Rodrigo Bacellar, nas eleições de 2026 qual vai ser a sua pílula: a azul ou a vermelha?

Blue Pill or Red Pill – música e letra de M501 | Spotify

Por Douglas Barreto da Mata

Em 2026, o Estado do Rio de Janeiro e seus personagens políticos vão enfrentar “escolhas” dignas daquela apresentada a Neo (Keanu Reeves), o herói da saga Matrix, ou seja, vamos de pílula azul ou de pílula vermelha? Um dos principais concorrentes, o Presidente da Assembleia Legislativo do estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Rodrigo Bacellar está diante dessa “escolha de Sofia” (perdão por misturar as referências cinematográficas). No mundo da simbologia política, dos gestos, dos vídeos e fotos das redes sociais, são inequívocos o poder e influência do parlamentar estadual.

Ao mesmo tempo, no mundo chamado real, esse poder e capacidade de articulação nos bastidores da política são flagrantes. Ninguém chega à presidência da Alerj sem ter predicados, isso é óbvio, apesar de seus detratores argumentarem que a fraqueza evidente do governador Cláudio Castro, que chegou ao cargo sem um grupo, ou um projeto, tornaram a tarefa da captura do governo pelo deputado Bacellar bem mais fácil.

Poder ser, mas chegar onde chegou não foi pouca coisa. Porém, dar o salto para a cadeira de governador (re)eleito, para além das substituições ou renúncia do atual titular, em tática rumo às eleições, é algo bem mais complexo.

Aí eu recorro às pílulas azul e vermelha. No filme, a escolha é entre a versão da realidade e a realidade em si, embora a história do filme ainda traga outra questão filosófica, a saber, se a escolha é realmente livre, ou se ela é limitada pelas opções apresentadas, restringindo a imprevisibilidade do resultado a uma condição já determinada antes. É a eterna discussão do livre arbítrio, que atormenta a Humanidade, porque se Deus é Deus, e sabe de tudo, o passado, o presente, e o futuro, como dizer que há uma escolha livre se Ele já sabe o que vamos escolher?

Vamos deixar essa confusão de lado, porque o texto pretende ser simples, embora trate de tema igualmente complexo. Rodrigo Bacellar pode ter feito a pior escolha de sua vida. Ao se colocar como um pré candidato a governador, desde sua reeleição para a presidência da Alerj, pelo menos, ele incorre no risco de sepultar sua meteórica carreira. Não porque ele não reúna condições ou qualidades para o cargo, e esse julgamento é, em última instância, do eleitor, de seus aliados, e dele mesmo.

A questão não é essa. O problema é se colocar em rotas que o levam a quartos escuros sem portas de saída ou janelas. Parece ser o caso, principalmente porque ele, há muito tempo, não permitiu a si mesmo outra alternativa, que não fosse a declarada por seus atos e decisões. Não é muito saudável se apresentar como: ou sou candidato a governo do Estado ou não tenho outro caminho.

Em primeiro plano, há um fator real e inexorável: Eduardo Paes é o franco favorito nesta corrida, apesar de que haja sempre espaço para o imponderável em corridas eleitorais. Comparações são inúteis.Cada momento é um momento, e mesmo as derrotas de Paes nos pleitos anteriores devem ser consideradas em seus contextos. Essas condições não se repetem, embora sirvam como balizas para estudos e estratégias.

Porque se adotarmos a lógica dos partidários de Bacellar, de que Paes é um “cavalo paraguaio” quando concorre a governador, temos que lembrar que nenhum presidente da Alerj chegou ao Palácio Guanabara. Não de forma direta, pois o exemplo mais recente, Cabral era senador quando foi eleito.

Os obstáculos de Bacellar são outros. Qualquer pessoa honesta o suficiente para torcer por esse ou aquele, mas sem contaminar seu olhar, sabe dizer que nas cúpulas partidárias, que formam aquilo que se chama de campo da direita, PP, União, PL, MDB, há um consenso formado: Nenhum dos caciques quer a candidatura de Bacellar, e nesse grupo há os que admitem por falta de opção e os que não admitem de jeito algum. Nenhum, exceto Antônio Rueda.

Todos os movimentos recentes, as falas e cotoveladas apontam isso. Em dias próximos da maior manifestação evangélica do Estado, A Marcha Para Jesus, um dos líderes do segmento, Silas Malafaia verbalizou de forma direta: “Com ele eu não vou”. O pior: lá no calor do evento, o pastor Malafaia fez questão de agradecer a Castro e ao prefeito da cidade, Eduardo Paes. Bacellar não foi ao evento, assim como Paes também não foi, mas o nome de Bacellar foi ignorado, ao contrário do prefeito.

Os maledicentes dizem que Malafaia ampliou o vídeo de Wladimir Garotinho, que dias antes falou o mesmo. É claro que o prefeito Wladimir Garotinho não é “dono” do eleitorado em sua cidade, mas quem obteve 192.000 votos para reeleição a prefeito, não pode ser minimizado como um obstáculo. A cidade de Campos dos Goytacazes é conhecida por ser um pólo regional, e mais, foi a única cidade do interior que elegeu governadores, e que hoje tem um outro pretendente, que é presidente da Alerj.

Ora, então, mesmo que os amigos e aliados de Bacellar digam que a declaração do prefeito é pouco relevante, a verdade é o contrário, a cidade tem muito peso político, e irradia seus humores pelo interior. Depois a família Reis atacou em dois flancos, ao mesmo tempo que protagonizou um chamou-não chamei Wladimir para ser candidato a governador, abraçado aos pais dele, o patriarca Washington entrou em rota de colisão com o governador Castro, sobre a tarifa de trens.

Dirão os otimistas que esses movimentos são comuns, são próprios de “uma dança do acasalamento”, onde os gestos ríspidos são uma forma de aumentar o cacife de quem vai aderir, com o objetivo a tirar compromissos mais vantajosos de quem quer o apoio. Pode ser. Mas a diferença entre a escaramuça de aliança e a uma resistência consistente é a dose, o alcance e amplitude do movimento.

Quem olha o cenário tem a nítida impressão de que se houver uma candidatura de Bacellar, ela corre o risco de ter gasto toda sua força para se impor, para se colocar no “grid”, deixando o competidor sem combustível para corrida. Ainda que concorra, e ainda que ganhe, outros dizem que é muito esforço para governar por 4 anos, já que lhe seria vedada nova reeleição. Seria uma vitória de Pirro.

No entanto, essa chance de vitória é bem pequena, como dizem as projeções. O fato é que Bacellar, apesar de ter sido o homem mais forte do governo Castro, pode estar sendo utilizado por este último como ponta de lança para forçar uma vaga para o atual governador ao senado na chapa do PL, que tem vagas de menos e gente demais querendo. Por outro lado, o melhor que o PL tem a oferecer, o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, parece não estar disponível a Bacellar. Salta aos olhos que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio hesitem tanto em manifestar apoio a Bacellar.

Cautela? Como assim? Esse cuidado só se justifica caso eles considerem outra alternativa senão o Presidente da Alerj, certo? Caso contrário, qual seria o óbice a ungir Bacellar e fortalecer seu nome desde já, junto ao eleitorado cativo do ex-presidente, que não conhece Bacellar, como mostram as pesquisas, e que, ao mesmo tempo, rejeitam o atual governador e o seu governo, justamente o ponto de apoio e lançamento de Bacellar? Não é urgente reverter esse quadro com as bênçãos do ex-presidente? Por essas razões, é justo supor que Bacellar esteja sendo encaminhado para um ponto sem retorno, sem plano B.

Seja pela rejeição dos caciques aliados, seja pela indisposição dos Bolsonaro, seja pelos interesses cruzados de que diz lhe apoiar, ou pelo favoritismo do adversário, e seu arco de influência, que vai desde a centro esquerda, passando pelo centro, além de ser o preferido das organizações Globo, dos bancos, e de empresários chamados “tradicionais”, parece que, apesar do compreensível ufanismo bairrista de analistas locais, a candidatura de Bacellar pode ser descrita como um parto complicado.

A História tem poucos exemplos de candidaturas impostas, a ferro e fogo, que deram bons resultados. Geralmente, candidaturas bem sucedidas derivam de amplos consensos, de um “processo natural”, mesmo que haja focos de oposição aqui e ali. Se olharmos para a pré candidatura de Bacellar poderemos saber exatamente qual das alternativas acima ela se encaixa. Então, um outro pensamento que me ocorre quando penso em escolhas, em pílulas azuis ou vermelhas é: Às vezes, o desastre não é escolher entre um caminho ou outro, mas sim que essa opção nos leve a não termos mais saída alguma.

É preciso adequar nosso apetite àquilo que podemos mastigar, engolir, digerir, e, botar para fora depois.

A viagem que levará Rodrigo Bacellar ao comando do Palácio Guanabara

Mais uma denúncia contra o Governo Castro. No Estado que paga menos de um salário mínimo para funcionários da Educação e não cumpre a Lei do Piso, o governador e seus secretários não têm moderação para gastar com luxos e viagens.

Ontem, enquanto se negava a receber os manifestantes da rede estadual no Palácio Guanabara, Cláudio Castro e seu governo organizavam mais uma viagem. O destino dessa vez será Lisboa, na abertura do verão europeu, onde acontecerá nos dias 3, 4 e 5 de julho, o XIII Fórum de Lisboa.

O Secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, vai antes e volta depois. Viajará no dia 29/6 e retornará apenas em 8/7. As passagens de ida e volta custarão no total 29.088,48 (poderiam sair por menos da metade desse valor, não fossem em Classe Executiva). Além das passagens, Miccione pediu diárias para 8 dias, ao custo de 460,00 euros por dia, num total de 17.959,86 reais (cada diária custará aos cofres do Estado 2.993,31 reais).

O Secretário de Planejamento e Gestão, Adilson Maciel, também vai. Mas com o planejamento curioso: ele diz que vai para um certo Congresso de Administração de Lisboa, entre os dias 27/6 e 6/7, solicitou as diárias de 460 euros, e as passagens compradas são para a rota Rio-Paris-Lisboa, por absurdos 44.061,74 reais! Maciel só desembarcará em Lisboa no fim do dia 28/6, e, mais curioso ainda, é que só há um documento justificando a viagem: um convite para um jantar especial, dia 3 de julho, numa “noite de boa gastronomia e excelente convívio” (ver imagem abaixo).


Fonte: CCIRJ2024/36chapa

Thiago Pampolha está afinado com Rodrigo Bacelar ou vai atravessar o samba?

Castro reitera apoio a Bacellar e diz que Pampolha não é mais do seu grupo  político - blogdoarnaldoneto.com.br
Por Douglas Barreto da Mata

Um termo muito em voga em tempos de realidade líquida (Baumann) é a teoria da conspiração. Com a dificuldade em estabelecer a relação de causa e efeito, e por conseguinte, determinar os fatos por sua natureza, é comum que se criem versões fantasiosas e alternativas, impregnadas de vieses, que não raro defendem interesses inconfessáveis. Esse fenômeno não é novo, como dizem.

A mídia comercial gosta de nos fazer crer que ela é quem pode validar a verdade, com slogans tipo “fato ou fake” e outras baboseiras, e que esse tipo de conduta manipuladora é algo da internet. Tudo mentira. Mídia empresarial e redes sociais disputam entre si o monopólio da mentira, que durante muito tempo era um mercado exclusivo das mídias tradicionais. Estava tudo ali, discurso de ódio, racismo, etc, desde as produções de “entretenimento”, até às redações jornalísticas.

Os princípios que nos tornaram violentos, escravocratas modernos, misóginos estão todos ali, desde Bom Dia, Brasil, passando pela Sessão da Tarde, novelas, Jornal Nacional, e com os filmes de violência enlatada produzidos pelos EUA. A grande embalagem desse pacote tóxico sempre foi o preconceito de classe, óbvio.

Não se esqueçam das propagandas, por favor, que misturavam cigarros com esporte, álcool com corrida de carros, de material de limpeza, cama, mesa e banho só para mulheres, enquanto aos homens brancos, os produtos que simbolizavam a macheza, o sucesso. Os pobres nordestinos sempre na portaria, o “malandro” dos morros, as pretas sempre lavando, passando e cozinhando.

Então, a briga entre mídia e redes sociais é só para disputar esse legado. Mas por que eu fiz esse enorme nariz de cera? Para abordar novamente a sucessão estadual. Eu trago uma “teoria da conspiração”, que eu já apresentei neste blog prestigioso, e como uma boa teoria, ela só especula. Não é conspiratória, na verdade, não desejo tirar proveito dela, ela apenas traz hipóteses. Meu trabalho é juntar pedaços, indícios, rumores, movimentos anormais, e juntar com dados.

Dois dados recentes. Um advogado de sobrenome Travanca resolveu dizer que vai atravancar (desculpem o trocadilho) a indicação de Tiago Pampolha, atual vice-governador, para a vaga de conselheiro do TCE, que seria uma das contrapartidas oferecidas a ele, caso aceite entregar o governo do Estado ao presidente da Assembleia Legislativo do estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacelar. 

Eu achei que fosse uma simples chantagem.  Aí aconteceu outra coisa.  O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as indicações aos Tribunais de Contas dos Estados  (TCEs) devem seguir, por simetria, as regras da Constituição Federal 1988 para o Tribunal de Contas da União (TCU).  Em resumo, essa imposição determina que haverá uma alternância para ocupação das vagas, com parte delas para privilégio de critérios técnicos e/ou de carreira dos órgãos, diminuindo as margem de discricionariedade dos governadores, traduzindo, estreitou o caminho para indicados políticos, como seria o Pampolha.

Muita gente boa passou a jurar aos pés da cruz do Monte do Calvário que Thiago Pampolha vai aceitar a vaga no TCE.  O problema são os detalhes.  O diabo, sabemos, mora nos detalhes.  Para o presidente da Alerj sentar na cadeira faltam muitas variáveis, que por serem muito individuais, são muito imprevisíveis.

Vejamos: o governador Cláudio Castro precisa renunciar, e para tanto ele quer ter atendido seu pleito de ser candidato ao senado. Não há garantia disso pelo clã Bolsonaro, que controla essas escolhas.  Se o governador sair, o vice-governador Thiago Pampolha tem que acreditar nas promessas que lhe foram feitas, e resistir a tentação de ser ele mesmo o candidato.  Seus dotes eleitorais medidos pelas pesquisas são tão ruins como os do presidente da Alerj, então, esse não é um balizador para afastar ele do propósito.

]Thiago Pampolha ainda tem outra qualidade, seu nome é muito mais bem aceito que o nome do presidente da Alerj, e a aprovação de seu nome evitaria uma revoada dos cardeais da política fluminense, que já disseram à boca miúda que não vão com o presidente da Alerj.  A única ressalva dos cardeais do PL, parte do PP, parte do União e do MDB a Pampolha é a pouca quilometragem.  Por fim, se Pampolha olhar para trás, e tomar como base o tratamento que recebeu do governador e do presidente da Alerj, ele tem muita chance de não confiar nas promessas.

Com o anúncio do Travanca, a base de jurisprudência construída pelo STF, recentemente, há sinais de que Thiago Pampolha pode ser abatido em pleno voo para o “asilo TCE”, antes mesmo de assumir. Seria um crime perfeito, afinal, aparentemente, a promessa foi paga.  Mas, afinal, vocês perguntariam, por que fazer isso com o Pampolha?  Pelo mesmo motivo que Pampolha pode estar acordado com o governador para não deixar a vaga para o presidente da Alerj.

Com a chegada desse grupo político no Guanabara, se estabelecer como um político de peso tem muito mais a ver com destruição de adversários, do que com realizações ou capacidade de articulação.  Não há aqui nenhuma crítica, só uma constatação.  Por isso, enfim, eu acho que esse triângulo político Castro, Rodrigo e Tiago ainda vai dar enredo para muito “desfile”.

A unanimidade burra em torno de Rodrigo Bacellar fala mais sobre quem o elegeu do que sobre ele mesmo

Aliado de Jair Bolsonaro e investigado pelo TRE, Rodrigo Bacellar foi reeleito para presidir a Alerj por unanimidade. Na foto, Bacellar segura medalha ‘imbrochável’ ao lado do ex-presidente

O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) acaba de conseguir o feito inédito de ter sido reeleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) por unanimidade.  Esse é um fato que nunca ocorreu na história da Alerj, e que dificilmente se repetirá: Bacellar recebeu todos os 70 votos possíveis para continuar no cargo!

A mim não me assombra o fato de que Bacellar ter sido reeleito e, tampouco, por unanimidade. Eu diria que essa votação inédita reflete muito bem o estado de coisas na política fluminense. Quem tiver um mínimo de curiosidade para analisar como as eleições proporcionais vem se dando no Rio de Janeiro saberá que tem algum tempo que determinadas candidaturas recebem votações expressivas, sem que isso reflita uma capacidade mínima do candidato de articular propostas ou, quiçá, um raciocínio inteiro.

Agora, há que se dizer que há algo muito esquisito na chamada esquerda parlamentar, incluindo aí o PSOL,  o spinoff do PT que em seu nascedouro insaiou os trejeitos da rebeldia original dos barbudos de São Bernado do Campo.  Eu não me surpreendo nem um pouco com o PT, pois a degeneração do pai (ou seria mãe?) do PSOL já está evidente há alguns anos. Mas do pessoal do PSOL, tenho que dizer queo partido envelheceu muito mais rápido do que o PT, parecendo até uma repetição da decadência do PSDB em relação ao PMDB.

Essa acomodação da esquerda parlamentar fluminense ao jogo/jogado é particularmente inquietante, na medida em que dada essa votação em Bacellar, as chances de uma candidatura para enfrentar a direita e a extrema-direita em 2026 se tornaram basicamente nulas.  Esse é o resultado de se juntar, usando um jargão familiar, no mangueirão com o resto da turma, incluindo a extrema-direita bolsonarista.

E aí quem sofrerá somos todos nós que gostaríamos de ver o Rio de Janeiro trilhando um caminho diferente do que se tem visto nas últimas décadas com governantes medíocres que conseguiram aniquilar com quaisquer possibilidades de um modelo de desenvolvimento social e economicamente mais justo.

Para terminar, uma observação recolhida de uma das tiradas do dramaturgo Nelson Rodrigues que dizia que “toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”. Se ainda estivesse vivo, Nelson Rodrigues certamente nos diria que é preciso vencer unanimidades como a que foi criada em torno de Rodrigo Bacellar.

Dos pampas à planície, a hegemonia da mentira

pinoquio

Por Douglas Barreto da Mata

Uma grande discussão nacional (e internacional) se instalou desde que as redes sociais avançaram do entretenimento para a produção de conteúdo “informativo”.  Esse processo já estava em andamento nas mídias empresariais, com o caso clássico do Canal FOX nos EUA, que, rapidamente, virou padrão neste hemisfério.  No caso das mídias digitais, nem sempre foi possível separar as coisas, e a veiculação de “notícias” pareciam mais com shows de variedades (horrores, para ser exato).

De certa forma, esse fenômeno se acelerou e contaminou todas as mídias chamadas tradicionais que, desesperadas pelo derretimento de sua relevância (audiência), correram atrás de formato de veiculação de notícias e conteúdos chamados “informativos”.

Hoje, é possível dizer que tanto a mídia digital alimenta as redes empresariais, quanto o contrário, e esta simbiose, por sua vez, alimenta uma nova disputa:  a hegemonia da mentira.

Os meios de comunicação tradicionais nunca estiveram a serviço de nenhum interesse público, pelo menos não o interesse da coletividade entendido como a representação das demandas reais (e não as inventadas) da sociedade e dos mais pobres, como por exemplo, a luta contra as desigualdades sociais.

Isso não é surpresa, afinal, a mídia empresarial, como o nome mesmo diz, é constituída de empresas que visam o lucro, mas também têm por como objetivo principal sustentar ideologicamente o sistema que permite e amplia sua existência, o capitalismo.

A mídia sempre mentiu, seja em debate presidencial em 1989, seja no caso Escola Base ou Bar Bodega, seja em tantos outros episódios de “condenações” apressadas, injustas e ilegais, funcionando como um tribunal inquisitório, onde as edições “prendem, processam, julgam e executam sentenças”.

O caso da farsa jato é só o mais recente.

Essa natureza intrínseca da mentira também é comum às mídias digitais, originadas a partir de plataformas gigantescas, que espreitam para engolirem as últimas formas de mídias consideradas tradicionais. Tudo se acentua com o avanço de outra forma de digitalização, neste caso a econômica, através do avanço de fundos de investimentos que movimentam trilhões e trilhões de dólares irresistíveis.

Se antes havia pouca chance de que algum conteúdo fosse de interesse social e público, de verdade, com um ou outro canal de comunicação que ousasse resistir, hoje é quase impossível.  A migração da comunicação do universo dos espaços de concessão para o território da internet é um duro golpe na capacidade estatal de controlar e regulamentar estes meios, e isso parece fácil de identificar, não só nas bravatas no imbecil cretino Elon Musk, como nos efeitos reais do poder e monopólio econômico de sua empresa e de outras do setor, que sequestram e ameaçam bloquear dados e acessos necessários, inclusive, a gestão estatal.

Vale a pena mencionar as graves intervenções em processos eleitorais, como o dos EUA, ou do Brasil, e, de fato, essas intervenções também se deram pelas mídias tradicionais.  A chamada liberdade de imprensa ou de expressão, agora sem controle algum, como sempre advogaram as elites e seus lacaios da mídia, colocam parte dessas elites e os seus jornalistas de coleiras sob um regime de medo. 

Mas não se enganem, não haverá nenhum pobre ou trabalhador beneficiado dessa luta. Nem há uma luta sincera para que haja um controle social capaz de beneficiar a toda sociedade, e não só a parte endinheirada dela. O que se pretende é o controle da fábrica de inverdades.

É uma disputa pela primazia de distorcer, mentir e colocar nas cordas qualquer governo ou representação que, de forma pálida, estabeleça uma agenda um pouco mais progressista.  Alguém disse, e não me recordo ontem, que esse é o “totalitarismo democrático capitalista”, o ápice do controle, onde você escolhe dentre as possibilidades que já determinaram antes.

Lá nos pampas alagados, as redes digitais têm uma tabela forte com as mídias empresariais.

Enquanto as redes digitais fazem o trabalho mais bruto, mas porco de saturar a audiência com boatos e imagens falsas, o sistema de comunicação concedido (TV) e outros geram conteúdos um pouco mais sofisticados, mas que, sem dúvida, são complementares aos boatos grotescos, como o helicóptero da empresa de varejo em salvamento dos atingidos.

Você pergunta:  mas como uma coisa tem a ver com a outra?  Explico: a construção da narrativa dos pampas alagados, o gauchoquistão, é levar a crer que o Estado, ou os poderes constituídos não fazem nada pelos desabrigados.

Junto a esta imagem, um governador impotente, pedinte, chorão, exaltando os voluntários (privados), e ignorando os esforços de centenas e centenas de servidores públicos, de todos os cantos do país, e a montanha de recursos federais que receberá, enquanto pede mais e mais.

Bem, no meio de tudo, a mídia esconde, criminosamente, o debate sobre as causas do desastre, o setor agro, o setor industrial e os fundamentalistas que militam contra as leis ambientais e licenciamentos, enfim, o pessoal do “passa boi, passa a boiada”, que obtiveram do governador chorão a “licença para devastar” o bioma do gauchoquistão, e fazer com que afundasse nos charcos.

Esse discurso casa perfeitamente com a boataria das redes sociais, que distraem a choldra, enquanto incutem as noções mais caras ao jornalismo mais sofisticado, mas igualmente criminoso, e vice-versa, pois, como dissemos, são complementares.

Voando até a planície campista, a indústria midiática também faz das suas.  Com o início das eleições, ou pelo menos, do período pré-eleitoral, as redes digitais e televisivas afiam as garras e o apetite.  É a hora que governantes e postulantes ao governo, parlamentares e candidatos a sê-lo ficam mais frágeis.

Não é novidade que há dois grupos políticos em disputa na cidade, e cada um com seu tratamento de mídia, com suas equipes.  A tarefa dos comunicadores do governo parece ter sido mais bem sucedida, tanto pela gestão que resultou na aprovação do Prefeito Wladimir Garotinho, como pela própria capacidade dele mesmo (o prefeito) em se veicular, a partir de suas redes sociais.

A luta dos oposicionistas parece mais inglória.  Um dos profissionais envolvidos, que já fez parte de um veículo local, pode-se dizer um azarado.  Afinal, ele, Alexandre Bastos, foi Secretário de Comunicação do pior governo da história de Campos dos Goytacazes, e isso logo depois desse governo ter sido eleito com uma votação acachapante, e ter derrubado o candidato da família Garotinho. Do céu ao inferno em quatro anos, podemos dizer.

Como prêmio, Bastos, que todos dizem ser uma boa pessoa, simpático e de trato pessoal polido, ganhou um cargo na Assembleia Legistativo do Rio de Janeiro (Alerj), para cuidar da comunicação do atual presidente Rodrigo Bacellar.  Pois bem, novamente, que azar.  O presidente da Alerj está perto da cassação, porém isso não pode ser, totalmente, imputado ao Bastos. 

Já na cidade de Campos dos Goytacazes a coisa aperta mais um pouco.  Mesmo sem vínculo institucional, é pública e notória a liderança do presidente da Alerj, que subordina seu irmão presidente da Câmara local, e escalado para ser o antagonista principal do prefeito Wladimir. 

Por óbvio, a estratégia de comunicação fica a cargo de Bastos, que controla, direta ou indiretamente, alguns canais digitais, e indiretamente, através da influência sobre a TV e outras mídias, manejando as verbas publicitárias generosas que foram colocadas à disposição dele.

É aí que a porca torce o rabo.  O resultado é pífio, hoje o presidente da Câmara está menor que ao assumir a presidência, e o grupo político que representa patina, fazendo leilão de candidaturas ou melhor, um ENEM de candidatos, que insistem em não se mostrarem viáveis.

O  uso dos truques conhecidos, com distorção e manipulação só parecem funcionar em ambientes e conjunturas específicas, e aqui em Campos dos Goytacazes não deram, até o momento, resultado.

Um exemplo:  hoje, dia 18/05/2024, no telejornal da repetidora da Globo, na hora do almoço, os âncoras chamaram uma matéria sobre um veículo aéreo não tripulado, “drone”, que custou a quantia “X”, e deveria ser usado pela Defesa Civil em desastres naturais, e que, embora licitado e contratado, não foi entregue. Sugestão da matéria ao espectador:  a prefeitura pagou e não levou. 

Porém, isso foi desmentido no curso da reportagem, quando soubemos que o material não foi entregue, mas não foi pago, e a empresa só receberá mediante apresentação, enquanto a municipalidade adota medidas jurídicas para a infração contratual.

Funciona? Em alguns casos sim, mas não tem funcionado.

Assim como a desesperada utilização dessa mesma rede de TV, junto com o sítio de um jornal local, para alavancar o interesse da população pelas ações da DEAM, elevando casos diários de violência contra mulher e violência doméstica ao grau de interesse máximo.

São assuntos importantes e necessários?  Óbvio, mas a pergunta é: não foram sempre? Por que o repentino interesse?

Ora, o arranjo aqui é a tal da mensagem subliminar (na certa os comunicadores modernos têm um anglicismo para isso), quando a mídia destaca um assunto, e depois, por milagre, esse assunto é vinculado a um produto, neste caso o produto é a candidatura da ex titular da Delegacia da Mulher (DEAM).

Um olhar rápido, na página do jornal, mostrará que o assunto DEAM/violência doméstica, em certos dias, têm três matérias acumuladas, de cima a baixo na “geografia do site”, desde as chamadas em destaque, para os leitores de manchetes, até o pé da página, onde vão os leitores mais atentos.

Neste caso, da violência contra mulher, há um dado curioso e grotesco. Essas mesmas redes de comunicação, que fazem uma blitz sobre o tema, diariamente, parecem ter um olhar seletivo (como sempre?).

Onde está o acusado de assédio sexual contra as colegas em ambiente de trabalho, que até bem pouco tempo comandava este mesmo telejornal, e não raras vezes se mostrou indignado contra abusadores e agressores?

É este tipo de hipocrisia que parece ter subtraído a legitimidade, “o lugar de fala” dos comunicadores da oposição que, até hoje não se explicaram porque apoiaram o pior governo da História (como se não fosse com eles), e porque insistem em reeditar essa aliança retrógrada para destruir o que foi recuperado.

Como diz a propaganda famosa de uma montadora italiana: “está no hora de (Bastos) rever seus conceitos”.

A quem e a quais a propósitos realmente serve a “pacificação” na Câmara de Vereadores de Campos?

pacificação

A “paz” entre Wladimir Garotinho e Rodrigo Bacellar interessa a quem e a quais propósitos?

Estive ontem em um programa da Rádio Aurora e entre várias das minhas perguntas que me foram feitas uma se referia ao chamado “processo de pacificação” que ocorreu no interior da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes. A questão que me foi apresentada foi mais no sentido do “será que vai durar?”, mas me ocorreu fazer outra questão que agora compartilho com os leitores do “Blog do Pedlowski”.

A questão que coloquei de volta é a seguinte: a quem e a quê realmente serve esta pacificação? Me ocorreu dizer que a relação entre o executivo e o legislativo não tem que ser “pacífica”, mas sim marcada por um papel destinado ao legislativo para que o mesmo coloque em xeque as ações do executivo, independente de quem é o prefeito de plantão.

Se levarmos em conta que as disputas que ocorreram recentemente para dentro e para fora da Câmara de Vereadores tinham mais a ver com enfrentamentos das duas dinastias que hoje controlam a política municipal (os Garotinho e os Bacellar), a coisa que salta aos olhos é sobre qual tipo de acordo esta pacificação está assentada. É que, convenhamos, para pessoas que até pouco se digladiavam usando termos e adjetivos pouquíssimos elogiosos, há que haver uma explicação para que a pomba da paz esteja voando sobre nós neste momento.

Por outro lado, a recente aprovação das contas da prefeita Rosinha Garotinho relativas ao longínquo ano de 2016 foi apresentada pela mídia local como um exemplo de que a pacificação está funcionando. Mas e quanto aquilo que impediu a aprovação das contas de Rosinha Garotinho nada foi dito.  Pode ser que as contas estavam certas desde sempre e que não eram aprovadas porque a família Garotinho não tinha o controle da Câmara de Vereadores. Mas se isso não fosse o caso, o que significa então essa aprovação?

Como morador deste ilustre município desde 1998, vejo que determinados serviços públicos não melhoram, apesar da fartura atual de recursos. Temos ainda os graves problemas que ocorrem na relação com as concessionárias de água e esgotos e de eletricidade. Além disso, vê-se a continuidade de uma situação crítica nas unidades municipais de ensino, com a precariedade das instalações de muitas escolas onde até as portas faltam nas salas de aula. Por último, a condição dos serviços públicos de transporte continuam sendo deploráveis.

Pois bem, se tudo está pacífico na relação entre executivo e legislativo, quem vai agir para que todas essas questões sejam resolvidas em favor da população que depende de serviços públicos com um mínimo de qualidade? Pelo jeito nos resta pedir uma intervenção a São Salvador ou a Santo Amaro.

Pedrada dupla: matéria no UOL liga Rodrigo Bacellar à “máfia de barões do ouro” e acerta em cheio em Cláudio Castro

castro bacellar

De pedra a vidraça: reportagem do UOL ao mirar em Rodrigo Bacellar, termina acertando em cheio em Cláudio Castro

Uma reportagem escrita pelo competente jornalista Ruben Berta que foi publicada hoje pelo portal jornalístico UOL deverá trazer fortes reverberações não apenas na política de Campos dos Goytacazes, mas também deverá atingir em cheio a campanha eleitoral do governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. É que a reportagem traz amplos detalhes sobre o que Ruben Berta demonstra ser potencialmente um imenso batom na cueca do deputado Rodrigo Bacellar, que se tornou bastante poderoso a partir do impeachment do ex-governador Wilson Witzel, ocupando atualmente a estratégica secretaria de governo de Cláudio Castro (ver imagem abaixo).

mafia barões

O problema para Rodrigo Bacellar, e de quebra para Castro, é que a reportagem de Ruben Berta esmiuça em detalhes uma relação íntima do deputado campista com uma rede de empresas ligadas à extração ilegal de ouro na Amazônia, a partir da prosaica (na falta de melhor definição) da cessão de um helicóptero para uso em andanças e pajelanças políticas no interior do estado do Rio de Janeiro.

O interessante é que a matéria de Ruben Berta não fica apenas na relação entre Rodrigo Bacellar e a empresa Zocar Rio Caminhões, mas se estende para apontar que, após acumular grande poder no governo Castro, o deputado campista seria um dos principais beneficiários de um esquema que utiliza cargos secretos que estão sendo realizados pela Fundação Ceperj.

Somando essas duas vias, o que temos é que de pedra, Rodrigo Bacellar pode estar passando rapidamente a vidraça, na medida em que se envolveu com um grupo cujos emaranhados com a justiça já resultaram na apreensão de bens e prisões de envolvidos no bilionário esquema de extração ilegal de ouro na Amazônia.

Quem deve estar rindo, do alto de sua longa vivência política, dos problemas que alcançaram Rodrigo Bacellar é o ex-governador Anthony Garotinho. É que essa situação certamente causará constrangimento e embaraço a Rodrigo Bacellar que do alto do seu poder tinha se tornado uma verdadeira pedra no sapato não apenas dele, mas de toda a família Garotinho. 

Mas aos navegantes  fica a lição: se for querer ser pedra na política, melhor evitar certos mimos que repentinamente podem se transformar em imensas vidraças.

As cenas do Parque Saraiva como oráculo do que virá até as eleições de outubro. E adianto que nada será “normal”

Imagino que a maioria dos habitantes de Campos dos Goytacazes não tem muito conhecimento da localização do Parque Saraiva, um bairro que está localizado no II Distrito do município, Goitacazes. Assim, se nem os campistas sabem da existência desse pequeno bairro, composto por nove ruas perpendiculares à RJ-216, quiçá o resto dos brasileiros que se distribuem em país de dimensões continentais (ver mapa abaixo mostrando a localização do bairro).

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Mas apesar da desproporção escalar, o Parque Saraiva se transformou ontem (15/06) em uma espécie de antessala do que deverá acontecer nas eleições gerais que ocorrerão no Brasil (ou pelo menos se espera que ocorra) no mês de Outubro.  É que num ponto empoeirado daquele pequeno bairro, se aglomeraram apoiadores dos grupos políticos familiares que hoje se degladiam para dominar a política municipal, sob as vistas preocupadas do governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.  Diante de uma plateia numerosa, o que se testemunhou foram as mais puras formas de agressão verbal que se pode manusear para tornar direitos emmeros objetos de pura barganha política (ver vídeo abaixo).

A despeito do que possa parecer, o que ocorreu no Parque Saraiva é um retrato fiel de como a dominação ideológica de setores que se valem do estado para se manter em posições privilegiadas, enquanto a maioria da população pobre se vê cotidianamente privada de direitos constitucionais básicos, como, por exemplo, o direito à moradia digna.

O mais interessante é que no frigir dos ovos, o palanque que se tornou palco de trocas de farpas pontiagudas reunia apenas aliados do governador acidental Cláudio Castro, essa é a verdade inescapável.  Assim, se as agressões verbais, que ameaçaram deflagrar uma batalha campal de fins imprevisíveis, foram tão evidentes entre aliados (ainda que de ocasião), imaginemos o que poderá acontecer quando os encontros se derem entre adversários de direita e esquerda.

Como alguém já disse, esqueçam a ilusão de que haverá algum nível de normalidade cívica nos eleições de outubro. A poeira levantada nas proximidades do palanque montado para celebrar (no melhor estilo de campanha antecipada) um projeto de mirrados R$ 32 milhões é apenas o prenúncio do que virá até que cheguemos (se chegarmos) nas salas eleitorais.

Restaurante Popular, a primeira vítima de um governo pífio

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O fechamento do restaurante popular de Campos dos Goytacazes pelo prefeito Rafael Diniz em 09 de junho de 2017 desmantelou uma importante política social

Li uma curiosa notícia (vou chamar assim por falta de substantivo melhor) postada no blog “Opiniões” hospedado no jornal Folha da Manhã sobre uma suposta parceria entre o jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (PPS), e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (Solidariedade) em prol da reabertura do restaurante popular em parceria com o governo estadual comandado por Wilson Witzel (PSC) (ver ilustração abaixo).

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Primeiro, há que se lembrar que o fechamento do restaurante popular já completou dois anos no mês de junho, sendo até o momento um dos exemplos mais cabais da insensibilidade do prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais contra os segmentos mais pobres e necessitados da população de Campos dos Goytacazes.

Segundo, também há que se lembrar que em breve Rafael Diniz poderá soprar as velinhas da promessa que fez de reabrir o restaurante popular em outubro de 2018. Naquela ocasião, como agora, Rafael Diniz prometia uma pronta reabertura desse instrumento essencial para matar a fome dos mais pobres.  Mas desde então a única coisa que mudou mesmo foi o ocupante da cadeira de secretário municipal de Desenvolvimento Social e Humano, com a troca até aqui inócua de Sana Gimenes pelo ex-vereador ainda em atividade,  Marcão Gomes.

O fato é que qualquer alegação de que o restaurante popular foi fechado por causa da alegada crise financeira que o município de Campos dos Goytacazes atravessa não resiste a uma checagem mínima dos fatos. Essa alegação foi e continua sendo uma verdadeira “fake news”.  É que o que efetivamente guiou o extermínio das políticas sociais herdadas de outros governos (incluindo a alimentação dos setores mais pobres) foi a espécie de prelúdio do governo Bolsonaro que Rafael Diniz resolveu executar em Campos dos Goytacazes.  No caso do restaurante popular, a relação custo/benefício entre mantê-lo aberto ou fechado nunca deu suporte à decisão que foi executada de maneira fria e calculada por Rafael Diniz. 

A verdade, é que o restaurante popular foi apenas a primeira vítima de um governo pífio que chegou ao poder prometendo mudança, mas que logo se mostrou um dos maiores estelionatos eleitorais da história do nosso município.   Assim, qualquer insinuação que agora Rafael Diniz está realmente interessado em reabrir algo que nunca quis aberto não pode ser tomada seriamente.