal líder preso e impedido de concorrer à uma eleição (2018), pelo emprego do lawfare, recorrer a esta prática nefasta de judicializar a disputa.  Não poderia concordar mais.

O PT padece de uma Síndrome de Estocolmo, depois de apanhar com as vergastadas das varas judiciais, parece ter assumido para si o papel dos seus algozes, e se lança na cruzada de protagonismo judicial.  O uso pornográfico (emprestando a expressão de Nelson Rodrigues) do poder judiciário é algo que não faz sentido para um partido que foi esmagado pela república das togas.

É preciso dizer que todas suspeitas embasadas em indícios razoáveis devem ser apuradas com rigor máximo, ao mesmo tempo que devemos evitar, a todo custo, levar ao conhecimento da Justiça meras ilações e leviandades, com o intuito provocar danos ao concorrente, como veda, inclusive, o Artigo 326-A da Lei 4737/65.

Esse é o remédio amargo que deverá ser ministrado ao Professor Jefferson, agora chamado nas redes de Professor Girafales, ou Playmobil, tamanho o ridículo que se fez passar.  Bem, se eu fosse o corpo jurídico do candidato Wladimir Garotinho, é por aí que eu começaria. 

Como agora não consegue justificar o papelão, o Professor Jefferson Manhães cavou mais o fundo do poço onde se encontra, e clama desafios sobre advogados, como se essa fosse a questão principal.  Não é. 

Antes de propor desistência de candidaturas, ele mesmo deveria repensar a sua, depois do vexame que passou, desde o início, quando foi preterido por uma tese jurídica impossível, e agora, quando a deputada estadual Carla Machado lhe retira a escada, deixando-o pendurado na brocha, como diziam os antigos.

Há várias outras questões cruciais. Pois bem, por último, eu trago outras considerações de ordem prática. O movimento de Carla Machado para apoiar a delegada Madeleine pode ser ainda mais deletério para a delegada, além do que já enumeramos.

Explico.  Agremiações políticas como o PT, ou aquelas de extrema-direita sobrevivem na reivindicação de uma originalidade específica, isto é, dizem a todos que são diferentes e portam uma mensagem “pura” da política. Necessitam de certa “radicalização”. No caso da extrema-direita, essa perspectiva se amplia ao grotesco, como o influencer goiano admirado pela delegada Madeleine, o moço da “cadeirada”, da luta com tubarões, da ressuscitação e das tentativas de curas. 

Ora, embora não seja um cálculo exato, a presença de uma petista, mesmo que seja uma “petista tipo Carla Machado”, traz para os setores mais conservadores (leia-se extrema-direita) que se alinham junto à delegada e seu grupo, um desconforto que, muito provavelmente, provocará deserções, cujo número, já dissemos, não é muito fácil de estipular, mas não é leviano supor. 

Nessa extrema-direita estão os que detestam a família Garotinho, justamente por causa da inclinação social dos governos deles, considerados pelos ultraconservadores como “socialistas” ou “de esquerda”, ou como a própria delegada disse, “Wladimir melancia”, vermelho em seu interior.

Parte desse pessoal disputou ferrenhamente o apoio do ex-presidente Bolsonaro, enquanto acusava o atual prefeito Wladimir de não ser “direita raiz”.  E agora, José?  Como explicar para os enfurecidos da extrema-direita que o PT chegou para o baile, e vai dançar com a delegada?

O que fará esse pessoal?  Eu apostaria em um derretimento de entre 2 a 5% nos votos da delegada, sendo certo que destes votos perdidos, uma parte iria para brancos e nulos, já que o antigarotismo não cederia espaço a conversão destes eleitores desiludidos.

É possível, no entanto, que uma parte do eleitorado migre para o atual prefeito Wladimir Garotinho, como uma aposta de “voto de vingança”, para punir a delegada, com uma derrota mais acachapante, ou ainda, um “voto de rendição”, é melhor não perder o voto, e votar no vencedor, já que a desafiante mostrou-se pior do que o prefeito.  As urnas soberanas falarão.

O certo é que a frase de Napoleão Bonaparte parece cada vez mais atual, deve ecoar nos corredores da campanha de Wladimir: “Não incomode nossos inimigos, enquanto eles cometem erros”.

A sinuca de bico do PT Campos: ou expulsa Carla Machado ou retira a candidatura do Professor Jefferson

sinuca de bico

Por Douglas Barreto da Mata

Vou repetir mil vezes, todos os partidos e políticos têm direito ao seu cálculo político, às alianças e adesões.  Seja qual for o motivo for.  O que não se pode é tomar a todos por burros, escondendo interesses inexplicáveis, ou atitudes incoerentes com aquilo que pregam. 

Se os petistas campistas  e o pessoal da Delegada  Madeleine dizem que o atual prefeito anda em todos os lados, o que eu nem acho ruim para a biografia dele, o que dizer da incomum e estranha “união” do PT de Campos com a extrema-direita e seus padrinhos políticos.

Hoje tivemos uma dose dupla de afagos, onde o PT de Campos, nas pessoas de seu candidato Professor Jefferson Azevedo e da deputada estadual Carla Machado, vestiu a camisa desta extrema-direita.  Uma cena grotesca e surreal.

Enquanto, de um lado, Jefferson, o candidato a prefeito entrava com uma ação, patrocinada pelo mesmo advogado do grupo da extrema-direita, inclusive foi esse advogado que acompanhou o bombeiro reformado, e segurança desse mesmo pessoal, e que é suspeito de assassinar um trabalhador de entregas, de outro lado, a deputada traía esse mesmo Jefferson, declarando apoio à candidata da extrema-direita.

Na declaração de apoio, a deputada fez questão de elogiar e defender a gestão de Rafael Diniz, que até já foi execrado pela própria Delegada Madeleine, a qual a deputada estava aderindo, Ou seja, uma confusão tremenda.  Afinal, em quem o eleitor do PT deve votar? E mais: Rafael é ou não é referência para o PT, para a deputada, para o Professor Jefferson e para a Delegada Madeleine?

Eu falo estas perguntas diretamente à coordenação de campanha do PT, nas pessoas do decano Luciano D’Angelo, do ilustre professor José Luís Vianna da Cruz, e de tantos outros dedicados a tornar o Professor Jefferson um candidato palatável.

Eu sentiria pena do Professor Jefferson, afinal, ele foi a última escolha, já que essa mesma coordenação apostava na possibilidade de que a deputada pudesse obter um milagre jurídico, e mesmo depois de não consumado o milagre, esperavam que senhora parlamentar viesse a se engajar para transferir seu capital de votos para o Professor Jefferson.  Mas depois de ver o papel que ele cumpriu na data de hoje, funcionando como uma marionete do grupo da extrema-direita, acho que ele tem o tratamento que merece.

Já em relação à deputada, não esperava nada diferente do que ela sempre fez. 

E o PT de Campos? Do jeito que vai, o jeito vai ser desejar um sonoro e lamentoso “rest in peace” (ou em bom português, descanse em paz). Na linha do “temos a tristeza de comunicar o falecimento, na data de hoje, do PT de Campos dos Goytacazes, por falência múltipla de sua vida interna, resultado de agressões violentas de grupos externos.  O velório será a partir da madrugada de hoje, na Capela do Cemitério do Caju, e o sepultamento, dia 6 de outubro.  O falecido não deixou herdeiros políticos, nem capital político nenhum”.

Alô PT Campos: passarinho que anda com morcego, acaba dormindo de cabeça para baixo

passarinho morcego

Por Douglas Barreto da Mata

O PT de Campos dos Goytacazes encaminha, ao que tudo indica, uma das campanhas mais vergonhosas da sua história, que já não é lá grande coisa.  É indisfarçável a inclinação dos petistas a servirem de muleta da candidata delegada, em uma estranha simbiose com a extrema-direita. Pois bem, quem não escuta cuidado, escuta coitado. 

É o caso do PT de Campos dos Goytacazes, e seu ingênuo (ou cínico?) candidato a prefeito.  Quem assistiu ao programa eleitoral ontem, por completo, tem a nítida impressão que o redator dos textos e dos roteiros da candidata delegada e do candidato professor são a mesma pessoa.  A tática é idêntica. 

Certamente, a candidata e o candidato detêm informações sobre o desempenho após início de propaganda, e internamente sabem que os esforços têm sido inúteis, por isso o redirecionamento dos discursos.  A mudança de chave do professor e da delegada, ao mesmo tempo, e com o mesmo conteúdo, revela que o PT é uma linha auxiliar da delegada. Eu não tenho problemas com isso, se não fosse um detalhe. 

O diabo, como sabemos, mora nos detalhes. A delegada é a manifestação da extrema-direita na cidade, um tipo de KKKampos, que sai na primeira defesa daquele que é tido como “cão-chupando-manga”, o infame “influencer” goiano que mais parece uma mistura de curandeiro religioso, treinador de RH e “terapeuta” do Love School da TV Record.  Ainda pesam sobre o moço suspeitas de envolvimento com pessoas ligadas ao PCC.

É a esse tipo de gente que o PT de Campos dos Goytacazes resolveu alugar seu candidato. Onde espera chegar o PT de Campos dos Goytacazes?   O que lhe foi oferecido e quem ofereceu?  Qual é o cálculo dessa equação política? 

Qualquer que seja o ângulo da análise, parece que os petistas celebraram um acordo que se pode chamar de Caracu. O partido conseguiria eleger um vereador, de qualquer forma, nesse pleito, já que alterações na lei impõem que o beneficiado com “a sobra” não necessite de fazer votos de legenda para alcançar o coeficiente eleitoral, como me ensinou uma raposa petista.  É consenso que o PT terá a maior “sobra”. 

Então, se não foi para eleger um vereador, qual a razão do PT de Campos se misturar com a extrema-direita?  Por mais que o perfil do candidato Jefferson sugira um viés “coxinha-classe-média”, mais próximo das lunáticas vivandeiras de quarteis do que das classes menos afortunadas, o fato é que essa inclinação para a KKKampos não é coisa só dele. 

Vai ver, tem alguém infiltrado na legenda, quem sabe?

O PT de Campos continua falando sozinho

talking to

Por Douglas Barreto da Mata

Dias atrás, aqui neste mesmo blog, eu avisei aos camaradas do Comitê Central do PT de Campos, e aos comissários do povo para a campanha de 2024, que bater nos índices do IDEB era como dar coices na própria sombra.

Não ouviram. Como sabemos, quem não escuta cuidado, escuta coitado. Pois bem, hoje me mandaram o que dois acadêmicos pensam sobre o tema:  George é companheiro de longa data, desde quando ele integrava a equipe do blog Outros Campos. Sempre que queria aporrinhar eles, dizia que eles eram “os que sabiam javanês”, em uma alusão à deliciosa crônica de Lima Barreto. Se não me engano eram Roberto Dutra, Vítor Peixoto, Brand Arenari e George Gomes Coutinho.

Divergências e rusgas à parte, que nos separaram em caminhos políticos diferentes, eis que o tempo trouxe de volta o camarada George para as tratativas políticas e análises.  Bem, parece que tanto ele, como o Eduardo Shimoda concordaram comigo no quesito “bola fora” do Comitê Central do PT e do Alto Comissariado Para As Eleições 2024.

Shimoda é contemporâneo de outros meninos da UENF, que moravam, assim como eu, no condomínio Verdes Campos, em frente à universidade.  Jogávamos boas “peladas” com Vitinho (se eu não me engano, biólogo), Marlon (acho que engenheiro agrônomo).  Boas risadas e épicas tardes de futebol de salão.

Como antes, no presente é bom estar em boa companhia.  Ou seja: o PT “chutou a bola no mato”, quando atacou um índice que ele mesmo gere, e pior, sem argumento teórico possível.

Hoje, um atordoado Professor Jefferson parece querer reagir, e comete outro erro, ao tenta unificar, em um mesmo campo político, coisas diferentes, ou seja, Wladimir Garotinho e a delegada candidata. Assista aqui.  Parece que o candidato continua perdido, como dissemos aqui.

Vamos tornar os problemas do Professor Jefferson um pouco mais difíceis, se é que isso é possível.  Falamos no texto aí em cima que ele e sua coordenação elaboram um cenário que inviabiliza um possível diálogo, caso haja um segundo turno entre Wladimir e a delegada.  Com o comportamento de hoje, o PT ficaria ainda mais isolado que já está.

Agora vamos virar a cabeça de vez, e pensar em um segundo turno entre o PT e a delegada, caso houvesse uma catástrofe na campanha favorita.  E aí, como dialogar com o pessoal de Wladimir?  Aliás, acreditando em uma previsão feita por uma cabeça coroada da coordenação da campanha petista, como se portará o (a) vereador (a) eleito (a), ou os (as) vereadores (as) eleitos (as), frente ao quadro político que se avizinha?

O PT vai conversar com quem, seguindo essa trilha do Alto Comissariado Para as Eleições? E 2026, já que é consenso que o pleito de 2024 é um ensaio geral das eleições gerais, no quesito alianças e montagem de palanques?

Acredito que desse jeito, o PT de Campos vai continuar como se encontra: ouvindo o som da própria voz.

Em meio à tormenta, o PT Campos está sem bússola, lenço ou documento

pt lenço

Por Douglas Barreto da Mata

Seguindo nossas reflexões recentes sobre o PT de Campos, aqui (Aqui!) e (Aqui!), eis que emergiu uma dúvida.  E se, em um cenário bem pouco provável, é verdade, houvesse um segundo turno entre o atual Prefeito Wladimir Garotinho, favorito à reeleição e a oposição da extrema-direita, representada na delegada candidata?

Como o PT orientaria seus eleitores, e mais, como se comportaria o partido neste improvável cenário?  É uma pergunta importante, apesar da pouca chance de que ela venha a ser feita, pelos motivos que já declinamos, isto é, o amplo favoritismo do atual prefeito.  No entanto, não é uma questão que deve ser desprezada para o day after tomorrow, ou, o dia depois de amanhã.

Encerradas as eleições, como se encaixa o PT de Campos dos Goytacazes neste futuro recente?  Afinal, há contingentes históricos importantes se aproximando, como a necessidade de Lula ter um  palanque forte no Estado, tudo indica com Eduardo Paes, além das demandas do partido em ampliar suas bancadas na Câmara Federal e no Senado. E aí?

A estratégia e as táticas da coordenação de campanha do “Professor Jefferson”, que parecem meio deslocadas da direção partidária e dos interesses de médio prazo do partido, a nível estadual e sim, no nível nacional também, parecem apontar para uma hostilidade flagrante contra o candidato que, hoje, se apresenta como centro-direita.  Ao se unir com a extrema-direita campista, o PT de Campos indica que está sem rumo. Perdido. 

Uma campanha acidentada, marcada pela estupidez de esperar alguém que não poderia ser candidata, e um candidato que parece desconhecer as reais chances que tem, que não são de vitória, mas sim de demarcar um campo progressista, estabelecendo as diferenças com a centro-direita representada no atual prefeito, porém, acima de tudo, execrando e isolando tudo o que significa a extrema-direita local.

A campanha atual me faz lembrar do ridículo : “Sou PT, voto Feijó”, uma passagem vergonhosa, onde, como de costume, para embarcar em um anti garotismo cego e tetraplégico, o partido se uniu ao que havia de pior no cenário local. Por estranha ironia, aquele que veiculava impropérios, foi cooptado.

O ressurgimento da Ku Klux Klan no ano de seu 150º aniversário - BBC News  Brasil

Já os petistas de antanho, os “feijoadas”, defendem atualmente a linha de adesão ao esforço da Ku Klux Klan local.  Burrice não é errar, burrice é cometer os mesmos erros e esperar resultados diferentes.

O Professor Jefferson, a raposa, e as uvas

raposa

Por Douglas Barreto da Mata

Quase todo mundo conhece ou já ouviu falar dessa fábula. A raposa desejosa das uvas que não conseguia alcançar, desdenhava dizendo-as verdes.  É a fábula do recalque.

A primeira vez que ouvi falar de Jefferson Azevedo foi através da minha filha, aluna do segundo grau do IFF, onde o professor concorria ao cargo de reitor.  Ela veio me cobrar, porque conhecia minha militância, e imaginava no candidato ao reitor uma coerência à esquerda, sobre a qual pairava a dúvida dela: “Pai, o candidato Jefferson foi na sala, e prometeu, caso ganhasse, pizza no bandeijão”.

Eu sou amante da comida italiana, brinquei, opa, vou me matricular.  Brincadeiras à parte, ali se revelava, pela surpresa de minha filha, e minha também, um certo trejeito do então candidato, que ali se expressava como fisiologismo.

Hoje, continuo a me assustar com o moço.  Não que ele não possa utilizar armas de outros para alavancar seus projetos eleitorais. O que me assombra é a falta de sofisticação.

Prometer pizza? Certo! Mas e os laboratórios, condições da escola, garantia de professores em sala (o que na época foi difícil).

De certa forma, toda eleição é um pacto fisiológico mesmo, com um candidato prometendo atender demandas dos eleitores. Se elas são de curto, médio ou longo prazo, aí é outra coisa, e não me cabe aqui entrar nesse jogo de valoração.

O fato é que o professor Jefferson acabou seu ciclo, melancolicamente, no IFF, sem fazer sucessor, e logo no reinício do governo Lula.

Como me disse um interlocutor muito mais sábio que eu, com quem tive o prazer de conversar na última segunda: “o problema foi o candidato”. Discordo, mas, polidamente, retruquei, pois acho que, nesse caso, tanto o padrinho como o afilhado eram os problemas.

Pois bem, hoje, me deparei com a fala do Jefferson em sua rede social, descendo a mamona na nota do IDEB da PMCG.

Eu já me posicionei sobre o que eu achava factível para o PT nessas eleições, como você pode ler  [Aqui! ].

É complicado, e até vergonhoso, assistir ao papel assumido pelo professor, de linha auxiliar da extrema-direita na cidade.  Não, o governo Wladimir não é um sonho, óbvio. Mas eu não consigo entender a resistência em entender em que ajuda ao PT agudizar as críticas a um governo, que se esforça para ir para o centro, justamente onde todos que lutam contra o fascismo recente gostariam que ele se deslocasse.

Sobre a nota do IDEB? O professor usou o mesmo argumento chulo das redes sociais da extrema-direita local, a tal aprovação “automática”. Esconderam, claro, que a aprovação não é o único vetor que direciona o índice (IDEB), e que dentre eles está o SAEB, a avaliação bienal dos alunos.

Há outros quesitos.  Pois bem, o professor fez revirar no túmulo o cadáver de Paulo Freire ao colocar toda a pedagogia, e os métodos de avaliação de sucesso dos ciclos pedagógicos, resumidos na questão de ser ou não aprovado “automaticamente” (os especialistas não usam mais essa expressão).

Sabe o professor que não é esse o problema, e mais, não mencionou que foi o governo federal que recomendou esse método para esse ciclo do IDEB (2021/2023), para aplacar os efeitos da pandemia.

Ou seja, sim, a aprovação “automática” é uma ferramenta sim, e como todas ferramentas não são um fim em si, nem para o bem, nem para o mal, como quis reduzir o professor. Assim como pizzas.

Outra questão surrupiada pelo professor foi o fato de que Campos dos Goytacazes foi na contramão do Estado do Rio, esse sim, um desastre que arrastou para baixo os índices do Sudeste.

Talvez para não desagradar a deputada estadual, e “embaixatriz” do governo estadual dentro do PT Campos. Ah, e falando nela, São João da Barra, feudo onde ela é monarca soberana, ficou abaixo de Campos dos Goytacazes, mesmo tendo três vezes mais orçamento per capita para investimentos.

E antes que eu me esqueça: o governo federal deu zero de aumento para os professores universitários esse ano.

Dizem que os aumentos estão presos para sempre no calabouço fiscal do Paulo Guedes de boas maneiras, o ministro Fernando Haddad.

O PT de Campos e suas possibilidades em 2024

pt campos

Por Douglas Barreto da Mata

Ninguém entra em uma campanha pensando em derrota. O Professor Jefferson não seria diferente. No entanto, cada candidato, cada coordenação de campanha e direções tendem a adequar o otimismo e o vigor, necessários para um bom trabalho eleitoral, com uma visão pragmática da realidade e dos cenários futuros.

Sim, a luta política do PT em Campos dos Goytacazes não se encerra em 2024, porém, a adoção de táticas e estratégias bem elaboradas podem transformar as perspectivas do partido na cidade e na região. 2024 é 2026, venho dizendo. Assim como digo sempre que, em 2026, poucas forças políticas vão ficar de pé, ou com forças suficientes para influir no jogo.

O PT de Campos dos Goytacazes é, mais uma vez, um elemento importante dessa equação, porque se localiza no epicentro, mais uma vez, da disputa de grandes dinastias políticas, agora o grupo do Prefeito Wladimir Garotinho e do Presidente da ALERJ, Rodrigo Bacellar.

Estes dois grupos sabem que suas sobrevivências políticas em 2026, e dali por diante, dependerão (muito) dos acordos e alianças feitas agora, em 2024.

O que o PT poderá fazer?  É uma pergunta difícil, mas há sinais claros do que o PT não deve fazer.

Os dados das pesquisas eleitorais recentes mostram que o Prefeito Wladimir está sedimentado em uma parcela grande do eleitorado, e apesar da campanha não ter começado, de direito, ainda, o fato é que nas redes sociais há uma intensa disputa, somada às recentes intervenções do grupo do Presidente da ALERJ na região, com direito à caravana com o Governador.

Tudo isso não movimentou muito as intenções de voto, e o Prefeito segue como um fenômeno atípico: as intenções de voto estimuladas quase igualam as de caráter espontâneo nas pesquisas.

Outro fator importante a ser analisado é a diminuta rejeição do Prefeito, apesar de já estar “na chuva” há três anos, e mais, o prefeito construiu, na sua curta carreira, um nome próprio, que ao mesmo se aproveita do “recall” dos pais, mas com atitude independente, sem, no entanto, igualar a inclinação ao conflito do pai.

Resumindo, parece difícil ao PT, ou a qualquer outra força política concorrente capturar votos do Prefeito.  O que resta então?

Um campo de eleitores que não votaria em ninguém, seja por abstenção, ou por votos brancos e nulos, uma parcela de anti garotistas ferrenhos, outros tantos indecisos, ou historicamente eleitores da esquerda.

É uma faixa pequena, mas que para o PT pode fazer toda diferença, já que um desempenho de 10%, ou algo próximo, pode fazer a legenda ter dois vereadores, e um nome viável para as eleições estaduais de 2026, que seria o próprio Jefferson.

Se tirar votos do Prefeito é tarefa pouco provável, até para a campanha mais estruturada da Delegada Madeleine, apoiada pelo “canhão” da Alerj e do Governo do Estado, como o PT poderá construir seu capital eleitoral?

Note que a Delegada ficou restrita a um campo ultra evangélico de extrema-direita, pelo menos é essa a mensagem refletida na sua postura “messiânica” recente, do tipo “Varoa Templária”.

Em que campo o PT poderia prosperar?  O de sempre, e que, infelizmente, foi esquecido nos últimos tempos: o campo da esquerda, levar a eleição para uma polarização com a extrema-direita, representada pela Delegada Madeleine.

É consenso, que não há como ganhar votos (só) criticando a administração atual, já que uma enorme parcela do eleitorado já vem dizendo que mesmo com problemas, o que hoje está aí é muito melhor que o desastre Rafael Diniz, cujos efeitos da péssima administração ainda não foram esquecidos, inclusive pelo ótimo trabalho de marketing da equipe do Prefeito.

Críticas ao transporte público, a saúde, etc têm algum apelo, mas não têm revertido em votos.

No entanto, como os petistas mesmo chegaram a afirmar, há um montante de votos conferidos a Lula no segundo turno de 2022 que demonstram que a mensagem anti extrema-direita, aqui refletida na campanha da Delegada, pode trazer alguns frutos.

Os especialistas, em sua maioria, aconselham a não nacionalizar as campanhas municipais, salvo exceções, que parece ser o caso de Campos dos Goytacazes: o tamanho do eleitorado (quanto maior a cidade, maior a chance de polarização nacionalizada).

A impossibilidade fática de atacar uma administração e um prefeito super bem avaliados, apesar dos problemas da cidade (o que mostra o quanto o trabalho de convencimento foi bem feito, e será difícil de reverter em 2 meses).

Sendo assim, o PT campista deveria, em meu raso entender, tentar tirar votos de onde é possível, por mais paradoxal que seja, da extrema-direita.

Para quem acha isso impossível, é bom lembrar que todas as sondagens nacionais mostram um nível de “confusão convergente” entre parte do eleitorado de Lula e de Bolsonaro.

Querem prova disso?  A última determinação do PL em “purificar” suas alianças proibindo a aproximação com PT, PDT, PC do B, PSB, etc.

O PL e os Bolsonaro já enxergaram nessa eleição municipal o perigo de diluição do apelo do extremismo pelo pragmatismo eleitoral das lideranças regionais e locais, e do próprio eleitor.

Temem, por assim dizer, que sejam engolidos pelas exigências da realidade, já que boa parte dos eleitores de Lula se aproxima da pauta conservadora de costumes do bolsonarismo.

É hora do PT campista elaborar uma agenda de enfrentamento da extrema-direita, representada pela Delegada Madeleine, ao mesmo tempo que estabelece uma ponte futura para dialogar com as forças de centro, representado em Wladimir e seu arco de aliados mais moderados, impedindo o avanço dos radicalismos, que intoxicam qualquer ambiente político.