Porto do Açu: do sonho da “Roterdã dos trópicos” à realidade das gambiarras

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Depois que eu posto materiais mostrando que a situação no Porto do Açu não é o mar de rosas que tanto se apregoa, há leitor que se irrita e até máquinas robôs que enviam material homofóbico para a caixa postal deste blog. Mas agora o que serão que dirão os apoiadores do empreendimento que um dia Eike Batista rotulou ambiciosamente de “Roterdã dos trópicos” frente à denúncias de que imperam as gambiarras no seu funcionamento?

Que eu suspeitava desse repetino giro para a bauxita, isto já faz algum tempo. Aliás, me lembro da natureza improvisada dessa nova opção de âncora comercial para o Porto do Açu quando deparo cotidianamente com os caminhões cheios de bauxita pelas ruas de Campos dos Goytacazes. 

Mas agora com essa denúncia e o silêncio da Prumo Logística, vejo que o problema é mais sério do que eu imaginava. Aí eu fico me perguntando sobre andam o Ibama, o Inea e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a quem cabe observar o cumprimento das normas que regulam as operações sendo realizadas nos portos brasileiros.

Finalmente, eu faço a simples e singela pergunta: o que mais anda funcionando na base da gambiarra no Porto do Açu?

Denúncia aponta que Prumo opera porto sem estrutura

carência. Segundo denúncia, porto faz "gambiarra" para realizar operação de embarque (Divulgação)

carência. Segundo denúncia, porto faz “gambiarra” para realizar operação de embarque (Divulgação)

Telmo Filho

Denúncia feita ao jornal O Diário nesta segunda-feira (5/10) informava que o terminal do Complexo Logístico e Industrial do Açu, no município de São João da Barra (SJB), não dispõe de área operacional e equipamentos adequados para o embarque e desembarque de minério. Segundo denúncia, a Prumo Logística, atual proprietária do terminal, teria montado uma “gambiarra” para fazer o embarque e desembarque de um carregamento de bauxita. Conforme fotos encaminhadas para o jornal, um caminhão trator descarrega no pátio, a céu aberto, o minério, que começou a chegar no mês de julho deste ano. Em nota, a Prumo informou que não iria se manifestar sobre a denúncia.

Segundo informações, o descarregamento é feito no pátio, em seguida é realizado o transporte da bauxita com uma carregadeira para uma prancha e, por final, levada para o navio. “O Porto do Açu não possui qualquer estrutura para embarque e desembarque de granéis. Não existe guindaste, empilhadeira de pátio e nem balanças rodoviárias. E a Prumo havia afirmado que o complexo tem capacidade para movimentar, por ano, quatro milhões de toneladas de granéis”, revelou o denunciante.

Fontes seguras revelam que, para a Prumo Logística operar com embarque e desembarque de granéis no terminal, seria necessário comprar equipamentos cujos valores ultrapassariam da casa de R$ 1 bilhão. “Só o guindaste custa hoje perto de US$ 400 milhões. O dinheiro que a Prumo gastou com festas para políticos locais deveria ter sido utilizado pra comprar guindaste, empilhadeira e balança rodoviária que está faltando para a operação”, pontuou o denunciante, também questionando: onde foram parar os R$ 10 milhões doados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

FONTE: http://diarionf.com/denuncia-aponta-que-prumo-opera-porto-sem-estrutura

Se deixar animal solto é ilegal, expropriar terra e não pagar é o que?

Uma leitora do blog que vive no V Distrito de São João da Barra me enviou a imagem abaixo com uma mensagem bastante indignada em relação ao que ela pensa ser um processo total injusto em relação aos agricultores que tiveram suas terras expropriadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin), terras essas que hoje se encontram sob o controle da Prumo Logística Global.

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O que mais indignou a agricultora que me enviou a mensagem é que ela considera a colocação do outdoor da Prefeitura de São João da Barra exatamente ao lado de uma residência destruída pela Codin como sendo um acinte a todos os que continuam esperando que sejam pagos valores corretos pelas terras que lhes foram tomadas para a construção de um distrito industrial que continua apenas nas pranchetas de desenhos. Enquanto isso as famílias que tiveram as terras tomadas continuam abandonadas ao Deus dará, e, de tempos em tempos, sob a coação direta de equipes de “segurança”. 

E ai eu pergunto: quem pode culpar as pessoas que estão indignadas com tanto desiquilíbrio no tratamento dos problemas causados por essas desapropriações?

TV Terceira Via faz matéria sobre erosão na Praia do Açu

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A TV Terceira Via produziu uma matéria com um conteúdo que considero interessante sobre o avanço do processo erosivo que está consumindo a Praia do Açu, e hoje ameaça a localidade da Barra do Açu que ficam na área de influência direta do Porto do Açu.

Insisto que um aspecto que me causa estranheza total é a insistência da negação causal entre a construção do Canal de Navegação e do Terminal 2 do Porto do Açu no processo de desequilíbrio ambiental que hoje causa grave preocupação na comunidade da Barra do Açu.

Abaixo segue o vídeo que mostra a matéria. Mais do que assistir, é importante divulgar principalmente o testemunho dos moradores que hoje assistem com grande preocupação a aproximação do fenômeno que ameaça consumir suas residências e estabelecimentos comerciais.

E, sim, continuo esperando a implementação das ações que visem mitigar o processo de erosão. Com a palavra o INEA e a Prumo Logística Global.

Erosão na Praia do Açu: um ano depois, Prefeitura se resume a “pescar” paralelepípedos no mar

Venho acompanhando de perto o avanço da erosão na Praia do Açu desde o final de 2013 quando o fenômeno começou a se agravar. Desde então, venho fotografando a área regularmente. Confesso que apesar de ter previsto, a velocidade do fenômeno tem me surpreendido.

Vejamos a foto abaixo que eu tirei no dia 06 de setembro de 2014.

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Imagem do dia 06/09/2014 mostrando ainda a presença de trecho intacto da Avenida Atlântica e a rede de eletricidade.

Agora, comparemos o mesmo ponto na manhã desta 3a. feira (15/09) para ver como a situação mudou drasticamente em exatos 374 dias.

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Imagem mostrando o mesmo ponto da Praia do Açu no dia 15/09/2015 já sem a presença da Avenida Atlântica.

Neste período, o que tivemos em termos da tomada de responsabilidades por parte dos governos estadual e municipal, bem como da Prumo Logística Global pode ser sintetizado na ação de servidores da Prefeitura Municipal de São João da Barra para “salvar” os paralelepípedos que cobriam o que um dia foi a Avenida Atlântica. 

Agora, qual será a próxima ação dos responsáveis? Recolher os entulhos em que vão se transformar as edificações que já deveriam ter sido protegidas e agora vão enfrentar o mesmo destino da Avenida Atlântico? E ainda tem gente que tem coragem de chamar esse processo todo de “desenvolvimento”. 

Conflito agrário no Porto do Açu: remoção de agricultores com direito à presença de gerente da Prumo Logística

A ação que levou ao desmanche do acampamento construído por agricultores do V Distrito para demandar as justas indenizações devidas pela expropriação de suas terras, e que ocorreu na manhã desta 5a. feira (10/09) teria tido direito até à ilustre presença do Sr. Miguel Franco Frohlich no local. Segundo fui informado, o advogado Miguel Frohlich vem a ser o gerente de Meio Ambiente e Gestão Fundiária na Prumo Logística Global S.A ( e que seria a pessoa mostrada no centro da imagem vestindo camisa branca)

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Caso isto todas essas informações estejam corretas, a presença de uma figura importante na hierarquia da Prumo Logística no ato de remoção dos agricultores mostra a importância que a empresa deu a essa retirada. Afinal, em tantas outras ações similares, não se teve notícia de um quadro dirigente para presenciar a ação da Polícia Militar e dos oficiais de justiça. E olha que estamos falando de centenas de ações ao longo dos últimos cinco anos.

Agora, eu fico imaginando o que precisarão fazer os moradores da Barra do Açu ameaçados pela erosão e os agricultores que tiveram suas terras e águas salinizadas para merecerem o mesmo tipo de visita ilustre por parte de um dirigente da Prumo Logística.  A ver!

Praia do Açu: morador indignado pergunta para quê serve o monitoramento que a Prumo diz fazer

 

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Continuo recebendo pelo endereço eletrônico do blog uma série de mensagens de moradores da localidade da Barra do Açu sobre o avanço do processo erosivo na praia que até recentemente dava sustento à comunidade na forma de área de lazer ou mesmo de pesca artesanal.

Um mensagem específica me chamou a atenção, pois o morador que disse ter estado presente na audiência pública realizada na Câmara de São João da Barra no dia 01 de outubro de 2014 (Aqui!), o representante da Prumo Logística, o Sr. Vicente Habib, teria afirmado que a empresa realiza um monitoramento contínuo da área costeira em torno do Porto do Açu. Lembrando dessa afirmação, o morador me inquiriu sobre a serventia de tal monitoramento.

Bom, a minha reação a essa mensagem é a seguinte: boa pergunta! E  explico: é que se tal monitoramento é efetivamente feito, eu não entendo porque ainda não se apresentou publicamente seus resultados.

Mas com certeza oportunidade para isto não faltará. por exemplo, a Prumo Logística está se preparando para realizar duas audiências públicas nos dias 09 e 10 de Setembro (a primeira em São João da Barra e a segunda em Campos dos Goytacazes) visando obter as licenças ambientais para a implantação de uma termelétrica no Porto do Açu. Quem sabe ai alguém possa inquirir sobre o andamento do monitoramento costeiro que a empresa estaria realizando. A ver!

Praia do Açu: o lema agora é salvem-se os paralelepípedos, e que se dane o praia e seus moradores?

Estive esta tarde no que ainda resta da Avenida Atlântica, via pela qual se transitava na maior parte da Praia do Açu. A visita foi marcada pela busca espontânea de moradores que se declaravam ultrajados com o descaso com que esse problema tem sido tratado pelos gestores públicos e privados que deveriam estar vindo a público assumir suas responsabilidades.

Uma moradora de mais de 20 anos da Praia do Açu estava particularmente revoltada com a única medida tomada pela Prefeitura Municipal de São João da Barra em face do avanço inclemente das ondas, qual seja, a retirada dos paralelepípedos que serviam como cobertura asfáltica ao trecho que ainda restava da Avenida Atlântica (ver imagens abaixo). Para ela, algo além desse paliativo deveria estar feito, visto que depois da avenida cair, a próxima coisa a desabar será sua residência.

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Uma coisa que sempre me vem à mente quando tenho esses encontros dramáticos com os afetados pelo Porto do Açu é de como as autoridades de São João da Barra podem permanecer aparentemente inertes ao drama que está se desenrolando não apenas na Praia do Açu, mas em outras partes do V Distrito. E olha que na Barra do Açu vivem o prefeito Neco e o vereador Franquis Arêas! 

Mas, convenhamos, que as responsabilidades sobre o que está acontecendo vão além de prefeito e vereadores, visto que a ocorrência deste fenômeno estava prevista no EIA/RIMA a partir dos quais foram emitidas licenças ambientais pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para a construção da Unidade de Construção Naval e do Canal de Navegação do Porto do Açu conforme solicitação da OS(X)..

De toda forma, há que se salientar que existem alternativas técnicas para conter o problema, e não há porque aceitar que a única medida adotada seja salvar um punhado de paralelepípedos. Afinal de contas, à população da Barra do Açu não pode ser dito que sua única saída é vigiar o avanço do mar. Simples assim!

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Minha reação às críticas do deputado Bruno Dauaire: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

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Há pouco minutos atrás me foi chamada a atenção sobre críticas que me teriam sido dirigidas pelo jovem deputado sanjoanense Bruno Dauaire (PR) durante uma entrevista ocorrida na manhã deste sábado (13/06) na Rádio O O DIÁRIO. A aparente causa do desconforto do deputado Dauaire comigo seria uma postagem em que comentei (de forma bem civilizada acredito eu) declarações que ele deu ao visitar as dependências do Porto do Açu no dia 11 de maio (Aqui!). Como não ouvi a entrevista, nem vou me alongar numa réplica, onde eu poderia cometer alguma indelicadeza indevida.

Agora é preciso notar que entre a visita ao Porto do Açu e a entrevista de hoje se passaram mais de 30 dias, período ao longo do qual a assessoria do deputado me contactou para tratar de outros assuntos, onde essa questão não apareceu. Além disso, o que eu escrevi na postagem do dia 13/05 está perfeito alinhamento com a realidade, sem tirar nem por.

Aliás, como um jovem parlamentar que é, o deputado Bruno Dauaire deveria saber que críticas bem colocadas são milhões de vezes mais úteis do que frases vindas de bajuladores e outros tipos de indivíduos que só se aproximam atrás de benefícios pessoais. Como esse não é o meu caso, já que meus atos são direcionados no sentido de que se faça justiça aos agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra, penso que minhas observações não deveriam ser causa de incomodo ou desconforto pessoal. Aliás, muito pelo contrário. Deveriam ser consideradas uma consultoria grátis.

Finalmente, uma dica sem segundas intenções ao deputado Bruno Dauaire: use seu mandato para defender o sofrido povo de São João da Barra que hoje se encontra carente de todos os tipos de serviços públicos de qualidade, a começar por um hospital municipal. Já no caso do V Distrito que ele use seu mandato para acelerar o pagamento de indenizações, as quais reflitam o valor real da terra e não aquilo que peritos contratados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) dizem valer. E, sim, que ele evite ser novamente fotografado com o famigerado colete verde limão da Prumo Logística Global (LLX). É que, do contrário, ele pode a ser acusado de veste a camisa da Prumo Logística Global e não a da população que o elegeu.  E se isso acontecer, é quase certo que suas próximas corridas eleitorais não sejam tão exitosas quanto a que o colocou na atual legislatura da ALERJ. Simples assim!