As eleições da reitoria da Uenf e o curioso caso de um dirigente estudantil que saiu por aí produzindo fake news

gilbert gomes

Gilberto Gomes, dirigente do DCE/UENF

O principal líder do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Gilberto Gomes, é o que se chama em inglês de “jack of all trades” (ou simplesmente pau para toda obra).  A ampla gama de atividades de Gomes vai desde dirigente sindical estudantil, passando agora por dirigente partidário (no caso o PT), blogueiro do jornal Folha da Manhã, chegando à sua condição de sócio em uma empresa que promove shows voltados para um nicho preferencial que são os jovens (incluindo os estudantes da Uenf).

A carreira acadêmica de Gilberto Gomes também é multifacetada, tendo sido iniciada no curso de Agronomia da Uenf, passando depois para o de Administração Pública, para onde saiu, supostamente, para o de Administração na modalidade EAD. Aliás, se isto for mesmo verdade, Gomes não é mais ou não deveria estar mais matriculado na Uenf.

Hoje, Gilberto Gomes escreveu um artigo na Folha da Manhã onde enalteceu as supostas qualidades do candidato Raúl Palácio e pregou no candidato a vice-reitor, Juraci Sampaio, a pecha de mentor das novas normas de graduação, as quais passaram por uma longa discussão de todos os colegiados que tinham que decidir sobre o assunto, nos quais havia (ou deveria haver) uma ativa participação dos representantes estudantis.

Interessante notar que em seu artigo na Folha da Manhã, Gomes afirmou que “diálogo com uma reitoria que, sob outras administrações, jamais recebia as representações estudantis.” Afora a grotesca inverdade de que outras administrações não recebiam as representações estudantis, Gilberto Gomes poderia ter explicar porque, por exemplo, o auxílio à moradia estudantil que foi aprovado na gestão do professor Silvério Freitas jamais foi implementado pela atual reitoria cujo candidato ele apoia. Mas mais do que isso, por que ele como o dirigente mais importante do DCE/UENF não atuou, digamos, de forma mais diligente, para que estudantes mais carentes pudessem ter sido assistidos com o benefício, evitando assim parte da evasão que ocorreu durante as gestões das quais ele fez parte?

auxilio moradia

Ainda que eu entenda que qualquer pessoa possa ter posições públicas claras sobre quaisquer eventos políticos que ocorram dentro da sociedade em que estamos inseridos, acho curioso que um dirigente estudantil se detenha a aparecer publicamente defendendo de forma tão óbvia um determinado candidato a reitor.  Me parece que seria mais correto agir como fizeram os dirigentes da ADUENF e do SINTUPERJ/UENF que tendo suas preferências optaram por manter os seus sindicatos fora da disputa eleitoral.

Tendo sido eu mesmo dirigente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o glorioso DCE Mário Prata,  tendo a achar curiosa a opção de apoio aberto de Gilberto Gomes. É que em determinados momentos é fundamental manter a autonomia dos sindicatos, sob pena de inevitável desgaste político com os próprios representados. E ainda tem gente que estranha e critica a massa estudantil por rejeitar a participação em seus próprios sindicatos, migrando em massa para as atléticas. É que com esse tipo de postura de seus principais dirigentes, não há credibilidade que resista.

Finalmente,  Gilberto Gomes insinuou, mas não aprofundou uma acusação de uso de “fake news” para atacar a candidatura do ex-chefe de gabinete do atual reitor.  Como ele não disse de que “fake news” se tratava, ele mesmo produziu uma. É o famoso bordão “tomou partido e saiu por aí produzindo fake news”. Mas espero o quê de um “jack of all trades”?

 

As eleições para a reitoria da Uenf: a chance de eleger um líder institucional está posta

carlão juraci

Ainda que possa surpreender aos que esperam mais de ambientes acadêmicos, atual campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) parece saída da mesma cartilha que foi usada para elevar Jair Bolsonaro à condição de presidente do Brasil.

É que premidos pela avassaladora densidade acadêmica do professor Carlos Eduardo de Rezende, os oponentes da sua candidatura começaram a apresentar essa capacidade como se fosse uma espécie de fragilidade em face de uma suposta necessidade de saber “negociar” com políticos as questões mais prementes para manter a Uenf funcionando. De quebra apontaram nele também a suposta falta de experiência administrativa, imputando ainda a ele o “defeito” de ser essencialmente um pesquisador altamente capacitado, mas “apenas” isso.

MVC-069FCarlos Eduardo Rezende junto ao ex-governador Leonel Brizola e a deputada Cidinha Campos durante visita realizada ao campus da Uenf durante a greve pela autonomia em relação à Fenorte.

Essas duas supostas fragilidades são apenas isso, supostas. Não apenas o professor Rezende esteve no grupo que instalou a Uenf, mas como também já ocupou diversos cargos dentro da instituição, desde chefe de laboratório, passando por diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), pró-reitor de graduação e vice-reitor.  Coube a ele ainda estar à frente do processo de criação das licenciaturas e também do Ensino à Distância (EAD). Aliás, poucos sabem que estou na Uenf porque ainda no início do meu doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University recebi em 1992 uma visita do já professor Carlos Rezende que foi até o norte do estado da Virginia para me convencer a participar da construção da “Universidade do Terceiro Milênio” como a instituição era denominada por Darcy Ribeiro.

Mas no tocante ao desenvolvimento institucional da Uenf, Carlos Rezende também ocupou um papel fundamental no processo de separação da nossa então mantenedora e hoje extinta Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) como membro da comissão paritária formada pelo governador Anthony Garotinho para levar a cabo a criação da universidade enquanto personalidade jurídica autônoma. Esse processo que levou quase um ano teve em Carlos Rezende um incansável elaborador de documentos e hábil negociador nas intermináveis reuniões que foram feitas com membros do governo Garotinho. Como eu sei disso? Era um dos outros dois membros na mesma comissão e pude ser testemunha ocular da forma aguerrida que Carlos Rezende defendia a Uenf.

O interessante é que ao longo do seu processo de formação como cientista e liderança institucional, o professor Carlos Eduardo Rezende também teve uma atuação destacada na criação da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Aduenf) onde foi o seu primeiro vice-presidente e onde ocupou por duas vezes a estratégica posição de Tesoureiro.  Na posição de membro da diretoria da Aduenf, Carlos Eduardo Rezende também participou de discussões estratégicas com diferentes gestões do governo estadual, mas também da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Sou testemunha ocular das muitas negociações ocorridas tanto com o governo estadual como na Alerj, em que a voz do professor Carlos Eduardo Rezende foi ouvida preferencialmente por causa do seu evidente e relevante papel como cientista e membro do grupo que fundou a Uenf.

Fossem estes tempos e uma campanha eleitoral normais, eu diria que nem precisaria oferecer esse testemunho acerca das qualidades e incontáveis realizações do professor Carlos Eduardo Rezende. Mas nem vivemos tempos normais ou, tampouco, essa campanha eleitoral tem sido normal. É que por cima de todos os “esquecimentos” acerca das contribuições que o professor Carlos Eduardo Rezende ofereceu na consolidação da Uenf, ele tem sido alvo de inúmeras calúnias e tentativas de assassinato de caráter. Em um grupo de Whatsapp que reúne servidores da Uenf,  Carlos  Rezende chegou a ser acusado de ter rotulado a categoria como “lixo”. Como conheço o professor Carlos Rezende há quase quatro décadas já o vi ir além do que muitos vão para apoiar os servidores técnicos da Uenf, especialmente naquelas horas dolorosas onde poucos se comovem a sair de suas casas para prestar a devida solidariedade.

Por essas e outras, é que não tenho dúvida alguma de que com todos as suas qualidades e eventuais defeitos, Carlos Eduardo de Rezende é a pessoa mais capacitada a dirigir a Uenf em um momento tão tumultuado da história do Rio de Janeiro e do Brasil. 

Práticas autoritárias surgem na reta final da campanha eleitoral para a reitoria da UENF

A campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte (Uenf) que vinha transcorrendo em clima relativamente ameno, mas a proximidade do pleito que começa amanhã nos pólos de Ensino de Educação à Distância (EAD) e na próxima 3a. feira nos campi de Campos dos Goytacazes e Macaé para ter esquentado no final. 

Lamentavelmente esse aquecimento se deu da pior maneira com a destruição de uma faixa da chapa AVANÇA UENF (a que leva o número 11) que é composta pelos professores Carlão e Juraci (ver abaixo).

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Considero o ato de destruição dessa faixa altamente lamentável, pois explicita um  grau inesperado de intolerância em uma campanha que, sendo realizada em uma universidade pública, deveria transcorrer de forma civil e democrática desde o início até o final. Mas aparentemente o germe da intolerância que varre o Brasil neste momento aparentemente já inoculou pelo menos um membro da comunidade universitária da UENF.

Como há uma comissão eleitoral responsável pela realização dessas eleições dentro da Uenf, a minha expectativa que haja uma efetiva apuração do responsável ou responsáveis por esse ato autoritário, e que haja a devida punição de quem for eventualmente identificado como tendo atentado contra a democracia universitária. Afinal, se há uma coisa que não podemos tolerar é a supressão dos direitos democráticos em uma universidade que foi criada por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para garantir o livre e democrático exercício de ideias.

Entrevista especial com Carlos Eduardo Rezende, candidato a reitor da UENF

O Blog do Pedlowski está publicando uma entrevista especial realizada com o Prof. Carlos Eduardo Rezende, candidato a reitor da Universidade Estadual do Norte na chapa formada com o Prof. Juraci Aparecido Sampaio, a Avança UENF: Ciência e Sociedade.
A entrevista aborda uma série de questões, incluindo desde os planos da chapa para o que seriam 4 anos à frente da reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) em um dos momentos mais críticos da história para as universidades públicas brasileiras, mas também aspectos relacionados à críticas que têm sido veiculadas via redes sociais ao que seria um perfil partidário da chapa Avança UENF.

Abaixo as respostas oferecidas pelo Prof. Carlos Rezende às questões que lhe foram remetidas pelo Blog do Pedlowski.

Foto com Juraci

Juraci Sampaio (à esquerda) e Carlos Eduardo de Rezende (à direita) compõe a chapa Avança UENF: Ciência e Sociedade que concorrerá nas eleições à reitoria da Uenf que ocorrerão no início de Setembro.
Blog do Pedlowski (BP): O senhor é normalmente apresentado como um dos fundadores da Uenf. Poderia descrever aos leitores do blog aspectos que considera relevantes de sua trajetória dentro da universidade?
Carlos Eduardo Rezende (CER): Este é um assunto que carrega uma série de excelentes memórias na minha trajetória institucional. Eu estava, assim como muitos outros colegas da UFRJ, realizando parte do meu doutorado na Universidade de Washington (University of Washington) na Escola de Oceanografia (School of Oceanography) na cidade de Seattle em um grupo de referência internacional na área que escolhi para minha vida acadêmica. Naquele momento eu estava muito preocupado com o que faria após terminar o doutorado. Ainda em Seattle, me inscrevi para vagas de recém-doutor e ainda no exterior soube que havia sido selecionado para a vaga. No entanto, ao retornar ao país e conversando com meu orientador de doutorado, Prof. Wolfgang Christian Pfeiffer, me foi apresentada a proposta da Universidade Estadual do Norte Fluminense, que posteriormente teve o nome do seu mentor somado, isto é, Darcy Ribeiro. Obviamente escolhi participar de um projeto que me oferecia um horizonte temporal maior e aqui estou desde então e onde construí minha trajetória acadêmica passando por inúmeras experiências no plano pessoal e profissional.
Na UENF, posso afirmar, participei de todas as suas etapas, tendo o prazer de conviver de perto com pessoas de grande prestígio político (ex. Leonel Brizola e Darcy Ribeiro) e inúmeros pesquisadores renomados que vieram logo no primeiro momento para consolidar grupos nos diferentes centros de pesquisa. Inclusive, tenho o orgulho, neste exato momento, em que me candidato ao cargo de Reitor da Instituição, de obter apoio de alguns destes renomados pesquisadores e estes depoimentos estão disponíveis no canal YouTube da nossa chapa Avança UENF (https://www.youtube.com/results?search_query=avancauenf).
Nestes 26 anos da história institucional, desempenhei inúmeras funções tais como chefe de Laboratório, Diretor de Centro, Vice-Reitor e Pró-Reitor de Graduação, participei de todos os conselhos e colegiados da UENF, comissões para enquadramento funcional de servidores técnicos e docentes. Um ponto importante dentro da minha trajetória institucional é que nunca me omiti politicamente tendo participado ativamente das grandes conquistas da instituição como, por exemplo, a nossa tão desejada autonomia administrativa e recentemente na luta pelos duodécimos como membro do Conselho Universitário e Tesoureiro da Associação de Docentes, tendo inclusive divergido da atual administração em relação ao fracionamento que foi aprovado na ALERJ. Aliás, gostaria de dizer que estive entre os fundadores da ADUENF e metade do meu tempo colaborei com nossa associação sem o menor comprometimento com meu desempenho funcional no plano acadêmico e de pesquisa.
No Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) pude convidar incialmente profissionais para compor o quadro docente e técnico do laboratório que posteriormente fizeram concursos e vários permanecem até hoje. Ainda no LCA coordenei importantes projetos para o país como o Programa Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva que estabeleceu o limite de 200 milhas do nosso país, resguardando nossa soberania e riquezas naturais; membro da Comissão de Ciências do Mar do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação; participei em programas Nacionais tais como os Institutos do Milênio e Nacional de Ciência e Tecnologia; participo de iniciativas internacionais como Future Earth Coasts como coordenador para América do Sul; cooperação por aproximadamente 20 anos com a PETROBRAS e outras empresas do setor privado e Organizações Não Governamentais. Todas estas interações possibilitaram consolidar um laboratório com uma excelente central analítica que coloca o LCA com reconhecimento Nacional e Internacional. Na UENF fui o responsável por 10 anos do primeiro programa de cooperação internacional de mobilidade estudantil para alunos de graduação que envolveu alunos do Centro de Biociências e Biotecnologia e Ciências do Homem, antes do Programa Ciência sem Fronteiras. Em síntese, seriam estes alguns destaques que poderia oferecer aos leitores e dizer que me sinto muito feliz morando em Campos dos Goytacazes onde também consolidei minha família com minha esposa, duas filhas e um filho, três netos e uma neta, um genro e uma nora campistas, constituindo assim um profundo laço com a cidade e toda região Norte Fluminense.

Carlao e Brizola

Carlos Eduardo de Rezende em companhia do governador Leonel Brizola em cujo mandato foi construída a Uenf.
(BP): Por que decidir compor uma chapa para concorrer à reitoria da UENF?
CER: Por várias vezes, em eleições anteriores, meu nome foi colocado por alguns colegas, mas sempre declinei por questões familiares. No entanto, este ano fui novamente procurado, conversei em família, com algumas amigas e amigos, e a questão não foi totalmente rechaçada em um primeiro momento. Desta forma, pensei e considerei inúmeros fatores, principalmente diante da situação atual em que se encontra o país e nosso estado, e iniciei algumas conversas com potenciais pessoas para compor a chapa até chegar ao nome do professor Juraci Sampaio. O professor Juraci é bem mais jovem do que eu, tem trabalhado na UENF nos últimos 15 anos e foi o responsável por um levantamento histórico do desempenho dos nossos alunos de graduação ao longo destes 26 anos de existência da nossa instituição. Cabe ressaltar inclusive que este é um trabalho pioneiro, pois pela primeira vez temos estas informações consolidadas em um documento.
BP: Quais seriam os principais diferenciais da sua chapa em relação às outras duas que também estão participando do processo eleitoral?
CER: Nossa chapa possui uma característica muito importante, pois os dois pesquisadores possuem experiência administrativa e mérito acadêmico. Os dois são membros permanentes de programas de pós-graduação da instituição, tem realizado pesquisas e publicado em revistas com impacto nacional e internacional, e orientado alunos em nível de graduação e pós-graduação. Agora, não vou comentar sobre as características das duas chapas, pois a comunidade conhece as pessoas, as informações estão disponíveis e acredito que a comunidade terá total maturidade para escolha daqueles que representem a instituição da melhor forma possível. Não estamos tratando de um cargo político e sim de uma representação acadêmica da instituição. Nessas horas, muitas pessoas tendem a magnificar defeitos e desconhecerem, ou a desprezar, o mérito acadêmico e da história dentro da instituição.
BP: Em linhas gerais, quais são as principais propostas da sua chapa para a Uenf?
CER: O nosso programa é abrangente, mas precisamos ampliar o acesso ao restaurante universitário; recuperar a infraestrutura da instituição; modernização técnica e profissional dos cursos de graduação e pós-graduação, e a implantação do Colégio de Aplicação da UENF; programas de treinamento técnico nas áreas científica e administrativa; ampliar as atividades culturais e divulgação científica integrando a comunidade acadêmica com a sociedade local e regional, por isto a chapa de chama AvançaUENF: Ciência e Sociedade; intensificar as relações com as instituições de ensino superior que atuam nas regiões Norte, Noroeste e Lagos visando o fortalecimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Concluindo, defendemos uma UENF FORTE, de Qualidade, Inclusiva e Democrática.
BP: Em sua opinião, quais serão os principais desafios que terá de se defrontar caso seja eleito reitor?
CER: o primeiro desafio é a eleição, por este motivo acredito que devemos conduzir este processo dentro de uma liturgia acadêmica para que posteriormente a chapa escolhida pela comunidade consiga conduzir a instituição dentro de um ambiente de união, pois o principal desafio é mostrar a toda sociedade a importância da nossa instituição para o desenvolvimento regional e do país. Precisamos restabelecer os salários e o quadro de servidores, pois ao longo dos últimos anos não tivemos concursos para o quadro permanente dos técnicos e docentes; precisamos também trabalhar para melhoria das bolsas dos estudantes de graduação, pós-graduação e pós-doutorado. Como disse anteriormente, existem coisas que dependem do trâmite e implantação interna com apoio da comunidade através dos seus conselhos e colegiados, outro de um apoio do executivo e dos nossos parlamentares.
BP: Em relação a um tema bastante sensível que é o da proposta de uma eventual cobrança de mensalidades dos estudantes da Uenf, qual é a sua posição?
CER: sou um defensor da Universidade Pública, Gratuita, de Excelência e Socialmente Referenciada. Inclusive, já me pronunciei publicamente sobre este assunto onde reitero o teor, a saber: Aquelas e aqueles que estão ou estiveram na Universidade Pública, seja como servidor técnico ou docente, e também como aluno, tem a obrigação de defendê-la. Quaisquer manifestações contrárias poderiam ser encaradas como um desserviço as nossas instituições públicas, sejam estaduais ou federais.
BP: Além de estar a quase cinco anos sem qualquer reposição salarial, os servidores e professores da Uenf estão com diversos benefícios e direitos congelados. Como pretende resolver este problema junto ao governador Wilson Witzel?
CER: Acredito que temos duas perguntas nesta questão. Primeiro, temos procedimentos em tramitação no âmbito da nossa administração que sequer foram praticados (ex.: enquadramentos, insalubridade) e em seguida, os salários com data para dissídio e benefícios que precisam ser reajustados. Então, uma parte é interna e a outra dependerá de conversar com o Governador e Secretários. Na UENF sempre fui um defensor da nossa autonomia, incluindo a financeira. Há dois anos travamos uma intensa campanha, participei como membro do Conselho Universitário e Tesoureiro da ADUENF, indo para ALERJ, entregando manifesto do CONSUNI aos parlamentares e apoiando a atual reitoria neste pleito. No entanto, discordamos da forma que foi aprovada para implementação, isto é, em 3 anos seguindo os seguintes percentuais 25%, 50% e 100%, e aparentemente correto, pois até agora não se chegou a uma forma final para que este repasse orçamentário se concretize. Enfim, o modelo de autonomia financeira e o total respeito aos repasses destes recursos serão fundamentais para qualquer reitoria.
BP: O senhor tem sido acusado nas redes sociais de estar encabeçando uma chapa com perfil partidário. Como o senhor responde a esta afirmação?
CER: Infelizmente, nosso país passa por um momento muito delicado no âmbito da política partidária e algumas pessoas não conseguem pensar fora desta lógica. Óbvio que tenho minhas preferências políticas, mas na universidade, meu partido é a UENF. Ao longo de 35 anos de profissão, posso afirmar que me orgulho muito da minha trajetória profissional e estar na UENF desde a sua concepção original é uma delas. Assim, esta tentativa tosca de rotular minha candidatura com perfil partidário é absurda e tenta criar factoides para me desqualificar. Agora, deixo claro, jamais deixarei de defender qualquer ponto que considere fundamental e relevante para minha instituição ou para meu país. O que tenho visto nas universidades é uma tentativa de calar, a base da força e de intimidações, as pessoas que possuem uma visão progressista. Ao longo de muitos anos alguns professores cultuaram a postura de negar a política, passar isto para parte dos alunos como uma coisa detestável e hoje temos uma sociedade polarizada e totalmente despolitizada.
BP: Após quase 3 décadas de atuação na Uenf, quais seriam em sua opinião as principais contribuições da universidade para o desenvolvimento regional?
CER: a UENF tem formado excelentes profissionais em nível de graduação e pós-graduação, e considero que esta é a principal contribuição que podemos oferecer para o desenvolvimento da região assim como o conhecimento que geramos através das nossas pesquisas científicas. Na contribuímos ativamente para várias empresas, universidades públicas e privadas, institutos federais e para órgãos públicos como Ministério Público Federal e Estadual, órgãos ambientais e os profissionais formados pela UENF tem atuado em diferentes esferas dos setores públicos e privados. Este é um dos principais legados que nossa instituição tem oferecido para região, para o país e internacionalmente.
BP: A UENF viveu um período muito difícil em 2017 com a falta de salários, mas continuou cumprindo com suas responsabilidades. Como isso foi possível?
CER: De fato este foi um dos piores momentos que vivemos dentro da instituição, pois somados ficamos aproximadamente 6 meses sem salários. Isto realmente comprometeu as finanças e a saúde mental dos nossos servidores técnicos e docentes. Vários não se recuperaram até hoje no quesito financeiro e também da saúde. Um impacto terrível na vida das pessoas e nos vimos confrontados com uma pressão terrível. Em um primeiro momento, fomos convencidos de que a melhor forma para reverter este processo seria continuar trabalhando, mas as reservas financeiras das pessoas foram se esgotando assim como a estabilidade emocional. Afinal de contas todos possuem responsabilidades civis e familiares que em nenhum momento poderiam ser ignoradas. Assim, diante desta situação, algumas das atividades foram descontinuadas e outras até mesmo mantidas por algumas reservas técnicas individuais, mas por força dos servidores técnicos e docentes, as atividades essenciais foram mantidas mesmo diante da pressão por parte de algumas pessoas que insistiam que a situação estava totalmente normal.
BP: Há algo que eu não perguntei e o senhor gostaria de abordar?
CER: O que vem acontecendo na UENF é uma situação muito especial, talvez isto aconteça pela sua jovem história. A instituição certamente possui inúmeras lideranças no plano acadêmico, porém o mais importante é conhecer a trajetória profissional que expressa esta liderança. No nosso caso, a escala de mudança ocorre a cada 4 anos e não basta uma auto identificação, considero que perdemos um pouco estes referenciais na UENF e precisamos resgatar, pois estamos em uma instituição que prega excelência na área de formação de recursos humanos na graduação e pós-graduação, na pesquisa e extensão.
Qualquer gestão pode e deve ser julgada pelos seus resultados, mas a tentativa de se perpetuar a frente da instituição me parece um grande equívoco. A meu ver, a melhor liderança para UENF deve somar qualidades tais como caráter, mérito acadêmico, habilidade e um pouco de sorte. Não faço parte do grupo que deseja o poder a qualquer custo, que isto fique bem claro para todas e todos. A frente de uma gestão a prudência é necessária para avaliar os riscos e apontar para os melhores caminhos. Considero que a eleição representa um ponto inicial da caminhada, mas infelizmente o maior problema em um processo eleitoral é o não reconhecimento das suas qualidades e a ampliação excessiva dos defeitos assim como reinventar parte da história. Concluindo, espero que o indicado pela comunidade conte com apoio de todos os setores depois de finalizada esta etapa, pois está evidente a forma como as universidades têm sido tratadas ao longo dos últimos anos.

A Uenf e o assassinato em curso do sonho de Darcy Ribeiro

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A insistência da atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) de reduzir os graves problemas afetando o funcionamento da instituição à ausência de aulas representa, intencionalmente ou não, um ataque profundo ao revolucionário modelo institucional idealizado por Darcy Ribeiro.  É que quem já seu deu ao trabalho de ler os textos fundacionais da Uenf sabe que em sua gênese ela foi idealizada para estabelecer um nexo inseparável entre ensino, pesquisa e extensão. Darcy Ribeiro viajou para diversas partes do mundo e se inspirou entre outros modelos no que viu no Instituto de Tecnologia da Califórnia (conhecido como Cal Tech), pois ali se impressionou com a exposição dos estudantes às atividades de pesquisa [1]. Ao que viu na Califórnia, Darcy Ribeiro adicionou a noção de que não há devida formação técnica sem que haja uma compreensão cidadã do conteúdo que um dado profissional esteja recebendo. Tal modelo é que foi responsabilizado por três prêmios nacionais pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela formação de profissionais que chegam nos programas nacionais e internacionais de pós-graduação.

Assim, ao omitir os graves prejuízos que o (des) governo Pezão já causou em dezenas de projetos de pesquisa que beira a extinção pura e simples, bem como à disseminação na sociedade fluminense via ações de extensão, a reitoria da Uenf contribui diretamente para um assassinato frio e calculado do espírito revolucionário com que Darcy Ribeiro inoculou o projeto institucional que pariu esta jovem instituição. E nem é preciso dizer que neste modelo, Darcy Ribeiro inseriu os seus sonhos de justiça social e democracia.

É preciso dizer que as últimas três administrações que passaram pela reitoria da Uenf também deram uma ajuda considerável nesse assassinato em curso. É que em tempos de vacas gordas, uma lição fundamental de Darcy Ribeiro foi jogada no lixo. Darcy Ribeiro dizia para quem ninguém se impressionasse com prédios novos e equipamentos caros, pois o que forma e consolida uma instituição universitária são as pessoas que as constroem ao longo do tempo, a começar pelos seus professores e servidores técnico-administrativos e alcançando os estudantes que passam por suas de aulas e laboratórios de pesquisa. Aliás, uma frase favorita de Darcy Ribeiro para sintetizar essa visão era “Livros, livros e pessoas”. Isso queria dizer que sem a simbiose entre livros e pessoas não haveria uma Uenf que estivesse à altura das suas responsabilidades institucionais. Mas para as administrações anteriores o mantra foi “prédios, prédios, prédios”. E em alguns casos, os esqueletos continuam espalhados pelo campus Leonel Brizola para serem vistos por quem quiser ver de perto como se desperdiça dinheiro público.

E aqui é preciso lembrar que Darcy Ribeiro via como uma responsabilidade estratégica da Uenf o desenvolvimento de uma forte base tecnológica para a região Norte Fluminense, de modo a que a sua população pudesse se levantar da planície abissal da injustiça social que séculos de escravatura colocaram a maioria dos seus membros.

Como a missão da Uenf é composta pelo tripé ensino-pesquisa-extensão, a ênfase à volta às aulas mesmo sem que existam condições mínimas para que sua comunidade universitária possa circular com segurança nas 24 horas do dia é não apenas um desserviço ao presente, mas também uma sentença de morte para o futuro. É que não há como violar tão grosseiramente as estruturas fundacionais da Uenf sem que existam fortes reverberações em suas estruturas conceituais. É que para fazer cumprir o modelo idealizado por Darcy Ribeiro, o funcionamento da Uenf tem que se dar 24 horas durante todos os 365 dias do ano. E hoje, dadas as condições de abandono criadas pelo (des) governo Pezão, não há simplesmente como fazer isso sem que se tema pela bolsa ou até pela vida.

Finalmente, imaginemos que a Uenf está em uma guerra pela sua sobrevivência e a reitoria representa o que seria o alto comando das armas de um país em conflito. Aliás, não é preciso imaginar que a Uenf está em uma guerra para sobreviver aos ataques do (des) governo Pezão, pois é disso mesmo que se trata. Numa guerra, o que se espera do alto comando é que primeiro pense em ações estratégicas para atacar e se defender do inimigo, e depois que essas ações representem ou tragam o mínimo de danos às tropas que estão aplicando no terreno de combate aquilo que os líderes estabelecem. Ao objetivamente agir para demonizar em vez de se colocar como primeira linha de defesa dos professores e servidores técnico-administrativos que entraram em greve para demandar a questão básica do pagamento de salários, o que a reitoria da Uenf está fazendo equivale a uma traição de guerra. É que em vez de ficar demandando o início de aulas, o que a reitoria da Uenf deveria estar fazendo seria levar a cabo as consequências da decisão do Conselho Universitário que decretou que a instituição se encontra em condição de calamidade institucional. Por essa traição e os riscos de que o modelo de Darcy Ribeiro seja assassinado pelo (des) governo Pezão, essa reitoria e seus membros serão julgados pela História.

E antes que haja mais um surto de ameaças contra a minha pessoa e meus parcos pertences em grupos de Whatsapp, aviso logo que se a próxima assembleia da Aduenf decidir que os professores devem retornar às aulas irei estar em sala de aula fazendo o que faço desde 1998, qual seja, dar o meu melhor para oferecer conhecimento qualificado para os meus estudantes. Entretanto, esta será apenas outra etapa na guerra para impedir o assassinato da Uenf de Darcy Ribeiro. e não o escolão em que a reitoria, como agente do (des) governo Pezão, está agindo para transformá-la.


[1] http://www.caltech.edu/

Suderj informa: Reitor da Uenf saiu de férias e foi jogar para a plateia no Rio de Janeiro

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O jornal Folha da Manhã publicou hoje uma interessante matéria sob o sugestivo nome de “Uenf estuda retorno às aulas” [1]. A matéria é uma espécie de pastiche anti-greve, onde o ex-presidente da Associação de Docentes da Uenf (ADUENF) e atual chefe de gabinete da reitoria, Raúl Palacio, é apontado como sugerindo que haverá um retorno breve das aulas, sem que sequer haja assembleia dos professores marcada.

Mas uma informação que aparece na matéria reforça a informação já dada pela ADUENF de que as férias coletivas sendo gozadas por servidores técnico-administrativos e professores foram determinadas unilateralmente pela reitoria. Vejamos então o trecho da matéria da Folha da Manhã que deixa isso bem explícito na imagem abaixo.

reitor de férias

A informação é clara e simples: o reitor da Uenf,  Luís Passoni, está gozando suas férias na cidade do Rio de Janeiro e lá, entre um mergulho e outro em alguma praia carioca, acompanha “os trâmites burocráticos para que o repasse seja feito o mais rápido possível“.

E que fique claro, não sou contra o reitor da Uenf gozar as férias que ele determinou que os professores e servidores técnico-administrativos também gozassem. O que acho estranho é que a reitoria que ele comanda não tenha até agora informado publicamente que estas férias resultaram de uma decisão unilateral da qual a ADUENF não teve nenhuma participação. 

Mas o bom é que na tal reunião ampliada convocada para o próximo dia 30 de Janeiro o reitor da Uenf poderá brindar os presentes com os efeitos bronzeadores dos raios solares que hoje causam altíssimas temperaturas na Cidade Maravilhosa. Com certeza isso vai contribuir para dar mais ânimo à plenária.


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2018/01/geral/1229969-uenf-estuda-retorno-as-aulas.html

Reitoria da Uenf “esquece” que decretou férias coletivas e joga para a plateia

Fred Pontes  /Divulgação

Seria cômico não se beirasse o trágico o comunicado oficial do Comando de Greve da Associação de Docentes da Universidade Estadual Fluminense (ADUENF) postou em sua página oficial na rede social Facebook, a qual segue logo abaixo.

ANUNCIO

É que se sabe lá por quais razões, a reitoria da Uenf decidiu colocar todos os servidores (técnico-administrativos e professores) em férias no mês de Janeiro de 2018, mas “esqueceu” de informar esta decisão sua administrativa unilateral aos estudantes que aguardam com justificada ansiedade o fim do movimento paredista que paralisa os trabalhos de técnicos e professores desde meados de Agosto.

Não bastasse este “lapso” de memória, a reitoria da Uenf informou em nota oficial que está convocando uma reunião ampliada do chamado Colegiado Executivo (órgão assessor da própria reitoria) para discutir a situação da Uenf no dia 30 de Janeiro, dia em que a maioria dos professores estarão ainda de férias. Aí é que se pergunta: por que não fazem essa tal reunião ampliada no dia 01 de Fevereiro quando os professores deverão retornar ao campus Leonel Brizola?

Eu pessoalmente reclamei desta determinação unilateral de que eu deveria gozar férias em Janeiro, mas meus reclamos caíram  em ouvidos surdos. A mim apenas foi dito que essa era uma decisão da reitoria e cabia a mim cumprir a determinação de entrar de férias.

Por isso é que eu digo: essa reitoria se transformou numa feitoria, pois tenta jogar os estudantes contra os professores, enquanto continua agindo de forma submissa frente ao (des) governo Pezão. O interessante é que vários ocupantes de altos cargos na atual administração da Uenf ocuparam cargos na ADUENF, fato esse que até os credenciou para estarem onde estão agora.   

Entretanto, espero que com essa nota da ADUENF as eventuais reclamações pela postergação de uma assembleia que eventualmente suspenderá o movimento de greve sejam dirigidas a quem é de direito, qual seja, a reitoria da Uenf.