Grandes árvores na Amazônia são mais resistentes às mudanças no clima do que se pensava

A floresta é “notavelmente resiliente às mudanças climáticas”, mas continua ameaçada por incêndios e desmatamento

Uma vista aérea da floresta amazônica, repleta de árvores, e do rio Curuá serpenteando por ela

O estudo mostrou que a vegetação tropical intocada continua a atuar como um sumidouro eficaz de carbono, apesar do aumento das temperaturas e das fortes secas. Fotografia: Jorge Sáenz/AP

Por Jonathan Watts para o “The Guardian” 

As maiores árvores da Amazônia estão crescendo e se tornando mais numerosas, de acordo com um novo estudo que mostra como uma floresta tropical intacta pode ajudar a extrair dióxido de carbono da atmosfera e sequestrá-lo na casca, tronco, galho e raiz.

Cientistas disseram que o artigo, publicado na Nature Plants ontem, foi uma confirmação bem-vinda de que as grandes árvores estão se mostrando mais resistentes ao clima do que se acreditava anteriormente, e a vegetação tropical intocada continua a agir como um sumidouro de carbono eficaz, apesar do aumento das temperaturas e das fortes secas.

No entanto, os autores alertaram que essa função vital está cada vez mais em risco devido a incêndios, fragmentação e desmatamento causados ​​pela expansão de estradas e fazendas.

“São boas notícias, mas são boas notícias com reservas”, disse o professor Oliver Phillips, da Universidade de Leeds. “Nossos resultados se aplicam apenas a florestas intactas e maduras, que é onde estamos monitorando de perto. Eles sugerem que a floresta amazônica é notavelmente resiliente às mudanças climáticas. Meu receio é que isso possa ter pouca importância, a menos que consigamos deter o desmatamento em si.”

Essa cautela ocorre em um momento em que o Brasil planeja pavimentar uma importante rodovia – a BR-319 – através da Amazônia central, próxima a uma das últimas regiões que ainda possuem grandes áreas de floresta intocada. A Bolívia também continua a desmatar árvores a um ritmo alarmante para plantações de soja e criação de gado.

O estudo foi conduzido por quase 100 pesquisadores de 60 universidades no Brasil, Reino Unido e outros lugares, que examinaram mudanças na floresta em 188 áreas na Amazônia nos últimos 30 anos.

Eles constataram que a seção transversal média dos troncos engrossou 3,3% por década, com o maior aumento observado em árvores maiores. Essa expansão foi atribuída ao aumento da quantidade de CO2 na atmosfera, resultante da queima de gás, petróleo e carvão causada pelo homem.

Árvores grandes como castanheiras , sumaúmas e angelim vermelho podem atingir mais de 30 metros de altura, dominando a copa e liderando a competição entre as plantas pela luz, água e nutrientes necessários para a fotossíntese de CO2 .

Os resultados destacam como as áreas mais bem protegidas da floresta continuam sendo aliadas importantes na luta para estabilizar o clima, embora sozinhas estejam longe de ser suficientes para lidar com todo o dióxido de carbono extra lançado no ar globalmente por carros, fábricas e usinas de energia.

Eles também demonstram a importância de prevenir o desmatamento. As áreas da Amazônia que foram fortemente fragmentadas pelo agronegócio e pela infraestrutura – principalmente no sudeste – já passaram de sumidouros de carbono a fontes de carbono .

Árvores grandes são mais vulneráveis ​​a ventos fortes, incêndios e secas se forem isoladas ou deixadas na borda de uma divisa entre floresta e terras agrícolas ou pastagens.

Durante décadas, presumiu-se que árvores maiores– mesmo em florestas densas – morreriam mais rapidamente com o aumento das temperaturas, pois acreditava-se que tinham raízes relativamente rasas em comparação com seu tamanho. Mas estudos recentes mostram que muitas têm raízes muito finas, capazes de sugar água de profundidades muito maiores.

Ainda não está claro como as tendências de mortalidade podem ter sido afetadas pela seca severa dos últimos anos em grande parte da Amazônia.

Uma das principais autoras do novo artigo, Adriane Esquivel-Muelbert, da Universidade de Cambridge, afirmou que as árvores de grande porte são desproporcionalmente importantes para o funcionamento do bioma. Embora representem apenas 1% das árvores da floresta, são responsáveis ​​por 50% do ciclo e armazenamento de carbono, e provavelmente por uma proporção semelhante do ciclo da água.

“As florestas ficam muito mais secas depois que as árvores grandes morrem. Isso altera a estrutura da floresta e ela demora muito para se recuperar, porque as árvores grandes demoram muito para crescer”, disse Esquivel-Muelbert. “Portanto, é um pouco promissor que as vejamos aumentando em tamanho e número em toda a Amazônia. Há alguma resiliência aí.”


Fonte: The Guardian

Estudo mostra que repetição do fogo ameaça resiliência da Amazônia

Artigo feito por pesquisadores do IPAM e parceiros apresenta impactos concretos das queimadas na floresta

A repetição de queimadas e a intensidade do fogo têm causado a perda de resiliência de florestas no sul da Amazônia, resultando em diminuição da diversidade de espécies e aumento da taxa de mortalidade de árvores. Os dados constam no artigo “Resiliência da floresta amazônica inferida de mudanças induzidas pelo fogo nos estoques de carbono e na diversidade arbórea”, elaborado por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e parceiros, publicado pela revista científica IOPscience.

Para o estudo, os pesquisadores consideraram quatro categorias de tratamento experimental aplicadas a parcelas de floresta:

  • Controle não-queimado: nenhuma parcela foi queimada durante o experimento;
  • B1: houve apenas uma queimada, em 2016. Representa um fogo pontual e de baixa intensidade;
  • B2a floresta foi queimada duas vezes, em 2013 e 2016. Representa um cenário de repetição de fogo; e
  • B2 +também foram registradas queimadas duas vezes, em 2013 e 2016, mas com o adicional de “combustível” para intensificar o fogo — no caso, galhos secos e folhas. É considerado o cenário mais extremo, já que une a repetição e o aumento da intensidade

Segundo a pesquisa, nos casos em que houve a repetição do fogo (B2 e B2 +), as alterações na diversidade da floresta começaram já em 2014 — um ano após a primeira queima —, mas que se intensificaram depois de 2016, com o segundo evento. De acordo com o artigo, os impactos a longo prazo dos incêndios foram “ainda mais pronunciados” com o aumento da frequência.

A conclusão dos autores foi de que, além da diversidade das espécies, a composição e o número de indivíduos sofreram “mudanças graduais” de 2014 a 2024.

Além disso, no caso B2 +, que trouxe o fator da intensidade, observou-se um aumento da mortalidade das árvores no local. De acordo com o artigo, em 2014, os incêndios com a presença de folhas e galhos secos aumentaram de quatro a cinco vezes a taxa de mortalidade de árvores quando comparado com áreas não queimadas.

“Quanto aos incêndios com alta intensidade, que é o caso simulado na B2 +, o impacto é muito maior, tanto para a diversidade de espécies quanto na mortalidade, que afeta diretamente o estoque de carbono presente na biomassa aérea das espécies que estão nesse ambiente”, explica um dos autores do artigo, Leonardo Maracahipes-Santos, pesquisador do IPAM.

O artigo mostra que, com as mudanças climáticas, os cenários em que há “combustível” para intensificar as chamas devem aumentar, considerando o aumento da temperatura nas florestas do sul da Amazônia. Com projeções indicando que até 16% das florestas do sudeste do bioma podem registrar incêndios nas próximas décadas, o estudo diz ser incerto se a resiliência da floresta persistirá sob regimes de incêndios mais frequentes e intensos.

“É provável que as mudanças climáticas aumentem a frequência e a duração das secas severas nas florestas tropicais, o que pode amplificar as cargas de combustível e, potencialmente, aumentar a intensidade e a gravidade dos incêndios futuros”, diz o documento.

A pesquisa destaca ainda que, embora a floresta seja resiliente, essa qualidade pode ser comprometida sob regimes e intensidade de fogo mais extremos. Como conclusão, os autores reforçam que é necessária a adoção “urgente” de estratégias de proteção e manejo contra incêndios para evitar a perda dos serviços ecossistêmicos da Amazônia.

O estudo foi conduzido na Estação de Pesquisa de Tanguro, no município de Querência, em Mato Grosso, situada em uma área de transição ecológica entre os biomas Amazônia e Cerrado.

Dias cinzentos

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Por Gilce Sampaio

Era noite, estava dormindo tranquila quando fui acordada pela chuva forte. Enquanto para muitas pessoas é convidativo dormir com chuva, para os gaúchos é assustador.

Moro em uma região que não foi tão atingida dessa vez, mas o trauma do que vivi no dia 12 de julho de 2023 agregado a tudo que tem acontecido ultimamente, me fez mais do que perder o sono, ficar em alerta.

Corri para o quarto da minha filha pequena, que já estava acordada e assustada, para acalmá-la. Ela se aninhou nos meus braços tampando os ouvidos tentando não ouvir o temporal. Enquanto eu dizia para ela que tudo iria ficar bem, mentalmente eu rezava para Deus e para a Mãe Natureza ter piedade de nós e não levar o telhado da nossa casa, como tinha acontecido para muitos em Campo Novo e no Município vizinho Sede Nova.

Diferente deste mês de maio, daquela vez estávamos quase entrando em férias, sou professora e naquele dia eu tinha aula só até o recreio, ou seja, até o meio da tarde. Exatamente a hora que iríamos ser atingidos pelo Ciclone.

Estava dando aula para o ensino médio em Bom Progresso, município que fica a cerca de 10 minutos de Campo Novo. Parecia ser mais um dia normal de inverno: com chuva e frio, um dia cinzento. Por aqui somos acostumados, ou éramos, acostumados a ficar mais de quinze dias debaixo ou dentro das nuvens.

Porém, minutos antes de acabar a aula e dar o sinal para o recreio, a chuva se intensificou com raios e trovões, tivemos uma queda de luz e, um estudante percebeu que seu celular estava tocando sem parar. Pediu licença para pegá-lo na mochila. Era o pai dele que estava ligando. Pediu licença e foi atender fora da sala de aula mas o suficiente para escutarmos a conversa.

-“Como?

-Calma pai!

-Meu Deus!

-Paaiii!”

Ele voltou atordoado para a sala de aula. Parecia não estar falando coisa com coisa: “- Meu pai disse que os porcos estavam voando, que tudo estava voando, que não temos mais nada…E a ligação caiu!” Naquele momento a luz também e não voltaria mais durante alguns dias.

Havia um som ensurdecedor e nada mais funcionava, nem internet, nem sinal de celular. Dou aula de geografia e tive um insight onde entendi que a trajetória do vento passando por Sede Nova, a propriedade do meu estudante, seguiria para Campo Novo onde estavam quase todas as pessoas que eu mais amo.

Enquanto todos corriam para se abrigar no lugar mais seguro da escola eu peguei o meu material e entrei no meu carro. A chuva era cada vez mais torrencial e o vento inexplicável, mas eu não estava nem um pouco preocupada comigo. Era instintivo.

Quando eu estava na estrada a caminho de Campo Novo eu vi passar pela minha frente o vento castanho avermelhado levando – semelhante a cor da nossa terra – tudo o que tinha pela frente, postes, o telhado da Empresa Três Tentos e, como se estivesse hipnotizada eu continuei dirigindo o meu carro até que o carro e o caminhão pequeno que estavam na minha frente pararam no meio da pista, as árvores que costeavam a rodovia estavam no chão, impedindo a passagem para qualquer lado. Eu queria continuar andando porque de onde eu estava eu via tudo aquilo chegando em Campo Novo.

Mas se eu saísse do carro o risco de morte era muito grande, porque a chuva e vento continuavam. Aí desabou sobre mim a sensação de impotência, a percepção de somos nada diante da força da natureza e eu chorei sozinha no carro entre uma fila de outros veículos que balançavam com a força do vento e chacoalhava as últimas certezas absolutas que tinha na vida, como de que poderia controlar muita coisa.

Como que eu não percebi que isso iria acontecer, estava nítido, todo esse desmatamento, a mudança do curso dos rios, mudamos até os rios voadores, que idiota pensar que não iria acontecer conosco o mesmo que aconteceu com quem já fez isso antes, como nos EUA.

Fiquei presa naquela fila na estrada durante mais de uma hora e meia, até que a Defesa Civil e os Bombeiros conseguiram tirar uma quantidade de árvores que permitisse passagem em mão única. A sensação de liberdade de quanto tivemos a autorização de continuar a 20km por hora, foi imediatamente substituída pelo terror das imagens do que havia sobrado ao redor: sequência de postes de energia quebrados ao meio, um capão de mato inteiramente retorcido, com troncos de árvores centenárias que pareciam ser de uma maquete de filme de terror. Restos de placas, madeiras de casas ou galões que tinham que ser desviados ao longo da pista.

Na entrada da cidade de Campo Novo tinha muitos galhos e folhas no chão, quando fui me aproximando da escola da minha filha vi fios de luz esparramados por todos os lados, e uma árvore com as raízes para cima, como se o vento tivesse puxado e invertido ela, a vice- diretora da tarde estava no portão, saí do meu carro sentido o meu coração na boca, nos ouvidos… Já que árvores tinham caído sobre o telhado. Ouvi ela dizer:- Acho que essa foi a última, não tem mais nenhuma criança na escola. Quando cheguei junto a ela mal conseguia falar, mas nos entendemos pelo olhar e, ela me disse: Teu marido levou ela, ela só está assustada, mas está bem, ninguém se feriu. É um milagre!

Fui até a casa da minha mãe, ela não estava em casa, mas aparentemente não havia grandes estragos, nem na casa do meu irmão que mora ao lado dela, segui para a minha casa, pela rua de baixo, aí voltei a me assustar, uma árvore imensa tinha caído e derrubado postes e fios, mas a nossa casa não foi atingida. Não tinha ninguém na minha casa também, sem celular e ser internet fui até a casa do meu irmão mais velho, que aparentemente parecia estar intacta, mas ao descer até a esquina enxerguei o rastro da destruição, dois bairros inteiros tinham sido radicalmente atingidos.

Nunca vi nada igual aquilo, e as pessoas ao redor do que do que havia sobrado estavam desoladas, perdidas, muitas chorando, e eu não sabia nada de ninguém da minha família ainda então voltei para a casa da minha mãe, meu marido coincidentemente também estava chegando lá, com a minha filha pequena junto, nos abraçamos como em um reencontro. Fomos para casa, logo minha mãe chegou com o meu padrasto contando que estavam todos bem.

Os dias seguintes continuaram sem luz e em muitas casas sem água, sem teto, sem nada. Muitas famílias foram para casas de parentes ou amigos, o Ginásio Municipal se tornou o principal ponto público de acolhimento.

Campo Novo e Sede Nova receberam doações de vários lugares. As pessoas reconstruíram suas casas, quem pode com maior segurança, mas nada será como antes. Agora sabemos que estamos na rota dos ventos e os cientistas dizem que isso irá acontecer novamente e cada vez com maior gravidade.

Como viver neste lugar sabendo disso? Talvez o mais racional fosse ir embora, ir para um lugar onde a natureza ainda não foi tão agredida, ir para um lugar mais seguro. Mas porquê poucos fazem essa escolha? A maioria de nós opta por ficar e reconstruir tudo no mesmo lugar porque queremos permanecer ligados às nossas origens, a essa conexão ancestral com esta terra, com estes costumes e histórias. O que as pessoas mais procuravam entre os entulhos eram fotos ou pequenos objetos que haviam elegido como relíquias pelo seu valor simbólico. Devido ao vento ter levado quase tudo que elas tinham de material, elas buscavam o patrimônio criado pelas suas vivências e memórias, aquilo que as identificam com o lugar ou a quem amam. Elas tentavam encontrar por algo que é imaterial, para seguir a vida, algo que lhes devolvesse a fé ou esperança.

E, sem dúvida a resiliência é importante e necessária para nos reerguemos diante atrocidades ou catástrofes. No entanto, com esse sentimento também necessitamos de conhecimento e novas atitudes. Diante do que passamos e do que sabemos é irracional reconstruir a casa do mesmo jeito e no mesmo lugar. É preciso criar uma nova relação com a natureza, com mais respeito e humildade, para que talvez, daqui alguns anos, possamos voltar a dormir tranquilos em noites de chuva.

 

* Gilce Sampaio é professora de História da Educação Básica e Mestre em Arqueologia e Patrimônio Cultural

Porto do Açu: tese de doutorado defendida na Uenf revela que as promessas mirabolantes de um “futuro glorioso” não foram cumpridas

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Estou finalmente podendo disponibilizar para conhecimento e leitura a tese de doutoramento do meu ex-orientando e agora Doutor em Ecologia e Rccursos Naturais, José Luiz Pontes Silva Junior, que foi defendida no âmbito do Programa Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PGERN) da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

O estudo intitulado “Megaestruturas portuárias e ausência de governança costeira na ruptura da resiliência socioecológica: o caso do Porto do Açu” representa um esforço de analisar de forma compreensiva os efeitos socioecológicos resultantes da implantação de um megaempreendimento portuário em uma região de alto interesse ecológico e habitado secularmente por agricultores familiares que ali estabeleceram sistemas agrícolas bastante adptados às condições ambientais existentes.

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Como orientador deste trabalho de doutoramento, considero que o mesmo produziu uma quantidade impressionante de dados, os quais foram analisados de forma objetiva com o uso de teorias científicas consolidadas e aceitas pela comunidade científica. Noto ainda que o agora doutor José Luiz Pontes Silva Junior realizou um exaustivo trabalho de campo no V Distrito de São João da Barra onde levantou uma gama impressionante de informações que agora estão sendo disponibilizadas na forma de uma tese de doutorado.

Dentre os resultados mais importantes deste trabalho, destaco que de forma bastante objetiva se chegou a diversas conclusões. A primeira delas é que como outros megaempreendimentos, o Porto do Açu tem prós e contras para a sua área hóspede (no caso o V Distrito de São João da Barra.. Entretanto, os resultados da pesquisa mostram benefícios propagados pelos gestores do Porto do Açu não condizem com a realidade. Na verdade, a pesquisa constatou que  uma amplitude dos impactos negativos socioambientais e  econômicos ocasionados no decorrer da construção e operação portuária é superior aos benefícios trazidos para o município e seus cidadãos, especialmente os agricultores familiares.

Há que  destacar ainda que  a perda de terras devido às desapropriações, a salinização das águas, a diminuição de renda e o aumento no arrendamento de terras foram identificadas como sendo as principais transformações socioecológicas dos agricultores familiares no período posterior ao Porto do Açu.

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Diante deste cenário, o estudo concluiu que o problema não é o Porto do Açu em si, mas a forma célere e sem o devido planejamento com que este megaempreendimento foi projetado, licenciado, autorizado e inserido no território sanjoanense. Além disso, a ausência de Governança Costeira neste recorte territorial teria influenciado negativamente no ordenamento territorial, na proteção dos recursos naturais e na qualidade de vida da população local.

Em outras palavras, nem todo o “Greenwashing” ou o “Corporate Washing” que tem sido executado para dar uma imagem positiva ao Porto do Açu consegue anular as evidências de que o empreendimento tem tido efeitos desastrosos para a população do V Distrito e para os ecossistemas naturais com as quais ela havia estabelecido mecanismos de co-existência.

Quem visualizar o arquivo contendo a tese de doutorado de José Luiz Pontes Silva Junior, basta clicar [Aqui!]. Quem desejar o arquivo completo, basta enviar uma mensagem para o endereço eletrônico do “Blog do Pedlowski” que eu farei o envio do mesmo.

Instituições lançam a Aliança pela Ação Climática – Brasil (ACA-BR)

O grupo irá mobilizar a sociedade em apoio à ação climática
Pernambuco se une a movimento nacional por Ação Climática - Folha PE

A mudança climática global representa o maior desafio do tempo atual. Evidências científicas sugerem que o nível atual de gás carbônico na atmosfera é o mais alto em 3,5 milhões de anos.

O Brasil sofre diretamente os impactos das mudanças climáticas. O país enfrenta problemas como a escassez de água, incêndios e inundações cada vez mais frequentes e intensos e com impactos diretos na saúde humana, na produção de energia e na produtividade agrícola. A crise climática também está mudando a face dos ecossistemas únicos, desde a Amazônia e a Mata Atlântica até o Cerrado e o Pantanal. Quando combinadas com a destruição do habitat, a mudança climática pode alterar para sempre a estrutura e a composição desses ecossistemas, comprometendo os serviços ecossistêmicos dos quais a população depende. A menos que se enfrente o desafio climático de frente, ele gerará impactos econômicos, sociais e humanos ainda mais negativos do que os causados ​​pela nova pandemia do novo coronavírus.

Em 2015, países de todo o mundo uniram forças para enfrentar este desafio à humanidade ao adotar o Acordo de Paris, se comprometendo a enviar contribuições nacionais para reduzir as emissões e adaptar seus territórios aos impactos da mudança climática. No entanto, com base nas contribuições submetidas até agora, mesmo se os compromissos nacionais forem implementados, as temperaturas deverão subir 3°C, bem acima da recomendação de 1,5°C, o que indica que os esforços devem ser ainda mais ambiciosos em todo o mundo e, para tal, a contribuição de todos os atores da sociedade é essencial.

O Brasil tem sido reconhecido como líder global no enfrentamento da mudança climática, como articulador na busca de consensos para ações climáticas coletivas. Embora o país seja o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, possui o necessário para construir um novo modelo de desenvolvimento: é o país mais biodiverso, com a maior área de floresta tropical do planeta e com um potencial incomparável de energia renovável. Apesar da pandemia que assolou o país, os líderes locais estão dando o exemplo de que atender às necessidades dos brasileiros pode andar de mãos dadas com a solução da crise climática.

O Brasil tem a responsabilidade e a oportunidade de estar na vanguarda dos esforços globais para enfrentar a mudança climática, se recuperar da pandemia da Covid-19 de uma forma que desvincule o crescimento do país das emissões de gases de efeito estufa e crie resiliência socioecológica. Podemos aplicar soluções baseadas na natureza e colocar sistemas em funcionamento para construir uma economia neutra em carbono e resiliente, com potencial de gerar milhões de empregos verdes, reduzir as desigualdades estruturais e melhorar a qualidade de vida de nosso povo. Este é um momento que exige que todos os líderes façam a sua parte, trabalhem juntos para construir um futuro melhor para todos os brasileiros. Da mesma forma, as empresas e organizações devem alinhar suas estratégias e operações com uma economia neutra em carbono. Quando se lidera pelo exemplo da ação climática, se torna parte da solução

Sabendo que o Brasil precisa da voz coletiva e fortalecida de todas as instituições comprometidas para trazer a ação climática para o centro do debate público, a Aliança pela Ação Climática – Brasil (ACA-BR) foi criada para mobilizar líderes empresariais, investidores, autoridades locais e estaduais, academia, imprensa, entidades religiosas, federações indígenas, organizações da sociedade civil e jovens em apoio à ação climática no Brasil. O objetivo da aliança é complementar o ecossistema existente de ação climática no Brasil, reunindo esses atores para inspirar ações climáticas mais ousadas por meio da colaboração; engajar o público brasileiro sobre a urgência e os benefícios da ação climática embasado em análises sólidas; e apoiar as condições políticas que podem acelerar a transição do Brasil para uma sociedade resiliente para o benefício de todos os brasileiros e de todo o mundo, em consonância com o Acordo de Paris.

O lançamento da ACA Brasil acontece dia 28 de janeiro de 2021, às 14 horas, ainda respirando os ares do aniversário de cinco anos do Acordo de Paris. À medida que o mundo olha para o próximo marco climático na COP26 em Glasgow, a ACA Brasil trabalhará para mobilizar toda a sociedade brasileira rumo à COP26 e durante esta década decisiva.

No dia 28 de janeiro, o evento de lançamento será moderado por Daniela Lerário, Líder Brasil da equipe de Campeões do Clima da COP26, acompanhada por Gonzalo Muñoz, Campeão de Alto Nível da COP25; e Suzana Kahn, Diretora Adjunta da Coppe (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O evento de lançamento da ACA Brasil também incluirá depoimentos de governadores, prefeitos, investidores, acadêmicos, empresários e jovens líderes e será transmitido ao vivo no YouTube a partir das 14 horas (horário de Brasília).

Serviço

Data: 28 de Janeiro

Horário: 14h (Brasília)

Sobre Alianças para Ação Climática

A ACA-Brasil faz parte das Alianças para Ação Climática, uma rede diversificada de alianças nacionais dedicadas à ação climática ambiciosa, aumentando o apoio público para enfrentar a crise climática e engajando seus respectivos governos nacionais para descarbonizar mais rapidamente e, por fim, alcançar reduções de emissões alinhadas com os objetivos do Acordo de Paris com os quais cada país se comprometeu. Saiba mais sobre as Alianças para Ação Climática em: https://www.alliancesforclimateaction.org/

O Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas divulga obras sobre gestão resiliente em tempos de COVID-19

covid19

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),  está circulando duas publicações recentemente traduzidas para o português com potencial uso por formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão. O PNUMA é a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional sobre o meio ambiente, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como autoridade defensora do meio ambiente no mundo.

Diante de nossa missão e da situação de pandemia que a humanidade enfrenta, enxergamos a COVID-19 como um lembrete de que a saúde humana está profundamente ligada à saúde do planeta. Seguindo essa linha, gostaríamos de compartilhar dois materiais que acreditamos ter grande serventia na formulação de políticas públicas, nacionais e locais. 

O primeiro é a cartilha “Trabalhar com o meio ambiente para proteger as pessoas: resposta do PNUMA à COVID-19”, publicado pelo PNUMA  em maio de 2020. Nela, discutimos a origem de doenças zoonóticas, tais como a COVID-19 que nos aflige atualmente. Buscamos também apresentar suas origens e implicações, destacando o papel da natureza e de sua preservação na interrupção do ciclo de doenças zoonóticas. Por fim, apresentamos como o PNUMA se reorganizou para responder à crise atual e evitar crises futuras. As zoonoses representam cerca de 75% de todas as doenças infecciosas emergentes. Para evitar futuros surtos, devemos enfrentar as ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, incluindo perda de habitat, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

O segundo é o relatório “Construindo sociedades resilientes após a pandemia do COVID-19: principais mensagens do Painel Internacional de Recursos”, publicado pelo PNUMA e pelo Painel Internacional de Recursos (IRP) em maio de 2020, que fornece recomendações de políticas e exemplos extraídos de avaliações científicas do IRP para apoiar uma recuperação econômica inteligente em termos de recursos, guiada pela proposta de repensar a maneira como geramos riqueza, a maneira como nos movemos, vivemos e comemos.