Protesto das vítimas do TsuLama da Samarco fecha estrada em Regência

Protesto de moradores bloqueia entrada de Regência

 

👤Manaira Medeiros

 

Os moradores de Regência, em Linhares (norte do Estado), bloqueiam o acesso à vila desde às 20h30 dessa quarta-feira (27), por tempo indeterminado. O protesto é uma reação ao anúncio da Samarco/Vale-BHP de que irá retirar nesta sexta-feira (29) a base instalada na cidade após o crime do rompimento da barragem em Mariana (MG), além de encerrar o fornecimento de caminhões-pipa e o cadastramento para pagamento do auxílio-emergencial aos atingidos. A medida irá agravar a situação da comunidade, que perdeu suas principais fontes de renda e enfrenta graves problemas de abastecimento de água.

O bloqueio dos moradores é apenas para funcionários da Samarco e terceirizados. A empresa, quase seis meses após a maior tragédia socioambiental do País, ainda trata com descaso os impactados pela contaminação do rio Doce e do mar pela lama de rejeitos, o que decretou o fim da pesca artesanal e do turismo na vila, deixando as famílias sem fonte de subsistência e alimentação. 

Eles cobram da empresa que o pagamento do auxílio-emergencial definido pela Justiça aos pescadores e ribeirinhos seja ampliado a todos os moradores de Regência. “O crime afetou a cidade inteira”, enfatizou Pablo Ferreira, comerciante e morador da vila há oito anos. Segundo ele, 80% do comércio sofrem prejuízos, muitos estabelecimentos tiveram que fechar as portas, e os imóveis estão desvalorizados à metade. 

Pablo também denunciou que, mesmo entre os pescadores e ribeirinhos, há muitas pessoas sem receber o auxílio. Esse pagamento, como aponta, não deve chegar a 200 pessoas da comunidade, que tem cerca de 900 moradores. “Além de ser uma minoria, há relatos de que pessoas de fora estariam recebendo o pagamento, o que é injusto e revoltante”. 

A comunidade também relata casos de violência jamais registrados na vila antes do crime, inclusive roubos a mão armada e ameaças.

O problema da qualidade da água é outro ponto levantado pelos moradores. O abastecimento feito pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Linhares, como afirma a professora da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Vila Regência, Luciana Souza, distribui para as casas uma água com coloração que varia entre ferrugem e azul escuro, com forte odor que lembra vegetação de brejo. 

Ela pontua que, nos últimos dois meses, os casos de crianças e estudantes com sintomas como diarreia, irritação nos olhos e náuseas aumentou consideravelmente na escola que trabalha. Ela cobra que essa coincidência seja investigada.

Na escola estadual e no Centro Educacional Infantil Municipal (CEIM) de Regência, a água do SAAE é utilizada somente para cozinhar. Para beber, os alunos têm disponível água mineral, graças a doações de entidades e movimentos sociais. “Dependemos de atos de solidariedade, a empresa nunca procurou a escola para isso”, afirmou.

A mobilização, além do pagamento de auxílio a todos os moradores, cobra a disponibilização da lista dos contemplados; soluções alternativas para captação de água, que não seja no rio Doce nem como é feito atualmente, no rio Pequeno (separados apenas por uma barragem), recurso igualmente impróprio para consumo humano; fornecimento de água mineral pela Samarco; e mapeamento hidrogeológico urgente da foz do rio Doce. 

O oceanógrafo Eric Mazzei, que é morador de Regência e integrante do Fórum Capixaba de Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce, alerta que a alternativa apresentada pelo poder público de captar água da Lagoa Nova, também não irá resolver o problema. “Primeiro, não há capacidade hídrica para suportar o abastecimento de todo o município, segundo, a lagoa também recebeu rejeitos da lama”, explicou. 

Ele defende a descentralização do uso dos corpos hídricos disponíveis na região para uso das comunidades, medida que garantiria não só um abastecimento de qualidade, como a menor exploração de cada corpo hídrico.

Os moradores, cerca de 150, aguardam a Samarco para uma reunião na própria vila, mas garantem que só deixarão o local após a empresa apresentar medidas efetivas. O SAAE já esteve na área do protesto, garantiu que a água é própria, e se comprometeu a investigar a situação de algumas casas, que serão listadas pela comunidade. 

FONTE: http://seculodiario.com.br/28438/10/moradores-bloqueiam-entrada-de-regencia-por-tempo-indeterminado

Concentração de ferro no mar de Regência aumentou 20 vezes, aponta pesquisa da Ufes

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Quase 60% das espécies de fitoplâncton desapareceram do mar de Regência, Norte do Espírito Santo, após a chegada da lama de rejeitos de minério da Samarco, de acordo pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A análise do mar, realizada no final do ano passado, identificou a presença de ferro, manganês, cromo e alumínio na água.

O estudo apontou que a concentração de ferro no mar aumento 20 vezes. Com isso, a diversidade marítima da região está diminuindo. Antes da chegada da lama, cerca de 60 espécies de fitoplâncton eram encontradas nas região, recentemente, esse número não passa de 25.
Todas essas informações serão apresentadas ao Ibama, na manhã desta terça-feira (15), durante um workshop. No evento, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul também vão apresentar o resultado da análise de contaminação de peixes e crustáceos da região.

Fase crônica

De acordo com o coordenador de Estudos do Meio Marinho para o Impacto da Lama do Rio Doce e professor da Ufes, Alex Bastos, durante a chegada da lama de rejeitos, o mar de Regência estava na fase aguda da contaminação, agora, o mar passa pela fase crônica, quando o nível de metais pesados diminuiu, mas tende a permanecer assim por um longo período.

“O que observamos preliminarmente é que o momento agudo do impacto passou, os teores de metais diminuíram e a produção de clorofila voltou a uma condição não tão absurda como estava antes. Entendemos que essa é a fase do impacto crônico, que seria um novo estabelecimento no sistema marinho na região do Rio Doce, no mar de Regência”, contou à Rádio CBN Vitória.

Recuperação

O coordenador da pesquisa explica que ainda é cedo para saber quando o mar de Regência será totalmente recuperado. Bastos destacou que os estudos precisam continuar por, no mínimo, um ano para que seja feito um raio x do ecossistema.

“Temos que ter certeza, passado um ano, por exemplo, onde teremos variações de temperatura, chuva, hidrologia do rio, tirando todas essas variáveis do sistema, como o ecossistema se comportou a partir de uma nova realidade em termos de metais, nutrientes, características da lama e maior aporte de sedimento”, explicou. Durante o workshop será definido quais serão os próximos passos da pesquisa.

Fonte: CBN Vitória (93,5 FM)

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/03/noticias/cidades/3933623-concentracao-de-ferro-no-mar-de-regencia-aumentou-20-vezes-aponta-pesquisa-da-ufes.html

TsuLama avança no oceano

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A mídia corporativa está efetivamente tentando apagar da memória coletiva o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton). Felizmente, hoje existem as redes sociais para que a cobertura dos efeitos prolongados e compreensivos do TsuLama da Samarco não sumam no nosso inconsciente coletivo.

Abaixo segue um vídeo produzido de dentro de um navio que navegava próximo à costa do Espírito Santo, mostrando o encontro do TsuLama com as águas do Atlântico.

Desgraça maior do que a antecipada: lama da Samarco (Vale+ BHP Billiton) já toma 77 km do litoral capixaba

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A situação de pior cenário que foi antecipada ontem aqui neste blog já se confirmou nesta segunda-feira. Segundo a matéria abaixo do jornal Estado de Minas  indica que os rejeitos tóxicos estão se espalhando de forma irregular em diferentes direções, sendo que a área mais atingida fica ao norte da foz do Rio Doce.

Essa distribuição dos rejeitos deve estar obrigando a que os especialistas “muy amigos” das mineradoras Vale e BHP Billiton  refaçam seus cálculos para explicar porquê as consequências da chegada da lama tóxica liberada em Mariana está se dando desta forma no mar, atingindo uma extensão tão expressiva.

Entretanto, como a própria matéria já aponta, o problema começa, mas não termina em  terra. E o pior deverá ter uma longa capacidade de residência na totalidade da interface continente-oceano. Em outras palavras, a contaminação não só se dará tanto na calha do rio como no assoalho ocêanico, estendendo assim os efeitos na cadeia trófica flúvio-marinha, e com efeitos incalculáveis na população humana que dele depende para gerar sua renda e sustento alimentar.

Em suma, uma cagada mais do que completa!

Lama de rejeitos já toma mais de 77 quilômetros do litoral do Espírito Santo

A lama com rejeitos de minério vinda pelo Rio Doce atingiu o mar no domingo. Prefeitura de Linhares interditou as praias de Regência e Povoação

Por Estado de Minas

Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

A lama de rejeitos da mineradora Samarco já tomou mais de 77 quilômetros do litoral do Espírito Santo. De acordo com o governo do estado, são 70 quilômetros ao norte, sete ao sul e 10 mar a dentro. A prefeitura de Linhares interditou as praias de Regência e Povoação após a chegada lama e colocou placas ao longo das praias informando que a água está imprópria para o banho.

A lama com rejeitos de minério vinda pelo Rio Doce atingiu o mar no domingo, segundo informações da prefeitura. A população de Regência e Povoação vive da pesca e do turismo e tem as atividades prejudicadas com a água barrenta que avança sob o mar.

Na sexta-feira (20) o titular da 3ª Vara Civil de Linhares, juiz Thiago Albani, determinou que a Samarco retirasse as boias de contenção instaladas e abrisse a foz do Rio Doce para que a lama de rejeitos se dissipe no mar. Para a decisão, foram ouvidos técnicos ambientais do município e de órgãos como o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

A Samarco divulgou nota informando que toma as providências definidas pelo Ministério Público, Iema, Instituto Chico Mendes e Tamar, de modo a direcionar a lama para o mar e proteger a fauna e flora na foz do Rio Doce.

De acordo com a nota, a empresa fornece equipamentos para abertura do banco de areia que impede a chegada do rio ao mar no lado sul da foz. “Quatro máquinas trabalham 24 horas por dia nas escavações, com apoio de uma draga e bombas que ajudam no bombeamento da pluma”.

O documenTo informou também que a barreira de contenção continua sendo instalada nas margens do rio com o objetivo de proteger a fauna e flora, sem impedir o escoamento da lama para mar.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/23/interna_gerais,710713/lama-de-rejeitos-ja-toma-mais-de-77-quilometros-do-litoral-do-espirito.shtml

Incidente da Samarco: Em documentário, moradores de Regência (ES) colocam o dedo em todas as feridas

Documentário retrata apreensão da comunidade de Regência com onda de lama

 

👤Manaira Medeiros
LAMA

Últimos Dias em Regência. Com oito minutos de duração, um documentário produzido pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento do Estado (Geppedes) retrata o clima de apreensão e incertezas que predomina em Regência, Linhares (norte do Estado), com a chegada da onda de lama dos rejeitos da barragem daSamarco/Vale rompida em Mariana (MG). 

Na vila de pescadores está localizada a foz do rio Doce, onde a lama encontrou o oceano na tarde deste sábado (21) – foto ao lado. Os relatos mostram que as famílias estão há dias sem dormir, sensibilizadas não só com a perda da referência que o manancial sempre representou para a vila, como devido ao temor do que será deixado para as futuras gerações. 

“É a população humilde que depende do rio, não as empresas”, diz um dos pescadores do documentário. “A morte está chegando e vai matar quem está aqui na Boca do Rio”, sentencia outro.

Eles lembram que a comunidade já vem enfrentando dificuldades devido à seca do rio Doce e assoreamento, o que interferiu também no abastecimento de água aos moradores. Há dias isso é feito por poço artesiano e caminhões-pipa, já que o rio salinizou, com a baixa vazão e o avanço do mar.

A situação agora se agravou porque a navegação e a pesca já estão proibidas, impedindo que as famílias garantam seu sustento. Com a contaminação pela lama de rejeitos, a atividade se tornará impraticável.  Além disso, preocupam os moradores os impactos ao meio ambiente e à qualidade da água, e à própria alimentação dessas famílias. 

As entrevistas também revelam que a comunidade está desassistida tanto pelo poder público como pelas empresas responsáveis pela tragédia. O Estado não dá respostas e a mineradora também não aparece. “Ninguém chega aqui para conversar. E tem alguém culpado, né? Tomara que esse alguém chegue para conversar logo, porque a situação é crítica e delicada”.

“Estamos preocupados porque estamos vendo uma certa comodidade da empresa, por ela ser uma financiadora de grandes políticos. Eles não estão preocupados com a comunidade e sim com a questão empresarial de geração de renda e emprego, e não da vida. Estão preocupados em resolver o problema de voltar a gerar renda para a empresa”.

Outro temor é em relação ao processo que pretende instalar o porto da Manabi na região, o que também irá impactar Regência. Assim como tem acontecido agora na questão de lama, o documentário mostra que a ausência de informações e da presença do poder público na vila têm gerado conflitos dentro da própria comunidade, o que divide e desmobiliza, uma estratégia que atende aos interesses das empresas e seus grandes projetos impactantes. 

“A gente teme que a situação caia no dilema de ter que salvar Regência’ ou ‘ter que salvar o mar”.

Os autores do documentário são Daniela Zanetti, João Paulo Lyrio Izoton e Ana Oggioni.

Pedido de socorro

A comunidade de Regência vem fazendo insistentes apelos para que a onda de lama seja contida antes de chegar à foz do rio Doce. 

O mais recente deles foi feito na página Regência Surf, no Facebook, e denuncia a omissão em relação às comunidades da área – além de Regência, o distrito de Povoação.

“Depois de todos os pedidos e manifestações, nada foi feito até agora para que essa lama não chegue até Regência e a foz do rio Doce. 

A comunidade alerta que está em risco o futuro de 900 famílias, fora os moradores de Areal, que fica a seis quilômetros de Regência, e os ribeirinhos.

“Continuamos gritando por socorro e que nossas autoridades e os órgãos competentes tenham cuidado para não tomar decisões que poderão prejudicar a vida de muitas famílias, que estão aqui sem nenhum tipo de assistência ou orientação”.

Sem renda

O temor dos pescadores de Regência é sentido pelas famílias que dependem da atividade em Baixo Guandu e Colatina, cidades do noroeste do Estado, que já vivem os efeitos da chegada da onda de lama. 

Em contato com os rejeitos, os peixes do rio Doce morreram e não há qualquer expectativa em relação à renda que irá sustentar suas famílias a partir de agora. O desespero é o mesmo para os vendedores de peixes e produtores de redes de pesca.

Os pescadores que fizeram estoque para vender antes da enxurrada de rejeitos estão com as vendas paradas. Com medo de contaminação, a população se recusa a consumir peixe. “Nem nos restaurantes as pessoas querem peixe e até os de água salgada não têm saída”, contou o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB). 

Uma reunião entre os pescadores do município e a Samarco/Vale foi realizada nessa quinta-feira (19), cobrando medidas da empresa para a situação dessas famílias. Ainda não há, porém, qualquer resposta. Neto Barros alerta, ainda, que os pescadores não estão recebendo o benefício referente ao defeso.

Vídeo publicado no Facebook  mostra a quantidade de peixes mortos com a chegada da lama em Baixo Guandu e denuncia a tentativa da Samarco/Vale de maquiar o cenário.

FONTE: http://seculodiario.com.br/25977/10/documentario-retrata-apreensao-da-comunidade-de-regencia-com-chegada-da-onda-de-lama