No debate sobre as notas de Campos no Ideb, o Professor Jefferson joga a criança fora com a água suja do banho

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Douglas Barreto da Mata

Para não dizer que não falei de números

Estranho fenômeno acometeu o candidato petista à prefeitura de Campos dos Goytacazes. Como se não bastasse ter dado eco ao discurso da extrema-direita, atacando o índice do IDEB 2023, quando a cidade alcançou 5.4, deslocando-se várias posições para cima no ranking estadual, o moço agora meteu-se em uma discussão meio sem sentido, justamente com seus pares da academia, que ousaram desafiar as teses do candidato sobre aprovação automática, e o peso desse vetor no total dos dados.

Sim, engraçado assistir o candidato cavando um buraco embaixo dos próprios pés, subtraindo de si mesmo o único local de fala que tem, ou seja, o meio acadêmico, já que no campo popular ele inexiste. Ora, vamos desenhar para gente burra entender: a variação do índice de aprovação, como disse o Professor da UCAM-Campos, Eduardo Shimoda, não teve um valor que alterasse significativamente a nota final apurada.

Ponto!  Vamos encerrar esta questão dos números com alguns mais saborosos: Vejam os dados do ENEM e o IFF Norte Fluminense na gestão do rapaz.  Catastróficos, eu sei, um desastre.  Se formos usar a mesma régua torta do doutor engenheiro da computação, a gente pode sentenciar, é o porco falando do toucinho. 

Porém, como eu sou um cara do bem, não tenho doutorado, mas tenho bom senso, eu sei que ele poderá alegar que foi o período Michel Temer/ Jair Bolsonaro, etc, etc, etc.  Pode ser, quem sabe?  Ou pode ser também uma boa dose de incompetência dele, não?

Se eu fosse um cara do mal, eu usaria a mesma lógica que ele utiliza, quando esconde que o governo Rafael Diniz (de que boa parte do PT e os aliados da deputada estadual desaparecida fizeram parte) dinamitou todas as Políticas Sociais, e aí, principalmente a Educação Pública, com escolas fechadas, salários atrasados, merenda ruim, etc.

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Para não dizer que não falei de gente

O que importa, afinal, nesse debate, são as pessoas.  Quando ataca um índice conseguido depois de uma pandemia, que fez com o que o Governo Federal fizesse a recomendação de aprovação automática, para que os alunos não ficassem ainda mais atrás das escolas privadas, dos ricos que podem pagar pelo ensino e pela recuperação de conteúdo, o “Professor Jefferson” diz a que veio: Danem-se os pobres! Que sejam punidos várias vezes, por serem pobres, inclusive com a reprovação.

Sabe o “professor” que a Escola não se encerra em notas, aprovações ou reprovações, IDEB ou colocações no ENEM, mas no processo vivo de aprendizado, que se adapta às circunstâncias, como o fato de que o atual governo encontrou terra arrasada no setor.  Ainda assim, com todas as dificuldades, professores e todo pessoal administrativo, alunos e pais de alunos se uniram para alavancar o nível de aprendizagem.

Ao atacarem o índice, o PT e  o Professor Jefferson atacam esse esforço, essa ideia de recuperação, esse movimento de valorização, e mesmo de propaganda, se assim quisermos, de dizer que o público é bom.  Eu tinha evitado usar os dados do ENEM do IFF, até aqui. Porém, com tanta desonestidade intelectual, é preciso colocar certas coisas em seus lugares.

E não podemos nunca nos esquecer que “pau que dá em Chico, dá em Francisco”.

O PT de Campos continua falando sozinho

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Por Douglas Barreto da Mata

Dias atrás, aqui neste mesmo blog, eu avisei aos camaradas do Comitê Central do PT de Campos, e aos comissários do povo para a campanha de 2024, que bater nos índices do IDEB era como dar coices na própria sombra.

Não ouviram. Como sabemos, quem não escuta cuidado, escuta coitado. Pois bem, hoje me mandaram o que dois acadêmicos pensam sobre o tema:  George é companheiro de longa data, desde quando ele integrava a equipe do blog Outros Campos. Sempre que queria aporrinhar eles, dizia que eles eram “os que sabiam javanês”, em uma alusão à deliciosa crônica de Lima Barreto. Se não me engano eram Roberto Dutra, Vítor Peixoto, Brand Arenari e George Gomes Coutinho.

Divergências e rusgas à parte, que nos separaram em caminhos políticos diferentes, eis que o tempo trouxe de volta o camarada George para as tratativas políticas e análises.  Bem, parece que tanto ele, como o Eduardo Shimoda concordaram comigo no quesito “bola fora” do Comitê Central do PT e do Alto Comissariado Para As Eleições 2024.

Shimoda é contemporâneo de outros meninos da UENF, que moravam, assim como eu, no condomínio Verdes Campos, em frente à universidade.  Jogávamos boas “peladas” com Vitinho (se eu não me engano, biólogo), Marlon (acho que engenheiro agrônomo).  Boas risadas e épicas tardes de futebol de salão.

Como antes, no presente é bom estar em boa companhia.  Ou seja: o PT “chutou a bola no mato”, quando atacou um índice que ele mesmo gere, e pior, sem argumento teórico possível.

Hoje, um atordoado Professor Jefferson parece querer reagir, e comete outro erro, ao tenta unificar, em um mesmo campo político, coisas diferentes, ou seja, Wladimir Garotinho e a delegada candidata. Assista aqui.  Parece que o candidato continua perdido, como dissemos aqui.

Vamos tornar os problemas do Professor Jefferson um pouco mais difíceis, se é que isso é possível.  Falamos no texto aí em cima que ele e sua coordenação elaboram um cenário que inviabiliza um possível diálogo, caso haja um segundo turno entre Wladimir e a delegada.  Com o comportamento de hoje, o PT ficaria ainda mais isolado que já está.

Agora vamos virar a cabeça de vez, e pensar em um segundo turno entre o PT e a delegada, caso houvesse uma catástrofe na campanha favorita.  E aí, como dialogar com o pessoal de Wladimir?  Aliás, acreditando em uma previsão feita por uma cabeça coroada da coordenação da campanha petista, como se portará o (a) vereador (a) eleito (a), ou os (as) vereadores (as) eleitos (as), frente ao quadro político que se avizinha?

O PT vai conversar com quem, seguindo essa trilha do Alto Comissariado Para as Eleições? E 2026, já que é consenso que o pleito de 2024 é um ensaio geral das eleições gerais, no quesito alianças e montagem de palanques?

Acredito que desse jeito, o PT de Campos vai continuar como se encontra: ouvindo o som da própria voz.

Em meio à tormenta, o PT Campos está sem bússola, lenço ou documento

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Por Douglas Barreto da Mata

Seguindo nossas reflexões recentes sobre o PT de Campos, aqui (Aqui!) e (Aqui!), eis que emergiu uma dúvida.  E se, em um cenário bem pouco provável, é verdade, houvesse um segundo turno entre o atual Prefeito Wladimir Garotinho, favorito à reeleição e a oposição da extrema-direita, representada na delegada candidata?

Como o PT orientaria seus eleitores, e mais, como se comportaria o partido neste improvável cenário?  É uma pergunta importante, apesar da pouca chance de que ela venha a ser feita, pelos motivos que já declinamos, isto é, o amplo favoritismo do atual prefeito.  No entanto, não é uma questão que deve ser desprezada para o day after tomorrow, ou, o dia depois de amanhã.

Encerradas as eleições, como se encaixa o PT de Campos dos Goytacazes neste futuro recente?  Afinal, há contingentes históricos importantes se aproximando, como a necessidade de Lula ter um  palanque forte no Estado, tudo indica com Eduardo Paes, além das demandas do partido em ampliar suas bancadas na Câmara Federal e no Senado. E aí?

A estratégia e as táticas da coordenação de campanha do “Professor Jefferson”, que parecem meio deslocadas da direção partidária e dos interesses de médio prazo do partido, a nível estadual e sim, no nível nacional também, parecem apontar para uma hostilidade flagrante contra o candidato que, hoje, se apresenta como centro-direita.  Ao se unir com a extrema-direita campista, o PT de Campos indica que está sem rumo. Perdido. 

Uma campanha acidentada, marcada pela estupidez de esperar alguém que não poderia ser candidata, e um candidato que parece desconhecer as reais chances que tem, que não são de vitória, mas sim de demarcar um campo progressista, estabelecendo as diferenças com a centro-direita representada no atual prefeito, porém, acima de tudo, execrando e isolando tudo o que significa a extrema-direita local.

A campanha atual me faz lembrar do ridículo : “Sou PT, voto Feijó”, uma passagem vergonhosa, onde, como de costume, para embarcar em um anti garotismo cego e tetraplégico, o partido se uniu ao que havia de pior no cenário local. Por estranha ironia, aquele que veiculava impropérios, foi cooptado.

O ressurgimento da Ku Klux Klan no ano de seu 150º aniversário - BBC News  Brasil

Já os petistas de antanho, os “feijoadas”, defendem atualmente a linha de adesão ao esforço da Ku Klux Klan local.  Burrice não é errar, burrice é cometer os mesmos erros e esperar resultados diferentes.

O IDEB separa a Califórnia da Louisiana, mas aproxima o PT da extrema-direita em Campos

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Ministério da Educação divulga dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – (crédito: Mila Ferreira/DA/CBPress)

Por Douglas Barreto da Mata

A corrida eleitoral já começou, e confesso que imaginei que nada mais me surpreenderia.  Engano meu.

Desde 1982, já me chamava a atenção o jornal “O Nacional”, que o PDT de Leonel Brizola editou, na época, com a logomarca do seu correspondente francês progressista, o Libération.  Ali comecei a me interessar pela política, para, finalmente, passar a militar no PT, a partir de 1986.

Achava que o pleito deste ano não traria novidades, e dado o favoritismo do atual prefeito de Campos dos Goytacazes, que concorre à reeleição, e a pouca densidade eleitoral e política de sua oposição, parecia que não haveria novidade.

Como já disse, errei feio.

Na última semana, houve a divulgação dos índices do IDEB, com a cidade campista revelando uma recuperação inédita, alcançando índice jamais registrado, de 5,4.  Enquanto isso, o Estado do Rio de Janeiro alcançou apenas 3,3, e se consolidou como o pior da região Sudeste, sendo o responsável pelo rebaixamento da média da região, e pior, colocando os fluminenses na penúltima colocação no Brasil, algo que retrocede a 2011, quando o estado apresentou os mesmos índices.

Ideb: estados não bateram meta — Foto: Editoria de arte com dados do Inep

Pois bem, mas em relação às eleições, qual foi a novidade?

Para meu espanto, consolidou-se uma estranha aliança na cidade de Campos dos Goytacazes, onde o PT e a extrema-direita se uniram para atacar os dados positivos do município, formando um estranho e impensável coro.

Todos sabemos que índices estatísticos, ou índices de avaliação são referências, importantes sim, mas referências que indicam aspectos que não podem ser levados como a totalidade dos processos aos quais se referem, e nem resumem toda a complexidade dos objetos que são avaliados.

Em outras palavras, sim, é preciso avançar mais e manter o foco na melhoria das condições da rede de ensino, investimento em pessoal, modernização e acesso às novas plataformas, etc.

Aqui um parêntese:

Há um outro componente que a “esquerda” desprezou, que reside no aspecto simbólico de um índice positivo na educação, que motiva alunos, pais, e profissionais a apostarem na forma pública de gestão, quebrando o nefasto argumento de que os esforços estatais são sempre ineficientes. Em suma, quando se aliou à extrema-direita, a “esquerda” ajudou a consolidar o discurso de que o que é público, não presta.

Foi como se o PT desse um sonoro tapa na cara de alunos, pais e profissionais de ensino.  Não foi só isso.

Esconder o fato de que a cidade não apresentou dados à avaliação anterior, simplesmente porque a gestão de Rafael Diniz destroçou o sistema educacional que existia, parece adequado ao modelo fascista de fazer política.

Mas não combinaria muito com o PT.  Não combinaria, é verdade, se não fosse o fato de que PT de Campos dos Goytacazes e esta mesma extrema-direita estiveram juntos no governo Rafael Diniz.

Isto é, olhando com de uma perspectiva histórica mais ampla, o PT de Campos dos Goytacazes sempre serviu como linha auxiliar de um tipo de conservadorismo macabro, justificando essa posição como combate ao “populismo da família Garotinho”.

Aqui um mea culpa, não me eximo de ter compartilhado, em algum tempo, essa noção.  A atual “aliança” do PT com a extrema-direita é como se o partido unisse a Família Manson (Aqui!).

O PT e a extrema-direita pretendem não ver o rotundo fracasso (licença, Brizola) do Estado do Rio de Janeiro, que deu marcha à ré até 2011, quando o Rio obteve o mesmo índice, 3,3.  13 anos de volta para o passado.

Enquanto isso, no Nordeste, muito mais pobre e muito menos glamoroso que o Rio Mil Maravilhas, as maiores notas de matemática, as cidades com maiores notas no Brasil, e as maiores médias estaduais se concentram, em um prenúncio virtuoso de que a região poderá reforçar uma tendência mundial: As empresas de alta tecnologia caçam locais com níveis de excelência em matemática para instalarem suas plantas e seus investimentos. 

Pois é.

Mal comparando, tipo a Califórnia e o Vale do Silício, que surfa na onda de um progressismo educacional e cultural, iniciado lá na década de 50/60, do século anterior, que afastou por completo o ressentimento e violência cultural e política, comum nos estados do sul dos EUA e do meio oeste.

Resultado?

O sul dos EUA patina, mesmo rico em petróleo, e desperdiça a vocação multicultural de cidades como New Orleans, dentre outras, e confina as chances de aproveitamento desse capital social riquíssimo em redutos de fascistas brancos de pouca ou nenhuma instrução.

Parece familiar? Copacabana? Pelinca? Pois é.

No entanto, eu imagino que com todas as semelhanças desses locais, e guardadas as enormes diferenças também, a verdade é que parece inimaginável que os setores mais progressistas da política no sul dos EUA se aproximem, ou se unam, aos neonazistas da Ku Klux Klan (a famigerada KKK).

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Pois é justamente, o que acaba de acontecer em Campos dos Goytacazes.

O PT de Campos e suas possibilidades em 2024

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Por Douglas Barreto da Mata

Ninguém entra em uma campanha pensando em derrota. O Professor Jefferson não seria diferente. No entanto, cada candidato, cada coordenação de campanha e direções tendem a adequar o otimismo e o vigor, necessários para um bom trabalho eleitoral, com uma visão pragmática da realidade e dos cenários futuros.

Sim, a luta política do PT em Campos dos Goytacazes não se encerra em 2024, porém, a adoção de táticas e estratégias bem elaboradas podem transformar as perspectivas do partido na cidade e na região. 2024 é 2026, venho dizendo. Assim como digo sempre que, em 2026, poucas forças políticas vão ficar de pé, ou com forças suficientes para influir no jogo.

O PT de Campos dos Goytacazes é, mais uma vez, um elemento importante dessa equação, porque se localiza no epicentro, mais uma vez, da disputa de grandes dinastias políticas, agora o grupo do Prefeito Wladimir Garotinho e do Presidente da ALERJ, Rodrigo Bacellar.

Estes dois grupos sabem que suas sobrevivências políticas em 2026, e dali por diante, dependerão (muito) dos acordos e alianças feitas agora, em 2024.

O que o PT poderá fazer?  É uma pergunta difícil, mas há sinais claros do que o PT não deve fazer.

Os dados das pesquisas eleitorais recentes mostram que o Prefeito Wladimir está sedimentado em uma parcela grande do eleitorado, e apesar da campanha não ter começado, de direito, ainda, o fato é que nas redes sociais há uma intensa disputa, somada às recentes intervenções do grupo do Presidente da ALERJ na região, com direito à caravana com o Governador.

Tudo isso não movimentou muito as intenções de voto, e o Prefeito segue como um fenômeno atípico: as intenções de voto estimuladas quase igualam as de caráter espontâneo nas pesquisas.

Outro fator importante a ser analisado é a diminuta rejeição do Prefeito, apesar de já estar “na chuva” há três anos, e mais, o prefeito construiu, na sua curta carreira, um nome próprio, que ao mesmo se aproveita do “recall” dos pais, mas com atitude independente, sem, no entanto, igualar a inclinação ao conflito do pai.

Resumindo, parece difícil ao PT, ou a qualquer outra força política concorrente capturar votos do Prefeito.  O que resta então?

Um campo de eleitores que não votaria em ninguém, seja por abstenção, ou por votos brancos e nulos, uma parcela de anti garotistas ferrenhos, outros tantos indecisos, ou historicamente eleitores da esquerda.

É uma faixa pequena, mas que para o PT pode fazer toda diferença, já que um desempenho de 10%, ou algo próximo, pode fazer a legenda ter dois vereadores, e um nome viável para as eleições estaduais de 2026, que seria o próprio Jefferson.

Se tirar votos do Prefeito é tarefa pouco provável, até para a campanha mais estruturada da Delegada Madeleine, apoiada pelo “canhão” da Alerj e do Governo do Estado, como o PT poderá construir seu capital eleitoral?

Note que a Delegada ficou restrita a um campo ultra evangélico de extrema-direita, pelo menos é essa a mensagem refletida na sua postura “messiânica” recente, do tipo “Varoa Templária”.

Em que campo o PT poderia prosperar?  O de sempre, e que, infelizmente, foi esquecido nos últimos tempos: o campo da esquerda, levar a eleição para uma polarização com a extrema-direita, representada pela Delegada Madeleine.

É consenso, que não há como ganhar votos (só) criticando a administração atual, já que uma enorme parcela do eleitorado já vem dizendo que mesmo com problemas, o que hoje está aí é muito melhor que o desastre Rafael Diniz, cujos efeitos da péssima administração ainda não foram esquecidos, inclusive pelo ótimo trabalho de marketing da equipe do Prefeito.

Críticas ao transporte público, a saúde, etc têm algum apelo, mas não têm revertido em votos.

No entanto, como os petistas mesmo chegaram a afirmar, há um montante de votos conferidos a Lula no segundo turno de 2022 que demonstram que a mensagem anti extrema-direita, aqui refletida na campanha da Delegada, pode trazer alguns frutos.

Os especialistas, em sua maioria, aconselham a não nacionalizar as campanhas municipais, salvo exceções, que parece ser o caso de Campos dos Goytacazes: o tamanho do eleitorado (quanto maior a cidade, maior a chance de polarização nacionalizada).

A impossibilidade fática de atacar uma administração e um prefeito super bem avaliados, apesar dos problemas da cidade (o que mostra o quanto o trabalho de convencimento foi bem feito, e será difícil de reverter em 2 meses).

Sendo assim, o PT campista deveria, em meu raso entender, tentar tirar votos de onde é possível, por mais paradoxal que seja, da extrema-direita.

Para quem acha isso impossível, é bom lembrar que todas as sondagens nacionais mostram um nível de “confusão convergente” entre parte do eleitorado de Lula e de Bolsonaro.

Querem prova disso?  A última determinação do PL em “purificar” suas alianças proibindo a aproximação com PT, PDT, PC do B, PSB, etc.

O PL e os Bolsonaro já enxergaram nessa eleição municipal o perigo de diluição do apelo do extremismo pelo pragmatismo eleitoral das lideranças regionais e locais, e do próprio eleitor.

Temem, por assim dizer, que sejam engolidos pelas exigências da realidade, já que boa parte dos eleitores de Lula se aproxima da pauta conservadora de costumes do bolsonarismo.

É hora do PT campista elaborar uma agenda de enfrentamento da extrema-direita, representada pela Delegada Madeleine, ao mesmo tempo que estabelece uma ponte futura para dialogar com as forças de centro, representado em Wladimir e seu arco de aliados mais moderados, impedindo o avanço dos radicalismos, que intoxicam qualquer ambiente político.

Esperando por Godot, o PT de Campos foi buscar lã e voltou tosquiado

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Por Douglas Barreto da Mata

O PT esperou Godot, e Godot não veio.

A tática do partido, em sua seção local de Campos dos Goytacazes, em emplacar a candidatura da Deputada Estadual Carla Machado, ex-prefeita de SJB, não deu certo. Deu a lógica, e o TSE confirmou o que todos sabiam, que um prefeito de município vizinho (limítrofe) não pode concorrer a um terceiro mandato na cidade ao lado, mesmo que tenha renunciado ao cargo no meio do segundo mandato.

Defendi essa tese no programa da Rádio Aurora, com meus amigos Léo Puglia e José Alves, e disse na ocasião que mesmo que houvesse uma mudança de entendimento da jurisprudência, ela não poderia valer neste pleito, dada sua natureza normativa e de amplo espectro, isto é, o novo entendimento alteraria, significativamente, a situação jurídica de vários interessados.

Ressalte-se que tais renovações têm se tornado tão comuns na Justiça brasileira, que já são chamadas de F5 (aquele comando do computador para atualização da página). É certo, como já apontou o juiz Nunes Marques, acompanhado de outro, que há chance de reexame do tema. Não é esse o assunto aqui, que merece até outro texto. Quero falar de outra questão.

O fato de que o PT se transformou em um partido-ônibus ou partido hospedeiro. Incapaz de elaborar uma estratégia política de médio e longo prazos, carente de quadros e de renovações destes quadros, a legenda repete os mesmos erro, enquanto espera resultados diferentes. Impossível.

O PT optou sempre por ser rabo de elefante, a ser cabeça de mosquito, e agora não faz diferente.  Em lugar de traçar um caminho próprio, ainda que modesto, o PT de Campos prefere embarcar nos projetos do anti-garotismo local, sem perceber que esse garotismo se alterou, com a atual administração do prefeito Wladimir Garotinho, mas mesmo assim, mantém sua indiscutível hegemonia.

Seria o momento de manter alguma interlocução com o atual prefeito?  Os petistas podem argumentar, com certa razão, que o atual prefeito simboliza hábitos políticos da direita, e ele mesmo admite isso, e que tal circunstância tornaria qualquer conversa um incômodo.

Há também cicatrizes históricas no embate do PT com a família Garotinho, certamente, com culpas para todos.  Porém, o fato é que parte dos antagonistas que o PT escolheu para se associar, como um partido auxiliar, agora retornam ao ninho garotista, como a família Vianna, dentre outros, todos recrutados pela extrema habilidade do atual prefeito Wladimir, que transita com facilidade nas esferas superiores de comando do próprio PT.

Para levar adiante esse plano equivocado, a nosso ver, o PT foi procurar aconchego nos rivais do atual prefeito, que nem de longe podem ser identificados como progressistas, os Bacellar, ele mesmo presidente estadual do União Brasil, aliado do governador bolsonarista, que administra o estado onde essa facção política joga quase todas as suas fichas, junto com SP.

Então, vamos combinar, a questão não é ideológica ou apego ao histórico de lutas do partido.  No campo do cálculo eleitoral, há ainda a constatação de que os aliados que o PT procurou, os Bacellar, apesar de terem uma dimensão estadual considerável e nada desprezível, na cidade de Campos dos Goytacazes carecem de maior densidade, o que pode ser comprovado na ausência de um nome de peso do grupo para concorrer com o prefeito que tenta reeleição.

Se fosse, com certeza, a candidata não seria Carla Machado, que entrou e saiu do partido como se ali houvesse uma “catraca livre”, servindo-se da legenda sem trazer nada em troca, ou quase nada. Na trajetória da deputada, nada que se identifique com o PT, ao contrário, ela foi a patrocinadora de primeira hora de um dos maiores escândalos financeiros e da política nacional, protagonizado por Eike Batista e sua “grilagem” do V Distrito de SJB, onde até hoje as populações locais sofrem os efeitos do desterro, da salinização da água e do solo, e das violências praticadas em nome da propriedade portuária instalada ali.

Como se não bastasse, mesmo SJB sendo uma das cidades com maior orçamento per capita do país, com quase 1 bi para 2025 e 36 mil habitantes, o que dá R$ 27.777,00 por habitante, a cidade ostenta o maior nível de pessoas abaixo da linha da pobreza do Estado, e claro, do país.

O PT desperdiçou, novamente, um belo quadro, Jefferson Azevedo, ex reitor do IFF, ou sequer fez um debate de alianças, partindo para um adesismo barato, uma espécie de prostituição chamada, eufemisticamente, de “pragmatismo”.  Não!  Pragmatismo é quando se cede para ganhar algo.  E o PT não ganhou nada com Carla Machado, nem com os Bacellar, ou se ganhou, ninguém quis contar, e não ousamos dizer a razão do segredo.

Agora, o partido espera eleger ao menos um vereador. Pouco provável. Sem uma cabeça de chapa digna desse nome, que pelo menos mantivesse a densidade nos estratos eleitorais que já votaram no PT, ou da esquerda, é muito difícil.

Ao mesmo tempo, o ressurgimento das lutas campesinas poderia oferecer ao PT uma base de apoio social, mas o partido parece anêmico.  Agarra-se no SindiPetro/NF, um sindicato que parece atônito com a gestão privatista que foi colocada pelo Governo Lula na Petrobrás, cujo plano de ação em nada parece resgatar o aspecto crucial da estatal, ao contrário, domesticado pelo mercado, Lula, o seu governo, o PT e a Petrobrás adernam para o naufrágio iminente.

Agora, Inês está morta.  O PT de Campos foi buscar lã e voltou tosquiado.

E Godot? Será que vem?