A política fluminense e sua sina: presidente da Alerj é preso por obstrução de investigação

Diz a primeira lei que .Murphy  diz que “tudo que pode dar errado dará errado.” No caso da política fluminense, esse adágio acaba de se confirmar com a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União/RJ) por obstruir a investigação no caso do deputado TH Jóias.

O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil) — Foto: Divulgação

Presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar: de candidato a governador a preso por obstrução de investigação

Essa prisão veio em um momento em que o governador do Rio de Janeiro havia enviado para a Alerj o projeto de lei Nº 6807/2025 que autoriza o poder executivo a  efetivar a adesão do estado do Rio de Janeiro ao programa de pleno pagamento de dívidas do estados (PROPAG).

Agora vamos esperar para acompanhar os próximos acontecimentos. Mas uma coisa é certa: estamos nos encaminhando para um momento de grande turbulência e incertezas.  A ver!

Onde está Wally? Por que Rodrigo Bacellar está em silêncio em hora tão urgente?

Onde está o Wally? Tente achar o personagem em um belo vídeo em 360 graus |  Entretenimento

Por Douglas Barreto da Mata

Gostemos ou não da política de segurança pública de Cláudio  Castro, o fato é que o governador do estado do Rio de Janeiro assumiu a narrativa sobre o combate ao crime. Repito, não faço (agora) um juízo de valor sobre os eventos dessa semana, mas é impossível ficar impassível aos efeitos deles sobre nossas vidas e, claro, sobre o jogo político.

Muita gente argumenta que as preparações e engenharias da operação nos complexos da Penha e do Alemão tiveram suas origens nos gabinetes da administração Trump. Outros defendem que o timing teve como alvo diluir os bons momentos da diplomacia lulista nos EUA, e interromper a recente escalada da popularidade do presidente Lula, que até pouco tempo patinava no fundo do poço.

Há os que indicam o caminho mais simples, isto é, o governador que estava nas cordas, ora afundando em meio a disputas com correligionários próximos, como o presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro ora acossado pela intensificação de apurações sobre empresários amigos, e enfim, ameaçado pelo calendário judiciário, que traz o desfecho sobre sua permanência (ou não) no cargo.

Uma operação dessa magnitude e carga dramática tem os ingredientes para criar campos políticos, que passam a ser definidos por limites mais  emocionais e simbólicos, reduzindo conceitos complicados  a percepções como “vagabundos”, “bandidos”, “mocinhos”, “bem”, “mal”, guerra, terrorismo, heróis, mártires, etc.

Esses são os campos preferidos da direita, e tais esferas estavam sendo soterradas pelo conjunto de notícias e imagens ruins da direita, desde as chantagens tarifárias pedidas a Trump como resgate pela família Bolsonaro, para forçar uma anistia ao patriarca, passando pela associação do deputado TH às facções criminosas, e, como dissemos, os ecos da investida da PF na Faria Lima, que surpreendeu gente graúda ligada a vários governos e figuras da direita.

Para recuperar terreno, era preciso fazer barulho. Claúdio Castro entendeu e foi à guerra. Desenterrou vários pontos de uma vez, que estavam dormindo. Aumento de autonomia dos estados, a definição de tráfico como terrorismo, discussão dos limites impostos pelo Supremo Tribunal Federal, dentre outros.

Mas por que Rodrigo Bacellar tem sido econômico em gestos e palavras, uma vez que ele é partidário das teses que o governador colocou em prática? Não seria exagero dizer que se a carreira política de Rodrigo Bacellar estava moribunda, os disparos no Alemão e na Penha a atingiram em cheio, e pelas costas.

Se Rodrigo Bacellar ainda tinha esperança de se movimentar dentro da inércia do governador, inclusive disparando munição pesada contra a Polícia Militar, após um arrastão em Copacabana, a ação das polícias estaduais nestes últimos dias encurralou o deputado.

Cláudio Castro viu sua conta em rede social aumentar em mais de 1 milhão, a operação recebeu apoio de 70% de pesquisados, governadores de direita dos maiores estados da federação vieram ao encontro de Cláudio Castro e pior, o governo federal reagiu com a incapacidade de sempre, e ficou no meio do caminho: primeiro, criticou, e depois, quando viu a tsunami de apoio, resolveu embarcar na repercussão, mas não deu, e ficaram com cara de cachorro que caiu da mudança.  O mesmo aconteceu com Rodrigo Bacellar, por motivos distintos.

Ele se colocou contra um governo que ele não sabia que ia agir desse jeito. Agora, ficou sem a agenda da segurança pública, não porque seja contrário a ela, porém, ele é contrário ao seu principal executor.

Por tudo isso, Cláudio Castro é o dono da bola, e Rodrigo Bacellar não sabe o que fazer, e por isso, se esconde, como Wally.

Pesquisas eleitorais e seus resultados (nada) misteriosos: nem tudo que reluz é ouro

Por Douglas Barreto da Mata

O mau do esperto é imaginar que todos à sua volta são tolos.  Pois é.  Em alguns casos, a tentativa de passar a perna em todos acaba por trazer momentos vergonhosos para os “espertos”. As pesquisas eleitorais servem para muita coisa: análises sérias, mas também para propaganda, manipulação de resultados e até auto engano. 

Eu não saberia dizer quais das circunstâncias levou o pré-candidato Rodrigo Bacellar a se expor dessa maneira.  Eu creio que ele não fez isso sozinho, ou só pegou carona na estratégia alheia, ou é um “inocente útil”. Eis a receita dos “alquimistas políticos”, que desejam transformar pedra em metal valioso.

Primeiro, a “inacreditável sabedoria” de suprimir o nome de Wladimir Garotinho, nesta pesquisa Quaest.  O prefeito campista é um dos principais rivais do deputado estadual, e apareceu em segundo, seguido de Washington Reis, e depois, em quarto, o próprio presidente da Alerj, na pesquisa Prefab.

Quem observar os números das duas pesquisas vai poder concluir que Rodrigo só chega a 9%, na pesquisa Quaest, por causa da ausência de Wladimir.  Todos os demais permanecem com números parecidos.  Ou seja, Wladimir vai bem com Rodrigo, mas Rodrigo não resiste à presença de Wladimir no questionário.

Ah, sim, mas o contratante da pesquisa tem o direito de explorar os cenários que deseja.  O contratante, sabemos, é o grupo Globo, ou alguém que contratou a sondagem para ser divulgada pela empresa de comunicação, como principal plataforma de repercussão.

Rodrigo Bacellar embarcou na jogada? Claro, ninguém rejeita um “vento a favor”, porém, correndo o risco do ridículo de acreditar em uma nota de três reais.  O truque fica pior, acreditem. Quem olhar o cartão com os números, nomes e partidos verá que o partido atribuído ao Rodrigo é o PL.  PL, como assim?  Rodrigo Bacellar é do União Brasil/PP.

Por que esse “erro”?  Ora, para induzir o eleitor a acreditar que Rodrigo é o candidato dos Bolsonaro, justamente aqueles que disseram que ele não é candidato dos Bolsonaros, de acordo com Flávio Bolsonaro, que fala pelo pai nesse assunto.

Bem, um leitor ou leitora mais atenta poderá perguntar:  Uai, a pesquisa contratada e amplamente divulgada pela Globo favorecendo a Rodrigo Bacellar, será que a Globo escolheu ele como candidato?  Se ele acredita nisso, ou nos números apresentados, é desespero puro.

Qual é, então, a mão que balança o berço? O que fez essa distorção de colocar o PL como partido de Rodrigo e a supressão do seu principal rival?  Bem, eu não tenho elementos para provar que foi Eduardo Paes, mas ele é o principal beneficiado.  Como? Ora, todas as pedras portuguesas do calçadão de Copacabana sabem que Eduardo Paes quer disputar com Rodrigo Bacellar, e tem pavor de imaginar uma disputa com uma aliança Wladimir com Washington, ainda mais com apoio de Bolsonaro.

Não por outra razão, Eduardo fez gestões para ter um dos dois em sua chapa, e nunca o fez em direção ao Presidente da Alerj, ao menos não publicamente, como fez com os WW. Ao mesmo tempo, inflar Rodrigo é bagunçar o jogo no campo de Wladimir e Washington, ainda mais com o desempenho do campista na pesquisa Prefab, sendo somente a segunda vez que ele aparece em sondagens, e não tendo se declarado candidato. Com a “subida” de Rodrigo, Paes imagina empurrar os WW para seu campo.

A encruzilhada do bolsonarismo ameaça engolir Rodrigo Bacellar

Por Douglas Barreto da Mata

Que o eleitorado fluminense tem forte sotaque conservador não é novidade. É um fenômeno histórico, com poucos períodos de mandatos de políticos progressistas, o mais importante deles, Leonel Brizola.  Aliás, o conservadorismo não é um traço fluminense, mas nacional, apesar dos mandatos presidenciais do PT.  Não seria exagero dizer que o exercício da Presidência da República alterou muito mais o PT do que este alterou o país.  Mas resumir o conservadorismo fluminense ao bolsonarismo é um erro, ou um exagero que favorece a narrativa do interessado.

No atual momento, definir o peso e a resiliência desta manifestação política é crucial para determinarmos as possibilidades de sucesso deste ou daquele ator político, e neste caso aqui, deste texto, o que nos interessa é o que vai acontecer na eleição de governador, onde até aqui temos dois pretendentes, Rodrigo Bacellar e Eduardo Paes.  Dentre os dois, o que está em situação mais delicada é Bacellar. E por quê?  Ora, porque ele reivindicou uma pré-candidatura na aliança política que têm Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro como figuras de proa, ao mesmo tempo que foi, publicamente, rejeitado por ambos (e também por outras figuras de relevo do movimento bolsonarista).  Em resumo, Rodrigo Bacellar determinou sua trajetória como nome do bolsonarismo no Rio de Janeiro, e lhe foi negado este posto.

É possível a Rodrigo reconstruir sua (pré) candidatura, como afirmou o presidente nacional da federação União Brasil/PP, Antônio Rueda?  Possível é, tudo é possível, mas é pouco provável.  Como me ensinou um amigo especialista na observação da cena política, Rodrigo e Rueda não têm outra saída, senão manter ocupado o lugar dessa pré-candidatura, sob pena de verem desmoronar o já instável chão sob os pés de ambos. 

Se sinalizar a desistência antes do tempo, Rodrigo Bacellar pode ficar sem a vaga no TCE, sem o apoio de seus colegas de Alerj na eleição indireta para governador (caso Castro renuncie), enfim, enfrentará um final melancólico.  Por essa razão, Rodrigo Bacellar tem que manter as aparências que, neste caso, enganam pouco.

Não há mais espaço para Rodrigo Bacellar operar uma candidatura tipo “terceira via”, por várias razões.  A primeira, e mais óbvia, é a sua trajetória relacionada ao bolsonarismo no Estado, ainda que os bolsonaristas não o reconheçam como tal.  Também não há lugar para se mostrar um “moderado”, tanto pelo estilo pessoal do deputado, quanto pela sua base de apoio mais fiel, que tem na estridente trinca Alan-Amorim-Poubel sua face mais operacional. 

As pesquisas mostram que há um viés do eleitor que aponta para um certo cansaço com o bolsonarismo, apesar deste nome ainda ter importância na decisão do eleitor.  Ressaltamos que esse cansaço não é uma guinada para fora do espectro conservador, mas sim da sua forma mais extremista, justamente personificada na figura do ex-presidente, tudo isso incrementado pelas últimas trapalhadas do chamado “tarifaço de Trump”. 

Esse movimento do eleitorado favorece primeiro o favorito Eduardo Paes, que se situa como um centro-direita que “come com talheres”, e não “arrota à mesa”.  No entanto, Paes tem um grave problema, ou melhor, dois: a síndrome de Celso Russomano (o cavalo paraguaio de SP) e sua pouquíssima abrangência fora da Capital.  Paes é um cara que personificou tanto a “carioquice zona sul”, esse “tipo” que é ao mesmo tempo um conservador e elitista, mas “gente boa” e que “vai na roda de samba”. Essa imagem não permite a ele se colocar para além da Ponte Rio-Niterói.  Paes é irremediavelmente um carioca, nunca um fluminense. 

Faltou inteligência a ele, por exemplo, para distribuir a recepção de alguns dos eventos globais que aconteceram no Rio, criando um vínculo dos organizadores dessas cúpulas com prefeitos do interior, como da região serrana ou região dos lagos, para que os pré-eventos, que são comuns nestas cúpulas, quando delegações de preparação debatem os temas anteriormente, pudessem se espalhar por cidades turísticas, como Cabo Frio, Petrópolis, Penedo, ou até mesmo polos regionais, como Macaé ou Campos dos Goytacazes.

Como dizem na gíria, “comeu mosca”, porque pensou dentro da caixinha do “carioquismo”, porém, só o seu eleitorado na capital não o elege. Voltando ao bolsonarismo, alguns apostam que 2026 será o início do fim, onde o declínio do poder de intervenção no eleitorado estadual fluminense se fará bem visível. Já outros contestam, dizendo que será sim o início do declínio, mas não ainda a ponto de comprometer a capacidade do ex-presidente em ser um forte eleitor para quem resolver apoiar.

Penso que o bolsonarismo está em franca fragmentação. O encaminhamento das questões eleitorais no RJ é uma prova inconteste disso.  Seja pelo assédio jurídico, seja pelos erros de avaliação que levaram a erros estratégicos, o fato é que a comunidade política bolsonarista só tem um objetivo claro: eleger senadores, .e agora, mais um, tentar livrar o seu líder da cadeia.

Não seria pouco, é verdade, mas para quem teve a Presidência da República, uma bancada parlamentar federal significativa e ruidosa, diversos governadores, e que até bem pouco tempo, dominava as iniciativas nas redes sociais, é muito pouco.  Há alguns anos seriam impensáveis os movimentos de Washington Reis, oscilando entre o bolsonarismo e um acordo com Paes, e mesmo assim, em desagravo a Reis, os Bolsonaro retiraram o apoio a Cláudio Castro e a Bacellar. Castro, como sabemos, correu para salvar a própria pele, e deixou Bacellar “falando sozinho”. Como seria impensável que Silas Malafaia dissesse, aos quatro ventos, que se os Bolsonaro insistissem em Rodrigo Bacellar, ele estaria fora dessa campanha (alguns dizem que na verdade, ali os Bolsonaro falaram através do pastor). 

Em qualquer outro tempo, caso Washington Reis recuperasse sua elegibilidade, ninguém teria dúvidas de que ele se colocaria como opção junto ao bolsonarismo para a missão de enfrentar Eduardo Paes.  Quem olhar a sua “linguagem corporal” atual, não terá certeza de que o Czar da Baixada esteja 100% com Bolsonaro.  Na verdade, hoje, o Czar de Caxias é 100% ele mesmo, e olhem lá.

Enfim, a verdade é que temos uma enorme brecha no eleitorado conservador, que não quer um bolsonarismo estridente, mas ao contrário, quer algo que se achegue mais ao centro, mas não votará em Eduardo Paes.  Se Washington Reis não puder, ou não quiser ser esse nome, o bolsonarismo, sob pena de encolher ainda mais, vai ter que buscar um nome que preencha essa lacuna para fazer frente a Eduardo Paes.

Matéria de página no “O GLOBO” mostra que as engrenagens se movimentam contra Rodrigo Bacellar

Uma matéria de página inteira e na edição dominical do Caderno de Política do “O Globo” pode ser sinal claro de que uma carreira politica está sendo turbinada ou abatida, dependendo do conteúdo. Se esse raciocínio estiver correto, o dia de hoje não está sendo nada bom para o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, o campista Rodrigo Bacellar (União) (ver imagem abaixo). 

É que pelas penas do jornalista Caio Sartori, os leitores do “O Globo” vão ter detalhes do complicado caso envolvendo Rodrigo Bacellar e seu pai, Marcos Bacellar, no complicado caso de um suposto aluguel da Prefeitura Municipal de Cambuci, município localizado a 80 km da base política de Bacellar, o município de Campos dos Goytacazes.

A coisa não é nova e se arrasta do já longínquo ano de 2010 quando Rodrigo presidia a agora defunta Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) e o pai, Marcos, presidia a Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes.

Os apoiadores de Rodrigo Bacellar certamente irão desmerecer o conteúdo bombástico da reportagem dizendo que é notícia velha, mas uma coisa é inescapável da mera publicação desse tijolaço com teor potencialmente explosivo: as engrenagens políticas estão se movendo contra Rodrigo Bacellar e, provavelmente, de forma precoce, sua ambição de ser o candidato situacionista para suceder o governador Cláudio Castro em 2026.

Eleições RJ 2026: a guerra de movimento versus a de posições

Castro não vê perspectiva de apaziguar ânimos entre Wladimir e Bacellar  Folha1 - Política

Palanque cheio em meio a uma guerra de movimento e de posições

Por Douglas Barreto da Mata

Podemos relacionar uma série de defeitos do deputado estadual Rodrigo Bacellar, pois humano como nós, ele os tem, assim como reúne em si também qualidades. Porém, um defeito ele não tem: ele não é burro.  Comparado ao seu principal adversário regional, o prefeito Wladimir Garotinho, Rodrigo Bacellar teve uma trajetória diferente, por óbvio, e talvez um pouco mais acidentada. Não é herdeiro de um legado político como aquele do tamanho da família Garotinho, que tem no acervo várias eleições bem sucedidas, para mandatos de prefeito, deputado estadual e federal e, governador. No quesito vitórias eleitorais, não há comparação possível.

O casal Anthony e Rosinha foi o único, como de governadores eleitos a partir do interior em toda a história do Estado do Rio de Janeiro, já fundido com o da Guanabara, antigo distrito federal.  Não é pouca coisa, quando se olha a distribuição do peso do eleitorado fluminense, com 70%, ou mais, concentrado na capital, baixada e zona metropolitana (que agora se estende até Itaboraí). Então, a tarefa de Rodrigo Bacellar para se estabelecer como um vetor de poder estadual não foi fácil.

Ao mesmo tempo, ensinam os antigos que manter-se no topo é mais difícil que chegar lá. Pode ser. O fato é que a trajetória de Rodrigo Bacellar no topo da “cadeia alimentar” no Rio de Janeiro está por um fio, aliás, parece que sempre esteve. Só ele pode escolher entre cair com paraquedas ou rede de segurança, ou sem nada mesmo.

Olhando Rodrigo Bacellar e Wladimir Garotinho temos dois personagens bem distintos, e que se encontram em posições bem diferentes também. Ninguém poderá dizer quem vai ser bem sucedido em suas intenções, ou pior, os dois podem sucumbir, mas o fato é que Rodrigo Bacellar parece em situação mais desconfortável.  Não foi (só) um erro de cálculo de Rodrigo, como seus detratores irão dizer, ou excesso de impetuosidade, como dirão também.

Estes ingredientes podem fazer parte dessa história, mas não são determinantes. Havia sinais (como as caneladas do pastor Silas Malafaia, nunca desmentidas ou censuradas pelos Bolsonaros), porém para o jogador não há outro caminho senão assumir certos riscos, ou, “quem não arrisca, não petisca”. Há alguns meses, ninguém, eu incluído, diria que Washington Reis teria mais de 1% de chances de reverter sua inelegibilidade. Hoje, essa circunstância quase se inverteu, e o recado (público) já foi dado em despacho desde Gilmar Mendes para o presidente do STF, Barroso: é possível um acordo de não persecução penal depois de sentença condenatória não definitiva (não transitada). O artigo 28-A do CPP não diz quando não pode, e aí a porca torce o rabo.

É possível interpretar a omissão da lei (interpretação extensiva) em benefício do réu, assim como fazer analogias (usar casos parecidos para suprir omissões legais).  Até os dias atuais, é verdade, ninguém tinha pensado nisso, ou proposto isso (muita gente boa poderia ter se livrado, ou poderá se livrar da cadeia e de inelegibilidades, é certo). Como vemos, “bons advogados” são matéria valiosa nesse habitat hostil.

Bem, voltando a Rodrigo Bacellar, Wladimir Garotinho e etc., temos um mundo de alternativas, mas todas partem de pontos comuns:  Washington Reis vai definir parte do jogo, a depender da decisão de sua elegibilidade.  Mesmo inelegível ele já era peça crucial no desfecho.

Há uma parte que será definida pela montagem da chapa presidencial e as repercussões dessa arrumação nos palanques estaduais.  Outra variável é: a importância do prefeito Wladimir Garotinho perde força com a saída de Rodrigo Bacellar de cena, por mais estranho e paradoxal que pareça.  Sem Rodrigo no páreo, a necessidade da chapa de Eduardo Paes de um contraponto no quintal dele (Rodrigo) diminui muito.

Por outro lado, suas chances de ocupar um espaço nesta mesa estadual crescem, não pelo antagonismo, mas pela solidariedade política entre os dois clãs, os Reis e os Garotinho.  Alguns mais reticentes dizem que essas chances diminuem, justamente porque o peso político do sobrenome, e suas próprias qualidades (de Wladimir) deixariam desconfortáveis tanto Paes como Reis em ter um vice como ele.

Um cálculo pragmático e correto, afinal, a gente sabe que o time só tem um camisa dez. Desse modo, a presença de Wladimir Garotinho na chapa como vice de Washington Reis ou Eduardo Paes será consagrada como uma exigência de uma conjuntura, não apenas de promessas e afagos. Há os que defendem que Washington Reis será o candidato a governador de um grande bloco de centro e direita, com Paes senador, sobrando outra vaga a ser definida, de acordo com os movimentos da corrida ao Planalto.

Não creio nesse caminho, embora o reconheça possível.  Tudo indica que a chapa bolsonarista ao Planalto tenha na cabeça de chapa o governador de SP, Tarcísio. Até aí tudo bem, não haveria grandes problemas em acomodar Eduardo Paes e Washington Reis, e isolar o palanque petista. O nó górdio é o Senado Federal.

A questão é ajustar a estratégia bolsonarista àquela casa, já que a premissa para concorrer com as bênçãos do ex-presidente e de seu filho senador seria a fidelidade expressa e irredutível à missão de combater o Supremo Tribunal Federal (STF), o que é prerrogativa dos senadores.  Nesse ponto, nem Cláudio Castro, nem Washington Reis, nem Eduardo Paes, nem Rodrigo Bacellar, enfim, muito pouca gente além do atual senador Carlos Portinho aceitaria fazer esse compromisso, ainda mais quando boa parte dos nomes citados têm interesse em causas em julgamento, que definem suas próprias sobrevivências políticas.

Querem um aperitivo do pavor que reina no STF   com essa estratégia? Bastou o presidente do Senado mandar o recado sobre a questão do julgamento da inconstitucionalidade do decreto legislativo que derrubou o IOF, sugerindo o desengavetamento dos pedidos de impeachment de Alexandre de Moraes, que o mesmo decidiu fazer o impensável: ao invés de dizer que é ou não constitucional, decidiu “conciliar” antes governo e Congresso.  Não existe “conciliação” em matéria constitucional, ou é ou não é.  No entanto, o STF, além de todo o protagonismo já arrecadado na história recente desse país, para nossa infelicidade, agora se auto proclamou (não sem a omissão de outros poderes) em uma instância de moderação, um quarto poder.

No caso das terras indígenas e o marco temporal, o STF deve ter sofrido a mesma chantagem do impeachment, e assim devem ser entendidas todas as “conciliações”. Então, os Bolsonaro parecem loucos, mas não são, quem controlar o Senado, controla esse quarto poder, e claro, os demais.

Sendo assim, para termos uma chapa do tipo todo mundo junto, as duas vagas para o senado têm que ter adeptos radicais dessa tese do bolsonarismo anti STF. Essa hipótese só tem chance com Washington Reis correndo contra Paes, com uma chapa que contemple, ao mesmo, parte esfacelada do que restar do governo Castro (e o próprio), do PP, de Luizinho, e outros que não me vem à mente agora, além do próprio Wladimir Garotinho.  É gente demais, para vaga de menos.

Rodrigo Bacellar sabe que seu espaço encurtou, não só pelos seus arroubos ou atos precoces de hostilidade com esse ou aquele adversário.  Foram as circunstâncias que alteraram o jogo, circunstâncias estas que ele não poderia incluir muito, ou nada. Quem olhar mais de perto verá que esses gestos mais extremos de Rodrigo, principalmente os mais recentes, podem ter sido calculados, como forma de apontar uma saída honrosa, já que o deputado já sabia que sua trajetória nessa corrida seria curta, ou percebeu isso com o balançar da carruagem.

A única chance que resta para que ele seja candidato a governador é como uma candidatura tipo Ramagem (na última campanha de 2024, para prefeito do Rio).  Ou seja, funcionar para ancorar as candidaturas ao senado.  Não acho que ele aceitaria esse papel coadjuvante.  O certo é que nenhuma etapa dessa caminhada de Rodrigo Bacellar se deu sem muito atrito e ruído.

Como mencionei em outro texto, sua pré candidatura parece uma luta de doze assaltos com Evander Holyfield, no auge da forma, enquanto lhe espera outra luta, logo depois, com George Foreman, aos 25 anos.  O que Bacellar parece fazer é dar aquela famosa mordida na orelha de Mike Tyson.  Como anteviu a derrota, decidiu acabar a luta, perder por desclassificação, e não por knock out, e tendo arrancado um pedaço do outro.

A vaga a governador poderia ser oferecida a Wladimir Garotinho, em uma chapa que significaria um suposto racha na direita, com Washington Reis e Wladimir em palanques separados. Isso poderia diminuir as chances de o pleito ser definido em primeiro turno.  A questão é Wladimir Garotinho aceitar embarcar nessa, tendo como certos o cumprimento de seu mandato de prefeito ou o de deputado federal eleito.

É preciso dizer novamente, 2026 será dos sobreviventes, e nenhuma força política é tamanha que pode desprezar as demais. Vai prevalecer quem souber poupar munição e estiver melhor localizado no campo de batalha. Por derradeiro, a IA nos informa:

“A diferença principal entre guerra de movimento e guerra de posições reside na mobilidade e no foco estratégico. A guerra de movimento envolve movimentos rápidos e ofensivos de tropas, buscando a conquista de território e a derrota decisiva do inimigo. Já a guerra de posições é caracterizada por uma estabilização das linhas de frente, com exércitos entrincheirados e pouca movimentação, onde a principal estratégia é a defesa e a manutenção de posições conquistadas.”

Eleições 2026: as placas tectônicas da política fluminense se agitam, talvez um pouco cedo demais

Por Douglas Barreto da Mata

Animado pelo aperitivo oferecido pelo editor deste blog, professor Marcos Pedlowski, vou colocar minha colher nessa sopa de eventos.  Há algum tempo atrás eu mantenho a opinião de que a pré campanha para o cargo de Estado do Rio de Janeiro, e demais posições vinculadas, como a composição de chapas (vice), senadores e deputados federais e estaduais, não serão definidas por uma afirmação de supremacia completa de uma facção sobre outra. Ao contrário, vai ser uma luta renhida, onde vão sobressair sobreviventes, e a depender da conjuntura a ser desenhada, os candidatos e os vencedores terão tantas cicatrizes que a vitória poderá ser comparada a de Pirro.

Além das questões próprias de todas as campanhas eleitorais em todos os níveis e lugares, o Estado do Rio de Janeiro carrega questões bem específicas, ou como dizem os gaiatos, “o Rio não é para amadores”. Nesse pleito de 2026, esse Estado estará em péssimo estado, me perdoem o trocadilho, e as representações políticas tendem a refletir esse ambiente de fragmentação e atritos. Não é fácil construir consensos no meio na penúria e caos, pois “onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”.

Uma olhada rápida para um dos concorrentes, o deputado estadual Rodrigo Bacellar e sua trajetória, até aqui, acidentada e truncada, são um exemplo dessa hipótese que defendo.  Claro, nenhum processo de construção de uma posição é isento de conflitos, rusgas, cotoveladas e dedos nos olhos.  Porém, olhando o adversário, Eduardo Paes, o único declarado até agora, observa-se que mesmo expostos ao mesmo tempo de especulação, pois os dois (Rodrigo e Paes) já revelaram seus planos desde 2022, parece que o caminho de Rodrigo pode ser comparado a escalada do Everest, enquanto Eduardo Paes, no máximo, sobe o morro da Pedra da Gávea.

Por certo, alguns dirão, principalmente os correligionários de Rodrigo, que isso pode fortalecer seu capital político e seu ânimo em vencer a tudo e a todos, e que uma queda de 50 metros é tão letal quanto uma de 500 metros.  Sim, o jogo só acaba quando termina. Não duvido, e a derrota do próprio Eduardo Paes para Wilson Witzel seria uma comprovação dessa teoria, que precisa ser ponderada àquela que ensina que as coisas só se repetiriam em condições exatamente iguais, e isso é impossível, porque o tempo sempre será outro. Em resumo, Rodrigo não é Witzel, Paes não é o mesmo daquele tempo, e o tempo é outro.

A experiência nos mostra que campanhas iniciadas com esse nível de esforço raramente conseguem manter o ritmo até o fim. É diferente ser um azarão desacreditado, sem máquina, sem apoios de peso, ser uma “zebra”, e estar na condição de governador em exercício, presidente da assembléia estadual e controlador de orçamentos, e ainda assim não conseguir pacificar nem seu próprio quintal, nem na sua cidade natal.

Olhemos as circunstâncias. O governo Cláudio Castro padece de um sintoma antigo, que incide sobre a maioria das administrações que o chefe não concorrerá à reeleição, que é o fim antecipado do governo e de sua força. Aqui adicionamos os problemas da estratégia eleitoral em si, que exige que o governador atual “troque o pneu com o carro andando”, ou seja, “deixe de ser” o centro das atenções para dar impulso ao concorrente que ele diz apadrinhar (outros juram que foi obrigado a fazê-lo). Tudo isso em um governo que não reúne boas condições administrativas (para ser bem gentil), acossado por questões jurídicas pendentes, e com baixíssimo apoio do eleitor.

“Ah, mas Eduardo Paes” também viverá esse problema da transição e enfraquecimento. Sim, mas quem olha esse processo na prefeitura carioca observa que o prefeito Paes parece muito mais confortável que o pessoal do governo do Estado. A cidade carioca firmou-se como destino de eventos importantes, e o prefeito conseguiu angariar toda a atenção, enquanto o governo do Estado parece um coadjuvante distante.  No debate sobre a segurança pública, Paes ganhou de lavada, e inverte uma lógica conhecida: mesmo alguns problemas sendo estaduais, como a segurança, o povo cobra do prefeito.

Eduardo Paes, nesse quesito, deu um nó tático no pessoal do governo do Estado.  Nesse sentido, talvez o silêncio da família Bolsonaro não seja apenas uma reticência pessoal do primeiro filho Flávio com o deputado Bacellar, como todos os bastidores da política comentam, mas um cálculo político, ou seja, os Bolsonaro aguardam para anunciar apoio, caso o deputado Bacellar sobreviva a essa primeira etapa.

É um recado importante, que mesmo não verbalizado, precisa ser ouvido.  Na política, às vezes, mais relevante é o que não é dito, arrisco a dizer que na maioria das vezes.  Os Bolsonaro devem saber que não hipotecar apoio antecipado e público ao deputado enfraquece sua posição de partida, pois pouparia o concorrente de vários embates e definiria aos agentes envolvidos quem é quem.

Ainda que lá na frente os Bolsonaro, como todo grupo político, refizessem cálculo e substituíssem o deputado, com outra estratégia ou uma improvável, porém não impossível aliança com Paes, mesmo assim o deputado estaria em condições de negociação muito melhores, inclusive em relação a caminhos eleitorais alternativos, ou até, como dizem, uma opção por uma vaga ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Então, sabedores de tudo isso, por que fazem desse jeito?  Bem, não ouso adivinhar, mas sei dizer porque não o fazem, não o apoiam de antemão porque não o julgam merecedor desse apoio, não agora, e adotam o critério da oportunidade (ou oportunista), isto é, se ele emplacar, vamos com ele mesmo.

Um outro método de observação que aprendi, com o passar dos tempos, é olhar com atenção às aparições e gestos públicos em torno do candidato.  Com exceção de seus deputados da chamada tropa de choque, e dos prefeitos que precisam de dinheiro, e por isso nunca ousariam fazer o que o fez o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, as visitas do governador em exercício em atos oficiais (e pré eleitorais) carecem de densidade (gente) e de repercussão, para além das bolhas de mídias já conhecidas.

Eu não posso afirmar com 100% de certeza, mas nessas agendas cruciais para o governador em exercício, pois são a largada de seu projeto, não vi nenhum nome “peso”, nenhum senador, como o próprio Flávio ou Portinho, que poderiam aproveitar para cerrar fileiras e, de quebra, começar as tratativas da campanha que vem por aí.  Pode ser zelo para impedir interpretações de campanha antecipada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE)? Pode ser reflexo das incertezas em relação a quem caberá qual vaga na chapa? Pode.

O estranho é que esse suposto cuidado não combina com tantas outras aparições descuidadas, ao mesmo tempo que seria normal a um pretendente a ser candidato a senador, como Portinho, e que não tem vaga certa, estivesse ali,  justamente, para demarcar seu território, disputar espaço, conquistar o apoio, ou ao menos, não ter o futuro governador e candidato contra si.  Enfim, o que parece é que Rodrigo Bacellar foi deixado no meio da arena, com leões como os Reis, os Garotinho, sem apoio explícito dos Bolsonaro, com a total indiferença de outro quadro relevante, como Dr Luizinho do PP.

Se ele conseguir sobreviver e sair debaixo dos escombros do terremoto causado pelo choque de tamanhas placas tectônicas, vai ter outra tarefa:  se conseguir construir uma campanha, ele já estará bem ferido, enfrentando alguém que não sofreu tanto, como Eduardo Paes.

Para não fugir a metáfora esportiva, é como se ele tivesse lutado e ganho uma luta de doze duríssimos assaltos contra Evander Holyfield, e duas horas depois voltasse ao ringue para enfrentar um George Foreman totalmente descansado. A vitória é possível, porém, improvável.

Freio de arrumação põe fim na paz tensa: Rodrigo Bacellar exonera Washington Reis

Fim do armstício e guerra declarada: governador em exercício, Rodrigo Bacellar, exonera o secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB)

Fim dos sorrisos de fachada:  com a caneta na mão, Rodrigo Bacellar exonera Washington Reis

Em uma mais uma demonstração de que as eleições de 2026 já estão afetando a geopolítica fluminense, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro traz hoje a exoneração do ex-prefeito e ex-deputado Washington Reis (MDB) do cargo de secretário estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (ver extrato abaixo).

Como até as pedras do Rio Saracuruna sabem das pretensões de Washington Reis de se candidatar ao cargo de governador no ano que vem, essa exoneração tem claramente a intenção de não deixar que ele continue usando o cargo de secretário para mostrar sabe-se lá qual tipo de serviço.

Mas como na política do Rio de Janeiro, pau que bate em Chico sempre acaba batendo em Francisco, aguardemos os próximos capítulos dessa novela trágica agora que o armísticio tenso entre Bacellar e Reis chegou ao fim. 

Café com poesia para animar uma manhã fria

Por Douglas Barreto da Mata

“João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.”

2026 não será o ano dos concorrentes ou oponentes que medindo forças trarão um resultado nas urnas.  Apesar de ser esta a aparência, a disputa não consagrará um vitorioso, mas antes de tudo, um sobrevivente.  Não há em 2026 uma comparação de projetos antagônicos de poder político, ou visões distintas de mundo, esquerda ou direita. Ao contrário, 2026 é um ambiente conflagrado entre forças de mesma polaridade. 

Sendo assim, forças do mesmo polo em movimento acabam por colidir, e dessa colisão vem a fricção, o calor e as explosões.  Paradoxalmente, dada essa natureza política similar, essas forças, se estiverem isoladas, não conseguem chegar a lugar algum.

Rodrigo sem Wladimir, sem Reis não vence Paes. Paes sem Wladimir e/ou Reis não vence Rodrigo.  Reis sem Paes, sem Wladimir, não derrota Rodrigo.

Esses personagens estão irremediavelmente atados no campo da direita, disputando espaços sobrepostos (capital e Baixada) ou complementares (capital/Baixada e interior).  Ainda que haja uma indicação de que os palanques presidenciais sejam diferentes para Paes (com Lula?) e o restante com Jair Bolsonaro (?), o fato é que todos estão em busca do eleitorado conservador fluminense, já que o chamado eleitorado progressista talvez faça pouca diferença nesse jogo.

E  Cláudio Castro? Bem, Castro pode ser o J. Pinto Fernandes dos versos de Drumond ou Joaquim, quer dizer, pode perder tudo ou ganhar tudo. 

A julgar pelas caneladas passadas e as recentes entre os dois chefes de poderes estaduais, Castro também pode recitar outros versinhos de Drumond:

“No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.”

Campos dos Goytacazes tem seu próprio Odorico Paraguaçu?

“Há mais coisas entre o céu e a terra que os aviões de carreira”, dizia o Barão de Itararé. No caso de Campos dos Goytacazes, teremos o helicóptero do  governo do estado do Rio de Janeiro, que trará Sua Excelência, o Governador, em exercício, o deputado Rodrigo Bacellar, em visita oficial à sua cidade natal.

Virá Sua Excelência para resolver o problema da Estrada dos Ceramistas, com seu conhecido temperamento, dando comandos inequívocos para colocar o pessoal para trabalhar e dar um fim na bagunça instaurada pela procastinação pura e simples em uma obra tão importante? Ou será que o Excelentíssimo Governador pró-tempore finalmente se reunirá com o Prefeito Wladimir Garotinho e seus auxiliares da área da Saúde, e dirá a eles em voz firme: Vou liberar a verba da saúde que Cláudio Castro bloqueou.

O Excelentíssimo governador em exercício já deve saber, claro, mas não custa lembrar, porque a conta é simples: o governo do estado não está pagando o cofinanciamento de saúde a que Campos dos Goytacazes tem direito por ser um polo regional de saúde.   Evidentemente que, atendendo a pacientes de várias cidades do entorno, todos enviados por órgãos estaduais, não tem como dar conta de tudo sozinho.  O pior é que ao longo do tempo, o cano dado pelo estado não para de crescer. Em 2021 pagaram R$200 milhões, em 2022 pagaram R$140 milhões, em 2023 pagaram 90 milhões, em 2024 o governo do estado só R$ 20 milhões e em 2025 pagaram um tremendo zero, até agora.

A partir de fontes bem informadas, me foi dito que alguns gaiatos na “Rua do Homem Pé” já lançaram o versinho: “Campos dos Goytacazes tem um amigo da onça, o nome dele é Rodrigo”. E nós sabemos que daquela parte do centro histórico de Campos partem coisas que depois que grudam são difíceis de soltar.

A julgar pela viagem de helicóptero, parece que Sua Excelência pretende passar por cima dos problemas do caminho e se esconder lá em uma inauguração de uma casinha de Bombeiros, lá no Farol de São Tomé, onde só a claque de apoio vai ser instada a estar.

E que não se reclame se os mesmos gaiatos da “Rua do Homem Pé” resolverem dizer que todo mundo tem seu dia de Odorico Paraguaçu.