Serviço Geológico lança sistema de alerta hidrológico no rio São Francisco nesta sexta-feira (17)

Ao todo, 17 sistemas de alerta hidrológico são operados pelo SGB-CPRM em todo o território nacional

Conhecido por Velho Chico, o novo SAH vai acompanhar o comportamento de um dos mais importantes cursos de água do Brasil

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), por meio do Departamento de Hidrologia (DEHID), da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT), deu início, nesta sexta-feira (17), à operação do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) da bacia do Rio São Francisco, importante rio brasileiro que se situa nos estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.

O sistema visa monitorar e gerar informações hidrológicas de qualidade, para subsidiar a tomada de decisões por parte dos órgãos relacionadas à mitigação dos impactos de eventos hidrológicos extremos. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por meio da operação da Rede Hidrometeorológica Nacional.

Estiveram presentes no evento, realizado de forma remota, a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB-CPRM, Alice Castilho, o superintendente de Belo Horizonte (SUREG/BH), Marlon Coutinho, o chefe do Departamento de Hidrologia (DEHID) do SGB-CPRM, Frederico Peixinho, o gerente de hidrologia e gestão territorial de Belo Horizonte (GEHITE/BH) e o coordenador dos SAH do SGB-CPRM, engenheiro Artur Matos.

A diretora Alice Castilho fez uma breve retrospectiva sobre os momentos marcantes da bacia e relembrou que em janeiro de 2020, houve uma cheia histórica nas cabeceiras do rio São Francisco. Além disso, a pesquisadora comemorou o lançamento de um novo SAH no país.

“Agora, já somamos, com esse novo sistema de alerta da calha do rio São Francisco, 17 sistemas de alerta hidrológico, em um período de 30 anos de experiência nessa atividade”, destaca a diretora.

Na imagem, todos os sistemas de alerta operados pelo SGB-CPRM no Brasil

O superintendente Marlon Coutinho celebrou, também, o mais novo projeto do SGB-CPRM. “Esse é o terceiro sistema operado no estado de Minas Gerais e muito nos orgulha por sua relevância e impactos positivos gerados na sociedade. Com ele, podemos mitigar perdas materiais e humanas”, afirma.

“A implantação desse sistema ainda é o primeiro passo. As etapas seguintes são desafiadoras, pois buscamos mitigar eventos extremos e o mais importante: salvar vidas” acrescentou o especialista Frederico Peixinho sobre a magnitude do projeto.

O coordenador dos SAH do SGB-CPRM, Artur Matos, salientou que o lançamento do novo sistema de alerta corrobora com a missão do SGB-CPRM: gerar e disseminar conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil.

“Além disso, os sistemas de alerta respondem a três questões principais: o nível que o rio atingirá; em quanto tempo; e qual população será atingida. Assim, as comunidades ribeirinhas e a Defesa Civil podem se preparar antecipadamente. É um trabalho conjunto que busca mitigar impactos de eventos extremos em um determinado local”, frisa Matos.

O SGB-CPRM já possui o SAH do rio das Velhas, que está na cabeceira do rio São Francisco. Agora, está ampliando o monitoramento com a operação na calha principal do rio São Francisco. “Os principais beneficiados serão as pessoas que moram nas margens dos rios, que costumam ser uma população mais vulnerável e com baixo poder aquisitivo”, destaca o engenheiro do SGB-CPRM, Artur Matos. O sistema vai inicialmente gerar previsões para quatro municípios de Minas Gerais: Pirapora, Buritizeiro, São Romão e São Francisco, localizadas às margens do rio São Francisco.

Na transmissão, especialistas do SGB-CPRM debatem e comemoram a grandiosidade do projeto

Para saber mais sobre o SAH, clique aqui.

O lançamento teve transmissão ao vivo no Youtube e pode ser vista a qualquer momento na TV CPRM .

Estoque dos rejeitos da mineração por bacia hidrográfica e classes de risco

O perigo ronda o Doce e o São Francisco, mas não só eles

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Por Lindsay Newland Bowker*

No Brasil, 93% dos 2,3 bilhões de metros cúbicos de rejeitos gerados pela indústria da mineração estão armazenados em instalações classificadas como “Alto Risco” pelo governo brasileiro.

Duas bacias hidrográficas, a do Rio Doce e a do Rio São Francisco, apresentam uma parcela desproporcional do risco total do país em caso de falha nos rejeitos.

A tabela abaixo aponta que 84% de todos os rejeitos armazenados em rios pertencentes à  bacia hidrográfica do Rio Doce estão depositados em instalações classificadas como de alto risco pelo governo. No caso da bacia hidrográfica do Rio São Francisco, este valor chega a 99% de todos os rejeitos que poderiam alcançar esta importante bacia hidrográfica.

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É importante notar que a designação de perigo não é uma medida de risco, mas sim uma medida da extensão do dano que resultaria no evento de falha. Por um longo tempo (e com um padrão não suficientemente forte) todas as instalações de rejeitos classificadas como de alto risco devem ter um fator mínimo de segurança de 1,5.

Há que se notar que o governo do Brasil não divulgou a mais recente análise de estabilidade para qualquer uma desses reservatórios. Isto é lamentável, pois uma correta avaliação de risco não pode ser feita sem essa informação.


Lindsay Newland Bowker é uma especialista em causas e conseqüências de falhas de reservatórios rejeitos, sendo  fundadora e diretora executiva da World Mine Tailings Failures [Aqui!], um instituto voltado para o estudo de reservatórios de rejeitos e produção de informações confiáveis ​​para todas as partes interessadas em todo o globo.

Rejeito da Vale que escapou em Brumadinho chegará ao Rio São Francisco

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Afora a crescente tragédia humana que está ficando evidente após o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais ter reconhecido que pelo menos 200 estão desaparecidas na região diretamente impactada pelo rompimento das barragens que a mineradora Vale possuía no município de Brumadinho, há ainda o fato de que os rejeitos que escaparam irão impactar o Rio Francisco, do qual o Rio Paraopebas é um dos afluentes ( ver mapa abaixo).

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Com isso, a Vale esta contribuindo para impactar outra bacia hidrográfica importante após o Tsulama da Samarco ter praticamente arrasado a do Rio Doce em 2015.

Mas mesmo antes do material que escapou dos reservatórios da Vale chegar ao São Francisco, os impactos socioambientais serão fortíssimos já que o Rio Paraopebas é uma fonte importante de suprimento de água para os 48 municípios localizados na sua bacia hidrográfica.

As primeiras imagens sobre o impacto da massa de rejeitos sobre a calha principal do Paraopebas já mostram que os efeitos serão drásticos (ver vídeo abaixo), sendo esperado que pelo menos 19 municípios sejam diretamente afetados pela massa de lama que escapou em Brumadinho.

Agora vamos ver como se comportam as autoridades estaduais de Minas Gerais e, principalmente, o governo Bolsonaro que já estava em negociações avançadas com as mineradoras para afrouxar o processo de licenciamento ambiental da mineração.

Se com o processo existente a Vale permite esta sucessão de graves incidentes ambientais, imagine-se o que acontecerá se ela própria puder emitir as licenças ambientais para suas atividades de mineração.