Queixa crime de agricultores atingidos pelo Porto do Açu volta para ser analisada em São João da Barra

A queixa-crime impetrada por um grupo de agricultores atingidos pelas desapropriações do Porto do Açu no V Distrito de São João da Barra contra o ex-bilionário Eike Batista, o ex-(des) governador Sérgio Cabral e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho (Aqui!), foi retornada pelo Superior Tribunal de Justiça para a justiça sanjoanense.  É que com a perda de foro privilegiado de Sérgio Cabral por sua renúncia ao mandato que cumpria no Palácio Guanabara, a queixa-crime teve sua jurisdição modificada. 

Em função dessa mudança e da constatação de que algumas práticas citadas na queixa-crime continuam sendo praticadas contra os agricultores do V Distrito,  a ASPRIM e sua assessoria jurídica irão requerer uma audiência com o promotor responsável pelo caso para solicitar que seja feito um esforço para que os procedimentos legais para apurar as denúncias e punir eventuais responsáveis sejam agilizadas.

Esta mudança de foro chega num péssima momento para Sérgio Cabral e seu pupilo Luiz Fernando Pezão que já estão no olho do furacão por causa das denúncias do ex-diretor da Petrobras que acusou o ex-(des)governador de ser um dos beneficiários das propinas pagas num amplo de corrupção existente na estatal. Agora, com o início da apuração dos elementos que constituem a queixa-crime apresentada pelos agricultores do V Distrito, é possível que também surjam mais informações sobre as ligações entre Sérgio Cabral e Eike Batista e, por extensão, entre dois e o presidente do BNDES.

Se tudo seguir o curso esperado, Sérgio Cabral e Eike Batista vão poder experimentar aquela Lei de Murphy que diz que não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar. A ver!

Ururau: Operários amargam não cumprimento de trabalho no Porto do Açu

Vinte e cinco operários e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Construção Civil e Imobiliária (Sticoncim) foram parar na 134ª Delegacia Legal de Campos na tarde desta terça-feira (14/05), para registrar Boletim de Ocorrência contra a empresa K Mendes Construções por descumprimento de compromisso com os trabalhadores firmado junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Oriundos do Maranhão e da Bahia, os operários chegaram a São João da Barra no dia 05 de abril com a promessa de trabalho da referida empresa, para atuarem no Porto do Açu, como armadores, mas de acordo com o presidente do Sticoncim, José Carlos Eulálio, eles nem chegaram a iniciar o serviço, ficando a disposição da empresa por 30 dias, a qual agora não quer assumir a responsabilidade sobre eles.

No Termo de Ajustamento assinado pelo supervisor administrativo, Luís Carlos de Mendonça, a K Mendes Construções fechou acordo onde se responsabilizou a pagar o salário [pelos 30 dias que ficaram alojados em pousadas por conta da empresa], o equivalente a R$ 30.190.09, e o valor das passagens de vinda e da volta para suas cidades de origem, que foi orçado em R$ 23.668,50, totalizando um crédito dos trabalhadores para com a empresa de R$ 53.858,89. O prazo para o pagamento era até dia 12 deste mês, mas a empresa não cumpriu. A K Mendes é subcontratada pela empresa espanhola FCC, que por sua vez tomou para si a responsabilidade de efetuar o pagamento nesta quarta-feira (14/05), mas também descumpriu o acordo.

“Espero que o Ministério do Trabalho, enquanto órgão defensor, se posicione contra a empresa porque ela diz que não vai pagar e o sindicato não tem como arcar com o custo desses funcionários. O subdelegado do MTE não honrou em acompanhar os trabalhadores”, disparou José Carlos Eulálio.

Ainda de acordo com Eulálio o descumprimento gera multa no valor de um salário mínimo prevista do artigo 477, que é atraso de rescisão contratual. “A empresa alega que não reconhece para pagamento os 25 trabalhadores porque os nomes não constam na lista da contratante, mas também não deu nenhum posicionamento do que vai fazer com eles”, disse acrescentando que ao todo eram 191 trabalhadores, porém 166 receberam seus direitos trabalhistas e já retornaram para seus estados.

Desde que chegaram a São João da Barra, os operários estavam hospedados em pousadas de Grussaí e na sede do município, mas o contrato com esses estabelecimentos, assim como fornecedores de alimentação, também venceram nesta quarta-feira, não tendo os trabalhadores onde dormir e fazer as refeições.

Francisco Carvalho de Jesus, de 36 anos, é natural de São Luís do Maranhão. Ele, que foi contratado para trabalhar como armador, relatou que recebeu um telefonema do supervisor da empresa pedindo que conseguisse 20 operários para fazer o mesmo serviço no Porto do Açu. “Viemos para cá com dinheiro do nosso bolso, mas com a promessa de seremos reembolsados. Chagando aqui, além de fazer o exame admissional, recebemos treinamento, e um funcionário recolheu nossas carteiras de trabalho, mas 12 dias depois as devolveu sem assinar alegando que a empresa estava passando por problemas”, contou Francisco.

O trabalhador explicou ainda que foram orientados a permanecerem nas pousadas aguardando que seriam reembolsados pelo valor da passagem e os dias que ficaram alojados, mas isso não aconteceu. “Estamos todos na mesma situação, com a família esperando lá no Maranhão e na Bahia e sem ter como voltar”, desabafou.

Após saírem da 134ª DL, trabalhadores e representantes do Sticoncim foram para a frente da sede do Ministério Público do Trabalho (MTE), mas até a publicação desta matéria não haviam sido recebidos pelos responsáveis pelo órgão.

A equipe do Site Ururau tentou contato, por telefone, com Clóvis Santarém, mas não obteve êxito. O mesmo procedimento foi adotado com as empresas K Mendes Construções e FCC, mas também não conseguimos resposta.

Os problemas de Eike Batista agora estão na esfera policial

Ainda que os problemas de Eike Batista com a justiça não sejam recentes, agora a sua situação parece estar tomando um rumo mais problemática após a Polícia Federal (PF) começar uma investigação a pedido do Ministério Público Federal sobre crimes contra a ordem financeira, como mostra a matéria do Jornal O GLOBO que vai publicada abaixo.

Essa investigação da PF poderá acelerar também o andamento da queixa-crime que 48 agricultores desapropriados no Porto do Açu deram entrada em julho de 2013 no STF (Aqui!). Como de lá para cá muitas coisas foram reveladas sobre os usos e costumes de Eike Batista, o mais provável é que essas investigações da PF se encontrem com a queixa-crime. Afinal, nunca é demais lembrar que muito do que foi feito por Eike Batista recebeu as bençãos do ex-(des) governador Sérgio Cabral e do governo federal através, principalmente do BNDES.

 

 

PF abre inquérito para investigar Eike por supostos crimes financeiros

Penas das três acusações, somadas, pode chegar a 23 anos

 DANIELLE NOGUEIRA, HENRIQUE GOMES BATISTA, MARCIO BECK

RIO – A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar o empresário Eike Batista, controlador da ex-OGX, por supostos crimes financeiros “envolvendo negociações de ações, em tese, irregulares, realizadas em 2013”.

Os três crimes investigados pela PF –manipulação de mercado, insider trading (uso de informação privilegiada) e lavagem de dinheiro –, somados, podem resultar em pena de até 23 anos.

Em nota, a PF informou apenas que abriu uma investigação, em caráter sigiloso, para apurar crimes que teriam sido cometidos pelo “acionista controlador de uma empresa que atuou na área de petróleo”, sem mencionar o nome do empresário nem da empresa.

O pedido de investigação havia sido feito pelo Ministério Público, no dia 7 deste mês, e foi confirmado pela PF na última terça-feira.

Conforme antecipou O GLOBO, o procurador se baseou em um parecer técnico feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que aponta “crime de ação penal pública”.

O mesmo documento serve de base para outro processo contra o empresário, no âmbito da CVM, que pode resultar em multa de até R$ 500 mil. A CVM vai acompanhar a investigação da PF.

Os crimes de manipulação de mercado e insider trading estão previstos na Lei Lei 6.385/76, com pena de 1 a 8 anos e de 1 a 5 anos, respectivamente. Já a lavagem de dinheiro está prevista na Lei nº 9.613/98 e pode resultar em pena de 3 a 10 anos de prisão.

A EBX disse que ainda não foi oficialmente notificada da decisão da PF e mantém a posição de que não houve irregularidades na atuação do empresário à frente da OGX. O GLOBO também entrou em contato com os advogados de Eike Batista, mas ainda não recebeu resposta.

 * Colaborou Antônio Werneck


FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/pf-abre-inquerito-para-investigar-eike-por-supostos-crimes-financeiros-12230774#ixzz2zEiRTOVZ  cast, reescrito ou redistribuído sem autorização.