Lava Jato/RJ: MPF fecha o cerco a integrantes da “Farra do Guardanapo”

Resultado de imagem para REGIS FICHTNER PRISÃO

Operação C’est Fini, deflagrada na manhã desta quinta (23), cumpre mandado de prisão contra cinco pessoas, dois estavam em foto com Cabral em Paris

A força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (23), a Operação C’est Fini, com o cumprimento de cinco mandados de prisão, além de busca e apreensão. Os mandados de prisão foram expedidos contra Henrique Alberto Santos Ribeiro, Lineu Castilho Martins, Maciste Granha de Mello Filho, Georges Sadala Rihan e Régis Velasco Fichtner Pereira. Os dois últimos aparecem na foto do episódio ocorrido em 2009 que ficou conhecido como “Farra dos Guardanapo”, em Paris. Além disso, Alexandre Accioly foi intimado a prestar depoimento na sede da PF e foi cumprida a condução coercitiva de Fernando Cavendish.

 A medida cautelar é desdobramento das Operações Calicute (processo nº 0509503-57.2016.4.02.5101) e Eficiência (processo nº 0510282-12.2016.4.02.5101) e das investigações realizadas após sua deflagração, tendo como escopo aprofundar o desbaratamento da organização criminosa responsável pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de capitais envolvendo contratos para realização de obras públicas pelo Estado do Rio de Janeiro, dentre elas, destacam-se a construção do Arco Metropolitano e a urbanização de grandes comunidades carentes na cidade do Rio de Janeiro, ação vulgarmente denominada por “PAC Favelas”.
 
“Essa etapa tem como intuito avançar no desbaratamento dos demais agentes que solicitaram e administraram o recebimento de vantagens indevidas pagas por empresas que celebraram contratos com o Estado, assim como de seus respectivos operadores financeiros”, destacam os procuradores da força-tarefa Leonardo Cardoso de Freitas, José Augusto Simões Vagos, Eduardo Ribeiro Gomes El Hage, Rodrigo Timóteo da Costa e Silva, Rafael Barretto dos Santos, Sérgio Luiz Pinel Dias, Fabiana Schneider, Marisa Varotto Ferrari e Felipe Almeida Bogado Leite.
 
Em material colhido em busca e apreensão da Operação Calicute, na casa do operador financeira Luiz Carlos Bezerra, foi possível conectar anotações da contabilidade paralela da organização criminosa com os alvos das medidas cautelares cumpridas hoje.
 
Lineu Castilho era identificado, nas anotações de Bezerra, como “Boris”, também conhecido como “Russo” e “Kalash”. Ele teria aportado cerca de R$ 17 milhões para a organização criminosa, atuando sempre como braço-direito e operador financeiro do ex-presidente da ex-presidente da Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (Funderj) Henrique Ribeiro, entre 2008 e 2014.
 
Além de vizinho de Cabral no condomínio Portobello, em Mangaratiba (RJ), Georges Sadala, conhecido pelos pelos codinomes “G”, “Salada” e “Saladino”, era o grande corruptor da iniciativa privada na área de prestação de serviços especializados relacionados ao programa Rio Poupa Tempo. Sadala teve evolução patrimonial exponencial, desde o início do governo Cabral. Em troca de facilidades na contratação de suas empresas junto ao Estado do Rio de Janeiro, ele garantiu o pagamento de propina, com o aporte de, ao menos, R$ 1,3 em favor da organização criminosa.
 
Sadala é um dos empresários que esteve em Paris, convidado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, para a cerimônia de entrega da medalha de honra da Legião D’Honneur, concedida pelo Senado francês ao ex-governador, e para o lançamento do Guia Michelin Rio de Janeiro. Ele era um dos participantes do jantar no hotel Ritz, em Paris, ocorrido em 2009, onde secretários da alta cúpula do governo, alguns, inclusive, já denunciados, e empresários foram fotografados usando guardanapos na cabeça e dançando, episódio conhecido com a “Farra dos Guardanapo”.
 
Quem também aparece no episódio dos guardanapos é Regis Fichtner, codinomes “Alemão” e “Gaúcho”, ex-chefe da Casa Civil do Governo Cabral, que recebeu recursos em espécie na ordem de R$ 1,5 milhão, conforme as anotações da contabilidade paralela apreendida com o operador Carlos Bezerra
 
Por último o sócio da empresa Construtora Macadame LTDA, Maciste Granha de Mello Filho, que teria aportado para a organização criminosa, ao menos, R$ 552 mil, propina em espécie para facilitar contratos de suas empresas junto ao Estado do Rio de Janeiro.
 
Confira aqui as petições 123 e 4
FONTE: 
Assessoria de Comunicação

Nova delação contra Sérgio Cabral (que também inclui Sérgio Cortês e Regis Fitchner) sugere pagamento de R$ 1 bilhão em propinas

picciani-pezao

O site UOL repercutiu uma matéria produzida pelo “ESTADÃO” que aponta que mais uma delação envolvendo o ex (des) governador Sérgio Cabral sugere que pagamentos de propinas envolvendo desvios na área da Saúde sugerem o pagamento do astronômico valor de R$ 1 bilhão (Aqui!).

juca-bala

O denunciante é o doleiro brasileiro Vinicius Claret que operava no Uruguai e possui o sugestivo apelido de “Juca Bala”.  A curiosidade nessa delação é que “Juca Bala” teria entrado no circuito operado por Sérgio Cabral quando outros dois doleiros, os irmãos Renato e Marcelo Chebar não conseguiram dar vazão ao montante sendo lavado e resolveram pedir uma ajuda no Uruguai.

Mas a grande novidade nessa delação é o envolvimento de dois ex (des) secretários de Sérgo Cabral, Sérgio Cortês e Régis Fitchner, que até então estavam razoavelmente livres de citações diretas nas delações já conhecidas. Além disso, como pelo menos parte desses valores teriam sido obtidos com negociatas em licitações na área da Saúde,  Sérgio Cortês deverá entrar num inevitável processo de tensionamento nas próximas semanas.

Não custa nada lembrar que tanto Sérgio Cortês como Régis Fitchner estavam presentes nas festividades promovidas por Sérgio Cabral em Paris no caso que ficou celebrizado como a “Gangue dos Guardanapos”. 

guardanapos-1

A pergunta que já ficou até banal diante de tantas delações: quanto terá sido o valor total da pilhagem cometida pélo esquema comandado por Sérgio Cabral? Pelo que se vê apenas por esta delação, na casa dos bilhões.  

E mesmo assim ainda tem gente que quer culpar os servidores estaduais pelo estado calamitoso em que o Rio de Janeiro se encontra?  Por favor!

 

Porto do Açu: Pezão e Regis Fitchner participaram de reunião que discutiu desapropriações no V Distrito

ad2j6234-2

A prisão no dia de ontem do “idealizador” do Porto do Açu, o ex-bilionário Eike Batista, suscitou uma série de requisições de informações sobre como se deram as desapropriações no V Distrito de São João da Barra.

Pois bem, buscando no grande oceano da internet, encontrei uma nota publicada pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São João da Barra que tratou de uma reunião realizada no dia 30 de Julho de 2010 no Palácio das Laranjeiras reunindo membros do (des) governo Cabral, a prefeita Carla Machado e secretários, e ainda representantes da LL(X) (Aqui!).  

O título da matéria da ASCOM/SJB era um irônico “Estado e Prefeitura garantem justiça aos produtores do 5º Distrito“. E por que irônico? É que pouco mais de 2 meses depois dessa reunião, o então (des) governador Sérgio Cabral promulgaria os decretos que dariam a base legal para que a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) começasse a expulsar centenas de famílias de agricultores familiares de terras que suas famílias ocupavam há várias gerações. Desapropriações essas que agora se diz terem sido facilitadas por pagamento de propina de Eike Batista para Sérgio Cabral.

Mas o que há de importante nessa reunião que reuniu alguns dos principais “players” desse processo de tomada de terras de humildes agricultores para entregá-las para o então bilionário Eike Batista?

É que graças ao blog do professor Roberto Moraes, pode-se ter acesso a duas imagens que mostram momentos daquela reunião (Aqui!) e uma delas é bastante interessante (ver abaixo).

ad2j6287-2

E por que interessante? É que além de Sérgio Cabral e Carla Machado também aparecem ao fundo num interlóquio paralelo o então vice-governador Luiz Fernando Pezão e o todo poderoso secretário estadual da Casa Civil, Régis Fitchner.

Pois bem,  é importante lembrar que o escritório de advocacia Andrade & Fitchner Advogados representou os interesses do grupo de Eike Batista em processos relativos ás desapropriações que hoje se encontram sob as luzes dos holofotes por causa da prisão de Eike Batista, e que eu já abordei aqui neste blog no dia 23 de Junho de 2015 (Aqui!).

Quanto ao papel do hoje (des) governador Luiz Fernando Pezão nesta reunião? Bom, essa é uma pergunta que só ele (ou quem sabe Eike Batista) poderão responder. Mas uma coisa é certa: a presença de Pezão e Régis Fitchner (além da simpática Marilene Ramos, que então presidia o Instituto Estadual do Ambiente) sinaliza que as desapropriações em São João da Barra tinham um “carinho” especial no (des) governo de Sérgio Cabral.

E voltando ao título da matéria da ASCOM/SJB, o que eu me pergunto é quando o Estado e a Prefeitura de São João da Barra vão finalmente garantir justiça aos produtores do V Distrito? Um bom primeiro passo seria anular os decretos de desapropriação, fazendo voltar as terras aos seus legítimos donos.