Até quando durará o ministro da Educação que acha que o brasileiro é “canibal” ?

velez rodriguez veja

No ministério nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro há um grupo de ministros que em tempos recentes não passariam nem pela porta dos ministérios e, consequentemente, sequer teriam a aspiração de ocupar o cargo que hoje ocupam.

Entre estes ministros um dos que saiu da completa obscuridade para rapidamente se tornar notável por suas bizarrices é o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez. Em apenas um mês de governo, Vélez Rodriguez já se envolveu em vários polêmicas, sendo a última a acusação de que o jornalista Ancelmo Góis utilizaria táticas da extinta agência de inteligência soviética, a KGB, por haver denunciado em sua coluna o desaparecimento  de vídeos educativos do site do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) que apresentavam as ideias de Karl Marx, Friedrich Engels e Friedrich Nietzche.

Mas uma entrevista concedida à revista Veja que as publica nas antes prestigiosas páginas amarelas, Ricardo Vélez Rodriguez se ocupa de apresentar uma série de suas propostas para lá de regressivas para a educação brasileira, especialmente as universidades brasileiras, incluindo o fim da política de cotas e o início da cobrança de mensalidades. 

Essas ideias de restrição ao acesso às universidades públicas não são nenhuma novidade, pois Vélez-Rodriguez já se declarou a favor de um modelo elitista de universidade, onde o acesso universal que consta na Constituição Federal de 1988. Mas como se diz popularmente, até aí morreu o Neves.

A entrevista de Vélez Rodriguez descamba para algo mais estranho (para se dizer o mínimo) quando o ministro da Educação sugere que os brasileiros se comportam como verdadeiros canibais quando se encontram fora das fronteiras nacionais, roubando até assentos salva-vidas de aviões ( ver imagem abaixo).  

brasileiro ladrão

Essa sugestão, ressalte-se, serve ao propósito de justificar o retorno da tenebrosa disciplina de “Educação, Moral e Cívica” com que muitos de nós fomos doutrinados no período da Ditadura Militar de 1964.  Assim, além de considerar que os brasileiros são cleptomaníacos, Vélez Rodriguez parece acreditar que as receitas que causaram décadas de atraso na educação brasileira merecem ressuscitadas para criar um novo comportamento dos viajantes brasileiros.

Outro detalhe que me chamou particularmente a atenção foi de que nunca conseguiu bolsas de doutorado ou pós-doutorado por causa de perseguição ideológica de membros do PT que teriam aparelhado o MEC. É quem conseguir acessar o currículo que o ministro Vélez Rodriguez possui na Base Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (que, aliás, não é atualizado desde 14/09/2018) notará que nada ali transparece como atendendo os rígidos critérios que são aplicados para a concessão de bolsas, principalmente as de pós-doutorado. Em outras palavras, o agora ministro Vélez Rodriguez parece sofrer de um elemento fundamental para qualquer um que se pretenda intelectual, qual seja, a capacidade da auto-crítica.

Por fim, a minha curiosidade maior é sobre quanto tempo Ricardo Vélez Rodriguez ainda permancerá minstra após caracterizar os brasileiros como ladrões inveterados. Em governos comuns, ele já teria perdido o cargo. Mas, como sabemos, o governo Bolsonaro não tem nada de comum.

Quem desejar ler a íntegra da entrevista do ministro da Educação do governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui!]