Reitora da Unifesp ressalta importância das duas doses da vacina contra a COVID-19

Apenas 28% dos brasileiros tomaram a segunda dose da vacina e mais de 7 milhões de pessoas ainda não voltaram para tomar a segunda dose, além disso a variante delta está crescendo e a falta de vacinação, preocupa. Para garantir mais proteção à população e a volta das atividades, é preciso avançar com a segunda dose

SEFUNDA DOSE

“Precisamos continuar a vacinação e agora nos sentimos cada vez mais confiantes, mas ainda falta muito para termos segurança”. É o que afirma a professora Soraya Smaili, farmacologista da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, coordenadora do Centro de Saúde Global da Universidade e do Centro SOU_CIENCIA e reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no período 2013-2021.

A professora reforça a importância da segunda dose da vacina contra Covid-19. “Agora são 109 milhões de pessoas que receberam a primeira dose e chegamos a 70% da população, mas, temos que avançar mais na imunização, pois a vacinação com duas doses e com dose única da Janssen chegou a apenas 46 milhões, o que corresponde a 28% da população, a pandemia está longe de acabar”. 

A especialista ressalta os números de vacinados, mas pontua também que “podemos atingir um cenário ainda mais favorável se as pessoas atentarem para tomar a segunda dose. Isso porque um levantamento recente mostrou que mais de 7 milhões de pessoas não voltaram para receber a segunda dose. A vacinação completa será mais efetiva para combater a doença e evitar o surgimento de novas variantes”.

Soraya comenta que o avanço da variante delta no Brasil também preocupa pois em quatro semanas triplicou o número de casos com esta variante, de acordo com os dados do Gisaid, que reúne informações de 172 países. Além disso, fala-se agora no surgimento da variante Gama plus (a Gama que é a variante predominante no Brasil e que poderá se fortalecer). Para evitar o surgimento de novas variantes, é preciso acelerar a vacinação. “Se o Ministério antecipar a segunda dose da vacina da Pfizer, poderá ajudar muito, pois quanto mais rápido chegarmos à vacinação, mais rápido sairemos da pandemia, pois ela não acabou. Queremos a volta às aulas com segurança, bem como outras atividades. Para isso é preciso continuar avançando na vacinação, sem abandonar a máscara”. 

Apesar de nenhuma vacina oferecer proteção total contra doenças, no caso da COVID-19 todas diminuem o risco de contágio, internação e óbito. Os efeitos são garantidos sobretudo após a segunda dose do imunizante. “Por isso temos que combater a epidemia da desinformação. Os negacionistas se aproveitam até da perda de um grande ator, como o Tarcísio Meira, para desinformar a população. Tentam passar a informação de que as vacinas não funcionam, o que não é verdade. O fato é que nenhuma vacina protege totalmente, além disso, é preciso continuar usando a máscara e evitar aglomeração, não podemos facilitar”, afirma Soraya.

O que podemos fazer com o crescimento da Delta ou o surgimento da Gama plus e outras variantes de preocupação?

Vacinação é fundamental para evitar hospitalizações, sequelas e a morte pela Delta. A chance da pessoa vacinada ter sintomas é 8 vezes menor e a chance de hospitalizações é 25 vezes menor.

Além disso, a vacina pode proteger dos efeitos prolongados da COVID, que atingem 20% dos adultos, principalmente no que diz respeito memória, cansaço físico e mental entre outras sequelas. 

Enquanto não se define a necessidade da terceira dose, temos que tomar a segunda dose e continuar usando as máscaras corretas! Atenção nos locais com maior exposição, menos pessoas vacinadas e que não usam máscaras. 

Qualquer pessoa que teve COVID-19, mesmo da forma grave, deverá receber a vacinação. Os estudos mostram uma melhora da resposta imune com a vacina.