Conflito agrário no Porto do Açu: disputa por áreas para pastagem tem novo dia de tensão

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Acabo de receber  uma ligação vinda do V Distrito de São João da Barra dando conta que o agricultor Reginaldo Toledo (que é mostrado acima na ordenha de uma de suas vacas) está sendo pressionado na tarde desta 3a. feira (01/09) por um destacamento da Polícia Militar composto por três viaturas (!) por causa das disputas em curso pelo uso das áreas de pastagens existentes em áreas que, apesar de desapropriadas, ainda permanecem em disputa judicial. Pelo que me foi informado, os policias militares querem que o gado da família Toledo seja retirado das áreas desapropriadas.

Ainda segundo o que me foi relatado, os policiais militares estão “convidando” o agricultor Reginaldo Toledo para que realize mais uma “visita” à 147a. Delegacia de Polícia que se localiza próxima ao centro da cidade de São João da Barra. Como ele não estava sendo formalmente preso, o “convite” até agora não foi aceito, já que nas vezes anteriores isto serviu apenas para causar uma enorme perda de tempo por parte dos agricultores levados para a 147a. DP.

Essa situação envolvendo o gado pertencente aos agricultores desapropriados é apenas um dos focos de tensão que existem neste momento. Entretanto, é muito revelador dos problemas que cercam as desapropriações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin) supostamente para instalar um distrito industrial pertencente ao município de São João da Barra. É que as ações ostensivas que são realizadas contra os agricultores são normalmente realizadas por empresas de segurança privadas contratadas pela Prumo Logística Global.

E não resisto e tenho que perguntar: é isto o que chamam de futuro brilhante para São João da Barra por causa do Porto do Açu?

 

Ururau: Mar volta a avançar no Açu, em SJB, e deixa a população assustada

Defesa Civil está de prontidão e informa que não houve desalojados e desabrigados

Ururau/Arquivo/ Defesa Civil está de prontidão e informa que não houve desalojados e desabrigados

O mar voltou a avançar e deixar os moradores da praia do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense, apreensivos. A maré alta pegou a população de surpresa nesta quarta-feira (18/03), mas apesar do susto, ninguém ficou desalojado ou desabrigado. A Defesa Civil local está de prontidão 24 horas para qualquer eventualidade.

De acordo com o coordenador de Defesa Civil local, Adriano Martins, a situação é mais crítica na rua do popular ‘Chacrinha’, aonde a água chegou a invadir a varanda de um estabelecimento comercial. “A maré está aumentando e deve ficar assim por mais três dias. As ruas mais baixas também ficaram alagadas, mas a drenagem é rápida e a situação logo volta ao normal”, comentou o coordenador informando os números do órgão para qualquer necessidade: (22) 2741 8370 ou 199.

OUTRO CASO 

No início de janeiro deste ano, o avanço rápido do mar resultou na erosão em trecho da estrada litorânea entre o Xexé e Maria da Rosa, no Cabo de São Tomé. Devido à destruição de trecho da estrada, na curva situada nas proximidades da Ponte sobre o Rio Açu, em Maria Rosa, a Defesa Civil de Campos interditou o local para evitar acidentes, com queda de veículos dentro do mar.

Na época, o secretário de Defesa Civil de Campos, Henrique Oliveira afirmou que foram adotadas medidas emergenciais. “A solução nos remete à construção de enrocamento (formado por fragmentos de rocha compactados em camadas de rochas) na orla daquele trecho, mas essa alternativa é de elevada complexidade técnica. Há necessidade de estudo hidrológico, ações que não são de competência dos municípios, porque ali, na orla, decisões dessa natureza competem à Marinha do Brasil e ao Ibama”, detalhou o secretário.

Praia do Açu: caindo, caindo, caiu!

As imagens abaixo mostram uma construção que até ontem estava de pé e abrigava um bar na Praia do Açu, mas que desabou na manhã deste sábado (07/03). 

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Diante destas imagens de destruição, eu fico imaginando qual seria a resposta que seria dada a um jornalista que perguntasse a alguém da Prefeitura de São João da Barra, do INEA ou da Prumo Logística como está a situação na Praia do Açu.  Será que eles repetiriam os mantras “a situação voltou ao normal” e “temos estudos que mostram que não é culpa do Porto do Açu”? Difícil mesmo é convencer os moradores daquela área que é isso mesmo e que eles não têm com que se preocupar!

Salinização à vista! A difícil vida dos agricultores familiares no entorno do Porto do Açu

Venho acompanhando a saga de centenas de famílias de agricultores familiares que tiverem o supremo azar de ver o Porto do Açu instalado justamente em seu território. Em cada visita que faço no entorno do porto, iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista e hoje controlado pelo fundo de investimentos EIG Global Partners, encontro mais evidências que só com muita teimosia é que a agricultura familiar ainda resiste e produz alimentos no que já foi o celeiro agrícola de São João da Barra.

Nesta tarde de sábado (28/02) fiz mais uma visita de campo a uma família que até recentemente estava concentrada na produção de hortaliças. Segundo o que me foi dito essa mudança foi inicialmente apoiada pelo conglomerado de Eike Batista que iniciou um projeto produtivo que beneficiou em torno de 12 famílias. E tudo parecia ir bem até o final de 2014 quando os plantios começaram a dar sinais de que estavam com algum tipo de estresse, pois as perdas começaram a serem consideravelmente maiores.  Depois de detectado o problema, análises feitas na água usada para irrigar os plantios indicaram, surpresa das surpresas!, que o nível de salinidade estava acima do aceitável para uso na irrigação. O mais problemático é que frente à perda da maioria das mudas, o agricultor teve que simplesmente extinguir mais de 90% da área plantada, o que lhe causou óbvias perdas financeiras.

Em outras palavras, o fenômeno que foi apontado pela extinta LL(X) e por representantes do Instituto Estadual do Ambiente como sendo pontual no tempo e no espaço pode não ter sido nem uma coisa nem outra. E de qual fenômeno falo eu? O da salinização das águas superficiais e, muito provavelmente, do lençol freático, fruto do derrame de água salgada oriunda do aterro hidráulico construído do Porto do Açu. Essa possibilidade é aumentada pelo fato de que a propriedade que eu visitei usa água de um poço cuja profundidade normal é de aproximadamente 7 metros. Em outras palavras, se há salinização, esta é do lençol freático!

Diante do que observei, aproveito para perguntar quando é que os responsáveis pelo empreendimento (a EIG Global Partners) e a agência ambiental responsável (o INEA) por observar o cumprimento das medidas reparadoras para danos ambientais vão sair da fase da negação para a fase do oferecimento de respostas.

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