Agência determina redução de água do Paraíba do Sul enviada ao Rio

folhapress

SÃO PAULO  –  A Agência Nacional de Águas (ANA) mandou reduzir a vazão do rio Paraíba do Sul sobre a barragem de Santa Cecília, de onde a água é direcionada para produzir energia elétrica e para abastecer cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana do Rio.

Em resolução publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, a agência federal manda diminuir o envio de água à barragem de 190 mil para 165 mil litros por segundo, a partir de 30 de setembro.

Segundo a ANA, a medida visa “preservar os estoques de água disponíveis” na bacia do rio Paraíba do Sul, cujos reservatórios têm hoje apenas 18,2% do volume que são capazes de armazenar –sua pior marca desde 2003.

A água da bacia do rio Paraíba do Sul foi alvo de controvérsia entre os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro em agosto, quando a gestão Alckmin (PSDB) reduziu por três dias o envio de água ao trecho fluminense da bacia, alegando a necessidade de reservá-la para consumo humano.

O impasse foi resolvido com a mediação do governo federal no dia 18 de agosto, quando os Estados firmaram acordo em que ambas as partes cederiam para preservar o fornecimento de água e a produção de energia ao longo da bacia do Paraíba do Sul.

Com mais de 62 mil km², a bacia do rio Paraíba do Sul cruza 184 municípios e é utilizada para diversas finalidades: abastecimento, diluição de esgotos, irrigação e geração de energia hidrelétrica.

(Folhapress)

FONTE: http://www.valor.com.br/brasil/3676540/agencia-determina-reducao-de-agua-do-paraiba-do-sul-enviada-ao-rio

© 2000 – 2014. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/brasil/3676540/agencia-determina-reducao-de-agua-do-paraiba-do-sul-enviada-ao-rio#ixzz3C6mtaHhR

Jornalistas do Rio em crise

Nas últimas duas décadas os jornalistas abandonaram o sindicato num contexto neoliberal de desqualificação de qualquer tipo de sindicalismo

Por Álvaro Miranda, para o “O DIA”

A diretoria do sindicato dos jornalistas do Rio, eleita em voto direto dos profissionais, corre o risco de ser derrubada

Diretoria eleita democraticamente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro que se encontra sob forte ataque orquestrado pelos patrões da mídia corporativa

Rio – Diante do episódio envolvendo o sindicato, ONGs e pessoas ligadas a manifestantes processados por vandalismo, jornalistas do Rio de Janeiro estão criando um fato político inusitado. Ao pressionarem pelo afastamento da diretoria da entidade antes do término do seu mandato, deram um passo em falso no caminho do autoritarismo. Sem entrar no mérito sobre a maneira como o sindicato vem conduzindo suas ações em relação às manifestações de rua, o fato novo é esse tiro no pé da própria categoria. Uma das alegações desses jornalistas é a de que o sindicato não os representa, apesar de a diretoria ter sido eleita dentro dos padrões democráticos.

É como se amanhã exigíssemos o impeachment do futuro governante do país porque ele não foi eleito com o nosso voto. Aproveitam o ambiente comunicacional muitas vezes maniqueísta das redes sociais para tentar impor suas opiniões na marra. No reducionismo do “ou isso ou aquilo” da discussão irrefletida, jogam no lixo a possível convergência dos valores republicanos e liberais que consagraram a democracia em vários países ocidentais nos últimos dois séculos. Esquecem que clamores de supostos consensos também subsidiaram o golpe de 1964.

Movimento surpreendente, sem dúvida, pois não se tem notícia de irregularidade cometida pela diretoria do sindicato. Por que então ela deveria ser afastada antes do término do mandato? O que se costuma chamar de categoria dos jornalistas é uma massa amorfa, altamente fragmentada em termos culturais, ideológicos, políticos e salariais. Nas últimas duas décadas os jornalistas abandonaram o sindicato num contexto neoliberal de desqualificação de qualquer tipo de sindicalismo.

Intitulando-se de forma estratificada como “investigativos”, “profissionais de redação”, “assessores de imprensa”, “free-lancers” etc., alguns defendem, por exemplo, a criação de sindicatos diferentes para profissionais dos grandes meios de comunicação e das assessorias de imprensa.

Apesar do clamor nas redes sociais, como se fosse a voz de uma categoria unida e traída, muitos (se não a maioria) sequer são sindicalizados ou, quando são, nem pagam as mensalidades da entidade. Tampouco comparecem às assembleias da categoria. Talvez nem saibam onde fica o sindicato. Em termos republicanos, como jornalistas e cidadãos, estão dando péssimo exemplo para os seus próprios filhos e para os novos jornalistas.

Álvaro Miranda é jornalista

FONTE: http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2014-08-08/alvaro-miranda-jornalistas-do-rio-em-crise.html

Depois de Bakunin, pesquisa de mestrado é “arrolada” pela Polícia Civil no inquérito dos ativistas

Depois de incluir Mikhail Bakunin, um ativista político morto em 1876, no inquérito acatado pela justiça para prender 23 ativistas, agora se sabe que a Polícia Civil também incluiu uma pesquisa de mestrado na lista de “grupos perigosos” que estariam atuando nas manifestações que ocorrem no Rio de Janeiro desde junho de 1993.

Não fosse apenas um possível caso de falta do que fazer, essa postura revela uma perigosa tendência ao cerceamento e, pior, utilização de forma pouco ética do que é produzido por pesquisas acadêmicas.

Mas, vamos lá, quem ainda se surpreende com um inquérito que beira o universo social que aparece no livro ” O Processo” de Franz Kafka?

Aliás, antes que alguém queira também indiciar Kafka é preciso que se saiba que ele morreu em 1924! Bom, pensando bem, Bakunin morreu em 1876 e mesmo assim foi indiciado…

Pesquisa de mestrado no inquérito da Polícia

Foi com grande surpresa que vi o nome da minha pesquisa de mestrado na lista de “grupos organizados” no inquérito da Operação Firewall, que investiga os protestos desde junho de 2013. Desenvolvido na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), sob orientação da professora doutora Alita Sá Rego, o Rebaixada pesquisa a atuação da mídia alternativa nos megaeventos do Rio de Janeiro (Copa do Mundo, JMJ, Olimpíadas…).

O mestrado é do programaEducação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas e tem sua sede no campus da UERJ na Baixada Fluminense. Como todos os projetos de minha orientadora, desenvolvi uma parte prática do trabalho: o portal Rebaixada. Sua construção se deu em oficinas realizadas com estudantes e moradores vizinhos da Universidade, processo todo documentado no site.

O portal Rebaixada é um laboratório que experimenta tecnologias usadas pelos midiativistas durantes as recentes manifestações: mapas, wikis, games, agregadores, streaming, tradução, entre outras. Foi desenvolvido em software livre com código aberto. Sua principal funcionalidade é o Web Scraping, ou seja armazenar todas as informações produzidas pelas mídias alternativas para avaliação. Isso porque o Facebook é umwalled garden“, um sistema fechado, o que acaba dificultando a pesquisa acadêmica. Tal experimento também é realizado por iniciativas como o BRnasRuas e o AGREGA.LA.

Algumas experiências do Rebaixada ganharam destaque internacional de instituições como a UNESCO.

inquerito policia civil operacao firewall

Um pouco do que já saiu sobre o projeto Rebaixada em todo o mundo:

FONTE: http://rebaixada.com.br/pesquisa-de-mestrado-no-inquerito-da-policia/

O perigoso Bakunin é um dos indiciados no Rio de Janeiro. O próximo deve ser Enrico Malatesta

Mikhail Bakunin, teórico do Anarquismo, viveu e morreu no Século XIX, mais precisamente entre 1814 e 1876. É importante lembrar que Bakunin estava junto com Karl Marx na fundação da I Internacional, mas depois tomou caminho próprio, já que objetou a noção de transformação revolucionária do Estado como uma das etapas do surgimento de uma nova ordem política. É atribuída a Bakunin, a frase  que diz que ““Quem quer, não a liberdade, mas o Estado, não deve brincar de Revolução”.

Pois bem,  não é que hoje li numa matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo que a Polícia Civil do Rio de Janeiro incluiu Mikhail Bakunin na denúncia que foi prontamente aceita pela justiça fluminense contra os ativistas que foram presos antes da final da Copa do Mundo (Aqui!)!

É quase certo que os ossos de Bakunin devem ter vibrado com essa irônica e cruel lembrança de sua existência que tanto ameaçou o imaginário dos burgueses do Século XIX!

Agora, o que será mais que vai aparecer nesse inquérito? Só falta terem incluído também Enrico Malatesta que tinha grande influência entre os anarquistas italianos que vieram para o Brasil e acabaram, entre outras coisas, fundando os primeiros sindicatos na cidade de São Paulo.

 

Rafucko destrincha o tratamento dúbio dado pela imprensa ao assassinato de menor por PMs no Morro do Sumaré

rafucko

PMs executam um menor, ferindo outro (que não morreu porque se fingiu de morto), e torturando mais um, em plena luz do dia, no meio da cidade do Rio de Janeiro. No vídeo eles não só confessam o assassinato, como ainda se deleitam com o feito. (LINK 1)

Não prestam depoimento, não são algemados (LINK 2), a viatura – objeto de investigação – é depenada (LINK 3) e, voilá, os autores viram SUSPEITOS (LINK 4).

Acho cafona essas campanhas de “somos todos xxx”, apesar de respeitar, mas faço questão de lançar a tag #SomosTodosAssassinos, porque essa morte está na conta de todos nós, que financiamos este episódio, que não nos indignamos o suficiente para que ele seja solucionado e, o mais importante, para que deixe de ocorrer.
Que também sejam responsabilizados os jornalistas que, com as meias-palavras, ajudam a perpetuar esta barbárie.

A gente sempre espera o fundo do poço, aquele episódio que vai mudar tudo. Pra mim chegou. É isso. Acabou.

Que as energias do Universo sejam benevolentes com todos os envolvidos, quando elas voltarem.

LINK 1 – Câmeras incriminam PMs em morte de menor no RJ http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/07/cameras-em-carro-da-pm-incriminam-policiais-em-morte-de-menores-no-rj.html

LINK 2 – PMs não prestam depoimento e deixam delegacia sem algemas http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-22/sumare-pms-nao-prestam-depoimento-e-deixam-delegacia-sem-algemas.html

LINK 3 – Viatura que levou PMs ao Sumaré foi depenada antes do final da investigação http://extra.globo.com/casos-de-policia/viatura-que-levou-pms-ao-sumare-foi-depenada-antes-do-final-da-investigacao-13371780.html

LINK 4 – PMs suspeitos de morte são esperados pra novo depoimento http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/07/pms-suspeitos-de-morte-no-sumare-sao-esperados-para-novo-depoimento.html

FONTE: https://www.facebook.com/okcufar/photos/a.155342024548846.38977.155319264551122/659666954116348/?type=1&fref=nf

iddh informa: Siro Darlan manda libertar ativistas presos e suspende ordens de prisão preventiva dos foragidos

Desembargador concede habeas corpus a manifestantes no RJ

As informações são do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos.

Confira a íntegra da decisão.

1) Trata-se de Habeas Corpus impetrado em favor de CAMILA APARECIDA RODRIGUES JOURDAN, IGOR PEREIRA D’ICARAHY, ELISA DE QUADROS PINTO SANZI, LUIZ CARLOS RENDEIRO JUNIOR, GABRIEL DA SILVA MARINHO, KARLAYNE MORAES DA SILVA PINHEIRO, ELOISA SAMY SANTIAGO, IGOR MENDES DA SILVA, DREAN MORAES DE MOURA CORRÊA, SHIRLENE FEITOZA DA FONSECA, LEONARDO FORTINI BARONI PEREIRA, EMERSON RAPHAEL OLIVEIRA DA FONSECA, RAFAEL RÊGO BARROS CARUSO, FILIPE PROENÇA DE CARVALHO MORAES, PEDRO GUILHERME MASCARENHAS FREIRE, FELIPE FRIEB DE CARVALHO, PEDRO BRANDÃO MAIA, BRUNO DE SOUSA VIEIRA MACHADO, ANDRÉ DE CASTRO SANCHEZ BASSERES, JOSEANE MARIA ARAUJO DE FREITAS, REBECA MARTINS DE SOUZA, FABIO RAPOSO BARBOSA, CAIO SILVA DE SOUZA e EDIGREISSON FERREIRA DE OLIVEIRA, aduzindo na peça de interposição respectiva em síntese, estar configurado o constrangimento ilegal do direito de ir e vir dos pacientes, diante da ilegalidade da prisão preventiva decretada pela autoridade apontada como coatora, sob a alegação de estarem presentes um dos requisitos autorizadores da custódia cautelar – preservação da ordem pública -, nos termos do artigo 312, do Código de Processo Penal, pela suposta prática delitiva tipificada no artigo 288, parágrafo único, do CP.

2) Alegam os Impetrantes que a decisão que decretou a prisão preventiva está carente de fundamentação idônea a ensejar a segregação provisória dos pacientes, vez que a soltura dos mesmos não causa qualquer risco ou perigo à sociedade, afirmando também que não há qualquer individualização das condutas dos réus na peça exordial acusatória, impossibilitando a defesa de exercitar o contraditório e a ampla defesa. Requerem o deferimento da liminar para revogar a prisão preventiva, expedindo os alvarás de solturas e salvos condutos para aqueles que estiverem soltos.

3) Sabe-se que o acolhimento de liminar em sede de

Habeas Corpus reserva-se aos casos excepcionais de flagrante ofensa ao direito de ir e vir do paciente e desde que preenchidos os pressupostos legais, consistentes no “fumus boni juris” e no “periculum in mora”.

4) Por seu turno, cabe considerar que a prisão cautelar é medida excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência consagrado no art. 5º, LVII da CF, além do que exige concreta fundamentação, nos termos do disposto no art. 312 do CPP, devendo sua necessidade e adequação ao caso concreto ser suficientemente demonstrado, o que em relação aos pacientes, até o momento, não vislumbro plenamente demonstrados no presente.

5) Gize-se por oportuno que em relação aos pacientes CAMILA APARECIDA JOURDAN e IGOR PEREIRA D`ICARAHY nos autos de nº 0228193-48.2014.8.19.0001, em tramite na 38ª Vara Criminal

Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro 7ª Camara Criminal Habeas Corpus nº 0035621-68.2014.8.19.0000

01 02 Secretaria da Sétima Câmara Criminal Beco da Música, 175, 1º andar – Sala 107 – Lâmina IV Centro – Rio de Janeiro/RJ – CEP 20020-903 Tel.: + 55 21 3133-5007 – E-mail: 07ccri@tjrj.jus.br

da Capital, para o qual foi distribuído comunicação de flagrante pela suposta pratica do delito previsto no art. 16, III da Lei nº 10.826/03 o MM Juízo a quo, apreciando pedido defensivo, e acolhendo promoção ministerial favorável, entendeu inexistir qualquer indicativo de que os referidos indiciados representavam perigo para a ordem pública ou que a segregação cautelar fosse necessária à instrução criminal, concedendo aos mesmos liberdade provisória com a imposição das medidas cautelares previstas no art. 319, I e IV do CPP, através de decisão lavrada em 21/07/2014.

6) In casu, da analise cuidadosa dos autos, vislumbra-se que, ao menos em analise perfunctória, que a decisão que decretou a custódia preventiva dos pacientes deixou de contextualizar, em dados concretos, individuais e identificáveis nos autos do processo, a necessidade da segregação dos acusados, tendo em vista a existência de outras restrições menos onerosas.

7) Com efeito, o decreto da custodia cautelar não analisou a inadequação das medidas cautelares alternativas diversas da prisão, nos termos do art. 282, § 6º do CPP, sendo certo que o Magistrado somente poderá decretar a medida extrema da prisão preventiva, quando não existirem outras medidas menos gravosas ao direito de liberdade do acusado por meio das quais seja possível alcançar, com igual eficácia, os mesmos fins colimados pela prisão cautelar, e via de consequência, permitir a tutela do meio social naquelas hipóteses em que haja risco de reiteração.

8) Assim, tendo em vista a urgência no caso concreto, inaudita altera pars, DEFIRO LIMINAR para conceder aos pacientes: ELISA DE QUADROS PINTO SANZI, LUIZ CARLOS RENDEIRO JUNIOR, GABRIEL DA SILVA MARINHO, KARLAYNE MORAES DA SILVA PINHEIRO, ELOISA SAMY SANTIAGO, IGOR MENDES DA SILVA, CAMILA APARECIDA RODRIGUES JOURDAN, IGOR PEREIRA D’ICARAHY, DREAN MORAES DE MOURA CORRÊA, SHIRLENE FEITOZA DA FONSECA, LEONARDO FORTINI BARONI PEREIRA, EMERSON RAPHAEL OLIVEIRA DA FONSECA, RAFAEL RÊGO BARROS CARUSO, FILIPE PROENÇA DE CARVALHO MORAES, PEDRO GUILHERME MASCARENHAS FREIRE, FELIPE FRIEB DE CARVALHO, PEDRO BRANDÃO MAIA, BRUNO DE SOUSA VIEIRA MACHADO, ANDRÉ DE CASTRO SANCHEZ BASSERES, JOSEANE MARIA ARAUJO DE FREITAS, REBECA MARTINS DE SOUZA, FABIO RAPOSO BARBOSA e CAIO SILVA RANGEL o direito de aguardarem em liberdade o julgamento de mérito do presente writ, aplicando, entretanto, aos mesmos, as medidas cautelares previstas no art. 319 incisos I e IV e no art. 320, ambos do CPP de: 01) obrigação de comparecer mensalmente ao juízo processante, nas condições fixadas pelo mesmo, para informar e justificar atividades; 02) proibição de ausentar-se da Comarca ou do País, sem previa autorização judicial: 03) entrega do passaporte no prazo de 24 horas; e 04) assinar termo de comparecimento a todos os atos do processo, cientificados de que o descumprimento de qualquer das medidas, acarretará imediata revogação e decretação da prisão preventiva, nos termos do art. 282, § 4º do CPP, devendo o MM Juízo a quo providenciar a intimação dos pacientes para assinar termo de compromisso referente às condições das medidas ora impostas, assim como para a entrega do passaporte, e demais providencias previstas no art. 320 do CPP.

9) Determino a Secretaria que providencie a imediata expedição e cumprimento dos competentes alvarás de soltura daqueles pacientes que se encontrarem segregados cautelarmente, se por outro motivo não estiverem presos, e atribuindo ao MM Juízo a quo o recolhimento dos mandados de prisão daqueles pacientes que se encontrarem soltos, caso ainda não tenham sido cumpridos.

Comunique-se imediatamente ao MM Juízo de origem.

10) Intimem-se os impetrantes para esclarecem a impetração quanto ao paciente

EDIGREISSON FERREIRA DE OLIVEIRA, tendo em vista não constar o nome do mesmo no decreto prisional, no prazo assinalado de 24 (vinte e quatro) horas.

11) A Secretaria deverá providenciar a juntada de cópia da presente decisão assim como das informações prestadas pela autoridade coatora nestes autos, nos seguintes Habeas Corpus: 0035381-79.2014.8.19.0000, 0035817-38.2014.8.19.0000, 0035819-08.2014.8.19.0000, 0035891-92.2014.8.19.0000, 0035989-77.2014.8.19.0000, 0036142-13.2014.8.19.0000, 0036175-03.2014.8.19.0000 e 0036245-20.2014.8.19.0000.

12) Após, ultimadas todas as providências acima determinadas, encaminhe-se o feito à d. Procuradoria de Justiça.

Rio de Janeiro, 22 de julho de 2014.

Desembargador SIRO DARLAN DE OLIVEIRA

Relator

MST realiza Feira da Reforma Agrária nesta quinta e sexta, no Rio

Feira_RA_banner_FB

Nos dias 24 e 25 de julho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realiza no Largo da Carioca a V Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes. A feira acontece entre 8h00 e 18h00, e contará com um ato público de abertura no dia 24, às 16h30. Na ocasião, o MST pretende reafirmar junto à sociedade seu compromisso com a produção de alimentos saudáveis no projeto da Reforma Agrária Popular.

Assentados e assentadas de todo o estado do Rio de Janeiro trarão frutas legumes e verduras para serem comercializados no centro da cidade. Mas o objetivo da feira não é somente este: no evento, o MST pretende aproximar da cidade a necessidade da realização da Reforma Agrária Popular. Na visão do movimento, uma das formas de abordar o assunto é através da comida, conectando os camponeses e trabalhadores urbanos.

Mais uma vez, a Feira se dá num contexto de lentidão extrema da Reforma Agrária no Rio de Janeiro e no país. A demora em desapropriar terras improdutivas e estruturar os assentamentos tem relação direta com o aumento da violência no campo. Desde janeiro de 2013, já foram cinco assassinatos de assentados e assentadas em Campos dos Goytacazes. Um dos mortos foi Cícero Guedes, que dá nome a feira por ser um de seus idealizadores e uma grande referência em agroecologia.

Além dos alimentos frescos vindos das regiões Norte, Sul e Baixada Fluminense, a feira contará com outras atrações. No horário do almoço e no final do dia, atrações culturais pretendem animar o espaço. Haverá também uma feira de troca de sementes no dia 25, às 16h. O objetivo é valorizar as sementes enquanto um bem comum e público, que deve ser preservado livre de patentes. Hoje o Brasil é o segundo maior consumidor de sementes geneticamente modificadas, que são de propriedade de empresas que detêm o seu controle.

Feira_Sementes_FB-01

Junto com os transgênicos, outra ameaça à saúde dos brasileiros é o uso de agrotóxicos. O Brasil é o maior consumidor destes venenos no mundo. O MST participa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que estará na feira divulgando o filme O Veneno está na Mesa 2, do diretor Silvio Tendler, que trata sobre o assunto.

A feira contará ainda com a participação dos Setor de Saúde do MST, que mostrará a produção de fitoterápicos e cosméticos dos assentamentos.

Os pais e mães que quiserem contribuir com o Encontro dos Sem Terrinha podem levar livros infantis para doação. O Setor de Educação do movimento estará recolhendo o material para o evento que acontece em outubro. A principal pauta de reivindicação dos Sem Terrinha é o fim do fechamento das escolas do campo. Nos últimos 10 anos, 24 mil escolas rurais foram fechadas, e os alunos transferidos para escolas nas cidades, onde a educação se dá fora do seu contexto.

Sem Terrinha - Doação de Livros

Além de agricultores e agricultoras do MST, a feira reúne camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores, e da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro. Em comum, a luta pela terra e a crença no projeto político da agroecologia, que estuda e pratica a agricultura em cooperação, sem venenos e em harmonia com a natureza. A agroecologia é vista como alternativa da agricultura familiar ao modelo do agronegócio, já que este se preocupa apenas em obter lucro com a terra produzindo soja, milho e algodão com agrotóxicos. Este lucro é o que tem viabilizado o superavit primário da economia brasileira, possibilitando o pagamento de juros aos bancos.

Para os movimentos sociais do campo, e até organismos internacionais com a FAO, a agroecologia é a única forma de alimentar o mundo de forma sustentável nos próximos anos. Hoje70% dos alimentos consumidos no Brasil vem da agricultura familiar.

Veja os números da última feira e a cobertura de imprensa

Evento no Facebook

Intelectuais denunciam prisões antecipadas no Rio de Janeiro como neofascismo

Notas sobre o Neofascismo 

por Ricardo Antunes, Jorge Souto Maior, Maria Lucia Cacciola, Lincoln Secco e Luiz Renato Martins, via e-mail

As prisões “antecipadas” de pessoas que supostamente fariam parte de um protesto (aliás, legítimo) na final da copa do mundo são o ataque mais sério e preocupante à democracia nos últimos 20 anos.

O fascismo já foi uma forma de cesarismo regressivo de base policial. Mas ele pode assumir muitas formas e até mesmo prescindir de uma liderança carismática e do partido único. No caso brasileiro, vivemos numa democracia racionada, o que implica aceitar um teor de fascismo, de entulho ditatorial e de práticas policialescas que só se integram ao sistema legal mediante o malabarismo retórico das “autoridades”.

A violação da língua e a mentira sem o rubor nas  faces são a primeira manifestação fascista. A ela segue-se o “humor negro” que rejeita os miseráveis e os oprimidos. É indigno ler nas redes sociais os comentários contra manifestantes: “Quem mandou ir à manifestação?”. “Mas ele não carregava uma bomba?”. “O sujeito estava até vestido de mulher”. A expressão “humor negro” não deve nos confundir. Ela é o que diz: humor contra os negros.

Uma das pessoas presas recentemente é a professora Camila Jourdan.  Foi presa pela polícia sem nenhum fato que a apontasse como membro de associação criminosa. Sua prisão é apenas um acinte às leis, à Democracia ou apenas à ideia de civilidade. É óbvio que alguns mais atentos dirão que milhares de pessoas são presas injustamente e que são pobres etc. Nada disso nos deve confundir. Os fascistas também usam argumentos de esquerda. Camila foi presa porque representa mais do que ela mesma. Ela luta por todos nós.

Que não se queira concordar com o teor dos protestos que animam os novos movimentos sociais desde junho de 2013 até se pode compreender. Mas que se aceite que haja prisões políticas é plenamente inadmissível.

Comentários sobre “provas”, legalidade e ofensas anônimas em sítios progressistas ou não, apenas revelam o quanto a Ditadura Militar destruiu a cultura política e distorceu as mentes de muitas pessoas de esquerda ou de direita. Mas elas também serão vítimas do Estado Policial e se mantida a conivência no futuro não haverá ninguém para defendê-las.

Diante do fascismo, travestido ou não, inexiste transigência. Os que apoiam a prisão de Fábio, Celso, Camila, Sininho e muitos mais só merecem o repúdio.

Ricardo Antunes, Professor Titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp 

Jorge Souto Maior, Professor Livre Docente da Faculdade de Direito da USP

Maria Lucia Cacciola, Professora da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP

Lincoln Secco, Professor Livre Docente da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da  USP

Luiz Renato Martins, Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=9832&Itemid=218

Governo francês vai pedir ajuda ao Rio de Janeiro?

paris 2 paris

As cenas acima não são da Cinelândia no centro do Rio de Janeiro, mas de Paris onde milhares de pessoas desafiaram a proibição de reunião pública e decidiram mostrar sua repulsa ao massacre em curso na Faixa de Gaza. Mas do jeito que os paralelos se cruzam em termos das táticas repressivas do Estado já que em Paris além de se proibir o uso de máscaras, se proibiu simplesmente o direito de reunião pública, não será de se admirar se o governo francês solicitar a ajuda da polícia e da justiça do Rio de Janeiro para conter a escalada de protestos.

Uma coisa é certa: a crise sistêmica do capitalismo gera reações de parte a parte que mostram que podemos até ser diferentes e vivermos em países com condições bastante diferentes, mas as táticas repressivas que visam sufocar o clamor por mudanças, essas são sim muito parecidas e estão recebendo em troca reações bastante semelhantes.

Um último detalhe: não vou me surpreender se aparecer algum delegado ou juiz dizendo que a ativista Sininho que insuflou a manifestações em Paris! Afinal, a moça é a encarnação total do Mal, não é?