Movimento estudantil se antecipa e coloca nome de líder sem terra assassinado no restaurante universitário da UENF

A tarde desta sexta-feira (19/12/2014) está servindo para que o movimento estudantil da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) dê um prova de maturidade política ao se antecipar à cerimônia oficial de inauguração do restaurante universitário e colocar uma placa simbólica dando o nome do líder sem terra Cícero Guedes.  Cícero Guedes foi covardemente assassinado em janeiro de 2013 enquanto organizava a luta pela desapropriação das terras da Usina Cambaíba em Campos dos Goytacazes.. 

Essa é um justo reconhecimento à memória de Cícero Guedes que participou de forma solidária de várias mobilizações realizadas pelos estudantes da UENF visando a conclusão da obra que permitisse o início do funcionamento do restaurante universitário que foi iniciada em novembro de 2008. Eu só espero que o Conselho Universitário da UENF siga esse excelente sugestão em sua próxima reunião, mas certamente o movimento estudantil da UENF vai trabalhar para que sua sugestão prevaleça.

Abaixo imagens dos estudantes em torno da placa que o Diretório Central dos Estudantes da UENF confeccionou para homenagear Cícero Guedes. Ele com certeza estaria muito feliz ao ver a luta frutificando na forma de refeições para os estudantes da universidade a que tanto admirou e serviu com sua sabedoria e capacidade de liderança.

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Cícero Guedes, presente!

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Licitação milionária do bandejão da UENF é publicada

O Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (DOERJ) traz hoje a alvissareira publicação de um edital de licitação que deverá garantir a abertura do restaurante universitário (R.U.) com um valor milionário de R$ 6.370.500,00.

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Algo intrigante nesse edital é a data de apresentação de propostas: 03 de outubro de 2014. Eu digo intrigante porque ficamos meses esperando por esse movimento, e agora as empresas potencialmente interessadas terão apenas 11 dias para preparar propostas para um edital que deverá (ou pelo menos deveria) trazer uma série de requisitos sobre a qualidade da comida que será servida.

Além disso, como o extrato do DOERJ traz apenas o valor global, não se sabe por quanto tempo esse preço vai valer antes que receba um daqueles famosos aditivos que caracterizam os contratos públicos.

 Deste modo, seria de bom tom se o Diretório Central dos Estudantes da UENF (DCE/UENF) lesse com atenção o que diz este edital, pois, do contrário, ainda poderemos ter algo bem salgado servido nas bandejas.

É lamentável constatar que depois de tanto investimento na infraestrutura física, a UENF ainda vá gastar ainda mais na privatização dos serviços de alimentação. E ais uma vez sem a devida transparência. Mas neste quesito nenhuma surpresa. A reitoria da UENF é totalmente alinhada com as políticas de terceirização impostas pelo (des) governo Pezão/Cabral e também neste caso segue a cartilha privatizante que aumenta custos e quase sempre piora a qualidade dos serviços.

Finalmente, é preciso lembrar que a existência de um R.U. (bandejão) na UENF é uma conquista da luta dos estudantes. Agora, eles terão que continuar lutando para terem direito à refeições de qualidade e a preços que sejam similares aos que são praticados em outras universidades públicas em diferentes partes do Brasil.

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