Leonardo Sakamoto destrincha a prisões ordenadas pelo (des) governo Pezão por crimes que ainda não foram cometidos

Minority Report – Paranormais ajudam a polícia carioca a prever crimes

Por Leonardo Sakamoto

A polícia do Rio de Janeiro prendeu, neste sábado (12), ao menos 17 pessoas, além de apreender dois jovens, por supostas conexões com manifestações marcadas para acontecer na final da Copa, neste domingo, informou a BBC Brasil. Outras prisões temporárias – com duração máxima de cinco dias – ainda podem ocorrer.

Daí você me pergunta: mas que crime eles cometeram para irem presos? Resposta: nenhum.

Mas o governo do Estado do Rio de Janeiro tem outra resposta: nenhum ainda.

Sim, a principal razão da prisão foi o risco de causar problemas no jogo entre a Alemanha e a Argentina. Risco na opinião da polícia, é claro.

Mas se alguém é preso antes de cometer um crime essa pessoa pode ser acusada por este crime uma vez que o motivo que levou à sua prisão nunca ocorreu e muito provavelmente não ocorra? Pouco importa. Em nome de manter as aparências para o mundo, a lógica foi assassinada há tempos.

Fiquei quebrando a cabeça para entender como a inteligência (sic) da polícia carioca tem tanta certeza que os ativistas vão cometer crimes para terem seus direitos fundamentais enterrados.

Foi então que um amigo do setor de TI do governo do Estado do Rio de Janeiro me revelou a resposta. Sim, a vida imitou a arte.

Encantado com o filme Minority Report – A Nova Lei (estrelado por Tom Cruise e dirigido por Steven Spielberg – que dupla, que dupla!), o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, criou a Divisão de Pré-Crime.

Nesse setor, o futuro é visualizado antecipadamente por paranormais, os precogs. Dessa forma, o culpado é punido antes que o crime seja cometido. Três precogs trabalham juntos e flutuam conectados num tanque de fluido nutriente. Quando eles têm uma visão, o nome das vítimas aparecem escritos em pequenas esferas vermelhas. Em esferas azuis estão os nomes dos culpados. Também surgem imagens do crime e a hora exata em que acontecerá. Estas informações são fornecidas a uma elite de policiais, que realizam as prisões para bloquear a ocorrência (agradeço à Wikipedia por este parágrafo lindo).

Precog utilizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para poder punir crimes antes que eles aconteçam

Precog utilizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para poder punir crimes antes que eles aconteçam

Incrível, né? Quem diria que o Rio de Janeiro conseguiria copiar Hollywood…

Vocês que estão tristes porque isso parece mais o comportamento de uma ditadura do que de uma democracia, alegrem-se. Percebam o potencial disso. Se aplicarmos a tecnologia dos precogs para as eleições de outubro no Rio de Janeiro, talvez tenhamos que cancelá-las.

Pois vai faltar bolinha com o nome de gente que teria que ser presa preventivamente por crimes futuros contra a administração pública, corrupção passiva e prevaricações mil. Isso sem contar a descoberta antecipada de quais políticos que, quando chegam ao poder, são incapazes de garantir os direitos mais fundamentais de seus cidadãos. Como o direito de não ser preso por um crime que não cometeu.

Assim, fica fácil saber quem não deve ser eleito.

Em tempo: a Divisão Pré-Crime passou a ser usada contra manifestações, mas já é testada, há anos, para moradores de favelas.

FONTE: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/07/12/minority-report-paranormais-ajudam-a-policia-carioca-a-prever-crimes/

Sakomoto: “Guerra” entre israelenses e palestinos? A palavra certa é “massacre”

Por Leonardo Sakamoto

Mais de 100 palestinos teriam sido mortos e outros 700 feridos, pelo Exército israelense, na faixa de Gaza, por conta da ação “Limite Protetor”, na atual escalada de violência – que começou após o sequestro e morte de jovens israelenses e palestinos.

As Nações Unidas definiram a situação como “uma emergência humanitária crescente”. Ao mesmo tempo, o lançamento de foguetes dos militantes do Hamas feriram uma pessoa em estado grave. A maior parte dos alvos têm sido civis, incluindo casas em áreas povoadas.

Número de mortes não deveriam ser comparadas, pois a dor não é algo mensurável. Mas isso serve para ranquear nossa ignorância e estupidez. Se esses 100 mortos ocorressem durante uma ação violenta da polícia carioca ou paulista junto a favelas, mesmo as classes mais abastadas (muitas vezes lenientes com a morte dos mais pobres) já teriam chamado a situação de chacina ou massacre. Nesse caso, contudo, muitos de nós relutamos em falar em banho de sangue.

Podemos chamar de guerra, batalha ou confronto quando um dos lados é tão superior militarmente ao outro, fato que se traduz na contagem de corpos, como no caso dos ataques israelenses? É normal considerar como “dano colateral” a morte de civis em confronto? Por que não montamos um telão de LED gigante, diante da sede das ONU, em Nova Iorque, mostrando – em tempo real – quantos anos o Exército israelense está roubando do futuro dos palestinos, tornando real a promessa de Eli Yishai, então ministro do Interior, de que o país pretendia “mandar Gaza de volta à Idade Média”?

Concordo quando dizem que não há crise humanitária em Gaza, aquela pequena faixa de terra entre Israel e o Egito ocupada por palestinos. Crise humanitária existia antes do bloqueio decretado por Israel devido à eleição do Hamas e ao lançamento de foguetes contra seu território anos atrás. Hoje, o que há é algo próximo ao que ficou conhecido como campo de concentração.

Em 2010, uma pequena frota de barcos com ativistas tentava amenizar, levando produtos de primeira necessidade, quando foi atacada pelas forças armadas israelenses, resultando em, ao menos, dez mortos e mais de 30 feridos. Ah, é claro, os barcos também levavam armas de destruição em massa, como estilingues e bastões, com os quais os pobres soldados, armados de simples metralhadoras, foram atacados ao abordá-los. As forças israelenses quase não resistiram às terríveis rajadas de bolas de gude, mais letais que as terríveis pedras lançadas manualmente por palestinos nos protestos em terra.

Presenciamos um massacre unilateral e não uma guerra – civis, inclusive jovens e crianças, morreram desde o início da última operação miliar contra Gaza. E tendo em vista sua intensidade e forma, o que estamos presenciando soa como (mais uma etapa de) genocídio do que conflito. Guerra é inadequado, terrorismo de Estado seria melhor. E isso não sou eu quem diz, mas há milhares de israelenses que protestam contra a ação militar do seu próprio governo.

Se de um lado, estúpidos extremistas palestinos não aceitam a existência de Israel, do outro estúpidos extremistas israelenses reivindicam Gaza e Cisjordânia como parte de seu território histórico. Para estes, árabes em geral são bem aceitos no seu território, desde que sirvam para mão de obra barata. A diferença entre esses dois grupos é que Israel tem poder de fogo para levar esse intento adiante, enquanto o outro lado não.

O certo é que o islamismo radical vai ficando mais forte do que antes. E o Hamas não é o verdadeiro problema nessa equação, há outros grupos mais radicais que não obedecem a sua autoridade. Mesmo que a maioria dos seus líderes morram, surgirão outros, lembrando que as condições de vida em Gaza são uma tragédia, com crianças revoltadas diante de tanta violência social e física, prontas para serem cooptadas por grupos fundamentalistas.

Os dois lados devem parar, mas é estúpido dizer que há um conflito com partes iguais e responsabilidades iguais. Israel acha que vai conseguir controlar os ataques contra seu território com mais porrada? Aliás, será que o governo de lá esquece que foi ele mesmo quem, historicamente, contribuiu com essa situação?

Portanto, caso queira seguir essa política que adotou até agora, não é à Idade Média que Israel terá que mandar Gaza para se sentir segura e sim extirpar um povo do mapa.

O tempo passa, os papeis se invertem.

Quais as chances de jovens que vêem seus pais, irmãs, namoradas serem mortos hoje não tentarem vingar suas mortes amanhã?

Nenhuma.

FONTE: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/07/11/guerra-entre-israelenses-e-palestinos-a-palavra-certa-e-massacre/