Carta renúncia do (des) governador Sérgio Cabral revela a profundidade do seu desgaste político

Abaixo segue a carta renúncia do (des) governador Sérgio Cabral e que foi lida esta tarde no plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. O teor curto e grosso é revelador da profunda crise em que Cabral deixa o timão da nau desgovernada em que se transformou o seu segundo mandato. Entre farras de guardanapo em Paris e amizades mal explicadas com Fernando Cavendish e Eike Batista, só restou a Cabral ser breve e lacônico.

carta cabral

De minha parte que considero Sérgio Cabral um exemplo da pior espécie de governante que temos o azar de encontrar pela frente, não lamento a sua renúncia. Aliás, acho até que ele deveria ter sofrido um impeachment tantos foram os seus malfeitos. Mas agora a população do Rio de Janeiro terá a chance de fazer justiça negando a ele qualquer mandato que seja. O fato é que de Sérgio Cabral já tivemos muito mais do que ele jamais mereceu ter.

Movimento “Pare TKCSA” lança blog e página no Facebook

Acabo de receber um pedido de divulgação de ativistas que estão empenhados na luta contra os efeitos devastadores que estão sendo causados pela Companhia Siderúrgica do Atlântico no ecossistema e na população que vive no entorno Baía de Sepetiba.

O endereço do blog é paretkcsa.blogspot.com.br) e a página do  Facebook é https://www.facebook.com/events/1431545387091087/?ref_dashboard_filter=upcoming) , ambas para divulgação dos malefícios que estão sendo impostos pelo funcionamento da TKCSA.

Os ativistas que estão impulsionando essas páginas lembram que a TKCSA (Thyssen Krupp Companhia Siderúrgica do Atlântico) continua a poluir a região de forma ilegal, e que os moradores daquela região estão pagando com a própria VIDA.

É preciso lembrar que o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) não assinado pelo o Ministério Público vencerá em 10 de Abril e, que em função disso, haverá uma audiência em 27/04  para decidir se uma licença definitiva para a TKCSA será concedida ou não.

UOL: Com 2ª maior economia do país, Rio é o Estado que menos investe em Saúde

Carolina Mazzi, 

Do UOL, no Rio

O Rio de Janeiro é o Estado que menos investiu em saúde pública do Brasil, apesar de ter a terceira maior população e o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) da nação. Apenas 7,3% do orçamento de 2012 do Estado –cerca de R$ 5 bilhões– foram direcionados para o setor, a menor parcela dentre todas as 27 unidades federativas. As informações são da Estadic (Pesquisa de Informações Básicas Estaduais), divulgadas nesta quinta-feira (13) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Tocantins, Minas Gerais e Pernambuco enviaram 16,9% (R$ 1,33 bilhões), 16,3% (R$ 5,75 bilhões) e 16,2% (R$ 5,03 bilhões) respectivamente, sendo as unidades federativas que mais investiram em saúde proporcionalmente. Do outro lado da conta, além do Rio, Mato Grosso do Sul  e Paraná, que enviaram 8,7% (R$ 934 milhões) e 9% (R$ 3,4 bilhões) respectivamente, são os locais que menos destinaram recursos para o setor.

Quando se observa do gasto per capita, no entanto, o Rio tem melhor desempenho. Foram investidos R$ 320,79 por morador do Estado. Em Minas Gerais, o gasto per capita foi de apenas R$ 279,45. O maior investimento per capita em saúde é no Distrito Federal, de R$ 924,14 por habitante. O menor investimento per capita é do Maranhão, com R$ 213,90 por habitante. O governo maranhense aplicou 11,1% do Orçamento em saúde.

A Secretaria de Saúde do Estado do Rio afirmou em nota que “somente o Rio tem UPAs gerencidas pelo Governo do Estado e é o Estado com o maior número de unidades de pronto-atendimento (29, criadas desde 2007)”. Informou ainda que construiu e equipou, desde 2007, 54 UPAs, sendo 25 entregues às administrações municipais. Ainda segundo o texto, de 2007 a 2013, o Rio foi o Estado que, proporcionalmente, mais criou unidades de saúde.

A Secretaria de Estado de Saúde esclareceu também que, apesar de, constitucionalmente, o investimento em atenção básica ser atribuição das prefeituras, vem investindo no cofinanciamento da atenção básica, como forma de dar suporte aos municípios na estruturação de uma rede de saúde consolidada em todas as regiões do Estado.

“Desde 2007 já foram investidos R$ 155,2 milhões neste cofinanciamento. Entre outras iniciativas de apoio às prefeituras e ao atendimento de saúde para além da capital fluminense estão também os repasses para assistência farmacêutica básica, com cerca de R$ 37 milhões anuais; o PAHI (Programa de Apoio aos Hospitais do Interior), que, dos recursos enviados aos municípios, destina cerca de R$ 7 milhões ao uso exclusivo da atenção básica local; o PAHI Regional; o Programa de Apoio às Salas de Estabilização; e o Programa de Apoio à UTI”, informou o órgão estatal.

A legislação brasileira determina que o montante a ser investido em Saúde, pelos Estados, não deve ser menor que 12% da receita. No entanto, segundo Vânia Pacheco, gerente do Estadic, não é possível afirmar que estas unidades estejam descumprindo a lei baseados apenas nos dados da pesquisa, já que os demais valores podem estar diluídos em outras secretarias.

Segundo os pesquisadores, os Estados informaram o Orçamento total, sem detalhamento das receitas. Estados com grandes Orçamentos costumam argumentar que têm fontes de receita –como empréstimos, royalties e recursos com destinação específica (do PAC, por exemplo)– que estão no Orçamento, mas não fazem parte da receita usada como base de cálculo para o mínimo constitucional.

O IBGE diz que é possível fazer a comparação entre os Estados somente com base no critério desenvolvido pelo instituto, de porcentual do Orçamento aplicado em saúde.

O Estadic analisou também os montantes voltados para a saúde básica da população. O cálculo foi feito com base no orçamento total da saúde. Rio Grande do Sul (12,9%) e Minas Gerais (11,8%) foram os que mais destinaram recursos para o setor.


8.out.2013 – Um pequeno grupo de médicos protesta em frente ao prédio do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro, contra a medida provisória do programa Mais Médicos, prevista para ser votada hoje em Brasília. O Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) e o sindicato da categoria participam da mobilização Leia mais Fernando Maia/UOL

Os Estados do Maranhão (0,3%), Roraima (0,3%) e Acre (0,3%) foram os que menos investiram em saúde básica. Porém, outros dez Estados – como Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia – também destinaram menos de 2% do orçamento de saúde para a área.

A Atenção Básica é definida como “um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde”, de acordo com a Portaria nº 648/GM.

Gestão

De acordo com a pesquisa, todas as unidades federativas do país possuem secretarias voltadas exclusivamente para a Saúde. Em 22 Estados, os secretários pertencem ao sexo masculino, e a maioria possui formação na área.

O estudo verificou também que 17 Estados faziam contratação de serviços através de OSs (Organizações Sociais): Amazonas, Roraima, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

A pesquisa do IBGE foi realizada em março de 2013, com base no orçamento estadual aprovado em 2012.

Investimentos federais

Segundo levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina) divulgado no final de fevereiro, dos R$ 47,3 bilhões gastos com investimentos pelo Governo Federal em 2013, o Ministério da Saúde foi responsável por apenas 8% dessa quantia.

Um relatório produzido pelo Cremepe (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco) e pelo Sindicato dos Médicos do Pernambuco aponta que o Hospital da Restauração, no Recife, sofre com uma série de problemas como superlotação, falta de vagas para UTI (Unidade de Terapia Intensiva), deficiência no sistema elétrico e desrespeito aos acompanhantes de pacientes, que precisam dormir no chão Leia mais Divulgação

Dentre os órgãos do Executivo, a Saúde aparece em quinto lugar na lista de prioridades no chamado “gasto nobre”. Para o CFM, isso significa que as obras em rodovias, estádios, mobilidade urbana e até armamento militar como blindados, aviões de caça e submarinos nucleares ficaram a frente da construção, ampliação e reforma de unidades de saúde e da compra de equipamentos médico-hospitalares para atender o SUS (Sistema Único de Saúde).

O objetivo da entidade é pressionar o Congresso para aprovar projeto de iniciativa popular que determina o investimento mínimo de 10% da receita bruta da União no setor. (Com Estadão Conteúdo)

FONTE: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/03/13/com-2-maior-economia-do-pais-rio-e-o-estado-que-menos-investe-em-saude.htm

Rio de Janeiro é o estado que menos gasta com servidores na federação brasileira

O material abaixo publicado no blog do Prof. Roberto Moraes mostra uma piora na condição de desembolso do estado do Rio de Janeiro (segunda economia da federação brasileira) no tocante ao pagamento dos salários dos seus servidores. O fato é que enquanto a Lei de Responsabilidade Fiscal permite que os governos gastem até 49% do orçamento com o pagamento de servidores, o (des) governo Sérgio Cabral gasta apenas 29,55%!

O mais impressionante nestes dados é que o arrocho salarial imposto por Cabral fica ainda mais evidente quando se verifica que o Maranhão (o ocupante do desonroso posto de 26 pior estado no pagamento de salários de servidores, gasta 39,3%, quase 10% a mais do que o Rio de Janeiro.

Para quem acha que a população não tem nada a ver com isso, os salários corroídos dos servidores possuem um impacto direto na qualidade dos serviços prestados, especialmente porque muitos servidores são obrigados a fazer bicos para complementar os salários corroídos que recebem do (des) governo Cabral. 

Mas uma coisa é boa nessa situação: se os professores da UENF entrarem mesmo em greve por causa de suas reivindicações salariais, já saberemos todos que falta de margem dentro da LRF não será um impedimento para o aumento da folha que os eventuais ganhos vão causar.

Rio de Janeiro é o estado com menor % de gastos de pessoal entre os 27 estados da federação

 
Reportagem publicada hoje pelo jornal Valor sobre gastos de pessoal dos 27 estados da federação brasileira em 2013, indicou que o Estado do Rio de Janeiro (ERJ) é o que tem proporcionalmente, o menor gasto com pessoal: 29,55%.

O estudo indica que o “limite prudencial” seria de 46,55%. Ao lado o infográfico do valor mostrando os percentuais de gastos com pessoal nos diversos estados brasileiros.

O limite máximo de gasto com pessoal do Poder Executivo é de 49% da receita corrente líquida. O estado do Tocantins chegou 51,69% ultrapassando este limite.

A situação confortável da conta de pessoal mostra para as categorias profissionais ligadas ao governo estadual que há espaços para pressões e correções salarias substantivas.

A informação junto da histórica conquista dos garis da Prefeitura do Rio tende a ampliar as mobilizações e lutas por reajustes salariais dos servidores do executivo fluminense. A justificativa do caixa e dos limites constitucionais desta vez não funcionará. A conferir!

Ato de garis greve fecha o centro do Rio de Janeiro; ué, mas não eram só 300 baderneiros?

O centro da cidade do Rio de Janeiro foi fechado nesta segunda-feira por uma multidão formada por garis em greve. A manifestação que se iniciou em frente à sede da prefeitura do Rio de Janeiro, e depois caminho pelas avenida Presidente Vargas e Rio Branco. 

Agora confiram as imagens abaixo e me respondam se a versão da Prefeitura e dos pelegos que dirigem o  Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município, ligados ao PTB de Roberto Jefferson, que o movimento é composto por um minoria se confirma ou não!

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Eduardo Paes conseguiu o que parecia impossível: tornou ainda mais caótico o trânsito do Rio de Janeiro

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Após duas breves visitas à cidade do Rio de Janeiro nas últimas duas semanas me convenci de que algum motivo muito grave, talvez um de natureza inconfessável, levou ao alcaide do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a apressar a demolição da Perimetral sem que houvesse uma substituição à altura. O resultado é que trafegar pelas ruas centrais da cidade do Rio de Janeiro se tornou um exercício semelhante à andar numa floresta tropical fechada. Ouvi dos vários taxistas que me ajudaram a andar pela cidade que eles estão perdidos com tantas mudanças sem informação prévia.

Um desses motoristas me lembrou que a chave do mistério desta pressa pode estar nas aquisições imobiliárias que estão ocorrendo na região por onde a Perimetral passava. Do alto do seu sotaque carioca, esse motorista me disse que se acharem quem andou comprando imóveis não deverá ser surpresa se lá também se encontrarem doadores das campanhas não só de Eduardo Paes, mas também do seu irmão siamês, o (des) governador fluminense, Sérgio Cabral.

O mais trágico dessa situação é que Eduardo Paes agora anda pedindo encarecidamente para que a população carioca ande de transporte público, o que certamente alegra as corporações privadas que hoje detém os serviços de transporte público. O único problema é que a lotação de trens, metrô, barcas e ônibus já se encontram no limite, sem que haja como aumentar o número de unidades disponíveis.

Como o caos instaurado não se resolverá até a Copa do Mundo, o que se antecipa é provavelmente o aumento do número de feriados oficiais. É isso ou o Rio de Janeiro se tornar inviável também para os turistas que virão para a cidade para assistir os jogos. Agora, como já foi antecipado por vários especialistas, o caos criado por Eduardo Paes e Sérgio Cabral não acabará antes dos Jogos Olímpicos de 2016. E em função disso é que eu reafirmo: deve haver bilhões de razões para tanta improvisação e tanto caos.

Pobre povo carioca!

Rio, cidade para pobres?

Os cariocas continuam sofrendo os efeitos do que claramente é uma bolha de preços insustentável no longo prazo

Por FRANCHO BARÓN, do Rio de Janeiro 

Banhistas tomam coco no calçadão da praia de Ipanema. / DADO GALDIERI (BLOOMBERG)

O Rio de Janeiro, impulsionado por anos de bonança econômica e por sua escolha como sede da próxima Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, se encontra imerso em uma espiral inflacionária que fez saltar todos os sinais de alerta. Embora há cerca de dois anos o Rio já ocupasse uma posição de liderança nas listas das cidades mais caras do planeta para estrangeiros, a progressiva desvalorização do real supôs uma balão de oxigênio para turistas e expatriados. No entanto, a população local continua sofrendo os efeitos do que claramente é uma bolha de preços insustentável no longo prazo.

Enquanto o altíssimo custo de vida continua sendo um dos temas de conversa mais recorrentes entre os cariocas, grupos de indignados se organizam nas redes sociais para denunciar os preços abusivos. O mais criativo e relevante, já apresentado há semanas no EL PAÍS, se chama Rio Surreal e, não com pouca ironia, tem cunhada em sua página de Facebook a nova moeda de câmbio para a capital mais turística do Brasil: o “surreal” (um cruzamento óbvio entre as palavras “real”, a divisa brasileira, e “surrealismo”, o movimento artístico simbolizado por Salvador Dalí, cuja icônica imagem inclusive aparece nas cédulas e moedas virtuais).

Em uma outra iniciativa para tentar coibir os abusos de preços, a Prefeitura do Rio publicou um decreto nesta semana criando a Frente Municipal de Combate às Práticas Abusivas, que informará vendedores e consumidores sobre práticas irregulares, passando ainda a uma segunda fase em que multas serão aplicadas aos infratores.

Eduardo Crespo, professor de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) opina que “a Copa e os Jogos Olímpicos, somados ao boom do crédito e imobiliário, estão na origem do problema. Os aluguéis dos estabelecimentos comerciais são altíssimos, e isso tem um impacto no preço final dos produtos. Ainda assim, acho que há uma grande diferença de preços entre os bairros periféricos e as zonas turísticas”.

A inflação oficial brasileira elevou-se em 2013 a 5,91%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A priori, esse indicador não representa um sinal de alerta, já que a cifra se mantém abaixo do teto de 6,5%, fixado pelo Banco Central. Mas o Rio é um caso à parte. Aqui não se aplicam as lógicas de mercado que regem o resto do país e sempre está no ar o “fator Copa”, esse imponderável que provoca cotidianos abusos de preços ante o olhar perplexo de milhões de cariocas. O EL PAÍS elaborou uma lista de preços dos produtos e serviços que mais podem afetar o visitante. Todos eles foram reunidos em pedidos na rua nos bairros mais turísticos da cidade ou nos recibos de compra divulgados por internautas nas redes sociais.

Para quem quer poupar em alimentação, o supermercado é indiscutivelmente a melhor opção. Em um dos grandes centros comerciais que oferecem as melhores ofertas da cidade, um litro de leite custa 2,29 reais (0,95 dólar), uma lata de cerveja nacional 1,49 real (0,62 dólar), um quilo de arroz 2,99 reais (1,24 dólar), um quilo de carne de primeira 19,90 reais (8,3 dólares) e um quilo de açúcar 4,25 reais (1,77 dólar).

Se fizermos um percurso pelos quiosques das praias de Copacabana ou Ipanema, epicentro do turismo, o tradicional coco gelado beira 6 reais (2,5 dólares) e alugar um guarda-sol pode superar os 15 reais (6,25 dólares). Em qualquer bar da zona sul, o normal é não pagar menos de 6 reais (2,5 dólares) por uma cerveja pequena ou 5 reais (2,08 dólares) por um café. E se o objetivo for comer, o principal telejornal da TV Globo divulgou recentemente o que poderia ser considerado o cúmulo da especulação: em um restaurante de Copacabana uma omelete feita com 6 camarões e quatro ovos custa 99 reais (41,25 dólares). Em um estabelecimento vizinho de sucos e lanches, um sanduíche misto chega a 17,90 reais (7,45 dólares), enquanto um croissant recheado com presunto e queijo sai por 25,90 reais (10,79 dólares). Dez reais (4,16 dólares) pode custar meio litro de suco de laranja em uma tradicional “casa de sucos”. Um cálculo realizado pelo portal G1 chega à conclusão de que com esse dinheiro podem ser compradas 48 laranjas em um supermercado.

Para se deslocar pela cidade, um trajeto em táxi do bairro de Leblon até o centro (pouco mais de 13 quilômetros) não custará menos de 35 reais (14,58 dólares). Se a opção for o metrô (que ainda não chega ao Leblon) ou o ônibus, terá de calcular 3,20 reais (1,33 dólar) no mínimo. Não obstante, é importante saber que o atual sistema de transporte público deixa muito a desejar.

O alojamento é, sem dúvida, o assunto mais sensível quando se fala de especulação no Rio. As 34.000 habitações ofertadas nos hotéis da cidade parecem não cobrir a crescente demanda e isso leva inevitavelmente a uma brutal escalada de preços. Por exemplo, já se sabe que a tarifa média de um quarto em 18 de junho próximo, quando se enfrentarão no Maracanã as seleções da Espanha e do Chile, chega a 1.520 reais (633 dólares). Um apartamento de três quartos com vista para o mar na Avenida Atlântica de Copacabana (sem mobiliário) se aluga nessas mesmas datas por 2.850 reais por dia (1.187 dólares).

Outros anunciantes mais comedidos oferecem um apartamento de três quartos no rico Leblon por 16.000 dólares para todo o mês da Copa do Mundo. Na Lagoa Rodrigo de Freitas, um apartamento de luxo custa 250.000 reais (104.166 dólares) durante o mesmo período.

Segundo Cidinha Campos, secretária estadual de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, a única forma de combater esse fenômeno é que “os cariocas se organizem e tomem suas iniciativas para se proteger desses abusos”. “Por exemplo, evitando o consumo de produtos com preços abusivos ou levando a comida à praia. Tem que acabar a cultura de que levar comida à praia é feio. Como consumidora, todos os dias levo minha comida ao escritório, já que estava gastando 500 reais (208 dólares) por semana para almoçar. É uma loucura.”

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/13/sociedad/1392329423_491883.html

Mais uma tentativa de golpe

É preciso exigir o fim da violência política das forças desestabilizadoras da democracia

Por João Batista Damasceno

Protesto-no-Rio

Rio – Já não bastam manifestos por uma cultura de paz. É preciso exigir o fim da violência política das forças desestabilizadoras da democracia. Ao Estado cabe possibilitar o desarmamento dos ânimos e fazer valer os preceitos da Constituição.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, não é a primeira morte de profissional de comunicação em cobertura de conflitos. A morte do repórter cinegrafista Gelson Domingos, também da Band, já denotava a necessidade de segurança aos profissionais das empresas de comunicação. A violência que suportam não é apenas a simbólica, entremeada no produto de suas atividades.

A Associação Brasileia de Jornalismo Investigativo (Abraji) apurou casos de agressões contra jornalistas durante as manifestações e protestos. Agentes do Estado cometeram 75% delas, e manifestantes, 25%. Ninguém, menos ainda um trabalhador no exercício da função, há de ser agredido.

Assim como a opção pela luta armada serviu para justificar a truculência do regime empresarial-militar, a ação de infiltrados nas manifestações concorre para legitimar o Estado Policial que ascende. Da resistência à ditadura participaram jovens que hoje dirigem o país, a quem compete evitar a supressão dos direitos.

A liberdade de imprensa não há de ser apenas um discurso ou um artigo da Constituição. Há de compreender garantias, também, aos jornalistas. Desde junho, milhões de cidadãos se expressam pelo Brasil, demonstrando a vitalidade da nossa democracia.

Mas há quem — dentre os manifestantes e no aparato do Estado — acrescente a elas o ingrediente inapropriado da violência. O direito de manifestação não há, também, de ser apenas um discurso ou um artigo da Constituição. O Golpe de Estado que não se consumou quando da denúncia do Mensalão — porque faltou povo que o apoiasse — nem durante as legítimas manifestações de junho não pode ser convertido em golpe contra os direitos, seja de manifestação, de reunião, de ampla defesa e de exercício da advocacia.

Com tal golpe, o legado da Copa haverá de ser o entulho do autoritarismo. É inadmissível a supressão dos direitos e o ataque aos que os defendem, sejam militantes, jornalistas, defensores públicos, promotores, magistrados ou advogados.

Quem ler matérias em determinados veículos de empresas de comunicação que patrocinaram o golpe empresarial-militar de 1964 saberá o quanto os ministros Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva foram atacados por seus posicionamentos em favor das liberdades públicas. Ao final, restaram todos vitimados pelo arbítrio: os ministros cassados e a liberdade de informação cerceada. Havemos de reafirmar o Estado Democrático de Direito.

João Batista Damasceno é doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito

FONTE: http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2014-02-15/joao-batista-damasceno-mais-uma-tentativa-de-golpe.html

RJ: advogado e estudante são ameaçados por defender manifestantes

Na segunda-feira, eles receberam ligações anônimas. “Por que você defende bandido?”, dizia a voz do outro lado da linha

Por Redação

O advogado Felipe Coelho e o estudante de direito Hugo Pontes receberam ligações anônimas na última segunda-feira (10), dia em que protestos contra o aumento da passagem do transporte coletivo ocorreram no Rio de Janeiro. Ambos colaboram voluntariamente com o Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH), que presta assistência jurídica a pessoas detidas durante as manifestações.

Antes de todos os atos, o DDH publica na internet uma nota com os telefones dos profissionais que estarão trabalhando naquela ocasião. Os números de Coelho e Pontes constavam na mensagem, que foi disseminada pelas redes sociais.

Coelho conta que, antes de ir à rua, às 19h22, recebeu telefonema de um número restrito. Quando atendeu, uma pessoa que não se identificou perguntou se ele se encontrava na ONG (referindo-se ao DDH) e se poderia comparecer à delegacia, onde manifestantes estariam detidos. “Achei estranho porque, quando nos ligam pedindo ajuda, não perguntam onde estamos”, aponta.

Cerca de uma hora e meia depois, o celular voltou a tocar. Novamente, o número de quem chamava não estava à mostra. A pessoa do outro lado da linha foi mais incisiva. “Disse que eu era advogado de bandido. Pra eu tomar cuidado. Isso nunca tinha acontecido antes”, revela. Em ambas as chamadas, as vozes eram masculinas, mas diferentes.

Hugo recebeu uma ligação por volta das 17h. Em seu caso, era possível ver o número que ligava. Ao atender, um homem se identificou como Thiago Tavares. “Ele se apresentou como um cidadão que estava inconformado e queria fazer uma queixa. Perguntou porque eu estava defendendo bandidos”, explica o estudante. “Falou que quem andava com assassino é assassino também. Que era melhor a gente repensar voltar pra rua ou ir para as delegacias de novo, porque ia começar a morrer mais gente nas manifestações e o próximo poderia ser eu”.

Felipe e Hugo consideram os telefonemas reflexo dos acontecimentos das últimas semanas, que acirraram os ânimos em torno dos protestos de rua. Junto a outros colegas que passaram pela mesma situação, organizam, agora, um dossiê com informações sobre as ligações – o horário em que ocorreram, tempo de duração, número, conteúdo. O registro é uma forma de se precaver, caso os episódios desta semana deixem de ser fatos isolados e passem a ser frequentes. Eles discutem, também, se vão registrar boletins de ocorrência.

FONTE: http://revistaforum.com.br/blog/2014/02/rio-de-janeiro-advogados-sao-ameacados-no-rio-por-defender-manifestantes/