Governo Paes e Pezão ignora professores em greve há 35 dias

Os professores estaduais e municipais do Rio de Janeiro estão em greve há 35 dias. Depois de negar a negociação e não dialogar com a categoria, agora o governo de Pezão e Eduardo Paes começa processo de criminalização do movimento que busca melhorias nas condições dos profissionais da educação.

Nessa manhã mais de 600 pessoas participaram do ato em solidariedade aos 51 educadores municipais que estão sendo processados e ameaçados de exoneração por não comparecimento as salas de aulas durante os 35 dias de greve. Além dos funcionários de escolas, também participaram servidores municipais da saúde e garis.

Apesar de terem sido convocados pela prefeitura para a apuração dos processos, os portões estavam fechados e eles impedidos de entrar no prédio. Após horas de espera e negociação foi liberada a entrada na Secretaria da Educação, que encontrava-se vazia e sem ninguém do para esclarecer duvidas referente aos inquéritos.

“Queremos saber o que isso significa e qual a transgressão que estamos cometendo. Como vamos ser exonerados por fazer greve sendo que greve é um direito do trabalhador?” comenta Adriana Mendonça, professora municipal. Além dos 51 professores municipais processados, cerca de 200 estaduais estão sendo indiciados, número que tem aumentado consideravelmente nos últimos dias.

Depois da Para apurar esses inquéritos, os grevistas convocaram uma audiência pública na próxima quarta-feira na ALERP, onde tentarão, mais uma vez, uma intermediação com o Estado do Rio de Janeiro referente a greve.

FONTE: https://ninja.oximity.com/article/Governo-Paes-e-Pez%C3%A3o-ignora-profe-1

Jornalistas do Rio irão à Justiça em busca de proteção contra polícia

Alana Gandra – Agência Brasil

O Sindicato dos Jornalistas do Rio se reúne hoje (16) com um advogado para analisar que medida deverá ser tomada pela entidade após a prisão da jornalista Vera Araújo, do jornal O Globo, quando tentava filmar um torcedor detido por policiais militares por estar urinando na rua. A presidenta do sindicato, Paula Máiran, disse que não vê a prisão como um ato isolado ou um desvio pontual de conduta. “A gente entende que há uma política de estado que justifica um relatório nosso”, disse.

Ela argumentou que de maio do ano passado até maio último, dos 72 jornalistas que respondem por mais de 100 casos de agressão sofridos pela categoria no Rio, “cerca de 80% são de responsabilidade de policiais militares”. Paula Máiran explicou que embora Vera Araújo conte com o apoio da empresa para a qual trabalha, o sindicato pretende tomar uma medida de interesse coletivo, visando a obter prevenção jurídica para esse tipo de episódio.

A sindicalista lembrou que as autoridades foram notificadas em abril deste ano, por ocasião de episódio similar, quando outro jornalista do jornal O Globo, Bruno Amorim, foi detido por policiais militares quando fazia fotos da ação policial na desocupação da Favela da Oi, no Engenho Novo. “A gente tinha encaminhado um ofício e aí, infelizmente, um fato semelhante se repete”. O sindicato não recebeu resposta ao ofício encaminhado às autoridades no caso de Bruno Amorim. Recebeu apenas notificação da 25ª Delegacia Policial, relacionada ao inquérito.  “Mas nenhuma resposta formal ao ofício”, disse.

Paula lembrou que uma conquista obtida pelos jornalistas na semana passada foi a recomendação do Ministério Público do Trabalho com 16 itens relacionados à segurança dos profissionais “que precisam ser observadas pelas empresas”. “A gente vê, por um episódio como esse da Vera Araújo, que a responsabilidade não cabe só às empresas. Há também uma parcela muito importante que é do Estado”, destacou a  presidenta.

Ela avaliou que a punição do policial militar identificado como sargento Edmundo Faria, “que fez o ato de cerceamento contra Vera Araújo”, não é suficiente. “A gente entende que a violência não foi só prender e ferir, foi também torturar. Porque circular com ela de carro, durante algumas horas antes de levar para a delegacia, infere em tortura psicológica. A punição do indivíduo não basta. Os fatos e as estatísticas comprovam que isso não resolve a questão”. Segundo Paula Máiran, é preciso trabalhar o modelo de segurança pública “que tem jornalistas como alvo específico de perseguição”.

De acordo com relato da jornalista Vera Araújo ao jornal O Globo, durante o percurso até a delegacia, seu celular foi tomado pelo sargento Faria, quando ela tentava fazer contato com o jornal e com representantes da Polícia Militar para explicar o mal entendido. Faria decidiu, então, parar o veículo e algemá-la. “Ele apertou tanto que os meus pulsos estão machucados”, relatou Vera ao jornal. Na delegacia, acompanhada por um advogado, a jornalista registrou o caso como abuso de autoridade. Após ser liberada do trabalho nesta segunda-feira, ela não foi encontrada pela Agência Brasil para comentar o caso.

Editor Beto Coura

FONTE: http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/06/jornalistas-do-rio-irao-a-justica-em-busca-de-protecao-contra-policia

Neopetistas e direita coxinha fingem que se degladiam, enquanto a FIFA reina absoluta

Eu não sei o que me irrita mais: se a reação mal educada e desconexa da “direita coxinha” ou a gritaria quase histérica dos neopetistas em relação à realização da COPA FIFA no Brasil. Aliás, eu sei sim. O que me irrita mais é que os dois lados votaram juntos a famigerada “Lei Geral da COPA” que tornou o Brasil uma colônia da FIFA, e que os dois lados estão juntinhos reprimindo as manifestações anti-COPA com toda a força repressiva que conseguem.

Na verdade quem ainda se surpreende com essa diferença de discursos e toda a unidade na prática é que não entendeu a profunda transformação pela qual o PT passou desde meados da década de 1990, quando passou de uma aposta da classe operária para lutar por seus direitos num instrumento de sustentação da ordem burguesa oligárquica que domina o Brasil há mais de 500 anos.

Enquanto isso, o que me anima é que nas ruas de todo o Brasil uma fração da classe trabalhadora e da juventude estão enfrentando o aparato repressivo, apontando assim para a construção de uma unidade na luta que ainda vai dar muito trabalho ao status quo, esteja este em sua versão coxinha ou na neopetista.

Mídia Ninja: Brasil Na Luta Por Direitos: Saiba porque os protestos tomaram as ruas do país

NINJA AO VIVO

A violência policial foi o despertador do dia que abriu a Copa do Mundo no Brasil. A bola rolou e o espaço público foi campo de uma partida dura contra o Estado, que escalou militares para a defesa da ordem. Além de São Paulo, palco da estréia da seleção, as cidades de Belém, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro foram sede do verde, do amarelo e das ruas.

Os manifestantes denunciaram os direitos violados nos preparativos da Copa, colocando suas pautas e revindicações no radar da imprensa internacional que acompanhou de perto todas as movimentações. Diante desse Big Brother, ávido por imagens de confrontos, perdeu-se a oportunidade de celebrar o amadurecimento de nossa Democracia, evitando a repressão desmedida aos movimentos. As imagens, sem cortes e vindas de fontes diversas, mostraram claramente a maneira com que a violência do Estado e seu ímpeto repressor age cotidianamente em todo o país. Mostramos ao mundo, sem máscaras ou maquiagens, o que temos de pior: a Polícia Militar brasileira.

Em SP um pequeno grupo de manifestantes contrastava com o grande amontoado de jornalistas e mídias livres com suas câmaras e equipamentos de segurança. Camera-mens e black blocs, sindicalistas e repórters: Foram todos rodeados pela tropa de Choque e atacados por bombas de efeito moral, balas de borracha, cassetetes. Os repórteres estrangeiros sentiram o tempero mais frequente das ruas brasileiras, com toques de pimenta e lacrimogêneo.

Ao menos dois profissionais da rede CNN ficaram feridos, um argentino da Associated Press e ainda um cinegrafista do SBT. A manhã na zona leste seguiu movimentada com a junção dos Black Blocs ao ato de apoio aos Metroviários demitidos pelo Governo de SP após a greve. Acuados pela polícia, os grupos pareciam extravasar a tensão do momento em acusações mútuas, equivocadas e úteis somente ao controle da PM.

A Polícia de São Paulo ainda evacuou com violência os manifestantes que protestavam na Estação do Metrô Tatuapé. No Anhangabau, muitos torcedores ficaram de fora do Fan Fest. Realizado em espaço público mais com vagas esgotadas.

No Rio de Janeiro dois atos se juntaram na Candelária, cerca de 4 mil pessoas caminharam pacificamente da Avenida Rio Branco até a Lapa. No final do trajeto a polícia dispersou o ato de forma abusiva e violenta, com muitas averiguações e detenções. Na hora que a bola rolou nas telas, as ruas de Copacabana foi dividida entre o ‘Não vai ter Copa’ e o público que foi ao Fan Fest na praia. O encontro das diferenças. Entre um gol contra e a conquista do empate, os atritos e desavenças entre torcedores e manifestantes fizeram a atmosfera da orla.

Belo Horizonte, cidade mineira marcada pelos confrontos mais tensos da Copa das Confederações, não ficou fora de campo. O contigente excessivo de policiais, somado à ação direta de Black Blocs deu início a clássica partida de ‘futebol de fumaça’ com sequências de disparo de bombas de gás, e equipes desequilibradas: de um lado o aparato bélico do Estado, do outro estilingues, pedras e lixeiras quebradas.

Porto Alegre, Brasília e Belém também tiveram levantes contra a FIFA, garantindo agitações de norte a sul na estréia da Seleção.

As reivindicações das ruas não são apenas contra os gastos abusivos nas obras da Copa, mas contra as grandes corporações e seu acúmulo predatório, uma verdadeira ameaça à sustentabilidade do planeta.

Não são apenas contra a violência policial e repressão, mas exigem o fim do genocídio de negros e pobres nas favelas e a desmilitarização da polícia com a aprovação da PEC 51.

Não só denunciam a Ditadura midiática que vive o país, mas pautam uma comunicação democrática, com regulação dos meios em observância ao interesse público e sua função social.

Não são só contra o caos no transporte público, os péssimos serviços prestados a os preços altíssimos. Caminham para uma política efetiva de mobilidade, que faça a cidade ter sentido de ponta a ponta.

Não são só críticos com o déficit democrático e a distância entre os partidos políticos e a sociedade. Redesenham a arquitetura do sistema político nacional, com uma reforma política e Constituinte exclusiva.

Não são somente contra as máfias dos planos de saúde e do ensino privado. Idealizam uma saúde e educação públicas, gratuitas e de qualidade, com serviços públicos à altura do desafio de retirar o Brasil do vergonhoso 85º lugar no Ranking global do Desenvolvimento Humano.

Não são somente contra, enfim, o racismo, o machismo, a homofobia e a transfobia. Criam um ambiente capaz de por fim à violência e ao ódio que nascem dos preconceitos. Clamam pela ampliação dos direitos civis, reduzindo as desigualdades, punindo o preconceito. Por uma cultura de paz e convivência que ponha fim à guerra aos pobres e a guerra às drogas, imposta pelo proibicionismo e pela violência repressora.

Não é só contra a Copa, é por Direitos.

FONTE: https://ninja.oximity.com/article/Brasil-contra-a-Copa-Saiba-porque-os-p-1

EL País: Os protestos ofuscam a estreia da Copa do Mundo no Brasil

As manifestações anti-Copa se juntam à concentração de metroviários e atraem os Black Blocs, que fizeram trincheiras de fogo num bairro próximo ao Itaquerão

No resto da cidade, os torcedores seguiam eufóricos para o estádio

PEDRO MARCONDES DE MOURA

A polícia dispara contra os manifestantes na zona leste. / MARIO TAMA (GETTY)

A Copa do Mundo está a ponto de começar. Mas os protestos que, há um ano acompanham sua organização, persistem. Focos de manifestação e greves de vários setores e em várias cidades brasileiras ofuscaram o dia de estreia do Mundial. Em São Paulo, que está tomada por policiais e por soldados do Exército, agentes anti-motins dissolveram hoje pela manhã com gases lacrimogênios um protesto de uma centena de pessoas que reclamava pelas despesas do Mundial, às portas da partida inaugural de hoje. A agência Reuters contabilizou pelo menos oito feridos, a maioria jornalistas, e algumas pessoas foram detidas.

Os manifestantes reuniram-se próximos à Radial Leste, um dos acessos do estádio Itaquerão, onde às 17h horas começa o jogo entre a Croácia e o Brasil. A polícia cercou os manifestantes, que retrocederam várias centenas de metros e acabaram se unindo a um grupo de trabalhadores do metrô de São Paulo – que rapidamente tratou de se desvencilhar do conflito. Os metroviários estavam concentrados também na região, onde fica o sindicato dos metroviários, para protestar contra o Governo do Estado pela readmissão dos 42 demitidos de uma greve recente, desconvocada na segunda-feira, que paralisou durante cinco dias a cidade. Teve início o corre-corre, os distúrbios, jovens encapuzados começaram a derrubar sinais de trânsito e a fazer barricadas de lixo que foram incendiadas na sequência, levantando uma fumaça preta que assustou os moradores da região.

Os trabalhadores do metrô se preocuparam em não se misturar com os jovens mais violentos, que lançavam pedras aos agentes. A polícia, enquanto isso, continha os protestos e tratava de cercar os manifestantes de maneira que não se aproximassem das vias de acesso ao estádio. Conseguiu. Tudo isso acontecia na zona leste da cidade. No resto, os pedestres de camiseta amarela, torcedores emocionados e sorridentes e turistas se dirigindo ao estádio.

Enquanto isso, no Rio produziu-se uma greve de trabalhadores dos aeroportos que afetou uma das vias de acesso ao terminal internacional. Professores que exigiam melhores salários fizeram passeatas no centro da cidade. Em Natal, no nordeste do país, também sede do Mundial, se anunciava uma greve de motoristas de ônibus que afetava meio milhão de pessoas. Já em Porto Alegre, uma manifestação antiCopa tomou conta do centro. Aproximadamente 150 pessoas se juntaram em frente à prefeitura municipal para protestar contra os gastos da competição. Houve atos de vandalismo, e a tropa de choque chegou para conter os ataques à Secretaria de Turismo.

As imagens nas redes de televisão brasileiras mostravam bombeiros tentando apagar os focos de fogo em São Paulo, policiais vestidos como Robocops e nuvens de jornalistas com capacetes ziguezagueando entre uns e outros. Uma moradora do bairro do Tatuapé admitiu: “Que pena: meu bairro está em guerra”.

No final da manhã, os metroviários fecharam a sede do sindicato para proteger os manifestantes da polícia. Ficaram de fora apenas um grupo de simpatizantes da tática Black Bloc e policiais. A PM bloqueou as vias de acesso ao local para evitar que a aglomeração aumentasse.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/12/politica/1402588208_408345.html

Eduardo Paes e as mentiras da Favela Oi

Uma coisa que a imprensa corporativa anda disseminando sobre o destino das centenas de famílias que foram expulsas do prédio da Oi no Engenho Novo é que elas estariam sendo encaminhadas para  Programa “Minha Casa, Minha Vida”.  Essa apenas mais uma mentira de toda essa situação trágica, onde as forças do Estado estão sendo usadas para massacrar famílias pobres que apenas demandam o direito à moradia.

Uma prova disso é o documento que as famílias “cadastradas” pela Prefeitura do Rio de Janeiro recebem em troca da aceitação dessa falsa solução. É só ler para ver que as famílias não estão recebendo nada além de um pedaço de papel que contém, quando muito, promessas vazias.

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Enquanto isso, bilhões de reais estão sendo canalizados para as grandes empreiteiras que remodelam partes da cidade para ampliar ainda mais  processo de segregação social que historicamente existe no Rio de Jsneiro.

Brasil 247 e a pergunta que não quer calar: Cadê os direitos humanos?

No país da Copa 2014, o que há para os pobres? Repressão, tiros, bombas

O texto e fotos abaixo são do repórter Vladimir Platonow da “Empresa Brasil de Comunicação” e mostram como foi feita a desocupação de centenas de pessoas de um prédio abandonado da empresa telefônica OI.

E depois ainda vem a CUT anunciar que vai sair às ruas para defender a realização da Copa do Mundo da FIFA…..

 

Desocupação prédio da Oi

Por Vladimir Platonow

Quando a política de habitação de um governo é traduzida em tiro, porrada e bomba, algo vai muito mal. Tem muita diferença cobrir uma desocupação do lado da polícia ou da comunidade. Nesta sexta-feira, fiquei junto com os moradores do Rato Molhado, que me deram abrigo. Tive que fugir da PM para não ser preso por “desacato”, conforme gritava comigo um sargento e outros tantos, só porque eu estava fotografando a prisão de uma liderança e do colega Bruno, de O Globo. Sinceramente, a forma como a polícia trata os moradores das favelas é muito desumana e violenta. Isso é racismo social, sim.

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Audiência Pública sobre TKCSA marcada por irregularidades em Santa Cruz

Houve tumulto, violência e intimidação aos que denunciavam a empresa.

Na última quinta-feira, 27 de Março, a Secretraria de Ambiente do estado do Rio de Janeiro (SEA) promoveu uma audiência pública no bairro de Santa Cruz, zona oeste da capital, com o objetivo de apresentar à população os resultados da auditoria contratada para acompanhar o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre a própria SEA e a empresa ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA).

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A TKCSA opera sem licença desde 2010 pois não conseguiu se adequar à legislação ambiental brasileira. O TAC funciona como improviso jurídico que permite a companhia manter-se aberta, irregularmente, ainda que sob protestos da população local atingida pelas “chuvas de prata” emitidas pela siderúrgica. O Ministério Público do estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que também esteve presente na audiência, já abriu dois processos criminais contra a TKCSA e negou-se a assinar o TAC.

Na audiência de quinta-feira, a empresa buscava mostrar à população que supostamente havia cumprido o TAC. No entanto, os próprios auditores contratados pela TKCSA foram obrigados a admitir que mais de 13 cláusulas do termo não foram cumpridas, mantendo-se como “oportunidades de melhoria”, eufemismo para acobertar o não-cumprimento do acordo.

Já o representante do MPRJ, promotor Sandro Machado, foi mais incisivo e lembrou dos processos abertos contra a empresa. Além disso, Sandro questionou a falta de ambiente democrático na audiência, pois o auditório estava repleto de funcionários uniformizados da TKCSA (e não de moradores de Santa Cruz) que gritavam e assediavam aqueles que buscavam denunciar as violações cometidas pela empresa e pelos órgãos ambientais. O promotor chegou a pedir o microfone para coibir a postura de uma pessoa da organização do evento – que estava com crachá de “Apoio” – e constantemente insulflava os funcionários para que não permitissem falas contrárias à empresa.

O clima de intimidação e coação durou do começo ao fim da audiência. Houve tumulto, violência e insultos quando uma parlamentar da Assembléia Legistlativa do Rio de Janeiro exigiu a palavra para denunciar a empresa e a falta de divulgação prévia da audiência. Funcionários da empresa, capangas e outros homens truculentos trocaram socos, empurrões e pontapés por quase 10 minutos, tirando qualquer possibilidade de uma atmosfera democrática se estabelecer.

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Mas não foi apenas na platéia (de funcionários) que a lisura e a imparcialidade da audiência foram desfeitas. No palco, diretores da empresa se confundiam com auditores e autoridades públicas que deveriam fiscalizá-la. Por mais de uma vez, tanto auditores quanto o representante da SEA consultaram o diretor da TKCSA para conseguir responder às perguntas de pesquisadores, moradores, pescadores e demais presentes que questionavam, perplexos, a farsa que estava ocorrendo.

Ao fim, o MPRJ retirou-se antes de terminar a audiência, que já varava a madrugada. Por questão de segurança, os moradores, pescadores, pesquisadores e demais ativistas da sociedade civil que questionavam a relação entre os órgãos públicos e a empresa tiveram que sair juntos, para evitar represálias.

Uma audiência pública que fez de tudo, menos ouvir o público. Impedido de se manifestar diante do verdadeiro rolo compressor (de democracia) preparado pela empresa, tanto o povo quanto as normas democráticas ficaram esquecidas em Santa Cruz. O próprio telão mostrava que as relações público-privadas estavam por demasiado embaralhadas, pois a logomarca da TKCSA ficou estampada como se fosse a própria empresa a organizadora da audiência. De fato, era.

A TKCSA está acostumada a se auto-fiscalizar e também a transformar em propaganda publicitária as violações que pratica.

No entanto, a farsa não conseguiu alcançar os mínimos contornos de democracia. O próprio diretor da empresa mostro-se várias vezes preocupado no palco, tentando orientar seus funcionários sobre que tipo de intimidações seriam toleradas pelas autoridades públicas e quais não seriam. É provável que o MPRJ, que presenciou todas as irregularidades, peça a anulação da audiência.

O TAC da TKCSA termina em 10 de Abril de 2014 e a empresa já estourou todos os prazos para seguir operando sem licença. Organizações da sociedade civil, moradores e pescadores prometem seguir na ofensiva denunciando os desmandos da empresa e a conivência do Estado com as violações de direitos praticadas em Santa Cruz e na Baía de Sepetiba.

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FONTE: http://www.pacs.org.br/2014/03/29/audiencia-publica-sobre-tkcsa-marcada-por-irreguralidades-em-santa-cruz-houve-tumulto-violencia-e-intimidacao-aos-que-denunciavam-a-empresa/

Cegos no Tiroteio

Por  PAULO PASSARINHO   

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Definitivamente, as coisas não andam lá muito bem para o governo Dilma.

Após três anos completos do seu governo, o que assistimos foi a contínua frustração da meta de se retomar o crescimento econômico, nos níveis do segundo mandato do governo Lula, conforme era a expectativa oficial.

Além disso, acrescente-se que, depois do início do seu governo, quando foi elevada a taxa Selic até 12,5% ao ano, a ideia predominante no governo foi de reduzir a taxa básica de juros, em termos reais, para 2% ao ano. De fato, para tanto, iniciou-se um ciclo de redução da taxa Selic que chegou a levá-la a 7,25%.

Contudo, como temos visto desde abril do ano passado, e alegando-se como sempre os riscos de pressões inflacionárias, o Banco Central voltou a lançar mão do aparentemente único instrumento de que dispõe para enfrentar esse tipo de problema, que é a elevação da taxa básica. Desde então, a Selic sofreu sucessivos aumentos, encontra-se em 10,75% ao ano – voltando a colocar o Brasil na liderança dos países que praticam as taxas reais de juros mais elevadas do mundo –, e não há a menor certeza de que esse atual ciclo de alta tenha chegado ao seu término. Em recente depoimento no Senado, Alexandre Tombini deu a entender que, pressionado pela alta dos alimentos(!) e seus reflexos na inflação em curso, o atual ciclo de elevação da Selic deve prosseguir.

O que a inflação de alimentos tem a ver com supostas pressões de demanda, ou a possibilidade de reversão deste quadro com a continuidade do processo de elevação da Selic, somente a desfaçatez dos arautos do mercado financeiro pode explicar.

Mas o quadro econômico negativo não se resume a esses pontos.

A longa e continuada utilização do câmbio valorizado, para conter custos internos e manter a inflação sob controle, tem o seu preço. Depois da fase de bonança, que nos propiciou saldos positivos nas transações correntes do país, viabilizados por expressivos e crescentes saldos comerciais, especialmente entre os anos de 2003 e 2007 (decorrência da alta de preços de commodities agrícolas e minerais), voltamos agora a contrair déficits em conta-corrente e uma perigosa trajetória de redução significativa dos saldos comerciais do país, cada vez mais dependente de importações, e de uma conta de serviços em constante elevação.

Para que os leitores tenham uma ideia, em 2006, nosso saldo comercial recorde chegou a US$ 46,5 bilhões; agora, em 2013, fechamos a conta de comércio com um saldo de apenas US$ 2,6 bilhões. Enquanto isso, neste mesmo intervalo de tempo, nosso saldo negativo da conta de serviços e rendas saiu de US$ 37,1 bilhões para US$ 87,3 bilhões. Esses números são apenas uma indicação da forma como vamos – frente à acelerada desnacionalização do parque produtivo, regressão do grau de autonomia tecnológica de nossa indústria e acelerada dependência às importações – nos tornando cada vez mais vulneráveis às oscilações da economia mundial, com reflexos mais do que negativos em nossas contas externas.

Mas os problemas não se limitam à esfera macroeconômica. Há sérias incertezas na área energética, com a desastrada política do setor elétrico impondo pesadas perdas ao complexo Eletrobrás, comprometendo sua capacidade de novos investimentos e gestão estratégica, ao mesmo tempo em que – particularmente frente aos baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas – cada vez mais dependemos da geração de energia a partir das termoelétricas, com inevitáveis impactos de custo que, cedo ou tarde, tenderão a ser transferidos aos consumidores.

Para coroar esse quadro nada positivo, temos um ano eleitoral que aguça a disputa política e já produziu uma dissidência importante no bloco de forças que sustenta o atual governo, com o lançamento da candidatura presidencial de Eduardo Campos, do PSB, contando com o apoio de Marina Silva, ex-petista, ex-ministra de Lula e, hoje, uma espécie de neo-tucana, pré-candidata a vice-presidente na chapa do governador de Pernambuco.

A favor do governo Dilma, seus apoiadores destacam que, apesar de todas as dificuldades em curso, o desemprego se encontra sob controle, em níveis reduzidos para a realidade brasileira, e a renda dos trabalhadores continua em recuperação, embora em um ritmo bastante reduzido. A grande incógnita é que, com esse quadro macroeconômico negativo, a conjuntura eleitoral de disputa e as incertezas e insatisfações acumuladas e crescentes, dificilmente poderemos vir a ter um panorama conjuntural que não acentue a crise de credibilidade do governo.

Mais do que isso, as motivações que levaram multidões às ruas no ano passado – por razões por demais diferenciadas, mas que indicam o esgotamento de uma era de imposturas, inaugurada no país desde meados dos anos 1990 – continuam sem uma resposta convincente dos poderes constituídos.

Neste ano de Copa do Mundo, as manifestações tenderão a readquirir uma nova radicalidade, com diversas categorias de trabalhadores em luta, e a crescente consciência e organização dos movimentos sociais na busca de bandeiras comuns reivindicativas, como é o caso da campanha pelos “10% do PIB para a educação pública” ou a luta pela destinação de “10% do Orçamento da União para a Saúde Pública”. São bandeiras que podem unificar amplos setores dos trabalhadores, além de colocar na berlinda o modelo econômico em curso no país.

O que lamentamos é que, à frente do governo federal, se encontrem forças políticas que – tendo origem na esquerda – deixaram de lado as suas antigas convicções e agora se coloquem como obstáculos para as necessárias mudanças que o país exige, ao menos sob o ponto de vista dos trabalhadores.

Em nome de uma medíocre – e covarde – concepção de governabilidade, essas forças encontram-se cegas, em meio a um verdadeiro tiroteio político, de consequências ainda imprevisíveis.

Paulo Passarinho é economista.