ESPN: Maracanã gasta milhões com amigos de Sérgio Cabral e cartolas

Jornal do Brasil

Reportagem de Gabriela Moreira publicada na última quinta-feira (29), pela ESPN, traz à tona um minucioso levantamento sobre as empresas escolhidas para a prestação de serviços como segurança, limpeza, orientação de público e colocação de grades, e mostra que elas são de pessoas ligadas a políticos do Rio ou da Federação de Futebol do Rio, a Ferj.

De acordo com a reportagem, empresas cobram preços mais altos que o mercado, o que justificaria, em parte, o prejuízo de R$ 46 milhões do Consórcio Maracanã, acumulado desde o início das operações da concessionária no estádio. O texto destaca que, além dos novos donos do Maracanã, clubes como o Flamengo veem seus gastos aumentarem e suas receitas diminuírem. Somente ao rubro-negro, segundo cálculos do clube, este modelo custou R$ 8 milhões a mais do que o que teria sido gasto em outros estádios, já no “Padrão Fifa”, como o Mané Garrincha, por exemplo.

Reportagem da ESPN fala das empresas que trabalham no Maracanã
Reportagem da ESPN fala das empresas que trabalham no Maracanã

A reportagem da ESPN revela que entre os fornecedores está a Sunset Vigilância e Segurança LTDA. A empresa, de acordo com o texto, é dirigida por Anderson Fellipe Gonçalves, o coronel Fellipe, ex-chefe da segurança pessoal do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. O oficial, que foi braço direito de Cabral durante os últimos quatro anos, também dirige a empresa que faz a limpeza do Maracanã, a Sunplus Sistemas de Serviço LTDA. A ESPN destaca que o Maracanã foi concedido à iniciativa privada pelo ex-governador, em um processo polêmico que enfrentou dezenas de manifestações populares, além de questionamentos da Defensoria Pública da União e do Ministério Público do Estado.

O texto prossegue revelando que o coronel fundou a empresa em 2006, como mostram documentos obtidos pela reportagem. Na época, o capital social era de R$ 120 mil. Em 2013, o oficial já não constava entre os sócios, época em que o capital já somava R$ 1,2 milhão. Em uma das movimentações na Junta Comercial, em 2013, os novos sócios pediam pressa para o registro dos documentos, pois “a empresa participaria de uma série de licitações”.

De acordo com a reportagem, o oficial nega que tenha participação na empresa. Mas, mês passado, a ESPN recebeu um cartão de visitas do policial em que ele se apresenta como diretor da companhia. Na quarta-feira 29 de maio, a reportagem ligou para a sede do grupo, na Tijuca, e a atendente disse que o coronel ficava na sede do Leblon e que mais informações poderiam ser dadas pela diretoria. Além disso, o jovem oficial pode ser visto em todo dia de jogo, à beira do gramado do Maracanã.

Com a saída do ex-governador do Rio Sérgio Cabral para que Luiz Fernando Pezão, candidato à sucessão do governo, assumisse, o coronel Fellipe também deixou o governo. Foi cedido para a Assembleia Legislativa do Rio, segundo a ESPN.

O texto prossegue afirmando que a Sunset teve seu primeiro contato com segurança de estádios na Copa das Confederações, da Fifa, ano passado. O grupo também fará a segurança da Copa do Mundo para a entidade. O ex-governador Sérgio Cabral também foi procurado pela reportagem da ESPN. Por meio de sua assessoria, ele informou que a escolha da empresa de segurança é responsabilidade do contratante.

Outra marca visível do Maracanã privado é o serviço de orientação de público. A reportagem destaca que a empresa contratada é a Entreter Festas e Eventos LTDA. Um dos sócios seria Paulo César Cupello, irmão de Carlos César Cupello, o Tio Carlos, vereador do Rio. A empresa foi fundada por ele em 2003. Atualmente, o parlamentar não faz mais parte do quadro de sócios. Ele afirmou à reportagem da ESPN que não tem qualquer participação na empresa de sua família e que sua história com o entretenimento vem muito antes de sua atuação como vereador.

De acordo com balanço financeiro publicado em março, desde o início das operações do consórcio, após a Copa das Confederações, o estádio pagou R$ 17 milhões aos serviços de orientadores e “stewards”. O valor é R$ 4 milhões a mais que as duas maiores receitas somadas, aluguel e bilheteria, que renderam R$ 13 milhões, esclarece a ESPN.

Os valores exatos dos contratos não foram divulgados, embora o Maracanã seja uma concessão pública e deveria ser regido pelas normas de transparência. Veja aqui a íntegra das respostas da concessionária que administra o estádio.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/05/31/espn-maracana-gasta-milhoes-com-amigos-de-governador-e-cartolas/

Promessas eleitorais aos professores que Sérgio Cabral esqueceu depois de eleito!

A internet é mesmo um lugar que derruba muita gente. No caso do ex-(des) governador do Rio de Janeiro, que agora se ouve não será mais candidato a senador, o pior é ter suas promessas eleitorais descumpridas desenterradas, justamente quando seu candidato, Luiz Fernando Pezão, patina nas pesquisas. Mas a imagem abaixo é um demonstração cabal de que não se pode confiar em Sérgio Cabral nem quando ele coloca sua assinatura no papel. Que o digam o alvo das promessas em questão, os sofridos professores da rede pública de ensino do estado do Rio de Janeiro!

promessas cabral

Lauro Jardim avisa que Sérgio Cabral está fora da disputa para o senado. Já Rodrigo Maia informa que não fará parte do funeral

Fora da disputa

Cabral e Pezão: unidos

O martelo está quase batido – ou melhor, está batido, mas em política é prudente sempre não ser assertivo demais: Sérgio Cabral não será candidato ao Senado.

O que desde o final de semana está sendo negociado na sucessão do Rio de Janeiro, em dezenas de reuniões e telefonemas, é:

1)Cabral abre mão de disputar o Senado em favor de Ronaldo Cesar Coelho, do PSD. Assim, integra-se o partido de Gilberto Kassab à chapa majoritária de Luiz Fernando Pezão.

2)Cesar Maia desiste de sua candidatura ao governo pelo DEM e apoiará Pezão para o governo. O partido se integrará à coligação liderada pelo PMDB. O DEM deve ganhar uma suplência para o Senado.

3)o PDT indica o vice de Pezão.

Ao menos isso é o que está sendo selado. E com o o.k. de Cabral. Mais do que o o.k.: Cabral está comandando a articulação, secundado por Pezão e Eduardo Paes.

A todos interlocutores Cabral tem ressaltado que o fundamental para ele é a vitória de Pezão, por isso abre mão de concorrer ao Senado.

(Atualização, às 17h01: Rodrigo Maia entra em contato para negar que o DEM retirará a candidatura de Cesar Maia: “Não há nenhuma hipótese de apoiarmos o PMDB do Rio. Cabral não será candidato mas não queremos estar juntos neste funeral”)

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2014/sergio-cabral-desiste-de-ser-candidato-ao-senado/

Porto do Açu, o lugar em que quase tudo é “quase”

Tem gente que acha que eu implico com o Porto do Açu, mas a verdade é que não me opus ao empreendimento, apenas à forma adotada por Eike Batista e pela CODIN para instalá-lo no V Distrito de São João da Barra. É que na forma adotada, centenas de famílias de trabalhadores rurais tiveram suas terras subtraídas e muitas ainda esperam o pagamento dos valores miseráveis que o (des) governo de Sérgio Cabral/Pezão decidiu que elas valiam.

Agora uma matéria do Jornal Folha da Manhã me fez aumentar a minha impressão pessoal de que nem os novos donos estadunidenses estão conseguindo dar forma a um empreendimento que Eike Batista lhes entregou totalmente torto. Começando pela manchete e indo pela matéria adentro, o que se vê são repetições de promessas antigas e indicações de novas direções para ver se o Porto do Açu não afunda.

capa folha

À primeira vista, a mudança de vocação apontada na manchete não seria um problema, mas dado o tamanho inicial do projeto e tudo o que prometia em sua retroárea, o que se subentende é que o empreendimento realmente vai encolher brutalmente, já que a área de petróleo a que a matéria se refere provavelmente não se coloca no filé mignon do refino. Mas afora a informação de que os terminais continuam inconclusos e que a linha de transmissão de energia só deverá ficar pronta no final de 2016 indica que os custos da Prumo continuarão sendo muito altos para tocar o pouco que foi instalado. Este fato deve, ou pelo menos deveria, estar ligando os sinais de alerta na sede do Grupo EIG em Washington DC, visto que a Prumo acumulou só em 2013 prejuízos na ordem de US$ 60 milhões. 

Mas um dado precioso e que merece atenção é a informação inserida na matéria é que dos 7.000 hectares desapropriados pela CODIN para beneficiar o Grupo EBX, apenas 1.000 estariam tendo algum uso até o momento. O fato é que este dado não me parece real, e o mapa abaixo pode ajudar aos leitores a entenderem o porquê do meu ceticismo.

Figura 2 col pt circulo

É que em minha andanças na região do Açu, apenas verifiquei o uso de parte da área que está no interior do circulo vermelho, próximo da área oceânica. Já para o resto da área desapropriada, não há efetivamente nada feito, ficando a região ocupada apenas por torres de transmissão de energia, as quais se encontram como aponta a matéria da Folha da Manhã, sem os cabos! Em outras palavras, toda essa terra desapropriada se encontra literalmente improdutiva! E como as empresas anunciadas na matéria são velhas promessas, questiono se sua instalação (seja lá quando isso for acontecer) vá mudar o cenário de terra improdutiva que o Porto do Açu gerou no V Distrito de São João da Barra. 

Para piorar o cenário do “quase” no Porto do Açu, outra matéria que eu encontrei hoje, só que no Jornal O Globo, onde o tema é a escolha preferencial de grandes mineradoras como a Rio Tinto e a BHP Hilliton pelas grandes jazidas de minério de ferro existentes na Austrália para abastecer o mercado chinês.

capa china

É que enquanto a viagem do Brasil (do Porto do Açu incluso) leva em torno de 45 dias, o percurso da Austrália é de apenas 15 dias. Dai não é preciso ser grande analista de mercado para estimar que a concorrência com o ferro australiano se tornará praticamente inviável, o que deverá repercutir diretamente no projeto da Anglo American em Conceição de Mato Dentro que, por sua vez, ainda é um dos alicerces reais do Porto do Açu. Em outras palavras, a mudança de vocação é fruto de realidades que extrapolam o contexto imediato de São João da Barra. Resta saber se a Prumo vai conseguir operar essa mudança ou vai ficar no “quase”.

Enquanto isso, no que realmente me interessa, as centenas de famílias que foram desapropriadas estão privadas desse meio de sobrevivência e nós todos dos alimentos que eles produziam. E esse é a única coisa que não é “quase” no Porto do Açu.

A crise da C&T fluminense não é só financeira, mas de falta de projeto

 Os apoiadores do (des) governo Cabral/Pezão vivem alardeando que nunca se investiu tanto em ciência e tecnologia no Rio de Janeiro. Além disso não ser verdade, há que se convir que nada explica o fato de que todo o investimento feito em Ciência e Tecnologia no Rio de Janeiro seja apenas um quarto do que disponível em São Paulo, por exemplo. Afinal, apesar de não sermos tão ricos quanto nossos vizinhos, o Rio de Janeiro é a segunda economia da federação, e não se explica apenas pelo aspecto financeiro tamanha desproporção de investimentos.

Além disso, como alguém que acompanha a situação global do desempenho da C&T, vejo que parte do crescimento do orçamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) se deu à custa do encurtamento do orçamento das universidades, o que prejudicou a situação tanto das universidades como da própria fundação. É que nessa política de cobertor curto, ficamos com uma perda de autonomia financeira nas universidades e um desvirtuamento do papel da fundação. Basta notar quanto do montante investido pela FAPERJ se deu na forma de verba descentralizada para as universidades. Assim, vejo que o aparente crescimento do investimento não ocorreu de fato, pois o montante final acabou sendo basicamente o mesmo. Aliás, algo que é preciso ser ressaltado é que não temos nenhuma forma de controle sobre onde é gasto aquilo que se diz ter sido gasto em C&T. De quebra, a capacidade das Instituições de Ensino Superior estaduais de decidir de forma autônoma os seus eixos de pesquisa também se tornou praticamente nula. Além disso, tenho informações seguras de que a UENF está perdendo espaço em determinadas ações de descentralização financeira dentro da FAPERJ, dada a capacidade maior de pressão que o reitor da UERJ possui.

Por outro lado, a profusão de editais lançados pela FAPERJ à guisa de diversificar seu portfólio de áreas gerou uma prática nefasta para os pesquisadores que é de se cortar quase sempre 50% do que é solicitado, o que compromete a qualidade das pesquisas que, porventura, sejam agraciadas com financiamentos. 

Outro aspecto pouco abordado é o uso da FAPERJ para apoiar instituições privadas de ensino que, a grosso modo, não possuem nenhuma tradição de pesquisa, fato que não tem impedido que recursos escassos nas instituições públicas sejam repassados para estas entes privados com um retorno para lá de duvidoso.

Quero lembrar também que nos anos de 1999-2002 (no governo de Anthony Garotinho) tivemos um afluxo impressionante de recursos na UENF via FAPERJ, o que não se repetiu em nenhum outro governo depois, ao menos no que tange nas atividades precípuas da FAPERJ, e não no que se transformou a fundação nos últimos 7 anos e cinco meses. E o interessante é que não vejo esse balanço sendo feito dentro da UENF, provavelmente porque teríamos de fazer uma auto-crítica de como todo aquele dinheiro foi empregado e quais foram resultados objetivos, tanto do ponto de vista de ciência básica como aplicada.

Voltando à minha análise sobre a falta de uma direção capaz à frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Aqui!), não me prendi ao elemento financeiro, justamente por todos os itens listados acima. Para mim, o elemento econômico não sobrepõe ou resolve a inexistência de uma verdadeiro política de desenvolvimento científico e tecnológico. E esses três secretários que eu abordei jamais se posicionaram pela formulação de uma política fluminense de C&T. Em minha modesta opinião, e principalmente no primeiro mandato de Sérgio Cabral, o que ocorreu foi a troca dessa formulação por desembolsos financeiros que aliviam mas não resolvem as lacunas existentes no fortalecimento de um sistema fluminense de C&T. E não haveria como com o quilate dos secretários que foram se sucedendo cujo conhecimento da pasta era próximo do nulo. Aliás, o enfraquecimento da SECT está na raiz das dificuldades estruturais que todas as universidades estaduais sofrem neste momento.

Veja os secretários e entenda porque a Ciência e Tecnologia fluminense afundou no (des) governo Cabral/Pezão

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Gustavo Tutuca

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Alexandre Vieira

Sabe-se que a designação da ocupação cargos de secretário de pastas nem sempre segue a capacidade ou, tampouco, o preparo intelectual para cumprir as funções que as mesmas requerem. O mais corriqueiro é que os ocupantes do comando das secretarias siga apenas o critério das alianças eleitorais ou mesmo do nível de amizade entre determinados membros das elites políticas e econômicas. No entanto, determinadas pastas estratégicas deveriam ficar fora desse tipo de arranjo, visto que seu funcionamento possuem efeitos duradouros e que podem comprometer objetivos que vão além de governos pontuais. Um desses casos é o da Ciência e Tecnologia de cujo desenvolvimento depende uma série de questões que vão daquelas de caráter puramente econômico até as de interesse puramente coletivos. Assim, olhar para o perfil do secretário de Ciência e Tecnologia normalmente revela as prioridades, ou a falta de prioridades de um determinado governante. Nesse caso o (des) governo comandado pela dupla Sérgio Cabral/ Luiz Fernando Pezão.

É que se olharmos para a sucessão de ocupantes da pasta, veremos que  despreparo para uma função tão estratégica ficou claro logo no primeiro dos três que ocuparam o assento. O médico não-praticante Alexandre Cardoso ficou à frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro por quase todo o (des) governo Cabral/Pezão, saindo apenas para concorrer e vencer a eleição para a Prefeitura do município de Caxias. Alexandre Cardoso passou pela secretária de Ciência e Tecnologia sem nenhuma ação marcante, o que colocou essa área do governo numa posição cada vez mais secundária, e com as decisões centrais de sua pasta, tais como o tamanho do orçamento das universidades estaduais, concentradas em outras mãos. 

Se os anos de Alexandre Cardoso já significaram um ciclo de desvalorização de C&T fluminense, a posse no início de 2013 do jovem no cargo de secretário de C&T deputado Gustavo Tutuca sinalizou que Cabral e Pezão optaram por fortalecer paroquiais em Piraí, base política original do então vice-(des) governador em vez de recolocar a pasta nas mãos de alguém que realmente entendesse do assunto. Gustavo Tutuca, formado em Análise de Sistemas pela Universidade Estácio de Sá, exerceu a sua profissão no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais e na Cervejaria Cintra, antes de assumir cargos na prefeitura de Pirai, com os quais acabou sendo eleito deputado estadual. A sua indicação para a secretaria de C&T do Rio de Janeiro se deu com base no fato de que, enquanto deputado, Tutuca apresentou um projeto de lei sugerindo que o programa “Um Computador por Aluno” fosse levado para todas as regiões do Rio de Janeiro.

Como último membro desta tríade de secretários despreparados temos um outro Alexandre, o Vieira, ligado diretamente a Gustavo Tutuca, pois apesar de ser natural de Volta Redonda, também é cidadão da “República de Pirai”. Antes de ser alçado à liderança secretária de C&T, Vieira foi consultor parlamentar na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O interessante notar que entre uma indicação política e outra, Alexandre Vieira está tentando concluir seu mestrado em Administração Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE/FGV-RJ)!

Nunca é demais notar que na cidade do Rio de Janeiro talvez esteja a maior concentração de universidades federais do Brasil, onde trabalham algumas das principais lideranças científicas da América Latina que participam dos principais organismos científicos internacionais. Aliás, basta lembrar que nos anos de Anthony e Rosinha Garotinho, o ocupante o secretário de Ciência e Tecnologia foi Wanderley de Souza, um dos principais pesquisadores brasileiros e membro da Academia Brasileira de Ciências. Com Wanderley de Souza tive fortes desavenças de opinião, especialmente na questão da autonomia da UENF. Entretanto, nunca duvidei do fato que com ele era possível tratar dos problemas afetando as universidades estaduais de um ponto mais elevado, Wanderley de Souza entende bem o que essa área estratégica requer para ajudar no desenvolvimento econômico e social. Em outras palavras, pelo menos na área de que estou falando, os anos de Cabral e Pezão se apresentaram como um verdadeiro desastre e dos quais ainda levemos décadas para nos recuperar. O problema é que os custos sociais e econômicos serão sentidos por todos nós, sejamos membros da comunidade científica ou cidadãos que dependem do desenvolvimento da ciência para melhorar o seu sofrido dia-a-dia.

A reitoria da UENF já é a grande derrotada da greve

O dia de hoje promete ser movimentado, e com muita gente esperando (inclusive eu) para ver se o jovem secretário Alexandre Vieira vai tirar um coelho da cartola no último minuto para quebrar a nossa greve com uma proposta financeira lamentável sob todos os pontos de vista.

Em qualquer um dos cenários, chegada ou não de um projeto de lei na ALERJ, vou defender a retomada da greve. Farei isso por entender que só em greve poderemos melhorar essa proposta que se aprovada do jeito que está nos lançaria num ciclo interminável de greves. 

Por outro lado, há que se analisar a situação institucional que se armou com o fracasso e evidente colapso da reitoria da UENF no papel de liderança, seja no plano interno ou no externo. No interno chega a ser ensurdecedor o silêncio do reitor que simplesmente desapareceu de cena, e deixou seu vice-reitor para navegar um barco em águas cada vez mais turbulentas. E aqui falo da situação que se armou com os técnicos que hoje se sentem traídos em relação ao cumprimento de promessas eleitorais que lhes garantiria ganhos que hoje se mostram implausíveis. Além disso, a incapacidade de sequer pagar bolsas estudantis no início de cada mês resultou no fechamento do campus por um dia inteiro, sem que ninguém da reitoria conseguisse vir com uma explicação porque isto está ocorrendo, já que não se ouve falar que esse problema esteja ocorrendo na UERJ ou na UEZO.

Mas se plano interno a situação é essa, no plano externo as informações que chegam é que a UENF nunca esteve tão desmoralizada e sem capacidade de defender seus interesses básicos junto ao (des) governo do Rio de Janeiro. É que acostumados a ter tudo controlado no plano interno, os ocupantes da reitoria apostaram na submissão como método de angariar recursos do estado. E ai, como temos o Ricardo Vieiralves fazendo justamente o oposto na UERJ, adivinhem quem está conseguindo suplementação em cima de suplementação, e conseguindo levar seu barco por águas mais calmas? Sim, Ricardo Vieiralves, é óbvio.

Em função disso tudo, é que vamos ter que nos preparar para sair desse impasse através de ações que consigam unir toda a UENF em torno de uma saída de uma crise sem precedentes na história de nossa jovem universidade. E não pensem que estou falando das eleições do segundo semestre de 2015 onde deveremos escolher um reitor. Essa eleição está longe demais e a crise de que estou falando vai ficar muito pior se na ALERJ for aprovada a tabela que foi apresentada para os servidores técnico-administrativos. Afinal, alguém acha que eles não vão continuar indignados como estão neste momento?

Finalmente, uma coisa que eu acho positivo nessa situação toda é que ficou demonstrada a completa incapacidade dessa reitoria de substituir os sindicatos na tarefa de defender direitos trabalhistas. Só por isso, já temos o grande derrotado desta greve: o ancien régime que domina a reitoria faz mais de uma década. 

Professores da UENF e o Primeiro de Maio: Pezão, deixa a gente trabalhar!

Após 46 dias de greve e se aproximando das celebrações do Dia do Trabalhador, os professores da UENF decidiram comemorar com humor o contínuo descaso a que estão sendo submetidos pelo (des) governo do Rio de Janeiro, agora (des) comandado pelo impoluto Luiz Fernando Pezão. 

O que mais me impressiona (será que deveria?) é ver a cara-de-pau com que o (des) governador Pezão vem a público na entrevista concedida no Programa Panorama Continental condicionar a realização de uma audiência com o reitor da UENF ao fim da greve geral que hoje paralisa as atividades na instituição. Algum assessor menos desavisado deveria lembrar ao Sr. Pezão que já no longínquo mês de setembro de 2013, ele se comprometeu com uma delegação da ADUENF a resolver os problemas afligindo os professores em sete dias. Assim, sete meses depois vir com a mesma ladainha de sempre é, no mínimo, um completo descaso.

É por esse tipo de postura inconsequente do (des) governo do Rio de Janeiro que os professores da UENF estarão celebrando o Primeiro de Maio com o lema “Pezão, deixa a gente trabalhar”!

Eu acrescentaria: Pezão, você precisa começar a trabalhar mais, e fazer menos campanha eleitoral!

Porto do Açu: um projeto mergulhado em problemas

O Prof. Roberto Moraes publicou no dia de ontem (21/04) uma postagem em seu blog que deverá deixar muita gente que ainda acredita no projeto do Porto do Açu com a pulga atrás da orelha (Aqui!), pois toca num ponto muito sensível que é a própria estabilidade estrutural dos quebra-mar que deverão proteger os dois terminais de atracamento. Apesar de notícias da instabilidade estrutural do Porto do Açu estarem sendo ventiladas há pelo menos dois anos, o mérito desta postagem é colocar a questão dos quebra-mar como a questão mais urgente e certamente de mais difícil solução técnica, já que a força das correntes na região é sabidamente forte. Que o digam os habitantes das localidades que ficam na saída do delta do Rio Paraíba do Sul, principalmente Atafona onde o processo erosivo continua avançando de forma impiedosa.

Mas as notícias de problemas com o Porto do Açu não se restringem a problemas de engenharia. Outra questão que volta e meia aparece, ainda que timidamente, se refere à condição em que estão vivendo os trabalhadores que atuam nas obras, aos quais estariam sendo negados condições mínimas de moradia e acesso a serviços básicos. Nesse caso, se incluiriam trabalhadores das empresas Acciona e Armatek que estariam sendo amontoados em Grussaí em residências que não possuem condições físicas de hospedá-los. As imagens abaixo me foram enviadas como demonstração dessa situação que estaria causando uma forte insatisfação não apenas entre os trabalhadores, mas principalmente nos moradores de Grussaí.

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A questão que me parece mais absurda em tudo isso é que afora uma citação de problemas num blog ou outro não há qualquer cobertura com maior profundidade de qual é a real situação do empreendimento chamado “Porto do Açu”. Se não bastassem as questões de engenharia ou as repetidas reclamações envolvendo a situação dos trabalhadores, há ainda o problema irresoluto das escabrosas desapropriações de centenas de famílias de agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra, muitas das quais hoje se encontra contestadas e virtualmente paralisadas na justiça.

Enquanto isso, um dos idealizadores dessa situação, o ex-bilionário Eike Batista, anda enrolado com problemas com a CVM e com a Polícia Federal. A questão que me vem à mente é a seguinte: por que só ele? 

Luiz Fernando Pezão, o (des) governador voador

A situação do uso de helicópteros de propriedade do Estado pela dupla de (des) governantes Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão é pública e notória, e já teve até um ato de (falsa) contrição pública quando até o cachorro Juquinha foi flagrado usando as aeronaves abastecidas com dinheiro público. Agora, a situação de Pezão chegou ao limite máximo da apropriação de recursos públicos para a auto-promoção de sua candidatura ao posto de (des) governador do Rio de Janeiro em outubro.  O uso dos aparelhos é tão descarado que até o O GLOBO preparou uma matéria para revelar a todos nós os números dessa farra.

E há que se lembrar que esses são os mesmos (des) governantes que afundaram os salários do funcionalismo público ao nível de piores do Brasil e vem promovendo uma política de remoções que beira a higienização social e racial na cidade do Rio de Janeiro. Isto sem falar nas festas com guardanapos na cabeça em restaurantes luxuosos em Paris!

Finalmente, a pergunta que se coloca é a seguinte: cadê o TRE, cadé o MPE? Ou será que a justiça eleitoral só vale para Lindbergh Farias e Anthony Garotinho?

 

Em 8 meses, Pezão fez 381 viagens de helicóptero

Desde agosto de 2013, ele esteve em 53% dos trechos voados em atos oficiais; no mesmo dia, foi a oito cidades

FÁBIO VASCONCELLOS E JULIANA CASTRO

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Governador Luiz Fernando Pezão sobe em helicóptero oficial<br /><br />
Foto: Fabio Rossi / O Globo

Governador Luiz Fernando Pezão sobe em helicóptero oficial Fabio Rossi / O Globo

RIO — No seu discurso de posse, feito há pouco mais de uma semana, ao assumir o governo do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirmou para centenas de prefeitos e aliados políticos que comandará o estado com o “pé no barro”, como ele sempre gostou de ser conhecido. Mas a expressão, usada para afirmar a disposição de visitar todas as cidades, nos próximos oito meses, poderia ser substituída também por “pé nas nuvens”.

Um levantamento feito pelo GLOBO com base nas planilhas de utilização dos helicópteros à disposição do primeiro escalão do governo do estado mostra que Pezão, quando era vice-governador, mas já conhecido como pré-candidato do PMDB ao governo, esteve presente em 53%, ou 381 dos 719 trechos percorridos pelas aeronaves do governo entre agosto de 2013 e março deste ano.

Sérgio Cabral, então governador, esteve em apenas 30% dos trechos. Na média, é como se Pezão voasse para dois lugares quase todos os dias.

Foram muitos os destinos na Região Metropolitana, na Baixada Fluminense e no interior do estado. Houve casos em que Pezão chegou a ir a oito cidades num mesmo dia. Em 14 de janeiro deste ano, por exemplo, o então vice-governador deixou o heliponto da Lagoa e foi para Varre-Sai, Porciúncula, Natividade, São Francisco de Itabapoana, São João da Barra, Quissamã, Carapebus, Conceição de Macabu, e depois voltou ao Palácio Guanabara.

Pelas planilhas, consta que Pezão foi às cidades assinar protocolos do programa Somando Forças, de repasse de recursos para obras de infraestrutura — responsável, somente este ano, por convênios com municípios que chegam quase a R$ 250 milhões.

O mês que Pezão mais utilizou as aeronaves foi janeiro passado: fez 84 trechos. No dia 27 daquele mês, o peemedebista foi a sete cidades do interior do estado e, no dia seguinte, a outras sete lançar o Programa Somando Forças.

Governo diz que dados sobre voos são transparentes

Pelas planilhas, setembro de 2013 foi mês com o segundo maior número de voos de helicóptero feitos por Pezão: foram 51 trechos. O volume de viagens nesse mês coincide com início das obras do Bairro Novo, que consiste em levar asfaltamento de ruas. O programa vai liberar, até o fim de setembro de 2014, antes das eleições, R$ 1,3 bilhão para 19 municípios da Região Metropolitana do Rio, que concentram 34% do eleitorado fluminense.

No discurso de posse no Palácio Guanabara, Pezão afirmou que milhares de ruas da Baixada não estão asfaltadas e que o seu plano é mudar esse cenário. Embora negue o uso eleitoral das aeronaves, a intensificação das viagens coincide também com a estratégia do PMDB e de aliados de tornar Pezão mais conhecido. Uma das medidas era assumir o governo no lugar de Cabral, a outra, colocá-lo para viajar pelo estado.

Em nota, o governo do estado afirmou que “o uso dos helicópteros do estado tem ocorrido de acordo com o decreto regulamentador e consta do site da Casa Civil”. Disse ainda que há “total transparência no uso de aeronaves”.

Tarefa de vistoriar obras

A nota acrescenta que Luiz Fernando Pezão exercia também, até o último dia 3, o cargo de coordenador de Projetos e Obras de Infraestrutura do estado. “Dentre as atribuições da função, estão vistoria, lançamento e inauguração de obras executadas nos 92 municípios do estado. Pela necessidade de deslocamentos ágeis, em função da agenda, os deslocamentos ocorreram em aeronave”.

Pelas planilhas do voos do governo do estado, Cabral continuou usando o helicóptero para ir nos fins de semana para sua casa em Mangaratiba com a família, sob o argumento de que era uma recomendação da Subsecretaria Militar. Sob o mesmo pretexto, Pezão também utilizou a aeronave, em março, para seguir de Piraí, cidade da qual foi prefeito e onde tem sua base política, para o heliponto da Lagoa. Os dois também usaram helicópteros do estado para percorrer trechos curtos, do Santos Dumont ao Palácio Guanabara.

As planilhas com a indicação dos voos e os respectivos passageiros passaram a ser divulgadas após a revelação de que Cabral utilizava aeronaves para deslocamentos curtos, como da Lagoa ao Palácio Guanabara, ou mesmo para viagens com a família para Mangaratiba. Diante da má repercussão, Cabral publicou no Diário Oficial, em 5 de agosto do ano passado. No dia seguinte, as informações passaram a ser divulgadas.

FONTE: http://oglobo.globo.com/pais/em-8-meses-pezao-fez-381-viagens-de-helicoptero-12181377#ixzz2yrO9lP2O