A ciclovia Tim Maia como oráculo da “Ponte para o futuro” da dupla Temer & Cunha

A situação política brasileira se encontra conturbada e fluída, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff ser aprovado pela Câmara de Deputados no último domingo. Em conversa com um amigo que a coisa está tão instável que qualquer manifestação do imponderável pode fazer o castelo de cartas ruir.

E não é que o imponderável está teimando em se manifestar, e de forma para lá de pedagógica! Um exemplo disso é a queda de parte da ciclovia Tim Maia que foi construída ao preço salgado de R$ 45 milhões por uma empresa que pertence à família de um dos secretários do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Nesse caso se juntam várias facetas da crise que assola o sistema partidário brasileiro: mistura de assuntos privados com públicos, obras caras e de péssima qualidade  e, porque não, a omissão dos órgãos que deveriam zelar pelo correto andamento da coisa pública.

Um mérito desse caso que teve vítimas fatais (ao menos 3) é de deixar explícito que a crise do sistema político não se dá apenas no plano federal, cobrindo todos os níveis de governo. E, sim, sempre colocando o PMDB como parceiro ou gerente direto de alguma desgraça.

Abaixo algumas das imagens mais candentes que já circulam na internet sobre este caso tão emblemático.

A crise seletiva do (des) governo do RJ: mais 153 cargos comissionados e calote nos aposentados

cargos

Entre os dias 1o. e 14 de Abril,  o governador em exercício, Francisco Dornelles nomeou 153 cargos em comissão com salários que chegam a 25 mil reais (Aqui!)

 Ontem (20/04), o (des) governo do Rio de Janeiro se recusou a cumprir ordem judicial que determinava o pagamento dos aposentados e deverá entrar com recurso.

Aí é que fica claríssimo que a propalada crise financeira do estado do Rio de Janeiro é seletiva, muito seletiva!

 

 

PMDB e Eduardo Paes apostam no conservadorismo dos pobres para manter candidatura de Pedro Paulo

20160214_pedropaulonovaversao

Estive hoje conversando com uma pessoa que conhece bem as entranhas do PMDB carioca, e ela compartilhou comigo a percepção que guia Eduardo Paes para manter a candidatura do seu pupilo Pedro Paulo para as eleições da prefeitura do Rio de Janeiro em 2016.

Segundo essa pessoa a pedra no sapato representada pela agressão de Pedro Paulo à sua ex-mulher seria apenas um problema na Zona Sul e entre eleitores mais educados, e que esse efeito negativo seria minimizado nas zonas oeste e norte, onde a questão da violência contra a mulher seria mais tolerado.

Mais tarde, pensando com meus botões, me dei conta que esse raciocínio dos “estrategistas” do PMDB tem tudo a ver com outras peripécias que outros vetustos líderes do partido enfrentam, como é o caso de Eduardo Cunha que está afogado em denúncias de corrupção e mesmo assim continua mandando e desmandando na Câmara dos Deputados.

Agora que é duro ver que há uma aposta de que os pobres e menos educados são mais tolerantes com a violência praticada por maridos contra suas esposas. De toda forma, essa é uma aposta arriscada, já que quem conhece as pessoas mais facilmente assimilada. 

E pensando bem, partido que tolera corrupto, tolera qualquer coisa.

Esqueçamos de impeachment por um instante, falemos de RioPrevidência

Após um domingo onde o brasileiro médio pode ver as entranhas da Câmara de Deputados pela boca de seus próprios membros, eu poderia começar a semana falando dos riscos e perigos que a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

Mas não, vou falar de algo que está acontecendo aqui mesmo no Rio de Janeiro, e que tem passado despercebido por causa de toda a celeuma do impeachment. Falo aqui da esquisita situação em que se encontra o RioPrevidência, o fundo único de previdência social dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

È que no sábado li a notícia de que o custo da folha dos aposentados pelo (des) governo Pezão/Dornelles iria implicar num custo acima do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), permitindo inclusive que servidores com estabilidade sejam demitidos!

Após meditar um pouco sobre isso, lembrei que eu e os outros mais de 200 mil servidores recolhemos mensal e impiedosamente 11% dos nossos salários para o RioPrevidência. Daí que cabe imediatamente a pergunta: onde está parando o dinheiro que é descontado do meu salário, se não é para pagar os salários dos que já se aposentaram pelo mesmo fundo de previdência social?  A coisa simplesmente não bate, e acho curioso que nenhum sindicato grande como o SEPE ou o SINDJUSTIÇA tenham arguido judicialmente a Secretaria de Fazenda sobre isso.

O fato é que  a pergunta é que eu e todos os que entregam parte dos seus salários ao RioPrevidência tem de fazer ao (des) governo do rio de Janeiro é a seguinte: para onde está indo o nosso dinheiro?

Agora, associada a essa situação inusitada do RioPrevidência temos ainda a situação dos valores recolhidos dos contracheques dos servidores em função de empréstimos tomados em bancos e que não estariam sendo repassados às instituições credores, num total que beira, segundo o “insuspeito” jornal O GLOBO, algo em torno de R$ 1,5 bilhão  (Aqui!!)

Em suma, tudo muito nebuloso e cheirando mal, muito mal!

E no final sobrou para os aposentados…

Cash-strapped-pre-retiree-006

Como servidor público estadual venho acompanhando de perto a crise financeira que vem sendo alardeada pelo (des) governo do Rio de Janeiro para manter o funcionalismo estadual num estado de completo terror.

Pois bem, após vários dias de algo que beira uma campanha de terror psicológico, o (des) governo do Rio de Janeiro anunciou sua “solução” para o pagamento do mês de Março. E, confesso, ela é simplesmente vergonhosa, e pode ser vista abaixo em imagem que reproduz uma postagem feita pela jornalista Alessandra Horta na “Coluna do Servidor” do jornal  O DIA..

APOSENTADOS

Sim, isso mesmo, o ônus da crise seletiva que ocorre no Rio de Janeiro sobrou para os aposentados que ganhem acima de R$ 2.000,00. Essa é uma solução particularmente draconiana porque pune pessoas que serviram à população, se aposentaram segundo critérios determinados pela lei, e agora se vêem privados da sua principal (ou mesma única) fonte de sustento! Como muitas desses aposentados são idosos e gastam verdadeiras fortunas com remédios e assistência médica, não é difícil estimar que esse anúncio esteja deixando muitos deles à beira de um ataque de nervos, ou coisa ainda pior.

E que ninguém que foi poupado da aflição que os aposentados estão sentindo neste momento se anime muito. É que a jornalista Alessandra Horto já avisou que a coisa vai ser ainda pior com relação ao pagamento dos salários de Abril. 

Enquanto isso as empreiteiras, montadoras de carros, cervejarias, joalherias e até saunas que receberam generosas isenções fiscais do (des) governo estadual continuam livres, leves e soltas. Lamentável!

(Des) governo do Rio de Janeiro continua brincando com a paciência dos servidores estaduais

 

salários

A imagem acima é uma reprodução de uma reportagem publicada hoje pelo jornal Extra sobre o prolongamento da espera a que os servidores públicos do Rio de Janeiro estão sendo submetidos em relação ao pagamento de seus salários de março.

A situação criada pelo (des) governo do Rio de Janeiro é acintosa na medida em que ao mesmo tempo em que se concedem isenções fiscais bilionárias e se aprovam novos empréstimos para tocar obras privadas, um espetáculo de desrespeito ao direito básico de receber salários é encenado sem o menor pudor ou constrangimento.

Como já mostrei aqui em postagens recentes, a suposta crise financeira do Rio de Janeiro merece uma auditoria urgente, pois não há como explicar que esteja ocorrendo um aumento no recolhimento de impostos e no superávit das contas estaduais de um lado e, de outro, que os salários não sejam pagos. As contas simplesmente não batem, e há que se chegar a uma explicação mais clara sobre o que está acontecendo.

Agora, como também tenho dito aqui, a paciência de muitos servidores que estão afogados em dívidas têm limite. Se o (des) governo do Rio de Janeiro, agora comandado por Francisco Dornelles,  acha que poderá ficar nessa sessão de “embromation” ad eternum, melhor pensar de novo.

Rio de Janeiro em crise, seletiva! E a pergunta que não quer calar: cadê o dinheiro da arrecadação?

MoneyQuestions

Graças a colegas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) tive hoje acesso aos dados de arrecadação do estado do Rio de Janeiro para os dois primeiros meses de 2016 em relação ao mesmo período de 2015, e os resultados são surpreendentes, pelo menos para quem compra a ideia de que vivemos uma crise causada pela diminuição das entradas. A realidade é, na verdade, bem oposta, e para verificar isso basta verificar a tabela abaixo.

crise seletiva

Sim, isso mesmo! A arrecadação estadual aumentou em quase R$ 1 bilhão! Como os salários do funcionalismo público estadual continuam os mesmos de 2015, a pergunta que coloca é a seguinte: para onde está indo todo esse aumento de arrecadação?

As respostas mais óbvias são o pagamento dos juros da monstruosa dívida pública acumulada pelo estado do Rio de Janeiro ao longo dos últimos anos e o custeio das obras supostamente voltadas para os Jogos Olímpicos.

Agora, a população do Rio de Janeiro só vai saber mesmo para onde este dinheiro todo está indo se ocorrer uma auditoria das finanças do (des) governo Pezão/Dornelles. Essa deveria ser uma das principais palavras de ordem do movimento dos servidores e, por que não, da sociedade fluminense. É que algo muito estranho anda acontecendo no reino de Sérgio Cabral, o Proximus da Odebrecht.

A farra continua: Alerj aprova novo empréstimo de R$ 1 bilhão para a Linha 4 do metrô

Faz tempo que eu acho que o sistema partidário do Rio de Janeiro adotou uma inflexão para o cada vez pior, sempre às custas do dinheiro do contribuinte e do sacrifício dos servidores estaduais.

Uma prova cabal disso é a aprovação do empréstimo  R$ 1 bilhão que foi solicitado pelo ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão . Com mais este empréstimo, o valor da obra já supera os R$19 BILHÕES (!!) contra um valor inicial de R$5,3 BILHÕES!

O pior  é que o próprio governo estima que a obra da Linha 4 não será concluída a tempo para ser usada nos Jogos Olímpicos que ocorrerão na cidade do Rio de Janeiro. Em outras palavras, todo esse endividamento de um estado que já beira a falência não resultará na conclusão desta obra bilionária.

Nunca é demais lembrar que participam do consórcio encarregado de construir a Linha 4 várias empreiteiras implicadas no escândalo da Lava Jato, a começar pela Odebrecht. 

Enquanto isso, o (des) governo do Rio de Janeiro ainda não sabe quando conseguirá pagar os salários de Março de quase 600 mil servidores (incluindo os da ativa e os aposentados), o que deverá gerar um caos social sem precedentes.

Mas nada disso parece intranquilizar os deputados da base governista. Vamos ver até quando durará tamanha tranquilidade. Uma coisa é certa: estão brincando com fogo, e podem acabar tostados. 

 

(Des) governo do Rio de Janeiro brinca com fogo. Pode sair tostado!

cabral

Em meio a toda a crise instalada no (des) governo do Rio de Janeiro tenho tentado entender quais critérios podem estar guiando algumas decisões estapafúrdias que aumentam o grau de endividamento do tesouro estadual no mesmo momento em que se atrasam os salários dos servidores estaduais que apenas na ativa representam mais de 230 mil trabalhadores.

Mas diante da informação fornecida pelo mandato do deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL) que o (des) governo do Rio de Janeiro está tentando obter a autorização da Assembleia Legislativa para se endividar em mais R$ 1 bilhão para terminar a interminável linha 4 do metrô carioca em cuja construção participa ninguém mais do que a Odebrecht, eu só posso concluir que está a se brincar com a paciência dos servidores estaduais.

O problema é se brincar demais com a paciência de tanta gente num momento em que se diz que não há dinheiro para pagar salários. Das duas uma: ou se está apostando na mansidão do funcionalismo estadual ou se está querendo ver o circo pegar fogo. A ver!

A pergunta que não quer calar: como o PMDB conseguiu falir o Rio de Janeiro?

the-perils-of-digital-snooping-ca083bf0af

A crise que espreitava a população fluminense desde a campanha eleitoral de 2014 agora ganha contornos claros e desesperadores, especialmente para os servidores públicos e para as largas parcelas que dependem do trabalho do Estado para tocar o seu cotidiano.

A verdade nua e crua é que o estado do Rio de Janeiro, segunda economia da federação brasileira, está em um galopante processo falimentar.  O ponto mais óbvio deste iceberg mal enjambrado é a flagrante incapacidade do (des) governo Pezão, agora momentaneamente sob comando do octogenário Francisco Dornelles, de pagar em dia os salários de seus servidores na ativa e aposentados.  O impressionante é que o Rio de Janeiro é o estado que menos gasta percentualmente com servidores em toda a federação brasileira! Mesmo assim, agora se acena com um parcelamento vergonhoso que imporá um atraso de 15 a 30 dias para se honre os salários do mês anterior.

Mas como o custo total da folha de pagamentos dos servidores representa pouco mais de 15% do orçamento de 2016, a pergunta que deveria ser feito ao sempre serelepe secretário estadual de Fazenda, Júlio Bueno, é de como estão sendo gastos os restantes 85%. 

Mais ainda, como é que ao longo de um período em que os roaylties do petróleo inundaram o tesouro estadual com bilhões de reais podemos ter chegado a um processo de falência explícita! 

Uma primeira resposta tem a ver com os mais de R$ 138 bilhões de isenções fiscais que foram dadas a montadoras de automóveis, cervejarias, joalherias, cabeleireiros e até saunas! Entretanto, ainda vão faltar explicação porque não se consegue falir uma economia do tamanho da que o Rio de Janeiro tem apenas com opções desastradas do uso do dinheiro público. A verdade é que embaixo do caroço da falência fluminense há mais coisa a ser explicada.

Agora, como a mídia corporativa continua protegendo o PMDB fluminense, especialmente após a puxada de tapete que Sérgio Cabral e Jorge Picciani deram em Dilma Rousseff ao apoiar o desligamento do partido do governo federal, restará aos cidadãos cobrar as respostas devidas.