Direção da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz emite nota de repúdio à prisão de manifestantes

NOTA DE REPÚDIO À PRISÃO DE MANIFESTANTES NO RIO DE JANEIRO

A direção da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz, vem a público repudiar a prisão arbitrária de manifestantes efetuadas no Rio de Janeiro no último dia 12 de julho. Realizadas sem provas e com caráter preventivo, embora utilizando-se dos meios legais, essas prisões, que têm cunho claramente político, representam um momento preocupante da história do Brasil, em que princípios mínimos da democracia são feridos por agentes e instituições do próprio Estado. 

Como representante de uma instituição que nasce no contexto das lutas pela redemocratização do país, a direção da Escola Politécnica expressa sua preocupação com os rumos que têm tomado as ações do Estado na tentativa de conter as manifestações sociais, que são processos não apenas legítimos como necessários para o exercício de uma democracia real. As prisões políticas são, nesse sentido, o ponto de culminância de um processo que tem sido marcado por fortes traços de autoritarismo, expresso tanto na forma violenta como a polícia reprime as manifestações como na falta de diálogo com que governos têm respondido ao também legítimo direito de greve de trabalhadores de diversas categorias. 

Contra a reedição de mecanismos ditatoriais que marcam a memória recente do país, a direção da Escola faz coro a outras instituições e movimentos sociais que reivindicam a imediata liberdade dos presos políticos da democracia.

Direção da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fundação Oswaldo Cruz.

FONTE: http://www.epsjv.fiocruz.br/index.php?Area=PaginaAvulsa&Num=485

Chora a nossa pátria mãe gentil

Por: Mônica Raouf El Bayeh

Chora a nossa pátria mãe gentil. Não por mais uma vergonha da seleção. Nem pelo jogo de com camisa X sem camisa de fundo de quintal que foi a partida contra a Holanda.

A pátria chora porque uma nuvem preta vêm cobrindo, mais uma vez a todos nós. E assustando nossos irmãos. Tirando inocentes de casa, ameaçando, botando fuzil na cara até de menores, deixando recados para os que não são encontrados.

A ditadura voltou ou nunca foi embora? Se o presidente fosse militar, não dizia nada. Mas justo uma presidenta ex- guerrilheira? Que ironia do destino.

Dia 12 de julho de 2014, guarde essa data. No objetivo claro de constranger e intimidar cidadãos que participam de manifestações, a polícia prendeu 38 pessoas. Em uns casos com mandado, em outros nem isso.

Um típico caso de faxina para o final da copa. Numa atitude inconstitucional, aleatória e mal explicada. Pior, a mesma atitude já foi tomada pela polícia no início da copa e a gente nem ficou sabendo.

Para o presidente de Comissão de Direitos Humanos da OAB do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Chalreo, as prisões são inconstitucionais. “As prisões têm caráter intimidatório, sem fundamento legal, e têm nítido viés político, de tom fascista bastante presente. O objetivo é claramente afastar as pessoas dos atos públicos”

O primeiro boletim que eu li sobre o assunto dizia que os manifestantes tiveram suas casas vasculhadas e foram encontrados: celulares, computadores, máscaras de gás, jornais e joelheiras.

Eu pensei, estou ferrada! Tirando a máscara de gás, tenho tudo. Sou a próxima. Deixo, inclusive a dica aqui: minha sogra tem isso tudo na casa dela. Entendeu a deixa? Endereço inbox.

Falando sério, agora. Máscara de gás não é ataque, é defesa. Ataque são as bombas que os manifestantes têm levado na cara. Se levam máscaras de gás é por uma questão de sobrevivência. Aliás, todos deveriam ter uma máscara de gás, já que as bombas têm a capacidade de ir bem longe, até o oitavo andar dos prédios da cidade pessoas passavam mal com o efeito que elas causavam. É crime se proteger?

Provavelmente viram o absurdo da acusação e resolveram incrementar. Acharam um revolver velho, do pai de um dos acusados com porte de arma vencido. E aumentaram para: armas. Duvido que lendo essa matéria tenha uma só pessoa que não conheça uma criatura completamente inocente que possua arma em casa, a pretexto de se defender de ladrão.

Acharam maconha na casa de um outro. Acrescentaram: drogas. Olha a lista crescendo e ficando perigosa!

Amigos presos, amigos sumindo aqui pra nunca mais. Foi assim que me senti ontem ao ser procurada por várias pessoas pedindo ajuda. E pensei, quantos Amarildos ainda vão sumir com essa história? Até quando tanto desmando? Do fundo de um passado sombrio tenho visto, janela por janela, as paisagens se repetirem. E é com muita angústia por tudo que escrevo aqui agora.

Uma das presas foi a advogada Eloísa Samy, conhecida por trabalhar na defesa das pessoas presas em manifestações. É crime ser advogada? O professor que foi barbaramente arrastado pela polícia nas ruas do RJ também estava na lista e foi preso. Seu crime? Ser arrastado? Ele levou os policiais a lhe arrastarem pelas ruas? É isso?

Fui procurada ontem por educadores ameaçados de prisão. Seu crime? No geral, o crime de um professor é ensinar para que o futuro seja melhor. Ensinar a lutar por uma vida mais digna. Provocar a indignação pelo que não presta. E mostrar que não se acostuma com o que é ruim. Isso agora dá cadeia? Parece que sim.

No jornal da televisão anunciavam a prisão de Black-blocks. A notícia tinha uma função tranquilizadora implícita: a população ficasse tranquila. A cidade já estava limpa para o final da copa. Os malfeitores estavam presos. Nem tudo é o que parece ser. Nem tudo é o que querem que pareça ser.

Luíza Dreyer, a cantora linda de voz esplendorosa que participou do The Voice, está na lista também. Eu torcia por ela, no The Voice. Torço ainda mais agora, para que ganhe mais essa disputa, dessa vez contra o abuso de poder. O crime da Luíza? Protestar. É crime?

As pessoas que entraram em contato comigo não eram malfeitores. Eram professores. Agora sendo caçados, sem mandados. Ou com mandados, tendo seus nomes expostos num PROCURA-SE moderno que antigamente era pregado em árvores. E hoje em dia é rapidamente espalhado em redes sociais.

Está no Facebook, eu li, não sei se é verdade. Mas eu li os presos tentando se defender, falando de terem tido objetos plantados nas investigações. Armas, bombas, coisas que não lhes pertenciam. É praticamente um lenda urbana essa história de que a polícia, a pretexto de inspecionar plantava drogas para acusar as pessoas. Nunca aconteceu comigo, nem com ninguém conhecido. Eu aqui não posso afirmar nada. Mas onde há fumaça…

Fico aqui pensando com meus botões: os black blocks que quebravam tudo nas passeatas eram sempre longamente filmados pela imprensa. Porque a imprensa sempre sabia onde eles estavam e a polícia não? Por que não prenderam logo enquanto eles promoviam a quebradeira? Onde ficava a polícia enquanto eles quebravam? Não viam? Não ouviam?

Enquanto educadores são presos, a pretexto de serem bandidos, o bandido que fez a maior roubalheira com os ingressos da FIFA foi solto e já sumiu pela porta de trás. E corruptos são liberados das prisões.

A qualquer pretexto invadem hoje a casa de uma pessoa, sem mandado ou com um mandado sem justificativa, levam preso sei lá até quando. Já se imaginou sendo invadido, caçado, impunemente e sem direito a defesa? Já se imaginou com medo sem nem saber de que ou de quem direito? Imagine! Quem garante que o próximo não será você?

Às vésperas da comemoração da queda da Bastilha, ainda se vê o poder repetindo o mesmo velho esquema de calar quem incomoda. A Bastilha era um depósito de loucos onde os pensadores iam sendo jogados. Porque soltos, eram perigosos.

O jornal acusa os cidadãos presos de plantar o caos. Pensar, questionar é plantar o caos? Pensar é muito perigoso mesmo. O bom pensar de um povo faz cabeças rolarem. Bastilha neles para que tudo fique como está! Voltamos aos tempos dos presos políticos.

Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente. A esperança dança na corda bamba de sombrinha e em cada passo dessa linha pode se machucar. Azar! A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar (Aldir Blanc e João Bosco).

Foto de Cristina Froment

FONTE: http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/chora-nossa-patria-mae-gentil-13240147.html#ixzz37Y3dE9Ql

MST lança nota política sobre situação no Rio de Janeiro

Carta de repúdio ao Estado de Sítio vivido no Rio de Janeiro

 

Manifesante ferida é impedida de sair da Saens Peña. Foto: Camila Nóbrega/Canal IbaseManifestante ferida é impedida de sair da praça Saens Peña. Foto: Camila Nobrega/Canal Ibase

Rio de Janeiro, 14 de julho de 2014

O último final de semana no Rio de Janeiro vivenciou o estabelecimento de um verdadeiro Estado de Sítio implementado para garantia do megaevento Copa do Mundo. A ação repressiva e violenta, entretanto, já se fazia perceptível desde o ano passado com uma brutal criminalização dos movimentos reivindicatórios que ocuparam os espaços públicos como forma de defender mais saúde, educação e mobilidade, entre outros direitos sociais resguardados na Constituição desde 1988.

O que se assistiu nesse final de semana foi um espetáculo lamentável de ruptura com qualquer noção de democracia.

No sábado, dia 12 de julho, o juiz da 27ª vara criminal do Poder Judiciário do Rio de Janeiro autorizou o cumprimento de ilegais 26 mandados de prisão temporária, sob argumento central de que “verifica-se, também, que há sérios indícios de que está sendo planejada a realização de atos de extrema violência para os próximos dias, a fim de aproveitar a visibilidade decorrente da cobertura da Copa do Mundo de futebol, sendo necessária a atuação policial para impedir a consumação desse objetivo e também para identificar os demais integrantes da associação”.

Trata-se de verdadeira prisão política que demonstra a relação subserviente do Poder Judiciário aos interesses econômicos, sejam eles de organismos internacionais ou de poderes públicos estatais. Os Executivos Estadual e Federal vergonhosamente silenciaram diante dos abusos cometidos por suas forças de segurança em atuação no Rio de Janeiro.

É vergonhosa a atuação do Judiciário do Rio de Janeiro que vem se envergando ao Executivo Estadual, demonstrando a falácia da independência entre os poderes e a mediocridade interpretativa dos seus integrantes em defesa de um rebaixado processo de controle social.

Como se não bastasse a ordem prisional decretada no apagar das luzes, prática comum no período inquisitorial e que se perpetuou nos regimes de exceção, vide ditadura civil-militar no Brasil, neste domingo tivemos um verdadeiro estado de sítio estabelecido na praça Saens Pena, Tijuca. O espaço público foi escolhido por uma série de movimentos sociais e partidos políticos para a realização de atos em defesa de mais democracia e politicas públicas, e menos remoções, repressão e criminalização.

O que se seguiu foi um verdadeiro campo de guerra onde as forças de segurança com bombas cercaram os manifestantes, obrigando-os a ficarem presos na praça e impedidos de sair. Ninguém entrava após o estabelecimento do cerco que durou até o final do jogo. Advogados que foram acionados para apoio diante do alto grau de arbitrariedades foram barrados e somente após um longo período é que conseguiram adentrar ao cerco.

Dentro do cerco, os policiais militares (identificados pela sigla alfa-numérica) espancaram manifestantes e quem mais estivesse ali, como um midiativista que teve seu antebraço quebrado pelos golpes de cassetete, dentre várias vítimas. Uma jornalista com a cabeça sangrando e uma estudante com o braço ferido foram impedidas de sair do cerco. Não havia razão para essa brutal repressão, apenas justificada pela certeza de que as autoridades superiores (sejam elas estaduais ou federais) concederam tacitamente carta-branca para o massacre dos militantes.

O legado da Fifa para o Brasil será a sedimentação de um estado de exceção, legitimado pelo sistema judicial, onde cidadãos podem acordar com policiais na sua porta para a decretação de suas prisões como garantia da paz e da ordem do Estado. A paz e a ordem são criadas através da supressão dos direitos de livre manifestação e participação política, e pela prisão dos que defendem a democracia. Mas como nos lembra Marcelo Yuka, “Paz sem voz não é paz é medo!”.

Queremos aqui reiterar que nos recusamos a silenciar. Nossa história e nossas conquistas foram forjadas na luta, e na luta seguiremos.

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola

BBC faz o que mídia do Brasil não quis fazer: mostrou a violência da PM no Rio de Janeiro

Polícia usa violência em protesto e fere ao menos 10 jornalistas no Rio

Polícia reprime protesto no Rio | Crédito: AP

Polícia usa violência para reprimir protesto no Rio de Janeiro

Ao menos dez jornalistas ficaram feridos por estilhaços de bombas de gás lacrimogênio e golpes de cassetete durante uma manifestação no Rio de Janeiro marcada para coincidir com a final da Copa do Mundo. O protesto, que reuniu cerca de 300 pessoas neste domingo na Zona Norte da cidade, foi duramente reprimido pela Polícia Militar.

Criticada por entidades, a operação da PM contou ainda com tropas de choque e cavalaria.

A estratégia dos policiais, conhecida no exterior como “kettling”, foi a de cercar totalmente os manifestantes e impedir que saíssem da Praça Saens Peña, na Tijuca, a menos de dois quilômetros do estádio do Maracanã, para onde queriam marchar.

Desde o início dos jogos da Copa do Mundo, autoridades estaduais têm autorizado o uso de violência para evitar que manifestantes se aproximassem de estádios ou instalações da Fifa.

A Polícia Militar afirmou à BBC Brasil que encaminhará à Corregedoria denúncias de abusos de policiais.

“Foi necessário usar bombas de gás também para dispersar, inclusive alguns manifestantes que arrombaram as portas do Metrô”, afirmou a instituição em nota.

Questionado sobre o objetivo da operação, o coronel Cristiano Luiz Gaspar, comandante do Regimento de Polícia Montada, disse ainda no local da manifestação que a operação “servia para garantir a segurança das próprias pessoas”.

Para André Mendes, advogado ativista que acompanhava o protesto ao lado de enviados da OAB do Estado do Rio de Janeiro, no entanto, a interpretação do que ocorreu na praça é outra.

“Traçaram um perímetro urbano e fizeram cárcere privado. Quando alguém tenta sair, eles (policiais militares) forçam a situação e há confronto. E se a pessoa insiste, levam para a delegacia e detêm alegando desacato ou desobediência. É totalmente inconstitucional, estão violando muitos direitos de uma vez só”, diz.

Jornalistas e violência

Polícia reprime protesto no Rio | Crédito: AFP

Reportagem da BBC Brasil testemunhou cenas de violência da polícia contra ativistas e jornalistas

A BBC Brasil e o restante da imprensa nacional e internacional presentes à manifestação testemunharam cenas de violência contra ativistas e jornalistas.

Mauro Pimentel, fotógrafo do site de notícias Terra, teve a lente da câmera quebrada e levou um soco no rosto. “Eu estava de máscara de gás, que foi quebrada com o soco. Foi isso que me salvou, senão teria ficado muito mais ferido”, disse.

“Na confusão das bombas de gás eu caí e a tropa de choque começou a passar por cima de mim. Aí veio um policial e se abaixou; eu achei que ele ia me ajudar mas ele abriu a minha máscara de gás e jogou spray de pimenta no meu olho”, disse Ana Carolina Fernandes, freelancer de agências de notícias.

Outros nove jornalistas foram alvos da polícia, que num dado momento focou em profissionais com câmeras.

Entre eles o documentarista canadense Jason O’Hara, que teria sido hospitalizado após ser agredido por policiais. “Show de horror nas ruas do Rio. Amigo e cineasta Jason O’Hara brutalizado pela polícia, levou chutes na cabeça”, disse em sua conta no Twitter o geógrafo americano Christopher Gaffney, professor-visitante da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Confrontos

Os confrontos entre policiais e manifestantes começaram quando os participantes do protesto tentaram passar à força pelas barreiras policiais que cercavam a praça.

A BBC Brasil ouviu os policiais gritando “360, 360!” e logo depois disso foi possível ouvir explosões de bombas de efeito moral. E de fato, nas horas que se seguiram, os 360 graus em torno do local ficaram totalmente isolados, e nem mesmo moradores ou jornalistas puderam entrar ou sair dali.

Protesto no Rio | Crédito: AFP

Manifestação reuniu cerca de 500 pessoas na Tijuca, zona norte do Rio.

O protesto seguiu a estratégia que vinha sendo adotada por autoridades estaduais desde o início dos jogos do mundial – de impedir com violência o acesso de manifestantes a estádios e instalações da Fifa

Para afastar os policiais das barreiras, as forças de segurança então lançaram bombas de gás lacrimogênio e fumaça, grandes quantidades de gás pimenta e alguns disparos de balas de borracha.

Estavam presentes centenas de policiais de choque e forças especiais da PM. Nas proximidades da praça, policiais da Força Nacional formavam uma segunda linha de contenção para impedir a passagem de manifestantes.

Como os confrontos não cessaram, os policiais passaram a usar cassetetes em larga escala e determinaram até uma carga de cavalaria contra os manifestantes. Diversos participantes foram detidos.

No final do protesto, a polícia, que vinha permitindo aos manifestantes deixar o local apenas individualmente (nunca em grandes grupos), decidiu isolar a praça completamente, impedindo a entrada ou saída até de profissionais de imprensa e socorristas.

Ana Carolina Fernandes | Crédito: BBC Brasil

Fotógrafa Ana Carolina Fernandes ficou ferida durante ação da PM para reprimir protesto no Rio

Os ânimos começaram a se acalmar apenas no início da noite, depois que boa parte dos manifestantes resolveu sair da praça, desistindo do protesto.

Porém os manifestantes voltaram a se concentrar dessa vez em Copacabana, onde fizeram novo ato em frente ao hotel onde se hospedam autoridades da Fifa. A polícia foi ao local e mais pessoas foram detidas.

Segundo um balanço da PM, seis pessoas foram detidas durante todo o protesto. A corporação disse que o objetivo da operação era “garantir a segurança de quem quer ir e vir pela cidade, inclusive à final da Copa do Mundo”.

“Também tem como meta garantir o direito à manifestação, sem contudo permitir excesso como vandalismo, violência e desacato”.

Prisões

Um dia antes do protesto, a polícia civil deteve 37 pessoas – em uma ação considerada por ativistas como uma tentativa de dificultar a realização do ato do domingo.

Segundo a Polícia Civil, dos 37 detidos inicialmente, 16 foram liberados após prestar depoimento.

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140713_wc2014_protesto_feridos_lk_lgb.shtml

A Copa FIFA finalmente acabou. E o seu legado? Vai depender de quem responde

pm

A copa promovida pela multinacional que controla o futebol no mundo finalmente terminou com a vitória da Alemanha. E graças ao gol do Mario Goetze, o (des) prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, não terá que passar novamente por mentiroso porque não teve de se confrontar com a sua promessa de se suicidar caso a Argentina vencesse (e olha que o risco andou alto ao longo do jogo!).

E agora, como fica o tal do legado da Copa? A resposta vai depender diretamente para quem se perguntar. Se for para algum tucano, a resposta será um misto de tristeza e alegria, pois apesar do terremoto prometido pela mídia corporativa não ter se confirmado, o Brasil de Felipe Scolari (aliás, um time horrível) não se sagrou campeão. Se for para os petistas, virá logo a resposta óbvia de que teve copa, e que a economia recebeu tantos bilhões a mais, sem se importar com quanto disso a FIFA vai levar para os seus cofres na Suíça. 

Agora, se olharmos para as centenas de famílias removidas nas diversas cidades-sede, para os elefantes brancos que agora ficarão relegados ao baixo nível de uso, ás obras que caíram sem terem sido concluídas, e mais importante ainda, para as centenas de prisões realizadas ao longo da duração do megaevento, especialmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, o legado é terrível. É uma combinação de consolidação da segregação sócio-espacial, enriquecimento ainda maior de empreiteiros, e o aumento em nível sem precedentes pós-ditadura militar do nível de repressão aos movimentos sociais.

Para mim, o mais preocupante é que saímos desse megaevento sem a devida organização política para organizarmos as lutas dispersas contra o modelo neoliberal/desenvovimentista que hoje afoga o Brasil em uma crise social que ainda permanece latente, mas cedo ou tarde poderá explodir em grave convulsão social. É que neste nível de atomização das lutas, o mais provável é que se repitam as cenas de “estado de sítio” que se viu hoje na cidade do Rio de Janeiro.

pm

“Prisões preventivas” da Copa, armação no Rio para evitar protestos

 

debate criminalização 1

NOTA DE REPÚDIO ÀS PRISÕES ARBITRÁRIAS

via Lúcia Rodrigues, no Facebook

Na véspera da final da Copa do Mundo, o principal debate não é sobre quem será o possível campeão, mas sim sobre se temos ou não democracia em nosso país. A Justiça expediu 26 mandados de prisão contra professores, jornalistas, radialistas, midiativistas e outros cidadãos, além de mandados de apreensão de dois adolescentes, por conta da participação destes em manifestações e da articulação de novos protestos para os próximos dias. O ato repete prisões que ocorreram também na abertura da Copa.

Tal atitude nos afasta cada vez mais de um Estado Democrático onde o direito à liberdade de expressão e manifestação deve ser garantido amplamente. Por conta disso, as entidades e militantes abaixo assinados repudiam a ação policial e fazem questão de frisar algumas questões relevantes:

1 — O advogado criminalista Lucas Sada, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, cuida do caso da radialista Joseane de Freitas, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), presa neste sábado (12/07) sob a alegação de formação de quadrilha armada, assim como todos os outros presos. O advogado relatou que Joseane apenas participou de duas manifestações, a mais recente realizada em Copacabana por ocasião da abertura da Copa do Mundo. Ela e os outros presos no Rio serão encaminhados ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Este fato reforça características típicas de Estado de exceção que estamos enfrentando nos últimos dias.

2 — A Polícia permitiu acesso exclusivo para os jornalistas a serviço da mídia corporativa empresarial, impedindo jornalistas e comunicadores independentes de fazerem a cobertura da ação. Esse fato revela uma atitude antidemocrática e fere a liberdade de expressão e de imprensa, caracterizando uma violação aos direitos humanos.

3 — Outra violação de Direitos quase se concretizou com a autorização para que os jornalistas que tiveram acesso às dependências da Cidade da Polícia filmassem e fotografassem os presos políticos, mesmo sem haver nenhuma condenação aos suspeitos. Sem maiores explicações, a polícia desistiu de apresentar os detidos. Repudiamos a imposição desse tipo de tarefa pelas empresas aos jornalistas, que viola o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Tal repúdio se dá porque a atitude da polícia e também das empresas que em outros casos já publicaram imagens se impõe como uma violação aos Direitos Humanos dos presos políticos, e um ataque à Cláusula de Consciência do mesmo Código, que garante o direito de os profissionais se negarem a tarefas antiéticas.

4 — Ao chegar à Cidade da Polícia para verificar denuncia de cerceamento ao trabalho dos jornalistas, a diretora do sindicato Gizele Martins foi impedida de ter acesso às dependências da delegacia. Do lado de fora, ela comprovou que jornalistas independentes e comunicadores foram de fato proibidos de entrar na unidade.
Diante desse cenário, é necessário restabelecermos o Estado Democrático de Direito com garantia da liberdade de expressão, manifestação e imprensa. Não podemos admitir, a pretexto da garantia da ordem, o cerceamento de direitos e a prisão daqueles que participam de protestos e lutam por suas causas, ideais e sonhos de uma sociedade mais justa, livre e democrática.

Assinam:

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Sindicato dos Radialistas do Estado do Rio de Janeiro

Associação Mundial de Rádios Comunitárias

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Enquanto os brasileiros sofrem com a derrota da seleção, um resultado muito mais grave está sendo engendrado: a derrota da democracia e da Constituição.

No Rio de Janeiro, por razões políticas, 17 pessoas foram presas, com base em mandados de prisão temporária, e dois menores foram apreendidos.

Um representante do poder judiciário viabilizou a ação policial, evidenciando mobilização orquestrada com participação governamental. A operação foi justificada para prevenir ações que pudessem perturbar a ordem pública no dia da decisão da Copa do Mundo. Por esse motivo os advogados têm tido dificuldade em conhecer a substância de cada acusação: tudo foi feito para impedir que os presos se beneficiassem de Habeas Corpus antes de domingo.

O chefe da polícia civil tem deixado claro, em seus pronunciamentos, que as prisões visam prevenir possíveis ações. Estamos diante de uma arbitrariedade inaceitável, que agride o Estado democrático de direito.

As prisões constituem ato eminentemente político e criam perigoso precedente: a privação da liberdade individual passa a ser objeto de decisão fundada em previsões e no cálculo relativo ao interesse dos poderes do Estado.

Foram golpeados direitos elementares individuais e de livre manifestação. Conclamamos todos os cidadãos comprometidos com os princípios democráticos, independentemente de ideologias ou filiações partidárias, a unirem-se contra o arbítrio e a violência do Estado, perpetrada, ironicamente, sob a falsa justificativa de evitar a violência.

Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Lindberg Farias, Tarcísio Motta, Chico Alencar, Luiz Eduardo Soares

FONTE: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/prisoes-preventivas-da-copa-armacao-para-evitar-protestos.html

RJ: alianças eleitorais escandalosas mostram centralidade no cenário político nacional

A evolução das chamadas “alianças” que estão juntando gregos, troianos e espartanos, e até os persas em nominatas que olhadas por aqueles que vivem no Rio de Janeiro parecem coisas feita por ETs recém-chegados ao planeta Terra.

Mas num segundo olhar é interessante notar que a confluência heterodoxa que ocorra no Rio de Janeiro está se dando por todo o Brasil, com partidos da base do governo e da dita oposição se misturando como se tudo não passasse realmente de uma suruba ou de um bacanal partidário.

A explicação para tanta liberalidade não está apenas na fraqueza ideológica dos partidos brasileiros ou na fraca institucionalização da democracia brasileira. O problema parece ser mais estratégico, pois o que está se desenhando é a posição que a burguesia brasileira terá para enfrentar uma crise sistêmica do Capitalismo que promete se agravar em 2015. Ai fica a disputa entre o “neoliberalismo” e o “neodesenvolvimentismo” que são apenas duas faces da mesma moeda podre. E nisso tudo, o Rio de Janeiro é o laboratório mais avançado desse redesenho entre quem diz ser de oposição ou de situação.

Felizmente, há algum movimento no que se chama de esquerda e alguns candidatos poderão mesmo sem o horário eleitoral ajudar na consolidação de uma alternativa política aos que está se desenhando por cima.

Uma nota final cabe ao que decidirá o deputado federal Anthony Garotinho. Do jeito que ele é pragmático e sempre olha o tabuleiro político com olhos de Lince, eu não me surpreenderia se ele acabasse no palanque de Lindbergh Farias. Ai é que a coisa ficaria ainda mais heterodoxa. Mas ele também poderá apostar no fenômeno que Brizola causou nas eleições de 1982 e derrotou até a Rede Globo. A ver!

ROLETA PRESIDIÁRIA

roleta

De forma aleatória, a Polícia Militar deteu até agora 10 pessoas durante a concentração do ato #20J O RETORNO DO GIGANTE (1 ano) no Rio de Janeiro, na Candelária. Um dos detidos foi levado por ter uma máscara na mochila. 

O repórter NINJA Filipe Peçanha foi retido por portar um carregador de notebook que a polícia considera como explosivo.

Foto: Mídia NINJA

FONTE: https://www.facebook.com/midiaNINJA/photos/a.164308700393950.1073741828.164188247072662/330998857058266/?type=1&theater

Greve por uma escola que merecemos – Relato de um professor em processo de demissão

Educ

Foto: Linhas de Fuga

 Por Pedro Guilherme Freire (professor da rede Estadual do Rio de Janeiro)

Hoje é um dia muito triste.

Depois de saber pela companheira e minha colega de colégio Ana Noguerol que já haviam mexido no quadro de horários da escola, fui ver se a direção do Julia Kubitschek e a secretaria de educação também haviam me expulsado das minhas turmas, como fez com a Ana. E não tive surpresas: foi assim que fizeram. Para elas, não trabalhamos mais nessa escola e nem trabalharemos mais.

Estamos revoltados! Como muitos colegas, peregrinei em várias unidades desde que tive uma escola onde trabalhava fechada. Mexeram na minha grade horária dezenas de vezes, me jogaram em diversas escolas e após muito desgaste fiquei em 4 escolas com 19 turmas. Nestas, não apenas trabalhamos como se fôssemos martelos. Criamos laços com os estudantes, fazemos amizades, participamos das suas vidas e histórias, como também participam das nossas. Entramos numa luta dura para melhorar a educação e nossas vidas e o que recebemos é isso: corte de ponto, corte de salário, prisões, bombas, expulsão das turmas e processo de demissão.

Nos expulsar das nossas turmas é como roubar a nossa vida de professor! Nos demitir é tirar nossa forma de sobreviver!
Nossa indignação hoje é imensa e nossa força pra derrubar estas injustiças também. Faremos de tudo, no município e no Estado, pra derrubar essas cassações políticas, esse terror, estas demissões.

Aos meus alunos, talvez, vocês já tenham outro professor no nosso lugar. Mas espero que vocês não esqueçam que enquanto estas e estes estavam viajando e vendo futebol na televisão, a gente estava acordando cedo e dormindo tarde, enfrentando a polícia de peito aberto, por uma escola que vocês e nós merecemos.

Para meus alunos: Andre Sousa Ana Paula Mendonça Lorena Costa MartinsTamiris Pattinson Eline Borges Laissa Braga Arthur Sany Lais Padua Maic Pimentel Dayane Pamela Julia Avelino Jhunior Cardoso Julliana OlimpioManu Pifani Mauro Esteves

que vocês saibam que eu não abandonei a turmas de vocês. Eu fui expulso.

FONTE: http://daslutas.wordpress.com/2014/06/19/greve-por-uma-escola-que-voces-e-nos-merecemos/

Jornalistas do Rio irão à Justiça em busca de proteção contra polícia

Alana Gandra – Agência Brasil

O Sindicato dos Jornalistas do Rio se reúne hoje (16) com um advogado para analisar que medida deverá ser tomada pela entidade após a prisão da jornalista Vera Araújo, do jornal O Globo, quando tentava filmar um torcedor detido por policiais militares por estar urinando na rua. A presidenta do sindicato, Paula Máiran, disse que não vê a prisão como um ato isolado ou um desvio pontual de conduta. “A gente entende que há uma política de estado que justifica um relatório nosso”, disse.

Ela argumentou que de maio do ano passado até maio último, dos 72 jornalistas que respondem por mais de 100 casos de agressão sofridos pela categoria no Rio, “cerca de 80% são de responsabilidade de policiais militares”. Paula Máiran explicou que embora Vera Araújo conte com o apoio da empresa para a qual trabalha, o sindicato pretende tomar uma medida de interesse coletivo, visando a obter prevenção jurídica para esse tipo de episódio.

A sindicalista lembrou que as autoridades foram notificadas em abril deste ano, por ocasião de episódio similar, quando outro jornalista do jornal O Globo, Bruno Amorim, foi detido por policiais militares quando fazia fotos da ação policial na desocupação da Favela da Oi, no Engenho Novo. “A gente tinha encaminhado um ofício e aí, infelizmente, um fato semelhante se repete”. O sindicato não recebeu resposta ao ofício encaminhado às autoridades no caso de Bruno Amorim. Recebeu apenas notificação da 25ª Delegacia Policial, relacionada ao inquérito.  “Mas nenhuma resposta formal ao ofício”, disse.

Paula lembrou que uma conquista obtida pelos jornalistas na semana passada foi a recomendação do Ministério Público do Trabalho com 16 itens relacionados à segurança dos profissionais “que precisam ser observadas pelas empresas”. “A gente vê, por um episódio como esse da Vera Araújo, que a responsabilidade não cabe só às empresas. Há também uma parcela muito importante que é do Estado”, destacou a  presidenta.

Ela avaliou que a punição do policial militar identificado como sargento Edmundo Faria, “que fez o ato de cerceamento contra Vera Araújo”, não é suficiente. “A gente entende que a violência não foi só prender e ferir, foi também torturar. Porque circular com ela de carro, durante algumas horas antes de levar para a delegacia, infere em tortura psicológica. A punição do indivíduo não basta. Os fatos e as estatísticas comprovam que isso não resolve a questão”. Segundo Paula Máiran, é preciso trabalhar o modelo de segurança pública “que tem jornalistas como alvo específico de perseguição”.

De acordo com relato da jornalista Vera Araújo ao jornal O Globo, durante o percurso até a delegacia, seu celular foi tomado pelo sargento Faria, quando ela tentava fazer contato com o jornal e com representantes da Polícia Militar para explicar o mal entendido. Faria decidiu, então, parar o veículo e algemá-la. “Ele apertou tanto que os meus pulsos estão machucados”, relatou Vera ao jornal. Na delegacia, acompanhada por um advogado, a jornalista registrou o caso como abuso de autoridade. Após ser liberada do trabalho nesta segunda-feira, ela não foi encontrada pela Agência Brasil para comentar o caso.

Editor Beto Coura

FONTE: http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/06/jornalistas-do-rio-irao-a-justica-em-busca-de-protecao-contra-policia